O sindicalista, servidor público municipal e pré-candidato a prefeito de Gaspar, Sérgio Almeida, PSL, faz live com o presidente do Sintraspug, mas temas sensíveis passaram bem longe do debate - Jornal Cruzeiro do Vale

O sindicalista, servidor público municipal e pré-candidato a prefeito de Gaspar, Sérgio Almeida, PSL, faz live com o presidente do Sintraspug, mas temas sensíveis passaram bem longe do debate

08/09/2020

Só para criar uma cortina de fumaça aos problemas locais, ensaiou tocar na reforma administrativa que o presidente Jair Bolsonaro, sem partido, acabou de enviar ao Congresso

Agora, Sérgio promete novas lives sobre o tema com os outros sindicalistas


Presidente do sindicato, Jeferson Debus (à esquerda) vai a laive de sindicalista candidato a prefeito e ambos evitam posicionamentos sobre o futuro da categoria em Gaspar 

O sindicalista – duas vezes presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Gaspar além de ter sido dirigente sindical da Federação -, funcionário público licenciado – ex-motorista de ambulância – psicólogo e pré-candidato a prefeito de Gaspar, Sérgio Luiz Batista de Almeida, PSL, promoveu, excepcionalmente na sexta-feira, uma laive com o “novo” presidente do Sintraspug, Jeferson Debus, escriturário desde 2006 da prefeitura de Gaspar.

Jeferson assumiu recentemente o Sintraspug com a aposentadoria do presidente eleito e bem conhecido da categoria, Jovino Emir Masson.

A laive – uma das marcas de Sérgio para se relacionar com a cidade e propagar suas ideias entre os cidadãos e até eu já participei de uma delas - prometia. E por que? Não só pela origem dos dois protagonistas dela – o proponente e o convidado - num pingue-pongue de comadres, mas principalmente, porque os quase dois mil funcionários efetivos da prefeitura estão em pé de guerra com a atual administração de Kleber Edson Wan Dall, MDB, e do rifado da vice-prefeitura e também funcionário público municipal – agente de trânsito – Luiz Carlos Spengler Filho, PP.

Kleber não tem mais nada o que prometer para os funcionários. O que na campanha de 2016, não cumpriu.

Mais do que isso, fez da prefeitura uma máquina de comissionados – seguradores de bandeiras, segundo um dos participantes das lives de Sérgio, o radialista Rudnei Cavalheiro – e cargos de confiança, num desprestígio sem tamanho ao funcionalismo concursado.

Kleber é acusado pelos próprios funcionários efetivos de persegui-los.

Segundo alegam, por simplesmente não se enquadrarem no rito e submissão político-partidários do poder de plantão. E isso, ainda segundo os próprios funcionários, deu-se de várias formas, incluindo os constrangimentos via os PADs – Processos Administrativos Disciplinares.

A ex-presidente da Comissão, por exemplo, cargo que ganhou recentemente um aumento diferenciado na Câmara, é agora candidata a vereadora pelo MDB e o prefeito de fato, ex-coordenador da campanha de Kleber e secretário da poderosa secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, é o presidente do MDB.

Na outra, ponta, Jeferson quando assumiu a presidência do Sindicato, criou uma expectativa que durante a laive se desmanchou, naturalmente. Os funcionários culpavam o ex-presidente Jovino de alinhamento com o governo Kleber e por isso, de não ter atuado em favor dos servidores supostamente “desprotegidos”.

Então, Jeferson, fez um vídeo dizendo que estava abrindo um canal de denúncias para elucidar e proteger juridicamente os servidores. Isto foi tema de um comentário aqui no dia 10 de agosto sob o título “Mudou a presidência do Sindicato dos Servidores. Ao menos, a postura é outra”. Na laive, o meu título para o artigo virou pó.

PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS

O que estava no tal Plano de Gestão de Kleber e Luiz Carlos denominado “Construir o futuro, recuperar a credibilidade e desenvolvimento de Gaspar”, depois de ouvir 2,5 mil gasparenses em oito reuniões – pré-comícios do tipo, engana que eu gosto – entre janeiro e julho de 2016, ou seja, numa pré-campanha explícita – para o Desenvolvimento Econômico, Gestão e Turismo? Revisão e atualização do Plano de Cargos e Salários.

E o que aconteceu? Até agora, nada!

O assunto entrou na pauta pelo menos duas vezes nos quase quatro anos de Kleber. Uma vez quando um Projeto de Lei quase se transforma em realidade e outra, quando contrataram uma cara empresa especializada para fazer o levantamento, mas até agora, de real, só o dinheiro gasto com esta experiência.

Tudo é um segredo só. O funcionário público – do Samae - como vereador atuante pela classe, Cícero Giovane Amaro, PL, até que tentou questionar. Em vão.

Então: Kleber não tem mais como prometer alguma coisa nesse ambiente aos funcionários. Está órfão. E qualquer outro candidato leva o voto do funcionalismo pela simples raiva que lhes move contra a atual gestão.

Mas, Sérgio, como pré-candidato a prefeito, como servidor que é, como sindicalista que foi, poderia dizer bem claramente o que vai fazer para a profissionalização do servidor público. Entretanto, ficou quieto. Agiu como sindicalista e fez coro com Jeferson, culpou o atual governo. É pouco. Muito pouco. Corre o risco de atirar no próprio pé.

Se viajarmos no tempo, esta situação não é nova. Vem desde 1991. Repito: desde 1991, ou seja, há quase 30 anos. E quem corajosamente fez a última reforma do funcionalismo? Um servidor, um professor, Francisco Hostins (1989-1991). Aqui eu abro um parêntesis: Hostins seguiu à risca a bula de um grupo de profissionais e técnicos que o assessorava. Depois ele o abandonou, trocando-o por políticos manjados. Resultado disso? Os novos e velhos companheiros partidários enterraram politicamente Hostins para sempre.

Atualizar, acabar diferenças absurdas na mesma função e cargos, é uma ferida que ninguém quer tocar de verdade. Todos têm razão e o tal direito adquirido, isto sem falar nas espertezas embutidas que criam as tais isonomias. No fundo, tanto Kleber que caminha para a reeleição como os seus possíveis adversários, como Sérgio, até torcem para que a Reforma Administrativa de Bolsonaro que vai perambular pelo Congresso até o ano que vem, resolva alguns dos problemas daqui. Provavelmente, não vai.

A MAIOR “EMPRESA” DE GASPAR

Sérgio, falsamente, tenta dar a entender que a prefeitura é a maior “empresa” de Gaspar, porque emprega mais gente. Primeiro, prefeitura não é uma empresa. São conceitos diferentes e eles precisam ser bem diferentes. No máximo, podem ser em alguns pontos complementares. Escrevo isso, porque estudo e vivencio ambas sob consultorias técnicas há anos.

Segundo quem paga essa máquina pública feita para servir os cidadãos e cidadãs, são os pesados impostos de todos os comunitários, inclusive os dos próprios servidores numa proporção de 95% - do povo - a 5% - do próprio funcionalismo.

Terceiro, empregar mais, nunca foi uma régua adequada para medir à eficiência e satisfação interna e externa de trabalho, prestação de serviços, relacionamento, inovação ou ofertas de produtos necessários. A pandemia da Covid-19 mostrou isso com uma clareza sem par. Estamos na era do home-office, do aplicativo, do on-line, do virtual, do digital. Cumprir horário é detalhe. O essencial é entregar com qualidade, eficácia e satisfação, o contratado.

Jeferson, por outro lado, na laive, demonstrou não estar tão alienado assim e mostrou que conhece pelo menos três problemas que afetam a sua categoria.

O primeiro é a falta de respeito dos chefes políticos de plantão com a máquina estatal que tem a à espinhosa missão de gerir o município.

O segundo é à infelicidade de uma parte dos servidores – este não é um mal de Gaspar - que escolheu a carreira para ter apenas um emprego minimamente estável, com salário garantido até o final da vida. Não é exatamente uma escolha para servir à comunidade e à causa.

O terceiro, que é a conclusão: a maioria dos funcionários dedicada é praticamente invisível tanto aos gestores quanto aos munícipes. E são eles, na opinião de Jeferson que pagam a conta da má imagem devido aos desmandos, falta de estrutura e liderança incapaz, além dos desvios de condutas de alguns funcionários, normalmente no topo, ou expostos aos relacionamentos com o público que deveriam estar na classe do bem servir.

Diagnóstico perfeito. Falta o tratamento e até o expurgo do joio neste mar de trigo.

MÁ IMAGENS I

Outro assunto levantado foi a má imagem dos sindicatos e do sindicalismo em geral. O próprio Sérgio tenta se desvencilhar desta má marca, pois, casualmente, neste momento ela não lhe faz bem para quem está no PSL, para quem vai chamar Jair Messias Bolsonaro, sem partido, de apoiador e mestre, e para quem vai precisar se estabelecer no ambiente conservador, onde já tem um pé, devido a igreja evangélica onde está.

“É sempre ligado à esquerda e à gente que não trabalha”, reclama Sérgio sobre o conceito genérico que as pessoas possuem do sindicato e do sindicalismo que escolheu para passar grande parte da sua vida profissional.

Por outro lado, é de se perguntar o que os sindicatos e o sindicalismo fizeram até então para mudar essa imagem tão nefasta contra eles próprios? Depois de perderem a teta do Imposto Sindical que tomava compulsoriamente um dia por ano do trabalhador formal, o peleguismo ainda luta pela volta desse Imposto para se esparramar na deplorável guerra ideológica para demarcar territórios e nichos de poder entre eles mesmos.

Não vou longe. O próprio Sérgio, ao ver na tela da sua laive gente da Federação participando do seu evento, trato-a de “companheiro”. Ou seja, o cachimbo é que deixa a boca torta, e não tem jeito de ser o contrário. Além disso, Sérgio está em campanha para prefeito ou para presidente do Sintraspug ou da Federação? Serão só os servidores que irão eventualmente elegê-lo? Precisa desentortar, urgentemente, a embocadura e não repetir a esperteza de Kleber de 2016. Ele prometeu uma coisa e não fez. Sérgio não promete nada, mas pode fazer da prefeitura uma extensão das causas sindicais e mandar a conta para os pagadores de pesados impostos.

“É muito mais fácil o Sindicato negociar as causas”, exemplifica Sérgio, “do que individualmente o servidor”.

Ele está corretíssimo. Entretanto, em Gaspar, nos últimos anos, esta não tem sido uma prática do Sindicato. A última que tentou, Lucimara Rosanski da Silva, a telefonista. Ela ficou a pé no próprio Sindicato, foi engolida pela máquina de Carlos Roberto Pereira, a desconfiança dos sindicalistas por não ser uma delas e pediu o boné.

É preciso, urgentemente, descobrir à razão desse enfraquecimento da capacidade do Sintraspug ser o negociador das causas dos servidores, antes que os servidores percebam o Sintraspug criado pelo funcionário Odir Barni – sob fogo cruzado do ex-prefeito Luiz Fernando Poli, então no PFL -, se torne um ente dispensável para a categoria em Gaspar.

MÁ IMAGENS II

Num outro ponto, o que afeta diretamente a má imagem genérica dos servidores perante a população, Jeferson ao mesmo tempo que se mostra lúcido, não enxerga saídas. “O trabalhador que ganha um salário mínimo ouve que um juiz ganha R$4 mil de auxílio moradia, faz as contas com o seu salário mínimo e acha que todos nós [servidores] ganhamos a mesma mordomia e fica indignado”.

Jeferson tem razão. Mas, a pergunta que não quer calar é: quem está falhando neste caso? Não é o próprio servidor público que permite que alguns deles tenham privilégios e que isto seja percebido como uma mancha de todos? O que faz o Sindicato nesta hora?

Na maioria dos casos, fica quieto, porque vislumbras brechas na lei – quando ela não é criada com esse propósito – e no momento oportuno, vai atrás da tal isonomia, ou seja, que todos tenham o mesmo privilégio – que sabe impossível.

O Sindicato de servidores, raramente, vai atrás para cortar os privilégios da casta – ou seja, a da minoria, a da mais abastada, a da mais próxima do poder corporativo, normalmente - e que por estar mais próxima do poder Legislativo e Judiciário onde se referendam estas diferenças discriminatórias -, por caminhos tortos, se estabelece os benefícios ou privilégios permanentes para alguns em detrimento da maioria que fica chupando o dedo e com a má fama.

Além do mais, o Sindicato finge não enxergar às distorções nas nomeações e o exercício incorreto dos comissionados, os mais protegidos do poder e os geradores de mágoas ou dúvidas no funcionalismo e na população.

Ou seja, e resumindo: não se trata do problema na sua origem, o próprio Sindicato e os servidores efetivos, os concursados, os que estão sendo avaliados, no fundo trabalham contra eles mesmos ao permitirem estas distorções ao permitirem prosperar esta cognição enviesada de quem lhes paga e precisa dos seus serviços. Ou não?

DESCONHECIMENTO

E para encerrar. Jeferson fez um vídeo oferecendo ajuda aos supostos servidores que estariam sendo perseguidos pela atual administração. Bela iniciativa. É um dos papeis primários do Sintraspug em defesa do próprio Sindicato e da categoria que representa, seja ela associada ou não. Contudo, na laive, Jeferson revelou desconhecer o mínimo do mínimo: não sabe quantos servidores efetivos há, quantos comissionados há, quantos em funções gratificadas há, não sabe quantos PADs estão ou estiveram em curso durante o governo Kleber. “Estou ainda tomando pé. Isso é com o jurídico”.

Não é com o jurídico, é com ele, presidente. E Jeferson só poderia ter gravado e divulgado aquele vídeo baseado em números, evidências de distorções e não apenas pelo clamor da campanha política ou da vingança que os servidores efetivos eventualmente querem dar contra o atual governo gasparense. A não ser que Jeferson esteja a serviço de algum candidato e não verdadeiramente da sua classe e que reclama estar desprotegida no ambiente de trabalho

É preciso olhar à quantidade de PDAs, compará-la, estabelecer distorções e ver exatamente quem está sendo atingido e como, por outro lado, casos assemelhados estão sendo eventualmente “esquecidos” ou perdoados. Ou seja, há dois pesos e duas medidas? É preciso então provar esta suposta odiosa discriminação, caso contrário, trata-se de palanque e narrativas.

A live que prometia, todos pisaram em ovos. Há alguma razão para isso?

O Sindicato precisa retomar o seu papel perante os sindicalizados e à sua classe, antes, todavia, ele precisa se inserir no século 21, inclusive para ser protagonista no antagonismo contra as crenças patronais e ou de governo, como é o caso.

E Sérgio Almeida precisa escolher qual cargo ele quer concorrer. Se for a prefeito, ele deve dizer à cidade desde logo, que ele não vai ser um sindicalista e o que vai dar para guilda a qual pertence, se eleito. Simples assim. Acorda, Gaspar!

Câmara faz uma Lei para abrir recreação às creches particulares. Porque Kleber não baixou o decreto na autonomia que ele possui para isso e fez a mesma que fez valer para liberar a boleirada do futebol de patotas?

Hipocrisia, incoerências e espertezas abundam entre os políticos. Elas se acentuam em tempos de campanha eleitoral e diante da falta de fiscalização – e punição – de quem deveria fiscalizar – e punir. 

Foi aprovada por unanimidade na última sessão da Câmara de vereadores, um Projeto de Lei, o 33/2020, de autoria parlamentar. Em resumo, ele “autoriza as instituições privadas de educação infantil e assemelhados, excepcionalmente durante a pandemia da Covid-19, a atuarem com atividades de cunho recreativo, esportivo, cultural, entretenimento e hospedagem de curta duração”. 

Muito bom! 

Entretanto, nos procedimentos, nos discursos, todos os vereadores estavam pisando em ovos nessa matéria. E por que? Sabiam que estavam fazendo.  

É uma reinvindicação antiga dos proprietários de creches e escolas infantis, todos argolados financeiramente. Já registrei aqui e deu até bafafá, porque a forma de conduzir esta solução semanas atrás, se deu de forma estranha e politicamente. 

E tem mais. Se essas creches e escolas falirem, o município ficaria, em tese, mais argolado, na falta de vagas para esse tipo de público diante de uma política caolha que se pratica na área de Educação e Cultura há quase quatro ano, que ao lado da Saúde e da Assistência Social, são pontos frágeis da administração do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB.  

Primeiro: quando os vereadores, os políticos ou o prefeito possuem interesse em determinadas matérias, ela voa na Câmara de Gaspar.  

Não vou apenas relembrar os projetos que reajustaram os salários dos políticos e servidores que tramitaram este ano em todas as comissões e votados em seis dias; escreverei sobre este. Ele entrou no dia 25 de agosto; no dia primeiro de setembro estava aprovado no plenário. Teve membro da Comissão de Legislação, Justiça, Cidadania e Redação que reclamou que foi à reunião para debater o assunto e nada. Contudo, o PL veio da comissão como aprovado. Um silêncio só. Já a doação de dois meses de apenas 20% dos salários dos vereadores para as ações da Covid-19, também um projeto de origem parlamentar, está lá, paradinho cinco meses no Câmara e todos se fingindo de tontos. No mesmo tom, o silêncio de Kleber com o seu salarião de R$27.356,69 intacto.  

Segundo: qual é mesmo a razão de um Projeto de Lei para reabrir as creches particulares ser apresentado por um vereador da base, que busca a reeleição, em pleno ambiente de campanha eleitoral? Hum! O prefeito não precisa desse PL. Ele possui essa prerrogativa na função dele para autorizar isso por canetaço.  

Não foi isso que o prefeito Kleber fez quando liberou os campos de peladas para as patotas afrontando o decreto estadual, ou seja, a lei maior a qual deveria obedecê-la, com o silêncio da mídia regional e estadual que denunciava sob manchete atos semelhantes em outros municípios, do Ministério Público e da Polícia, essa ocupada nas blitzes de trânsito para fazer funcionar o pátio da Ackar? 

Terceiro: este caso das creches é igualzinho o das patotas. Por que o prefeito Kleber não banca sozinho como fez no do futebol de patotas? Hipocrisia, apenas. A esperteza está em colocar à prova e expostos os vereadores da suposta oposição durante o debate e a votação da matéria no plenário presencial e virtual. Nada mais! E se Kleber levar pau do Ministério Público e da Justiça, como levaram Itajaí e Itapema em algo similar, por exemplo, a culpa não será somente do prefeito, mas dos vereadores também que o colocaram numa saia justa. Entenderam? 

Quarto: o comitê de crise da Covid-19 de Gaspar liberou o caso das creches? Liberou sob protocolos. Excelente! Então por que as creches municipais também não reabrem no mesmo modo recreativo? Incoerência. Ah, mas aí não pode. O risco é muito grande, não se pode arriscar os professores, os cuidadores e outros servidores envolvidos na guarda das crianças. Além disso, elas podem ser vetores para pais, avós... Pode haver contaminação generalizada. Ladainhas diferentes. Cada coisa!  

Para encerrar e está claro. Como se vê, o Brasil é feito de gente que trabalha, que perde emprego, que não tem onde levar os seus filhos quando procura emprego ou se esforça para não perder o que possui, o que teve o salário achatado, de gente que perde dinheiro com seus negócios fechados, ou em falência. E o resto, incluindo os políticos? Vivem dos nossos pesados impostos. E muitos deles, estão aí nas nossas portas pedindo votos para continuar tudo sob hipocrisias, incoerências e espertezas. E como dizia Tancredo de Almeida Neves: quando a esperteza é demais, ela come o dono. Acorda, Gaspar! 

TRAPICHE

O ouro do tolo I. Quem se lembra do tema da campanha de Kleber Edson Wan Dall, MDB, em 2016? “Gaspar Te Quero Forte”. Pois é, agora é: “Gaspar Não Pode Parar”. Os da suposta oposição e os que estão nas redes sociais estão sendo muito criativos sobre esse tema em que não “se pode parar”. Até nisso, a “criativa” equipe de marketing de Kleber dá sopa para o azar.

Ouro de tolo II. Por enquanto, Kleber Edson Wan Dall, MDB, oficialmente só tem como adversários, os que se declaram partidários do nenhum deles, do não sei, do voto em branco ou até de anular esta possibilidade.

As convenções dos possíveis adversários de Kleber só acontecerão na semana que vem. E nos partidos conservadores, todos se achando a cocada preta da festa e numa aposta muito alta. Ninguém abre mão da cabeça. O único que ensaiou essa possibilidade foi o PL.

A Câmara de Gaspar está se reunindo em de forma mista: presencial e remota. Com toda a tecnologia à disposição e barata, o caro sistema da Câmara é um desastre para os vereadores e para os cidadãos, inclusive para se assisti-la. Esta é a diferença entre o ente público acostumado com os carimbos, assessores e papel e o privado viajando na inteligência artificial.

Um candidato a vereador da base de Kleber, já em campanha, disse-se e ressaltou que negaria se eu o identificasse. “Os eleitores estão fazendo cada pergunta? Perderam o medo”. Pois é avisado todos foram e não foi por este colunista que vem repetindo este mantra há dois anos, mas pelos resultados de três de outubro de 2018. A conta está aí. E em Gaspar tem nome e sobrenome, pois havia tempo suficiente para se corrigir os rumos da geringonça.

Aprovar Projetos de Lei inconstitucionais virou moda na Câmara de vereadores de Gaspar. Ou está falhando a assessoria técnica – seja para a presidência, as comissões e os vereadores - e ela precisa ser responsabilizada por isso, incluindo à substituição pela causa fundamentada que dá, ou então, ela está submissa ao erro dos que mandam na Câmara, ou estão falhando os vereadores, seja pela omissão, seja pelo evidente interesse na matéria em suas aprovações. E todos querem ainda querem a reeleição.

Não vai dar certo. Mais uma vez, o líder do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, um ex-petista, subiu na tribuna da Câmara para fazer mais uma prestação de contas do MDB para o PT e não para a cidade e os cidadãos.

Das duas uma: ou não o MDB entendeu que o adversário de Kleber não são as administrações petistas, mas ela própria, ou então não possui discurso para outros adversários e quando perceber isso, poderá ser tarde demais. Acorda, Gaspar!

O feriadão deste final de semana vai finalmente acabar com mitos da pandemia no Brasil. Estávamos em claro declínio de gente internada e morta pelo Covid-19. As aglomerações por quase todos e em todos os cantos – e quase sempre sem proteção facial - vai determinar explicações da ciência.

Se em dez dias não houver aumento dos casos de contaminação, internação e mortes pela doença, é que atingimos a imunização por rebanho. Se retomar o aumento estará estabelecida a irresponsabilidade, inclusive dos políticos que chamam os outros que se protegem de bundões.

Começaram os discursos de prestações de contas na Câmara de Gaspar. Propaganda e mentiras. Silvio Cleffi, PP, por exemplo, disse que quando presidente da Casa economizou na gestão.

Ele só não inchou a Câmara como queria naquela época, porque esta coluna denunciou os seus planos e o governistas, por vingança, pela ousada debandada temporária dele, caíram de pau em cima dele e ele não teve outra alternativa a não  ser recuar das suas ideias.

No discurso de agora, quem o acusava de inchamento, mas com a volta de Silvio ao seio do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, ficou num providencial silêncio. Quem o tratava de traidor, quem o boicotava, agora o chama de doutor, o nosso médico, o nosso especialista.... Cada coisa! Acorda, Gaspar!

 

 

Comentários

Miguel José Teixeira
10/09/2020 19:31
Senhores,

Matutando bem. . .

Será que, com a extinção, quase que total, da Mata Atlântica, os Micos-Leões-Dourados migraram para a Floresta Amazônica?

Respostas para a Rádio Cercadinho, operando clandestinamente pela ausência de sua principal fonte, e, concorra a uma máscara do Flamengo já usada pelo vice-presidente da República.

Mas bah, Tchê! Gaúcho usando máscara de "tchime" carioca?

Alô, Kleiton & Kledir, revisitem sua "Trova".
Miguel José Teixeira
10/09/2020 18:51
Senhores,

Esperança renovada

Não sou o Eremildo.
Também não sou um idiota (pelo menos, perfeito não).
Porém, o discurso de posse do Senhor Ministro Fux na Presidência do STF, embora não seja um boleto do "missionário" r.r.soares, me "tocou".

E, pela reação dos presentes na solenidade, percebeu-se, também, que a mensagem os "tocou".

Saúde Senhor Presidente do STF e Ministros!
Herculano
10/09/2020 18:22
O EX-VEREADOR JOSÉ AMARILDO RAMPELOTTI SERÁ O CANDIDATO A PREFEITO DO PT DE GASPAR. O SUPLENTE DE VEREADOR, JOÃO PEDRO SANSÃO, SERÁ O VICE

Em reunião realizada nesta quinta-feira à tarde, o PT de Gaspar diante da decisão tomada ontem pelo ex-prefeito por três mandatos, Pedro Celso Zuchi, 67 anos, em não concorrer pela quinta vez a prefeitura, escolheu para substitui-lo o ex-vereador, ex-líder de Zuchi na Câmara, o ex-funcionário público estadual (Celesc), José Amarildo Rampelotti, morador do bairro Santa Terezinha, o mais populoso e de maior colégio eleitoral.

Para a vice, a escolha recaiu sobre João Pedro Sansão, jovem, e suplente de vereador.

A decisão de Zuchi - para alguns, uma surpresa, mas eu já havia escrito sobre isto há dois meses e fui desmentido - está ligada à sua biografia política vencedora; ao momento difícil pelo qual passa o PT no âmbito nacional, o enfraquecimento do partido em Santa Catarina e principalmente regionalmente, com os padrinhos dele, os ex-deputados, Décio Neri - este duas vezes ex-prefeito de Blumenau - e Ana Paula de Lima.

A decisão de Zuchi também mostra como o PT de Gaspar não se preparou para substituir Zuchi e não se renovou nestes últimos quatro anos. Na verdade não se preparou para enfrentar uma nova realidade e adversários que bem souberam usar a máquina governamental em favor da permanência no poder.

Por outro lado, João Pedro que representaria esta nova safra vai desfalcar o time de candidatos a vereador nesse nicho jovem, carismático e de renovação. Se perder, ficará mais quatro anos sem voz.

Com a escolha de Rampelotti, o PT pinçou alguém para colocar o dedo nas feridas da gestão de Kleber Edson Wan Dall, MDB. É bom lembrar, que Rampelotti, acaba de sair perdedor num embate em que difamou a juíza em nome de uma causa petista e de Zuchi. Ela atuou por 11 anos na Comarca, Ana Paula Amaro da Silveira e provocada pelo Ministério Público, não deu folga ao ex-prefeito.

Zuchi era o melhor fiador também para a campanha proporcional. Com ele, os petistas esperavam alavancar uma bancada igual a de hoje: três vereadores. Com a saída de Zuchi, apesar dele jurar que vai a campo buscar votos, esta meta está comprometida. Provavelmente, e diante da onda conservadora, o PT consiga fazer um só vereador na futura Câmara.

Com a escolha de Rampelotti e João Pedro, também se quebra uma escrita inovadora do PT. A vice dele, sempre foi mulheres (Albertina Maria dos Santos Deschamps e Mariluci Deschamps Rosa).

Corria por fora, o vereador Rui Carlos Deschamps. Ele, há tempo, vem demonstrando decepção com a política, mas estava disposto a ir para o "sacrifício", como deixou claro em algumas trocas de mensagens com membros do partido. Ele chegou a ser mencionado em uma possível coligação com outros partidos.

Esta coluna foi a primeira a anunciar a desistência de Zuchi e colocar a carta que escreveu aos membros da direção do partido anunciando a sua decisão. Acorda, Gaspar!
Herculano
10/09/2020 15:37
ENTENDA OS FATOS DA REVOLTA DO ARROZ, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

País já teve carestia maior de alimentos desde 1999, mas empobreceu muito

O Brasil já passou por carestias maiores dos preços dos alimentos. Qual o motivo da revolta com a inflação do arroz? Na média, os brasileiros não éramos tão pobres desde 2008, o desemprego é imenso, provavelmente o maior em décadas; mesmo com o auxílio emergencial, o medo e o sofrimento devem estar nos picos da nossa curva de misérias.

A inflação da comida está entre as 20% maiores desde 1999, quando o país adotou câmbio flutuante e metas de inflação. O preço dos alimentos subiu mais em meses de 2003, 2008, 2013 e 2016. Para os cereais, 2001 e 2012 também foram anos ruins. A inflação geral, porém, é a quinta menor desde 1999 (no acumulado em 12 meses).

O dólar caro determina a variação do preço dos alimentos e dos cereais ou do arroz em particular? Um tanto. Uma estatística com dados precários indica que, bidu, consumo mundial e safras também fazem o preço. Por exclusão, nota-se que o consumo doméstico deve ter algum efeito. Mas não há dados detalhados sobre a variação do consumo no país.

A Associação Brasileira da Indústria do Arroz diz que não tem tais informações. Algumas das maiores indústrias produtoras preferem não divulgar os números das suas vendas. Segundo dados da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, o Brasil produziria 11,17 milhões de toneladas de arroz na safra 2019/2020, consumiria parte disso (10,8 milhões) e começaria o período com um estoque de 554 mil toneladas.

A exportação de arroz aumentou muito de 2019 para 2020. Neste ano, até agosto, o país exportou 1,15 milhão de toneladas, ante 665 mil em 2019, no mesmo período, pelos dados oficiais. O Brasil também importa muito arroz. O saldo da balança do arroz, exportações menos importações, está em 735 mil toneladas, ante 160 mil toneladas em 2019. Na previsão do Ministério da Agricultura, o consumo médio mensal seria de 900 mil toneladas.

Uma conta de papel de pão indica, pois, que teria havido um aperto no mercado, dadas as quantidades disponíveis e o excesso (saldo) de exportações. Se esse aperto é capaz de explicar a alta de preços é outra história, ainda mais difícil de contar porque faltam dados recentes de variação do consumo doméstico.

O diretor de uma trading (empresa que negocia commodities no mercado internacional), que prefere não se identificar, afirma que o preço ficou bom no mercado externo, as vendas externas aumentaram, e os produtores seguram algum estoque para conseguir preço melhor no mercado doméstico, que teria tido também um aquecimento.


Nesta quarta-feira, o governo autorizou a importação de até 400 mil toneladas de arroz, sem imposto. A perspectiva de trazer logo o produto pode fazer algum efeito nos preços, mas pequeno e não no curto prazo.

"O impulso [de preços] veio especialmente da demanda aquecida", lê-se na análise de agosto do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura da USP). O pessoal do Cepea escreve também que "do lado da oferta, orizicultores, de olho no movimento de alta nos valores, limitaram as vendas de novos lotes de arroz em casca no mercado spot, à espera de preços ainda maiores".

Sim, os produtores se beneficiam de preços melhores (assim como se arrebentam em anos de preços ou safras ruins). De resto, não aumentariam a produção sem o sinal dos preços maiores.

Os entendidos dizem que, sem importação, os preços continuarão altos por alguns meses, embora o consumo doméstico e o mundial esteja algo mais imprevisível, por causa da pandemia.?
Miguel José Teixeira
10/09/2020 13:07
Herculano,

"Mata o véio, mata!

. . .
"ZUCHI TEM DEFEITOS, MAS A BIOGRAFIA DELE É INVEJÁVEL EM GASPAR. "
. . .

Alguns irão colocar esta frase numa moldura.

Falando em "véio" (forma carinhosa de pronunciar velho no sentido de experiência) e moldura, alguém já pronunciou:

"Envelhecer é emoldurar-se no tempo"
Herculano
10/09/2020 10:33
PENSANDO BEM... SE O PL DE BLUMENAU ENQUADROU O CANDIDATO A PREFEITO, O DEPUTADO IVAN NAATZ, QUAL A RAZÃO DELE QUERER ENQUADRAR O PL DE GASPAR NAQUILO QUE NÃO PODE FAZER EM BLUMENAU?
Herculano
10/09/2020 10:28
PEDRO CELSO ZUCHI NÃO É MAIS CANDIDATO A PREFEITO. KLEBER FICOU óRFÃO NO DISCURSO

ZUCHI FEZ CERTO. SUA ELEIÇÃO ERA IMPROVÁVEL DIANTE DO QUADRO DE MANCHA DO PT NACIONAL

EU MESMO SEMPRE ALERTEI PARA ESSE RISCO, FRUTO DA FALTA DE RENOVAÇÃO. SE O PT FOR INTELIGENTE, REINICIA ESTE PROCESSO AGORA

ZUCHI TEM DEFEITOS, MAS A BIOGRAFIA DELE É INVEJÁVEL EM GASPAR. EM QUATRO ELEIÇõES ELE GANHOU TRÊS, E COM 67 ANOS SE ARRISCA A DIMINUÍ-LA.

Eis a carta de Zuchi aos seus companheiros.

Aos meus companheiros/as, venho informar que retirei o meu nome de pré candidato à prefeito(por motivos particulares), más estarei sempre à disposição de todos os nossos candidatos/as, e de todos companheiro/as do nosso partido.

Agradeço de coração à todos/as pelo apoio recebido de todos/as durante todo o tempo em que eu estive como candidato ou no governo.

Tudo o que construi e conquistei para a nossa querida cidade de Gaspar, foi sempre com o apoio que eu recebi dos companheiros/as.

Ficou decidido na reunião os nomes dos pré candidatos à prefeito e vice-prefeito de Amarildo, Ruie e JP., para amanhã na primeira hora ser anunciado quem será os nossos candidatos.

Na próxima segunda-feira às 19horas faremos a nossa convenção.

Um forte abraço à todos/as. Estarei sempre à disposição.
Herculano
10/09/2020 10:22
A COLUNA OLHANDO A MARÉ INÉDITA E FEITA ESPECIALMENTE PARA A EDIÇÃO IMPRESSA DO JORNAL CRUZEIRO DO VALE, O QUE CIRCULA HÁ 30 ANOS, O MAIS LIDO E DE CREDIBILIDADE, O QUE INCOMODA OS GUARDIõES MENTIRA DE GASPAR E ILHOTA, JÁ ESTÁ PRONTA DESDE QUARTA-FEIRA

NÃO VOU REFAZÊ-LA PARA DAR NOTÍCIAS OU COMENTAR O QUE AINDA SE TRAMA NOS BASTIDORES PARA CONSTRUIR UMA CANDIDATURA ÚNICA CONSERVADORA, NEM ANUNCIAR A DESISTÊNCIA DAQUILO QUE SE CAMINHAVA PARA DESISTIR HÁ MUITO TEMPO
Herculano
10/09/2020 10:17
COMO FUNCIONA A DEMAGOGIA DOS NOVOS POLÍTICOS NA PRÁTICA DA VELHA POLÍTICA

O deputado Jerry Comper, MDB, que com o falecimento do seu chefe Aldo Schneider, de Ibirama, conseguiu sucedê-lo numa campanha que associou-se como Jerry do Aldo, acaba de publicar um press release.

Qual o título?

Aprovado em plenário projeto de lei que propõe a isenção do pagamento de taxas de inscrição em concursos públicos aos voluntariados da Justiça Eleitoral e jurados em Tribunal do Júri

Volto. Se propõe a isenção de pagamentos de taxas aos trabalharem nas eleições, este trabalho, não é voluntário - olhe no dicionário e veja o que é voluntário. Com o PL há uma recompensa, um benefício explícito e discriminatório. Simples assim.

O que diz o subtítulo do mesmo press release?

O PL de autoria do Deputado Estadual Jerry Comper visa estimular a participação dos cidadãos nas atividades voluntárias do judiciário.

Volto. Se estimula por um lado, desistimula o voluntarismo, a cidadania. Este aliás, é o mesmo princípio que norteia alguns políticos para fazerem eleitores votarem neles: estímulos, bem além do convencimento. Ou seja, a tal nova política só no discurso e para eles, o voluntarismo, só no dicionário. Meu Deus!
Herculano
10/09/2020 10:07
TRUMP E BOLSONARO MENTIRAM SOBRE CORONAVÍRUS COM CERTEZA DA IMPUNIDADE, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Se depender de políticos e juízes de Brasília, presidente brasileiro já pode admitir que enganou o país

Donald Trump mentiu. Em 26 de fevereiro, o presidente americano declarou que, em pouco tempo, o país veria "cair para próximo de zero" o número de novos casos de contaminação por coronavírus.

É claro que nada disso aconteceu, e Trump sabia que era balela. Duas semanas antes, ele dissera numa conversa privada com o jornalista Bob Woodward que a doença era "muito complicada" e que o vírus se espalhava pelo ar. Depois, o presidente admitiu que havia escondido esses fatos. "Eu ainda prefiro minimizar, porque não quero criar pânico", afirmou ao repórter, em março.

Naquela época, o americano explorava o coronavírus como plataforma política e atacava governadores que aplicavam regras de distanciamento físico para conter a pandemia. Ele só mudou o discurso no fim do mês. Especialistas acreditam que a implantação dessas medidas mais cedo poderia ter poupado dezenas de milhares de vidas.

Jair Bolsonaro também mentiu. O brasileiro disse no fim de março que o pânico era "uma doença mais grave" do que a Covid-19. "O povo foi enganado esse tempo todo", afirmou.

Em 12 de abril, veio outra lorota: "Parece que está começando a ir embora a questão do vírus". Assim como o americano, ele sabia que era pura invenção. Àquela altura, o Ministério da Saúde já havia enviado ao Planalto uma projeção que estimava em 100 mil o número de mortes na pandemia, segundo relato feito à Folha pelo epidemiologista Wanderson Oliveira, ex-secretário da pasta.

O Brasil tinha 1.230 mortes no dia em que Bolsonaro dizia que o vírus estava "começando a ir embora". A conta de vítimas subiu mais de cem vezes desde então.

Nesta quarta (9), Trump admitiu ter ocultado a gravidade do coronavírus. "Eu certamente não levaria o mundo a um frenesi", justificou o americano, como alguém que tem a certeza de que não será punido pela própria omissão. Se depender dos políticos e juízes de Brasília, o presidente brasileiro também já pode admitir que enganou o país.
Herculano
10/09/2020 09:56
da série: preconceito e o problema é a imprensa, as redes sociais, os aplicativos de mensagens... tudo a olho nú

O PAÍS ESTÁ NÚ, por Cláudio Prisco Paraíso

Agora o distinto público certamente vai compreender um pouco melhor porque tanto esforço, argumentos e união de pilantras e bandidos dos mais variados calibres para soterrar de vez essa tal de Lava Jato.

Tudo seguia muito bem no país tropical até 2014, quando a primeira fase da operação ganhou as ruas. Seus efeitos mudaram a política e a percepção de muita gente sobre a política. Finalmente, como já era esperado, ontem as investigações escancaram as relações promíscuas nas entranhas da segunda corte mais importante do país, o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Investiga-se o desvio de pelo menos R$ 355 milhões do Sistema S no Rio de Janeiro, com as digitais de advogados famosos: Frederecik Wassef, que já defendeu a família Bolsonaro, e Cristiano Zanin, defensor de Lula da Silva.

Ana Basílio, advogada de Wilson Witzel, também está enquadrada. Ela é mulher do desembargador André Fontes, ex-presidente do TRF-2.

ENVERGADURA

Foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão, na maior operação da história envolvendo a advocacia.

TARRAFADA

O que já veio à tona, mostra o envolvimento direto do filho do atual presidente do STJ recebendo R$ 82 milhões. O ex-presidente da corte, César Asfor Rocha, também teria sido agraciado com alguns milhões. Propina também teria sido irrigada para as arcas do atual presidente da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz, petista de carteirinha e cruz na testa.

MÃO DUPLA

Ou seja, os defensores do crime organizado também estavam se lambuzando em milhões e milhões. Uma farra, uma festa, e parcelas consideráveis da sociedade à míngua, se acotovelando em filas intermináveis para ter acesso a R$ 300! Viva o Brasil!

RÉUS

Cristiano Zanin e o filho do presidente do STJ, Eduardo Martins, já são réus. O juiz federal Marcelo Brêtas já aceitou a denúncia contra os dois.

TUDO EM FAMÍLIA

Roberto Teixeira, compadre de Lula da Silva, também foi flagrado no epicentro do esquema. Assim como Flávio Zveiter, filho do ex-presidente do TJRJ, Luiz Zveiter, e Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz.

MOTIVAÇÃO

Entenderam agora porque estão tentando criminalizar os mocinhos e inocentar as quadrilhas que há décadas pilham impiedosamente o país?

GREVE DO INSS

Os servidores do INSS iniciaram uma greve sanitária em todo o país neste dia 8 de setembro. A greve foi aprovada nacionalmente em Plenária virtual da Federação dos Trabalhadores que os representa, Fenasps.

PANDEMIA

O motivo é a decisão do governo federal em reabrir as agências da Previdência Social neste dia 8. Os trabalhadores, a federação e os sindicatos estaduais avaliam que o país ainda vive no centro de uma pandemia mundial do Coronavírus (Covid 19) e que não há segurança para servidores e segurados, colocando a vida dos mesmos em risco.

CRESCIMENTO

Indicadores da produção industrial confirmam a retomada econômica em Santa Catarina. O setor teve uma expansão de 10,1% em julho, a maior da região Sul, na comparação com junho. Além disso, registrou um avanço superior à média nacional de 8%. Os dados foram divulgados na manhã desta quarta-feira, 09, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Herculano
10/09/2020 09:50
O PL COMEÇA A ENQUADRAR O DEPUTADO IVAN NAATZ, MDB. FINALMENTE ELE OUVIU QUE O MDB, EM QUALQUER LUGAR, INCLUSIVE EM BLUMENAU, ONDE SE ENSAIAVA SER SEU VICE, É UM RETROCESSO E INCOERÊNCIA AO PRóPRIO DISCURSO DE NAATZ, QUE, SEGUNDO ELE, É DE RENOVAÇÃO

SE ELE NÃO INTERFERIR EM GASPAR, COMO INSISTE, O MDB PODE TER QUE TRABALHAR MAIS DO QUE PRECISA TRABALHAR PARA CONTINUAR GOVERNO COM KLEBER EDSON WAN DALL.
Miguel José Teixeira
10/09/2020 08:31
Senhores,

Tempos & movimentos

"ARAS PRORROGA LAVA JATO APENAS ATÉ 31 DE JANEIRO"

Huuummm. . .será que até lá a Nação estará baseada em mourão mais sólido?
Herculano
10/09/2020 07:30
O ALINHAMENTO CIRCUNSTANCIAL E DE ÚLTIMA HORA DO DEPUTADO IVAN NAATZ, PL, COM O NANICO MDB DE BLUMENAU PARA SER SEU VICE, TEM SIDO NOS ÚLTIMAS HORAS, UM FATOR DE PROBLEMAS SÉRIOS PARA OS CONSERVADORES E AS ALIANÇAS EM GASPAR COM O PSL OU ATÉ MESMO COM O DEM.

O MDB DE GASPAR, BLUMENAU E FLORIANóPOLIS TRABALHA PARA NÃO TER ADVERSÁRIOS VIÁVEIS NO CAMPO CONSERVADOR E Só TER O PT, CUJO DISCURSO ESTÁ PRONTO HÁ ANOS. E NÃO PELAS COISAS QUE NÃO FIZERAM POR AQUI, MAS PELA IMAGEM DE LADROAGEM CONTAMINADA NACIONALMENTE.

COMO ALGUÉM COM TANTO PODER E TANTOS PARTIDOS FORTES CVOOPTADOS DO SEU LADO PELO EMPREGUISMO NA PREFEITURA DE GASPAR, PODE TER MEDO DE NANICOS?

ALGUMA COISA ESTÁ CLARAMENTE ERRADA COMO RESULTADO NA GESTÃO DE KLEBER EDSON WAN DALL,MDB,DIANTE DA CORRERIA DE BASTIDORES PARA ANULAR OS ADVERSÁRIOS QUE AINDA INSISTEM EM MONTAR CHAPAS CONCORRENTES. ACORDA, GASPAR!
Herculano
10/09/2020 07:21
REFORMA ADMINISTRATIVA É DESAFIO DO PAÍS, E NÃO DO GOVERNO

Cabe ao Congresso fazer os ajustes que o projeto requer

A reforma administrativa demanda uma análise ponderada. É evidente que o projeto apresentado pelo governo exige ajustes e deve ser aperfeiçoado. É exatamente para isso que existe o Congresso e o debate em curso na sociedade.

Há itens que me parecem insustentáveis na proposta. Um deles é uma quase unanimidade. O presidente não pode decidir sozinho se extingue uma autarquia ou fundação pública criada por lei, no Congresso. É certo que a máquina pública brasileira precisa de um processo de revisão e enxugamento. Mas precisa fazer isso com os instrumentos da República, discussão e decisão no Parlamento.

Outro ponto é a exclusão da possibilidade de redução de jornada e vencimentos em carreiras de Estado. Por que cargas d'água isso deveria valer para um médico, mas não para um diplomata? Há um problema elementar de equidade aí, e não percebo como plausível uma reforma desatenta a estas coisas.

Há muitos pontos. O projeto explicita a autorização para que setor público e privado cooperem na execução de serviços públicos, determinando que isso seja regulamentado por lei. O ponto é que já existem diversos instrumentos nesta direção, em especial o marco regulatório da sociedade civil (lei 13.019/14), hoje em plena utilização país afora.

A não inclusão dos atuais servidores e demais Poderes na reforma é evidentemente um problema. Mas é preciso evitar o discurso fácil. Se a reforma do jeito que está já vem produzindo um barulho enorme, imagine o volume do som se os atuais servidores estivessem no jogo.

Diferenciar servidores na mesma carreira não é uma boa ideia. O correto seria unificar as regras para quem entra e para quem já está no serviço público. Será ótimo se o Congresso quiser caminhar nesta direção. E melhor ainda se o STF topar a parada.

Quem estiver preocupado com a "superelite" do setor público e com ganhos fiscais de curto prazo, sugiro prestar atenção aos ajustes na PEC do Pacto Federativo. Pelas indicações já oferecidas pelo relator, senador Márcio Bittar, o Congresso terá a chance de ouro de mostrar que realmente leva a sério fazer valer o teto salarial do funcionalismo e os gatilhos fiscais, incluindo-se a possibilidade de redução salarial, para todos os Poderes.

A reforma avança em pontos importantes. Ela estabelece com nitidez a distinção entre funções de Estado e demais carreiras do serviço público. Isso pode ser aperfeiçoado pelo Congresso e demandará uma lei especifica para o enquadramento das carreiras.

Isso nada tem a ver com dividir o setor público entre carreiras de primeira e de segunda classe. Tem a ver com o perfil das funções e o tipo de proteção que elas devem ter, no interesse da sociedade e do pagador de impostos.

A reforma também põe a meritocracia e a avaliação de desempenho no centro da gestão pública. O ponto é como fazer isso. Se o governo nunca soube avaliar servidores em estágio probatório, e nem mesmo regulamentar as avaliações de desempenho, por que daqui pra frente saberia avaliar quem cumpre seu "vínculo de experiência"?

Aqui vale uma nota sobre o tema da estabilidade no emprego. O texto constitucional (art. 41º) já autoriza a demissão de servidores por insuficiência de desempenho. O detalhe é que devido à omissão legislativa (a qual o Supremo nunca prestou atenção) o tema nunca foi regulamentado.

A reforma diz apenas que atividades típicas de Estado supõem um tipo de proteção distinta das atividades concorrenciais. Mas todas as funções públicas prosseguirão submetidas ao princípio da impessoalidade e não há espaço para demissões que não atendam a uma razão pública e resultem de um procedimento publicamente controlado.

?É preciso ter uma visão construtiva sobre a reforma. Ela é uma proposta aberta ao debate público e pertence ao país, não ao governo. Maus humores políticos podem divertir a multidão de hooligans que flutua na internet, mas não servem pra nada nesse debate.?
Herculano
10/09/2020 07:07
IMPERIAL COLLEGE ERROU TODAS AS PREVISÕES DO COVID, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Em 27 de março, a Imperial College, do Reino Unido, divulgou previsão de infectados e mortos pelo coronavírus para o mundo. Até agosto, no Brasil, seriam 187 milhões de infectados e 1,1 milhão de mortes, dizia o mais pessimista dos cinco cenários do instituto. Ganhou as manchetes, mas era fake. Curiosamente, a principal voz do pior cenário da Imperial, virou "expert" contratado pelo TSE para ensinar o que é (ou não é) fake news. No entanto, quase seis meses depois, os resultados brasileiros estão melhores até que o cenário mais otimista da Imperial College.

TIPOS DE ESTRATÉGIA

A Imperial tem três cenários para estratégias de combate ao covid: "sem intervenções" (distanciamento etc.), "intervenção geral" ou "aprimorada".

MELHOR ESTRATÉGIA

A estratégia drástica (aprimorada), que isola todos e se concentra nos idosos, previa 529 mil mortos no Brasil até agosto. Foram 121 mil.

PALAVRAS, Só PALAVRAS

A Imperial também apresentou outros dois cenários que tratam do momento da adoção das estratégias de forma precoce ou tardia.

PRECOCE CHUTE

Para o Imperial College, se o Brasil atacasse o covid de forma precoce, seriam 11,5 milhões de infectados. Eram 3,9 milhões no fim de agosto.

BOLSONARO ESTENDE A MÃO AO STF, NO DIA DE TOFFOLI

Foi visto como um gesto de "mão estendida" a presença do presidente Jair Bolsonaro nas homenagens ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, na véspera da posse do ministro Luiz Fux. Ao atravessar a Praça dos Três Poderes e comparecer à sessão, Bolsonaro quis demonstrar a disposição de esquecer as duras críticas de 7 dos 11 ministros do STF, consideradas "cáusticas" pelo ministro Marco Aurélio, que a partir de 1º de novembro assume o posto de novo decano do STF.

FASE TÉCNICA

O próprio Marco Aurélio, que nesta quinta fará a saudação a Fux, na solenidade de posse, acha que o STF entrará numa fase mais técnica.

MÃO NO AR

Bolsonaro fez gesto semelhante comparecendo à posse do presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, que dias depois lhe fez duras críticas.

EM BUSCA DA HARMONIA

Toffoli será lembrado pelas "intrigas do bem", nas quais é mestre, e pelo empenho por relações institucionais harmônicas entre os Poderes.

A INSTITUIÇÃO SOU EU

Os discursos dos presidentes da Câmara, Senado e do STF foi mais uma manifestação da "confusão" entre as pessoas físicas que ocupam cargos e as instituições. Os três acham que são as instituições que comandam.

CODINOME LAVA TOGA

A operação desta quarta (9), cumprindo mandados em 50 endereços, ganhou o nome de "E$quema S", mas pode ser chamada de "Lava Toga", pelo número de magistrados atingidos direta ou indiretamente.

CUTUCOU COM VARA CURTA

Na cerimônia desta quarta no STF, o presidente Jair Bolsonaro encarnou sua melhor versão "paz e amor". Pediu "que Deus ilumine" a todos, mas lembrou que chegou ao cargo pelo voto e eles por indicação política.

PIOR QUE FAKE NEWS

Âncora da BBC America disse ontem, com direito a legenda, que o Brasil registra "400 milhões de infectados". Eles ignoram que isso representa duas vezes a população brasileira e 100 vezes o número real de casos.

DEMORA TÍPICA

Somente ontem, quase vinte dias após ser acusada de mandar matar o marido, a deputada Flordelis (PSD-RJ) foi notificada pela Corregedoria da Câmara sobre o processo no Conselho de Ética.

DEBATE SEM FIM

O "debate sem fim" da testagem do Covid, diz o New York Times, tem novo capítulo: especialistas questionam a "sensibilidade" de testes PCR, que pode ser excessiva e identificar carga viral tão pequena que não mereceria o "positivo". A diferença nos resultados chega a 90%.

BOA NOTÍCIA

O número de vencedores que superaram a covid-19 ultrapassou ontem os 20 milhões. Entre os 30 países com mais infecções, apenas a Ucrânia tem mais casos ativos que pessoas curadas, segundo o Worldometer.

ESTRATÉGIA DA DESQUALIFICAÇÃO

Cristiano Zanin, alvo da Lava Jato, repetiu a estratégia da sua defesa do ex-presidiário Lula nos tempos de Sérgio Moro. O advogado atacou o juiz Marcelo Brêtas, acusando-o de ter ligações políticas com Jair Bolsonaro.

PENSANDO BEM...

... não existe "tentar criminalizar a advocacia", a ideia é neutralizar o cometimento de crimes.
Herculano
10/09/2020 07:03
da série: preconceito

FILHO DO PRESIDENTE DO STJ TAMBÉM JÁ FOI ACUSADO POR LEO PINHEIRO, DA OAS, DE RECEBER R$1 MILHÃO, por Mônica Bérgamo, no jornal Folha de S.Paulo

Humberto Martins foi alvo de delação de ex-diretor da Fecomercio-RJ na quarta (9)

A delação de Orlando Diniz, ex-dirigente da Fecomércio-RJ, não é a primeira a envolver Eduardo Martins, filho do presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins.

Acusado agora de receber R$ 82 milhões para tentar influenciar decisões da corte, ele já foi delatado também por Leo Pinheiro, ex-presidente da empreiteira OAS.

MEMóRIA
O empresário afirmou, em seu acordo de colaboração, que pagou R$ 1 milhão para Eduardo Martins atrasar a tramitação de um processo de relatoria de seu pai que envolvia a empreiteira.

ARQUIVO ?
Dodge pediu o arquivamento do anexo da delação. Ela disse considerar que as provas eram insuficientes e não comprovavam os pagamentos.

RINGUE
?
Uma informação da delação de Orlando Diniz, ex-dirigente da Fecomércio-RJ, causou estranheza nos meios jurídicos: a de que os advogados Cristiano Zanin e Roberto Teixeira teriam indicado o ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Cesar Asfor Rocha para firmar um contrato fictício com a federação. Teixeira e Asfor Rocha são há tempos inimigos figadais.

RINGUE 2

Teixeira inclusive chegou a interpelar Asfor Rocha no STF depois de ser criticado por ele.
Herculano
10/09/2020 06:58
LAVA JATO. EX-PRESIDENTE DO STJD ENTRE RÉUS DE DESVIOS DE R$150 MILHõES DE SESC E SENAC

Flávio Zveiter e Caio Cesar Rocha viraram réus por peculato e lavagem de dinheiro

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Camila Mattoso, na coluna Painel. Dois ex-presidentes do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), os advogados Caio Cesar Vieira Rocha e Flávio Diz Zveiter, estão entre os alvos da ação da Lava Jato deflagrada nesta quarta-feira (9) que mira escritórios de advocacia investigados pelo MPF (Ministério Público Federal) por suspeitas de terem sido usados para desviar recursos mais de R$ 150 milhões do Sistema S fluminense.

Zveiter, presidente do STJD de 2012 a 2014, virou réu por supostamente ter desviado para si R$ 5 milhões dos cofres do Sesc e do Senac do Rio de Janeiro por meio de um contrato de honorários advocatícios firmado com a Fecomércio do Rio.

Na decisão em que acatou a denúncia do MPF e determinou a realização de buscas e apreensão, o juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, escreve que o documento seria "ideologicamente falso", pois contém data retroativa e porque os serviços não teriam sido prestados, enquadrando Zveiter no crime de peculato.

Ele é acusado de ter submetido o valor a lavagem de dinheiro.

Foi durante a gestão de Zveiter que o STJD envolveu-se no polêmico caso do rebaixamento da Portuguesa, em 2013. O tribunal decidiu que o clube deveria perder pontos pela escalação irregular do jogador Héverton.

O Fluminense, que seria rebaixado, permaneceu na Série A, tendo cedido seu lugar na zona de descenso para a Portuguesa. Na ocasião, o Flamengo também foi punido pela escalação irregular de André Santos e cairia de divisão (ficou com menos pontos que o rival do Rio) caso a Lusa não tivesse sido penalizada.

Caio Rocha, que ficou na presidência do STJD de 2014 a 2016, também virou réu por peculato por supostamente ter recebido R$ 1,7 milhão de R$ 11 milhões que teriam sido desviados de Sesc e Senac do Rio por Orlando Diniz (ex-presidente da seção fluminense do Sistema S), o ex-governador Sérgio Cabral, a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo e o advogado João Cândido.

Ele teria recebido os valores a título de serviços advocatícios, que, sempre segundo o despacho de Bretas, não foram cumpridos.

Seu pai, Cesar Asfor Rocha, ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça, virou réu pelas mesmas acusações.

Caio, em conjunto com Diniz, Cabral e Ancelmo, também teria recebido outros R$ 2,6 milhões dos advogados João Cândido e Eduardo Martins, este que é filho de Humberto Martins, novo presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Os recursos, originários do Sistema S, foram também para serviços advocatícios não realizados. Assim como no caso de Zveiter, também é acusado de lavagem de dinheiro.

Rocha também virou réu por exploração de prestígio. Segundo a decisão, Caio e seu pai foram contratados por Cabral e Ancelmo para exercer influência em decisões de ministros do STJ.

Zveiter, por sua vez, é neto de Waldemar Zveiter, ex-ministro do STJ. No entanto, não foram apontadas ilegalidades relacionadas a esse parentesco no despacho de Bretas.

Em nota, Caio Rocha disse que seu escritório "jamais prestou serviços nem recebeu qualquer quantia da Fecomércio-RJ".

"Procurados em 2016, exigimos, na contratação, que a origem do pagamento dos honorários fosse, comprovadamente, privada. Como a condição não foi aceita, o contrato não foi implementado. O que se incluiu na acusação do Ministério Público são as tratativas para o contrato que nunca se consumou".

Cesar Asfor Rocha afirmou, também em nota, que "as suposições feitas pelo Ministério Público em relação a nosso escritório não têm conexão com a realidade. Jamais prestamos serviços nem recebemos qualquer valor da Federação do Comércio do Rio de Janeiro, tampouco de Orlando Diniz".

Procurado, Zveiter não enviou posicionamento ao Painel até o momento.
Ricardo S Santos
10/09/2020 01:29
Preconceito

O titular da coluna sempre demonstrando seu preconceito com certas classes; mas de quem realmente está condenado pela justiça, falta interesse em escrever. Por que será...
Herculano
09/09/2020 18:10
UMA DEFINIÇÃO IMPECÁVEL

De Felipe Moura Brasil, da revista eletrônica Crusoé, no twitter

De Era uma vez um país em que bandidos pagavam advogados bandidos para comprar juízes bandidos que blindavam todos esses bandidos.

Neste país, juízes e procuradores que expunham a bandidagem eram considerados "parciais" e atacados pelos porta-vozes dos garantidores do banditismo.
Herculano
09/09/2020 18:06
da série: a Justiça dos poderosos e influentes contra os adversários poderosos e influentes. A Justiça que renega a lei e só a aplica contra pretos, pobres e putas. Justiça, a mancha de algo sagrado da democracia. Justiça, a que inventou a hermenêutica particular em desfavor da dos injustiçados.

LAVA JATO ACUSA FILHO DE PRESIDENTE DO STJ DE RECEBER CERCA DE R$ 82 MILHõES PARA INFLUENCIAR DECISõES DA CORTE

Segundo a investigação, Eduardo Martins tinha como missão obter decisões que pudessem manter Orlando Diniz à frente da Fecomércio fluminense

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Marcelo Rocha, da sucursal de Brasília. A Operação Lava Jato acusa o advogado Eduardo Martins, filho do recém-empossado presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins, de receber cerca de R$ 82 milhões da Fecomércio do Rio de Janeiro para influenciar em decisões de ministros da corte.

Eduardo é alvo de uma ação da Lava Jato deflagrada nesta quarta-feira (9) que mira escritórios de advocacia investigados pelo MPF (Ministério Público Federal) por suspeitas de serem usados para desviar recursos do Sistema S fluminense.

A missão de Eduardo, segundo o MPF, seria a de obter junto ao STJ decisões que pudessem manter Orlando Diniz à frente da Fecomércio fluminense. Diniz foi preso pela Lava Jato e firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria.

O ministro Humberto Martins, pai do advogado, assumiu a Presidência do STJ no final de agosto. Antes, ele ocupava o cargo de corregedor nacional de Justiça.

A Folha está buscando posicionamento de todos os citados nesta reportagem e tão logo eles se manifestem, o texto será atualizado.

Na decisão em que acatou a denúncia do MPF e determinou a realização de buscas e apreensão, o juiz Marcelo Bretas, titular da 7ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, apontou o recebimento de valores pelo advogado em três trechos.

"De forma livre e consciente, entre 23.12.2015 e 29.4.2016, em quinze oportunidades diferentes, Eduardo Martins desviou para si e para Cesar Rocha, com a ajuda também livre e consciente de Orlando Diniz e Cristiano Zanin, R$ 37.400.000,00 (trinta e sete milhões e quatrocentos mil reais) do SESC/RJ e do SENAC/RJ."

Cesar Rocha citado é o ex-ministro e ex-presidente do STJ Cesar Asfor Rocha. Cristiano Zanin é o advogado que atua na defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos foram alvos da operação desta quarta-feira e foram também denunciados pelo Ministério Público Federal ?"Zanin afirma ser vítima de intimidação por criticar a Lava Jato.

Em nota, o ex-ministro Asfor Rocha afirmou que "as suposições feitas pelo Ministério Público em relação a nosso escritório não têm conexão com a realidade. Jamais prestamos serviços nem recebemos qualquer valor da Federação do Comércio do Rio de Janeiro, tampouco de Orlando Diniz".

O despacho de Bretas narrou um segundo evento em que valores transferidos pela Fecomércio ao advogado Eduardo Martins foram considerados ilícitos.

"De forma livre e consciente, entre 23.12.2015 e 4.7.2017, em vinte e três oportunidades diferentes, Eduardo Martins desviou para si, com a ajuda também livre e consciente de Orlando Diniz e Cristiano Zanin, R$ 40.100.000,00 (quarenta milhões e cem mil reais) do SESC/RJ e do SENAC/RJ."

De acordo com os procuradores da República, houve formalização de contratos de honorários advocatícios firmados com a Fecomércio/RJ, "feitos para conferir aparência de legalidade à exploração de prestígio antes narrada".

A peça acusatória indicou um terceiro caso, mais antigo, de 2014, em que Eduardo Martins, com o mesmo propósito dos outros repasses listados ?"ou seja, supostamente influenciar decisões do STF?", teria recebido cerca de R$ 5 milhões da Fecomércio do Rio.

"Orlando Diniz e Eduardo Martins", diz a acusação, "ocultaram e dissimularam a natureza e a origem ilícitas de R$ 5.500.000,00 (cinco milhões e quinhentos mil reais), convertendo-os em ativos lícitos, mediante idealização e elaboração de dois contratos de honorários advocatícios ideologicamente falsos".

A denúncia apontou que, em relação aos R$ 40,1 milhões, foram providenciados cinco contratos de honorários advocatícios "ideologicamente falsos" firmados pela Fecomércio/RJ com diferentes escritórios de advocacia.

Entre esses escritórios de advocacia, segundo o Ministério Público, um deles é ligado a Jamilson Santos de Farias, de quem Eduardo já manteve sociedade.

Em contrapartida, foram emitidas 23 notas fiscais, "todos esses documentos ideologicamente falsos na medida em que os serviços neles especificados não foram prestados", narra a denúncia do MPF.

Quanto aos R$ 37,4 milhões, a Procuradoria afirmou que foram elaborados três contratos de honorários advocatícios, firmados entre a Fecomércio/RJ e o escritório de Advocacia Martins, de propriedade de Eduardo.

Neste caso, o MPF afirmou que foram emitidas 15 notas fiscais, "todos esses documentos ideologicamente falsos na medida em que os serviços neles especificados não foram prestados".

A Lava Jato acusa também o advogado Tiago Cedraz, filho do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Aroldo Cedraz, de tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

De acordo com o MPF, o ex-governador Sérgio Cabral e a ex-primeira-dama do Rio Adriana Anselmo, solicitaram a Orlando Diniz a contratação de Tiago a pretexto de influenciar atos praticados pelo Tribunal de Contas da União".

"Orlando Diniz e Tiago Cedraz, com auxílio de Sérgio Cabral e Adriana Anselmo, de modo consciente e voluntário, desviaram, em proveito de Tiago Cedraz, recursos do SESC/RJ e SENAC/RJ, por intermédio da Fecomércio/RJ, no valor total de R$ 13.703.333,33", segundo trecho da denúncia.
Herculano
09/09/2020 17:59
USANDO O HORÁRIO DE TRABALHO NO AMBIENTE PÚBLICO PARA FAZER PROPAGANDA POLÍTICA EM GASPAR

Kleber Edson Wan Dall, MDB, e Marcelo de Souza Brick, PSD, são oficialmente candidatos a prefeito e vice, em 15 de novembro.

A notícia se espalhou pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, com o suposto slogan oficial da campanha entre os partidários e os comissionados para seus públicos a que estão obrigados a estimulação e captação de votos.

Detalhe a propagação de tal notícia se deu em pleno horário de trabalho de todos, quando deveriam estar se dedicando a atender os cidadãos e cidadãs nas suas demandas, os que sustentam a máquina pública com os pesados impostos.

Está, enfim, dado o tom da campanha eleitoral. Nada mudou! Acorda, Gaspar!

Miguel José Teixeira
09/09/2020 12:00
Senhores,

Togados & enrolados

Enquanto Pindorama chega aos 130 mil óbitos pela "cripezinha", na "TOGA DA MIRONGA DO CABULETÊ" rola e enrola:

1) "FILHO DO PRESIDENTE DO STJ ENTRE OS 25 DENUNCIADOS NA OPERAÇÃO E$QUEMA S"

2) "PF NA CASA DE WASSEF"

3) "LAVA JATO NO ESCRIT?"RIO DO ADVOGADO DE LULA"

4) "LULA QUER TROCAR FACHIN POR LEWANDOWSKI"

5) "LEWANDOWSKI TIRA ABDELMASSIH DA CADEIA, MAS DEFESA NÃO ESTÁ SATISFEITA"

6)"STJ MANDA SOLTAR MAIS DE MIL PEQUENOS TRAFICANTES EM SÃO PAULO"

Leiam essas & outras em "O Antagonista", enquanto vou ver se estou na esquina, já levando um cabresto!

Agora, respondam rapidão porque certos togados & enrolados querem o fim da Lava-Jato?
Miguel José Teixeira
09/09/2020 09:21
Senhores,

Peso morto

Sobre um drops da postagem do Carlos Brickmann (abaixo) sobre os ascensoristas de suas/vossas/nossas majestades, e com todos o respeito à esta categoria profissional. Mas ele é um peso morto dentro do elevador, o que, seguramente, aumenta o gasto de energia elétrica. Cabe uma pergunta:

Quanto custa realmente um ascensorista?

Sabe-se que por 1 salário de 1 terceirizado, paga-se no mínimo 5 para a empresa que o emprega. . .
Miguel José Teixeira
09/09/2020 08:17
Senhores,

Parlamentares em testudo

Projeto impede afastamento de políticos por decisão de apenas um juiz

O Projeto de Lei 4427/20 altera o Código de Processo Penal e a Lei de Improbidade Administrativa para impedir a suspensão de mandato eletivo por decisão judicial monocrática, ou seja, proferida por um único juiz.

Segundo o texto, que tramita na Câmara dos Deputados, o afastamento de titular de mandato eletivo somente poderá ocorrer após decisão colegiada do o?rga?o responsável pelo julgamento da respectiva autoridade.

"A exige?ncia de decisa?o colegiada do Poder Judicia?rio para abalar o mandato de autoridade escolhida pelo voto popular e? consequência dos princi?pios republicano e democra?tico, e tambe?m da separac?a?o dos poderes", defende o autor do projeto, deputado Marcelo Ramos (PL-AM).

"Providência de tamanha repercussa?o na vida politica do Pai?s jamais pode ser adotada sem a apreciac?a?o por uma multiplicidade de pontos de vista", acrescenta o autor.
(Fonte: Agência Câmara de Notícias)

Será que quando certos parlamentares, antes de cometerem ilícitos, eles buscam apreciação por uma multiplicidade de pontos de vista?

Os canalhas consultam antes seus incautos eleitores?

Penso que os financiadores de suas campanhas são consultados, sim. Pois, seguramente dividirão o butim!

Ou a Nação revê a forma da representatividade, acaba com as mordomias, a maldita reeleição, a extinção de câmaras federal, distrital, estaduais e municipais, ou a súcia acabará com a Nação.
Herculano
09/09/2020 07:59
HÁ BATALHAS PARALELAS AO IMPEACHMENT, por Roberto Azevedo, no Making Of

A relação entre o presidente da Assembleia Julio Garcia (PSD) e o ex-presidente da casa, hoje sem mandato, Gelson Merisio (PSDB), nunca foi das melhores, com vários episódios e conflitos, mesmo quando estavam sob o mesmo teto partidário, algo que não mudou nos episódios de impeachment.

Os processos que correm na Assembleia, liderados por Julio, são o motivo de nova rusga em função de Daniela Reinehr, que, de uns dias para cá, virou protegida de Merisio, a ponto dele usar o prestígio junto a alguns parlamentares que lhe devem favores para acertar que a vice-governadora deveria ser poupada da degola, com votação em separado.

Ficou evidente que o posicionamento não agradou ao grupo de Julio, basta notar as reações que vieram a seguir, com pesada artilharia em cima de Daniela e denúncias que giram em torno de uso indevido de dinheiro público para cima, sem muita ênfase ou provas.

O mais interessante é notar que, nesta briga de gente graúda na política, antigos defensores de um lado pularam rapidamente para o outro, ou como porta-vozes ou aliados, sem tirar do foco de que tanto Julio, imbuído em um atalho para chegar ao Executivo, quanto Merisio, disposto a alimentar um terceiro turno da eleição que perdeu acachapantemente há dois anos, convergem para a retirada de cena de Moisés.

POSIÇõES

A saída para Julio deverá ser a mais rápida possível, um pacote que exclui Moisés e Daniela, com a real possibilidade de desaguar na questionável eleição indireta a partir de janeiro do ano que vem.

A proposta de Merisio é para longo prazo, de olho em 2022, com Daniela à frente do governo, sem condições de pensar em reeleição e com o devido apoio a quem lhe estendeu a mão nos momentos difíceis, uma espécie de Liga da Justiça do Oeste.

TEM MAIS GENTE

A líder do governo na Assembleia chegou a surpreender em fazer uma defesa calorosa da permanência da Daniela Reinehr no cargo, em plenário, ao usar a argumentação de gênero e sugerir que há uma perseguição além da política contra vice-governadora.

E logo quando a Procuradoria do Legislativo deu parecer à Comissão Especial do impeachment da equiparação de salários, para que Daniela apresente, em 24 horas, nova procuração às suas advogadas para agirem no processo que tramita na Assembleia.

A TESE

É a de que Daniela sendo defendida ajuda Moisés, torpedeada pela ação de Merisio que mira em votações separadas para cada um dos acusados de crime de responsabilidade.

Lembrem-se que o autor do pedido de impeachment, o defensor público Ralf Zimmer Júnior, ligado a Merisio, chegou a fazer uma verdadeira pregação contra a votação indireta dos deputados para escolher o novo governador. O problema é que vitaminar Daniela significa atiçar os bolsonaristas e seu líder, capazes de despejar votos se a onda que varreu as eleições de 2018 se repetir, mesmo que em menor intensidade.
Herculano
09/09/2020 07:52
OS POLÍTICOS DA VELHA POLÍTICA QUE O PSL E O GOVERNADOR CARLOS MOISÉS DA SILVA PROMETERAM COMBATER ESTÃO ENSACANDO AMBOS, MESMO QUE ISSO PREJUDIQUE A VIDA DO ESTADO

E POR QUE? MOISÉS NÃO GOVERNOU E NÃO DISSE O QUE ERA DE VERDADE A TAL NOVA POLÍTICA QUE PROMETEU AOS CATARINENSES

A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA VIROU UMA USINA DE IMPEACHMENTS CONTRA MOISÉS E PRINCIPALMENTE A VICE, DANIELA CRISTINA REINEHR - QUE NINGUÉM DA VELHA POLÍTICA A QUER SUCEDENDO MOISÉS.

OS IMPEACHMENTS - QUE Só SURGIRAM DEPOIS QUE MOISÉS DEIXOU CORRER SOLTO A COMPRA DOS SUPERFATURADOS E NÃO ENTREGUES RESPIRADORES, COM A CONSEQUENTE CPI -, ESTÃO SENDO FEITOS PARA ALAVANCAR INTERESSES DO MDB, PP, PSDB, PT, PSD OU ATÉ ELEITORAL, COMO O DE IVAN NAATZ, PL, NA CORRIDA ELEITORAL POR UMA IMPROVÁVEL CADEIRA DE PREFEITO EM BLUMENAU, ONDE O MDB DE LÁ - QUE JÁ FOI REFERÊNCIA NACIONAL - SE TORNOU NANICO E PODE ATÉ SER UM VICE SEM EXPRESSÃO DE NAATZ. E O MDB DE LÁ CONTINUA SENDO O PADRINHO DE CÁ.
Herculano
09/09/2020 07:41
SURGE PETISTA QUE PREFERE SAIR DA ÁGUA A AFOGAR-SE, por Josias de Souza.

Quando Lula deixou a cadeia, em 8 de novembro, o PT lidava com dois problemas: o excesso de lama e a carência de rumo. Decorridos 36 dias desde a abertura da cela de Curitiba, o PT continua imerso em lodo. Mas já dispõe de um rumo. Sob os efeitos da raiva que Lula injetou na conjuntura, o partido tomou a direção do brejo.

Em entrevista à Folha, o governador petista da Bahia, Rui Costa, sugeriu caminhos diferentes: Lula e o PT precisam "pregar a pacificação do país", declarou. É necessário "aproximar as posições gerais do partido de desafios concretos da economia e da sociedade". Falou em "ajuste fino", em "refinamento" de posições.

Instado a comentar a aversão da bancada do PT na Câmara ao projeto que regula a participação da iniciativa privada no setor de saneamento básico, o governador tomou as dores dos cerca de 100 milhões de brasileiros que não dispõem de uma privada em casa.

"Onde vamos buscar recursos para tirar o pobre de viver sem esgoto, em lugares alagados ou ficar sem água? O governo e os estados não têm como ofertar. É evidente que precisamos usar o instrumento da parceria público-privada, do capital privado, para levar água e esgoto à população".

Rui Costa proclama o óbvio. Mas o óbvio e o PT são coisas inconciliáveis. O mesmo Lula que beijou a cruz da Carta aos Brasileiros para virar presidente em 2002 agora afugenta a classe média com sua ficha suja e seu discurso radical. Numa conjuntura que pede moderação, a divindade petista operou para reconduzir a incendiária Gleise Hoffmann ao comando partidário.

Ninguém se afoga por cair na água, mas por permanecer lá. Rui Costa soou como se preferisse sair da água. O diabo é que, para chegar à margem, teria de se livrar do abraço de afogados.
Herculano
09/09/2020 06:57
'CENSURA' REVELA QUE O CRITICADO É QUEM IMPORTA, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nos jornais brasileiros

A crítica de Deltan Dallagnol a um senador enrolado em mais de uma dúzia de processos da Lava Jato foi interpretada no Conselho Nacional do Ministério Público como "ataque ao Senado" e não uma crítica ao parlamentar. Para o CNMP, a punição de "censura" é justificada porque Dallagnol está em posição cômoda, com estabilidade, e não deve emitir opiniões políticas. A regra não se aplica aos ataques de ministros do Supremo Tribunal Federal, servidores estáveis, ao presidente Bolsonaro.

NÃO FORAM ATAQUES

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o ministro Marco Aurélio lembrou que críticas de ministros não foram consideradas ataques à Presidência.

POSTURA DEVE SER EXEMPLAR

Marco Aurélio cobrou postura exemplar do STF, que deve evitar críticas "cáusticas" como a proferida pelo presidente do TSE, ministro Barroso.

OLHO DE QUEM VÊ

Ministros do STF estão na "posição cômoda" de outros servidores, mas não estão sujeitos a críticas e nem a punição, como Dallagnol.

PESOS E MEDIDAS

Falar mal do STF pode render ação policial contra o seu crítico, como ocorreu no inquérito chefiado pelo ministro Alexandre de Moraes.

SENADOR FAZ APELO CONTRA MANOBRA POR REELEIÇÃO

O senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), que é do grupo "Muda, Senado", fez um apelo em carta aberta ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, contra a Proposta de Emenda à Constituição que permitiria a reeleição do chefe do comando do Legislativo. "A democracia é linda e sua beleza maior está na alternância do poder," justificou. O senador, no entanto, não rejeitou a possibilidade de ser favorável à proposta, caso Alcolumbre consiga entregar "três felicidades ao povo brasileiro".

FELICIDADE Nº1

A primeira condição de Guimarães é que PEC da reeleição só passaria a valer na próxima legislatura, e não beneficiaria os atuais presidentes.

FELICIDADE Nº2

A votação da PEC da prisão após condenação em segunda instância é a segunda "condição" para a PEC da reeleição ganhar apoio no Senado.

FELICIDADE Nº3

O compromisso do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de votar o fim do foro privilegiado é a última "felicidade" sugerida pelo senador.

SANTA CRUZ: DINHEIRO VIVO

O ex-presidente da Fecomercio-RJ, Orlando Diniz, revelou em delação premiada que o atual presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, pediu dinheiro "em espécie" para sua campanha à reeleição da OAB do Rio, em 2014. O dinheiro foi viabilizado em um contrato de fachada.

DINHEIRO NO RALO

A Câmara dos Deputados, o segundo parlamento mais caro do mundo, tem 9.565 "secretários parlamentares" com salários de sonho, além dos 1.761 cargos de natureza especial (CNE). Nisso Rodrigo Maia não mexe.

#VAIPASSAR

O Brasil registrou mais 41 mil curados da covid, nesta terça, e reduziu o número de pessoas infectadas a 637,3 mil. É o menor número de casos ativos desde 23 de julho, uma redução de 22,2% em relação ao pico.

ÍNDIA PASSA E ABRE

A Índia passou o Brasil, em número de casos de covid, e abriu. Projeções de especialistas apontam que em dois meses, os infectados indianos vão superar os norte-americanos, atualmente em 6,4 milhões.

PARA FICAR DE OLHO

Está cada vez mais difícil relacionar o desrespeito ao isolamento à alta nos casos e há quem diga que o feriadão será lembrado daqui a 14 dias se a queda continuar. Os flagrantes de aglomeração bateram recordes.

CONTA OUTRA

Logo depois de reclamar ter sido prejudicado na eleição a presidente do Senado em 2019, Renan Calheiros (MDB-AL) disse que "em nenhuma hipótese será candidato" no ano que vem. Só não achou quem acredite.

MUNDO PóS-COVID

Junto aos chanceleres dos Brics, Ernesto Araújo disse ser necessário que democracia no plano internacional precisa ter espelho no doméstico. Para o ministro, só a liberdade "conduzirá a uma ordem mundial melhor".

AUXÍLIO JUDICIALIZADO

Segundo a Associação dos Juízes Federais, o auxílio emergencial tem alta taxa de judicialização: 75.982 brasileiros já ingressaram em um dos cinco tribunais para terem o benefício. Só no TRF3 são 20,5 mil ações.

PENSANDO BEM...

...no País de Macunaímas, ladrão fica solto e quem acusa é punido.
Herculano
09/09/2020 06:50
CORREIOS ATRASAM, NÃO NEGAM, ENTREGAM QUANDO PUDEREM, por Maria Inês Dolci, advogada especialista em direitos do consumidor, foi coordenadora da Proteste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), no jornal Folha de S. Paulo

Correios atrasam, não negam, entregam quando puderem
Mas lojista que vende produto também é responsável por sua entrega

Livros, vitaminas, remédios, brinquedos: não importa o que você, respeitando o distanciamento social recomendado para a pandemia de coronavírus, tenha comprado pelo comércio eletrônico, é muito provável que não tenha recebido nada nos últimos dias. O motivo é que os funcionários do Correio estão em greve, sem que haja uma perspectiva de retorno ao trabalho. Há um segunda razão: embora o governo federal jure ser liberal na economia, a privatização dos Correios não andou um milímetro sequer nos últimos meses.

Obviamente, a greve é um direito dos trabalhadores. Mas parar dessa forma em meio à pandemia complica ainda mais a vida de quem ainda não está saindo por aí e se aglomerando sem necessidade.

Fica claro, portanto, que a desestatização dos serviços postais não pode mais ser postergada. Caso contrário, o consumidor terá de enfrentar essa situação uma vez por ano, no mínimo.

Outro aspecto a considerar é a inexistência de um plano B. Se a loja vendeu, deve dar um jeito de entregar.

Não basta simplesmente enviar um código de rastreamento, que demonstrará que a entrega ficou parada após a postagem.

É irônico, no mínimo, ler o banner no site dos Correios, em que a empresa afirma fazer parte "dessa grande ação para unir todo o comércio do Brasil". A referência é à Semana Brasil (de 3 a 13 deste mês de setembro), tentativa de emular a Black Friday, .

Uma singela pergunta: fazem parte dessa grande ação para entregar os produtos quando? Em quantos dias ou semanas? Com qual nível de confiança na entrega?

Lembro, também, que quem comprou um produto, para uso próprio ou de terceiros, já pagou não somente o item adquirido, mas também o frete.

Logicamente, quer receber mais do que uma sequência de letras e números que não esclarece nada, a não ser o que já sabe de antemão: a entrega foi paga, mas atrasou. Sem nos esquecer de que a informação adequada e clara é um dos direitos básicos consagrados pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), que completa 30 anos neste 11 de setembro.

E isso é uma questão ainda mais crítica quando se sabe, pela pesquisa da consultoria Rakuten Advertising, que 86% dos brasileiros pretendem comprar prioritariamente on-line no final do ano. Somente na China este índice poderá ser um pouco maior.

Quem compra, tem que receber no prazo combinado. A logística de entrega, desculpem-me, não é responsabilidade do consumidor, assim como o dissídio dos Correios.

Também cabe relembrar, aqui, a responsabilidade solidária, toda vez que houver infração aos direitos do consumidor. Portanto, além dos Correios, o lojista que vendeu o produto é responsável, sim, por sua entrega, com ou sem greve.

Além disso, nunca é demais ressaltar, para o consumidor que ainda depende dos boletos que chegam via postal: não deve atrasar o pagamento das contas, mesmo que não as receba antes do vencimento, pois isso implica juros e multa. A opção é entrar no site do fornecedor para imprimir uma segunda via. Ou solicitar o envio do código de barras por mensagem (e-mail ou SMS).
Herculano
09/09/2020 06:44
TESTES DA VACINA DE OXFORD SÃO SUSPENSOS APóS REAÇÃO ADVERSA EM PACIENTE

Suspensão é temporária. Vacina de Oxford é aposta do Ministério da Saúde para imunizar a população contra o novo coronavírus.

Conteúdo do portal G1. Os testes da vacina contra a Covid-19 desenvolvida em conjunto pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca foram suspensos temporariamente, conforme anunciou a empresa nesta terça-feira (8).

A farmacêutica esclareceu que o protocolo de segurança foi acionado após um dos voluntários no Reino Unido apresentar reação adversa que pode estar vinculada à vacina.

A empresa não divulgou detalhes do caso, mas o jornal "The New York Times" informou que o paciente teve mielite transversa, uma síndrome inflamatória que afeta a medula espinhal (leia mais abaixo).

Nove grandes farmacêuticas se comprometem a respeitar protocolos para desenvolver vacina contra Covid-19
A suspensão vale também para o Brasil, de acordo com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma das responsáveis pelo estudo no país. A Unifesp informou que 5 mil voluntários brasileiros já foram vacinados e que "não houve registro de intercorrências graves de saúde".

Segundo a AstraZeneca, o "procedimento padrão de revisão" dos estudos foi acionado e a vacinação foi pausada "voluntariamente para permitir a revisão dos dados de segurança por um comitê independente".

"Esta é uma ação rotineira que deve acontecer sempre que for identificada uma potencial reação adversa inesperada em um dos ensaios clínicos, enquanto ela é investigada, garantindo a manutenção da integridade dos estudos." - AstraZeneca

Na mesma nota, a farmacêutica ainda ressaltou que trabalha na revisão do caso do paciente.

"Em grandes ensaios, os eventos adversos acontecem por acaso, mas devem ser revistos de forma independente para verificar isso cuidadosamente. Estamos trabalhando para acelerar a revisão de um único evento para minimizar qualquer impacto potencial no cronograma do teste. Estamos comprometidos com a segurança de nossos participantes e os mais altos padrões de conduta em nossos testes", informou a farmacêutica.

Aposta do Ministério da Saúde

A vacina de Oxford/AstraZeneca é a principal aposta do Ministério da Saúde para imunizar a população.

Ao todo, o Brasil prevê desembolsar R$ 1,9 bilhão com a vacina, sendo R$ 1,3 bilha?o para pagamentos a? farmacêutica, R$ 522,1 milho?es para a produção das doses pela Fiocruz/Bio-Manguinhos e R$ 95,6 milho?es para a absorção da tecnologia pela Fiocruz.

O ministro-interino da saúde, Eduardo Pazuello, chegou a dizer também nesta terça que planeja a campanha de vacinação contra a Covid-19 para janeiro de 2021.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável por autorizar os testes no Brasil, disse ter sido avisada da suspensão. "A agência aguarda o envio de mais informações sobre os motivos da suspensão para analisar os dados e se pronunciar oficialmente", informou a Anvisa.

A Fundação Oswaldo Cruz disse que foi informada pelo laboratório britânico e que vai acompanhar os resultados das investigações para se manifestar oficialmente.

Reação adversa

O jornal "The New York Times" informou que o paciente teve mielite transversa, uma síndrome inflamatória que afeta a medula espinhal e pode ser desencadeada por diferentes motivos. O jornal atribuiu o dado a uma pessoa próxima do caso e que falou sob condição de anonimato.

A informação foi a mesma obtida pela pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo, que concedeu entrevista para a GloboNews sobre o tema (veja o vídeo abaixo).

"Eu consegui falar com a Inglaterra assim que a informação saiu, mas nós sabemos que houve um caso de uma manifestação chamada mielite transversa, que é uma manifestação clínica - muitas vezes autoimune - atribuível a várias doenças. É uma manifestação neurológica que pode evoluir com perda temporária, parcial ou grande, afetando a medula humana e que isso pode estar ou não relacionado a vacina", disse Margaret.

Nove vacinas na última fase de testes

Além da candidata da Universidade de Oxford com a farmacêutica britânica AstraZeneca, mais oito vacinas estão na terceira e última fase de testes em humanos, a última antes da liberação.

Janssen Pharmaceutical Companies (EUA)

Moderna/Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (EUA)

BioNTech/Fosun Pharma/Pfizer (Alemanha e EUA)

Sinovac (China)

Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan/Sinopharm (China)

Instituto de Produtos Biológicos de Pequim/Sinopharm (China)

CanSino Biological Inc./Instituto de Biotecnologia de Pequim (China)

Instituto de Pesquisa Gamaleya (Rússia)

Etapas para a produção de uma vacina

Para se produzir uma vacina, leva tempo. A mais rápida desenvolvida até o momento foi a vacina contra a caxumba, que precisou de cerca de quatro anos até ser licenciada e distribuída para a população.

Antes de começar os testes em voluntários, a imunização passa por diversas fases de experimentação pré-clinica (em laboratório e com cobaias). Só após ser avaliada sua segurança e eficácia é que começam os testes em humanos, a chamada fase clínica ?" que são três:

Fase 1: é uma avaliação preliminar da segurança do imunizante, ela é feita com um número reduzido de voluntários adultos saudáveis que são monitorados de perto. É neste momento que se entende qual é o tipo de resposta que o imunizante produz no corpo. Ela é aplicada em dezenas de participantes do experimento.

Fase 2: na segunda fase, o estudo clínico é ampliado e conta com centenas de voluntários. A vacina é administrada a pessoas com características (como idade e saúde física) semelhantes àquelas para as quais a nova vacina é destinada. Nessa fase é avaliada a segurança da vacina, imunogenicidade (ou a capacidade da proteção), a dosagem e como deve ser administrada.

Fase 3: ensaio em larga escala (com milhares de indivíduos) que precisa fornecer uma avaliação definitiva da sua eficácia e segurança em maiores populações. Além disso, feita para prever eventos adversos e garantir a durabilidade da proteção. Apenas depois desta fase é que se pode fazer um registro sanitário.
Herculano
09/09/2020 06:36
O ARROZ COM FEIJÃO E BOLSONARO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Dólar, exportação, auxílio emergencial e problemas em certos mercados explicam carestia

O dólar subiu, o Brasil está exportando muito grão, houve tropeços nos mercados de alguns produtos e, novidade da calamidade, pode ser que o povo miúdo esteja comendo mais com o dinheiro auxílio emergencial. Mas há ruídos de que talvez esteja acontecendo alguma coisa esquisita em alguns mercados, de soja, milho e arroz em particular.

Gente do agronegócio conta que há criadores e indústrias importando grão a preço mais alto do que o das exportações. Sim, podem ocorrer turbulências em alguns cantos do país. Mas, em tese e em geral, não faz sentido que se exporte a preço menor do que seria possível obter aqui dentro. No entanto, é gente do ramo que aponta o problema, reclamando da inexistência de um regulador eficaz de estoques.

Jair Bolsonaro, que é do ramo da demagogia, sentiu a panela esquentando e tenta tirar o corpo fora com uma mistura de ignorância com oportunismo. Pede "patriotismo" aos comerciantes (como pediu ao mercado financeiro) e que os supermercados vendam comida a preço de custo. Nada disso funciona no que interessa, mas a propaganda pode evitar algum desgaste político.

Inflação da comida rodando a mais de 9% ao ano costuma lascar um pouco da popularidade de governantes. A "inflação do tomate" (dos alimentos em geral, na verdade) em março de 2013 foi um dos motivos do mau humor que contribuiria para o clima ruim que explodiria enfim em junho de 2013.

Em abril do ano passado, um motivo da irritação com Bolsonaro pode ter sido a inflação de alimentos rodando também a 9%. No entanto, o preço da comida sobe a essa velocidade praticamente desde maio. O prestígio de Bolsonaro cresceu desde então.

Ainda não há dados suficientes para estimar a causa do aumento da comida, que se concentra em arroz, em alta recorde de 15 anos, feijão, leite, soja, aves e ovos, na farinha de trigo e, mais recentemente, na batata.

A alta do dólar deve ser um motivo forte - afeta qualquer produto "comercializável" no exterior. A inflação geral dos comercializáveis é quase o dobro da inflação geral. Em quarenta anos, a inflação no atacado e no varejo jamais foi tão díspar.

Há problemas em alguns mercados. A área plantada do arroz diminuiu, por causa de preços ruins no passado. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura da USP, a Esalq, os produtores de arroz ainda seguram estoques a fim de esperar preço ainda melhor, o que acontece também com o milho.

A demanda mundial está forte. A quantidade de soja exportada pelo Brasil neste ano até agosto foi quase 34% maior que a do ano passado; a de arroz, 163%.

No caso de laticínios, os produtores não fizeram estoques bastantes em abril, como é de costume, diz análise do Cepea. Dada a pandemia, a perspectiva era de consumo reduzido. Não foi o que aconteceu.

O faturamento nos supermercados era no início de setembro 16% maior que em fevereiro, imediatamente antes do choque do vírus, pelos dados das vendas com cartões, da Cielo. Parte disso foi substituição alimentos que deixaram de ser consumidos fora de casa. Parte pode ter sido aumento de consumo das pessoas que mal comiam ou comiam mal antes do auxílio de R$ 600.

Em suma, a carestia parece se dever à conjunção de mercado mundial quente, real desvalorizado, problemas técnicos em alguns mercados e aumento de consumo doméstico. É terrível e espantoso que o fato de o povo comer um pouco mais tenha efeito na inflação de alimentos.?
Herculano
09/09/2020 06:30
DINHEIRO ENTRA, DINHEIRO SAI, por Carlos Brickmann

Os R$ 600,00 de ajuda de emergência já caíram para R$ 300,00; não havia possibilidade de manter os R$ 600,00 sem estourar o caixa do Governo. Mas quem já se havia acostumado com R$ 600,00 vai gostar bem menos dos R$ 300,00. E, ao mesmo tempo em que a ajuda cai pela metade, as despesas sobem muito: arroz, feijão, milho e trigo subiram dramaticamente. O arroz de primeira qualidade, que era vendido por pouco mais de R$ 15,00 o pacote de cinco quilos, já não é encontrado por menos de R$ 20,00. E, conforme o local, já atinge os R$ 40,00. Os preços não subiram por maldade de ninguém: com a alta do dólar, os produtos brasileiros de exportação ficaram bem mais baratos, e sobrou pouco para o mercado interno. Traduzindo, preço mais alto.

E que é que o Governo pode fazer? A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que vem fazendo bom trabalho, diz que o arroz subiu mas vai baixar. Como? "No ano que vem, se Deus quiser, teremos uma supersafra". ?"timo: e até lá, seguindo sua infeliz frase do ano passado, as famílias mais carentes vão comer mangas? O presidente Bolsonaro fez um apelo para que os comerciantes sejam patriotas e reduzam sua margem de lucro, chegando o mais próximo possível do zero, para manter os preços acessíveis. É isso aí!

Sarney, que chegou a ser popularíssimo na época do Plano Cruzado, não convenceu ninguém a tomar prejuízo em nome do patriotismo. Pode ser que hoje haja patriotas mais convictos, por que não? Tudo em nome do Mito.

POR QUE PAROU?

O fato é que houve Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano Sarney, mas os preços sempre subiram de aeroplano. Só conhecemos a estabilidade com o Plano Real, o controle de gastos, a convicção de que os preços são formados pelo mercado e não pelo patriotismo ou por safras do ano seguinte. Nem medo controla preços: basta lembrar que no Cruzado a Polícia Federal caçou bois no pasto e nem assim eles chegaram ao açougue no preço previsto.

COMANDANTE FRESQUINHO

Em Penedo, Alagoas, o dono da lanchonete Mr. Burg foi preso pela PM por batizar seus sanduíches com nome de patentes militares. O comandante da PM considerou que o batismo era uma ofensa à corporação. Alberto Lira, 38 anos, dono da lanchonete, disse que era uma estratégia de marketing. Mas o delegado de plantão decidiu que não havia motivo para prisão e soltou-o.

Ponto final? Não: Lira insiste em manter o nome que deu aos sanduíches - o "coronel" é filé com presunto; o "comandante", calabresa frita; e assim por diante, quanto menor a patente mais barato é o sanduíche - e o comandante da PM continua irritado. Por via das dúvidas, o advogado Francisco Guerra pediu habeas corpus preventivo, para evitar nova prisão; e prepara denúncia por abuso de autoridade contra o comandante da PM. Deve entrar também com ação de danos morais contra o Estado de Alagoas. Um dos argumentos que utiliza: não há lei que impeça a casa de ter no cardápio lula à milanesa, ou filé a cavalo, ou coronel mal passado. E, afinal de contas, se a tese do comandante da PM fosse válida, festa de criança não poderia ter brigadeiro.

NADA NA MÃO

A Real JG Serviços Gerais ganhou a licitação do Superior Tribunal de Justiça para fornecer ascensoristas por dois anos, cobrando $ 3.002,721,80. Os ministros estão liberados por mais algum tempo daquela tarefa horrorosa, cansativa, humilhante, de apertar o botão do elevador para ir a seu andar.

É VENDAVAL

Mas os elevadores do STJ são até baratos. A Câmara dos Deputados, há um mês, assinou o quarto termo aditivo do contrato para prestação de serviço de ascensoristas. De 2014 até o mês que vem, poupar Suas Excelências do nefando trabalho de apertar o botão do elevador custou R$ 14 milhões. Uns dois milhões de reais por ano, quantia ínfima para garantir que os deputados cheguem a seus gabinetes com toda a energia, sem tê-la gasto no elevador.

UM POLÍTICO SINCERO

José Maria Monção, PTB, por três vezes prefeito de Cocal, no Piauí, disse neste domingo, durante a convenção municipal do aliado MDB, que Rubens Vieira, do PSDB, candidato à reeleição, "está afundando o Cocal". Frase completa: "Fui prefeito três vezes, sei do sofrimento. Mas também não roubei o tanto que esse aí roubou, não. Esse é descarado. Eu posso até ter tirado alguma coisa, dado para os pobres. Na verdade, ninguém pode ser tão sincero. Se eu tivesse tanto direito, eu não tinha ido preso, né? Se eu fui preso, tem um motivo. Tem político que rouba, mas rouba pra dar pro povo. Esse daí (o adversário Rubens Vieira) não, roubou pra ele". O senador Ciro Nogueira (PP) morreu de rir. Vieira se disse vítima de um discurso de ódio.

TEMPLO É DINHEIRO

O presidente Bolsonaro decide, até depois de amanhã, se veta ou sanciona o perdão das dívidas das igrejas, principalmente evangélicas, com o Fisco. É algo como R$ 1 bilhão.

O autor da lei é filho do missionário R. R. Soares.
Herculano
09/09/2020 06:22
FHC RECONHECEU A RUÍNA QUE CRIOU, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Reeleição deu no que deu e hoje não há vacina contra seus efeitos

Com sete palavras, Fernando Henrique Cardoso reconheceu a ruína política que provocou buscando a própria reeleição: "Devo reconhecer que historicamente foi um erro".

Foi mais que um erro, foi um crime e ele sabia disso desde a primeira hora, há 25 anos.

Na noite de 11 de julho de 1995, diante do nascimento da manobra da reeleição, FHC disse ao gravador que guardava suas memórias: "Assunto delicado, acho difícil por causa da cultura política brasileira e não me comprometo a ser candidato. Vejo uma vantagem: a de que assim os outros se assustam e não lançam uma candidatura desde já".

A cultura política brasileira não tinha nada a ver com isso. Em qualquer país ou clube de futebol e em qualquer época, quando o governante pode ser reeleito, trabalha de olho nesse prêmio.

Hoje, FHC diz que "tinha em mente o que acontece nos Estados Unidos". Ok, mas no seu artigo autocrítico ele diz que "visto de hoje, entretanto, imaginar que os presidentes não farão o impossível para ganhar a eleição é ingenuidade". Ingenuidade de quem, Grande Chefe Branco? Depois de ter praticado um ruinoso populismo cambial para ajudar sua reeleição até novembro de 1998, FHC desvalorizou o real em janeiro de 1999.

Fernando Henrique Cardoso governou o país por oito anos. A ele se deve um novo tempo na economia, um padrão de moralidade pessoal e uma tolerância que hoje fazem falta. Seu ruinoso legado político foi a instituição do princípio da reeleição.

Ele envenenou presidentes, governadores e prefeitos. Em 1995, FHC chegou a dizer que "não penso nisso, o sacrifício é muito grande". Pensava, queria, conseguiu e a conta do sacrifício foi para os outros.

Enquanto o tucanato fabricava o veneno, FHC conseguiu dar a impressão de que estava acima da manobra. Tentando tirar a meia sem tirar o sapato, cortou a proposta de um referendo popular para ratificar a decisão do Congresso. Conseguiu, mas um quarto de século depois deu-se conta de que deixou o sistema político brasileiro de tamancos.

Não se trata de um veneno "visto de hoje". A República brasileira resistiu a esse veneno. Nenhum presidente tentou receitá-lo, nem os da ditadura. Amparado na popularidade e no tacape do regime, o general Emílio Médici (1969-1974), poderia ter conseguido do Congresso uma prorrogação de seu mandato ou até mesmo o direito de candidatar-se numa eleição direta. Médici humilhou os çábios palacianos que armavam a manobra.

A reeleição de FHC foi a cabeça de um bicho que nasceu em 1994, quando o andar de cima, horrorizado com os pesquisas que davam a Lula 40% das preferências, encurtou o mandato presidencial de cinco para quatro anos.

Essa cabeça desmiolada deu oito anos a FHC, 13 ao PT de Lula e Dilma, mais quatro ao ex-capitão Jair Bolsonaro. Que tal oito?

Quando FHC diz que "historicamente" a reeleição foi um erro, embaralha seu legado. Ela era evitada porque sabia-se que era venenosa. Instituída, deu no que deu e hoje não há vacina contra seus efeitos.
Antes de entrar no Planalto, todos os candidatos dizem que são contra a reeleição. Lula e Bolsonaro diziam, mas mudaram de ideia.
Miguel José Teixeira
08/09/2020 16:04
Senhores,

Aviso ao papai

"Praias lotadas são recado aos aspirantes a ditadores, diz Eduardo Bolsonaro" (iG).

Huuummm. . .será que é um aviso ao ex-deputado federal que passou 28 anos aspirando seu ingresso no baixo clero e que graças às PaTifarias dos PeTralhas chegou à presidência da República, onde vive à enaltecer a ditadura militar?
Herculano
08/09/2020 11:35
QUEM DIRIA, O PODEROSO MDB DE BLUMENAU PARA SOBREVIVER ACEITA SER VICE DO PL, DE IVAN NAATZ

ESTE ACERTO, POR SUA VEZ, DESMENTE OS SUCESSIVOS DESMENTIDOS A ESTA COLUNA. ELA MOSTROU COMO NAATZ QUER INVIABILIZAR O PL DE GASPAR PARA DEIXÁ-LO COMO UM PUXADINHO SEM VOTOS DO MDB DE GASPAR Só PARA SALVAR O SEU PROJETO PARTICULAR DE BLUMENAU E TER DISCURSO CONTRA O GOVERNADOR CARLOS MOISÉS DA SILVA, PSL, COMO TÁBUA DA SUA SALVAÇÃO. ACORDA, GASPAR!
Herculano
08/09/2020 11:31
CONTRA O IMPEACHMENT, por Cláudio Prisco Paraíso

Amigo pessoal de Jair Bolsonaro há mais de 30 anos, o deputado federal Rogério Peninha Mendonça, emedebista de quatro costados, se manifestou publicamente contra o processo de impeachment de Moisés da Silva e da vice-governadora, Daniela Reinehr.

Como é deputado federal, Peninha não votará pela cassação ou não dos mandatos, o que deve ocorrer nos próximos dias na Assembleia Legislativa.

Peninha é ligado ao deputado estadual Jerry Comper, que tem sido agraciado com muita atenção por parte do Centro Administrativo, algo bem incomum em se tratando de deputados estaduais. Quase dá pra dizer que Comper é um privilegiado. Pelo menos era até antes da pandemia.

O governo apostou nele para fazer um contraponto à oposição ferrenha do deputado Milton Hobus, do PSD. Comper e Hobus têm base política no Alto Vale do Itajaí. O MDB tem nove votos na Alesc e pode ser o fiel da balança, tanto para um lado como para o outro.

FORÇANDO A BARRA

Seguem dois trechos da nota do deputado Peninha: "em relação ao aumento dos procuradores, ele nada mais fez do que cumprir decisão judicial ?" ato referendado pelo Ministério Público e também pelo Tribunal de Contas. A inclusão da vice, então, é uma "forçação de barra" jamais vista na história política de Santa Catarina."

TIMING

"Outro ponto importante: seria agora, em meio a uma pandemia, o momento adequado para enfrentarmos uma crise política sem precedentes na nossa história? Não vejo mobilização da sociedade catarinense pelo afastamento do governador e da vice," assinalou o parlamentar emedebista.

VATICÍNIO

O afastamento do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, determinado pelo relator do caso e depois confirmado por 14 contra 1 no plenário do STJ, pode ter sido emblemático. Matéria publicada pelo site da Revista Veja aponta que pelo menos mais dois mandatários estaduais podem ser afastados por envolvimento em falcatruas durante a pandemia.

COLEGIADO

Provavelmente, por tratar-se de governadores, não deverão ser afastados novamente por decisão monocrática (um ministro). A apreciação será do colegiado da Comissão Especial do STJ. Há cinco governadores na mira da Polícia Federal atualmente. Ou seja, se a Revista estiver certa, três permanecerão no cargo e dois sofrerão afastamento. Moisés da Silva está entre os cinco investigados pela PF.

TERCEIRA VEZ

A convenção do PSOL confirmou a candidatura do professor Elson Pereira a prefeito de Florianópolis. Definição ocorrida no domingo à noite, com reunião presencial dos membros do diretório e transmissão pela internet.

A vaga de vice ficou em aberto. Pereira e o PSOL aguardam a definição da frente de esquerda, que reúne vários partidos, inclusive o PT, o PSB e o PDT; e alguns minúsculos. Esta será a terceira candidatura do professor, que já fez duas votações expressivas. Em 2016, ele conquistou 20,06% dos votos, ficando na terceira colocação.

MDB DE VICE

O feriado de 7 de setembro foi de conversas internas entre a direção do PL e do MDB de Blumenau buscando entendimento sobre possível coligação para as eleições municipais. O tema reuniu o deputado estadual e presidente do PL local, Ivan Naatz e o presidente do MDB, Daniel Hostin, além da médica oncologista Liziane Anzanello , cotada para a candidatura a vice na chapa em caso entendimento.

FALTA O CARIMBO

Segundo as duas lideranças, as conversas estão adiantadas. E conforme Liziane, a oficialização do acordo está praticamente garantida, só dependendo agora de ajustes internos partidários até a realização das convenções municipais. A do PL está prevista para o dia 12 de setembro e a do MDB para dia 13.
Herculano
08/09/2020 10:14
OS PELEGOS BOLSONARISTAS

Conteúdo de O Antagonista. Os funcionários públicos bolsonaristas tentam jogar a reforma administrativa no colo de Rodrigo Maia e da Rede Globo.

Diz a Folha de S. Paulo:

"Um cartão apócrifo que começou a circular pelas redes sociais nos últimos dias atribui a Rodrigo Maia a responsabilidade pela reforma administrativa, que propõe mudanças no funcionalismo. O texto ainda diz que a Rede Globo apoia a medida que 'vai facilitar a corrupção!'.

O flyer não tem assinatura, mas reproduz um dos slogans de Jair Bolsonaro: Brasil acima de tudo."

Os pelegos do bolsonarismo querem evitar o desgaste do chefe.
Herculano
08/09/2020 10:14
O EX-PRESIDENTE E O "CANDIDATO A VEREADOR", por Frederico Vasconcelos, no jornal Folha de S. Paulo

Leio nos jornais de domingo (6) que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez um mea-culpa e afirmou que a emenda constitucional que permitia a reeleição foi um erro.

A emenda foi aprovada pela Câmara em 25 de fevereiro de 1997, após uma série de articulações iniciadas em 1995, no primeiro mandato de FHC.

Escalado pela Folha, acompanhei em várias eleições o momento em que FHC votava, no Colégio Nossa Senhora do Sion, no bairro de Higienópolis (região central de São Paulo).

Lembro-me de ter perguntado ao ex-presidente, que recém-terminara o segundo mandato, se estava arrependido de ter apoiado o instituto da reeleição. Sempre gentil, FHC justificou a decisão e passou à pergunta seguinte.

Leio agora o que gostaria de ter ouvido naquela ocasião:

"Devo reconhecer que historicamente foi um erro: se quatro anos são insuficientes e seis parecem ser muito tempo, em vez de pedir que no quarto ano o eleitorado dê um voto de tipo 'plebiscitário', seria preferível termos um mandato de cinco anos e ponto final."

Foi o que afirmou no texto "Reeleição e crises", artigo publicado nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo.

O plantão eleitoral no Sion permitiu registrar os sucessivos embates entre o PT e o PSDB e testemunhar a gradativa perda de popularidade dos tucanos.

Nas eleições de 2004, registrei: "Ao lado de políticos do PSDB estadual, FHC foi muito aplaudido ao chegar, a pé, para votar".

FHC "estava acompanhado de sua mulher, Ruth Cardoso, dos vereadores tucanos Ricardo Montoro e Roberto Trípoli e do ex-ministro da Justiça José Gregori".

FHC disse, ao declarar o voto dado a José Serra, que a eleição para prefeito de São Paulo poderia quebrar a hegemonia do partido único: "Como o PT e seus aliados estão tendo uma atitude muito hegemônica, querendo tomar conta de tudo, é bom que haja um equilíbrio de poder".

"Tenho reiterado que não sou candidato a mais nada", afirmou então o ex-presidente.

FHC disse que iria apoiar o PSDB na criação de "uma frente capaz de restabelecer um equilíbrio de poder".

"Um ex-presidente não deve estar no dia-a-dia da política", afirmou. FHC disse: "Eu não quero fazer críticas ao presidente Lula, mas pela primeira vez um presidente é objeto de interpelação na Justiça".

Nas eleições de 2010, FHC disse que fez uma "transição civilizada" de seu governo para o de Lula. "Eu esperava mais cooperação. Não participar do governo, mas [debater] temas nacionais. Isso não aconteceu."

"Ao contrário, o governo do presidente Lula se caracterizou pela intransigência, intolerância. Um é bom, o outro é mau. E o mau geralmente é o PSDB, sou eu. É o julgamento deles. Não me preocupo tanto. Espero que isso mude, senão não avançamos politicamente", afirmou.

Nas eleições de 2012, diante da possível vitória do candidato do PT, Fernando Haddad, à Prefeitura de São Paulo, FHC disse que o PSDB "precisa voltar a ter uma atitude muito mais próxima do que o povo está sentindo". "Tem que estar alinhado com o futuro."

Admitiu que "o partido vai precisar de renovação". "A gente tem que empurrar os novos para ir para a frente", disse.

Fernando Henrique foi presidente de 1º de janeiro de 1995 a 1º de janeiro de 2003.

Ao contrário do que vimos na primeira eleição depois que deixou a Presidência, quando uma multidão ocupou a avenida Higienópolis, na última vez que cobri a votação no Colégio Sion ele chegou apenas com o agente de segurança.

A cada eleição, depois da votação um pequeno grupo de repórteres seguia o ex-presidente na curta caminhada até a porta de seu prédio.

Bem-humorado, cumprimentado por populares nesse percurso, ele disse certa vez que tinha votos garantidos para se candidatar a vereador pelo bairro de Higienópolis.

Os mais próximos dizem que FHC é capaz de perder um amigo, mas não perde a oportunidade de fazer uma piada.
Herculano
08/09/2020 10:13
DILEMA E REFLEXOS

Na Globonews. Presidente do sindicato dos estabelecimentos de ensino no estado, Benjamin Ribeiro, diz que 'o remédio é muito pior que a doença': 'Acho que vamos nos arrepender um dia por ter deixado as crianças tanto tempo longe das escolas'
Herculano
08/09/2020 10:13
da série: a polícia, o Ministério Público e a Justiça estão tão bonzinhos com os ladrões do dinheiro dos pesados impostos do povo, que os políticos agora nem se escondem, e zombam dos trouxas em comícios e laives para o mundo inteiro ver, ouvir e até aplaudir. Mandam bananas para seus eleitores, certos da impunidade e dos votos em 15 de novembro

O ROUBA, MAS FAZ ESTÁ DE VOLTA, por Edna Lima, em Os Divergentes

Sinal dos tempos. Vídeo de convenção do MDB no Piauí, com a presença do senador Ciro Nogueira, cacique do Centrão, em que ex-prefeito confessa que roubou em suas três gestões na prefeitura viraliza na internet.

Dizer que político rouba já virou senso comum no Brasil. Mas com o combate à corrupção sendo nocauteado pelo Supremo Tribunal Federal sob as bênçãos da Procuradoria-Geral da República e da AGU, alguns estão se sentindo tão à vontade que nem se preocupam mais em esconder suas intenções em avançar no dinheiro público.

Neste domingo (6), durante a convenção para a escolha do candidato a prefeito do município de Cocal, no Piauí, pela aliança entre MDB e PP, Cristiano Britto, o ex-prefeito da cidade José Maria Monção, roubou a festa ao soltar o verbo e admitir que "roubou" nas três vezes em que ocupou a prefeitura.

No vídeo, que viralizou na internet, ele confessa: "Eu posso até ter tirado alguma coisa e dado pros pobres. Se eu tivesse feito tudo direito não tinha ido preso, né? Se eu fui preso tem algum motivo". Depois, tenta justificar seu ataque aos cofres públicos afirmando que "político que rouba, rouba para dar para o povo".

Na plateia o mais novo melhor amigo do presidente Jair Bolsonaro, o senador Ciro Nogueira, ao lado do atual prefeito de Teresina, Firmino Filho (PSDB), divertiam-se com a confissão aplaudindo e gargalhando com a crise de sincericídio de Monção.

Aliás, essa não foi à primeira confissão de político em lives durante a pandemia. Em julho, o ex-presidente do diretório municipal do PT em Laje do Muriaé, no interior do RJ, afirmou que o partido tinha como princípio "fazer muito e roubar pouco". Diante da repercussão negativa do vídeo, que também viralizou nas redes, Lidelio Luiz da Silva se afastou da direção do partido.

É, parece que o antigo bordão político do "rouba, mas faz", cunhado em referencia ao ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros, e usado depois relacionado a Paulo Maluf e, mais recentemente, Lula, nunca esteve tão em moda...
Herculano
08/09/2020 10:13
CNMP JULGA HOJE PROCESSO CONTRA DELTAN POR TUÍTES SOBRE RENAN CALHEIROS

Conteúdo de O Antagonista. O CNMP julga hoje um processo disciplinar aberto contra Deltan Dallagnol, que na semana passada deixou a força-tarefa da Lava Jato. O Conselho vai julgar se o procurador deve ser punido por causa de tuítes sobre Renan Calheiros (MDB-AL) no ano passado.

O andamento do caso foi liberado pelo ministro Gilmar Mendes, que revogou decisão de Celso de Mello.

Gilmar levou em consideração as informações prestadas ao STF pelo relator do processo contra Deltan, o conselheiro Otavio Rodrigues. Segundo ele, o caso vai prescrever nesta quinta-feira (10/9), porque o CNMP só pode aplicar punições baixas a Deltan, como advertência e censura, e por isso deve ser julgado logo.

Isso porque o ministro Luiz Fux suspendeu a aplicação de uma pena de advertência a Deltan, definida em outro processo, o que devolveu ao procurador a condição de "réu primário" e impediu o CNMP de aplicar uma pena mais dura, se quisesse.

No caso em pauta hoje, Deltan é acusado por Renan Calheiros de violar os deveres funcionais dos membros do MP por tentar interferir nas eleições para presidente do Senado.

Renan era candidato. No Twitter, Deltan disse que, como o senador era investigado por corrupção e lavagem de dinheiro, uma vitória dele no pleito poderia atrapalhar o andamento da agenda anticorrupção.

Deltan ainda é alvo de processo aberto pela senadora Kátia Abreu (PP-TO). Ela pede a remoção do procurador da força-tarefa por causa da fundação criada por ele para financiar projetos de combate à corrupção. Com Deltan deixou a Lava Jato por causa de questões familiares, o caso deve perder o objeto.

Também está na pauta de hoje do CNMP uma representação contra o procurador Diogo Castor de Mattos, também ex-integrante da Lava Jato. Ele é acusado de irregularidade por ter contratado um outdoor em homenagem aos integrantes da força-tarefa. O conselho vai decidir se abre processo contra o procurador.
Herculano
08/09/2020 10:12
da série: o mundo dos guardiões da imbecilidade nas redes sociais. Não estudam, não leem, não debatem mas estão cheios de convicções

INFLUENCERS STALINISTAS NAS REDES SOCIAIS SÃO SINTOMA DE UMA SOCIEDADE DOENTE, por Joel Pinheiro da Fonseca, economista, mestre em filosofia pela USP, no jornal Folha de S. Paulo.

Sempre haverá alguém inescrupuloso para levar o discurso maluco a sério

Que youtubers e "digital influencers" defensores do stalinismo e do regime norte-coreano façam sucesso crescente nas redes sociais nos indica que o Brasil (e o mundo) está longe de sair do buraco de fake news e revisionismo em que caiu.

Os cientistas se veem na defensiva, tendo que justificar seu trabalho e suas boas intenções para um público que rejeita progressivamente conceitos básicos como a esfericidade da terra e o funcionamento de vacinas. Na política é mesma coisa: valores e instituições estão sob ataque de charlatães hábeis em seduzir levas de seguidores.

É chato defender instituições liberais. Colocar as regras do jogo acima do desejo de que seu time favorito vença a partida; conceder ao adversário as mesmas prerrogativas que você tem; ser contrário à resolução violenta de discordâncias de ideias.

Muito mais gostoso é sonhar que se é um revolucionário bolchevique prestes a matar pela revolução ou quem sabe um cruzado medieval pronto para a guerra santa. Tudo vale, tudo é permitido.

Em vez de discutir prós e contras de diferentes políticas econômicas, é muito mais excitante tomar partido no conflito abstrato entre grandes grupos antagônicos: e daí fica relevante defender que o genocídio nazista foi muito pior que o soviético ou cambojano.

Veja, os milhões de mortes de Stalin não foram um genocídio; mas o teto de gastos é. Se você defende liberdade de imprensa e de comércio hoje, então você defende a escravidão e o colonialismo de séculos anteriores. Um simplismo moral sem pé nem cabeça substitui qualquer argumento sobre o mundo real.

O papel da ideologia na condução das sociedades é superestimado. Uma tirania terá algum tipo de manto ideológico que a justifique, mas esse virá sempre a reboque do projeto de poder, atendendo às suas necessidades e garantindo apoio popular a ele. O papel que formadores de opinião radicais à esquerda e à direita cumprem é justamente esse: anestesiar seu público consumidor aos desmandos dos políticos que repetirem as palavras certas.

Qual o efeito do sucesso comercial de youtubers stalinistas no Brasil, que levam a panfletagem do totalitarismo de seus decadentes enclaves universitários para um grande público nas redes sociais? Num primeiro momento, não muito. Aumentam um pouco, talvez, as chances eleitorais da direita populista.

Afinal, o discurso paranoico que vê um complô comunista por trás do funcionamento normal da democracia sai fortalecido se existirem comunistas espalhafatosos dizendo absurdos nas redes.

Do conforto de seus sofás, sentem-se verdadeiros revolucionários, soldados do Exército Vermelho, adotam nomes russos para brincar nas redes, sonham com fuzilamentos em massa da burguesia. Essa vaidade inconsequente em larga escala é perigosa.

Quanto mais gente adere à política como faz de conta vaidoso, seja como bolcheviques, revolucionários franceses ou cruzados, menos gente será capaz de reconhecer e preservar as normas e instituições (chatas) de que a nossa liberdade e chance de desenvolvimento social dependem.

Sempre haverá alguém inescrupuloso o bastante para levar o discurso maluco a sério se isso lhe beneficiar. Houve um tempo em que Olavo de Carvalho era apenas uma figura bizarra com um séquito de alunos online. Hoje, as ideias que ele copia da extrema direita americana ajudam a formular a política externa brasileira e a justificar o preconceito aqui no Brasil. Do jeito que as coisas caminham, a Coreia do Norte ainda será aqui. E ela nem será tão ruim se comparada ao que poderá vir depois...
Herculano
08/09/2020 10:11
COVID: BRASIL TEM MENOR MÉDIA DE MORTES EM 110 DIAS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nesta terça-feira nos jornais brasileiros

O Brasil tem dado sinais de vitória na batalha contra o covid. A redução de 15% nos novos casos e a experiência adquirida por profissionais de saúde no tratamento da doença foram fundamentais para a queda dos óbitos, que despencou 22,5% nos últimos 30 dias. Nesse período, segundo o Worldometer, a média de óbitos no Brasil caiu de 1.066 para 827 e atingiu o menor patamar desde o dia 20 de maio, há 110 dias.

NINGUÉM PODE NEGAR

A queda de 22,5% nos óbitos foi tão expressiva que até o "jornalismo de funerária" se viu obrigado a admiti-la em horário nobre, pela primeira vez.

SEGUINDO SEU CURSO

A média de novas infecções também seguem tendência de queda e os casos ativos caíram de 818,5 mil para 693,6 mil, -15,3% em 30 dias.

MAIOR PREOCUPAÇÃO

No domingo, a Índia, que segue tendência de alta nos casos, ultrapassou o Brasil. Devido à enorme população deve ultrapassar os EUA até 2021.

ATENÇÃO À ÍNDIA

O caso da Índia assusta. Se a taxa de contágio igualar a do Brasil e EUA, haverá mais casos na Índia do que em todo o resto do mundo.

LITÍGIO ELEVA CUSTO COM JUDICIÁRIO A 1,3% DO PIB

Os mais de 78 milhões de processos nos tribunais do País, atualmente, custam R$4,3 mil, em média. O resultado dessa cultura do litígio é que os custos com o Judiciário equivalem a 1,3% do PIB, enquanto na Argentina são dez vezes menos, 0,13%. O alerta é de Marcelo Buhatem, presidente da Associação Nacional de Desembargadores (Andes). Nos EUA são 0,14%, Itália 0,19%, Chile 0,22% e na Alemanha 0,32% do PIB.

CNJ TEM A SOLUÇÃO

Buhatem elogia um anteprojeto de lei complementar, formulado por uma comissão do CNJ, que regulamenta a cobrança das custas do Judiciário.

CUSTAS SOB CRITÉRIOS

O projeto do Conselho Nacional de Justiça propõe critério para fixação dos valores, frequentemente exacerbados, na cobrança das custas.

DIVISÃO EM ETAPAS

O presidente da Andes acredita que a divisão das custas em etapas fará com que as pessoas desistam de causas frívolas logo no início.

GASTANDO NA QUARENTENA

Senadores e deputados já torraram este ano R$95 milhões com o "cotão", verba que usam para ressarcir quaisquer despesas, apesar de estarem quase todos em casa. Desse total, mais de R$28 milhões foram para "divulgar a atividade parlamentar", ou seja, propaganda pessoal.

AJUDA PARA QUEM PRECISA

No 3º acompanhamento do auxílio emergencial, o Tribunal de Contas da União (TCU) verificou que o governo direcionou mais de 50% dos recursos a domicílios enquadrados entre os 30% mais pobres do país.

COMBATE À PANDEMIA

Segundo o Portal da Transparência, dos R$430 bilhões empenhados para combater a pandemia, R$350 bilhões já foram pagos. Mais da metade (54%) equivale a pagamentos do auxílio emergencial.

BENEFÍCIOS INDEVIDOS

O Tribunal de Contas da União estima que 4,8 milhões de pessoas receberam o auxílio emergencial descumprindo regras. Outros 1,31 milhão de benefícios já foram cancelados por irregularidades, até junho.

OBRA BOA É A CONCLUÍDA

Depois de ser "acusado" de terminar obras "dos outros", Tarcísio Freitas (Infraestrutura) destacou o fechamento da ponte no Rio Parnaíba, na BR-235, entre PI e MA. "Obra iniciada pelo governo Bolsonaro", disse.

BUSCA POR ESPAÇO

Com direito a assessoria de imprensa de fim específico, o deputado Capitão Augusto (PL-SP) tenta se cacifar como "nome mais forte entre os bolsonaristas" para assumir a presidência da Câmara. Não custa sonhar.

DÉCADA PERDIDA

De acordo com o Estudo Desempenho da Indústria no Mundo, da CNI, a indústria brasileira é a 16ª em participação na produção mundial do setor. Até 2014, início da pior crise que o país já enfrentou, o Brasil figurava entre os 10 maiores produtores no ranking mundial.

DECISõES 'DINÂMICAS'

Para o procurador Roberson Pozzobon, da Lava Jato, a prisão em 2ª instância, a transferência à Justiça Eleitoral de investigações de crimes e a anulação de condenações por causa da ordem da oitiva de delatores e delatados, são as questões que deveriam ser rediscutidas no STF.

PENSANDO BEM...

... se "sorte é sorte", como disse ministro do STF, o brasileiro pagador de imposto é sempre azarado.
Herculano
08/09/2020 10:11
da série: toda unanimidade é burra, já previa bem antes dos pensadores sem cérebro do mundo digital livre, Nelson Rodrigues

PREPARE-SE PARA NÃO SER 100%, PORQUE TAL COISA NÃO EXISTE NO SÉCULO 21, por Nizan Guanaes, publicitário, no jornal Folha de S. Paulo

Medo dos ataques nas redes sociais não deve tolher o pensamento e a criatividade

As grandes marcas são como jornais e revistas, precisam de editor-chefe. Elas têm que ter significado e profundidade para se comunicar com mais eficiência.

As marcas saudáveis têm lovers e haters. Se uma marca só tiver haters, ela está fazendo algo de errado. Se ela só tiver lovers... - isso é impossível nos dias de hoje. Então prepare-se para não ser 100%, porque tal coisa não existe no século 21. E foca os lovers.

O medo dos ataques nas redes não deve tolher o pensamento e a criatividade. O medo vai contra a criatividade, que requer coragem para pensar diferente. Criar é criar algo diferente. Há uma espécie de loucura no meio dessa agressividade toda. Mas temos que ouvir. Comunicar é ouvir.

Vivemos um processo de alfabetização de costumes. Piadas de mau gosto, por exemplo, perderam a graça. Revendo esses programas antigos da TV, aparece cada coisa que seria impensável hoje. Isso mostra evolução. Mas essa exacerbação toda precisa ser moderada um pouco para a humanidade seguir progredindo.

Eu acredito que isso será superado, ou pelo menos melhorado, com os aprendizados em curso. Estamos sempre no processo de aprender. Antes havia uma determinada etiqueta, agora nós temos outra. As vozes se multiplicaram, as vozes se intensificaram. E, quando as vozes mudam, a fala muda. A fala já mudou, e o ouvir precisa mudar também.

Aproveite os seus aprendizados. A aceleração digital vinda com a pandemia levou empresas e organizações a estágios mais avançados no uso das novas tecnologias. Ganhos de produtividade estão acontecendo por toda parte, às vezes ainda imperceptíveis. Fique atento.

Não será "business as usual" quando o mundo voltar ao normal. Nem tem mais aquele tal normal. Normal, aliás, sempre foi um termo muito vago.

Normal agora é o digital. Aquilo que as pessoas antes, por medo do novo, chamavam de virtual. E há mais oportunidades entre o real e o virtual do que a vã filosofia pode imaginar.

As marcas estão se comunicando nessa nova lógica. Antigamente a mídia era binária: conteúdo e público.

Não existe mais essa divisão. A comunicação se tornou mais complexa, mais rica. E mais arriscada. Mais do que nunca, a estratégia é que faz a diferença. Diante de tantos caminhos, é preciso planejar a caminhada. O grande desenho é o desenho do estrategista. As melhores marcas do mundo tiveram uma estratégia inteligente por trás.

Os grandes publicitários sempre foram grandes estrategistas, mas o ápice daquela visão era a criatividade aplicada ao comercial de 30 segundos. Vivemos agora a era da estratégia criativa. E do conteúdo.

Mas sem complexo de higlander. Não precisa sair cortando cabeças para seguir em frente. A mídia social não vai matar a TV, como a TV não matou o cinema, que não matou o teatro...

Como num big bang, a comunicação explodiu, fragmentou-se. E segue se expandindo. É um grande desafio, e os CMOs estão exaustos. São pessoas que precisam trabalhar a criatividade, mas estão sem tempo para alimentar a cabeça. Esse modelo de negócios não fecha. Criatividade precisa de liberdade. Liberdade inclusive para errar.

Não tenha medo de errar. Não tenha medo de criar. Mas tenha uma estratégia. Uma estratégia que obviamente busque o acerto, mas que sobreviva ao erro e melhore com ele.

Diante de tantos caminhos, a estratégia é o Waze. Ela mostra o melhor caminho para onde você pretende chegar.
Herculano
08/09/2020 10:10
A CONIVÊNCIA

O Figueirense, a polícia, os torcedores e até mesmo a mídia, sabem quem são os desocupados, vândalos e radicais que perturbam organizada e reincidentemente o clube.

O figueirense, como a maioria dos clubes, decidiu conviver com a anomalia e o perigo.

E esta conivente omissão tem preço!
Herculano
08/09/2020 10:10
INVASORES DO SCARPELLI MERECEM CADEIA, por Claiton Selistre, no Making of

A invasão no treino do Figueirense mereceu repúdio em todo o País. Uma postura indignada contra a violência. A internet, desde a tarde de sábado, reproduz as imagens de um bando invadido o gramado com foguetes e possivelmente armas.

Não podem ser chamados de torcedores. São desocupados e intolerantes com o clube, que tenta se recuperar de gestões traumáticas voltadas para o lucro pessoal.

As imagens encaminhadas pelo presidente Norton Boppré, ao Ministério Público ainda neste domingo, 6, podem ajudar a desmascarar os invasores. Que isso seja feito da maneira mais rápida possível, e que sejam punidos exemplarmente.

No mínimo, banidos dos estádios. O futebol suporta torcedores frustrados com suas equipes, mas com limites. Lugar de bandidos é na cadeia.
Herculano
08/09/2020 10:09
da série: os poderosos influenciam o judiciário isto é claro para qualquer um. Então, ao menos vão colocar regra nesta zona, mesmo que ela já esteja explícita na lei. Nesta caixinha de surpresas, o governador catarinense Carlos Moisés da Silva, ainda corre o risco de ser despejado monocraticamente por um juiz do STJ no caso da compra dos respiradores e com as investigações no âmbito da Polícia Federal

APóS CRIAR DESARRANJOS, STF DEVE DEFINIR CRITÉRIO SOBRE RETIRADA DE GOVERNADORES

Segundo especialistas, é falha a atual permissão para afastar governadores do cargo em decisão monocrática

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Matheus Teixeira, da sucursal de Brasília. A retirada de Wilson Witzel (PSC) do Governo do Rio de Janeiro e as investigações que atingem outros seis governadores reativaram o debate sobre as regras para afastamento de gestores estaduais pela via judicial.

Especialistas apontam que decisões recentes do STF (Supremo Tribunal Federal) criaram um desarranjo na atuação da Justiça em relação a políticos com mandato eletivo e que é preciso consertá-lo.

Na avaliação desses especialistas e de integrantes do Supremo, os entendimentos firmados pela corte nos últimos anos desequilibraram o sistema, uma vez que o tribunal, em um curto intervalo de tempo, enfraqueceu o mandato de governadores e fortaleceu o de parlamentares.

Esse cenário aliado ao fato de Witzel ter sido afastado inicialmente do cargo por uma decisão monocrática do ministro Benedito Gonçalves, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), preocupou governadores e levou ao aumento da pressão para o Supremo rediscutir o tema.

A tendência hoje é que o Supremo mantenha o poder do STJ de afastar governadores, mas crie requisitos mais rígidos para decisões desta natureza, como a exigência de julgamento colegiado.

Em 2017, o tribunal já se debruçou sobre o tema ao julgar diversas ações contra constituições estaduais que tinham replicado no âmbito local a regra para presidente da República, que só pode responder a uma ação penal com autorização do Congresso.

Na ocasião, a corte declarou inconstitucional as normas regionais e empoderou o STJ ao determinar que o recebimento de denúncia não exigia aval da Assembleia Legislativa local.

Sobre a retirada de governadores do cargo, o Supremo afirmou que o STJ também poderia fazê-lo, mas decidiu que não seria uma consequência automática do ato de recebimento da denúncia, como é o caso do chefe do Executivo nacional.

O STF, assim, ampliou os poderes do tribunal superior ao permitir a remoção do mandato, desde que fosse por decisão fundamentada. O que os ministros do Supremo não esperavam, segundo relatos, é que esse afastamento se daria por despacho individual.

No último dia 28, o ministro Benedito Gonçalves autorizou uma operação policial contra um suposto esquema de desvios da verba da saúde que seria liderado por Witzel, o afastou do cargo e rejeitou um pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para que ele fosse preso.

Dias depois a corte especial do STJ referendou a liminar de Benedito por 14 votos a 1, mas diversos integrantes da corte demonstraram insatisfação com o fato de o afastamento ter ocorrido por despacho individual.

Ao removê-lo do posto, Benedito afirmou que há um grupo criminoso instalado no Governo do Rio que "continua agindo, desviando e lavando recursos em plena pandemia, sacrificando a saúde e mesmo a vida de milhares de pessoas".

No julgamento na corte especial do STJ, os ministros do STJ Maria Thereza e Mauro Campbell, por exemplo, votaram para manter o despacho do colega, mas ressaltaram que esse tipo de decisão deveria ter sido tomada pelo colegiado.

Em 2017, quando o STF julgou o tema, o ministro Marco Aurélio deu uma declaração nesse sentido, mas na oportunidade a corte não entrou nesse mérito e decidiu apenas pela dispensa do aval das assembleias.

"Em se tratando do chefe do Poder Executivo estadual, eleito pelo povo, há de colar-se ao afastamento segurança maior, não cabendo a atuação individual do relator", disse Marco Aurélio.

Outro governador que também é investigado e está com o caso nas mãos de Benedito é o de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL). Assim como Witzel, ele se candidatou sem favoritismo, foi eleito na onda que deu a vitória a Bolsonaro e, no cargo, se afastou do presidente da República.

Agora, ele é alvo de apuração da Polícia Federal, determinada pelo ministro do STJ, que investiga a compra de 200 respiradores pelo governo local.

A aquisição dos equipamentos custou R$ 33 milhões e, no início de agosto, o Ministério Público Federal pediu a instauração de inquérito sobre o caso. Moisés responde a dois processos de impeachment na Assembleia local.

Para o professor Ademar Borges, doutor em direito constitucional, o ideal seria o Supremo fixar que o afastamento de governador só pode ocorrer no momento do recebimento da denúncia apresentada pela PGR ou depois.

"Este seria o momento mais adequado para verificar a necessidade de retirá-lo do cargo, pois permitiria o contraditório e a ampla defesa e seria uma decisão colegiada, que sempre é mais segura", diz

Para Borges, o STF permitiu que governadores fossem processados criminalmente, mas não adotou "nenhum tipo de cautela institucional para evitar a banalização desse tipo de decisão".

Ele afirma que a discussão se relaciona com duas diretrizes importantes da Constituição: uma é o princípio democrático, que pesa em favor do mandato, e a outra é o princípio federativo, uma vez que se trata de uma intervenção do STJ no âmbito estadual.

O professor afirma que uma solução seria o STF estabelecer critérios mais rígidos para o afastamento de governadores. "Talvez seja uma saída para compensar a invalidação do aval democrático que era precisava ser dado pelo parlamento estadual", afirma.

O professor Thomaz Pereira, da FGV-Direito-Rio, explica que há duas discussão jurídicas necessárias sobre o tema: a primeira é a possibilidade de o afastamento ocorrer antes do recebimento da denúncia e a segundo é sobre a retirada do cargo ter se dado por decisão individual de um magistrado.

"No direito processual penal brasileiro atual, existem diversos poderes dados ao relator, entre eles o poder geral de cautela, que autoriza a adoção de medidas cautelares. Mas o mais prudente e melhor para o funcionamento das instituições seria que o afastamento ocorresse por julgamento colegiado."

Ele afirma que a decisão de 2017 deu grandes poderes ao STJ. "O tribunal pode afastar sem receber a denúncia ou receber a denúncia e não afastar", diz.

Para o professor da FGV Direito-SP Rubens Glezer, o sistema precisa ser "recalibrado". "Permitir monocráticas nesse tipo de decisão é aceitar a implosão do sistema de Justiça", afirma.

O especialista, no entanto, pondera que o STF não tem condições de cobrar decisões colegiadas do STJ, porque foi ele mesmo quem começou a exagerar nos despachos monocráticos.

Na avaliação do professor, o precedente aberto por Benedito pode trazer outros impactos negativos e politizar o tribunal.

"Além da vulnerabilização do mandato, pode começar a ter pressão de pessoas nada republicanas que querem usar o STJ e achar alguém disposto a perseguir um inimigo. Desperta o interesse em gente desse perfil e a médio e longo prazo pode atrair ao tribunal pessoas".


ENTENDA DEBATE SOBRE AFASTAMENTO DE GOVERNADORES

O que será definido pelo STF e em qual data?

A defesa de Wilson Witzel quer que o STF estabeleça que a retirada de gestores estaduais do cargo só pode ocorrer com voto de dois terços da corte especial do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que é formada pelos 15 ministros mais antigos da corte. Ainda não foi marcado o dia para discussão do tema. Essa deve ser uma das primeiras decisões importantes do ministro Luiz Fux, que assume o comando do Supremo nesta semana.

Como está a tramitação?

Na semana passada, o ministro Edson Fachin, relator do processo, aplicou rito abreviado à ação.
Na prática, ele apontou que não dará decisão monocrática no caso e o liberou direto para julgamento do plenário. Antes disso, porém, Fachin deu prazo de dez dias para Presidência da República, Congresso, AGU (Advocacia-Geral da União) e Procuradoria-Geral da República se manifestarem.

Caso o Supremo analise novamente o assunto e fixe novas regras, a decisão poderia beneficiar Witzel?

Em tese, sim. Mas o mais provável é que o Supremo estabeleça novas regras daqui para frente.
Assim, um novo entendimento poderia beneficiar o vice de Witzel, Cláudio Castro (PSC), que também é alvo de investigações e assumiu interinamente a chefia do Executivo fluminense.

O STF já tratou do tema anteriormente?

Sim, em termos. Ao analisar, em 2017, a situação do então governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). Quando estava no mandato, o petista foi denunciado no âmbito da Operação Acrônimo, mas o processo não foi aberto porque o STJ entendeu que governadores só poderiam responder a ação penal com autorização do Legislativo local.

O DEM, então, acionou o STF, que decidiu, ao analisar as normas de diferentes estados, que não é preciso aval das assembleias.

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