O PT depende do ex-prefeito Pedro Celso Zuchi para não morrer nas próximas eleições - Jornal Cruzeiro do Vale

O PT depende do ex-prefeito Pedro Celso Zuchi para não morrer nas próximas eleições

02/07/2020

O fator Zuchi para o PT I

Gaspar tem até agora na praça três pré-candidatos declarados à corrida pela prefeitura: o atual prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, com uma penca de partidos empoleirados na barrosa; Sérgio Luiz Batista de Almeida, PSL, que está associado ao Patriotas, e Rodrigo Boeing Althoff, PL, provavelmente, sem coligação. A curiosidade é pelo nome do PT, e seus parceiros. O PT ameaça ir pela quinta vez com Pedro Celso Zuchi (foto). Em três delas, Zuchi se elegeu. Ah! Antes de prosseguir: o DEM também diz que terá candidato. É um empresário, informa-se. Enquanto os demais estão expostos e sendo desqualificados pela máquina de “moer” do poder de plantão nas redes sociais, o suposto candidato do DEM está “escondido” para não sofrer “perseguições” da atual administração. E o presidente da Comissão Provisória do DEM gasparense, Paulo Filippus, está nas mídias sociais medindo forças com o MBL nacional. Ele foi um dos fundadores e se diz decepcionado com o grupo conservador que ajudou eleger Jair Messias Bolsonaro, sem partido.

O fator Zuchi para o PT II

Volto. O que significa a candidatura de Zuchi. Muita coisa. A primeira, é de que o PT não quer desistir fácil da oportunidade: quer ser a segunda via no embate e tenta anular a possível terceira via para o presente e o futuro. A segunda, é de que não se renovou e não construiu alternativas a Zuchi, agora com 68 anos. A terceira é que Zuchi corre o risco de reescrever uma biografia vitoriosa. Ninguém antes fez três mandatos em Gaspar perdendo apenas um pleito. Quarto, no caso de vitória, a gestão ficará mais arriscada porque ele vai pegar uma prefeitura tecnicamente quebrada e sem um parceiro em Brasília ou Florianópolis para as verbas como teve para as obras de infraestrutura por aqui no passado; o PT no poder via a ex-senadora Ideli Salvatti e Décio foi a salvação. Quinto, o PT dessa vez manchado e o núcleo de Blumenau – o dos protetores Décio Neri e Ana Paulo Lima, os amigões do ex-presidente e ex-presidiário Luiz Inácio Lula da Silva – enfraquecido ao ponto de sequer conseguir eleger um vereador, arrisca-se ao velório.

O fator Zuchi para o PT III

Zuchi é uma ilha neste momento. Um fio de esperança aos que precisam e desejam o enfrentamento. Se o PT não necropsiar – com propriedade e profissionalismo que faltou à CPI das supostas irregularidades da Rua Frei Solano - às entranhas do governo de Kleber e principalmente do prefeito de fato, presidente do MDB e super-secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, Zuchi será uma boia solitária à espera de uma âncora. Nem os que rodeiam Zuchi mudaram. Vem aí os mesmos com Soly Waltrick Antunes Filho, Doraci Vaz, Antônio Carlos Dalsochio, José Amarildo Rampelotti, Mariluce Deschamps Rosa, Lovídio Carlos Bertoldi entre outros como marinheiros da barca. São eles que querem Zuchi como comandante. E a conta é simples. Com Zuchi candidato a prefeito há fácil uma nominata de 16 candidatos a vereador. Sem ele, ela cai pela metade os corajosos. Se Zuchi for candidato, a conta é de que é possível manter as três vagas na Câmara como é hoje, mesmo que não se eleja. Sem Zuchi, vai ser no pau da goiaba eleger um.

O fator Zuchi para o PT IV

Tudo isso tira o sono dos petistas gasparenses que já reinaram como poucos por aqui misturando conservadores e progressistas. A Executiva estadual força Zuchi para a candidatura. Sabe que o momento não é o mais próprio para um “Lula lá”, que padece da mesma doença da não renovação no âmbito nacional. Um nome corre por fora: é o do vereador Rui Carlos Deschamps, ex-funcionário e diretor no Samae, ex-superintendente do Distrito do Belchior. Ele até topa, mas ser vice. Mas, de quem? Eis a questão. Com Kleber já há uma disputa – PP e PSD - pela vaga e que não está acrescentando nada. E com o PT é tudo o que os adversários gostariam com Kleber. Com o PSL e DEM, definitivamente não há liga por questões ideológicas ou princípios. Sobraria o PL que já mandou recados que explicitamente não quer esta associação pois favorece sobremaneira o discurso de Kleber. Entretanto, no escurinho até que aceitam trocas de olhares para descarregar os votos e tirar Kleber do poder. E se isso acontecer, Zuchi continuaria com a sua biografia de administrador gasparense intacta. E o PT, purgando os seus próprios erros e pecados à espera de que 2022 a história seja outra como registram as tábuas das marés. Acorda, Gaspar!

 

TRAPICHE

A poderosa máquina de fazer votos com um monte de partidos em torno de si, via interesses comuns, somados às centenas de comissionados e funções gratificadas pagas com dinheiro público em plena crise econômica, onde o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, ainda não mexeu no seu alto salário de R$27.356,69, resgata fotos da campanha perdedora de oito anos atrás para dizer que a nova liderança do PL é sua amiga e que não vai deixá-la na mão deste ano.

Isto é intencional. É para confundir e dividir o eleitorado PL do engenheiro, professor e ex-vereador Rodrigo Boeing Althoff. É o poderoso MDB com os satélites PP, PSD, PSDB, PDT, PDC estão perdendo simpatizantes por detrás dos panos. É uma traição invisível que pode custar caro nas urnas.

É verdade que já estiveram bem lá atrás. No presente, todavia, mostra que os dos palanques de 2012 seguiram caminhos bem diferentes. Uns se tornaram políticos profissionais; eles se estabelecerem nas tetas públicas e nas dúvidas. Outros foram se aperfeiçoar e construir alternativas de sobrevivência fora da política. E agora, expõem os antigos amigos nos erros e que querem esconde-los dos eleitores. Só isso! 

Ninguém chuta cachorro morto. Há duas semanas na Câmara, o líder de Kleber, Francisco Solano Anhaia, MDB, confessou já ter sido eleitor do ex-vereador Rodrigo. Mas, do nada, desfiou uma lista de defeitos do pré-candidato a prefeito. Normal! Propositadamente, esquecido ou mal-agradecido, Anhaia esqueceu de colocar na lista o que o diretor de Habitação, Rodrigo, fez para Anhaia não perder à sua própria residência na Margem Esquerda. Cada coisa!

Afogando-se. O MDB está com problemas. Prometeu candidaturas de vereadores para manter as filiações. Agora está fazendo uma peneira no próprio partido e nos coligados. O chororô é grande. As preocupações também.

Mistério ou algo óbvio? Enquanto faltam agentes para os serviços na gestão do trânsito da cidade, as constantes escoltas para o transporte de máquinas colheitadeiras de arroz pelo caminhão prancha da prefeitura de Gaspar se tornou um bico disputado entre os agentes. Ai, ai, ai.

A campanha. Uma faixa estendida sobre a rua diz: "obrigado prefeito Kleber e toda a sua equipe! Bairro da Lagoa agradece o asfalto". O bolsonarista de carteirinha, Demetrius Wolff, DEM, escreve à coluna aquilo que parece ser óbvio e não muda mesmo diante de tanto esclarecimento aos incautos: "agradecer por obras pagas com dinheiro público é o mesmo que agradecer ao caixa de autoatendimento do banco por ter dado o seu dinheiro".

Os estragos da tempestade de terça-feira à tarde é um aviso aos políticos e gestores públicos indecentes. Eles, na caça de votos de gente analfabeta, desinformada, ignorante, pobre e desassistida, viram e mexem, querem afrouxar às regras legais de proteção aos expostos aos fenômenos severos naturais, que são constantes na nossa região e estão se agravando devido à mudança climática. Meu Deus!

Definitivamente, o poder de plantão em Gaspar não conhece as palavras contingência, planejamento e prioridade. Com o temporal de terça-feira, o Samae emitiu uma nota que devido à falta de energia elétrica a cidade poderia ficar sem água. Um simples gerador, rejeitado pelo ex-diretor presidente da autarquia, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, resolveria o problema.

Pergunta que não quer calar: o que é feito do articulador e ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt, nascido no MDB, que se filiou no DEM e de lá foi desfiliado pelos locais contra a vontade dos dirigentes estaduais?

 

Edição 1958

Comentários

Miguel José Teixeira
05/07/2020 23:01
Senhores,

Flávio X Flávio

Flávio Bolsonaro, o zero 1 "siborra" ao ouvir o nome Flávio Itabaiana!

Também, pudera!
. . .
"Flávio Itabaiana de Oliveira Nicolau é de uma família de magistrados. É trineto do desembargador José Joaquim Itabaiana de Oliveira, bisneto do desembargador Arthur Vasco Itabaiana de Oliveira, neto do desembargador Aires Itabaiana de Oliveira e filho do desembargador Clarindo de Brito Nicolau. No antigo Estado do Rio outro magistrado do mesmo sobrenome, Décio Itabaiana, primo da mãe do juiz da 27ª Vara, andava armado e protagonizava ações controversas, que chegavam ao noticiário da época. Em 1964, ameaçou prender um delegado se não impedisse a realização, no Instituto Abel, em Niterói, de um bingo, com sorteio de um carro zero quilômetro. Considerou o sorteio jogo de azar. Pouco depois, condenou um motorista a, uma vez por mês, copiar todo o código de trânsito.

O Itabaiana dos dias atuais também tem personalidade forte, mas é avesso à publicidade - agradeceu e recusou-se a dar entrevista ao Estadão. Estudou em escolas superiores privadas. Ingressou em 1978 na Universidade Santa Úrsula, onde se graduou engenheiro elétrico. Especializou-se em engenharia econômica no Centro Cibernético Gay-Lussac, em 1984. No ano seguinte, ingressou no curso de direito da Universidade Cândido Mendes, onde se formou em 1989. Seis anos depois, em 1995, ingressou por concurso público na carreira de juiz no Tribunal de Justiça do Rio. Lá, é considerado um trabalhador compulsivo e um chefe cobrador. Profissionalmente, tem um sonho: chegar a desembargador, como os antepassados - seria o quinto da linhagem. Casado pela segunda vez, é discreto na vida pessoal e reservado no trabalho. Já processou advogados que considerou terem se excedido e o desrespeitado."

(leia mais em: https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/um-engenheiro-no-papel-de-juiz-durao-do-caso-queiroz,accb5bfb5a5cfa6908c682bda0c2359dftm63fxk.html)
...

OOOps. . .é Engenheiro Eletricista e não Elétrico conforme registrado no texto.
Herculano
05/07/2020 17:08
QUEM SABE SABE, por Vera Magalhães, no jornal O stado de S. Paulo

Pragmáticos superam Guedes, militares e ideológicos e fazem a cabeça de Bolsonaro.

Quando a coisa fica feia, quem você chama para resolver? Se o problema é de natureza política, o risco é um impeachment e ao seu redor só há neófitos no assunto, alguns claramente perturbados por delírios ideológicos, é melhor você chamar os profissionais do ramo.

Foi o que Jair Bolsonaro fez, quando a insensatez com que vinha conduzindo o País desde janeiro ameaçava de fato desaguar numa interdição de seu mandato, por alguma das muitas frentes abertas para conter seu ímpeto autoritário e genocida.

Foi buscar logo os mais experientes. Convencionou-se falar em "Centrão", mas é bom dar nomes aos bois. Hoje, quem faz a cabeça do presidente em primeiro lugar não são os militares, alquebrados pela forma como as Forças Armadas foram desgastadas pelo delírio golpista do presidente, nem Paulo Guedes, cuja agenda liberal foi solapada pela crise da pandemia e pelo populismo que o chefe vai adotando sem cerimônia, nem os malucos ideológicos, dos quais o "capitão" parece que vai se cansando.

O conselheiro-geral da República se chama Gilberto Kassab, preside o PSD, avalizou dois ministros em um mês, ajudou a calar a matraca presidencial e ?" milagre dos milagres ?" ainda escapa incólume da artilharia dos filhos e dos fanáticos da internet.

Surpreendente, mas não para o personagem em questão. Kassab foi vice de José Serra na chapa para a Prefeitura de São Paulo em 2004 e virou prefeito quando o tucano foi disputar o governo, dois anos depois. Contra todas as apostas, foi reeleito em 2008, derrotando a ex-prefeita Marta Suplicy e o ex-governador Geraldo Alckmin, cuja teimosia em disputar o cargo rachou a aliança PSDB-DEM.

Dessa fissura começou a ser gestado o plano de Kassab de ter o próprio partido, ao qual dedicou seu segundo mandato. Se em 2010 ainda manteve a aliança com Serra, passou os quatro anos do primeiro mandato de Dilma Rousseff num processo de aproximação com o PT que lhe rendeu o Ministério das Cidades no segundo mandato da petista.

Dali saiu em 15 de abril de 2016, exatos dois dias antes de o impeachment ser aberto na Câmara. Um mês depois, assumia o Ministério de Ciência e Tecnologia de Michel Temer, a mais rápida metamorfose política até para a exótica política brasileira.

Em 2018, se aliou ao antes arqui-inimigo Alckmin e se aproximou de João Doria, de quem recebeu logo na transição a Casa Civil, pela lealdade. Virou alvo de inquérito na Lava Jato e a nomeação foi "congelada", em outra peripécia desse personagem sui generis na política nacional: está há 550 dias licenciado sem vencimentos de uma pasta que nunca ocupou! Isso no governo do maior adversário atual do novo "brother", o presidente Bolsonaro.

Graças a Kassab, Bolsonaro nomeou Fábio Faria para as Comunicações, neutralizando as bobagens que o voluntarioso Fábio Wajngarten vinha fazendo. Faria já começou um trabalho silencioso de aproximação com os veículos de mídia que o presidente se esmerou em ter como inimigos. Também foi do novo ministro o conselho para que o presidente diminuísse suas declarações, que quase sempre produziam uma nova crise para si mesmo em meio à maior pandemia do século.

Percebendo o efeito concreto da aproximação com o Centrão em geral e com Kassab em particular, Bolsonaro acelera no caminho que, a seu ver, pode evitar sua única preocupação como presidente: a de perder o mandato.

A escolha de Renato Feder vai nessa linha, e os olavistas fazem piti para tentar derrubá-lo antes de assumir. Se Bolsonaro ceder ao lobby da ala histérica e começar a rifar o Centrão pragmático, voltará a correr riscos. Esse pessoal, Kassab à frente, não esquenta lugar em governo condenado a cair e sente o gosto de sangue na água.
Herculano
05/07/2020 17:02
RACHADINHA É MINIATURA DO VELHO PATRIMONIALISMO, por Josias de Souza

Defensor ardoroso do patriotismo e da instituição familiar, Jair Bolsonaro uniu o útil ao agradável. Ensinou aos seus garotos, desde o berço, o valor do amor à pátria. Assim que cresceram, os rapazes seguiram o exemplo do pai. Casaram-se com a pátria e foram morar no déficit público. De rachadinha em rachadinha, os Bolsonaro fizeram do erário uma prótese de suas casas.

Em visita aos arquivos da Câmara, os repórteres Ranier Bragon e Camila Mattoso descobriram que a folha salarial do gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro tem uma aparência bem rachadona. Nos seus 28 anos de mandato parlamentar, o agora presidente praticou esquisitices insondáveis.

Por exemplo: assessores eram demitidos e recontratados no mesmo dia. Nas rescisões de fancaria, beliscavam 13º proporcional, indenização e férias. Da noite para o dia, remunerações dobravam, triplicavam e até quadruplicavam. Súbito, caíam a menos da metade.

Transferidos de pai para filho, pelo menos nove auxiliares de Bolsonaro viraram assessores do primogênito Flávio na época em que o hoje senador dava expediente como deputado estadual, na Assembleia Legislativa do Rio. Todos tiveram o sigilo bancário quebrado no caso da rachadinha, eufemismo para roubo de nacos de salários pagos pelo contribuinte.

No momento, além de Flávio, metido num escândalo multipartidário com outros 20 políticos do Rio, o vereador Carlos Bolsonaro encontra-se sob investigação por suspeita de empregar fantasmas em seu gabinete na Câmara Municipal do Rio. No ano passado, o Globo revelou: desde a década de 90, engancharam-se nos mandatos do patriarca Jair e dos filhos Flávio, Eduardo e Carlos 102 pessoas com algum parentesco entre si, em 32 núcleos familiares.

As perversões se interconectam. Carlos, o primeiro vereador federal da história, empregou parentes da ex-mulher de Jair. Operador da rachadinha de Flávio, o amigo Fabrício Queiroz repassou R$ 24 mil para a hoje primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Os bolsonaristas costumam menosprezar os detritos quando eles aparecem sob o tapete da primeira-família. Perguntam: E a corrupção bilionária do PT? Quando Queiroz virou um personagem de fama nacional, no final de 2018, o general Augusto Heleno disse numa entrevista a Pedro Bial:

"O presidente tá isento disso aí. O que apareceu dele é irrisório, uma quantia pequena, e ele mesmo já explicou." Referia-se à alegação inconvincente de Bolsonaro segundo a qual os R$ 24 mil gotejados na conta de sua mulher referiam-se a parte do pagamento de um hipotético empréstimo de R$ 40 mil que fizera a Queiroz.

Já se passou mais de um ano e meio. E Queiroz, agora preso em Bangu 8, ainda não explicou por que precisaria pedir dinheiro emprestado a Bolsonaro numa época em que ostentava em sua conta bancária movimentação de R$ 1,2 milhão.

Na prática, o que os bolsonaristas fazem ao tentar defender o mito e seus filhos é sobrepor a imagem do "troco" à dos "bilhões". O argumento ganha uma ossatura antropológica quando visto sob a ótica de um clássico: o "Sermão do Bom Ladrão", do padre Antônio Vieira.

Conta Vieira a certa altura que, navegando em poderosa armada, estava Alexandre Magno a conquistar a Índia quando trouxeram à sua presença um pirata dado a roubar os pescadores.

Alexandre repreendeu o pirata. E ele replicou: "Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador?"

Citando Lucius Annaeus Seneca, um austero filósofo e dramaturgo de origem espanhola, que serviu em Roma como conselheiro de Nero, Vieira arrematou seu raciocínio: se o rei da Macedônia, ou qualquer outro, fizer o que faz o ladrão e o pirata, todos ?"rei, ladrão e pirata?" merecem o mesmo nome.

Quer dizer: morder nacos do salário de assessores e desviar bilhões das arcas da Petrobras são irrupções de um mesmo fenômeno. O tamanho do desvio importa pouco. De troco em troco também se chega ao bilhão. E quem se desonra no pouco mais facilmente o fará no muito.

Durante a campanha presidencial de 2018, Bolsonaro imaginou-se numa guerra do bem contra o mal. Cobrou dos adversários um comportamento de mulher de César. Acabou sendo abalroado pelo caso da rachadinha de Flávio pouco antes de sentar-se no trono.

Bolsonaro reagiu ao escândalo assim: "Se algo estiver errado ?"seja comigo, com meu filho ou com o Queiroz?" que paguemos a conta deste erro. Não podemos comungar com erro de ninguém."

Dias atrás, quando ainda encenava arroubos no cercadinho do Alvorada, Bolsonaro proclamou: "Eu sou a Constituição!" Versão tupiniquim do célebre "l'État c'est moi!", a declaração insinua que o presidente traz o patrimonialismo enterrado na alma. Os Bolsonaro não se sentem homens públicos. A pátria é que lhes atrapalha no gerenciamento do empreendimento familiar.
Miguel José Teixeira
05/07/2020 13:54
Senhores,

Eu gosto de todas as cidades. Mais, evidentemente, por seus habitantes que eu tive prazer de conviver.

Joinville: montei um restaurante de frutos do mar (Bem-Te-Vi ao Zinho Batista) na sua Rua XV, próximo a antiga Cervejaria Antarctica, que à época era a melhor cerveja do Brasil...

Agora vamos ao tema:

"Quem quer dinheirôôô

A liberação dos R$ 13,8 bilhões para medidas de combate à covid-19 ainda dará muita dor de cabeça ao governo. A relação de municípios contemplados entregue aos parlamentares tem provocado muitas dúvidas sobre os critérios. Palmas (TO), por exemplo, não tem recursos listados para a gestão municipal. Joinville, em Santa Catarina, tem R$ 34,9 milhões, enquanto Vitória, capital do Espírito Santo, receberá R$ 8 milhões, o mesmo valor destinado a Petrolina (PE). Caxias, no interior do Maranhão, receberá R$ 20,4 milhões.

Explica aí, Pazuello

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, deverá ser chamado a explicar as liberações. Na portaria, o governo informa que atendeu aos critérios populacionais do IBGE para o Tribunal de Contas da União (TCU) em 2019, valores de produção de média e alta complexidade registrados nos sistemas de informação ambulatorial e hospitalar e valores transferidos dentro do Piso de Atenção Básica (PAB), em 2019." (Correio Braziliense, hoje, Brasília-DF)

"Pois é meu caro". . . diria o Engenheiro Eletricista Paulo Bubach, um dos poucos petistas que ainda mantenho diálogo e que mora em Vitória-ES.
Miguel José Teixeira
05/07/2020 13:20
Senhores,

Penso que, para Bolsonaro assumir definitivamente a quadrilha do ex e futuro presidiário lula, deverá a qualquer momento, aceitar a adesão ao seu pentiunvirato, o haddad e o zédirceu. Inebrie-se:

"Bolsolulismo para manter o poder

Equipe do presidente Jair Bolsonaro inspira-se em manobras do primeiro mandato de Lula para conquistar a reeleição. Aproximação com o Centrão e programas de distribuição de renda estão entre as estratégias comuns dos supostos rivais políticos. . .

Fonte: Correio Braziliense, hoje, por Jorge Vasconcellos, em texto de André Pereira César, Cientista Político

Um ano e meio após tomar posse com a bandeira do combate à corrupção e à "velha política", o presidente Jair Bolsonaro se vê acuado por investigações que trazem incertezas para o futuro do mandato. Isolado politicamente, o chefe do governo acabou sucumbindo a manobras que antes condenava, como a entrega de cargos ao Centrão para barrar um eventual processo de impeachment no Congresso. Esses movimentos, em sentido oposto às promessas de campanha e mais identificados com a tradição política brasileira, revelam semelhanças entre a postura atual de Bolsonaro e a adotada pelo ex-presidente Lula (PT) em 2005, durante o estrondoso escândalo do mensalão.

Beneficiado pela onda antipetista que marcou as eleições de 2018, o presidente, hoje, é alvo de mais de 40 pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados. Além disso, é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de interferência na Polícia Federal e responde a processos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Também tem tido muita dor de cabeça com as apurações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre as relações financeiras entre o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz, preso desde 18 de junho.

O momento de Bolsonaro guarda uma pressão similar à enfrentada, em 2005, por Lula. Naquela época, o então presidente chegou a ter a destituição dada como certa, enquanto o STF avançava com a Ação Penal nº 470, o chamado processo do mensalão. Vinte e cinco aliados do petista foram condenados por envolvimento no esquema de desvio de dinheiro público para a compra de apoio político.

Uma das principais semelhanças entre os gestos de Bolsonaro e de Lula reside na barganha pelo apoio político do Centrão, um bloco parlamentar de centro-direita conhecido pela atuação fisiológica. Se, durante o mensalão, os parlamentares desse grupo eram pagos em dinheiro para apoiar o governo, agora eles comandam orçamentos bilionários de importantes estatais e autarquias, como o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), cuja verba anual é de R$ 54 bilhões. Um dos maiores expoentes do Centrão, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), condenado e preso no mensalão, hoje é um dos principais aliados de Bolsonaro.

Além desse ponto em comum entre os adversários políticos, Bolsonaro agora tenta demonstrar uma preocupação com os mais pobres, uma tradicional bandeira petista. O capitão reformado, pressionado pelo desastre da passagem do novo coronavírus pelo país, anunciou a prorrogação do auxílio emergencial por mais dois meses, a um custo de R$ 100 bilhões, o dobro do que queria o Ministério da Economia. Também lançará o Renda Brasil, em substituição ao Bolsa Família e que unificará diversos benefícios. Para ampliar o número de beneficiários, o novo programa utilizará os dados do auxílio emergencial.

O cientista político André Pereira César, da Hold Assessoria Legislativa, lembra que Lula pavimentou o caminho para a reeleição com a ampliação dos recursos do Bolsa Família. O analista também recorda que, com isso, o petista ainda conseguiu fazer a sucessora, Dilma Rousseff.

"O ex-presidente Lula perdeu muito apoio com o escândalo do mensalão. A classe média, que tinha dado um cheque em branco para ele, deixou de apoiá-lo. O que ele fez? Escorou-se nos extratos mais carentes da sociedade, via políticas assistenciais, em especial o Bolsa Família. Foi um erro da oposição acreditar que ele sangraria até perder a eleição. A partir do reforço no aspecto social, Lula obteve um apoio maciço, em especial do Norte e do Nordeste, e conseguiu a reeleição", disse César. "É exatamente a mesma estratégia que tem sido adotada por Bolsonaro", observa.

Por traz dessa repentina guinada para o social está o temor do Planalto de que, após o arrefecimento da pandemia, a população tome as ruas para exigir o impeachment de Bolsonaro. Segundo avaliação de conselheiros do presidente, a melhor saída é colocar dinheiro no bolso dos mais necessitados. Eles confiam que, se conseguirem o apoio desse segmento da população, as chances de um impedimento serão remotas.

Recessão

Apoiadores do presidente apostam que ele recuperará o fôlego a ponto de buscar a reeleição em 2022. A grande dificuldade, porém, é que o país enfrenta a pior recessão da história, desemprego em alta e uma crise sanitária que está longe de acabar. Um cenário bem desfavorável em comparação ao vigente durante o governo Lula, quando a economia estava em franca expansão, a inflação se encontrava sob controle e houve a entrada de uma enxurrada de dólares no país, devido ao boom das commodities. A esses fatores, somou-se um consistente processo de inclusão social.

Outro complicador para Bolsonaro é de natureza familiar. Durante os escândalos que mancharam a política brasileira, uma das estratégias mais comuns dos presidentes foi a de se distanciar de aliados enrolados com a Justiça. Foi assim com Lula, que afastou o ex-ministro José Dirceu do governo, depois de ele ter sido apontado como principal mentor do mensalão. Para Bolsonaro, no entanto, tem sido bem difícil, pois é praticamente impossível se desvencilhar de um filho.

Flávio Bolsonaro é investigado pelo MP do Rio por suspeitas de crimes como peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo os procuradores, ele e Queiroz comandavam um esquema de rachadinha no gabinete que o parlamentar ocupava quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Nessa prática, os funcionários devolvem parte dos salários ao parlamentar.

O deputado Carlos Jordy (PSL-RJ) é um dos que apostam na reeleição de Bolsonaro em 2022. Segundo ele, o presidente tem a favor o fato de não se desviar da agenda de reformas econômicas com as quais se comprometeu ainda na campanha eleitoral. O deputado também citou como trunfo os investimentos federais em infraestrutura.
"O nosso momento, antes da pandemia, não era tão favorável, mas, ainda assim, as medidas econômicas tomadas pelo presidente Bolsonaro e pelo ministro Paulo Guedes (da Economia) estavam repercutindo muito bem, reforçando a credibilidade do Brasil", afirma Jordy.

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) acredita que Bolsonaro talvez nem complete o mandato, devido às sucessivas crises que tem criado desde a posse como presidente. "O extremismo dele, a insistência em dividir o país, os ataques à ciência frustraram os que acreditaram que ele poderia representar uma recuperação do Brasil. É um presidente despreparado, que está conduzindo o Brasil a um desastre no meio de uma pandemia", diz. Leia mais sobre o apoio do Centrão ao governo na página 4.

Relembre:

Mensalão: do pacotinho à condenação

Em 14 de maio de 2005, ao circular a gravação do vídeo no qual um graduado funcionário dos Correios recebia um pacotinho de cédulas de um empresário, que, ao todo, somava R$ 5 mil, jamais se poderia imaginar que estavam lançados os dados de um dos maiores escândalos do país ?"?" que manchou a aura política do PT, quase abreviou o primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e derrubou a virtual candidatura presidencial de José Dirceu, um dos homens fortes do partido.

O flagrante de corrupção foi a centelha. A ignição veio com a entrevista, publicada em 6 de junho, do (ainda) cacique maior do PTB, Roberto Jefferson ?"?" que retorna à cena como um dos suportes políticos de Jair Bolsonaro e promotor da aproximação do governo com o fluido Centrão. O então deputado federal acusava o PT de promover um esquema de compra de parlamentares, por R$ 30 mil mensais, para que votassem favoravelmente às matérias de interesse do Palácio do Planalto. Foi o próprio Jefferson que classificou a mesada de "mensalão" ?"?" e batizou o escândalo. E apontou para Dirceu como mentor intelectual do esquema.

À medida que o novelo se desfiou, surgiu o publicitário mineiro Marcos Valério, que, por causa dos contratos que suas empresas mantinham com o governo federal, fora incumbido de operacionalizar o esquema de corrupção. Ele simplesmente reproduziu, a nível federal, uma manobra que executara no governo de Eduardo Azeredo ?"?" que, anos depois, ficou conhecido como "mensalão tucano" e levou o ex-governador à prisão.

Jefferson e Dirceu também foram parar atrás das grades e estrelas petistas despareceram da constelação política, como João Paulo Cunha, José Genoíno e Luís Gushiken. O governo Lula balançaria, mas não cairia porque, pela sobrevivência, cedeu cargos na máquina pública para os partidos que hoje compõem o Centrão e, sobretudo, para o então PMDB. Com a base consolidada no Congresso, e a incerteza da oposição capitaneada pleo PSDB sobre os efeitos de um processo de impeachment, o presidente obteria a reeleição e, em 2010, faria sua sucessora ?"?" Dilma Rousseff, que ocupara a Casa Civil em substituição a Dirceu.

Em 2 de agosto de 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) começou o julgamento dos 38 réus do escândalo ?"?" na denúncia inicial, eram 40 réus, mas dois seriam excluídos. Na acusação, o ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza classificou o escândalo como a ação de uma "sofisticada quadrilha". Foi sucedido na acusação por Roberto Gurgel, para quem o mensalão era "o mais atrevido e escandaloso esquema de corrupção e de desvio de dinheiro público flagrado no Brasil".

A relatoria do caso foi entregue ao hoje ministro aposentado Joaquim Barbosa. O julgamento despertou a ira dos radicais, que tentaram desqualificar o STF e, em vários momentos, o próprio magistrado, que sofreu até intimidação física. Mas nada disso adiantou: ao final, das 112 votações que a Corte realizou do mensalão, o voto de Barbosa foi seguido pelo plenário em todas as ocasiões ?"?" e unanimemente em 96 delas.

A partir do reforço no aspecto social, Lula obteve um apoio maciço, em especial, do Norte e do Nordeste, que precisavam mais desses recursos, e conseguiu a reeleição. É exatamente essa mesma estratégia que tem sido adotada por Bolsonaro"

Só nos resta a "Ladainha do Sagrado Coração de Jesus". . .
Herculano
05/07/2020 09:59
da série: não é alarmismo, mas se ter plano B. Um artigo que deveria ser lido pelos cidadãos conscientes para exigir atitudes de políticos e gestores públicos irresponsáveis, todos escolhidos no voto livre por nós. Somos nós que cavamos na maioria dos casos a nossa própria sepultura, com as escolhas ideológicas, amigas e irracionais que fazemos.

PREPARADOS PAA A PRóXIMA PANDEMIA? aulo Hoff, presidente da Oncologia D'Or e diretor-geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira (Icesp) e Marina Tamm,Radio-oncologista da Oncologia D'Or, no jornal Folha de S. Paulo

Não há uma questão de se, mas de quando

O célebre provérbio romano que se traduz do latim como: "se queres a paz, prepare-se para guerra" ilustra o conceito de prontidão em que uma nação, mesmo em tempos de paz, precisa estar preparada para o emprego imediato de suas Forças Armadas em situações de guerra. O mesmo conceito pode facilmente ser expandido para incluir grandes desastres e calamidades públicas.

Em 2015, Bill Gates, cofundador da Microsoft, "previu" uma pandemia e, depois, biólogos chineses, em março de 2019, publicaram artigo científico que alertava sobre a possibilidade de surtos futuros de coronavírus. Mesmo assim, vimos o desenrolar de uma tragédia anunciada em nível mundial cujo final ainda é uma incógnita.

De maneira muito similar a um grande conflito armado, a atual pandemia do Sars-CoV-2 se mostra devastadora, não só em número de vítimas, mas também pela crise econômica e pelo impacto social. Em apenas dois meses, o total de vítimas da Covid-19 nos Estados Unidos já superou o número de americanos mortos na Guerra do Vietnã, um conflito que durou mais de dez anos e que provocou reflexos profundos na cultura americana e em sua política exterior.

Uma das realidades mais chocantes foi o despreparo de todas as nações da Terra para lidar com um problema dessa magnitude. Fosse o vírus um pouco mais letal, ou fruto de uma guerra biológica deliberada, a própria sobrevivência de nossa civilização estaria em risco. Pode parecer prematuro discutirmos preparo para epidemias e pandemias futuras enquanto contabilizamos as vítimas desta calamidade, mas precisamos extrair todas as lições possíveis desta situação para que ela não se repita.

Infelizmente, não há uma questão de "se", mas de "quando" teremos um novo desafio dessa magnitude. Precisamos, portanto, de um planejamento cuidadoso que deve incluir desde a criação de uma reserva estratégica de equipamentos e insumos de saúde até o desenvolvimento de protocolos de logística e monitoramento de áreas de risco, como fronteiras. O treinamento de profissionais de saúde nas faculdades e residências também precisa incluir noções de resposta a crises sanitárias, com cursos direcionados para atuação em situações de risco biológico.

De maneira similar aos militares, os profissionais de saúde costumam se preparar para emergências com treinamentos repetitivos e memorização de protocolos que tornam a ação quase um reflexo medular. Nesse contexto, os times de resposta rápida (TRR), presentes em muitos hospitais, atuam melhorando a qualidade do cuidado e reduzindo a mortalidade hospitalar. A criação de um time de resposta rápida nacional para enfrentamento de pandemias poderia também reduzir o impacto desta. Esse time estaria sempre treinado e em condições de atuar quando acionado, preferencialmente em sintonia com as forças armadas, importantes por sua vasta experiência e disponibilidade logística.

O planejamento precisa ser detalhado e incluir a escolha prévia de áreas adequadas para construção de hospitais de campanha, mapas de locais de risco assistencial, protocolos de quarentena e transporte de pacientes com doenças contagiosas, chegando até o direcionamento de insumos e regulação de vagas.

O mundo nunca enfrentou, mesmo durante conflitos, uma situação tão dramática e com implicações para a sociedade como a que se coloca agora. Queremos acreditar que estaremos mais fortes e preparados para lidar com a próxima pandemia e que vamos colocar em prática os ensinamentos das trincheiras para que a "síndrome do soldado" não seja o único legado do momento histórico que estamos vivendo.
Herculano
05/07/2020 09:44
'JAIR DO B' REDUZ A FERVURA E ATÉ ISOLA OLAVISTAS

É mais importante do que parece a mudança de Jair Bolsonaro, evitando crises ou fazer declarações ásperas "na grade". Seus posts nas redes sociais ganharam redator profissional e textos sóbrios. Pode parecer que ele atendeu ao general e ministro Augusto Heleno (GSI), que tem apelado, como água mole em pedra dura, por uma atitude estadista. Mas o próprio presidente percebeu que só dependia dele botar a bola no chão, reduzir a fervura política e reverter as avaliações negativas.

TEMER AJUDOU

Ao telefone, Michel Temer ponderou a Bolsonaro que declarações diárias "na grade" o prejudicavam: "A fala do presidente pauta o País", lembrou.

PESO PESADO

Após crítica recente de Olavo de Carvalho, Bolsonaro acha que está dispensando de fazer mesuras ao polemista. Sente-se agora "mais leve".

PAZ E AMOR

O "novo Bolsonaro" faz sucesso entre os que frequentam os corredores do Planalto, que o apelidaram de "Jair do B".

HUMOR DE VOLTA

A mudança de atitude fez bem ao próprio presidente, que se tem mostrado mais bem-humorado no dia-a-dia do Planalto.

98,6% DOS INFECTADOS DE COVID SÃO CASOS LEVES

O planeta tem 4,385 milhões de pessoas infectadas com o coronavírus, mas 98,65% delas tiveram manifestações leves da doença ou estão completamente assintomáticas, segundo o Worldometer. Números superlativos do chamado "jornalismo de funerária" espalham pânico com maior rapidez que o próprio vírus, mas a verdade é que das 11,2 milhões de pessoas que contraíram covid-19, cerca de 6,3 milhões, equivalente a 56% do total, já estão curadas. Mas, infelizmente, 528,3 mil faleceram.

QUADRO NACIONAL

No Brasil, o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, diz ver sinais de estabilização. São 534 mil infectados e 98,4% não correm riscos.

DEMONSTRAÇÃO DE FORÇA

A taxa de cura, segundo o Worldometer, também mostra que o Brasil está reagindo: era de 85,2% no início de maio e já se aproxima de 94%.

PLATô LETAL

Apesar de estável, a média diária de mortes gira em torno de mil todos os dias desde o início de junho. Não sobe muito, nem recua muito.

APOSTA CORRETA

Na escolha do novo ministro da Educação, Bolsonaro ignorou até os aliados. Justiça lhe seja feita, tentou obstinadamente fazer a coisa certa. Pensou ter acertado na escolha de Carlos Decotelli, mas foi enganado. Convenceu-se de que importante é entregar o MEC a um especialista.

FEDER A POSTOS

O novo ministro da Educação, Renato Feder, que já está em Brasília, em princípio deve ser anunciado e nomeado nesta segunda (6). Já tem debaixo do braço ideias para por em prática imediatamente.

FANTASIA NEWS

Avaliação política infantil, adotada por veículos importantes, sustentou que Bolsonaro "vazou" o nome de Renato Feder na sexta para ver se ele "aguentaria" ficar sob "sereno" neste fim de semana. Quanta bobagem.

AVAL IMPORTANTE

Bolsonaro gostou da conversa com Renato Feder, quando o considerou para o cargo. Mas foi o governador do Paraná, Ratinho Júnior, num papo com o presidente, quem melhorou muito o cartaz do virtual ministro.

LULA É BOLSONARO

O ex-presidiário Lula diz que nomeou seis ministros do STF para serem "garantidores" da Constituição. Mas atacou as decisões monocráticas: "O que não pode é você ter apenas um juiz tomando decisão".

PRESIDENTE ESTILO RUSSO

Questionado sobre a bandeira arco-íris hasteada na embaixada dos EUA em Moscou, Vladmir Putin disse: "Não é grande coisa. Aprovamos lei que proíbe propaganda homossexual entre menores. E daí? Vamos deixar as pessoas crescerem, virar adultos e depois decidam os próprios destinos".

CÂMARA (MUITO) ATRASADA

A comissão da Câmara que "acompanha" ações contra a pandemia vai finalmente se permitir discutir a volta às aulas. Estados como o DF já definiram até o cronograma e o grupo especial só agora vai discutir.

PREÇO DA GASOLINA CAIU

O preço médio da gasolina comum no Brasil caiu 11% entre junho de 2019 e junho de 2020, segundo levantamento ValeCard. Houve quedas sucessivas entre janeiro e maio deste ano. Aumento só em junho.

PENSANDO BEM...

...o capitão virou pacato cidadão.
Herculano
05/07/2020 08:27
da série: este editorial dá a dimensão da irresponsabilidade do governo Kleber Edson Wan Dall, MDB, e os seus - entre eles o mais longevo dos vereadores e ex-presidente do Samae, José Hilário Melato, PP, com a cidade, os cidadãos, as cidadãs, o meio ambiente e a saúde de todos, principalmente das crianças. Tiveram mais de três ano e meio para implantar ou negociar nas inúmeras viagens mensais a Brasília, quase todas de surpresa e sem prestação de contas posteriores à comunidade. Acorda, Gaspar!

SANEAMENTO URGENTE, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Novo marco traz incentivos à superação do vergonhoso atraso na oferta do serviço

Há muito tempo não surge uma grande novidade tecnológica no saneamento básico. Ao longo dos séculos 19 e 20, diversas nações vieram desenvolvendo seus serviços de entrega de água potável e de coleta e tratamento de esgoto mais ou menos da mesma maneira.

A necessidade de investimentos elevados poderia ser empecilho para países pobres, mas não para os que, como o Brasil, há muito superaram os limiares da baixa renda.

A atratividade também salta aos olhos. Um mercado de 212 milhões de pessoas ainda longe da plena capacidade parece pepita de ouro num mundo em que aplicar dinheiro em fontes tradicionais significa ser punido com juros negativos.

Dos ganhos sociais, nem se fale. No mínimo um terço da queda histórica na mortalidade infantil se deve à chegada da água encanada e da coleta do esgoto. Crianças e adultos adoecem menos em razão desses serviços e por isso tornam-se mais assíduos na escola e no trabalho. Aprendem e produzem mais e acumulam mais renda e bem-estar no curso da vida.

Por que mistério, então, quase metade dos lares brasileiros, finda a segunda década do século 21, ainda não se conecta à rede de esgoto? Que sortilégios transformam cada 100 litros de esgoto produzido em apenas 46 tratados? A resposta genérica passa pelo que alguns estudiosos têm chamado de apropriação extrativista do Estado.

Mas a mais específica diz respeito ao mecanismo constitucional de 1988 que atribuiu ao município a responsabilidade pelo saneamento, ademais numa quadratura que confundia serviço público com empresa estatal. Combater a ineficiência dessa fórmula já custou 32 anos de reformas, processo que deságua agora na aprovação de um novo marco pelo Congresso.

O diploma, que aguarda sanção presidencial, carreia uma série de ferramentas e incentivos para superar o atraso na universalização.

Estimula a criação de consórcios de municípios para a exploração dos serviços, obriga à pactuação de metas físicas de expansão entre o poder público e os concessionários, favorece a competição adotando licitações, cria selos de governança para agências reguladoras locais e acaba com privilégios para a atuação de empresas estatais nesse ramo da infraestrutura.

O projeto estipula que, em 2033, coleta e tratamento de esgoto cubram 90% da população e que o percentual com acesso a água potável, hoje em 84%, chegue a 99%. O prazo poderá ser estendido até 2040 desde que se apresentem justificativas para o não atingimento, cláusula importante num país com muitas peculiaridades regionais.

Concessionárias agora terão autorização provisória para drenar o esgoto em direção a estações de tratamento por meio dos escoadouros de águas pluviais, muitas vezes já implantados em regiões desassistidas, o que deve acelerar a cobertura. A ligação à rede coletora será obrigatória, e subsídios poderão ser incorporados à tarifa geral para financiar as obras de conexão nas residências dos mais pobres.

A modernização, embora tardia, deve ser elogiada com um grau de ceticismo. A aprovação do marco do saneamento não garante, por si só, a atração de investimentos, estimados em até R$ 700 bilhões, para a universalização do acesso à água e ao esgoto no Brasil.

Dado o estado falimentar dos tesouros públicos, esse capital terá de vir sobretudo de investidores privados os quais, por seu turno, precisam ter garantias de que não estarão expostos, durante as décadas de vigência do contrato, a reviravoltas nas regras do jogo.

Para tanto, é crucial que o novo edifício regulatório seja erguido em bases sólidas de suas fundações federais até os patamares subnacionais. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) talvez seja a peça basal mais importante.

Ela passa a acumular funções de supervisionar e credenciar reguladores locais e para tanto deve pautar-se numa agenda técnica. Se o Senado aceitar as barganhas politiqueiras tradicionais para o preenchimento das diretorias da agência, o espírito do novo marco começará a ser distorcido já na largada.

Outros aspectos importantes do processo de instalação do ambiente regulatório serão a calibragem das tarifas, a ponderação de seu impacto na população, sobretudo na mais carente, e a distribuição dos ganhos de produtividade das empresas ao longo do contrato.

O vergonhoso estágio do saneamento no Brasil decorre de várias décadas de desprezo pela boa governança, em nome do atendimento a apetites imediatos do patrimonialismo. Será preciso muito esforço para romper com esse legado.
Herculano
05/07/2020 08:21
O PAÍS DO TIRIRICA, por Carlos Brickmann

Há 50 anos, na ditadura que dizem que não houve, Carlos Lacerda estava preso na Fortaleza de Santa Cruz, no Rio, e fazia greve de fome. Já passava mal, mas não desistia. Seu médico lhe disse: "Carlos, hoje é feriado, a praia está lotada, ninguém vai perceber se você morrer hoje. Você quer ser Shakespeare no país da Dercy Gonçalves". Lacerda desistiu, voltou a comer.

* O presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, que cuida de atrair os turistas estrangeiros, tem inglês comparável ao do técnico Joel Santana. www.metropoles.com/brasil/video-presidente-da-embratur-se-atrapalha-no-ingles-e-vira-piada

* Gabinete do presidente Bolsonaro. O presidente da Embratur canta uma composição de louvor a seu chefe e se acompanha na sanfona. Deprimente. https://www.youtube.com/watch?v=xykmnlTz_Ho

* Ministro do STF, Alexandre de Moraes dança com índios (lembra de Chico Anysio, "Pezinho pra frente, pezinho pra trás"?) Deprimente. https://videos.bol.uol.com.br/video/indigenas-fazem-pajelanca-para-moraes-em-seu-escritorio-04028D98386CC8996326

* Lembra do sujeito que pôs fogo num ônibus em frente ao Palácio do Planalto, dia 25, gritando "Fora, Bolsonaro"? Foi detido. E libertado no dia 27. Segundo a Justiça, sua conduta foi grave, mas "não causou significativo abalo da ordem pública nem evidenciou periculosidade".

Sem comentários.

ENTÃO, TÁ

Mas ele, diz a Justiça, tem condições pessoais favoráveis. É primário, tem bons antecedentes, residência fixa, trabalho lícito. Mesmo assim, está proibido de sair do Distrito Federal por mais de 30 dias e mudar-se sem avisar à Justiça. Tem de comparecer a qualquer ato do processo. Sem moleza.

SERRA NA MIRA

A Operação Lava Jato denunciou o senador José Serra, ex-governador e ex-ministro, PSDB, por lavagem de dinheiro. Diz a denúncia que Serra, quando governador, recebeu propinas da Odebrecht em troca de benefícios na obra do Rodoanel, estrada que liga as rodovias que chegam a São Paulo e, quando pronta, terá 176 km de extensão. A Odebrecht teria pago a Serra R$ 27,8 milhões, via empresas no Exterior, para encobrir o destinatário da propina. A filha de Serra, Verônica, também foi denunciada.

SERRA REAGE

O senador Serra reage de duas maneiras: nega ter recebido dinheiro ilegal e diz que a denúncia não poderia ter sido feita, porque o caso já foi julgado pelo STF, que decidiu pela prescrição. É verdade: fatos anteriores a 2010 já estavam prescritos. O inquérito nascido da delação da Odebrecht foi enviado à Justiça Eleitoral e lá arquivado (ou seja, não havia prova de culpa). Pela lei, uma pessoa não pode ser denunciada duas vezes pelo mesmo fato. Serra já tinha sido denunciado e recebido a decisão do Supremo e do TSE.

A BRECHA

A Lava Jato alega que, embora as propinas de que acusa o ex-governador tenham ocorrido antes de 2010, a movimentação do dinheiro, para escondê-lo, havia ocorrido até 2014, pelo menos. Desta maneira, a denúncia de agora não seria a mesma que já foi rejeitada pelo Supremo. É briga de porte.

ACREDITE SE QUISER

A Lava Jato de Curitiba incluiu, numa ação que investiga doações ilegais de campanha eleitoral, o nome dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, David Alcolumbre. Os dois têm foro especial e não podem ser julgados por juiz singular, de primeira instância. Mas o juiz aceitou receber a ação, por não reconhecer a maneira curiosa pela qual Maia e Alcolumbre foram citados: "Rodrigo Felinto" e "David Samuel". Não está errado, mas não são os nomes que usam no dia a dia, nem seus nomes parlamentares. Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia é o nome completo de Maia, e David Samuel Alcolumbre Tobelem o de Alcolumbre. A Lava Jato alega que não usou os nomes truncados para que ficassem despercebidos e o processo fosse aceito: põe a culpa num "assistente inexperiente", que não sabia os nomes e os truncou. O juiz que substituiu Sérgio Moro em Curitiba, Luiz Antônio Bonat, disse que não sabia de nada. Há um outro probleminha: a questão já estava no Supremo. Uma pessoa não pode ter duas denúncias por um só caso.

VOLTANDO A TIRIRICA

A mulher do governador de São Paulo, Bia Doria, presidente do Fundo Social, destinado a amparar as pessoas mais pobres, disse em entrevista que não é correto dar comida ou roupa a moradores de rua. Bia Doria falou com Val Marchiori, estrela do reality Mulheres Ricas. E por que negar auxílio a moradores de rua? "Porque - disse Bia Doria - eles precisam saber que têm que sair da rua, um local que hoje é confortável para eles. A pessoa (....) quer receber comida, roupa, uma ajuda, e não quer nenhuma responsabilidade. Isso está muito errado".

João Doria (PSDB) quer ser candidato à Presidência.
Herculano
05/07/2020 08:14
FGV FEZ UMA CONVARDIA COM O EX-FUTURO MINISTRO DA EDUCAÇÃO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Fundação soltou nota informando que Decotelli nunca foi professor da instituição, mas apenas 'colaborador'

O jornalista americano Murray Kempton definiu os editorialistas da imprensa como aquelas pessoas que depois de uma batalha vão ao campo do combate e matam os feridos. Foi isso que a Fundação Getulio Vargas fez com o ex-futuro-ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli. O falso currículo já o havia derrubado quando a venerável FGV soltou uma nota informando que ele nunca foi professor da instituição, ?mas apenas "colaborador".

Podia ter feito isso em 2019, quando o doutor foi nomeado para a presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação e seu currículo dizia que ele havia sido "professor de pós-graduação ?em Finanças" na FGV.

A fundação deveria cuidar melhor de sua marca. Uma coisa é um professor do quadro funcional da FGV. Bem outra é uma pessoa que deu uma aula num curso ou numa de suas atividades paralelas. (Faz tempo, um hierarca justificou seu título de professor visitante da Sorbonne dizendo que, como professor, havia visitado a universidade francesa.)

O logotipo da FGV é usado para enfeitar eventos semicorporativos e até mesmo seminários de feriadão com verniz acadêmico e essência turística. Entrando no ramo de consultorias, a fundação viu-se metida nas roubalheiras do governador Sérgio Cabral. Nas suas palavras, a FGV serviu de "biombo para efetivar ilegalidades". A fundação assinou 58 contratos com a gestão do então governador do Rio, no valor de R$ 115 milhões.

A caça ao dinheiro tornou pandêmica a malversação das marcas de instituições renomadas. A London School of Economics mamou US$ 488 mil nos cofres do ditador líbio Muammar Gaddafi, e seu diretor embolsou ?US$ 50 mil assessorando-o.

No caso de Decotelli, a FGV demorou para reclamar e, quando reclamou, exagerou. Ao contrário do que aconteceu com outros títulos do doutor, ele leciona na fundação, foi bem avaliado pelos alunos e deu uma aula online há poucos dias.

LAVA JATO DE CURITIBA TANTAS FEZ QUE ESTÁ ENCURRLADA

Pode-se fazer tudo pela operação, menos papel de bobo

A Lava Jato de Curitiba tantas fez que está encurralada. Tentaram satanizar a procuradora Lindora Maria Araújo e foram apanhados pelo repórter Leonardo Cavalcanti chamando Rodrigo Maia de "Rodrigo Felinto" e David Alcolumbre de "David Samuel" numa planilha oficial. Esse golpe é velho, usado por delegados e procuradores que tentam confundir juízes.

Justificando-se, a equipe do doutor Martinazzo disse que os nomes completos não cabiam no espaço. Contem outra, doutores. Pode-se fazer tudo pela Lava Jato, menos papel de bobo. Rodrigo Felinto tem 15 batidas, ?Rodrigo Maia cabe em 12.

A turma da Lava Jato já divulgou conversa telefônica da presidente Dilma Rousseff captada fora do horário legal. Já tentou criar uma fundação bilionária para azeitar seus objetivos. Isso, deixando-se de lado uma indústria de palestras muito bem remuneradas. Nenhuma dessas extravagâncias pode resultar na perda do cargo para seus autores. A invenção dos tais "Rodrigo Felinto" e "David Samuel" pode.

O procurador-geral Augusto Aras não bica com as forças-tarefas em geral e com a de Curitiba em particular. Negociações com réus do Paraná e do Rio de Janeiro estão travadas por causa disso e, com a visita da procuradora Lindora Araújo, a turma da Lava Jato recorreu ao velho expediente de atacar do uso dos meios de comunicação. Isso funcionou ao tempo do juiz Sergio Moro e virou pó quando ele virou ministro. As forças-tarefas de procuradores dizem que precisam ser autônomas, mas querem ser inimputáveis.

Aras diz que precisa racionalizar o trabalho do Ministério Público. Em abril ele recebeu a minuta de um projeto que cria uma Unidade ?Nacional de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado, a Unac. Em poucas palavras, seria a criação de um investigador-geral da República, escolhido numa lista tríplice da corporação (põe corporação nisso). A Unac decidiria o que investigar, controlando as ações policiais e ?acompanhando os inquéritos.

O coronel Golbery do Couto e Silva propôs a criação de um Serviço Nacional de Informações na década de 1950. Conseguiu em 1964, e em 1981 confessaria: "Criei um monstro". A ditadura criou também uma Comissão Geral de Investigações, sempre comandada por um general. Ela não foi geral nem investigou grandes coisas.

A descentralização do Ministério Público permitiu o surgimento da Lava Jato, com todos os seus excessos. Uma centralização pode preservar todos esses excessos, somando-lhe uma capacidade engavetadora.

Coisa assim: combate-se a corrupção e o crime organizado aqui e ali, mas não mexam com o Rio de Janeiro. Se centralização resolvesse, a Polícia Federal, a Abin e o Gabinete de Segurança Institucional teriam impedido que as empreiteiras fizessem o que fizeram pelo Brasil afora e, sobretudo, na Petrobras.

Augusto Aras sabia há meses que os procuradores autônomos operavam sistemas de grampos. Para acabar com coisas desse tipo, ou com a divulgação de telefonemas captados fora do prazo legal e até mesmo para impedir a armação de fundações sob medida, não se precisa de uma unidade de investigação geral. Basta que a corregedoria do Ministério Público funcione. Ela poderá dizer ao doutor Martinazzo quem criou o "Rodrigo Felinto" da planilha enviada ao juiz Luiz Antonio Bonat.

Em tempo: Martinazzo é o sobrenome do meio do procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

PRESIDENTE DO BANCO DO BRASIL É PRIMEIRO AGRACIADO COM A ORDEM DA GRIPIZINHA

Ela se destina a homenagear aqueles que contribuíram para o império da treva durante a pandemia

Eremildo é um idiota e criou a Ordem da Gripezinha.

Ela se destina a homenagear aqueles que contribuíram para o império da treva durante a pandemia.

O primeiro agraciado é o doutor Rubem Novaes, presidente do Banco do Brasil. Ele merece a comenda pela profundidade de sua contribuição.

Novaes entrou em campo com a seguinte reflexão filosófica: "Muita bobagem é feita e dita, inclusive por economistas, por julgarem que a vida tem valor infinito".

Em seguida foi para os domínios do conhecimento: "A ciência médica é tão ou mais imprecisa que a ciência econômica". (Ele é doutor em economia pela Universidade de Chicago.)

Até aí tudo bem, pois pode-se ter uma opinião sobre a valor da vida alheia, assim como cada um pode ter a confiança que bem entende nos médicos e nos economistas.


Na fatídica reunião ministerial de 22 de abril, o doutor disse: "A minha sensação, de quem não é especialista no negócio, mas que observa os números, é que o tal do pico, o tal do famoso pico, que gerava tantas preocupações, a minha sensação é que esse pico já passou, né?".

Uma semana depois, com 474 mortos, o Brasil ultrapassou a marca da China. No dia 22 de maio, eles eram 22.666 e, ao fim de junho, passaram dos 60 mil.

Novaes reconheceu que não era especialista nesse "negócio", mas Eremildo passou a duvidar da sua capacidade de observar números.
Herculano
05/07/2020 07:56
DEFENSOR DOS ANIMAIS

Tem gente se lançando candidato a vereador em Gaspar incluindo várias coisas doidas que nunca praticou. Uma delas a defesa da causa animal. Na coluna de segunda-feira explicou que deve ser por isso que está causa está tão abandonada no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB
Herculano
05/07/2020 07:51
O PT SOB JULGAMENTO

No Facebook do jornal Cruzeiro do Vale, o que possui 30 anos de circulação e é o mais acreditado em Gaspar e Ilhota, onde esta coluna está postada, a reação dos eleitores e leitoras sobre a volta do PT e do ex-prefeito Pedro Celso Zuchi à corrida eleitoral deste ano, como não poderia ser diferente, gerou reações.

E não poderia ser diferente para quem já disputou quatro eleições e ganhou três. Mas, desta vez, há uma unanimidade inconveniente: a de que o partido está condenado. Salva a pessoa - ou administrador público - de Zuchi. Entretanto, como dissociar uma coisa de outra?

Foi isso, que registrou e deu a cara para bater o bolsonarista de quatro costados Demetrius Wolff, DEM. Perguntou ele aos que defendem o ex-prefeito e condenam o partido dele: se Zuchi ganhar, quem ele vai trazer para administrar Gaspar e a prefeitura? E Demetrius responde na lata e naquilo que é óbvio: Gente do PT. Faltou acrescentar, gente desempregada...

Não é a toa, que espertamente o poder de plantão liderado por Kleber Edson Wan Dall, MDB, torce e até incentiva o PT ter um candidato qualquer. Até pode ser o Pedro Celso Zuchi - que dará um pouco mais de trabalho. É que as pesquisas mostram exatamente o que a maioria dos leitores e leitoras escreveu na área de comentários: o PT está manchado para qualquer que seja o candidato por aqui.

É só olhar a votação de 2018 de Fernando Haddad, PT e Jair Messias Bolsonaro, então no PSL, observa para mim em privado outro dirigente partidário.

E se isso - a mancha do passado vindo das maracutaias do PT não exatamente aqui, mas em outros cantos do país e que se tornou uma marca do partido, Kleber não teria aqui um adversário tradicional, testado e de suposta força. O discurso de desconstrução já estaria pronto.

O que verdadeiramente, Kleber e sua turma no poder de plantão temem? Uma terceira via renovada e competitiva que possa não ser o MDB, PP, PSD, PSDB também enlameados e nem o PT manchados. Nem mais, nem menos...

A maioria não tem nada contra o Zuchi, mas contra a marca PT... Muita gente não tem nada contra Kleber, o usado, o garoto propaganda daquilo que é falso, mas com os que rodeiam e mandam nele... Acorda, Gaspar!
Herculano
04/07/2020 18:34
da série: o nosso day after

PESQUISA NA CHINA MOSTRA TENDÊNCIA DE CONSUMO PóS-QUARENTENA; VEJA QUAIS SÃO ELAS

Sair para comer e ir ao salão de beleza foram as primeiras reações de chineses com o fim do isolamento

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Fernanda Perrin. Pequenos prazeres, foco na saúde, temor de lugares cheios e muitas (mas muitas mesmo) lives. A julgar pelo que acontece na China, esses são os eixos do consumo no "novo normal".

Um estudo feito pela consultoria Inovasia com base no mercado pós quarentena do país - o primeiro a impor medidas de isolamento e o primeiro a afrouxá-las - aponta mudanças profundas de hábito entre consumidores e empresas.

Com o fim da quarentena, a primeira reação foi sair para consumir: 60% das pessoas saíram para comer, 55% foram ao salão de beleza e 52% compraram aparelhos para se exercitar, segundo a pesquisa.

A explicação o fenômeno é o "efeito indulgência". "O consumidor decide dar um prêmio para si. É uma oportunidade para o varejo explorar", afirma Felipe Zmoginski, CEO da Inovasia.

Ele espera que uma reação semelhante entre os consumidores de renda média e alta no Brasil. "Já vimos a corrida que houve quando Santa Catarina abriu os shoppings, mas obviamente não é um consumo de massa", diz.

A consultoria Nielsen diferencia os consumidores "protegidos", que não perderam o emprego nem a renda com a pandemia, e os "restringidos", grupo daqueles que foram impactados pela crise.

"Esse consumidor fica mais precavido com viagens, aquisição de serviços e bens mais caros como trocar de carro ou de casa, mas no consumo do dia a dia ele se dá direito a pequenos prazeres, como um vinho mais caro", afirma Domenico Tremaroli, diretor de atendimento a clientes da Nielsen Brasil.

DEZ TENDÊNCIA P?"S-ISOLAMENTO NA CHINA

Lives, lives, lives
Vendedores adotam transmissões ao vivo de forma permanente para anunciar produtos, sozinhos ou em parceria com influenciadores

Pediu, chegou
Consumidor fica mais exigente com entrega imediata de produtos pedidos por delivery, seja de restaurantes ou supermercados

Mantendo a distância
Medo do vírus continua, favorecendo pagamentos remotos, entrega sem contato e itens para medir sinais de saúde para telemedicina

Alimentação saudável e exercícios
Cresce a procura por produtos frescos e equipamentos para exercício em casa. Consumidor fica mais atento a rótulos e a procedência do que compra

Fuga do transporte público
Também por medo de aglomerações, o consumidor que pode dá preferência ao transporte individual: bicicleta, uber e carros compactos elétricos

Checagem de notícias
Informações falsas que circularam durante a pandemia em apps de mensagem mostraram importância de fontes confiáveis, principalmente entre os mais velhos

Compre local
Tendência que começou para apoiar pequenos negócios na pandemia continua como forma de evitar grandes deslocamentos e lugares cheios

Pagamentos à distância
Cresce adesão a transações pelo celular ou uso de dispositivo para evitar risco de contaminação via contato direto ou dinheiro vivo

Usuários virtuais tardios não retrocedem
Quem passou a usar a tecnologia por falta de opção durante a pandemia mantém o hábito e segue fazendo compras e consultas online

Indulgência e cautela
Consumidor sai do isolamento ávido por lazer e se permite pequenos presentes, mas evita grandes gastos e endividamentos de longo prazo

A aversão a grandes gastos e dívidas de longo prazo também foi observada entre os chineses - 60% daqueles que financiavam um imóvel desistiram da compra. Paralelamente, a busca por produtos financeiros aumentou 41% como forma de expandir as fontes de renda.

O consumidor restringido, por sua vez, tende a concentrar seu consumo em itens básicos, como alimentos, escolhidos por um critério de preço. "Não é promoção, esse consumidor vai depender de um preço baixo sempre", diz Tremaroli.

O estudo da Inovasia também aponta que a migração para plataformas virtuais não é revertido com o fim do isolamento, compondo um mix com as atividades offline.

Mais de 90% dos compradores e de 95% dos vendedores que passaram a usar a tecnologia durante a pandemia afirmam que continuam com o hábito.

Para esse grupo, que resistia aos canais digitais por desconfiança e falta de familiaridade, a mudança trouxe comodidade e maiores ganhos. Entre as empresas, observou-se também a continuidade de reuniões à distância e aulas online.

"Grande parte desses 'late adopters' [usuários tardios] é de homens com mais de 50 anos. Esse consumidor precisa de uma interface mais simples, letras maiores. Exige uma modernização das empresas", afirma Zmoginski.

Os setores que mais ganharam com essa adaptação do consumidor foram supermercados e farmácias -- apesar de terem continuado com o ponto físico funcionando por serem serviços essenciais.

A redução do contato direto do consumidor com a marca no ponto de venda deve levar a novas formas de conexão entre as fabricantes e o público alvo, ampliando a tendência incipiente de ecommerces próprios, aponta a Nielsen.


Além da comodidade, a opção pelo consumo à distância também resulta do medo de contaminação. Mesmo após o fim do isolamento social, a população chinesa seguiu temerosa de interações diretas e aglomerações.

A Nielsen identifica tendência semelhante, acrescentando ao temor o fato de que grande parte da população, ainda que quisesse, não terá condições financeiras para sustentar lazer e consumo fora de casa.

A mudança favorece o comércio local. Como no Brasil, houve num primeiro momento a compras em pequenos negócios do bairro como forma de apoio a esses locais, mas a atitude se manteve com o tempo como forma de evitar grandes deslocamentos e multidões.
O percentual de chineses que prefere consumir itens produzidos e vendidos por pequenos comerciantes passou de 19% para 38,6% após a quarentena.

As críticas feitas por líderes estrangeiros à China, assim como teorias da conspiração que culpavam o país pela criação da Covid-19, também levaram os chineses a optar por marcas locais em detrimento de importados como uma reação nacionalista.

Segundo a pesquisa, 50,6% dos consumidores chineses trocaram os importados pelos nacionais.

A preocupação com a saúde é outra novidade que se destaca no "novo normal". Em maio, a demanda por produtos frescos na rede de supermercados HeMa cresceu 93% comparado ao mesmo período do ano passado, enquanto as vendas de comida pronta caíram.

De acordo com a Inovasia, a crise sanitária levou o consumidor a se atentar mais para a qualidade e a procedência do que consome. Esse efeito foi observado principalmente entre os idosos, grupo de risco da Covid-19.

Atentas à tendência, as marcas já vêm adaptando seu marketing, aponta a Nielsen. "Antes da pandemia produtos de limpeza falavam em eficiência, rendimento. Agora o foco é o cuidado com a saúde", afirma Tremaroli.

A nova vida online dos consumidores manteve em alta as lives na China mesmo com o fim da quarentena, usadas para anunciar produtos.

Segundo o instituto chinês iiMedia Resarch, 526 mihões de chineses assisitiram a lives de ecommerces durante a quarentena, o que equivale a 69% dos cidadãos com acesso à internet do país. O número de transmissões dentro do marketplace Alibaba, por exemplo, saltou 719% entre janeiro e fevereiro.

Nos próximos dois anos, o segmento deve decuplicar no país, segundo estimativas do grupo Alibaba, ByteDance (dono do TikTok) e Kwai.

"No Brasil, um exemplo dessa tendência é ver sertanejos sendo convidados para fazer um show dentro da plataforma do Magalu", afirma Zmoginski.
Herculano
04/07/2020 18:21
A RAZÃO POR TRÁS DO DISCURSO "PAZ E AMOR" DE BOLSONARO NO MERCOSUL

Conteúdo de O Antagonista. Diplomatas disseram à Crusoé que foram surpreendidos pelos discursos em tom conciliatório de Jair Bolsonaro e de Ernesto Araújo durante a Cúpula do Mercosul, realizada nesta semana.

O discurso do presidente, diz André Spigariol, teve o dedo do embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva.

Em encontros anteriores, os textos do presidente costumavam ser refeitos pelo próprio chanceler e pela assessoria internacional do Planalto, comandada por Filipe Martins.
Miguel José Teixeira
04/07/2020 11:35
Senhores,

Pra não dizerem que não teclei sobre o ex e futuro presidiário lula:

Em O Globo: Bolsonaro viaja a Santa Catarina e sobrevoa áreas atingidas por "ciclone bomba".

A Rádio Cercadinho (que está prestes a encerrar suas atividades haja vista a ausência de sua fonte principal)apurou que antes da viagem, o General AH certificou-se que o "ciclone bomba" anteriormente era conhecido como Vento Carpinteiro e não Vento Torneiro.

Por razões óbvias. . .
Herculano
04/07/2020 09:59
PENSANDO BEM... SABOTAGEM E VINGANÇAS DA VIDA REAL

O candidato comandante Moisés se elegeu governador Carlos Moisés da Silva, PSL, louvando o candidato a presidente Jair Messias Bolsonaro, PSL. O PSL já é passado para Bolsonaro, como para outros nove partidos.

Os dois - Bolsonaro e Moisés de casernas diferentes - se bicaram depois de empossados.

Jair sempre desenhou a Covid-19. É uma gripezinha, mas que já matou quase 70 mil brasileiros. Ele está intacto, mesmo sem máscaras, nos braços do povo, nos afagos aos amigos...

Moisés sempre respeitou a Covid-19, mas em público, porque no particular foi pego em festa junina no Fazzenda Parque Hotel aqui em Gaspar, bem recentemente, sem máscara, sem o distanciamento os quais falsamente pregava até então diariamente nas aparições montadas pelas redes sociais. Dizem que a Covid dele é gasparense...

Moisés tentou negar, tentou disfarçar, mas não deu diante de tantas imagens irrefutáveis. Pòlíticos novos e velhos são assim mesmo, até diante de provas irrefutáveis. Pediu desculpas aos catarinenses. E saiu do cena naquilo que era uma autoridade e a perdeu no mau exemplo que deu.

Bolsonaro continua livre do vírus, das regras, do bom senso, da ciência.... Moisés acaba de ser pego por ele e está em quarentena.

E Bolsonaro vem a Santa Catarina neste sábado olhar os estragos do ciclone bomba. Vem outro na quarta-feira, mas de menor intensidade dizem os entendidos.

Moisés ficará em casa na quarentena. Frustação ou alívio? Vá entender!

Quem vai acompanhar Bolsonaro em Santa Catarina, é a vice, bolsonarista convicta e que vive boicontando Moisés. Ela virou dissidente - com uma parte do grupo do PSL - frontal e mimada contra o governador e o comandante Moisés - ela já foi da PMSC -, a oestina Daniela Cristina Reinehr. Ela já saiu do PSL e está montando o Aliança pelo Brasil, que em cinco meses não conseguiu mais de 15 mil assinaturas no Brasil e reconhecidas pela Justiça Eleitoral.

Daniela está no paraíso. Os do Aliança também. Bolsonaro livre de constrangimentos. Moisés e os do PSL em quarentena.

Se tudo fosse combinado, não haveria sabotagem com melhor do que esse. Cada coisa que o destino nos reserva.
Herculano
04/07/2020 09:39
CIDADANIA: "o NEGACIONISMO DE BOLSONARO BEIRA A SOCIOPATIA"

Conteúdo de O Antagonista. O Cidadania anunciou que vai trabalhar para derrubar no Congresso os vetos de Jair Bolsonaro ao projeto que torna obrigatório uso de máscaras em meio à pandemia da Covid-19.

"O negacionismo de Bolsonaro beira a sociopatia, ainda mais em um momento em que diversas unidades da Federação começam a flexibilizar o isolamento social. É urgente a convocação do Congresso para discutir esses vetos, uma questão de saúde pública", diz nota assinada pelo presidente do partido, Roberto Freire, e pelos líderes na Câmara, Arnaldo Jardim, e no Senado, Eliziane Gama.

Para o partido, "ações tresloucadas, descabidas e desumanas" de Bolsonaro "contribuem para o aumento do número de mortes evitáveis de Covid-19 e levam ao fechamento das fronteiras de outros países a cidadãos saídos do Brasil, agravando a crise econômica e deixando cada vez mais distante qualquer horizonte de normalidade".
Herculano
04/07/2020 09:34
da série: os postos de combustíveis foram os únicos que passaram longe da crise da pandemia aqui e no Brasil num processo de cartelizado e que protegido pelos Procons. Vergonha.

PREÇO DA GASOLINA CI DURANTE A PONDEMIA E FICA 13% MAIS BAIXO EM 2020

Dados de cartões da ValeCard mostram queda no valor do combustível
Conteúdo do jornal Folha de S.Paulo. Texto de Diego, do Rio de Janeiro. O preço da gasolina caiu 13% desde janeiro no Brasil, segundo levantamento da ValeCard, responsável por gestão de frotas e meios de pagamentos. A queda se deu, principalmente, por causa do avanço da pandemia de Covid-19 em todo o planeta.

Em janeiro, quando o combustível vinha em alta, o preço havia alcançado R$ 4,762, o maior valor de 2020. Já em junho, a gasolina encerrou cinco meses de recuo e era possível abastecer o carro por R$ 4,14 o litro. A diferença é de mais de R$ 0,60.

Os dados foram obtidos por registros de transações realizadas com o cartão de abastecimento da ValeCard em aproximadamente 20 mil estabelecimentos credenciados. A ValeCard costuma fazer um levantamento quinzenal, mas realizou uma comparação anual para sentir os efeitos do preço dos combustíveis Entre os meses de junho de 2019 e junho de 2020, a queda foi de 11%.

Em maio, quando atingiu o menor valor, a gasolina teve um preço médio de R$ 4,01 nos postos do país, ou treze centavos por litro mais barata do que no mês seguinte.

O Rio de Janeiro foi o estado que apresentou os preços médios mais altos em junho, R$ 4,601, seguido pelo Acre, a R$ 4,5. São Paulo tinha o terceiro menor valor: R$ 3,902.

A maior alta percentual na comparação com maio foi no Distrito Federal, que variou 7,88%, saindo de R$ 3,735 e chegando a R$ 4,029 no valor cobrado pelo litro da gasolina. Já o único estado que registrou queda foi o Amapá, com redução de 4,81%.

Entre as capitais, Belém foi a cidade com maior valor médio em junho (R$ 4,684). Depois vieram Rio de Janeiro (R$ 4,588) e Rio Branco (R$ 4,449). Os preços mais baratos foram vistos em Curitiba (R$ 3,671), João Pessoa (R$ 3,796) e Vitória (R$ 3,887).

Na última quarta (1º), a Petrobras anunciou nova elevação nos preços da gasolina e do diesel a partir desta quinta (2), no que foi o sétimo aumento seguido no preço da gasolina, que subiu, em média, 3%. O reajuste no diesel, de 6%, é o quarto consecutivo.

Com a sequência de altas, a gasolina voltou a ter preço médio nos postos acima de R$ 4 por litro na semana passada. Desde o começo de maio, quando foi iniciado o ciclo de aumentos, o preço da gasolina nas refinarias da estatal acumula alta de 53%. O preço do diesel acumula alta de 32% desde o início de maio.

Os reajustes acompanham a recuperação do preço internacional do petróleo após o relaxamento das medidas de isolamento social na Europa e nos Estados Unidos. A política de preços da Petrobras prevê o acompanhamento das cotações internacionais, considerando ainda a taxa de câmbio, os custos de importação e margem de lucro.

Para importadores de combustíveis, a sequência de reajustes da Petrobras ainda não é suficiente para acompanhar a recuperação das cotações internacionais, mantendo os preços no mercado interno com defasagem e impedindo a importação de produtos por empresas privadas.

De acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), os aumentos já pesam no bolso do consumidor. Na semana passada, o litro da gasolina era vendido a R$ 4,022, em média, no Brasil, alta de 0,9% em relação à semana anterior. Em quatro semanas, a alta acumulada é de 3,2%.
Herculano
04/07/2020 09:23
QUEIROZ VIROU EXCELENTE OPÇÃO PARA CASA CIVIL, por Josias de Souza

As perguntas ecoam nos gabinetes do Planalto e nos cômodos da sede do governo paralelo, no estado americano da Virgínia. O que houve com o capitão? O que explica o seu súbito desinteresse pelo enfrentamento justamente no momento em que o bolsonarismo virótico mais esperava dele? O desânimo, o timbre chocho? A ponto de o Weintraub fugir às pressas para Miami, lamuriando-se: Meu Deus, escantearam até o Olavão!

O país nunca saberá o que realmente aconteceu depois que Fabrício Queiroz foi recolhido pela polícia do João Doria e entregue ao Ministério Público do Rio de Janeiro. Que drama se desenrolou enquanto o faz-tudo dos Bolsonaro era conduzido para uma cela de Bangu 8?

Diz-se que Bolsonaro virou outra pessoa depois que conversou pelo telefone com Frederick Wassef, então advogado e personal ocultador dos Bolsonaro.

- O que houve com o Queiroz, Fred?

- Queiroz! Que Queiroz? A propósito, quem é Fred?

Quando os generais do Planalto ouviram Bolsonaro defendendo o amigo numa de suas lives -"Queiroz não estava foragido e não havia nenhum mandado de prisão contra ele" -, mandaram localizar o vice Mourão, para pedir-lhe que ficasse de prontidão. O capitão soava esquisito. "Parecia que estavam prendendo o maior bandido da Terra", ele dizia.

Súbito, escassearam as paradas no cercadinho do Alvorada. Os rompantes do tipo "acabou, porra" foram substituídos por afagos em Toffoli, Maia e Alcolumbre. "Esse entendimento, essa cooperação bem revela o momento que vivemos aqui no Brasil. [...] O nosso entendimento, sim, em um primeiro momento, é o que pode sinalizar que teremos dias melhores para o nosso país."

Com o passar dos dias, os generais palacianos começaram a olhar para a cela de Bangu 8 com um ponto de exclamação luzindo na retina. Amolecido pelo drama de Queiroz, Bolsonaro nomeou o conciliador Docatelli para a Educação. Eufóricos por prevalecer sobre a ala dos olavetes, os militares esqueceram de checar o currículo do ex-quase-futuro ministro.

Quando Maia e Alcolumbre começavam a se animar, Bolsonaro vetou a obrigatoriedade do uso de máscaras no comércio, na indústria e nas igrejas. O que fazer para evitar novas recaídas?

Embora o país não tenha certeza sobre o que aconteceu com Bolsonaro, imagina-se que, no fundo, no fundo, tudo tem a ver com o hóspede de Bangu 8. Os presidentes da Câmara e do Senado cogitam pedir ao centrão que exija a nomeação de Fabrício Queiroz para o posto de ministro-chefe da Casa Civil.

Preso, Queiroz obteve em poucos dias o que os generais palacianos, livres, não lograram alcançar em um ano e meio: a domesticação de Bolsonaro. Virou uma excelente opção para o posto de ministro-chefe da Casa Civil.
Herculano
04/07/2020 09:19
da série: porque os pobres morrem mais na pandemia do que os ricos? Está na nossa cara, mas negamos a realidade que os governantes e funcionários públicos camuflam em nome da fatalidade e do politicamente correto. Os números são cruéis, sobram explicações, faltam verdades

DESIGUALDADE NA MORTE DURANTE A PANDEMIA, por Hélio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

É preciso monitorar de perto os pacientes para reduzir a mortalidade na rede pública

A Covid-19 funciona em muitas situações como uma enzima, acelerando processos que já estão em curso. Isso é particularmente notável na economia (aumento da desigualdade), mas também na política (governos autoritários acumularam superpoderes) e até no comportamento (expansão do home office).

A saúde não é exceção. Um bom exemplo disso está no levantamento feito pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira, que revela que a mortalidade de pacientes de Covid-19 em UTIs públicas é quase o dobro da das privadas (38,4% contra 19,5%). Os dados foram obtidos de 16.399 pacientes de Covid-19 que passaram por UTIs de março a maio.

A principal explicação para a diferença é que os pacientes da rede pública já chegaram às UTIs em pior estado. Numa das escalas que mede a gravidade, a Sofa, usuários do sistema público apresentaram um índice que é quase o dobro do dos serviços privados. E isso apesar de a taxa de comorbidades dos dois grupos ser a mesma e de a concentração de idosos ser maior nos hospitais privados.

Uma possibilidade é que a superlotação tenha retardado a ida dos pacientes da rede pública para a UTI. Isso pode ter acontecido em alguns casos, mas não parece ser o panorama geral, já que a média de ocupação das UTIs não excedeu muito os 75% em nenhum dos dois sistemas.

Também é interessante notar que a diferença na mortalidade foi bem menor entre os pacientes ventilados (70,5% contra 63,6%) do que entre os que precisaram de UTI, mas não de suporte respiratório mecânico.

Disso tudo, parece lícito concluir que a melhor maneira para reduzir a mortalidade na rede pública é monitorar de perto os pacientes, internados ou não, para levá-los à UTI ao primeiro sinal de agravamento e postergar ao máximo a intubação, investindo em pronação e fisioterapia. O maior quadro de equipes multiprofissionais é um dos traços que distingue a rede privada da pública.
Herculano
04/07/2020 09:08
da série: o governo Bolsonaro - confessou isso publicamente isso na reunião com ministro e há vários exemplos públicos disso - que não possui um serviço mínimo de inteligência, mas alcaguetes ideológicos, está consultando astrólogos e seus seguidores, para como melhor emburrecer as nossas crianças e jovens nas escolas públicas brasileiras, alienando-as da competição global.

EXAME DA 'FICHA' ADIOU ANÚNCIO DE FEDER PARA 2ª, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O presidente Jair Bolsonaro convidou Renato Feder por telefone, na manhã desta sexta (3) para assumir o Ministério da Educação. O convite foi aceito. Mas ele foi avisado de que seu nome passaria por "pente fino", como ocorre a todos os indicados para cargos. Esse levantamento, e não "pressões" de aliados, levou o Planalto a retardar o anúncio, que deve ser feito nesta segunda-feira (6). Mas preocupou o governo a denúncia de suposta sonegação de impostos de empresa da qual Feder é sócio.

BRIGA NA JUSTIÇA

A Multilaser é acusada de não pagar R$3,2 milhões em ICMS, mas a empresa atribui isso a um calote de R$95 milhões do governo paulista.

SóCIO AFASTADO

A empresa de Feder é especializada em produtos de tecnologia (notebook, tablet, celular, acessórios etc.), da qual se afastou em 2018.

ALIADOS NÃO PRESSIONAM

Aliados de Bolsonaro preferiam um deles chefiando o MEC, mas jamais contestariam a escolha de Bolsonaro, que deseja um nome técnico.

FRITURA INEVITÁVEL

O Planalto admite que a demora no anúncio deixa Feder "exposto", mas é mais importante não permitir a repetição do vexame Decotelli.

EMISSORAS REAGEM AO FUROR ARRECADATóRIO DO ECAD

O escritório particular de "arrecadação de direitos autorais", de sigla Ecad, esperteza que há décadas controla esse mercado bilionário, chega a cobrar de emissoras de rádio e TV até 2,5% do faturamento comercial. Insaciável, percebeu nas "lives", comuns na pandemia, a chance de faturar ainda mais. Assim, ao promover "lives" retransmitidas por Youtube, as emissoras de TV têm sido notificadas a pagar em dobro. Emissoras já recorrem à Justiça para conter tanta ganância oportunista.

COMISSÃO ESPERTA

O Ecad esconde o jogo, mas em 2018 faturou R$1,1 bilhão. Essa empresa privada fica com 10% da bolada, a título de "comissão".

ARTISTAS RECEBEM POUCO

Enquanto "comissões" de mais de R$100 milhões anuais fazem a alegria do Ecad, os artistas se queixam dos valores irrisórios que recebem.

VAI TER DE EXPLICAR

O Ecad foi intimado pela Secretaria de Cultura a explicar sua nova esperteza arrecadatória, explorando emissoras e artistas de "lives".

PENDURADO NA BROCHA

Poderia ser resumida em uma frase a nota do PSDB sobre a operação da Polícia Federal contra o senador tucano José Serra (SP): te vira, malandro. Agora controlado por João Dória, o PSDB não deu a mínima.

SAÚDE É O QUE INTERESSA

Amigos de José Serra estavam mais preocupados ontem com a saúde do senador tucano do que com as acusações da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo. A saúde de Serra é delicada.

CONSERVADOR-RAIZ

O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) reconheceu ontem que a nomeação do titular do MEC é atribuição exclusiva do presidente, mas opinou que o escolhido "não deve ser neutro" e sim "conservador-raiz".

USINA DE FAKE NEWS

A mais recente invenção da usina televisiva de fake news é a de que o virtual ministro de Educação, Renato Feder, teria "exigido" o controle do FNDE. Lorota. Feder não é burro, nem Jair Bolsonaro tão tolerante.

CONVENÇÃO DE FÃ-CLUBES

Sexta é dia morno de fofocas, nas repartições. No 3º andar do Planalto, ontem, a conversa era a suposta demissão de atores como Tony Ramos, Lima Duarte e Antonio Fagundes. O clima era de revolta contra a Globo.

PAPO DE PERUAS

Sem-teto? A primeira-dama de São Paulo, Bia Dória, disse que "a rua hoje é um atrativo" e que "a pessoa gosta de ficar na rua". Mostrou com isso que jamais usou dez segundos na vida refletindo sobre o assunto.

MENOS É MAIS

Sabendo que a tecnologia será ainda mais fundamental no retorno ao trabalho, o Ministério da Economia fechou parceria com a Microsoft. A expectativa é de economia de 22,71% com as licenças dos programas.

LUZ NO FIM DO TÚNEL

Após três meses de queda agressiva, as vendas de carros no Brasil em junho fecharam com alta histórica de 116,68%, comparadas a maio: 122 mil veículos. A venda de caminhões e ônibus também cresceu.

PENSANDO BEM...

...o silêncio do presidente chama atenção, mas é o silêncio dos filhos que dá alívio.
Herculano
04/07/2020 08:57
da série: quando faltam argumentos, criam-se. A vergonha das nossas mentes e nos distanciam daquilo que verdadeiramente somos: humanos como virtudes, mazelas e diferentes em oportunidades independentes de origem, cor, credo ou raça sob culturas e aceitações distintas.

NOS ESTADOS UNIDOS, COR DEFINE IDELOLOGIA; AQUI, IDEOLOGIA DEFINE COR, por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo, no jornal Folha de S. Paulo

P racismo desagrada a todos, fazendo ver raças onde existem indivíduos

Nos Estados Unidos, correntes minoritárias do Black Lives Matter deploram a vasta adesão de brancos aos protestos antirracistas, alegando que eles estariam se divertindo com uma nova moda. No Brasil, setores do movimento negro acusam o ex-quase-ministro Carlos Decotelli de ser algo como um "negro falso", por não seguir a cartilha política e cultural que eles defendem. Lá, cor define ideologia; aqui, ideologia define cor.

A acusação parte de várias vozes, mas é melhor ilustrada por um artigo de Dodô Azevedo (Folha, 1° de julho). Decotelli seria um "negro conveniente", um "desertor". Mas como identificar esse personagem abominável?

Primeiro, por desvios de caráter derivados do desejo de assimilação. "Esses negros começam a agir como se desfrutassem dos mesmos privilégios que os brancos" e, por isso, "roubam, matam, mentem". Ficamos sabendo, assim, que os indivíduos desapareceram, convertendo-se em meras representações raciais. Se Decotelli fosse um "negro inconveniente", seria necessariamente reto, justo e puro. Tudo, inclusive o caráter pessoal, depende da ideologia.

Segundo, pela fé religiosa. Decotteli, "cristão batista, é um negacionista do sistema de crenças de suas avós e bisavós e tetravós". A liberdade de escolher uma fé está aberta a todos, menos aos negros. Isso porque "mentira e injustiça não seriam toleradas" nas religiões de matriz africana. François Duvalier, sanguinário ditador do Haiti, fez do vodu o pilar de seu poder, em nome da "autenticidade" africana. Martin Luther King era pastor batista - e, portanto, segundo Dodô, um monstro potencial.

Terceiro, pela carreira. Decotelli teria escolhido a carreira militar "para tentar não ser negro". Se, como Dodô, tivesse optado pelo jornalismo, o cinema, a história e a filosofia, talvez se aproximasse do pódio de "negro legítimo". Nessa linha, como fica o marinheiro João Cândido, líder da Revolta da Chibata? E o jornalista, filho de escritor e irmão de músico Sérgio Camargo, presidente ultrabolsonarista da Fundação Palmares?

"Se fosse de esquerda...": Elizabeth Guedes, presidente da associação das universidades particulares e irmã do ministro da Economia, reclama do movimento negro a defesa de Decotelli. Dodô replica: um "negro inconveniente" jamais inflaria seu currículo, pois saberia que, se ousasse "mentir como um ancestral de imigrantes", não teria o privilégio do perdão social concedido a ele. A implicação lógica do argumento é que o racismo opera como ferramenta positiva, moldando negros virtuosos. A política identitária precisa da discriminação racial que alega combater.

"Um negro que migra para um país assimilacionista esquece a que matriz pertence", escreve Dodô. O atacante Eusébio, nascido na Moçambique colonial, artilheiro de Portugal na Copa de 1966, identificava-se como português. O escritor moçambicano Mia Couto não o reprovou. "Se existem brancos que são africanos, se existem negros que são americanos, por que os pretos africanos não podem ser europeus?"

E segue: negros de origem africana, como Eusébio, terão filhos e netos nascidos na Europa e "não podem cair na armadilha de reivindicar um gueto, uma cidadania de segunda classe". Mas o "gueto", a "matriz", é exatamente o que exige Dodô, sob pena de excomunhão eterna.

"Nós dois lemos a Bíblia dia e noite, mas tu lês negro onde eu leio branco." (William Blake). A obsessão essencialista pela tradição é o traço crucial que aproxima Dodô de Damares Alves. A ministra, pastora evangélica, também teme o "assimilacionismo", o esquecimento das "raízes", das "crenças ancestrais". Os dois, donos da régua do Bem e do Mal, falam em nome de cruzadas purificadoras simétricas.

Ainda bem que brancos engajaram-se nos protestos antirracistas nos EUA. O racismo degrada-nos a todos, fazendo-nos ver raças onde existem indivíduos.
Herculano
04/07/2020 08:33
ESTAMOS FIRMES AO RECORDE DE 100 MIL MORTES POR COVID-19

É Só UMA GRIPIZINHA. QUANDO ELA A GRIPE DE VERDADE VIER...
Miguel José Teixeira
03/07/2020 19:30
Senhores,

Serra, cerra esperanças!

Parece-me que os tucanos acabaram de dar a bicada fatal na Lava-Jato.

A imensa maioria dos partidos políticos, unidos, contra nós contribuintes!

Na política brasileira, o "novo normal" pós pandemia, será a velha prática do saque aos cofres públicos.
Herculano
03/07/2020 11:59
PT E PSDB UNIDOS NA VALA COMUM CAVADA PELA LAVA JATO

Conteúdo de O Antagonista. O PT sempre acusou a Lava Jato de ser uma operação que tinha o partido como alvo exclusivo, uma evidente lorota.

A Lava Jato pegou PT, PP, PMDB, DEM, PDT, PR, PSD, Solidariedade, PSC e outros peixes menores. Direita, centro, esquerda, exclusivamente fisiológicos - todo o espectro partidário foi objeto de investigações.

Agora, com a denúncia contra José Serra, a Lava Jato enterra de vez o PSDB de raiz, depois de colocar Aécio Neves em maus lençóis.

Os dois são tucanos emplumados e foram candidatos a presidente da República. Serra em 2002, contra Lula, e em 2010, contra Dilma Rousseff. Aécio em 2014, contra Dilma. Eram rivais dentro do partido.

A Lava Jato os uniu para sempre na vala comum onde jaz Lula. Apesar de se venderem como antípodas, PT e PSDB são irmãos siameses.
Herculano
03/07/2020 11:38
A BOLHA

Os bolsonaristas e afins, desistiram de interagir e combater nas mídias sociais onde tudo se mistura, mas que os robôs tratam de separar pelo algoritmo feito de fórmulas complexas e estranhas dizem nos conhecer.

Os bolsonaristas escolheram uma bolha para não serem incomodados: o Parler.

Um dia perceberão que fora desta bolha existe vida em mutação constante. Quando colocarem a cabeça para respirar fora bolha, poderá ser tarde e outra realidade será preponderante. E a terra poderá não ser mais plana... Wake up, Brazil!
Herculano
03/07/2020 11:26
Vistas separadamente, as aflições ético-jurídicas dos membros do clã Bolsonaro são infecções decorrentes da falta de higiene política. Juntas, as agonias do pai e dos seus três filhos com mandatos eletivos compõem uma espécie de pandemia familiar na qual os membros da dinastia contagiam-se uns aos outros.

Investigado no Supremo, Jair Bolsonaro pede para ser interrogado por escrito. Esquadrinhado na primeira instância num caso de rachadinha estadual, o senador Flávio Bolsonaro busca refúgio no foro privilegiado. Às voltas com uma rachadinha municipal, o vereador Carlos Bolsonaro perde o privilégio e desce para mesa de um juiz de primeiro grau.

Se tudo isso fosse pouco, o deputado Eduardo Bolsonaro achou que seria uma boa ideia anunciar que vem aí um "momento de ruptura" institucional. Falta apenas definir quando virá. Até Augusto Aras notou que não pegou bem. Abriu na Procuradoria uma investigação para apurar se houve atentado contra a democracia.

O que há de comum nos quatro casos é que nenhum deles precisava ter acontecido. Bolsonaro não precisava empurrar Sergio Moro para fora do governo. Ao converter o ministro em delator expôs o plano de intervir na PF para evitar o surgimento de "sacanagem" contra o primogênito e o amigo Fabrício Queiroz.

Flávio não precisava ter empurrado sua rachadinha para dentro da Presidência do pai. Bastaria ter levantado o tapete do seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio em dezembro de 2018, quando as manchetes começaram a perguntar: "Onde está o Queiroz?" Doeria, mas o estrago político seria menor.

Carlos não precisava repetir o irmão mais velho. Se adotasse para si os princípios morais que cobra dos adversários, teria dito em casa que assombrar a folha salarial do gabinete de vereador com parentes da ex-mulher do seu pai não pegaria bem.

Quanto a Eduardo, suposto ideólogo do clã Bolsonaro, ele não precisava fornecer ao procurador-geral da República evidências do déficit que carrega entre as orelhas. Complicou-se ao tentar expressar com palavras uma ideologia cuja principal característica é a ausência de ideias.

Desde a chegada da pandemia do coronavírus, Bolsonaro vive assombrado pela sensação de que a ruína econômica pode acabar com o seu governo. Livrou-se de dois ministros da Saúde; ornamentou aglomerações golpistas, uma delas na frente do QG do Exército; expulsou da Esplanada o ex-juiz da Lava Jato; e trocou um desastre por um currículo fake na Educação.

Quando parecia que estava fora de controle, o capitão resolveu trocar a teatralidade radical pela cenografia da moderação. Parece ter notado que a primeira-família encontra-se plugada num respirador judicial. Ainda não se sabe qual será a dimensão do estrago a ser produzido pela pandemia que se abateu sobre o clã presidencial. Mas o súbito comedimento de Bolsonaro indica que pode não ser uma gripezinha.
Herculano
03/07/2020 11:19
da série: os partidos protegem seus poderosos na lama e se auto-destroem por isso, numa incompreensível contradição com os seus discursos de ética, transparência e diferenciação dos partidos feitos para serem organizações criminosas recheados de políticos oportunistas e espertos. Abaixo, uma explícita arquitetura para enganar e se eximir de responsabilidade de atos graves naquilo que se desviou dos pesados impostos do brasileiros. Vergonha.

MPF: FILHA DE JOSÉ SERRA TINHA CONTA NO PANAMÁ PARA LAVAR DINHEIRO DO PAI

Conteúdo de O Antagonista. A filha de José Serra, Verônica, também é alvo da Operação Revoada: como noticiamos, ela foi denunciada por lavagem de dinheiro.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato em São Paulo, pai e filha ocultaram dinheiro "sabidamente proveniente de crimes".

A denúncia do MPF, obtida por O Antagonista, traz os detalhes dessa relação familiar em um esquemão de pagamentos de propinas.

Diversas transferências realizadas entre 2006 e 2007 forem feitas em uma offshore chamada Dortmund Internacional Inc.. Segundo o MPF, a conta criada no Panamá em dezembro de 2003 era controlada por Verônica Serra.

"Embora conste, de sua ficha cadastral, o cidadão uruguaio FRANCISCO RAVECCA como contato da DORTMUND, uma procuração anexada concede a VER?"NICA ALLENDE SERRA (representada, no ato, por HERRERA VILLAREAL e HERRERA DE DIAZ67) poderes para geri-la e representá-la. Mais ainda, constam da documentação cadastral referências a dados pessoais de VER?"NICA ALLENDE SERRA, como data de seu nascimento, em 30/05/1969, sua cidadania brasileira (como anotação riscada e substituída por cidadania italiana), e seu endereço em São Paulo/SP. Constam também cópias dos passaportes e documentos diversos relativos à DORTMUND, à VER?"NICA ALLENDE SERRA (passaporte italiano), e a FRANCISCO GUILLERMO RAVECCA JONES (uruguaio)."

Documentos colhidos pela Lava Jato em São Paulo demonstram que a filha de José Serra "exercia gestão constante" da conta no Panamá.

O objetivo, segundo os investigadores, era claro: ocultar e lavar dinheiro.

"Emerge claramente que a DORTMUND, como grande parte das offshores sediadas no Panamá, constitui mera "casca" que oculta a titularidade e a origem de valores que por ela passam."

Para o MPF, não restam dúvidas de que "a real titular" da conta panamenha era Verônica.

"Assim, ao JOSÉ AMARO RAMOS realizar, a partir de contas suas, transferências vultosas em favor da DORTMUND, entre 2006 e 2007, o que se praticava eram atos de ocultação e dissimulação da natureza espúria dos valores que recebera da ODEBRECHT no período, assim, seus reais destinatários: JOSÉ SERRA e sua filha VER?"NICA SERRA."
Herculano
03/07/2020 10:59
ASSUSTA VOTOS NA PRESERVAÇÃO DOS SEUS

Mais uma vez sai na frente e estou de alma lavada.

O que escrevi no Trapiche desta sexta-feira?

"Afogando-se. O MDB está com problemas. Prometeu candidaturas de vereadores para manter as filiações. Agora está fazendo uma peneira no próprio partido e nos coligados. O chororô é grande. As preocupações também".

Pois bem. O poder de plantão foi tomado por um susto ontem a noite quando ainda a coluna estava fora do ar: a declaração de pré-candidato de um contumaz puxa-saco.

E por que do susto?

Porque o candidato é um assusta votos da coligação. Já gerou problemas para o poder de plantão com as suas atitudes de defensor incondicional de tudo, inclusive do erro.

E por que do anúncio do pré-candidato? Simples. É para se livrar da obrigação de ir e preservar os empregos dos filhotes nos tentáculos do poder de plantão.

Ou seja, demonstra fidelidade e com isso fecha a porta para qualquer sacrifício, que não seja o dele próprio em "abrir" mão da candidatura. Manobra manjada. Acorda, Gaspar!
Herculano
03/07/2020 07:14
A COVID-19, A HIST?"RIA E OS CIENISTAS, por Cláudia Constin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais, da FGV, e ex-diretora de educação do Banco Mundial, no jornal Folha de S. Paulo

Na ciência, aprende-se tanto com os acertos quanto com os erros

Um grande esforço está em curso, entre pesquisadores de boa parte do mundo, em busca de vacinas e de uma melhor compreensão do comportamento do novo coronavírus.

Laboratórios de inúmeros centros na Europa, na Ásia e no continente americano têm se associado, procurando avançar nas investigações, algumas delas já em curso desde o advento do H5N1, para construir uma solução para a Covid-19.

Na verdade, parece ser nas crises que a humanidade mais aprende. Aparentemente, em situações de estabilidade, não somos instados a sair da zona de conforto e ousamos menos.

As crises nos instabilizam, trazem sofrimento, mas desafiam o cérebro humano a criar saídas. E, cada vez mais, o processo criativo se dá em condições de colaboração, com equipes inteiras debruçadas sobre as causas dos problemas vividos e no conjunto de soluções que, combinadas, constituem a resposta à crise.


Ao ler sobre os cientistas que, no início do século 20, procuraram descobrir os patógenos, as vacinas e os tratamentos para a gripe de 1918, ocorreu-me que a história contará o esforços e os resultados deste grande empreendimento humano que vivemos hoje, na busca de métodos de prevenção e de cura da Covid-19.

Registrarão o nome de pesquisadores que lograram obter avanços, mas provavelmente deixarão no anonimato aqueles que, embora tenham investigado muito em seus laboratórios, contribuíram apenas com a identificação de hipóteses a serem descartadas.

A ciência é assim, aprende-se tanto com os acertos quanto com os erros. A pesquisa que permitiu o descarte de uma hipótese é extremamente útil e evita novos esforços infrutíferos. Nesse contexto, faz muito sentido ensinar história da ciência para crianças e jovens. Não é suficiente trabalhar com os alunos os conceitos científicos ou até mesmo a aplicação desses conceitos em problemas da realidade.

A história registra a maravilhosa e terrível aventura do ser humano na face da Terra, com suas crueldades, mas também descobertas, construções e conquistas. Ensinar a disciplina como mera sucessão de eventos ou de condições econômicas, sem identificar os principais atores, empobrece a percepção de quem aprende.

Isso também se passa com a ciência: o que sabemos hoje resultou do esforço de pessoas como nós, que pesquisaram muito e trouxeram contribuições para a nossa compreensão dos fenômenos naturais e de sua interação com as sociedades.

Relatar a vida e os dilemas dos cientistas certamente irá inspirar os estudantes, ajudá-los a entender o seu tempo e a desenvolver uma mente investigativa, que é a base de todas as ciências.
Herculano
03/07/2020 07:10
ILHOTA EM CHAMAS.

Há um outro tipo de coronavírus circulando no governo de Érico de Oliveira, MDB e Joel José Soares, PSL. A luta agora é para isolá-lo e contaminar o menos possível os políticos no poder de plantão
Herculano
03/07/2020 07:09
POBRES SEM MÁSCARAS

Conteúdo de O Antagonista. Além de vetar o uso obrigatório de máscaras em lojas e fábricas, Jair Bolsonaro vetou também a norma segundo a qual os estabelecimentos teriam de fornecer máscaras grátis aos próprios funcionários.

Eles terão de pagar para não morrer no trabalho.

Jair Bolsonaro vetou igualmente o trecho da lei que obrigava o poder público a distribuir máscaras aos mais pobres.
Herculano
03/07/2020 07:04
da ´serie: mais uma polêmica para embate grauíto, neste momento de crise econômica, social e de saúde graves, com desemprego em massa. É só para atiçar seus seguidores contra o conhecimento, a ciência, a evidência e o STF. É o rei das confusões desnecessárias. A terra realmente é plana.

BOLSONARO SANCIONA COM VETOS LEI QUE OBRIGA USO DE MÁSCARAS EM LOCAIS PÚBLICOS

Conteúdo da CNN Brasil. Texto de Diego Freire. Em ato publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (3), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou com vetos a Lei Nº 14.019/2020, aprovada pelo Congresso Nacional, para tornar obrigatório o uso de máscaras de proteção individual para circulação em espaços públicos durante a pandemia do novo coronavírus, que causa a Covid-19.

Ao sancionar a lei, o presidente manteve no texto do Congresso a obrigatoriedade de máscaras em transportes públicos coletivos, como ônibus, aeronaves e veículos de aplicativo. A lei também prevê o uso de máscaras em prisões.

O presidente vetou, contudo, diversos pontos do texto original.

Na noite anterior, já havia sido antecipado que Bolsonaro vetaria o trecho que tornava obrigatório o uso de máscaras em estabelecimentos comerciais, templos religiosos, escolas e "demais locais fechados em que haja reunião de pessoas". O presidente justificou esse veto alegando risco de "violação de domicílio" pela abrangência da expressão "demais locais fechados".

Também foi vetada obrigatoriedade do poder público em fornecer máscaras a populações vulneráveis, além da determinação de que estabelecimentos comerciais e órgãos públicos sejam obrigados a fornecer máscaras em seus espaços. Segundo o presidente, estados e municípios devem ter autonomia para determinar tais medidas em seus territórios.

Alguns estados e municípios já aplicam leis próprias sobre o uso de máscaras pela população.

Veja, abaixo, pontos sancionados e vetados em relação à lei aprovada pelo Congresso, que altera a Lei Nº 13.979/2020, sancionada em fevereiro para estabelecer medidas de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.


PONTOS SANCIONADOS

Vias públicas e transportes

Bolsonaro manteve no texto a obrigatoriedade das máscaras - artesanais ou industriais - "para circulação em espaços públicos e privados acessíveis ao público, em vias públicas e em transportes públicos coletivos, bem como em: veículos de transporte remunerado privado individual de passageiros por aplicativo ou por meio de táxis; ônibus, aeronaves ou embarcações de uso coletivo fretados".

Pelo texto, "as concessionárias e empresas de transporte público deverão atuar em colaboração com o poder público na fiscalização do cumprimento das normas". Há possibilidade de que as empresas vedem a entrada de passageiros em desacordo e de estabelecimento de multas.

PRISõES

A Lei também torna obrigatório o uso de máscaras de proteção individual em prisões e estabelecimentos de cumprimento de medidas socioeducativas.

Atendimento preferencial a profissionais da saúde

Foi mantido dispositivo que diz que "é garantido o atendimento preferencial em estabelecimentos de
saúde aos profissionais de saúde e aos profissionais da segurança pública, integrantes dos órgãos previstos no art. 144 da Constituição Federal, diagnosticados com a Covid-19, respeitados os protocolos nacionais de atendimento médico."

CARTAZES INFORMATIVOS

O presidente sancionou, ainda, dispositivo segundo o qual órgãos, entidades e estabelecimentos "deverão afixar cartazes informativos sobre a forma de uso correto de máscaras e o número máximo de pessoas permitidas ao mesmo tempo dentro do estabelecimento, nos termos de regulamento".

Exceções a crianças e pessoas com deficiências

A obrigação é dispensada, porém, a crianças com menos de três anos e pessoas com transtorno do espectro autista ou deficiências intelectuais e sensoriais que as impeçam de fazer uso adequado da máscara, conforme declaração médica.

PONTOS VETADOS

Em seus vetos, o presidente apontou "falta de clareza" em pontos do texto original e considerou que certas imposições violariam a autonomia de estados e municípios.

Escolas, igrejas e comércio

Um dos vetos presidenciais se refere ao inciso que prevê o uso obrigatório de máscaras em "estabelecimentos comerciais e industriais, templos religiosos, estabelecimentos de ensino e demais locais fechados em que haja reunião de pessoas".

Em sua jutisficativa, emitida em despacho, o presidente questiona a expressão "demais locais fechados" e afirma que veta o dispositivo inteiro por não haver "a possibilidade de veto de palavras ou trechos".

Segundo o entendimento de Bolsonaro, a redação da lei aplica um "conceito abrangente de locais não abertos ao público", o que poderia incorrer em uma "violação de domicílio".

O veto cita atigo da Constituição segundo o qual "a casa é asilo inviolável do indivíduo".

AGRAVANTE EM MULTAS

O presidente também vetou artigos referentes aos agravantes para penalidades no caso de descumprimento das normas. O texto original previa que o não uso de máscaras nos locais previstos acarretasse em "imposição de multa definida pelo ente competente", com agravantes nos casos de reincidência e em infrações cometidas em ambientes fechados.

Outro trecho vetado previa multa para "o estabelecimento autorizado a funcionar durante a pandemia da Covid-19 que deixar de disponibilizar álcool em gel a 70% em locais próximos a suas entradas, elevadores e escadas rolantes".

O presidente viu a possibilidade de insegurança jurídica com as medidas.

"Muito embora haja prerrogativa para a elaboração de normas gerais pela União em relação à matéria, a não imposição de balizas para a gradação da sanção imposta pela propositura legislativa gera insegurança jurídica, acarretando em falta de clareza", diz a jutisficativa do veto presidencial.

"Ademais, já existem normativos que disciplinam a possibilidade de multas por infração sanitária com parâmetros a serem observados", complementa.

O texto original previa que os valores recolhidos com multas fossem "utilizados obrigatoriamente em ações e serviços de saúde", mas que populações vulneráveis fossem isentas de taxações.

FORNECIMENTO DE MÁSCARAS

Bolsonaro vetou dispositivo segundo o qual "os estabelecimentos em funcionamento durante a pandemia da Covid-19 são obrigados a fornecer gratuitamente a seus funcionários e colaboradores máscaras de proteção individual, ainda que de fabricação artesanal, sem prejuízo de outros equipamentos de proteção individual estabelecidos pelas normas de segurança e saúde do trabalho".

Em sua justificativa, o presidente afirma que "a matéria já vem sendo regulamentada por normas do trabalho que abordam a especificidade da máscara e a necessidade de cada setor e/ou atividade, do modo que a proteção individual do trabalhador seja garantida".

O presidente considera que estados e municípios devam ter autonomia para "elaborar normas que sejam suplementares e que atendam às peculiaridades no que tange à matéria.".

MÁSCARAS EM óRGÃOS PÚBLICOS

Bolsonaro vetou trecho que previa a obrigatoriedade do uso de máscaras em órgãos públicos, com possibilidade de veto à entrada e retirada de pessoas. O presidente alegou que a medida "viola ao princípio do pacto federativo" por impor "obrigação aos entes federados".

O veto é justificado, ainda, por questões orçamentárias.

"Ademais, tal medida institui obrigação ao Poder Executivo e cria despesa obrigatória ao Poder Público, sem que se tenha indicado a respectiva fonte de custeio, ausente ainda o demonstrativo do respectivo impacto orçamentário e financeiro no exercício corrente e nos dois subsequentes", diz o presidente.

MÁSCARAS A POPULAÇõES VULNERÁVEIS

Outro trecho vetado conferia ao poder público a obrigação de "fornecer máscaras de proteção individual diretamente às populações vulneráveis economicamente, por meio da rede integrada pelos estabelecimentos credenciados ao Programa Farmácia Popular do Brasil, pelos serviços públicos e privados de assistência social e por outros serviços e estabelecimentos previstos em regulamento, ou pela disponibilização em locais de fácil acesso".

Em seu veto, Bolsonaro afirmou que, "em que pese a boa intenção do legislador", o dispositivo "contraria o interesse público em razão do referido equipamento de proteção individual não ter relação com o Programa Farmácia Popular do Brasil, uma vez que se constituem sob a legislação sanitária em insumos para a saúde (correlatos), com regulamentação diversa dos medicamentos".

O presidente também citou violações à autonomia dos estados e a criação de despesa sem especificação da respectiva fonte de custeio.

CAMPANHAS PUBLICITÁRIAS

O presidente vetou o dispositivo que incumbia o Poder Executivo a "veicular campanhas publicitárias de interesse público que informem a necessidade do uso de máscaras de proteção individual, bem como a maneira correta de sua utilização e de seu descarte, observadas as recomendações do Ministério da Saúde".

O veto foi justificado pela alegação de "violação ao pacto federativo" ao determinar que entes federativos realizassem campanhas, além da criação de despesa sem especificação da respectiva fonte de custeio.
Herculano
03/07/2020 06:55
da série: inacreditável. Se os médicos que salvaram o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, da facada criminosa que levou durante a campanha negassem à ciência e o conhecimento disponível, ele não estaria vivo, mas para os outros...a sorte

A ENORMIDADE BOLSONARISTA

Conteúdo de O Antagonista. Jair Bolsonaro vetou trechos essenciais da lei sobre o uso obrigatório de máscaras, dispensando lojas, fábricas e templos religiosos.

É uma enormidade que vai provocar ainda mais mortes.
Herculano
03/07/2020 06:48
DA NEFASTA MILÍCIA DIGITAL, por Fernando José da Costa, Advogado criminalista, é mestre e doutor em direito penal pela USP, no jornal Folha de S. Paulo

Erra quem acredita não ser identificado ao praticar crimes na internet

A internet trouxe incontáveis benefícios e alguns malefícios. Dentre estes, destaco a possibilidade de praticar, de qualquer lugar com uma conexão, crimes e desinformações que podem alcançar milhões de internautas.

Hoje conseguimos de qualquer lugar nos comunicar, trocar mensagens e acessar informações. As redes sociais permitem que pessoas postem informações e imagens que serão acessadas por milhares de pessoas.

A era digital permite a comunicação e o acesso às notícias online. Todavia, também possibilita que pessoas pratiquem fake news, gerando danos irreparáveis às suas vítimas.

As fake news são desinformações que podem ocorrer através de informações falsas ou deturpadas, tanto por serem editadas, quanto por serem postadas em período diverso daquele no qual ocorreu o fato.

Por aqui, disseminar fake news ainda não é crime, embora tenhamos crimes contra a segurança nacional e contra a honra (calúnia, difamação e injúria).

O advogado que atua nesses crimes deve ser competente e ágil, já que há questões, como a decadência e a prescrição, que precisam ser analisadas desde o início da causa.

Sobre a decadência, o primeiro processo que atuei defendendo o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), tratava de uma queixa-crime proposta pelo PT, e, apesar de não existir crime nas declarações ditas por ele, a ação foi proposta fora do prazo decadencial - motivo pelo qual pleiteei preliminarmente a extinção de punibilidade antes da análise do mérito. O juiz concordou com meu requerimento e encerrou o processo.

De lá para cá, nosso escritório defende os interesses do governador na esfera criminal. Sempre que ele é atacado nas redes sociais atuamos para manter sua honra e integridade inabaláveis, tomando as medidas criminais cabíveis. Isso só ocorre quando os internautas extrapolam o direito à crítica e praticam crimes.

Erra quem acredita não ser identificado ao praticar crimes através de um aparelho ligado à internet. Os crimes digitais deixam vestígios. A lei determina que os servidores de acesso, detentores do endereço do IP (internet protocol), forneçam informações de quem utilizou a internet para tal conduta.

Devemos nos preocupar com a milícia digital, conhecida como uma organização criminosa que pratica crimes através da internet.

Esses agentes se utilizam da rede para, em minutos, aniquilar a imagem de terceiros com fake news, gerando desinformações, denegrindo a reputação e a dignidade de pessoas e, muitas vezes, manipulando o pensamento, a opinião e as decisões de uma sociedade. Essa prática é inclusive capaz de eleger ou não um político e, com isso, trazer o risco de criarmos um "fake politician" (falso político), imaginando que essa seja uma pessoa que na verdade não é.

As autoridades públicas precisam se reinventar e, com a mesma velocidade da divulgação de informações falsas, investigar, identificar autores, criar barreiras, suspender e excluir desinformações do mundo virtual e punir de forma exemplar os milicianos digitais, bem como aqueles que os financiam.
Herculano
03/07/2020 06:41
STF MANTÉM 'ESPADA DE DÂMOCLES' SOBRE BOLSONARO, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Se Jair Bolsonaro mudou seu comportamento beligerante, trocando seu "presidencialismo de colisão" pelo estilo "paz e amor", ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que se revezavam nos insultos contra o chefe do Poder Executivo, também experimentam uma espécie de "recuo tático". Mas a trégua é apenas aparente. Os ministros do STF suspenderam as hostilidades, mas mantêm a "espada de Dâmocles" sobre a cabeça do presidente. Se bobear, ela pode até ser "decepada".

'MATANDO NA UNHA'

O ministro Celso de Mello retarda a decisão sobre o depoimento à Polícia Federal como a lembrar, a cada dia, que o presidente é "caso de polícia".

RESPEITO AO CARGO

Celso de Mello sabe, mais que ninguém, que se reconhece no presidente da República a prerrogativa de prestar depoimento inclusive por escrito.

QUESTÃO DE TIMING

Se Mello está a menos de quatro meses da aposentadoria, Alexandre de Moraes, da "oposição" a Bolsonaro no STF, tem todo o tempo do mundo.

PRATO SERVIDO FRIO

Moraes estendeu por seis meses sua própria "espada de Dâmocles" contra o presidente da República: o inquérito das fake news.

ECAD TEM DEZ DIAS PARA EXPLICAR COBRANÇA DE LIVES

A superintendente do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), Isabel Amorim, foi notificada a explicar no prazo de dez dias à Secretaria de Cultura do governo federal "a previsão legal, bem como quais são os critérios utilizados" para cobrar valores adicionais pelas "lives" feitas por músicos e grupos. O Ecad já recebe milhões dos contratos com YouTube, Spotify, Facebook etc e decidiu cobrar mais 5% sobre valor bruto dos patrocínios, como ocorre em eventos com público.

PENSANDO COM O BOLSO

O sucesso das lives no isolamento fez a ganância do Ecad vencer a razão e decidir fazer a cobrança adicional, e retroativa a 20 de março.

COBRANÇA CASADA

O Ecad chegou a afirmar que não se trata de uma cobrança dupla ao ignorar que a transmissão já é paga e sem ela não existiria o evento.

OLHO VIVO

A notificação foi feita pelo Departamento de Registro, Acompanhamento e Fiscalização da Secretaria da Cultura, criado após a CPI do Ecad.

ZELO DE LADRÃO

Após saquear sem piedade a Petrobras, no maior esquema de corrupção da História, o PT recorreu ao STF para impedir a venda de ativos da estatal. Do jeito que as coisas estão, capaz de conseguir.

OUTRO MUNDO

O cenário é de crise geral, exceto para planos de saúde. Enquanto a maioria perdeu renda, as operadoras de planos odontológicos reclamam do lucro de "apenas 0,6%" no segundo trimestre, auge da pandemia.

MOSTRANDO QUEM MANDA

A ministra Tereza Cristina (Agricultura) tem feito mudanças em regionais do Incra sem avisar o secretário Nabhan Garcia, que se apresenta como "vice-ministro" e trabalha 24 horas para ocupar sua cadeira. Em vão.

VOZ DAS CATACUMBAS

O matraquear do ex-presidiário Lula, durante entrevista à Rádio Bandeirantes, ontem, fez parecer que sua voz saía das catacumbas. Discurso velho, decadente, de uma pretensa vestal que na verdade não passa de um político vulgar, um corrupto transitado em julgado.

BARROSO À VONTADE

Na sessão que promulgou emenda adiando a eleição, o ministro Luis Roberto Barroso, presidente do TSE, parecia em casa, descontraído, ao lado dos poucos parlamentares presentes, devido a pandemia.

ATÉ NOTÍCIAS

O Ecad já foi alvo de CPI, mas merece uma visita da Polícia Federal. Esfola emissoras em nome de "direitos autorais", mediante comissão de 10%. Uma rádio de notícias fechou em Londrina em razão disso. Em 2018, o Ecad faturou R$1,1 bilhão e levou comissões de R$110 milhões.

CORONA NO CONGRESSO

O deputado federal João Maia (PL-RN) é mais um parlamentar com suspeita de Covid-19. Internado em Natal, reage bem ao tratamento. João tem 66 anos e é irmão do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia.

EFEITO PANDEMIA

A American Airlines anunciou que vai cancelar o voo direto entre Brasília e Miami, um dos últimos voos internacionais que atendiam a capital. Não há informação sobre se a medida é permanente.

PENSANDO BEM...

...enquanto tem gente presa sem ser réu, há outros "mais iguais", como Lula, que, condenado em 2ª instância, está livre para viajar ao exterior.
Herculano
03/07/2020 06:28
da série: o governo Bolsonaro repete os políticos sem noção e que culpam o carteiro pela má notícia trazida na carta envelopada de outrem e não reagir para fazer do limão uma limonada. O estranho é que as Forças Armadas sirvam a este papel de enganar a população.

PLANALTO SABOTOU COMBATE AO CORONAVÍRUS AO SABER DE PROJEÇÃO DE 100 MIL MORTES, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Bolsonaro adotou desdém perturbador, investiu em tratamento duvidoso e sonegou informações,

Na última sexta-feira de março, Jair Bolsonaro apareceu na TV e disse o que pensava sobre o aumento de casos de coronavírus no país: "Alguns vão morrer? Vão, ué. Lamento. Essa é a vida, é a realidade".

O presidente adotou a negligência como política oficial durante a pandemia. O desdém se tornou a principal marca do desempenho ruinoso do Brasil, que agora ganha contornos ainda mais perturbadores.

Ex-secretário do Ministério da Saúde, o epidemiologista Wanderson Oliveira contou à repórter Natália Cancian que o Palácio do Planalto foi avisado de uma projeção que estimava em 100 mil o número de mortes por coronavírus em seis meses. Segundo ele, os dados chegaram à cúpula do governo já em março.

Desde o início, a equipe de Bolsonaro tinha elementos sobre a gravidade da doença. Naquele mês, o presidente dizia que a Covid-19 faria menos de 800 vítimas. A previsão fraudulenta desabou em três semanas.

Bolsonaro sonegou informações e implantou uma sabotagem contínua às ações de combate à pandemia. Demitiu um ministro e forçou a saída de outro. Quando o país bateu 30 mil mortes, não deu bola: "A gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo".

O governo também sabia que a cloroquina era um método duvidoso de tratamento, mas estimulou o uso do remédio. O Exército estocou mais de 1 milhão de comprimidos. Procuradores querem saber por que os insumos para o medicamento custaram mais do que o normal.

Os conflitos fabricados por Bolsonaro em torno das medidas de distanciamento, defendidas pelos técnicos da área, ajudaram a empurrar o país para o buraco. "Perdemos um tempo precioso com um debate improdutivo que acabou resultando numa confusão para a população muito grande", afirmou Oliveira.

O presidente liderou o país com a mesma habilidade do prefeito de Itabuna, na Bahia. Nos últimos dias, o alcaide disse que abriria o comércio mesmo que os casos na cidade disparassem, "morra quem morrer".
Herculano
02/07/2020 19:32
UM DOS PRIMEIROS ATOS DO RECÉM EMPOSSADO PREFEITO KLEBER EDSON WAN DALL, MDB, DE GASPAR, FOI PEDIR NA CÂMARA UM AUMENTO DE 40% DA TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA PARA MELHORAR O QUE SE ESTAVA CRÍTICO.

MUITA DISCUSSÃO NA ÉPOCA.

HOJE, APESAR DO AUMENTO, A SITUAÇÃO CONTINUA CRÍTICA E NÃO FOI O CICLONE BOMBA DE TERÇA-FEIRA A TARDE. ACORDA, GASPAR!
Herculano
02/07/2020 19:29
da série: quem diria que dois anos depois, um ativista do MBL, negro, gay, Fernando Holiday e que se elegeu vereador pelo DEM paulistano em parceria com os Bolsonaros, viesse nesta quinta-feira ao twitter postar a seguinte constatação:

A esquerda está levantando uma tag contra a lava jato, ultimamente os bolsonaristas têm usado argumentos semelhantes aos da esquerda para atacar juízes e promotores envolvidos na operação.

Será que vão se juntar ao coro dos petralhas e dizer que a lava jato é traidora da pátria?
Herculano
02/07/2020 19:19
da série: para esconder a mentira, a dissimulação e a incapacidade ética sobram narrativas e justificativas enfadonhas.

O RACISMO CONTRIBUIU PARA DERRUBAR CARLOS ALBERTO DECOTELLI? por Helio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

Meios acadêmicos têm justificado viés antibolsonarista e foram implacáveis com ele

O racismo contribuiu para derrubar Carlos Alberto Decotelli do comando do Ministério da Educação?

A essa altura não há dúvida de que ele inventou para si títulos que não obtivera, o que é um dos pecados mais graves que se pode cometer na vida acadêmica, além de ilícito penal, caso a mentira seja registrada em documentos públicos como a plataforma Lattes. E isso, creio, é mais do que suficiente para desqualificá-lo para o cargo, que nem chegou a assumir. Ainda assim, é possível que o chamado racismo institucional tenha dado uma ajudinha.

Como quase ninguém admite ser racista, a melhor forma de constatar o fenômeno é recorrer às estatísticas, em busca de desfechos diferenciados para negros e não negros que tenham logrado os mesmos êxitos ou incorrido nos mesmos erros. Trocando em miúdos, não negros que também falsificaram seus currículos tiveram o mesmo tratamento dispensado a Decotelli?


Numa análise perfunctória das histórias de políticos que pregaram mentiras curriculares, a resposta é negativa. O próprio governo Bolsonaro abriga dois ministros que já turbinaram seus CVs, Damares Alves e Ricardo Salles.

Se expandirmos um pouco mais o círculo, temos os casos do governador Wilson Witzel, da ex-presidente Dilma Rousseff e do ex-chanceler Celso Amorim. Nenhum deles chegou perto de ter sua carreira ameaçada pela imaginação fértil. Nosso número de casos é pequeno demais para autorizar conclusões científicas, mas basta para deixar a suspeita no ar.

Também seria possível argumentar que o que atrapalhou Decotelli, mais do que o fato de ser negro, é o fato de ser bolsonarista. Os meios acadêmicos têm um forte e justificado viés antibolsonarista e por isso foram implacáveis com o ex-quase-ministro. De qualquer forma, o embelezamento curricular é um fenômeno maciço.

Levantamento de 2019 da DNA Outplacement mostrou que 75% dos CVs enviados aos RHs de 500 empresas no Brasil continham informações distorcidas. Os pontos sobre os quais os candidatos mais mentem são salário (48%) e fluência no inglês (41%). Escolaridade e títulos acadêmicos são deturpados por 10% dos profissionais. Uma das razões por que se mente tanto, acredito, é que se checa pouco.

Que um RH de uma empresa pequena deixe essas coisas passarem é mais ou menos esperado. Mas, quando quem come mosca é um governo que conta com vários serviços de informação, civis e militares, já entramos no terreno da incompetência estrutural.
Herculano
02/07/2020 19:14
BOLSONARO FAZ SUA HERANÇA MALDITA NA EDUCAÇÃO, por Josias de Souza.

Ouviram-se no cercadinho do Alvorada duas expressões que definem com precisão o drama do setor educacional. Uma apoiadora do presidente disse que a Educação "está definhando no Brasil". E Bolsonaro, num rasgo de lucidez, reconheceu que "a Educação está horrível".

Percebe-se que o presidente não ignora o problema. A escolha do próximo ministro da Educação revelará se Bolsonaro deseja transformar o seu governo, finalmente, em parte da solução. Até aqui, o MEC foi o motor da encrenca.

O definhamento educacional brasileiro é coisa antiga. Não se chega a uma Educação horrível por acaso. O Brasil foi se acostumando com o descalabro. A raiz do vexame aparece sempre que surge um indicador que possa ser tomado a sério.

A última fotografia do atraso apareceu no Pisa, o programa internacional de avaliação de estudantes. O resultado mais recente saiu em dezembro do ano passado, já no governo Bolsonaro. Mas os dados se referiam ao ano de 2018, quando o presidente era Michel Temer.

Verificou-se que quatro em cada dez alunos brasileiros na faixa dos 15 anos não entendem o que leem, não sabem fazer contas básicas e não compreendem conceitos elementares de ciência. Esses indicadores estão estagnados há uma década.

Ou seja: faz dez anos que a educação do Brasil está exposta na vitrine internacional do Pisa de ponta-cabeça. Num ranking de 79 países, o teste fechado em 2018 colocou os alunos brasileiros nas 20 piores posições.

uando esses dados foram divulgados, o ministro da Educação era Abraham Weintraub, o ruinoso. Ele disse duas coisas: 1) O Pisa de 2018, não se refere ao governo Bolsonaro. 2) A culpa é do PT e da sua "doutrinação esquerdófila". Faltou informar para onde a gestão Bolsonaro levaria a Educação. Em um ano e meio de governo, essa resposta ainda não apareceu.

O discurso da herança maldita perdeu o prazo de validade. Bolsonaro está prestes a escolher o seu quarto ministro da Educação. Precisa selecionar alguém capaz de afastar sua administração da maldição ideológica. Sob pena de consolidar seu próprio legado maldito. O governo pode ser conservador. O que não se admite é que seja tão visceralmente eficaz.
Herculano
02/07/2020 19:09
da série: será o que o BC não enxerga que os especialistas ainda não viram?

RETOMADA DA ECONOMIA ESTÁ OCORRENDO EM FORMATO DE "V", DIZ CAMPOS NETO

Indica uma recuperação rápida

Mesmo com cenário para emergentes

Conteúdo do Poder em Foco. Texto de Hamilton Ferrari. O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, disse nesta 5ª feira (2.jul.2020) que parece que a retomada da economia global e do Brasil está sendo em formato em "V", em representação de uma queda forte seguida de recuperação rápida.

Ele participou do evento virtual do jornal Correio Braziliense "O papel do sistema financeiro na retomada da economia". De acordo com ele, as duas últimas semanas de abril foram as piores para a economia brasileira. A retomada teve início no começo de maio.

"A parte de dados em tempo real, que é importante olhar, a gente começa a ver uma melhora mais rápida em junho. Então energia, tráfego, arrecadação, volume de TED, tudo isso a gente consegue ver uma melhora já em junho", afirmou.

"Parece que nós começamos o retorno em formato de 'V'. E agora tem uma fixação muito grande de qual vai ser a letra do formato da recuperação. A gente consegue ver, num 1º momento, que a queda em relação a 2008 foi muito mais rápida, mas que a volta também está muito mais rápida", declarou Campos Neto.

O presidente do BC fez comparações com outros países. Citou a China como 1 exemplo de país que teve retorno às atividades de forma mais rápida e justificou que a mudança para a crise de 2008 se deve a duas questões: a intensidade de medidas que os Bancos Centrais e os governos de todo o mundo fizeram juntos, garantindo maior estímulos fiscais e monetários, e a continuidade da intermediação financeira.

Em 2008, os bancos sofreram com a crise financeira, o que afetou a intermediação. Em 2020, não houve impactos tão elevados no sistema financeiro.

Ao comentar o contexto global, o presidente do BC disse que houve piora dos parâmetros de risco no mundo e as economias emergentes foram as mais prejudicadas.

De acordo com Campos Neto, a fragilidade das contas públicas e a fuga de recursos dos emergentes, incluindo o Brasil, justificam a diferença de cenários com o grupo de países desenvolvidos.

O fluxo de saída de recursos dos emergentes é maior do que era em 2008, segundo ele. No Brasil, os investidores retiraram R$ 76,5 bilhões do Ibovespa no 1º semestre de 2020. A saída representa recorde desde 2004, segundo a B3.

Os países emergentes também tiveram que ampliar os gastos públicos para combater os efeitos da covid-19. Segundo Campos Neto, os estímulos são bons, mas há 1 "ponto de inflexão" de que o remédio passa por "fragilidade fiscal".

DISTANCIAMENTO SOCIAL

Ao tratar sobre as medidas de isolamento social, Campos Neto afirmou que não houve queda tão brusca no fluxo de pessoas nos países a ponto de fazer "grande diferença".

"Independente de ter 1 distanciamento, a intensidade da queda no tráfico de pessoas não é tão grande. A gente está dizendo basicamente que quando teve o lockdown você teve na média um isolamento de 55%, 60% e quando não teve em lugares que teve 45% e 50%. Basicamente, ao contrário do que a gente lê muito, e, lógico, alguns países fogem essa regra, o intervalo é de 10%, 12%, 13% de mobilidade. Não é isso que faz tanta diferença", argumentou.
Herculano
02/07/2020 19:00
da série: quanto mais lambuzado, mais valente. Qual é mesmo a diferença do que fez os petistas quando no governo?

FLÁVIO BOLSONARO CHAMA PAULO MARINHO DE "TIAZINHA DO PULôVER" E EMPRESÁRIO REBATE

Conteúdo de O Antagonista. Em postagem no Instagram, Flávio Bolsonaro atacou Paulo Marinho depois da divulgação da notícia de que o MPF pediu a quebra do sigilo telefônico e dos e-mails de seus assessores.

Depois de apoiar a campanha de Jair Bolsonaro, o empresário rompeu com a família e acusou o senador - de quem é suplente - de ter sido beneficiado por suposto vazamento da Operação Furna da Onça.

O filho 01 de Bolsonaro escreveu que tudo acontece "devido a uma fofoca do meu suplente de senador Paulo Marinho, também conhecido como tiazinha do pulôver, de que eu teria recebido uma informação sigilosa".

O "tiazinha do pulôver" foi ao Twitter rebater o ataque: "Fica aqui uma dica: melhor não pagar de 'gostosão' com os investigadores do MPF porque eu e você sabemos o que você fez no verão de 2018...", escreveu Marinho.

O empresário disse ainda que a quebra de sigilo dos assessores de Flávio "vai mostrar com clareza a veracidade do que você me relatou quando veio chorando à minha casa pedir ajuda".
Herculano
02/07/2020 18:53
FLAMENGO GANHA DINHEIRO NA PRIMEIRA BATALHA COM A GLOBO, por Claiton Selistre, no Makingof

Já faz algum tempo que o futebol está sendo disputado também nos bastidores, depois que o Flamengo montou um grande time sob o comando do português Jorge Jesus. O motivo é fácil de explicar: o clube quer muito mais dinheiro que a Rede Globo paga pelo futebol e ela, diante da crise geral, não pode pagar.

Ontem à noite, 1, foi o marco desta disputa: a Globo transmitiu para o Rio o jogo do Botafogo, para cerca de 8 milhões de domicílios, e o Flamengo mandou seu jogo no mesmo horário para internet, na FLA TV.

Resultado segundo o Flamengo? 14 milhões de views no Youtube, 2,2 milhões de acessos simultâneos, 4,2 milhões de inscritos no canal, maior live esportiva do Youtube e top 10 de todas as lives do mesmo canal.

O preço para ver o jogo pela internet era em média de 8 reais. Dá para fazer a conta e deduzir quanto o Flamengo saiu ganhando nessa briga.

FUTURO

Não há dúvida que o futuro das transmissões esportivas, como já acontece na Europa e Estados Unidos, passa por eventos pela internet. Não necessariamente em conflito com a mídia convencional. A partir de agora, a tendência é ter players mais fortes para concorrer com direitos de transmissão via TV.

A questão principal, entretanto, é ter produto. O flamengo investe uma fortuna para manter seu grupo de alto nível, motivo principal por enfrentar e até o momento ganhar dos executivos da Globo. Sem produto de qualidade não daria certo.
Herculano
02/07/2020 17:27
da série: se envergonhar é pouco quando se diz que isso se dá num ambiente de inteligência onde está a segurança nacional.

MÉTODO DA INTELIGÊNCIA BRASILEIRA PARA AVALIAR NOVOS INTEGRANTES DO GOVERNO SE RESUME EM "DAR UM GOOGLE"

Agentes verificam condenações ou dívidas, mas não analisam currículos nem antecedentes profissionais

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Renato Onofre, da sucursal de Brasília. O principal órgão brasileiro de inteligência, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), usa banco de dados públicos e pesquisas na internet para levantar antecedentes de candidatos a integrar o governo federal.

A Abin é uma das responsáveis por checar o passado e as referências de indicados a cargos comissionados no primeiro escalão do governo e passou a ser criticada por sua atuação na avaliação do nome de Carlos Alberto Decotelli para o Ministério da Educação.

Decotelli chegou a ser nomeado na quinta-feira (25), mas não foi empossado após serem reveladas falsidades contidas em seu currículo, no qual constava, por exemplo, título de doutorado que não fora concluído .

Além da Abin, a Secretaria-Geral da Presidência da República e a Casa Civil devem analisar a vida pregressa dos indicados.

No Twitter, o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, se defendeu no episódio Decotelli e negou que a Abin tenha falhado.

"O GSI/Abin examinam, sobre quem vai ocupar cargos no governo, antecedentes criminais, contas irregulares e pendentes, histórico de processos e vedações do controle interno. No caso de ministros, cada um é responsável pelo seu currículo", afirmou.

A ausência da análise do currículo de Decotelli levou a mais uma crise no governo e colocou a agência em saia-justa. Procurada, a Abin não respondeu aos questionamentos da Folha.

Pelo artigo 6º da lei nº 13.341 de 2016, caberia ao GSI, ao qual Abin está vinculada, assistir direta e imediatamente ao presidente da República e analisar e acompanhar questões com potencial de risco ao governo.

À Folha um ex-diretor do órgão afirmou que os relatórios da Abin não têm caráter proibitivo e servem meramente para informar o presidente ou ministros sobre questões judiciais e possíveis riscos ao governo.

De acordo com ele, cabe ao governo a decisão de vetar os candidatos a partir dos dados fornecidos pela Abin.

Apenas os pretendentes para os cargos de confiança acima do DAS-4 - o equivalente ao terceiro escalão da máquina pública - são alvo da varredura que é pré-requisito obrigatório no processo de nomeação.

Os oficiais de inteligência, conhecidos como arapongas, cruzam dados da Justiça comum e da eleitoral, do Ministério da Economia, de sistemas de análise de créditos e notícias publicadas na internet.

Os agentes fazem um raio-X dos indicados, apurando se eles têm, por exemplo, condenações ou dívidas. Eles não analisam se um indicado de fato trabalhou em determinada empresa ou se tem experiência na função.

Segundo o ex-diretor da Abin ouvido pela Folha, a análise de currículo só é feita de maneira mais detalhada se o cruzamento de informações públicas encontrar indícios de irregularidades.

Ele afirma que há uma limitação na capacidade de investigação dos arapongas, que são impedidos, por força de lei, de acessar dados sigilosos, como telemáticos ou fiscais, sem a autorização judicial.

A partir da chegada de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto, os oficiais de inteligência passaram a rastrear redes sociais de indicados, mas o serviço desagrada ao próprio presidente e a seus filhos, especialmente o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

A insatisfação ficou clara na reunião ministerial de 22 de abril, que faz parte da investigação sobre a tentativa de Bolsonaro interferir na Polícia Federal.

O presidente disse ter um sistema de informações particular, alheio aos oficiais.

"Se reunindo de madrugada pra lá, pra cá. Sistemas de informações: o meu funciona", afirmou Bolsonaro.

"O meu, particular, funciona. Os ofi... que tem oficialmente, desinforma [sic]. Prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho", disse o presidente.

?Apesar de ser emblemático, por se tratar de um ministro da Educação que mentiu sobre sua vida acadêmica, Decotelli não foi o único com problemas que poderiam facilmente ter sido checados.

No governo Bolsonaro, outros dois ministros também apresentaram currículos inconsistentes.

Em janeiro de 2019, a Folha revelou que a ministra da Mulher, da Família, e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que costumava dizer em eventos públicos que era "mestre em educação" e "em direito constitucional e direito da família", não tinha o título.

Questionada à época, a ministra disse que as titulações eram referentes ao ensino bíblico.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também não obteve o título de mestre em direito público pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos, ao contrário do que afirmou em um artigo publicado na Folha de S.Paulo em 2012.

O ministro atribuiu o erro a sua assessoria de imprensa. Salles também respondia a processos na Justiça que foram ignorados na sua nomeação.

Os problemas de currículo não se restringem a atual gestão.

Durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), a ex-deputada Cristiane Brasil, nomeada para comandar o extinto Ministério do Trabalho, tinha pendências na Justiça e acabou tento a sua posse impedida por uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).

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