02/07/2020
Gaspar tem até agora na praça três pré-candidatos declarados à corrida pela prefeitura: o atual prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, com uma penca de partidos empoleirados na barrosa; Sérgio Luiz Batista de Almeida, PSL, que está associado ao Patriotas, e Rodrigo Boeing Althoff, PL, provavelmente, sem coligação. A curiosidade é pelo nome do PT, e seus parceiros. O PT ameaça ir pela quinta vez com Pedro Celso Zuchi (foto). Em três delas, Zuchi se elegeu. Ah! Antes de prosseguir: o DEM também diz que terá candidato. É um empresário, informa-se. Enquanto os demais estão expostos e sendo desqualificados pela máquina de “moer” do poder de plantão nas redes sociais, o suposto candidato do DEM está “escondido” para não sofrer “perseguições” da atual administração. E o presidente da Comissão Provisória do DEM gasparense, Paulo Filippus, está nas mídias sociais medindo forças com o MBL nacional. Ele foi um dos fundadores e se diz decepcionado com o grupo conservador que ajudou eleger Jair Messias Bolsonaro, sem partido.
Volto. O que significa a candidatura de Zuchi. Muita coisa. A primeira, é de que o PT não quer desistir fácil da oportunidade: quer ser a segunda via no embate e tenta anular a possível terceira via para o presente e o futuro. A segunda, é de que não se renovou e não construiu alternativas a Zuchi, agora com 68 anos. A terceira é que Zuchi corre o risco de reescrever uma biografia vitoriosa. Ninguém antes fez três mandatos em Gaspar perdendo apenas um pleito. Quarto, no caso de vitória, a gestão ficará mais arriscada porque ele vai pegar uma prefeitura tecnicamente quebrada e sem um parceiro em Brasília ou Florianópolis para as verbas como teve para as obras de infraestrutura por aqui no passado; o PT no poder via a ex-senadora Ideli Salvatti e Décio foi a salvação. Quinto, o PT dessa vez manchado e o núcleo de Blumenau – o dos protetores Décio Neri e Ana Paulo Lima, os amigões do ex-presidente e ex-presidiário Luiz Inácio Lula da Silva – enfraquecido ao ponto de sequer conseguir eleger um vereador, arrisca-se ao velório.
Zuchi é uma ilha neste momento. Um fio de esperança aos que precisam e desejam o enfrentamento. Se o PT não necropsiar – com propriedade e profissionalismo que faltou à CPI das supostas irregularidades da Rua Frei Solano - às entranhas do governo de Kleber e principalmente do prefeito de fato, presidente do MDB e super-secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, Zuchi será uma boia solitária à espera de uma âncora. Nem os que rodeiam Zuchi mudaram. Vem aí os mesmos com Soly Waltrick Antunes Filho, Doraci Vaz, Antônio Carlos Dalsochio, José Amarildo Rampelotti, Mariluce Deschamps Rosa, Lovídio Carlos Bertoldi entre outros como marinheiros da barca. São eles que querem Zuchi como comandante. E a conta é simples. Com Zuchi candidato a prefeito há fácil uma nominata de 16 candidatos a vereador. Sem ele, ela cai pela metade os corajosos. Se Zuchi for candidato, a conta é de que é possível manter as três vagas na Câmara como é hoje, mesmo que não se eleja. Sem Zuchi, vai ser no pau da goiaba eleger um.
Tudo isso tira o sono dos petistas gasparenses que já reinaram como poucos por aqui misturando conservadores e progressistas. A Executiva estadual força Zuchi para a candidatura. Sabe que o momento não é o mais próprio para um “Lula lá”, que padece da mesma doença da não renovação no âmbito nacional. Um nome corre por fora: é o do vereador Rui Carlos Deschamps, ex-funcionário e diretor no Samae, ex-superintendente do Distrito do Belchior. Ele até topa, mas ser vice. Mas, de quem? Eis a questão. Com Kleber já há uma disputa – PP e PSD - pela vaga e que não está acrescentando nada. E com o PT é tudo o que os adversários gostariam com Kleber. Com o PSL e DEM, definitivamente não há liga por questões ideológicas ou princípios. Sobraria o PL que já mandou recados que explicitamente não quer esta associação pois favorece sobremaneira o discurso de Kleber. Entretanto, no escurinho até que aceitam trocas de olhares para descarregar os votos e tirar Kleber do poder. E se isso acontecer, Zuchi continuaria com a sua biografia de administrador gasparense intacta. E o PT, purgando os seus próprios erros e pecados à espera de que 2022 a história seja outra como registram as tábuas das marés. Acorda, Gaspar!
A poderosa máquina de fazer votos com um monte de partidos em torno de si, via interesses comuns, somados às centenas de comissionados e funções gratificadas pagas com dinheiro público em plena crise econômica, onde o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, ainda não mexeu no seu alto salário de R$27.356,69, resgata fotos da campanha perdedora de oito anos atrás para dizer que a nova liderança do PL é sua amiga e que não vai deixá-la na mão deste ano.
Isto é intencional. É para confundir e dividir o eleitorado PL do engenheiro, professor e ex-vereador Rodrigo Boeing Althoff. É o poderoso MDB com os satélites PP, PSD, PSDB, PDT, PDC estão perdendo simpatizantes por detrás dos panos. É uma traição invisível que pode custar caro nas urnas.
É verdade que já estiveram bem lá atrás. No presente, todavia, mostra que os dos palanques de 2012 seguiram caminhos bem diferentes. Uns se tornaram políticos profissionais; eles se estabelecerem nas tetas públicas e nas dúvidas. Outros foram se aperfeiçoar e construir alternativas de sobrevivência fora da política. E agora, expõem os antigos amigos nos erros e que querem esconde-los dos eleitores. Só isso!
Ninguém chuta cachorro morto. Há duas semanas na Câmara, o líder de Kleber, Francisco Solano Anhaia, MDB, confessou já ter sido eleitor do ex-vereador Rodrigo. Mas, do nada, desfiou uma lista de defeitos do pré-candidato a prefeito. Normal! Propositadamente, esquecido ou mal-agradecido, Anhaia esqueceu de colocar na lista o que o diretor de Habitação, Rodrigo, fez para Anhaia não perder à sua própria residência na Margem Esquerda. Cada coisa!
Afogando-se. O MDB está com problemas. Prometeu candidaturas de vereadores para manter as filiações. Agora está fazendo uma peneira no próprio partido e nos coligados. O chororô é grande. As preocupações também.
Mistério ou algo óbvio? Enquanto faltam agentes para os serviços na gestão do trânsito da cidade, as constantes escoltas para o transporte de máquinas colheitadeiras de arroz pelo caminhão prancha da prefeitura de Gaspar se tornou um bico disputado entre os agentes. Ai, ai, ai.
A campanha. Uma faixa estendida sobre a rua diz: "obrigado prefeito Kleber e toda a sua equipe! Bairro da Lagoa agradece o asfalto". O bolsonarista de carteirinha, Demetrius Wolff, DEM, escreve à coluna aquilo que parece ser óbvio e não muda mesmo diante de tanto esclarecimento aos incautos: "agradecer por obras pagas com dinheiro público é o mesmo que agradecer ao caixa de autoatendimento do banco por ter dado o seu dinheiro".
Os estragos da tempestade de terça-feira à tarde é um aviso aos políticos e gestores públicos indecentes. Eles, na caça de votos de gente analfabeta, desinformada, ignorante, pobre e desassistida, viram e mexem, querem afrouxar às regras legais de proteção aos expostos aos fenômenos severos naturais, que são constantes na nossa região e estão se agravando devido à mudança climática. Meu Deus!
Definitivamente, o poder de plantão em Gaspar não conhece as palavras contingência, planejamento e prioridade. Com o temporal de terça-feira, o Samae emitiu uma nota que devido à falta de energia elétrica a cidade poderia ficar sem água. Um simples gerador, rejeitado pelo ex-diretor presidente da autarquia, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, resolveria o problema.
Pergunta que não quer calar: o que é feito do articulador e ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt, nascido no MDB, que se filiou no DEM e de lá foi desfiliado pelos locais contra a vontade dos dirigentes estaduais?
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