30/04/2020
A maioria que defende o governo na CPI das dúvidas das obras da Rua Frei Solano na Câmara não quer que se inspecione poucos pontos enterrados da obra para verificar se o que foi projetado, licitado, contratado e pago, foi mesmo executado
A palavra leviana, levianamente, virou moda nesta semana nos discursos da base do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, na Câmara. O tom revela principalmente à falta de contra-argumentação às acusações infligidas pela oposição à equipe de Kleber. É um sintoma de como será a campanha eleitoral para este outubro, em Gaspar: as escaramuças substituirão as propostas. Uma pena! Na sessão desta terça-feira, o vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, que já foi cabo eleitoral em duas das seis eleições do ex-presidente do Samae, José Hilário Melato, PP e hoje de volta à Câmara para ser candidato outra vez, revelou às agruras do povo sem água no Barracão, Bateias e Óleo Grande. Bertoldi disse que o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, ao sair deixou no Samae para o Melato, os canos para a ligação da rede entre o Bairro Santa Terezinha a linha do reservatório do Bateias. Eram 3,1 quilômetros e R$2,5 milhões em caixa. Faltava, segundo ele, apenas a negociação com o Deinfra para ocupar as margens da Rodovia que vai a Brusque, mas que em mais de três anos, Melato não foi capaz de fazê-la.
Ajudado pelo líder do governo, Francisco Solano Anhaia, MDB, o que já foi cabo eleitoral do Melato e depois o deixou para ser vereador pelo PT, Anhaia abriu espaço para Melato. Ele não estava inscrito para falar na sessão. Melato rebateu Dionísio. Afirmou que Zuchi deixou o Samae sucateado e que ele, Melato, até tentou perfurar poços e negociar com o Deinfra, mas foram infrutíferas essas tentativas. Por isso, ao fim o Samae teve que encher o reservatório do Bateias com caminhões pipas – as vezes sob denúncias de não terem eles sido higienizados para essa finalidade – igual a conta-gotas, diante da alta demanda. Resultado? Berreiro! O que é certo? Que há solução. Material e dinheiro igualmente. Entretanto, os políticos, gestores e burocratas no Samae e na prefeitura de Gaspar não conseguiram dá-la à sociedade. Agora estão arrumando outros culpados que não eles próprios. E por que? Porque são candidatos.
Outro tema da sessão foi a Covid-19. O foco foi a desestruturação dos nossos sistemas de Saúde e do Hospital. Anhaia também classificou como levianas as críticas, incluindo as de Dionísio que insiste no discurso mentiroso do PT de que foi o MDB quem fechou o Hospital e que “graças” ao ex-prefeito Zuchi e o PT, ele está aberto. Foi reprisar aqui, pela enésima vez, o meu testemunho, pois fui vice-presidente da reconstrução do Hospital de Gaspar. Quem fechou o Hospital foi Conselho da época. Ele estava sucateado (nem fossa séptica tinha, rede elétrica armada para um incêndio, morto saia na mesma entrada do doente...), havia dívidas incontornáveis, era difícil atrair médicos, os poucos alegavam ser o ambiente precário, sem futuro e alguns deles, ameaçavam nem mais trabalhar lá. Quem reconstruiu fisicamente o Hospital de Gaspar foram os empresários, sob a liderança da Acig, CDL e outros, com aporte expressivo da Fundação Bunge. Prédio nos trinques, partiu-se para a sustentabilidade. Não deu tempo. Acreditou-se nas promessas de Zuchi. Ele mais tarde tomou o Hospital para si. Fez a intervenção marota – sob a alegação falsa de que as verbas da prefeitura eram roubadas lá. O MDB mantém a intervenção até hoje de um Hospital que não se sabe quem é o dono. O Hospital se tornou um problema, um sugadouro de dinheiro bom. Pior: sem prestação de contas e transparência. Por isso, não é abraçado pela comunidade.
Como Dionísio foi quem pediu a CPI da Rua Frei Solano, no Gasparinho, onde é morador, e o governo de Kleber faz de tudo para empacá-la, Anhaia anunciou que a obra vai parar. Como assim? Ela está parada há mais de um ano contra o povo e os comerciantes de lá! E não foi por causa da CPI, mas pela incapacidade de gestão e execução da prefeitura. O que Kleber não quer é que seja feita a perícia para se verificar as supostas irregularidades enterradas lá. Por isso, joga a população contra a CPI. Outra do nem mais, nem menos. Impressionante foi ver na última sessão da Câmara o líder Anhaia sem argumentos para contestar a planilha que o vereador Dionísio mostrou no seu discurso. Nela provou-se que Kleber não está economizando R$68 mil por mês como anuncia por aí para não diminuir seu salário, do vice e dos secretários diante da crise. Na verdade, ele está gastando R$31 mil a mais. Eu a publiquei na coluna de segunda-feira no portal do Cruzeiro do Vale. O líder do MDB, Francisco Hostins Júnior, que já foi secretário do petista Zuchi e hoje é líder de classe patronal, disse que ao expor a tal lista, o PT está defendendo o desemprego de funcionários públicos. Hum! Eles são pagos com os pesados impostos do povo. Hostins usou cargos pequenos e necessários para esconder os graúdos feitos de cabos eleitorais para cabalar votos para o poder de plantão. Acorda, Gaspar!
Que coisa? Então governo da eficiência, o que avança, o da qualidade, o das obras e o imbatível de Kleber Edson Wan Dall, MDB e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, precisou da propaganda- avalista do então agarrado à porta do ônibus do MDB local, o presidente da Câmara, Ciro André Quintino, e assim ter crédito de bom governo?
Antes de entrar no ônibus da reeleição, o populista Ciro (o Cirão da Massa), o carregador de votos do MDB de Gaspar, “ameaçou” sair do partido e ser concorrente de Kleber. Isso era público. Foi proposital. Ciro valorizou o passe e fez o acerto. Resta Ciro saber se esta associação não vai lhe prejudicar em outubro.
Ciro acertou que será o próximo candidato a prefeito do partido. São avalistas os deputados Carlos Chiodini (Federal) e Jerry Comper (Estadual), ambos do MDB, e para quem Ciro é cabo eleitoral por aqui.
Acordos são feitos para o dia, não para o seguinte. Até 2022 muita coisa terá mudado no cenário local, estadual e federal. Os resultados deste ano e suas consequências darão o tom da traição, das novas alianças e das oportunidades. E o MDB de Gaspar possui donos, fila e uma tradição de não cumprir as suas promessas internas. Ciro sabe disso e não é de hoje.
Até o fechamento da coluna, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, não tinha esboçado nenhum gesto para reduzir, temporariamente, o seu salário de R$R$27.356,69 – um dos mais altos de Santa Catarina – como contribuição à crise econômica e como fizeram muitos outros pelo Brasil afora. Ao contrário, Kleber se achava injustiçado e perseguido pela cobrança.
Neste sábado, às 11h haverá a “live do bem” em prol do Hospital de Gaspar. Gente famosa do meio artístico levantaram o clima. O bom desta live é que ela será transparente naquilo que arrecadar. Seria importante a prefeitura dizer também quanto os gasparenses contribuíram quando pagaram o IPTU à vista. O atraso é de 40 dias.
Parte da arrecadação, segundo os organizadores da live, vai para a nova UTI. Essa UTI não era, até semanas atrás, prioritária para o governo de Kleber. Alegava que precisava antes estruturar o Pronto Atendimento. Diante da Covid-19, operou-se o milagre: mais pelo medo do que pela consciência. Temia-se à cobrança em tempos de campanha eleitoral. Nem mais, nem menos.
O governo do estado e o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, já ficou gravemente exposto duas vezes nesta pandemia. Primeiro foi o tal Hospital de Campanha que seria montado em Itajaí. Desnudado. Bateu em retirada. Não resistiu as evidências, inclusive as levantadas por sua vice.
Agora, são os respiradouros que viraram casa de polícia, denunciados por quem? A imprensa. De onde? De fora de Santa Catarina, porque a daqui é enquadrada pelos poderosos de plantão com seus corpos fechados na Polícia, Ministério Público, Tribunal de Contas e Justiça.
Depois das licitações para obras, a corrupção abunda na Saúde sob o rótulo da emergência, calamidade e especialidade. Em seguida vem os contratos de serviços, principalmente na área de tecnologia. Por isso, há tanta gente doente e tantos carimbadores de papéis.
O então presidente do PSL de Gaspar, Marciano da Silva, está fora do partido desde o dia 17 de setembro do ano passado. Ulalá. Sabe-se agora, que ele se filiou no início de abril no Patriotas, aquele do 51
E quem é o presidente do PSL de Gaspar? O sindicalista, ex-funcionário público, ex-vereador e candidato a prefeito derrotado em parceria com o MDB, Sérgio Luiz Batista de Almeida. Ou seja, transparência zero. E olha que essa gente se diz nova na prática política.
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