Os políticos de Gaspar entraram no modo da campanha eleitoral ao invés de dar solução aos problemas reais da cidade. E os culpados são os outros... - Jornal Cruzeiro do Vale

Os políticos de Gaspar entraram no modo da campanha eleitoral ao invés de dar solução aos problemas reais da cidade. E os culpados são os outros...

30/04/2020


A maioria que defende o governo na CPI das dúvidas das obras da Rua Frei Solano na Câmara não quer que se inspecione poucos pontos enterrados da obra para verificar se o que foi projetado, licitado, contratado e pago, foi mesmo executado

 

Os levianos I

A palavra leviana, levianamente, virou moda nesta semana nos discursos da base do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, na Câmara. O tom revela principalmente à falta de contra-argumentação às acusações infligidas pela oposição à equipe de Kleber. É um sintoma de como será a campanha eleitoral para este outubro, em Gaspar: as escaramuças substituirão as propostas. Uma pena! Na sessão desta terça-feira, o vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, que já foi cabo eleitoral em duas das seis eleições do ex-presidente do Samae, José Hilário Melato, PP e hoje de volta à Câmara para ser candidato outra vez, revelou às agruras do povo sem água no Barracão, Bateias e Óleo Grande. Bertoldi disse que o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, ao sair deixou no Samae para o Melato, os canos para a ligação da rede entre o Bairro Santa Terezinha a linha do reservatório do Bateias. Eram 3,1 quilômetros e R$2,5 milhões em caixa. Faltava, segundo ele, apenas a negociação com o Deinfra para ocupar as margens da Rodovia que vai a Brusque, mas que em mais de três anos, Melato não foi capaz de fazê-la.

Os levianos II

Ajudado pelo líder do governo, Francisco Solano Anhaia, MDB, o que já foi cabo eleitoral do Melato e depois o deixou para ser vereador pelo PT, Anhaia abriu espaço para Melato. Ele não estava inscrito para falar na sessão. Melato rebateu Dionísio. Afirmou que Zuchi deixou o Samae sucateado e que ele, Melato, até tentou perfurar poços e negociar com o Deinfra, mas foram infrutíferas essas tentativas. Por isso, ao fim o Samae teve que encher o reservatório do Bateias com caminhões pipas – as vezes sob denúncias de não terem eles sido higienizados para essa finalidade – igual a conta-gotas, diante da alta demanda. Resultado? Berreiro! O que é certo? Que  há solução. Material e dinheiro igualmente. Entretanto, os políticos, gestores e burocratas no Samae e na prefeitura de Gaspar não conseguiram dá-la à sociedade. Agora estão arrumando outros culpados que não eles próprios. E por que? Porque são candidatos.

Os levianos III

Outro tema da sessão foi a Covid-19. O foco foi a desestruturação dos nossos sistemas de Saúde e do Hospital. Anhaia também classificou como levianas as críticas, incluindo as de Dionísio que insiste no discurso mentiroso do PT de que foi o MDB quem fechou o Hospital e que “graças” ao ex-prefeito Zuchi e o PT, ele está aberto. Foi reprisar aqui, pela enésima vez, o meu testemunho, pois fui vice-presidente da reconstrução do Hospital de Gaspar. Quem fechou o Hospital foi Conselho da época. Ele estava sucateado (nem fossa séptica tinha, rede elétrica armada para um incêndio, morto saia na mesma entrada do doente...), havia dívidas incontornáveis, era difícil atrair médicos, os poucos alegavam ser o ambiente precário, sem futuro e alguns deles, ameaçavam nem mais trabalhar lá. Quem reconstruiu fisicamente o Hospital de Gaspar foram os empresários, sob a liderança da Acig, CDL e outros, com aporte expressivo da Fundação Bunge. Prédio nos trinques, partiu-se para a sustentabilidade. Não deu tempo. Acreditou-se nas promessas de Zuchi. Ele mais tarde tomou o Hospital para si. Fez a intervenção marota – sob a alegação falsa de que as verbas da prefeitura eram roubadas lá. O MDB mantém a intervenção até hoje de um Hospital que não se sabe quem é o dono. O Hospital se tornou um problema, um sugadouro de dinheiro bom. Pior: sem prestação de contas e transparência. Por isso, não é abraçado pela comunidade.

Os levianos IV

Como Dionísio foi quem pediu a CPI da Rua Frei Solano, no Gasparinho, onde é morador, e o governo de Kleber faz de tudo para empacá-la, Anhaia anunciou que a obra vai parar. Como assim? Ela está parada há mais de um ano contra o povo e os comerciantes de lá! E não foi por causa da CPI, mas pela incapacidade de gestão e execução da prefeitura. O que Kleber não quer é que seja feita a perícia para se verificar as supostas irregularidades enterradas lá. Por isso, joga a população contra a CPI. Outra do nem mais, nem menos. Impressionante foi ver na última sessão da Câmara o líder Anhaia sem argumentos para contestar a planilha que o vereador Dionísio mostrou no seu discurso. Nela provou-se que Kleber não está economizando R$68 mil por mês como anuncia por aí para não diminuir seu salário, do vice e dos secretários diante da crise. Na verdade, ele está gastando R$31 mil a mais. Eu a publiquei na coluna de segunda-feira no portal do Cruzeiro do Vale. O líder do MDB, Francisco Hostins Júnior, que já foi secretário do petista Zuchi e hoje é líder de classe patronal, disse que ao expor a tal lista, o PT está defendendo o desemprego de funcionários públicos. Hum! Eles são pagos com os pesados impostos do povo. Hostins usou cargos pequenos e necessários para esconder os graúdos feitos de cabos eleitorais para cabalar votos para o poder de plantão. Acorda, Gaspar!

 

TRAPICHE

Que coisa? Então governo da eficiência, o que avança, o da qualidade, o das obras e o imbatível de Kleber Edson Wan Dall, MDB e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, precisou da propaganda- avalista do então agarrado à porta do ônibus do MDB local, o presidente da Câmara, Ciro André Quintino, e assim ter crédito de bom governo?

Antes de entrar no ônibus da reeleição, o populista Ciro (o Cirão da Massa), o carregador de votos do MDB de Gaspar, “ameaçou” sair do partido e ser concorrente de Kleber.  Isso era público. Foi proposital. Ciro valorizou o passe e fez o acerto. Resta Ciro saber se esta associação não vai lhe prejudicar em outubro.

Ciro acertou que será o próximo candidato a prefeito do partido. São avalistas os deputados Carlos Chiodini (Federal) e Jerry Comper (Estadual), ambos do MDB, e para quem Ciro é cabo eleitoral por aqui.

Acordos são feitos para o dia, não para o seguinte. Até 2022 muita coisa terá mudado no cenário local, estadual e federal. Os resultados deste ano e suas consequências darão o tom da traição, das novas alianças e das oportunidades. E o MDB de Gaspar possui donos, fila e uma tradição de não cumprir as suas promessas internas. Ciro sabe disso e não é de hoje.

Até o fechamento da coluna, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, não tinha esboçado nenhum gesto para reduzir, temporariamente, o seu salário de R$R$27.356,69 – um dos mais altos de Santa Catarina – como contribuição à crise econômica e como fizeram muitos outros pelo Brasil afora. Ao contrário, Kleber se achava injustiçado e perseguido pela cobrança.

Neste sábado, às 11h haverá a “live do bem” em prol do Hospital de Gaspar. Gente famosa do meio artístico levantaram o clima. O bom desta live é que ela será transparente naquilo que arrecadar. Seria importante a prefeitura dizer também quanto os gasparenses contribuíram quando pagaram o IPTU à vista. O atraso é de 40 dias.

Parte da arrecadação, segundo os organizadores da live, vai para a nova UTI. Essa UTI não era, até semanas atrás, prioritária para o governo de Kleber. Alegava que precisava antes estruturar o Pronto Atendimento. Diante da Covid-19, operou-se o milagre: mais pelo medo do que pela consciência. Temia-se à cobrança em tempos de campanha eleitoral. Nem mais, nem menos.

O governo do estado e o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, já ficou gravemente exposto duas vezes nesta pandemia. Primeiro foi o tal Hospital de Campanha que seria montado em Itajaí. Desnudado. Bateu em retirada. Não resistiu as evidências, inclusive as levantadas por sua vice.

Agora, são os respiradouros que viraram casa de polícia, denunciados por quem? A imprensa. De onde? De fora de Santa Catarina, porque a daqui é enquadrada pelos poderosos de plantão com seus corpos fechados na Polícia, Ministério Público, Tribunal de Contas e Justiça.

Depois das licitações para obras, a corrupção abunda na Saúde sob o rótulo da emergência, calamidade e especialidade. Em seguida vem os contratos de serviços, principalmente na área de tecnologia. Por isso, há tanta gente doente e tantos carimbadores de papéis.

O então presidente do PSL de Gaspar, Marciano da Silva, está fora do partido desde o dia 17 de setembro do ano passado. Ulalá. Sabe-se agora, que ele se filiou no início de abril no Patriotas, aquele do 51

E quem é o presidente do PSL de Gaspar? O sindicalista, ex-funcionário público, ex-vereador e candidato a prefeito derrotado em parceria com o MDB, Sérgio Luiz Batista de Almeida. Ou seja, transparência zero. E olha que essa gente se diz nova na prática política.

Edição 1949

Comentários

Miguel José Teixeira
03/05/2020 20:17
Senhores,

Os "Originais do Samba", nas antigas, cantaram:

"Se gritar pega ladrão
Não fica um, meu irmão"
. . .

Já o ilustre ministro do GSI, do "pentiunvirato bolsonaro", parodiando-os, em 2018, cantarolou:

"Se gritar pega centrão,
não fica um, meu irmão"

And now, General?
Herculano
03/05/2020 19:32
MODERANDO E DANDO INDÍCIOS

Pela manhã, o ex-ministro da Justiça escreveu no seu twitter:

"Há lealdades maiores do que as pessoais".

Agora a noite, depois das fogueiras do dia, sinalizou no mesmo twitter, onde os bolsonaristas o tratam como o maior traidor de todos

"Democracia, liberdades - inclusive de expressão e de imprensa - Estado de Direito, integridade e tolerância caminham juntos e não separados.
Herculano
03/05/2020 19:28
SILÊNCIO

O vice-presidente do Brasil diante de tanta agitação institucional continua mudo e sumido. Sintomático? É o tal canarinho na muda não canta?
Herculano
03/05/2020 19:27
SAINDO DE CONTROLE CONCEITUAL

Do Instituto Liberal de São Paulo, no twitter:

Ser gado idólatra de político é o exato oposto do liberalismo. Liberais defendem os direitos à vida, liberdade e propriedade, não um político de estimação.

Herculano
03/05/2020 19:24
NÃO FOI APENAS BRASÍLIA QUE ESTEVE FORA DE CONTROLE NAS BRAVATAS

Outra manchete, mas mundial: Coreias do Norte e do Sul trocam disparos na fronteira. Seul diz que 1º disparo foi do vizinho. Revidou com tiros de advertência.Sem registro de militares feridos
Herculano
03/05/2020 19:21
O JORNALISMO NUNCA SERÁ O MESMO DEPOIS DA ERA BOLSONARO. É UM MANCHETEIRO DE MARCA SINGULAR. UMA FESTA
Herculano
03/05/2020 19:19
MORO VAI DE ALAVANCA A BOLA DE FERRO DE BOLSONARO, por Josias de Souza, no UOL

Jair Bolsonaro chegou ao Planalto impulsionado pelas duas maiores forças eleitorais da sucessão de 2018: o lavajatismo e o antipetismo. Principal símbolo desses movimentos, Sergio Moro converteu-se numa alavanca que Bolsonaro não hesitou em utilizar. Agora, autoconvertido em delator do governo a que serviu como ministro da Justiça por um ano e quatro meses, o mesmo Sergio Moro tornou-se uma bola de ferro com potencial para afundar a Presidência de Bolsonaro.

A raiva que levou Bolsonaro a chamar Moro de Judas, pendurando-o num poste virtual para ser malhado nas redes sociais, é compatível com o medo que o presidente sente do seu ex-ministro. Moro reagiu ao ataque de Bolsonaro como a frieza de alguém que imagina estar jogando xadrez com uma ameba: "Há lealdades maiores do que as pessoais", escreveu no Twitter. Foi como se anotasse: "Não sou traidor, fui traído."

Interrogado pela Polícia Federal neste sábado, Moro produziu mais de oito horas de revelações e contextualizações. O deputado Eduardo Bolsonaro, filho Zero Três do alvo do depoente, vestiu a carapuça no Twitter: "Realmente é preciso muito tempo dando depoimentos a delegados amigos para ver se acham algo contra Bolsonaro. Moro não era ministro, era espião."

Se Moro tivesse trocado a 13ª Vara Federal de Curitiba por um seminário, teria espionado lições de teologia. Se tivesse migrado do epicentro da Lava Jato para um governo sério, não teria colecionado senão ordens republicanas de um presidente honrado.

Se o ex-juiz da Lava Jato decidiu deixar o governo batendo a porta e acusando Bolsonaro de tramar o aparelhamento político da Polícia Federal foi porque o seu ex-chefe forneceu material. Se o depoimento de Moro durou mais de oito horas é porque o material fornecido pelo capitão é farto e eloquente.

Na prática, a pretexto de acusar Bolsonaro, Moro termina por se autoincriminar. Ninguém convive impunemente com um governante desqualificado por 16 meses. O risco da desqualificação pessoal como que qualifica o depoimento de Moro.

Acometido pela síndrome do que está por vir, Bolsonaro reage à moda do PT. Em vez de se defender, acusa. Podendo construir a própria biografia, investe na destruição da imagem do acusador.

Intimado pela conjuntura a provar seu compromisso com a moralidade, Bolsonaro articula uma aliança com o anacronismo aético do centrão. Esse tipo de estratégia levou Dilma Rousseff ao impeachment e Lula à cadeia.
Miguel José Teixeira
03/05/2020 14:32
Senhores,

Responder "pergunta na praça" não ofende:

"Os Três Poderes são iguais e independentes, mas um é menos que outros?" (Coluna do CH abaixo replicada)

É que o "um" tem muitos caciques comandados por um capitão sem apito. . .

"Ê, ê, ê, ê, ê, índio quer apito
Se não der, pau vai comer (se não der, pau vai comer). . . "
José Antonio
03/05/2020 10:33
Herculano

Quer dizer que a Petezada tá tudo agarrado nas tetas do Bolsonaro, então amanhã serão mais 528 desempregados. Em tempo, tem um gasparense entre essa turma.
Herculano
03/05/2020 09:29
da série: um governo que não fez a lição de casa depois de eleito, merece...

PT TEM MAIS COMISSIONADO NO GOVERNO BOLSONARO DO QUE O CENTRÃO

Segundo levantamento do site Metrópoles, entre os comissionados do Estado e os servidores, o PT predomina entre os filiados políticos em serviço do governo federal.

O partido tem ao menos 528 comissionados na Esplanada dos Ministérios, o que equivale a 12,37% do total de funcionários da categoria.

Além disso, entre as 10 legendas com o maior número de comissionados, três são de esquerda e quatro do Centrão.

A segunda sigla com mais integrantes no governo é o MDB, com 500 comissionados filiados. Em seguida, está o PSDB, com 391 membros, e o PP, com 250.
Herculano
03/05/2020 09:25
BRASIL NÃO VAI TÃO MAL NO RANKING DO CORONAVÍRUS, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Dado o tamanho da população, país tem menos mortes que Europa, mas situação desanda

O Brasil não vai tão mal no ranking mundial da pandemia de coronavírus, embora faça força para subir na tabela do morticínio. O horror é grande, mas há piores, quando as comparações são feitas de modo mais preciso. Não se trata de menosprezar as já mais de 6 mil mortes, mas de pensar melhor o ritmo da epidemia e o que se pode fazer a respeito.

Quarenta dias depois da décima vítima da Covid-19, o Brasil contava 23,6 mortes por milhão de habitantes. EUA, 66,8. Alemanha: 63,5. Itália: 254. Reino Unido: 298. Espanha: 363. Coreia: 3,6 mortes por milhão. Japão: 1,3. A Europa inteira: 62,4.

Como é fácil perceber, a comparação pondera o número de mortes pelo tamanho da população. Considera também o número de mortes em estágios similares da epidemia: dias equivalentes depois da décima morte. Um país pode ter mais ou menos mortes apenas porque está no início ou em fase mais tardia do espalhamento da doença.

Este exercício é baseado em trabalho de Pedro Hallal, epidemiologista e reitor da Universidade Federal de Pelotas. Hallal também coordena o primeiro estudo brasileiro que tenta estimar a taxa real de infecção por coronavírus no Brasil, por testes em amostras da população. Duas rodadas da pesquisa já foram realizadas no Rio Grande do Sul. O estudo nacional começa na semana que vem.

Hallal vai publicar seu artigo na revista "Ciência e Saúde Coletiva". Quando terminou seu trabalho, contava com dados relevantes até 9 de abril. As contas feitas por este jornalista consideram as estatísticas publicadas até 1º de maio, sexta-feira passada.

O pesquisador prefere utilizar dados de mortes a fim de medir os avanços da epidemia, mesmo assim com ressalvas. O número oficial de casos confirmados, além de subestimar o alcance da doença, são díspares por diferenças internacionais de critérios de contagem.

O número de mortes também pode estar especialmente subestimado no Brasil? Chutemos que sim. Suponha-se que seja 40% maior _seria o caso se colocássemos todas as mortes por SRAG na conta da Covid-19 (SRAG: Síndrome Respiratória Aguda Grave). Ainda assim, o número relativo de mortes no Brasil seria inferior aos de Europa, EUA ou Canadá.

Na América Latina, a epidemia não está em fase tão avançada quanto no Brasil. No trigésimo dia, o número de mortes por milhão de habitantes era similar ao de México e Chile e metade do que se registrava no Peru. Mas era o triplo da taxa argentina e pouco mais que o dobro da colombiana.

"Os resultados brasileiros são consistentemente melhores do que os da maioria dos países europeus e consistentemente piores do que a maioria dos países asiáticos", afirma Hallal.

Foram relativamente melhores em especial pela adoção precoce do distanciamento social, afirma o pesquisador.

Ter um SUS também ajuda muito.

A evolução do número relativo de mortes no Brasil ainda foi mais lenta do que na Europa do 30º para o 40º dia da epidemia (o Brasil está hoje no 44º), similar à de França e Itália, bem melhor que no Reino Unido e bem pior que nos EUA, na Alemanha e na Espanha.

Nos últimos dez dias, o ritmo do número total de mortes parou de desacelerar, porém. O presidente da República sabota o distanciamento social e a política anti-Covid em geral. Brasileirices fúnebres, aquelas que nos fazem ter as mais altas taxas de morte no trânsito, por exemplo, parecem se expressar também na avacalhação do isolamento, que tem diminuído e é objeto de campanha de ignorância necrófila, vide as carreatas da morte.
Herculano
03/05/2020 09:18
EX-MINISTRO INTERFERIU NA LAVA JATO E NADA OCORREU, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A acusação do ex-ministro Sérgio Moro de tentativa de intervenção na Polícia Federal e na Lava Jato soou familiar para muitos dos atuais e ex-integrantes da força-tarefa da operação. Em 2015, ainda no governo Dilma, o então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo foi acusado de tentar interferir nas investigações da PF, que àquela altura tinham apenas um ano e meio, após uma viagem de madrugada, sem registro na agenda, com dois delegados: Leandro Daiello e Maurício Valeixo.

ENCONTRO MISTERIOSO

Daiello era diretor-geral da PF e Valeixo, diretor de Combate ao Crime Organizado. O trio encontrou com o superintendente da PF no Paraná.

OUTRA INTERFERÊNCIA

Em sua delação, o empreiteiro Marcelo Odebrecht disse que montou estratégia com Cardozo para melar e vazar a Lava Jato.

PROTEÇÃO ÀS CONTAS

Além da delação, a PF descobriu e-mail de Odebrecht que combina a estratégia via Cardozo, para esconder contas da corrupção na Suíça.

INTERVENÇÃO EXPLÍCITA

Em 2007, a intervenção na PF foi explícita e não gerou polêmica: Lula demitiu o diretor-geral porque "queira ser informado de ações".

MESMO EM CASA, PARLAMENTAR GASTA COM 'DIVULGAÇÃO'

As medidas de isolamento ou distanciamento social estão em pleno vapor e deputados e senadores estão em casa, participando de sessões de poucas votações só por videoconferência. Ainda assim, conseguiram torrar apenas no mês de março mais de R$ 840 mil do contribuinte para fazer a "divulgação da atividade parlamentar", despesa que fica incluída na cota de exercício de atividade parlamentar, o cotão. A conta ainda não fechou, mas a expectativa é ainda maior para o mês de abril.

PROPAGANDA PRóPRIA

Deputados federais gastaram nos três primeiros meses do ano mais de R$ 11,1 milhões apenas para fazer propaganda do próprio "trabalho".

CASA ALTA

No Senado, a conta é de R$ 454 mil em gastos para "divulgar a atividade parlamentar" dos senadores, que estão sob quarentena.

TOTAL COTÃO

No total, o "cotão parlamentar" já custou ao pagador de impostos mais de R$ 40,1 milhões, entre deputados e senadores, em 2020.

AINDA NO PALANQUE

Após admitir candidatura a presidente, em 2022, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta espalhou outdoors no Mato Grosso do Sul com vivas à sua passagem pelo Ministério da Saúde. Está em campanha.

'AI-5' ECONôMICO

Ao cogitar imprimir moeda para custear a luta contra o coronavírus, o ministro Paulo Guedes (Economia) flertou com o perigo. Ele estipulou condições bem específicas para que isso ocorra como inflação perto de zero e colapso dos juros, mas isso não importa para críticos do governo.

OUTRA PRIORIDADE

Enquanto o mundo se preocupa com o isolamento para frear a covid19, a Unicef começa a alertar e tentar orientar pais e responsáveis sobre como agir para preservar a saúde mental de crianças e adolescentes.

CARREATA GIGANTE

Apoiadores de Jair Bolsonaro realizam em Maceió, neste domingo (3), uma carreata que prometem ser "gigante", na bela orla da cidade. Como sempre, vai acabar em frente ao prédio onde mora Renan Calheiros.

SEM PERDÃO NA QUARENTENA

Shéridan (PSDB-RR) gastou R$62 mil no cotão parlamentar em março. Foi a parlamentar da Câmara que teve a maior despesa do tipo no mês e é o quinto maior gasto mensal da tucana com o cotão, desde 2015.

AMEAÇA É VÍRUS

Alegando "ameaça à democracia", o PSB foi ao STF contra a MP 954, que obriga telefônicas a informar a clientela ao IBGE, no combate ao coronavírus. A MP limita o uso dos dados à atual calamidade na saúde.

NEM A PF ESCAPA

QG da Lava Jato no Brasil, a PF de Curitiba reagiu com uma operação contra a ousadia criminosa da falsificação de álcool em gel comprado pela superintendência local para proteger a força-tarefa da Covid-19.

QUEM ESTÁ LUCRANDO

Enquanto a discussão sobre isolamento social nas redes sociais pega fogo, o mesmo celular usado para bater boca também serviu para aumentar o gasto em apps de delivery de comida em 226%, em março.

PERGUNTA NA PRAÇA

Os Três Poderes são iguais e independentes, mas um é menos que outros?
Herculano
03/05/2020 09:02
UM VÍRUS DERRUBA OS GIGANTES, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Estimada em US$ 87 trilhões em 2019, a economia global está sendo derrubada por seres microscópicos, num desastre pior do que a crise de 2008-2009

Um gigante de tamanho difícil de imaginar, a economia global, estimada em US$ 87 trilhões no ano passado, está sendo derrubado por seres microscópicos, os coronavírus, num desastre muito pior e mais doloroso que a crise financeira de 2008-2009. A extensão dos danos começa a aparecer nos maiores mercados, o americano, o chinês e o europeu, com os primeiros dados trimestrais de consumo, produção, investimento e emprego. O drama dessas potências afeta o Brasil pela redução do comércio internacional, já enfraquecido em 2019. Na melhor hipótese, as vendas de alimentos, componente mais importante das exportações brasileiras, serão menos prejudicadas que as de outros produtos.

Nos Estados Unidos, maior potência econômica, o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu à taxa anual de 4,8% no primeiro trimestre, segundo a primeira estimativa. Fechadas em casa, famílias cortaram os gastos de consumo, empresas diminuíram investimentos e as exportações caíram. Diante da emergência, governo central e governos locais aumentaram suas despesas, mas em proporção insuficiente para equilibrar o conjunto.

Em seis semanas 30,3 milhões de pessoas pediram auxílio-desemprego nos Estados Unidos. Antes da nova crise, a desocupação abrangia cerca de 3,4% da força de trabalho, como efeito de 113 meses consecutivos de criação de empregos. Ainda é difícil determinar a nova taxa de desemprego, porque pessoas desocupadas apenas temporariamente foram autorizadas a buscar o auxílio, mas a piora do quadro é inegável. No quarto trimestre do ano passado o PIB americano cresceu ao ritmo anual de 3,5%, na última etapa de um longo período de prosperidade, iniciado no primeiro mandato do presidente Barack Obama.

A segunda maior economia, a chinesa, sofreu no primeiro trimestre de 2020 a primeira contração em quase 30 anos, desde o início da publicação dos dados trimestrais do PIB, em 1992. Mesmo abalada, a economia da China ainda pode ter um desempenho invejável depois do impacto da covid-19. O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta para a China 1,2% de expansão econômica neste ano, enquanto estima contração de 3% para o produto global e de 6,1% para as economias avançadas. Mas, por enquanto, o balanço inicial da crise mostra grandes estragos.

No primeiro trimestre o PIB chinês foi 6,8% menor que o do período janeiro-março de 2019, segundo a Agência Nacional de Estatísticas. Em relação aos três meses finais do ano passado a queda foi de 9,8%. De acordo com o governo, o desempenho deve ser muito melhor a partir do segundo trimestre, mas economistas apontam muita insegurança quanto à reação do consumo familiar.

Com a reorganização estratégica iniciada há alguns anos, o consumo ganhou importância relativa no papel de motor da economia, tomando parte do espaço tradicionalmente ocupado pelo investimento em capacidade produtiva.

Maior parceira comercial do Brasil, a China é o destino principal das exportações do agronegócio brasileiro. A demanda chinesa tem grande importância para o superávit comercial e para a segurança das contas externas do Brasil. Os Estados Unidos, segundo maior importador de mercadorias brasileiras, têm relevância especial para as vendas de manufaturados. O terceiro maior parceiro individual, a Argentina, já estava em crise em 2019 e assim deve continuar neste ano.

Na zona do euro, também muito relevante para o comércio brasileiro, o PIB do primeiro trimestre foi 3,3% menor que o de um ano antes. Em relação aos três meses finais de 2019 a queda foi de 3,8%, a maior, nesse tipo de comparação, na série iniciada em 1995.

Segundo o FMI, o produto da zona do euro deve diminuir 7,5% neste ano. Para os Estados Unidos está projetada retração de 5,9%. Para o Brasil os cálculos indicam um PIB 5,3% menor que o de 2019. Mas o repique esperado para a economia brasileira, de 2,9% em 2021, é bem menor que o previsto para os países avançados (4,5%) e emergentes (6,6%). Falta resolver, no Brasil, um problema bem anterior à covid-19, o baixo potencial de crescimento.
Herculano
03/05/2020 08:57
TÁ TODO MUNDO DOIDO, OPA!, por Carlos Brickmann

O Governo brasileiro, que já havia notificado o Governo venezuelano da decisão de expulsar seus diplomatas, voltou à carga: determinou que os diplomatas se retirem imediatamente do Brasil, no meio da pandemia de coronavírus. Há voo Brasília - Caracas? O Itamaraty do chanceler Ernesto Araújo não está preocupado com isso. Se os venezuelanos não saírem, seja por qual motivo for, poderão ser tratados como imigrantes ilegais.

Por que? Aparentemente, porque Bolsonaro não gosta do regime imposto à Venezuela pelo presidente Nicolás Maduro. Este colunista também não tem a menor simpatia pelo regime que levou a Venezuela à má situação atual e que pode ser classificado como ditadura. Mas temos relações diplomáticas com a China, que não é mais democrática que a Venezuela; e com o Irã, que enforca homossexuais em praça pública por considerá-los criminosos; e com a Síria, em que o presidente Assad há anos massacra os oposicionistas. Mas a questão nem é esta: é saber o que o Brasil ganha expulsando diplomatas, e num momento de crise sanitária da qual não será possível protegê-los.

Proteger os diplomatas, mesmo de países inimigos, faz parte dos hábitos civilizados. Quando o Japão, sem declaração de guerra, bombardeou Pearl Harbor, os americanos devolveram seus diplomatas. O procurador-geral da República, Augusto Aras, recomendou que a expulsão seja suspensa. Talvez haja tempo para que um pouco de bom-senso areje os ares do Itamaraty.

SENSATEZ

O procurador-geral recomendou que a ordem de expulsão dos diplomatas venezuelanos seja suspensa até que se avaliem "eventuais riscos para seu cumprimento", fixando-se o prazo para a saída de acordo com o contexto da pandemia, a perspectiva humanitária, normas nacionais e internacionais".

PALAVRAS E FATOS

Bolsonaro disse que a política de isolamento social não funcionou, tanto que o Brasil já superou os índices da China. Bolsonaro não disse que o índice de contaminação e as mortes variam conforme a situação de 15 dias antes - o prazo para que um contaminado passe o vírus para outros e estes mostrem sintomas da doença. Enquanto a quarentena foi mantida com alta adesão, os índices caíram. Depois que o presidente passou a sassaricar em padarias e no meio da rua, o mau exemplo fez com que a quarentena perdesse força, elevando os índices de contaminação e morte.

Até o americano Donald Trump, ídolo mor de Bolsonaro & Filhos, fala mal do que ocorre por aqui.

FATOS E PALAVRAS

O presidente Bolsonaro também nada falou sobre a demora na aplicação de recursos federais contra a pandemia. Até abril, o Governo Federal gastou apenas 23,6% dos recursos previstos para este fim. A informação é oficial, do Ministério da Economia: foram previstos R$ 253 bilhões para combater a pandemia, mas até 30 de abril foram gastos R$ 59,9 bilhões. O restante ?" bem, como já disse o presidente, todos nós um dia vamos morrer.

OS FAVORITOS DA REPÚBLICA

Os trabalhadores do Porto de Santos estão arriscadíssimos a perder o emprego: acusam o Governo (que comanda o porto, e anuncia que o prepara para a privatização) de liquidar empregos, dando prioridade ao agronegócio. Só que São Paulo é o maior polo industrial do Brasil e há outros portos que podem atender melhor ao agronegócio. De qualquer forma, trocar produtos que utilizam contêineres por granéis e fertilizantes é só um dos objetivos da reforma: outro é abrir espaço para a Rumo, empresa ferroviária do grupo Ometto, sem que o grupo tenha necessidade de comprar terreno. Outra é permitir que produtos potencialmente perigosos - por exemplo, gás natural, comprimido até ocupar 1/10.000 do volume original - operem pertinho de Santos, uma grande cidade. Pode ocorrer um acidente? É torcer para que não.

O MESMO DONO

A propósito, a empresa que opera gás natural altamente comprimido pertence também ao grupo Ometto, o mesmo da ferroviária Rumo e de distribuição de combustíveis. Para que o terreno seja entregue bonitinho ao grupo, o Governo anuncia que não vai renovar a concessão, já aprovada em todos os escalões técnicos, de uma empresa de armazenamento alfandegado de contêineres, que gera dois mil empregos diretos e quatro mil indiretos.

HORA TUCANA

A Procuradoria-Geral da República denunciou o deputado federal Aécio Neves, do PSDB mineiro, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O então governador de Minas (que teria recebido, entre 2008 e 2011, R$ 65 milhões em propinas da empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez) foi eleito senador, e mais tarde perdeu a Presidência para Dilma Rousseff.

Aécio foi citado na delação premiada de Marcelo Odebrecht, o Príncipe dos Empreiteiros, que passou dois anos na prisão. Outra investigação sobre um ex-governador tucano, Geraldo Alckmin, foi arquivada - a Procuradoria concluiu que não havia motivo algum para denunciá-lo.
Herculano
03/05/2020 08:50
FIM DO MUNDO, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo

Brasil no epicentro da pandemia, Moro depondo, Bolsonaro e povo sem entender nada

O ex-chanceler alemão Helmut Schmidt, grande orador e um dos maiores estadistas do século 20, previu numa conferência do InterAction Council, fundação que reúne ex-chefes de Estado e de governo, em Xangai, em 1994, que o fim do mundo não seria por guerras e bombas, mas sim por uma doença desconhecida disseminada pelas migrações massivas. O Homo Sapiens surgiu de uma mutação genética e seria destruído por um vírus.

O relato é do ex-presidente José Sarney, que estava presente, ao lado de figuras lendárias como Henry Kissinger, Robert Mcnamara e o fundador de Cingapura, Lee Kuan Yew. Ao completar 90 anos, Sarney mantém íntegros a memória primorosa e o capricho ao contar histórias, uma característica dos maranhenses.

Quanto ao fim do próprio mundo não se sabe, e espera-se não saber tão cedo, mas a sensação é de fim do mundo no Brasil, que vai se transformando no novo epicentro da covid-19, com a economia e os empregos implodindo e uma crise política absurda. Em meio ao caos, o presidente da República e milhões de pessoas continuam sem entender nada.

As manchetes de sábado reproduziam a realidade. Estado: "Impeachment é a última opção", segundo o ministro do STF Luís Roberto Barroso; "Ninguém vai querer dar um golpe em cima de mim", declarava o presidente Jair Bolsonaro; "A incógnita Mourão nos bastidores do poder", informava a Coluna do Estadão. Globo: "Brasil vira um dos polos globais da covid-19". UOL: "Bolsonaro ameaça demitir ministro que não ceder cargos ao Centrão".

O ex-ministro Sérgio Moro detalhava à PF e ao MP suas acusações ao presidente. Local: justamente a Superintendência da PF em Curitiba, onde o ex-presidente Lula ficou preso por 580 dias, condenado por Moro e pelo TRF-4 no caso do triplex do Guarujá. Alvo do depoimento: Bolsonaro, pivô da ação que pede ao STF o impedimento do ex-juiz nos processos de Lula. Moro condenou Lula e pode condenar Bolsonaro. Alvo da esquerda lulista, é agora também da direita bolsonarista.

O destino de Bolsonaro está nas mãos e nas provas que Moro diz ter. O destino do governo depende institucionalmente do STF e do Congresso e, politicamente, dos militares e do Centrão. Tudo embrulhado nas milhares de mortes, a maior recessão da história, um oceano de empresários quebrados e trabalhadores desempregados e, portanto, um cenário social nada tranquilizador.

Alheio à realidade, o povo volta em massa às ruas e à sanha do coronavírus, que ganha a guerra sem esforço e adversários. Há os desesperados que se amontoam para dividir o vírus e a esperança de R$ 600,00. Os que enfrentam o vírus "como homens, não como moleques". E os perversos, que salvam a própria pele, mas não estão nem aí para a pele de pobres e trabalhadores.

É assim que o Brasil vai se destacando nas manchetes internacionais e até nas entrevistas de Donald Trump como a "bola da vez", mesmo com a China sob críticas, desconfianças e forte recessão, a Europa juntando os cacos, a África esperando bovinamente a sua vez e os próprios EUA atingindo 70 mil mortos e uma avalanche de desempregados jamais vista.

A imagem do Brasil vem sendo devastada por ataques à OMS, votos na ONU, o presidente contra o isolamento e pró atos golpistas, os textos alucinados do chanceler Ernesto Araújo. E o casal de bolsonaristas, com a bandeira nacional, atacando enfermeiros clamando pacificamente por melhores condições de trabalho e portando cruzes negras pela morte de colegas?

Em todos os países, homenagem e reverência ao pessoal da saúde, que arrisca (e perde) a própria vida para salvar vidas. Não na capital do Brasil. Aqui, até os enfermeiros são "comunistas", os vilões da história.
Herculano
03/05/2020 08:47
A FILA ÚNICA PARA A COVID-19 ESTÁ NA MESA, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Os barões da medicina privada mantiveram-se em virótico silêncio

O médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto defendeu a instituição de uma fila única para o atendimento de pacientes de Covid-19 em hospitais públicos e privados. Nas suas palavras: "Dói, mas tem que fazer. Porque se não brasileiros pobres vão morrer e brasileiros ricos vão se salvar. Não tem cabimento isso".

Ex-diretor da Agência de Vigilância Sanitária e ex-superintendente do hospital Sírio Libanês, Vecina tem autoridade para dizer o que disse. A fila única não é uma ideia só dele. Foi proposta no início de abril por grupos de estudo das universidades de São Paulo e Federal do Rio.

Na quarta-feira (29), o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Zasso Pigatto, enviou ao ministro Nelson Teich e aos secretários estaduais de Saúde sua Recomendação 26, para que assumam a coordenação "da alocação dos recursos assistenciais existentes, incluindo leitos hospitalares de propriedade de particulares, requisitando seu uso quando necessário, e regulando o acesso segundo as prioridades sanitárias de cada caso".

Por quê? Porque a rede privada tem 15.898 leitos de UTIs, com ociosidade de 50%, e a rede pública tem 14.876 e está a um passo do colapso.

O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (ex-diretor de uma Unimed) jamais tocou no assunto. Seu sucessor, Nelson Teich (cuja indicação para a pasta foi cabalada por agentes do baronato) também não. Depois da recomendação do conselho, quatro guildas da medicina privada saíram do silêncio, condenaram a ideia e apresentaram quatro propostas alternativas. Uma delas, a testagem da população, é risível e duas são dilatórias (a construção de hospitais de campanha e a publicação de editais para a contratação de leitos e serviços). A quarta vem a ser boa ideia: a revitalização de leitos públicos. Poderia ter sido oferecida em março.

Desde o início da epidemia os barões da medicina privada mantiveram-se em virótico silêncio. Eles viviam no mundo encantado da saúde de grife, contratando médicos renomados como se fossem jogadores de futebol, inaugurando hospitais com hotelarias estreladas e atendendo clientes de planos de saúde bilionários. Veio a Covid-19, e descobriram-se num país com 40 milhões de invisíveis e 12 milhões de desempregados.

Se o vírus tivesse sido enfrentado com a energia da Nova Zelândia, o silêncio teria sido eficaz. Como isso era impossível, acordaram no Brasil, com 90 mil infectados e mais de 6.000 mortos.

A Agência Nacional de Saúde ofereceu aos planos de saúde acesso ao recursos de um fundo se elas aceitassem atender (até julho) clientes inadimplentes. Nem pensar. Dos 780 planos só 9 aderiram.

O silêncio virótico provocou-lhes uma tosse com a recomendação do Conselho Nacional de Saúde. A fila única é um remédio com efeitos laterais tóxicos. Se a burocracia ficar encarregada de organizá-la, arrisca só ficar pronta em 2021. Ademais é discutível se uma pessoa que pagou caro pelo acesso a um hospital deve ficar atrás de alguém que não pagou. Na outra ponta dessa discussão, fica a frase de Vecina: "Brasileiros pobres vão morrer e brasileiros ricos vão se salvar". Os números da epidemia mostram que o baronato precisa sair da toca.

A Covid-19 jogou o sistema de saúde brasileiro na arapuca daquele navio cujo nome não deve ser pronunciado (com Leonardo DiCaprio estrelando o filme). O transatlântico tinha 2.200 passageiros, mas nos seus botes salva-vidas só cabiam 1.200 pessoas. 34% dos homens da primeira classe salvaram-se.
Na terceira classe, só 12%.

SE É DA VIDA SER ABATIDO PELO CORONAVÍRUS, TAMBÉM É A EMPRESA PEGAR O VÍRUS DA INSOLVÊNCIA

Com rede pública perto de colapso, hospitais particulares têm dificuldades financeiras por leitos ociosos

Um dia alguém vai estudar o Brasil de 2020 durante a pandemia.

Enquanto a rede pública de saúde dava sinais de colapso, o presidente da Federação Brasileira de Hospitais, guilda de 4.200 instituições privadas, informava que a ociosidade média dos leitos de UTIs de seus associados estava em 50%.

O diretor do Sírio Libanês, o hospital das celebridades (Lula, Dilma e companhia), explicava o efeito dessa ociosidade, provocada pela suspensão dos procedimentos eletivos para clientes de planos de saúde dos abonados:

"Todos os nossos hospitais nesse momento que estão com ocupação baixa têm custos fixos que têm que ser pagos. Essas empresas vão ficar numa situação econômica difícil. Já neste mês há instituições com dificuldade de pagar a folha de pagamento. Outros vão aguentar de dois a três meses. Mas se essa situação persistir por muito tempo, vão ter problema de solvência."

Se esse darwinismo econômico é irredutível, vale o que disse o doutor Paulo Guedes: "É da vida ser abatido, é do mercado. Uma economia de mercado de vez em quando é atingida".

Quem acha que é da vida ser abatido pelo coronavírus, deve entender que também é da vida que sua empresa pegue o vírus da insolvência.

MADAME NATASHA

Natasha adora as entrevistas do ministro Nelson Teich. Suas platitudes permitem que ela tire sonecas vespertinas. Por acaso ela ainda não tinha adormecido quando o doutor disse o seguinte:

"O que tem que ficar claro é que é um número que vem crescendo".

Naquele dia haviam morrido 473 pessoas. (Durante todo o ano em que combateu o Exército alemão na Itália, a Força Expedicionária Brasileira perdeu 474 pracinhas.)

Como o ministro havia visto sinais de que a epidemia estava contida, deveria ter dito o seguinte:
"Ficou claro para mim que o número vem crescendo".

Na mesma entrevista o ministro apontou para o fato de que o aumento das mortes estava restrito a alguns estados, como São Paulo, Rio e Amazonas.

Em agosto de 1945, os militares japoneses aloprados diziam em Tóquio que havia um problema restrito às cidades de Hiroshima e Nagasaki.


CHAVISMOS

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-líder do governo de Jair Bolsonaro no Congresso, disse à repórter Julia Chaib que o Brasil corre o risco de cair "num chavismo de verdade, com sinal trocado".

Em 2018, durante a campanha eleitoral, o general Hamilton Mourão, que foi adido militar na Venezuela, explicou a essência do poder chavista:

"Existe uma corrupção muito grande nas Forças Armadas venezuelanas. Elas perderam a mão em relação à missão que têm no país."

VARGAS TENTOU

Quando o ministro Alexandre de Moraes bloqueou a nomeação de um delegado amigo da família Bolsonaro para a direção da Polícia Federal, mostrou que o bom funcionamento das instituições acaba protegendo os presidentes.

Na manhã de 29 de outubro de 1945, Getúlio Vargas decidiu nomear seu irmão Benjamin para a Chefatura de Polícia do Rio, um dos cargos mais importantes da República.

À noite, estava deposto.

EREMILDO, O IDIOTA

Eremildo é um idiota e garante:

Essa epidemia é uma gripezinha, o programa Pró-Brasil era apenas um estudo e o amigo inglês de Paulo Guedes está pronto para oferecer 40 milhões de testes para o coronavírus.
Herculano
03/05/2020 08:19
OS POLÍTICOS

no twitter @olhandoamare, escrevi no dia 25 de abril

Sinceramente?
Brasília é um puteiro
A política uma putaria
Os políticos cafetões e gigolôs
Moro sabia disso tudo [era o homem da Lava Jato], e foi para o baile de putas vestido de freira.
Bolsonaro resolveu passar a mão na bunda e Moro, o pudico, decidiu cortar o clima.
Só isso.
A música da zona vai continuar

AGORA COMPARE

Veja o que escreveu ontem à noite no twitter, Guga Noblat ao ouvir a entrevista de Ciro Gomes, PDT, a Natuza Nery, na Globo News:

Ciro Gomes na Globo News: " Moro passou um ano e quatro meses na luz difusa do abajur lilás, e só depois percebeu que estava cercado de prostitutas." Sem mais!
Herculano
03/05/2020 08:10
da série: as especulações dos especialistas antes de se ter acesso ao depoimento do inquérito.

EX-MINISTRO DO STF DIZ QUE BOLSONARO CONFIRMOU ACUSAÇõES DE MORO

Conteúdo de O Antagonista. O ex-ministro do STF Francisco Rezek disse à CNN Brasil que o depoimento de Sergio Moro na sede da PF em Curitiba é desnecessário já que o próprio presidente Jair Bolsonaro confirmou as acusações do ex-ministro da Justiça.

"Tudo aquilo que o ex-ministro Moro disse naquela manhã em que se demitiu do governo, foi prodigiosamente confirmado pela voz do próprio presidente da República naquele encontro no Palácio do Planalto, em que ele, tendo todo seu ministério ao lado, disse exatamente o que o Moro havia dito de manhã", afirmou.

"O presidente disse que queria interagir com o diretor-geral da Polícia Federal. Ele queria ter na direção geral da PF alguém a quem ele telefonasse, alguém a quem ele pedisse relatórios de inteligência."
Herculano
03/05/2020 08:06
MORO CONCLUI DEPOIMENTO APóS FICAR MAIS DE 8H EM PRÉDIO DA PF DE CURITIBA

Ex-juiz foi ouvido no local em meio a protestos e tensão entre grupos contra e a seu favor

Conteúdo deo jornal Folha de S. Paulo. Texto de Katna Baran, de Curitiba e da redação da sucursal de Brasília. O ex-ministro Sergio Moro concluiu seu depoimento no prédio da Polícia Federal em Curitiba na noite deste sábado (2), após ficar mais de oito horas no local. Ele foi ouvido no inquérito que apura as acusações que fez ao sair do governo Jair Bolsonaro.

Durante a manhã, a entrada do prédio da PF virou palco de protestos, com grupos em apoio ao ex-juiz da Lava Jato e outros a favor de Bolsonaro.

O ex-ministro chegou ao local por volta das 13h15, mas entrou pelos fundos, frustrando a expectativa de manifestantes. O depoimento começou por volta das 14h e acabou perto das 22h.

À noite, foram pedidas pizzas no prédio da PF para servir as equipes. Moro acabou saindo do edifício apenas por volta da 0h20 de domingo (3), sem falar com a imprensa.

Além de reiterar as acusações feitas ao sair do governo, Moro disse que apresentaria novas provas do que havia afirmado sobre a tentativa de ingerência de Bolsonaro na Polícia Federal. O presidente, disse ele ao pedir demissão, queria a troca de comando para ter acesso a investigações em andamento.

Diante disso, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu a abertura de um inquérito para apurar o caso, o que foi aceito pelo STF.

O depoimento de Moro à PF foi marcado para este sábado após o ministro Celso de Mello dar cinco dias de prazo para a corporação ouvi-lo.

Nos últimos dias, Bolsonaro tentou nomear Alexandre Ramagem, amigo de sua família, para a direção-geral da PF, no lugar de Maurício Valeixo. A posse, porém, foi barrada por decisão do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, que citou as acusações feitas por Moro ao sair do governo. Há diversas investigações da PF de interesse de aliados e dos filhos do presidente.

Neste sábado, por volta das 18h45, a maioria dos manifestantes que cercavam a área da PF em Curitiba saiu. Um pouco mais cedo, um grupo pró-Bolsonaro queimou camisetas com as imagens de Moro. Eles cercaram o ato com bandeiras do Brasil, impedindo a imprensa de filmar ou fotografar. Do carro de som, uma mulher anunciou o fim da "República de Curitiba" e o início do "Império de Curitiba".

Desde a manhã, com alguns momentos de tensão entre os dois grupos e ataques contra a imprensa, cerca de 50 manifestantes se aglomeraram diante do prédio da PF, que também já abrigou a vigília em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto ele estava preso.

Moro foi prestar depoimento ao lado do advogado Rodrigo Sanchez Rios, que também defendeu alguns presos pela Lava Jato. Entre eles, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, além de ter trabalhado no escritório que defendeu Marcelo Odebrecht.

A ligação foi ironizada por dois filhos do presidente Jair Bolsonaro em publicações em redes sociais.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) escreveu "ué..." ao compartilhar publicação que dizia: "O advogado do Sergio Mentiroso é o mesmo advogado da Odebrecht". O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) também distribuiu a mesma mensagem, com o comentário "Sem novidades!".

Diante da PF de Curitiba, de um carro de som os militantes pró-governo, mais numerosos, cantavam o hino nacional e gritavam palavras de ordem contra Moro, chamado na maior parte do tempo de traidor. "Não fomos nós, foi você que sujou sua biografia", discursou Marisa Lobo, uma das manifestantes.

Abordados pela reportagem da Folha, eles não quiseram dar entrevistas. Havia idosos e crianças entre os militantes, que na maioria carregava bandeiras do Brasil e usava camisetas pró-Bolsonaro. Alguns estavam sem máscara, equipamento de proteção obrigatório no Paraná para conter o novo coronavírus.

De outro lado, apoiadores da operação Lava Jato tentaram contrapor o discurso majoritário. "Vendiam camisetas do Moro, sobreviviam com a Lava Jato. E foram capazes de ir pra rua queimar a camiseta. Não têm mais moral essas pessoas", criticou a empresária Simone de Araújo. Menos de dez pessoas integravam o grupo que usava camisetas e carregava faixas a favor da Lava Jato.

Simone conta que já fez parte do Acampamento Lava Jato, grupo que agora mudou de nome para apoiar Bolsonaro. "Infelizmente a gente caiu na armadilha de novo. Se não fosse Moro, Bolsonaro não estaria na Presidência, o Lula estaria. Isso os bolsonarianos não reconhecem", diz a empresária.

Até mesmo um apoiador de Lula queria acompanhar a chegada de Moro à PF. "É a oportunidade de ver ele depor e prestar esclarecimentos ao país, não só em relação a esse episódio da saída do ministério. A divulgação o áudio da presidente Dilma com o Lula foi o estopim de tudo que a gente tá vivendo", afirma Álvaro Faria, servidor público do estado.

Com uma camiseta com o rosto de ex-presidente, ele foi hostilizado pelos demais manifestantes e acabou deixando o local.

A imprensa também foi atacada. Um dos manifestantes empurrou a câmera do cinegrafista da RIC, afiliada da rede a Record no Paraná, e iniciou uma confusão. Com um bandeira do Brasil, ele gritava palavras de ordem contra a Rede Globo. Ele foi contido por policiais e deixou o local.

Depois do episódio, a polícia resolveu separar o espaço em frente ao prédio da PF. De um lado, estão os apoiadores de Moro. De outro, de Bolsonaro. O espaço central ficou com a imprensa.
Miguel José Teixeira
02/05/2020 22:32
Senhores,

"Não se faz Copa do Mundo com hospitais, e sim com estádios"

Essa frase foi pronunciada por Um "craque", durante a polêmica sobre o Brasil construir estádios de futebol para receber a a Copa do Mundo em sorteio susPeiTo.

Agora com a pandemia, estádios de futebol estão sendo transformados em hospitais. . .

Assinale quem pronunciou tal disParaTe:

1) o pelha;
2) o fenômeno;
3) o ronaldo nazário; ou
4) todas as afirmações acima estão corretas?
Herculano
02/05/2020 17:27
da série: falta de transparência em algo tão simples. Ou é mais uma mentira?

JUSTIÇA SUSPENDE ORDEM PARA BOLSONARO APRESENTAR LAUDOS DE EXAMES NESTE SÁBADO

Conteúdo de O Antagonista. O TRF-3 suspendeu a ordem que obrigava a AGU a entregar neste sábado os laudos dos exames feitos pelo presidente para identificar a infecção ou não pelo novo coronavírus.

Ao atender um recurso da AGU, a desembargadora Mônica Nobre deu um prazo de mais cinco dias para que o caso seja analisado e ocorra uma definição sobre a entrega ou não dos resultados.

A desembargadora decidiu aumentar o prazo para que o relator do caso na segunda instância analise os argumentos da União.

Segundo a desembargadora, "a dilação do prazo, ao mesmo tempo em que evita a irreversibilidade da medida sem que se dê a análise pelo magistrado competente, também não acarreta prejuízos irreparáveis ao recorrido, até mesmo diante do fato de que se trata de ação ajuizada em 27 de março de 2020".

Bolsonaro já disse que o resultado dos exames deu negativo, mas se recusou até hoje a divulgar os laudos.
Herculano
02/05/2020 16:59
NÃO TEM JEITO. A VIDAL FLAVIO DIAS, NO BELCHIOR BAIXO, EM GASPAR, ESTÁ SEM CARRO PIPA HÁ 15 DIAS. VIRÁ Só PERTO DAS ELEIÇõES

"Estamos rezando para chover", diz uma mensagem indignada e desesperada de um morador da rua Vidal Flávio Dias, no Belchior Baixo, em Gaspar.

É que há 15 dias, o carro-pipa que deveria passar por lá, no mínimo duas vezes por dia, não faz mais esse itinerário.

Depois de falarem por dias com a Superintendência do Distrito do Belchior, governada pelo PSDB, os moradores de lá descobriram que o contrato que a prefeitura mantinha com um terceiro para se fazer este serviço, foi encerrado.

Agora, depois de pressão, só na terça-feira, depois da chuva prevista para esta segunda e terça-feira é que, possivelmente, a prefeitura e a superintendência vão montar uma nova solução.

Ela, de verdade, só virá às vésperas da eleição. É sempre assim. A Vidal Flávio Dias já deveria estar asfaltada, e com a ajuda dos empresários que transformaram a região num distrito logístico em função dessa promessa. O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, depois de prometê-la, esperou os empresários investirem lá e mudou a prioridade. Nem mais, nem menos. Acorda, Gaspar!
Herculano
02/05/2020 16:07
da série: corporativismo da elite do oficialato dos bombeiros militares de Santa Catarina diante de fatos que realçaram a realidade.

ASSOCIAÇÃO DE OFICIAIS CRITICA POSSÍVEL CONDENAÇÃO ANTECIPADA DE EX-SECRETÁRIO DA SAÚDE

Segue a posição da ACORS sobre o pedido de Exoneração do Secretário de Estado da Saúde:

"Acostumados a atuar de forma séria e organizada, nós, Militares Estaduais, nos deparamos nos últimos dias com reportagens que questionam "compras irregulares", "problemas de comunicação", "falta de apoio político", "falta de diálogo com outros poderes", relacionadas ao Governo do Estado.

Como Militares, em geral, não dedicamos o expediente à esfera política, onde não raro as práticas se diferem daquelas rigorosas da caserna. Até a eleição de um Coronel da Reserva para o Governo do Estado, o mais comum era interagir politicamente apenas na defesa de direitos e de mudanças legislativas relacionadas diretamente à Segurança Pública.

Com a eleição do Governador Moisés, no entanto, muitos Militares Estaduais, Oficiais e Praças, conquistaram funções de destaque no Executivo, não como um benefício, mas em reconhecimento ao poder de gestão que detemos, em situações regulares e em momentos de crise. Neste tempo, inúmeros atos do Governador impactaram a política e a estrutura administrativa catarinense. E assim como as ações do Governo dizem respeito ao povo catarinense, seus efeitos também devem ser cobrados por toda a sociedade.

Para nós, Militares Estaduais, assim como os parlamentares, comerciantes, servidores públicos, agricultores, autônomos, empresários, não é diferente. Também temos o dever de cobrar do Governo do Estado resultados efetivos no crescimento e fortalecimento de Santa Catarina. Mas a discussão "político-partidária", em especial quando abrange "luta por poder", não é parte da nossa luta associativa.

Cumprimos nosso mister de forma ética e organizada, não admitimos irregularidades nem desonra à nossa classe de Militares, mas também não compactuamos com condenações precipitadas. As últimas notícias mencionando aquisições superfaturadas de equipamentos por parte da Secretaria de Estado da Saúde, pasta ocupada pelo Coronel BM Helton de Souza Zeferino, devem ser apuradas com todo o rigor, porém, não devemos condenar ninguém até que os processos administrativo e judicial sejam concluídos.

Em sua gestão como Secretário, o Cel BM Helton trouxe melhorias financeiras, administrativas e operacionais à pasta da Saúde, e não seria correto condená-lo por antecipação, em especial quando seu pedido de exoneração do cargo de Secretário não impede que as investigações prossigam e esclareçam a verdade. A ACORS é e sempre será a favor da verdade, da ética e das boas práticas, e exerce seu ofício de defender os Oficiais associados, os Militares Estaduais e as Corporações em situações de vulnerabilidade, enquanto aguardamos que a verdade venha à tona.
Herculano
02/05/2020 16:02
ZEFERINO É A CABEÇA NA BANDEJA, por Roberto Azevedo, no Makingof

Era necessário e inevitável que o responsável pela nevrálgica pasta da Saúde tomasse a atitude diante da repercussão da compra de 200 respiradores e o pagamento antecipado de R$ 33 milhões sem que o material, adquirido com a intermediação da Veigamed, empresa sediada no Rio de Janeiro, sequer tenha chegado a Santa Catarina.

Pressionado pelo governador Carlos Moisés, pela Assembleia, por toda a investigação que será feita em torno do fato por Ministério Público, Polícia Civil, Tribunal de Contas, Judiciário e uma CPI no Legislativo, o médico e coronel do Corpo de Bombeiros Helton Zeferino, no cargo há um ano e quatro meses, resolveu praticar o gesto: pôs a cabeça na bandeja.

A resposta vem pelo menos 72 horas antes dos deputados estaduais, que, por unanimidade aprovaram a Comissão Parlamentar de Inquérito, oficializarem o pedido a Moisés para afastar Zeferino, a quem recai toda a responsabilidade sobre o que ocorre na Saúde, neste momento de combate ao Coronavírus, tendo ele ou não participação direta no que se suspeita ser um ato de corrupção.

REVANCHE

O governo do Estado emitiu uma nota lacônica depois das 23h do dia 30 de abril, quinta-feira, para anunciar que Zeferino havia pedido demissão, uma semântica que lembra o desembarque do também chamuscado Carlos Hassler (Infraestrutura e Mobilidade), sem que, no caso houvesse uma denúncia, mas sim um problema de relacionamento.

O traço comum entre Zeferino e Hassler, um oficial bombeiro militar e outro coronel do Exército, está no fato de baterem de frente com a Assembleia, que, há tempos, mirava no titular da Saúde por se recusar a receber parlamentares ou prefeitos e vereadores encaminhados pelos mesmos. A "nova política" não fez bem a ambos, os deputados ganharam a sua revanche.

EVIDENTE

Quem assistiu à última coletiva de imprensa, na quinta (30), onde foi apresentado o boletim sobre o número de casos e de mortes provocados pela Covid-19 no Estado, notou um Moisés, que está com imagem pública bastante abalada, visivelmente desconfortável com os últimos acontecimentos que envolvem a compra dos respiradores e o fato de ter chamado Zeferino para se manifestar, sem o tradicional "secretário" ou o "senhor" antes do nome, tascou um "tú".

Nos bastidores, Moisés transparecia irritação pelo episódio, e não só responsabilizava Zeferino pelo desastre na compra junto à Veigamed, cobrou ostensivamente pela demora na entrega, promoveu sindicâncias na Saúde e pediu a abertura de uma investigação criminal junto ao secretário Paulo Koerich (delegado-geral da PC e presidente do Colegiado Superior de Segurança Pública). Detalhe: a quase lacônica nota oficial do governo sobre a exoneração fala em pedido no final da tarde, portanto Zeferino já foi para a coletiva como demissionário.

OUTRO EPISóDIO

O desgaste de Zeferino era notório quando estourou a dispensa de licitação para a instalação do Hospital de Campanha em Itajaí, embora o processo tenha sido conduzido pela Defesa Civil.

O ruído interno no governo, que envolveu inclusive amigos do secretário Douglas Borba (chefe da Casa Civil), assessores jurídicos do Hospital Psiquiátrico Espírita Mahtman Ghandi, de São Paulo, apontava na direção de Zeferino, com o reforço da cobrança feito pela Assembleia, que o chamou duas vezes para prestar esclarecimentos.

NÃO DÁ PARA ESQUECER

Os lamentáveis eventos que culminaram com a saída de Helton Zeferino não devem fazer esquecer de sua política correta de saneamento da dívida da pasta, que chegou a ser de R$ 750 milhões e está em vias de ser paga, bem como no combate do Coronavírus.

Os resultados do isolamento social, defendido por Zeferino e equipe, refletem-se no achatamento da perigosa curva de casos e na baixa ocupação de leitos de UTI, mesmo que o governo do Estado mantenha a necessidade de cuidados e admita que o pior ainda não chegou.

OPORTUNIDADE

Está madura a possibilidade de Moisés mexer no secretariado e tirar outras peças que lhe trouxeram problemas recentemente, até porque precisa melhorar, urgentemente, a interlocução com a Assembleia.

Só não faz se não quiser ou ficar, perigosamente, à espera de outra crise, se considerarmos que há algumas não debeladas, varridas para debaixo do tapete, que mais parece corcova de camelo, pois mais denúncias virão, inclusive de pedido de propina na compra dos respiradores.

REPERCUSSÃO

O deputado Marcos Vieira (PSDB), que tem sido uma das vozes mais contundentes nas críticas ao governador Carlos Moisés, emitiu nota na condição de presidente da Comissão Especial da Assembleia,

Aproveita para capitalizar a ação da comissão como responsável pelo desfecho da saída de Zeferino. Leia a nota na íntegra:

"Nota Oficial

A Comissão Especial da Assembleia Legislativa para fiscalizar as ações de combate à pandemia do coronavírus - Covid-19 em Santa Catarina, diante da confirmação do pedido de exoneração do Sr. secretário de Estado da Saúde, Helton Zeferino, recebido e aceito pelo governador Carlos Moisés da Silva na noite desta quinta-feira (30/04/2020), vem através desta nota oficial reforçar que a medida é uma resposta às ações que começaram com o trabalho desta Comissão Especial, identificando irregularidades no contrato de compra de respiradores pulmonares por parte do governo. Foi o detalhamento feito pela comissão que permitiu perceber os graves erros do processo, entre eles, o pagamento antecipado do produto, bem como a autorização do empenho e de liquidação do valor de R$ 33 milhões de forma irregular, burlando as normas que regem o bom andamento das compras feitas por órgãos públicos.
Também foi a comissão que aprovou, por unanimidade, requerimento solicitando ao governador Carlos Moisés o imediato afastamento das funções do Sr. Helton Zeferino, a fim de permitir a plena investigação dos fatos ocorridos. Pleito que também ganhou apoio unânime do plenário da Assembleia Legislativa, e agora é atendido através do aceite do governador do pedido de exoneração do secretário de Estado da Saúde.
Findada esta etapa, a Comissão Especial seguirá com seu trabalho de fiscalização das ações governamentais no combate à pandemia, cumprindo com sua função republicana de zelar pelo dinheiro que é de todos os catarinenses.

Deputado Marcos Vieira
Presidente da Comissão Especial"

SOBREPOSIÇÃO, NÃO!

Autor do requerimento aprovado por unanimidade que levou à criação da CPI dos Respiradores, o deputado Ivan Naatz (PL) não acredita que seja um problema que, além do Legislativo, o próprio Executivo com sindicâncias administrativas, a Polícia Civil, o Tribunal de Contas e o Ministério Público Estadual, e uma ação que corre no Judiciário, investiguem a suposta fraude na compra de respiradores pelo governo do Estado.

Para o parlamentar, o papel do parlamento será abrir o grande debate com a sociedade, trazer o elemento político para a discussão sobre a compra com os demais elementos que serão coletados pelos demais organismos estatais envolvidos.

Antes disso, Naatz já comemora, o fato de a base do governo não ter agido contra a criação da comissão, embora os apoiadores do governador Carlos Moisés tenham, durante a discussão da proposta, buscado que o assunto ficasse na Comissão Especial que já avalia os gastos com o combate ao Coronavírus.

FICA COMO ESTÁ

O governador Carlos Moisés manteve as restrições a eventos e ao transporte coletivo, intermunicipal e interestadual de ônibus, um dos pontos mais cruciais para a manutenção do isolamento social.

Frustrou parte da sociedade, que não tem transporte próprio ou dinheiro para andar de táxi ou veículos por aplicativos, mas principalmente empresários que reclamam estarem com gastos maiores por ter que transportar seus funcionários ou veem um movimento menor pela falta de ônibus nas maiores cidades.

É LóGICO

O que o governo defende é o resultado até agora de garantir o avanço menor do Coronavírus sem a complexa definição de como funcionará o transporte coletivo, que consiste em um ambiente fechado e terá que preservar os passageiros uns longe dos outros.

Emparedado pela pressão política e sem se explicar suficientemente sobre a compra dos respiradores, Moisés pode flexibilizar antes do fim de maio.

E EM SÃO PAULO, PODE?

A Folha de S.Paulo publicou reportagem onde trata de uma investigação do Ministério Público paulista sobre a compra, sem licitação, autorizada pelo governador João Doria Júnior, de 3 mil respiradores, no espantoso valor de mais de R$ 550 milhões.

A aquisição de equoipamentos chineses foi intermediada por uma empresaa de origem britânica, com sócios brasileiros e escritório no Rio de Janeiro, a Hichens Harrison & Co, mas a diferença, pelo menos até agora com a operação catarinense, é a de que não se tratou do pagamento antecipado, mas o custo médio por equipamento foi de R$ 180 mil, maior do que os R$ 165 mil cobrados pela Veigamed, que agora jura que entrega o que vendeu.
Herculano
02/05/2020 15:47
A CHINA EM PÁGINA INTEIRA, por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo, no jornal Folha de S. Paulo

Operação geopolítica da China na pandemia terá implicações de longo prazo

Na aurora de 7 de fevereiro, o nome de Li Wenliang surgiu numa inscrição imensa, desenhada na neve, à margem de um rio chinês.

Três meses e uma pandemia depois, em 29 de abril, a página A5 da Folha foi inteiramente ocupada por um informe publicitário que canta as glórias da China. As duas imagens contam uma história - ou melhor, a inversão de uma história. A operação terá implicações geopolíticas de longo prazo.

O médico Li Wenliang, um dos primeiros a soar o alarme da nova doença, foi calado pelo Estado, contraiu o coronavírus e morreu. A notícia correu nas redes sociais, convertendo-o em herói popular: o símbolo da perversidade do regime.

A página publicitária na Folha traz a voz de Xi Jinping, dublada por um "especialista" brasileiro, um diplomata chinês e o médico-burocrata responsável pela medicina tradicional chinesa. É o segundo funeral de Li Wenliang: o panegírico da "eficiência" sanitária do sistema totalitário.

O primeiro pilar da "guerra da informação" deflagrada por Xi Jinping é a manipulação das estatísticas de óbitos. Segundo os números oficiais, a China encerra sua epidemia com 4.600 mortos, 13 vezes menos que os EUA, onde o vírus continua a ceifar 2.000 vidas por dia.

Deborah Birx, a chefe da força-tarefa dos EUA para a Covid, classificou a contabilidade chinesa como "irreal". A palavra quase apareceu num relatório da Comissão Europeia, mas foi suprimida por temor à represália do principal fornecedor de respiradores, máscaras e EPIs.

O segundo pilar é a campanha de "filantropia sanitária", pela transferência gratuita desses equipamentos e materiais a países em desenvolvimento. Nessa frente, o governo chinês divide o trabalho com Jack Ma, fundador do Alibaba, a "Amazon do Oriente". A iniciativa faz parte de um projeto muito mais ambicioso, a "rota da seda sanitária", que almeja converter a China em ator global no setor multibilionário da indústria farmacêutica.

O surto do ebola na África Ocidental, em 2014, foi o palco da aventura pioneira chinesa na política sanitária internacional. Na ocasião, a China cooperou com os EUA, cumprindo papel coadjuvante. Já na "rota da seda sanitária", ela opera unilateralmente, projetando influência no Sudeste Asiático, na Ásia Central e na África.

A escolha do etíope Tedros Adhanom para a chefia da OMS, em 2017, alavancada por um lobby chinês, converteu a organização em trampolim para a diplomacia sanitária de Xi Jinping na África, que utiliza a Etiópia como cabeça de ponte.

O FMI estima violentas quedas do PIB anual nos EUA (-5,9%), na Zona do Euro (-7,5%), no Reino Unido (-6,5%) e no Japão (-5,2%), mas discreto crescimento na China (1,2%). A crise do coronavírus acelera as tendências prévias de deslocamento do eixo econômico global. Mas o triunfo geopolítico chinês, apoiado na falsificação da história, deriva essencialmente dos fracassos ocidentais.

Os EUA praticaram o esporte primitivo do negacionismo, retrocederam para o isolacionismo e, no fim, renunciaram a disputar influência com a China na OMS. Trump tenta, pateticamente, livrar-se da responsabilidade pela negligência, atribuindo a pilha de 65 mil cadáveres ao "inimigo estrangeiro" (o "vírus chinês") e disseminando teorias conspiratórias (o "vírus de laboratório"), enquanto faz da emergência sanitária um pretexto para radicalizar a xenofobia.

Do outro lado do Atlântico, a União Europeia fechou descoordenadamente suas fronteiras internas e reativa a tensão entre Alemanha e o trio França/Itália/Espanha em torno das estratégias de resgate da economia.

"Para a China, tudo serve a uma utilidade política; um número nada significa para eles", explica Ai Weiwei, o célebre artista dissidente chinês, referindo-se à macabra piada estatística. A China da página A5 soterra a China da inscrição na neve fofa. Ao mentiroso, as batatas.
Herculano
02/05/2020 15:41
TRANSAÇõES TENEBROSAS, por Adriana Fernandes, no jornal Estado de S. Paulo

Não há tempo para esperar acomodações de interesses políticos diversos para aprovar a ajuda financeira aos Estados e municípios

A pandemia da covid-19 mudou a noção de tempo e urgência. Não há tempo para esperar acomodações de interesses políticos diversos para aprovar a ajuda financeira aos Estados e municípios, enquanto a população brasileira assiste atônita a matemática da morte com o avanço da doença.

Já se passaram 19 dias da aprovação do projeto na Câmara. O texto está no Senado, com votação prevista para este sábado. Mas nada garante a sua aprovação. Pelo contrário. O projeto modificado terá que retornar para a Câmara para nova votação e o mais provável é que nem mesmo ocorra na próxima semana.

O acordo fechado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, diretamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para o repasse de R$ 60 bilhões está provocando brigas justamente pela regra de divisão dos recursos. Os senadores dos Estados mais prejudicados estão se sentindo traídos.

Para ter domínio do projeto e coordenar a articulação do apoio ao texto que irá à votação, o próprio presidente do Senado assumiu a relatoria. O parecer foi divulgado com explicações detalhadas acompanhado de um arquivo em PowerPoint de fazer inveja (isso não é ironia) aos idealizadores do polêmico programa Pró-Brasil.

Faltou Alcolumbre, porém, mostrar a tabela principal. A que compara o valor a receber pelos Estados e municípios entre o texto do Senado e a proposta da Câmara, motivo de rompimento entre Paulo Guedes e o presidente Rodrigo Maia.

Acontece que diversas tabelas preparadas por assessores econômicos dos parlamentares, entre elas, a do relator do projeto na Câmara, deputado Pedro Paulo, começaram a circular mostrando que o Amapá, o Estado do presidente do Senado, ocupa o segundo lugar no topo do ranking que mostra a divisão dos recursos quando comparado com o número de habitantes. Atrás apenas de Roraima.

Os Estados onde a pandemia é mais grave, e que deveriam receber a maior parte do dinheiro, não vão receber o bolo maior. Se não bastasse o clima ruim com a divisão dos R$ 60 bilhões prometidos por Guedes em quatro meses, a subsecretária do Tesouro, Pricilla Maria Santana, em videoconferência assistida pelo repórter Daniel Weterman, do Broadcast, revelou que foi feita uma divisão de rateio que nem o Tesouro conhecia por "critérios políticos".

Como assim? O governo fechou um acordo em que a secretária responsável pela relação do Tesouro com os governos regionais não podia se meter porque o assunto era político.

O desgaste tem sido grande. Lideranças do Senado já avisaram que o valor do socorro pode subir para R$ 80 bilhões para acomodar as reclamações. Quem perde muito está reagindo. A começar por São Paulo, epicentro da pandemia no Brasil.

O senador paulista José Serra é o mais indignado. O tucano apresentou uma proposta para preservar o objetivo do projeto que veio da Câmara. Na justificativa, ele diz que a nova proposta estabelece critérios pouco transparentes, beneficiando mais os municípios pouco afetados pela queda da arrecadação tributária.

À coluna, o economista José Roberto Afonso, especialista em contas públicas e assuntos federativos do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), afirma que proposta do Senado é uma irresponsabilidade porque aposta na divisão regional e ignora os critérios técnicos que pautam tributação, orçamento e saúde. Guedes, por outro lado, se diz confiante no acerto do acordo.

Quando o político prevalece sobre o técnico, porém, não tem com dar certo. No cenário atual, no limite, mesmo que não queira politicamente, o governo terá que socorrer os governos das unidades mais ricas, se o colapso for eminente.

Os graves problemas na distribuição do auxílio emergencial de R$ 600, com filas nas agências da Caixa e desespero das pessoas para receber o benefício estampados todos os dias, mostram que sozinho o governo federal não pode tudo. Mesmo que a verba esteja na sua mão.

Se o governo tivesse organizado uma parceria genuína com Estados e prefeituras, talvez, a distribuição do auxílio estivesse hoje com menos problemas. É a prova também que não basta o dinheiro. É preciso boa gestão. Por isso, as ações de saúde para o combate do coronavírus estão para trás na execução das despesas do Orçamento, com mostrou reportagem do Estado.

A Brasília do Palácio do Planalto, da Esplanada dos Ministérios e dos gabinetes agora virtuais dos parlamentares continua virada de costas para o País. No seu pior momento, está metida em transações tenebrosas.

A coluna pede desculpas por ter insistido, nas últimas semanas, no tema federativo. Mas o resultado da negociação das próximas horas e dias vai dizer muito como muitas cidades estarão em condições de enfrentar os efeitos da covid-19.
Herculano
02/05/2020 15:23
PF REBATE ACUSAÇõES DE BOLSONARISTAS

Conteúdo de O Antagonista. Como registramos mais cedo, Eduardo Bolsonaro questionou neste sábado a isenção da investigação da Polícia Federal sobre as acusações de Sergio Moro.

"Oitiva de Moro será feita por delegados indicados pelo diretor em exercício da PF, dr. Disney Rosseti?", perguntou o deputado.

Em nota, a PF afirma que a equipe de policiais federais foi definida na própria decisão do ministro Celso de Mello, "que designou os integrantes do SINQ - Serviço de Inquéritos da DICOR - Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal".

"O ato, determinado por despacho do Excelentíssimo Sr. Ministro Celso de Mello, consiste na oitiva do Sr. Sérgio Fernando Moro, ex-Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública; e é realizado nas dependências da Polícia Federal em Curitiba/PR, por tratar-se da cidade de domicílio do depoente, como é praxe nas investigações da PF", diz.

"Por fim, a realização da diligência nesta data deve-se ao prazo estipulado no decreto ministerial, que fixou cinco dias para seu cumprimento, a partir da última quinta-feira (dia 30/4)."
Herculano
02/05/2020 15:19
CADA COISA

1. Ser Polícia não é um atestado de idoneidade.

2. Ser Militar não é certeza de incorruptível

3. Ser Bombeiro não significa ser um gestor público. Mas, ser médico, pode sinalizar entender minimante do assunto no ambiente da secretaria estadual de Saúde. Então...E ainda mais quando se diz entender administrativamente desse riscado.

4. Agora policial, militar e bombeiro em política e poder corre alto risco de manchar a instituição. É histórico. E não é de hoje. Homens erram e contrariam regras institucionais. Simples assim!

5. Em Santa Catarina, o oficialato dos Bombeiros Militares saiu em socorro da imagem não da corporação a que deveria estar protegida por seus membros ativos e egressos, mas de um coronel da reserva, o governador Carlos Moisés da Silvas, PSL, e do seu ex-secretário da Saúde, o coronel da ativa e médico, Helton de Souza Zeferino. Eles estão super enrolados e devendo explicações aos catarinenses. E não é de hoje. Que fase!
Herculano
02/05/2020 15:06
MUDANÇAS VIRÃO. MAS QUAIS E QUANDO? por Celso Ming, no jornal O Estado de S. Paulo

Há pela frente um mundo de novidades em potencial, uma vez passada esta crise do coronavírus

Alguns comentaristas têm observado que, uma vez passada esta crise do coronavírus, nada será como antes. É conclusão apressada, em alguma proporção destituída de sentido de realidade.

Esta não parece ser a maior nem a mais letal das pandemias que atacaram o Planeta. No passado, a partir das consequências produzidas pela peste negra, pela sífilis, pela febre amarela e, até mesmo, pela gripe espanhola, para o bem ou para o mal, alguma coisa sempre se transformou, mas não a ponto de trocar drasticamente o paradigma, como dizem para o que virá desta vez. Passada a tempestade, nem sempre vem apenas a bonança. Podem vir outras coisas, inclusive a enchente.

Uma crise como esta é sempre uma boa oportunidade para alterações de rumo, mas não se pode desprezar a força das mazelas que sempre acompanharam a trajetória do animal humano. Mas, ainda assim, alguma coisa vem para ficar ou, então, virá para produzir uma mudança já em curso, que deverá ganhar velocidade.

Nem sempre se pode prever a direção que irá tomar. Os dirigentes da indústria automobilística, por exemplo, sentem que a tendência é a de uma curva fechada logo aí, mas não sabem quando acontecerá nem com que intensidade. Por essas e outras, a Fiat resolveu consultar os antropólogos, como foi noticiado na semana passada.

As transformações a que vinham sendo submetidas as relações de trabalho deverão agora se intensificar. Como já vinha sendo observado nesse campo, a questão mais grave é o aumento do desemprego, num ambiente de utilização intensiva de tecnologia poupadora de mão de obra.

Parece cada vez mais inevitável a adoção de sistemas de renda mínima destinados a reduzir o impacto da dispensa de mão de obra sobre o poder aquisitivo do consumidor. O diabo é que programas como esse implicam disponibilidade de recursos públicos. E, no entanto, os Tesouros, que já vinham sendo moídos, hoje são quase só bagaço.

A não novidade mais comentada é a cada vez maior adoção do trabalho em casa. Isso pode não valer para as linhas de produção ou para a prestação de serviços pessoais, mas será cada vez mais demandado para outras formas de trabalho. A experiência do confinamento mostrou que o home office tem tudo para ser mais praticado, mesmo em tempos normais. Algumas modificações na legislação e nos acordos sindicais serão inevitáveis. Esse sistema não pode, por exemplo, manter a adoção de cargas rígida de trabalho, com a "bateção" de ponto, contagem de horas extras e prática de banco de horas, porque não são procedimentos sujeitos a controles diretos. A generalização de sua adoção obrigará maior abertura dos arquivos da empresa e a interconexão confiável entre sistemas de informática. A nova prática pode, também, dispensar enormes áreas de escritório, reduzir despesas com condução e com restaurante interno. Mas aparecerão outras despesas necessárias para garantir eficácia ao trabalho fora da sede da empresa.

A arquitetura das residências deverá prever novas áreas específicas de trabalho e a instalação de aparelhos inteligentes, cujo uso será intensificado com a chegada da conexão 5G. Enfim, parece inevitável a readaptação dos espaços interiores e a redefinição das áreas de convivência urbana.

Outra experiência desses tempos de isolamento que produzirá repercussões é a do ensino em casa. As crianças e os jovens foram confinados abruptamente em suas residências, o que prejudicou a programação de estudos do ano. Mas fica a abertura para maior utilização do sistema que os anglófonos chamam de homeschooling. Isso começou lá atrás com os tais cursos por correspondência e agora pode ganhar novos incrementos com videochamadas e outros recursos digitais.

Não é demais repetir o que já ficou dito em outras oportunidades. O comércio eletrônico e as práticas de delivery devem agora se intensificar. As redes comerciais que não se prepararem para a adoção desses serviços correm o risco de perder participação de mercado. Os shopping centers já vinham sentindo essa quebra de rumo bem antes do coronavírus. As lojas estão se transformando em showrooms. Como as vendas são finalizadas pela internet, a participação dos shoppings no faturamento das lojas já vinha caindo. É uma relação que terá de ser repensada. Nem tudo num shopping pode ser transformado em lazer e praça de alimentação.

Enfim, há pela frente um mundo de novidades em potencial. Falta saber como e quando acontecerão.
Miguel José Teixeira
02/05/2020 13:00
Senhores,

Em "O Globo":

"Horas antes de depoimento, Bolsonaro chama Moro de Judas:

Huuummm. . .então. . .Judas traiu Messias, que traiu seus eleitores e que está ressuscitando os traidores da Pátria!

Judas por Judas, fico com o Moro!
Miguel José Teixeira
02/05/2020 09:42
Senhores,

No portal "UOL":

"Bolsonaro ameaça demitir ministro que não aceitar ceder cargos para centrão"

Traduzindo: ou os capachos cedem ou tomam no centrão! Ooops. . .

Vem aí, a figura do ministro-adjunto.

Já imaginaram o roberto jefferson como ministro-adjunto do Guedes?

Falando em jefferson, bem que ele poderia doar aqueles 4 mi que eram dos PeTralhas para auxiliar na pandemia, não?
Herculano
02/05/2020 08:07
da série: para gente especializada um é constitucional, para políticos de Gaspar, reduzir seu próprios salários, mesmo que temporariamente, é inconstitucional, inclusive para o autor da boa ideia, que é advogado, mas pressionado está tentando voltar atrás, mesmo que isso lhe traga desgastes público e reflexos eleitorais.

ASSEMBLEIA DE SP APROVA CORTE DE SALÁRIOS DE DEPUTADOS E SERVIDORES EM MEIO À PANDEMIA

Economia será de R$ 320 milhões; sindicato dos funcionários quer ir à Justiça contra cortes
Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Carolina Linhares. A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou na quinta-feira (30) o projeto que reduz temporariamente o salário dos deputados e promove outros cortes de gastos a fim de destinar R$ 320 milhões para o combate da pandemia de coronavírus.

Os cortes começam a valer nesta sexta-feira (1º) e duram enquanto estiver em vigor o decreto de calamidade pública decretado pelo estado, previsto para ter fim em 31 de dezembro.

A versão final do texto, debatida em sessão que foi das 14h30 até quase 23h, determina que o salário dos deputados, de cerca de R$ 25 mil, seja reduzido em 30%. Também corta a verba de gabinete dos parlamentares (de R$ 34,5 mil, usada para passagens, hospedagem, gráficas, aluguel de imóveis e de veículos, consultorias) em 40%.

A Assembleia também doará ao Poder Executivo 80% do seu fundo de despesa, cerca de R$ 55 milhões, e revisará seus contratos e outras despesas administrativas em até 40%. Além disso, a Casa já havia devolvido ao governo João Doria (PSDB) 7% do seu Orçamento de 2020, o que equivale a R$ 89 milhões.

Em relação aos funcionários da Casa, fica suspenso o pagamento da licença prêmio em dinheiro e há redução de salário para parte dos comissionados (que são 2.561 no total). O sindicato dos servidores da Assembleia (Sindalesp) já indicou que vai à Justiça contra esse corte no salário.

A versão do projeto aprovada nesta quinta não prevê cortes para quem recebe abaixo do tetto do INSS (R$ 6,1 mil). Aqueles que recebem mais do que isso e até 10 salários mínimos (R$ 10,5 mil) terão corte de 10%. Os que ganham ainda acima disso, de 20%.

Como mostrou a Folha, o projeto encontrou grande resistência por parte dos deputados em relação ao corte nos salários dos servidores. A proposta original previa corte de 20% para todos os comissionados e também determinava redução de 20% no vale-refeição e vale-alimentação, o que acabou descartado.

O escalonamento com base na faixa salarial foi adotado para superar o entrave entre os parlamentares e, de fato, acabou contemplando parte dos deputados contrários aos cortes de salários de servidores.

O projeto foi aprovado por ampla maioria, com 85 votos ao texto e 87 votos às emendas. A Casa tem 94 parlamentares e 87 participaram da votação.

Os cortes na Casa para atender à pandemia do coronavírus partiram de uma iniciativa da Mesa Diretora da Casa, presidida pelo deputado Cauê Macris (PSDB), aliado de Doria. A Mesa tomou como base na proposta sugestões de reduções protocoladas pelos próprios parlamentares nas últimas semanas.


Durante a sessão plenária, houve uma tentativa dos parlamentares de votar separadamente o corte escalonado no salário dos servidores ?"o que permitiria aprovar os cortes em relação aos deputados, mas não aos servidores.

O grupo de deputados que tentou preservar os comissionados de qualquer redução de salário, composto pela bancada do PSOL e por outros deputados, como Campos Machado (PTB), Adriana Borgo (Pros), Coronel Telhada (PP), Wellington Moura (Republicanos) e Valéria Bolsonaro (PSL), acabou derrotado pela base do governo. Foram 21 votos a 65.

Nessa votação, até deputados que antes eram contrários à redução do salário dos servidores acabaram votando com a base do governo, como Altair Moraes (Republicanos), Janaina Paschoal (PSL) e a bancada do PT.

Os deputados que insistiram para que não houvesse nenhum corte relacionado aos servidores questionavam a legalidade dessa medida, prevendo a judicialização, e argumantavam que não poderiam impor isso aos funcionários, apenas aos próprios parlamentares.

Para Janaina, no entanto, a versão final do texto foi muito melhorada em relação à original, por preservar, por exemplo, os vales alimentação e refeição. A deputada afirmou que quem ganha mais de R$ 6.000 está em condições de colaborar nos cortes.

Janaina afirmou ainda que o projeto foi uma construção de todos e sugeriu que aqueles que falam em judicialização na verdade se colocam contra o projeto por quererem preservar os próprios salários.

IMPEACHMENT DE DORIA
A Assembleia priorizou nos últimos dias o debate sobre o corte de gastos, deixando de lado o pedido de impeachment de João Doria protocolado na Casa no último dia 24 por um grupo de deputados alinhados ao presidente Jair Bolsonaro.

O documento está nas mãos do presidente do Legislativo. Cabe a Macris a decisão sobre dar ou não início ao processo, que depende do aval de 63 dos 94 deputados para ser aberto e começar a tramitar.

A chance de a ofensiva bolsonarista contra Doria vingar é considerada baixa. Nos bastidores, até mesmo membros da oposição ao governador discordam da proposta de afastamento.

Nesta sexta-feira (1°), manifestantes se reuniram na avenida Paulista em apoio ao impeachment do tucano e ao relaxamento das normas de isolamento social implementadas pelo governo para tentar combater o avanço do vírus.

O grupo se concentrou na frente do prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), entre as 14h e as 17h. Os participantes inflaram um boneco de Doria, com a expressão "ditadória" escrita na testa, e gritaram palavras em defesa de Bolsonaro.

O governador tem sido alvo em outros protestos e carreatas realizados nos últimos dias por pessoas que pedem a reabertura do comércio e a reatomada de setores econômicos afetados pela crise de saúde.

O ato desta sexta foi convocado via redes sociais com o mote "megamanifestação Jair fica", em sinal de apoio ao governo Bolsonaro e ao discurso do presidente sobre a pandemia, que se choca com o de Doria.

Houve apelos para que os deputados estaduais aprovem o impeachment do governador. Mensagens como "Bolsonaro tem razão", "Brasil fechado com Bolsonaro" e "fora, Doria" podiam ser lidas nos cartazes. A maioria dos manifestantes usava roupas verde e amarelas e ostentava bandeiras do Brasil.

O convite para o protesto que circulava nas redes continha a recomendação "use máscara". Uma parte dos presentes estava com o acessório, que ajuda a diminuir o contágio.

CUSTO DA ASSEMBLEIA
Atualmente, cada deputado da Assembleia paulista custa cerca de R$ 220 mil por mês. No acumulado do ano, a despesa com os parlamentares somados chega a R$ 250 milhões.

A conta inclui o salário de R$ 25 mil, R$ 34,5 mil de verba de gabinete e R$ 164 mil para contratação de assessores.

Os deputados que não têm imóvel na região metropolitana têm direito a um auxílio de R$ 2.850 para viverem na capital. No ano passado, a Casa gastou R$ 584 mil com esse auxílio.

Gastos com hospedagem, alimentação e despesas de locomoção somaram R$ 860 mil em 2019. Já despesas com combustível, manutenção e locação de veículos, além de pedágios, alcançaram R$ 6,2 milhões no ano passado.

Em relação a economias no Orçamento, a Mesa já devolveu ao Poder Executivo R$ 106 milhões relativos a 2018 e R$ 146 milhões relativos a 2019.?
Herculano
02/05/2020 08:00
AJUDA DO GOVERNO FEDERAL PARA SANTA CATARINA SERÁ DE R$ 959 MILHõES, por Estela Benetti, no NSC Total, Florianópolis SC

Após reunião nesta quinta-feira entre o ministro da Economia, Paulo Guedes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre o projeto de ajuda aos Estados e municípios, foi informado que o repasse total será de R$ 50 bilhões. Para o Estado de Santa Catarina, caberá a cifra de R$ 959 milhões, confirmou o secretário de Estado da Fazenda, Paulo Eli. Ele informou por meio da assessoria de imprensa, que esses recursos serão utilizados nos próximos meses para complementar perda da receita estadual em função da pandemia do coronavírus.

Os municípios também receberão ajuda, mas os valores não foram detalhados nesta quinta. Além dos R$ 50 bilhões, o governo federal vai distribuir mais R$ 10 bilhões com uso exclusivo para a saúde, informou a Agência Senado.

No mês de março, a Secretaria de Estado da Fazenda contabilizou perda de receita de R$ 200 milhões. O valor total de abril será conhecido na próxima semana, mas será bem maior. No dia 22, quando o secretário Paulo Eli concedeu entrevista ao Bom Dia Santa Catarina da NSC TV, ele informu a perda do mês chegava a R$ 611 milhões. Somada com março, totalizava R$ 811 milhões. As estimativas iniciais eram de retração de 30% em abril, mas serão maiores porque o isolamento social foi ampliado e pesou na retração de vendas.

O mês de abril teve ainda uma influência das vendas de março, mas para maio a projeção é de que a receita estadual tenha retração próxima de 50% porque no mês anterior a economia ficou mais parada. O que poderia mudar um pouco isso seria um resultado melhor do comércio e serviços durante o mês, o que não é sinalizado porque muitos catarinenses ainda seguem em isolamento social e, por isso, estão consumindo menos.
Apesar das projeções de liberação de recursos, o PL 149/2019 para viabilizar essa ajuda federal será votado somente neste sábado à tarde. Entre as principais contrapartidas propostas pelo ministro Paulo Guedes aos senadores está a exigência de não concessão de reajuste salarial a servidores públicos estaduais e municipais até dezembro de 2021.

Santa Catarina já congelou os salários dos servidores, se antecipando à exigência de Guedes
Herculano
02/05/2020 07:53
SEM VOTOS NA CÂMARA, REDE 'GOVERNA' COM O STF, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros.

Partido de um único deputado, o Rede tem usado a má vontade de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao presidente Jair Bolsonaro para impor o próprio entendimento sobre quaisquer assuntos. Na Câmara, o Rede perde tudo, mas no STF ganha quase todas. Ganhou novamente na quinta (30), ao anular a medida provisória - de Bolsonaro, claro - que alterava a Lei de Acesso à Informação.

GOBIERNO? SOY CONTRA

A MP anulada era razoável: protegia de sanções servidores que, sob confinamento, não atendam pedidos de informação nos prazos legais.

OUTRA 'VITóRIA'

A Rede, partido da sumida Marina Silva, foi autor da ação contra a MP que permitia acordos de redução salarial durante a pandemia.

PELO MENOS TEMPORÁRIA

O ministro Ricardo Lewandowski acatou o pedido da Rede e condicionou acordos à chancela dos sindicatos. A decisão só foi revertida no plenário.

HOLOFOTE SEMANAL

Sem líder ou deputados suficiente, a Rede só tem 5 minutos por semana para falar durante "comunicações de liderança" na Câmara. Já no STF...

DISTRIBUIDORAS APLICAM GOLPE SOB OMISSÃO DA ANP

Era um golpe, como se suspeitava, a atitude das distribuidoras de combustíveis de romper contratos com produtores de etanol alegando "força maior", com a omissão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que por sua vez proibiu as usinas de venderem o produto estocado a outras fontes, inclusive postos. Após cancelar os contratos, as espertas distribuidoras/atravessadoras passaram a importar etanol podre, poluente, à base de milho, dos Estados Unidos.

ORDEM É POLUIR

O golpe das distribuidoras, que atuam como atravessadoras, inundou o Brasil, apenas em abril, com mais de 120 mil litros de etanol podre.

AÇÃO PREDATóRIA

Só no Nordeste, principal alvo da ação predatória das distribuidoras, foram destinados mais de 70 mil litros de etanol de má qualidade.

DOBRADINHA PERVERSA

Atravessadores e ANP fazem "dobradinha" desde 2009, com o cartório que lhes dá exclusividade na venda aos postos de todo o combustível.

VERBA PARA A CRISE

Em março do ano passado o governo Jair Bolsonaro extinguiu 21 mil cargos comissionados que, segundo dados oficiais, custavam R$ 195 milhões por ano ao contribuinte. Ainda existem cerca de 110 mil.

VERBA CONTRA COVID-19

Caçando votos para prefeito na pandemia, o deputado JHC (PSB-AL) acertou ao reservar R$11,5 milhões em emendas para seu rival combater a covid-19 em Maceió. Só pesou a mão ao cobrar do prefeito Rui Palmeira o direcionamento da verba, antes mesmo de cair na conta.

PRIORIDADE DE CADA

A Petrobras anunciou patrocínio de R$10 milhões, em três vezes, a projetos de artes cênicas para crianças de até 6 anos. Só o contrato que o ex-presidente da estatal Pedro Parente fechou com a Fórmula 1 custaria 163 milhões de libras (R$1,1 bilhão). A atual gestão anulou.

IMPACTO DO VÍRUS

A Associação Internacional de Transporte Aéreo divulgou balanço da capacidade do transporte aéreo de carga em relação à demanda, em março: no mundo, a demanda caiu 15,2% e a capacidade caiu 22,7%.

PPP DO BEM

Parceria entre o Ministério da Defesa, a Confederação Nacional da Indústria e empresas do setor já consertou 201 respiradores e há mais 1.290 aparelhos em reparo. O resultado é de duas semanas de trabalho.

UTI PARA QUEM PRECISA

Demorou, mas a Defensoria do Rio pediu esta semana que a Justiça desbloqueie 155 leitos reservados a pacientes do coronavírus. Enquanto estavam vazios, pacientes com outras doenças padeciam nos hospitais.

ESTADO INCHADO

Segundo relatório do Banco Mundial sobre o funcionalismo público, em 2017 havia 105.547 vínculos de cargos em comissão ou com função gratificada no serviço público federal. São 14,2% de todos os cargos.

RECUPERADOS

Entre os "casos fechados" de pacientes infectados com o coronavírus, ou seja, pessoas que se curaram ou faleceram após a exposição à doença, o Brasil se mantém com uma taxa de 86% de recuperação.

PERGUNTAR NÃO CONTAMINA

Em suas coletivas na grade, Bolsonaro vai usar máscara, conforme obriga o decreto do governo de Brasília?
Herculano
02/05/2020 07:46
da série: desqualificando o governo, os ministros e o resultado e reafirmando que a saída de Moro foi arquitetada

BOLSONARO AMEAÇA DEMITIR MINISTRO QUE NÃO ACEITAR CEDER CARGOS PARA O CENTRÃO

Demonizado pelo presidente na campanha, grupo ganha convite para ocupar postos de segundo e terceiro escalões no governo

Conteúdo de O Antagonista. Texto de Ranier Bragon e Julia Chaib, da sucursal de Brasília. Líderes de partidos do chamado centrão afirmam que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) enquadrou nos últimos dias ministros que resistiam em ceder cargos de suas pastas ao grupo, deixando claro que quem se opuser pode ser demitido do governo.

Segundo relato desses parlamentares, a atitude de Bolsonaro se deu em dois atos: primeiro, forçou a demissão de Sergio Moro (Justiça), que no começo da gestão chegou a ser considerado "indemissível", justamente em um contexto de que tem a palavra final sobre cargos-chave. Antes da exoneração, ele havia deixado claro em reunião com todos os ministros que a prerrogativa de fazer nomeações no governo era dele.

Depois, reafirmou a quem ficou, em encontros coletivos e a sós, que ele irá distribuir postos de segundo e terceiro escalão ao centrão e que não aceitará recusas. A conduta do presidente foi confirmada por integrantes do governo à Folha.

Demonizado na campanha por Bolsonaro como sendo exemplo do que chama de velha política, formada por parlamentares adeptos ao "toma lá, dá cá", o centrão reúne cerca de 200 dos 513 deputados e virou a esperança do presidente de, pela primeira vez, ter base de sustentação no Congresso.

Ao mesmo tempo em que promoveu uma ruptura pública com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), Bolsonaro passou a procurar um a um líderes e presidentes de partidos do grupo, formado principalmente por PP, PL, Republicanos, PTB e PSD -esse último nega fazer parte, mas integra oficialmente o bloco do centrão na Câmara, liderado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL).

O repasse de cargos ao centrão perpassa secretarias estratégicas em ministérios e vai do Porto de Santos à Funasa (Fundação Nacional de Saúde).

O grupo aceitou de pronto as ofertas - ainda não entregues, devido à burocracia federal para as trocas e o prosseguimento de acertos específicos - e saiu em defesa do presidente no Congresso, rechaçando a possibilidade de abertura de processo de impeachment contra ele, situação que passou a ser aventada com mais força após a participação de Bolsonaro em atos de rua favoráveis ao fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal.

Para evitar esse risco, Bolsonaro precisa ter ao seu lado pelo menos 171 dos 513 deputados federais.
Em outra frente, o centrão também apoiou a queda de Moro, mas aí a rixa do grupo com o ex-xerife da Lava Jato é antiga. A operação baseada em Curitiba levou ao banco dos réus vários dos líderes do grupo, sob acusação de desvio de recursos da Petrobras.

A Folha ouviu relatos de líderes do centrão e de ministros de Bolsonaro, que falaram sob condição de anonimato.

Segundo eles, o presidente já foi cobrado pela relativa demora nas nomeações e, como resposta, disse a ministros que eles têm que abrigar os indicados pelo centrão, sob pena de perder apoios.

Integrantes do Planalto informaram que os trâmites para que os nomes sejam publicados no Diário Oficial são demorados e que os indicados devem ser formalizados a partir da próxima semana.

Inicialmente, alguns auxiliares resistiram a entregar postos chaves de sua pasta. Segundo integrantes do centrão, os principais seriam Paulo Guedes (Economia), Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Abraham Weintraub (Educação) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional).

Esse último, que comanda pasta com obras em vários locais que serviriam de alavanca para o plano do governo de reaquecimento da economia no pós-pandemia, deve ter que ceder a Secretaria de Mobilidade ao Republicanos, ex-PRB, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. Outras secretarias da pasta são cobiçadas pelas demais siglas do centrão.

A Folha perguntou ao ministro, por meio de sua assessoria, se Marinho concorda com a diretriz de Bolsonaro e se fez alguma ressalva ou estabeleceu alguma condição para a entrega dos postos. "As indicações para cargos no ministério são encaminhadas pela Secretaria de Governo após análise de critérios técnicos", limitou-se a dizer a pasta.

Na Educação, Weintraub terá de ceder a presidência do FNDE (Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação) para o PP, além de diretorias do órgão para Republicanos e PL. Segundo relatos, quando foi avisado pelo presidente de que teria de abrigar os indicados, o ministro pediu a Bolsonaro para criar filtros que garantissem controle de gestão e mecanismos de governança nos órgãos.

Procurado, Weintraub não respondeu às perguntas feitas, se limitando a dizer que não fala com a família Frias, proprietária da Folha.

Nesta semana, os partidos já enviaram nomes à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, que ficará com o PL, e à Secretaria de Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional, cujos postos estavam em negociação, como mostrou a Folha.

Outros órgãos terão a presidência dada a um partido e as diretorias divididas entre os demais. O FNDE e o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), sob o guarda-chuva do Desenvolvimento Regional, devem ser partilhados dessa forma.

Já o PL, além da Secretaria de Vigilância em Saúde, do time do recém-empossado ministro Nelson Teich, deverá comandar o Banco do Nordeste. O partido de Valdemar Costa Neto também queria o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), dentro do Ministério da Infraestrutura, área que controlou por anos, mas o governo vetou.

Outros cargos federais nos estados foram colocados, de acordo com os parlamentares, à disposição dos partidos em troca de apoio. A ideia dos líderes de siglas maiores é também trazer para a base de Bolsonaro legendas menores.

As assessorias da Economia, Infraestrutura, assim como do Palácio do Planalto, foram procurados para se manifestar sobre as informações de oferta e distribuição de cargos ao centrão, mas não quiseram comentar.

Quando deu início ao seu governo, Bolsonaro tentou criar uma base de apoio no Congresso negociando com frentes parlamentares (como ruralista e evangélica), escanteando líderes e presidentes de partidos. O modelo não deu certo e a situação do presidente se agravou quando ele rompeu com a cúpula do próprio partido o PSL, se desfiliando em seguida.

Ao longo da última semana, Bolsonaro foi questionado sobre as tratativas com esses partidos, mas não deu respostas diretas e não confirmou a oferta de postos no governo.

"Por que não vou conversar com nomes do Partido Progressista que foram meus colegas por uns 15 anos? Qual o problema? Eles que votam. Se eles têm algum pecado, o eleitor do seu estado é que deve tomar providência, não vota mais. Eu não estou aqui para julgar, condenar, acusar, pedir cassação de qualquer parlamentar. Vou fazer meu trabalho e conversar."?
Herculano
02/05/2020 07:21
SEIS REGISTROS

1. A Live do Bem para o Hospital de Gaspar arrecadou em torno de R$530 mil. Um sucesso, para algo desacreditado e sem transparência.

2. Mais uma vez, um quarto desse total, veio da Bunge. Na coluna eu registrei como ela já foi decisiva para a reconstrução física.

3. Arrecadou-se mais quatro barris de chope, comes e local para os organizadores comemorarem. Como estamos em Covid-19, por que não converter isso em doação para o próprio Hospital?

4. O arrecadado foi para uma conta da Acig. É que se fosse para a conta do Hospital iria direto para os credores que estão cobrando na Justiça. Que fase!

5. E o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, apareceu nas redes sociais agradecendo aos doadores e dando a entender que teve alguma coisa a ver com esta boa iniciativa e que agora tem muitos pais, engravatados. Meu Deus!

6. O que Kleber não fez? Anunciar quanto os gasparenses que pagaram IPTU a vista, ao invés de ficarem com o desconto, doaram para o Hospital. Esta informação ele e sua equipe escondem da cidade há 40 dias. Transparência e atitudes, zero. Acorda, Gaspar!
Herculano
01/05/2020 17:29
VOCÊS ESTÃO BRINCANDO?

do @olhandoamare no twitter:

Vamos combinar. O Jornal Nacional e outros mancheteiam q o Brasil tem mais mortos q a China.

Isso é um desrespeito ñ aos telespectadores, mas ao jornalismo. A China é autoritária e controla as informações, estatísticas e impede as checagens.

Então ñ serve p comparação a ninguém
Herculano
01/05/2020 12:41
TIRO NO STF E NO PÉ, por Eliane Cantanhêde, no jornal O Estado de S. Paulo

Há margem para discutir a decisão do STF, mas Bolsonaro trabalhou contra ele próprio

O presidente Jair Bolsonaro deu uma de Jair Bolsonaro: fingiu que foi, mas não foi. Moldado pelos generais e pela assessoria direta não ligada ao "gabinete do ódio", ele reagiu com moderação e rapidamente ao revogar a nomeação de Alexandre Ramagem para a Polícia Federal, que havia sido suspensa pelo Supremo, mas, à tarde, mandou recados sobre a independência entre Poderes e no fim da quarta-feira já avisava que mudaria tudo. Por quê? "Quem manda sou eu."

Antes de embarcar para Porto Alegre, para mais uma solenidade militar, Bolsonaro admitiu na quinta-feira, 30: "Quase tivemos uma crise institucional. Faltou pouco". Ou seja, o presidente pensou seriamente em desobedecer uma decisão do Supremo, descartando a regra de que "decisão judicial não se discute, cumpre-se" ?" e, se for o caso, recorre-se.

Se o presidente agora não pensa em outra coisa senão em nomear Ramagem como diretor-geral da PF, o mundo político parecia se dividir. A primeira reação, assim que Alexandre de Moraes suspendeu a posse, foi de amplo apoio à decisão do ministro do Supremo. Na quinta, começaram as ressalvas. Pelo twitter, o ex-presidente Fernando Henrique disse que "os choques entre poderes não ajudam a democracia" e opinou: "Acho que cabe ao PR (presidente) nomear o diretor da PF".

No centro do embate entre Supremo e Planalto, ou entre Moraes e Bolsonaro, está o confronto entre, de um lado, o dispositivo de que é "atribuição exclusiva do presidente", a nomeação de ministros e do diretor-geral da PF e, do outro, os princípios de "impessoalidade, moralidade e interesse público".

Há margem, portanto, para questionar a decisão de Moraes. Quem interdita a discussão é Bolsonaro, ao fazer um ataque pessoal a um ministro do Supremo, dizendo que a decisão de Moraes foi "política" e que ele foi indicado para a função por ser amigo do presidente Michel Temer. Bolsonaro interrompeu, assim, a possibilidade de um debate entre sua atribuição exclusiva e o critério de impessoalidade. Trabalhou contra ele próprio e atraiu nova avalanche de críticas para ele e de manifestações em defesa de Moraes e do STF.

Há outra questão importante, como alerta o ex-ministro da Justiça e do Itamaraty Aloysio Nunes Ferreira, tucano como FH. O problema não seria o presidente exigir acesso aos relatórios de inteligência, mas sim às investigações judiciárias.

Bolsonaro tem razão quando diz que a PF integra o Sistema Brasileiro de Inteligência e, se seus relatórios já podem ser encaminhados à Abin, órgão de assessoramento direto ao presidente, por que não poderiam ser divididos com o próprio presidente? Isso, porém, não significa ampliar esse acesso do presidente, ou de qualquer pessoa, ao conteúdo de investigações sigilosas determinadas pelo Judiciário. Isso é outra coisa, muito diferente.

Relatórios de inteligência contêm informações da atuação explícita da PF nas fronteiras, no combate ao crime organizado e no tráfico de armas, drogas e pessoas, que podem ser importantes na definição de estratégias do governo. Já as investigações judiciais são sobre organizações, pessoas, aliados ou adversários do presidente. Logo, poderiam não ter uso de interesse público, mas sim político e até pessoal nas mãos do presidente ?" qualquer presidente.

O mais grave, assim, é o que Moro expôs à nação no seu celular: a intenção de Bolsonaro de intervir em investigações da PF contra "dez a doze deputados bolsonaristas". Não tem nada a ver com inteligência nem segurança nacional, mas com o mais comezinho interesse político de salvar a pele de aliados. É isso o que baseia a decisão de Moraes e vai alimentar o inquérito sobre Bolsonaro e Moro. E pode ter mais...
Herculano
01/05/2020 12:40
BOLSONARO FORÇA ATRITO COM SUPREMO PARA ENCOCOBRIR INTERFERÊNCIA NA PF, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Presidente não reclamou do STF quando ministros decidiram a favor de Flávio e do governo

Não houve chiadeira no Palácio da Alvorada quando Luiz Fux aproveitou o recesso do STF e decidiu, sozinho, suspender as investigações do caso Fabrício Queiroz, no início do ano passado. Ninguém saiu à portaria para dizer que aquele era um juízo político ou que o ministro abusava do poder de sua caneta.
Seria ingenuidade esperar coerência de Jair Bolsonaro. O presidente bateu palmas quando o Supremo tomou decisões que beneficiavam sua família e o governo. Agora, força uma confusão com a corte para encobrir sua tentativa escancarada de interferir na Polícia Federal.

Depois que Alexandre de Moraes barrou a nomeação de seu escolhido para o comando do órgão, o presidente disse que o ministro impedira a posse só porque Alexandre Ramagem era seu amigo: "Por que não posso prestigiar uma pessoa que eu conhecia com essa profundidade?".

Não era nada daquilo. Bolsonaro foi impedido de trocar a chefia da PF porque demonstrou interesse em intervir politicamente em investigações que rondam seus filhos e aliados. As relações com Ramagem surgiram apenas como agravantes.

Bolsonaro atacou Moraes para embaralhar essas circunstâncias e posar de vítima de uma intromissão do Judiciário sobre seus poderes. Acrescentou que não seria "refém de decisões monocráticas de quem quer que seja", em referência aos despachos emitidos por um único juiz.

Ele não se incomodou com esse detalhe quando Fux, Gilmar Mendes ou Dias Toffoli assinaram decisões que aliviaram temporariamente a barra de Flávio Bolsonaro nos inquéritos sobre o esquema da "rachadinha". Ninguém fez campanha nas redes contra os ministros.

O presidente também não criou atrito com Moraes quando o ministro aceitou (sozinho) torcer a Lei de Responsabilidade Fiscal e autorizou Bolsonaro a criar despesas sem apontar a origem das receitas durante a crise do coronavírus. O pedido havia sido feito pelo próprio governo. Ninguém chamou um cabo e um soldado para fechar o Supremo.
Herculano
01/05/2020 12:37
AS EPIDEMIAS, INÍCIO E MORTE DOS IMPÉRIOS, por Celso Ming, no jornal O Estado de S. Paulo

Episódios comprovam contribuição de doenças para o surgimento ou para a derrocada de superpotências globais

No dia 28 de abril, a edição em inglês da revista alemã Der Spiegel publicou preciosa entrevista do especialista em História da Medicina Frank Snowden, professor da Universidade Yale.

Lá ele menciona episódios que comprovam a grande contribuição das epidemias para o surgimento ou para a derrocada de superpotências globais.

Entre os casos citados, ele inclui os próprios Estados Unidos. No início do século 19, os escravos do Haiti, então colônia francesa, se revoltaram e constituíram governo próprio. Napoleão mandou para lá um exército de 60 mil homens que, no entanto, foram dizimados não pelos escravos, mas pela febre amarela. O fracasso da campanha do Haiti foi suficiente para levar Napoleão, então com planos expansionistas na Europa, a desistir de suas possessões na América. Foi quando se apressou a vender a Louisiana para os Estados Unidos, que, então, dobraram seu território, fato que marcou o início de sua ascensão a superpotência global.

Entre os fatores que causaram a derrota de Napoleão Bonaparte na Rússia, estão o tifo e disenteria pegos pelo exército francês

Snowden citou outros casos. O do alastramento da peste em Atenas no século 5.º antes de Cristo, que deve ser visto como o início do declínio da Grécia Antiga. Na Inglaterra, a sífilis ajudou a derrubar a dinastia dos Stuarts. A enorme derrota de Napoleão em 1812, quando invadiu a Rússia, deve ser atribuída menos a enfrentamentos militares ou ao chamado general inverno, e mais à disseminação do tifo e da disenteria entre seus soldados.

Exemplo não citado pelo professor Snowden é o da destruição do maior império da antiguidade, com a morte de Alexandre, o Grande, vitimado por certas febres, quando retornava de sua campanha vitoriosa pela Ásia.

Uma das perguntas da hora consiste em saber qual será o impacto geopolítico produzido por este coronavírus. Alguns observadores vêm advertindo para a aproximação de uma provável depressão global, a maior desde os anos 30. A principal vítima poderá ser os Estados Unidos, que hoje correm o risco de ficar com mais de 50 milhões de desempregados. A outra talvez seja a velha Europa, que terá de emergir e redefinir as bases de suas alianças.

Esse não é o filme inteiro, porque já se vê que a China deve sair mais inteira dessa catástrofe. Os países emergentes, entre os quais o Brasil, ficarão mais enfraquecidos do que já estão, altamente endividados e, se tudo continuar na direção conhecida, ainda mais desorganizados politicamente.

Os cursos da política e da História não são traçados por determinismos. A última proposta séria nessa direção, a do marxismo, se mostrou insustentável. Outros fatores ou outras forças poderão intervir e mudar tudo, entre elas até mesmo novas pandemias. Pode ser uma guerra nuclear, tão temida nos últimos 70 anos, ou, mesmo, o apressamento do aquecimento global, que pode destruir grandes economias e importantes alianças políticas. No entanto, o fato de ser impossível prever a dimensão desses impactos e seu desenlace não significa que não acontecerão. A melhor maneira de um país se preparar para enfrentá-los é disseminar na sociedade o conhecimento e a capacidade de compreensão. No entanto, estamos mal nessa empreitada. Uma das maiores tragédias do Brasil é o baixo nível do ensino.

CONFIRA

Os números do colapso

Os primeiros resultados da atividade econômica do primeiro trimestre ao redor do mundo são catastróficos. Em bases anuais, o PIB dos Estados Unidos recuou 4,8%; o da França, 5,8%; o da Itália, 4,7%; e o da Espanha, 5,2%. E esse é apenas o começo do colapso, porque o impacto da pandemia entrou nos cálculos das contas nacionais apenas em fevereiro e março. Há abril e o que virá depois, especialmente nos Estados Unidos, que aparentemente não atingiram o auge da crise do coronavírus.
Herculano
01/05/2020 12:29
DA SÉRIE: ENGANA QUE EU GOSTO.

1. O governador Carlos Moisés da Silva, PSL, o comandante Moisés, o militar, o austero, o que mudaria o jeito de governar em Santa Catarina, aceitou, o pedido de exoneração do seu secretário de Saúde, envolvido em sérias dúvidas, motivo de um pedido de impeachment, em algo inédito, assinado por todos os deputados. Helton Zeferino é um também bombeiro militar de alta patente, mas na ativa. Moisés está na reserva. Era Major, virou Tenente Coronel. Tudo dentro da lei.

2. Como assim, aceitou? Um governo diligente, com tantas evidências e até provas, teria exonerado e não ontem à noite quando resolveu aceitar o pedido de demissão.

3. Antes, o governador aceitou o seu subordinado culpar uma estagiária e se dar por satisfeito com o gesto, de culpar o mordomo, uma atitude e história antigas dos políticos antigos e metidos a espertos.

4. Diante de tantos problemas, revelados pela imprensa de fora, o governador, como um político antigo, está se escondendo nas explicações não para a imprensa, mas para a sociedade, mas principalmente para os mais de 70% de seus eleitores que acreditaram que ele faria algo diferente do que fazia os que o antecederam.

5. Conclusão? Vergonhoso! Não só para ele e o governo, mas para os pagadores de pesados impostos em tempo de pandemia e crise que tira vida, sonhos e saúde de muitos.
Alexandra W. Cordeiro
01/05/2020 10:33
Bom dia Herculano,

Parabéns a voce e a todos os trabalhos.

Por que o Sr. Executivo Excepcional de sucesso, não mostrou ao povo gasparense quando assumiu o SAMAE, no primeiro dia útil, que estava sucateada e quebrada?
É um executivo incompetente, sempre se elegeu em troca de mimos(bolos, cucas, cafes etc...) e favores.

Melato, com atos deste tipo, prova incompetência, incapacidade de EXECUTIVO que se diz ser.
Miguel José Teixeira
01/05/2020 09:57
Senhores,

Atestado de Inutilidade Pública

1) - O presidente da República, Jair Bolsonaro, vetou integralmente o Projeto de Lei 1944/15, do ex-deputado e atual senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB), que obriga os conselhos profissionais a disponibilizar gratuitamente, em suas sedes e sítios na internet, informações cadastrais sobre os trabalhadores registrados nessas entidades.
(Fonte: Agência Câmara de Notícias)

2) O Projeto de Lei 1944/2015, iniciou sua tramitação em 23/06/2015, na Câmara dos Deputados, passando pelas Comissões Trabalho, de Administração e Serviço Público ?" CTASP e de Constituição e Justiça e de Cidadania - CCJC.

3) No Senado, sob a denominação de Projeto de Lei da Câmara 61/2018, iniciou sua tramitação em 07/06/2018. Portanto 3 (três) anos após sua tramitação inicial na Câmara.

4) Em 02/04/2020, foi envia à sanção da Presidência da República. Portanto, quase 2 (dois) anos após o início de sua tramitação no Senado e quase 5 (cinco) anos após o início de sua tramitação na Câmara.

5) No dia 24/04/2020, foi vetado integralmente pela PR, pois, tal Projeto de Lei "usurpa a competência privativa de iniciativa legislativa da Presidência da República. . ." (ferindo, portanto, a Constituição e outros normativos segundo a MSC 221/20-PE - DOU 27/04/20 PÁG 04 COL 02).

Será que, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania - CCJC, ninguém sabe que este tipo de matéria é de competência privativa da PR?

O relator desse Projeto de Lei na CCJC, concluiu assim seu parecer: "Tudo isso posto, concluímos o voto no sentido da constitucionalidade, juridicidade e boa técnica legislativa do Projeto de Lei nº 1.944, de 2015,e da emenda aprovada na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público".

Seu relator foi o então Deputado Federal Osmar Serraglio, que intitula-se ADVOGADO.

Será que a miríade de "açeçô paralamentar" também não o sabem?

Será que os parlamentares, idem?

O autor do PL, o então Deputado Federal e hoje Senador Veneziano Vital do Rêgo, é de cepa tradicional da política paraibana e intitula-se "ADVOGADO". . .

Quanto recurso público jogado pelo ralo na tramitação da matéria!

Quanto tempo desperdiçado!

Isso é ou não um ATESTADO DE INUTILIDADE PÚBLICA?

Passada a pandemia, os que sobreviverem, deveriam propor a revisão do nosso modelo de representação parlamentar, mais especificamente quanto à sua quantidade, que reduzida, traria seguramente, mais qualidade!
Herculano
01/05/2020 08:42
MENTIROSO?

O presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, corre um risco sério de ser reconhecido como um mentiroso ralé e perder a credibilidade, necessária para um presidente da República e que era um de seus pilares de candidato.

Bolsonaro, impetuoso, ardiloso e sob poder divino, arriscou chamar o seu ex-ministro da Justiça, de mentiroso no toma-lá-dá-cá da intimidade.

O que aconteceu. O feitiço virou contra o feiticeiro. Do outro lado estava um juiz experimentado acostumado a ouvir testemunhas mentidos, advogados embarrigados e gente forjando provas para enganar juízes.

Com isso, obrigou o ex-juiz vir a público e desmenti-lo. E a galera bolsonarista saiu raivosa nas redes sociais contra a verdade de Sérgio Moro que desnudou o mito. Tinha Bolsonaro que passar por mentiroso? É isso? Se ao invés disso tivesse dito, o que passou passou, não deu certo, iguais aos meus três casamentos.... tudo teria encerrado ali. Mas, não. Quis levar vantagem e diminuir e desacreditar o ex-parceiro. E isto pode lhe custar caro na imagem de mito e o próprio mandato.

Agora, vêm os laudos de que Bolsonaro não teve Covid-19. Negou que um dos dois tenha mostrado que ele teve a doença. Instado pela Justiça a mostrar ao jornal O Estado de S. Paulo, preferiu ele se auto-declarar, pois a sua palavra é o que vale. A Justiça não a aceitou. Como terá que mostrar os laudos, e os verdadeiros, sob pena de cometer crime de falso testemunho, ontem Bolsonaro disse a rádio Gaúcha, que talvez, tenha pegado a doença no passado.

Como assim, no passado, se a Covid-19 é do presente, começou na China, em dezembro do ano passado e no Brasil só neste fevereiro e persiste e aumenta? Ai, ai, ai
Herculano
01/05/2020 08:28
SERGIO MORO AFIRMA QUE APRESENTARÁ AO STF PROVAS CONTRA BOLSONARO

Em entrevista exclusiva, o ex-ministro da Justiça diz que o governo nunca priorizou o combate à corrupção


Conteúdo exclusivo da revista Veja. Texto e entrevista de Policarpo Junior e Laryssa Borges.

Quando Sergio Moro decretou as primeiras prisões da Operação Lava-­Jato, em 2014, ninguém imaginava que começaria ali uma revolução de consequências históricas para a política, a economia e o combate à corrupção no Brasil. Em quatro anos, as investigações revelaram a existência de uma monumental estrutura que tinha como membros ativos as maiores empreiteiras do país, altos dirigentes de empresas estatais e políticos de todos os quilates ?" de deputados a presidentes da República. Todos se nutrindo da mesma fonte de um esquema que, durante anos, desviou mais de 40 bilhões de reais dos cofres públicos, dinheiro convertido em financiamento de campanhas eleitorais e propina. O caso fulminou biografias, quebrou empresas, arrasou partidos políticos e desmascarou muita gente que se dizia honesta. A histórica impunidade dos poderosos levou uma surpreendente rasteira ?" e abriu caminho para que um outsider chegasse à Presidência da República. Com a eleição de Jair Bolsonaro e a nomeação de Sergio Moro para o Ministério da Justiça, muitos apostaram que a corrupção sistêmica sofreria o golpe de misericórdia no país ?" uma tremenda ilusão, segundo o próprio Moro.

"O combate à corrupção não é prioridade do governo", revela o agora ex-­ministro da Justiça, que foi descobrindo aos poucos que embarcara numa fria. Ele estava em casa na madrugada da sexta 24 quando soube que o diretor-geral da Polícia Federal fora demitido pelo presidente. Mas o episódio foi a gota d'água de uma relação tumultuada. Havia tempo o presidente não escondia a intenção de colocar no cargo alguém de sua estrita confiança. Bolsonaro frequentemente reclamava da falta de informações, em especial sobre inquéritos que tinham como investigados amigos, correligionários e parentes dele. Moro classificou a decisão do presidente de pôr um parceiro no comando da PF de uma manobra para finalmente ter acesso a dados sigilosos, deu a isso o nome de interferência política e, na sequência, pediu demissão. Bolsonaro, por sua vez, disse que a nomeação do diretor da PF é de sua competência e que as acusações de Moro não eram verdadeiras. O Supremo Tribunal Federal mandou abrir um inquérito para apurar suspeitas de crime.

Em entrevista exclusiva a VEJA, Moro revelou que não vai admitir ser chamado de mentiroso e que apresentará à Justiça, assim que for instado a fazê-lo, as provas que mostram que o presidente tentou, sim, interferir indevidamente na Polícia Federal. Um pouco abatido, o ex-ministro também se disse desconfortável no papel que o destino lhe reservou: "Nunca foi minha intenção ser algoz do presidente". Desde que deixou o ministério, ele passou a ser hostilizado brutalmente pelas redes bolsonaristas. "Traidor" foi o adjetivo mais brando que recebeu. Mas o fato é que Bolsonaro nunca confiou em Moro. Sempre viu nele um potencial adversário, alguém que no futuro poderia ameaçar seu projeto de poder. Na entrevista, o ex-ministro, no entanto, garante que a política não está em seus planos - ao menos por enquanto. Na quarta-feira 29, durante a conversa com VEJA, Moro recebeu um alerta de mensagem no telefone. Ele colocou os óculos, leu e franziu a testa. "O que foi, ministro?" "O presidente da República anunciou que vai divulgar um 'vídeo-bomba' contra mim." "E o que o senhor acha que é?", perguntamos. Moro respirou fundo, ameaçou falar alguma coisa, mas se conteve. A guerra está só começando. Acompanhe nas próximas páginas os principais trechos desta conversa.

"O COMBATE À CORRUPÇÃO NÃO É PRIORIDADE DO GOVERNO"
O ex-ministro Sergio Moro recebeu VEJA em seu apartamento em Brasília. Na entrevista, que durou duas horas, ele lembrou que aceitou o cargo de titular da Justiça diante do compromisso assumido por Bolsonaro com o combate à corrupção. Aos poucos, porém, foi percebendo que esse discurso não encontrava sustentação na prática do governo ?" e ficou bastante incomodado quando viu o presidente se aproximar de políticos suspeitos:

"Sinais de que o combate à corrupção não é prioridade do governo foram surgindo no decorrer da gestão. Começou com a transferência do Coaf para o Ministério da Economia. O governo não se movimentou para impedir a mudança. Depois, veio o projeto anticrime. O Ministério da Justiça trabalhou muito para que essa lei fosse aprovada, mas ela sofreu algumas modificações no Congresso que impactavam a capacidade das instituições de enfrentar a corrupção. Recordo que praticamente implorei ao presidente que vetasse a figura do juiz de garantias, mas não fui atendido. É bom ressaltar que o Executivo nunca negociou cargos em troca de apoio, porém mais recentemente observei uma aproximação do governo com alguns políticos com histórico não tão positivo. E, por último, teve esse episódio da demissão do diretor da Polícia Federal sem o meu conhecimento. Foi a gota d'água".

O senhor acusou o presidente Bolsonaro de interferir politicamente na Polícia Federal. Tem provas disso? O presidente tem muito poder, tem prerrogativas importantes que têm de ser respeitadas, mas elas não podem ser exercidas, na minha avaliação, arbitrariamente. Não teria nenhum problema em substituir o diretor da PF Maurício Valeixo, desde que houvesse uma causa, uma insuficiência de desempenho, um erro grave por ele cometido ou por algum de seus subordinados. Isso faz parte da administração pública, mas, como não me foi apresentada nenhuma causa justificada, entendi que não poderia aceitar essa substituição e saí do governo. É uma questão de respeito à regra, respeito à lei, respeito à autonomia da instituição.

E quais eram as motivações políticas? Reitero tudo o que disse no meu pronunciamento. Esclarecimentos adicionais farei apenas quando for instado pela Justiça. As provas serão apresentadas no momento oportuno, quando a Justiça solicitar.

"NÃO POSSO ADMITIR QUE O PRESIDENTE ME CHAME DE MENTIROSO"
O presidente Bolsonaro rebateu as acusações do ex-ministro. Ele negou que houvesse tentativa de interferência política na Polícia Federal e acusou Sergio Moro de tentar negociar a demissão do diretor da PF em troca de sua nomeação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Moro conta por que divulgou uma mensagem trocada entre ele e a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e outra entre ele e Bolsonaro:

"Eu apresentei aquelas mensagens. Não gostei de apresentá-las, é verdade, mas as apresentei única e exclusivamente porque no pronunciamento do presidente ele afirmou falsamente que eu estava mentindo. Embora eu tenha um grande respeito pelo presidente, não posso admitir que ele me chame de mentiroso publicamente. Ele sabe quem está falando a verdade. Não só ele. Existem ministros dentro do governo que conhecem toda essa situação e sabem quem está falando a verdade. Por esse motivo, apresentei aquela mensagem, que era um indicativo de que eu dizia a verdade, e também apresentei a outra mensagem, que lamento muito, da deputada Carla Zambelli. O presidente havia dito uma inverdade de que meu objetivo era trocar a substituição do diretor da PF por uma vaga no Supremo. Eu jamais faria isso. Infelizmente, tive de revelar aquela mensagem para provar que estava dizendo a verdade, que não era eu que estava mentindo".

Na mensagem, Bolsonaro cita uma investigação sobre deputados aliados e afirma que aquilo era motivo para trocar o diretor da PF. O que exatamente queria o presidente? Desculpe, mas essa é uma questão que também vai ter de ser examinada dentro do inquérito que foi aberto no Supremo Tribunal Federal para investigar esse caso. Reitero a minha posição. Uma vez dito, é aquilo que foi dito. Não volto atrás. Seria incoerente com o meu histórico ceder a qualquer intimidação, seja virtual, seja verbal, seja por atitudes de pessoas ou de outras autoridades.

O senhor sofreu algum tipo de ação intimidatória após as revelações que fez? Atacaram minha esposa e estão confeccionando e divulgando dossiês contra ela com informações absolutamente falsas. Ela nunca fez nada de errado. Nem eu nem ela fizemos nada de errado. Esses mesmos métodos de intimidação foram usados lá trás, durante a Lava-­Jato, quando o investigado e processado era o ex-presidente Lula.

"NUNCA FOI MINHA INTENÇÃO SER ALGOZ DO PRESIDENTE"
Depois das denúncias de Moro, o Supremo Tribunal Federal determinou que fosse aberto um inquérito para apurar se o presidente tentou de fato aparelhar a PF para fins políticos. Em seu parecer, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu que também fossem investigados os crimes de denunciação caluniosa e contra a honra - ilícitos que, em tese, podem ter sido praticados por Moro:

"Entendi que a requisição de abertura desse inquérito que me aponta como possível responsável por calúnia e denunciação caluniosa foi intimidatória. Dito isso, quero afirmar que estou à disposição das autoridades. Os ataques mais virulentos vieram principalmente por redes virtuais. Não tenho medo de ofensa na internet, não. Me desagrada e tal, mas se alguém acha que vai me intimidar contando inverdades a meu respeito no WhatsApp ou na internet está muito enganado sobre minha natureza".

O senhor recebeu mais críticas ou apoios por se demitir do cargo e acusar o presidente??A opinião pública compreendeu o que eu disse e os motivos da minha fala. É importante deixar muito claro: nunca foi minha intenção ser algoz do presidente ou prejudicar o governo. Na verdade, lamentei extremamente o fato de ter de adotar essa posição. O que eu fiz e entendi que era minha obrigação foi sair do governo e explicar por que estava saindo. Essa é a verdade.

Qual é hoje a sua opinião sobre o presidente Bolsonaro? Pessoalmente, gosto dele. No governo, acho que há vários ministros competentes e técnicos. O fato de eu ter saído do governo não implica qualquer demérito em relação a eles. Fico até triste porque considero vários deles pessoas competentes e qualificadas, em especial o ministro da Economia. Espero que o governo seja bem-sucedido. É o que o país espera, no fundo. Quem sabe a minha saída possa fomentar um compromisso maior do governo com o combate à corrupção.

"NÃO QUERO PENSAR EM POLÍTICA NESTE MOMENTO"
Em todas as grandes manifestações dos apoiadores do presidente, a figura do ex-ministro da Justiça sempre ocupou lugar de destaque. Após sua demissão, ele passou a ser tratado nas redes sociais como traidor e oportunista que estaria tirando proveito político em um momento de fragilidade do governo:

"Lamento ter de externar as razões da minha saída do governo durante esta pandemia. O foco tem de ser realmente o combate à pandemia. Estou dando entrevista aqui porque tenho sido sucessivamente atacado pelas redes sociais e pelo próprio presidente. Hoje mesmo, quarta, ele acabou de dar declarações, ontem deu declarações. Venho sendo atacado também por parte das pessoas que o apoiam politicamente. Tudo o que estou fazendo é responder a essas agressões, às inverdades, às tentativas de atingir minha reputação".

O que o senhor pretende fazer a partir de agora? Estou num período de quarentena. Tive 22 anos de magistratura. Deixei minha carreira com base em uma promessa não cumprida de que eu teria apoio nessas políticas de combate à corrupção. Isso foi um compromisso descumprido. Não posso voltar para a magistratura. Eu me encontro, no momento, desempregado, sem aposentadoria. Tudo bem, tem gente em situação muito mais difícil que a minha. Não quero aqui ficar reclamando de nada. Pedi a quarentena para ter um sustento durante algum tempo e me reposicionar, provavelmente no setor privado.

Não pensa em entrar definitivamente na política? Minha posição sempre foi de sentido técnico. Vou continuar buscando realizar um trabalho técnico, agora no setor privado. Não tenho nenhuma pretensão eleitoral. Não me filiei a partido algum. Nunca foi meu plano. Estou num nível de trabalho intenso desde 2014. Quero folga. E não quero pensar em política neste momento.

"PODE EXISTIR UM MANDANTE DO CRIME"
Um dos motivos do desgaste de Sergio Moro e da direção da PF foi a investigação do atentado que Bolsonaro sofreu durante a campanha. O presidente não acredita que o garçom Adélio Bispo de Oliveira agiu sozinho. Crê numa conspiração política patrocinada por adversários. A polícia nunca encontrou nenhuma prova concreta disso. Questionado sobre o assunto, o ex-ministro diz que a hipótese não é absurda:

"Existe uma forte suspeita de que o Adélio tenha agido a mando de outra pessoa. A Polícia Federal fez a investigação. Como o presidente é vítima neste caso, nós fizemos uma apresentação no primeiro semestre de 2019 no Planalto. Os delegados apresentaram todo o resultado da investigação até aquele momento. Pende para o final da investigação um pedido de exame do aparelho celular de um advogado do Adélio. A polícia buscou esse acesso, e isso foi obstado pelas Cortes de Justiça, e ainda não há uma decisão definitiva. Depois do exame desse celular, o inquérito poderá ser concluído. Esse é o conteúdo de inquérito que foi mostrado ao presidente, não é ilegal, já que ele é a vítima e tem, como vítima, a meu ver, o direito de ter essas informações. Não é nenhuma questão só do crime em si, mas um caso de segurança nacional. A suspeita de que pode existir um mandante intelectual do crime não pode ser descartada. Enquanto não se tem a conclusão da investigação, não se pode ter um juízo definitivo".

O senhor tem medo de sofrer algum atentado? Certamente. Sigo tendo a proteção da Polícia Federal. Não gosto de falar muito nesse assunto. Isso é algo que assusta pessoas próximas a mim.

Foi por isso que, antes de aceitar o cargo, o senhor pediu ao presidente uma pensão caso lhe acontecesse algo? Achei engraçado algumas pessoas dizerem que seria um crime da minha parte. O que aconteceu foi o seguinte: como eu larguei a magistratura, perdi a aposentadoria e a pensão. E, como eu sabia que nós seríamos firmes contra a criminalidade violenta, contra o crime organizado e contra a corrupção, o que externei ao presidente foi um desejo de que, se algo me acontecesse durante a gestão, como eu havia perdido a pensão, minha família não ficasse desamparada. Certamente teria de ser analisada juridicamente a viabilidade disso, e a aprovação através de uma lei. A condição para que a pensão fosse paga seria a minha morte. Só externei que, caso eu fosse morto em combate, fosse garantida uma pensão integral à minha família, correspondente aos vencimentos de ministro.

O senhor se arrepende de ter largado a magistratura para entrar no governo Bolsonaro? Não. A gente tem esse espelho da Operação Mãos Limpas, na Itália. Foi feito um trabalho fantástico lá pelos juízes, mas houve um retrocesso político na Itália naquela época. Eles lamentavam muito. Embora soubesse que minha ida para o governo seria controversa, o objetivo sempre foi continuar defendendo a bandeira anticorrupção, evitando retrocessos. Não, não me arrependo. Acho que foi a decisão acertada naquele momento. Agradeço ao presidente por ter me acolhido. Assumi um compromisso com ele que era muito claro: combate à corrupção, ao crime organizado e à criminalidade violenta. Eu me mantive fiel a esse compromisso.
Herculano
01/05/2020 08:16
HÁ 26 ANOS MORRIA O PILOTO DE FóRMULA UM AÍRTON SENA DA SILVA, NO GRANDE PRÊMIO DA ITÁLIA. COMOÇÃO NO MUNDO ENTRE OS ESPORTISTAS. NO BRASIL, ENTRE OS BRASILEIROS PELA PERDA DE UM ÍDOLO, QUASE UNÂNIME.

DE LÁ PARA CÁ....
Herculano
01/05/2020 07:58
da série: sem saída. Agora, para lavar a alma, o governador precisa é ir o mais urgentemente atrás e desarmar a estrutura podre e viciada que está incrustada há anos dentro do aparelho do estado e que lhe deu uma pernada e vai lhe dar em outras oportunidades.

SECRETÁRIO DA SAÚDE DE SC DEIXA GOVERNO APóS SUPOSTAS IRREGULARIDADES EM COMPRA DE RESPIRADORES

Governo do Estado confirmou em nota pedido de exoneração feito por Helton Zeferino nesta quinta-feira

Conteúdo do NSC Total, Florianópolis SC. Texto de Jean Laurindo. O secretário de Saúde de Santa Catarina, Helton Zeferino, pediu exoneração do cargo no fim da tarde desta quinta-feira (30). A saída dele foi confirmada à noite em nota oficial do governo do Estado.

Zeferino deixa o cargo dois dias após a denúncia de supostas irregularidades na compra de 200 respiradores pelo valor de R$ 33 milhões. O valor foi pago adiantado pelo governo do Estado, que ainda não recebeu os equipamentos. A última previsão é de que os aparelhos cheguem ao Estado até 20 de maio.

A denúncia foi revelada em reportagem do portal The Intercept Brasil.

O secretário de Saúde também deixa o Estado em meio à pandemia do novo coronavírus. Até a tarde desta quinta, o Estado tinha 48 mortes por causa da covid-19 e 2.394 casos confirmados.

A Assembleia Legislativa (Alesc) aprovou na quinta-feira um requerimento que pedia ao governador Carlos Moisés (PSL) o afastamento do secretário de saúde. Segundo os deputados que assinaram o pedido, a medida seria necessária para garantir transparência às investigações sobre o polêmico processo de compra dos respiradores.

Na nota em que confirma o pedido de exoneração feito pelo então secretário, o governo agradece aos serviços do secretário e lembra que foi na gestão dele que houve uma redução da dívida da saúde do Estado, que chegou a R$ 750 milhões, e parcerias com hospitais filantrópicos.

O Estado também destaca o trabalho feito até aqui no combate à pandemia do coronavírus e conduzido por Zeferino.

O nome do novo secretário deve ser divulgado nos próximos dias, segundo o governo de SC.
Herculano
01/05/2020 07:38
APRENDER ONLINE FORA E DENTRO DA ESCOLA, por Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais, da FGV, e ex-diretora de educação do Banco Mundial, no jornal Folha de S. Paulo

Aprender online fora e dentro da escola
O processo de aprender e ensinar mudará muito depois da pandemia

Participei nesta semana de interessante debate organizado pela Casa Firjan sobre EaD e aprendizagem online. À parte importantes detalhes técnicos sobre design instrucional e aspectos conceituais de diferentes modalidades de ensino com utilização de tecnologia, manteve-se uma convicção: o processo de aprender e ensinar vai mudar muito depois da pandemia.

Uma forte ação emergencial frente à pandemia não prevista, portanto para a qual planos não foram feitos, foi adotada por todos os estados brasileiros e boa parte dos municípios. Nela, secretarias de Educação combinam diferentes mídias, como televisão, cadernos de atividades e aplicativos, com aulas online para assegurar alguma mitigação dos danos causados pelo longo período de fechamento das escolas.

Não houve tempo para formações sólidas dos professores ou para orientar os pais, da mesma maneira que não foi possível treinar bem os médicos e enfermeiros para lidar com a situação de crise. Além disso, a negociação com as empresas de telecomunicações para aquisição de pacotes de dados para celulares e a produção de conteúdos para as diferentes mídias levou a um pequeno retardamento do processo. Nada foi perfeito ou próximo do ideal.

Como afirmou a autoridade da União Europeia de educação em um dos webinários internacionais de que participei, trata-se aqui de ações de aprendizagem emergencial. E, sim, cada um dos diferentes meios utilizados faz sentido. Privar os cerca de 51% dos alunos de ensino médio do Maranhão, um dos estados mais pobres da Federação, que se habilitaram na plataforma digital do estado de acesso a aulas ou atividades online porque outros não têm como se conectar teria sido um grave erro. Não fazer nada também seria, daí a importância de se ter material impresso para distribuição e aulas na televisão.

Isso pode causar desigualdades educacionais? Sim, infelizmente, mas não maiores do que se a aprendizagem online fosse evitada enquanto a quase totalidade de escolas particulares no mesmo nível de escolaridade estão usando plataformas para seu processo de ensino remoto. E, se um sistema sólido de recuperação de aprendizado for adotado no retorno às aulas, atendendo os alunos que não conseguiram aprender o mínimo esperado, parte delas será equacionada.

Mas o mais interessante do que comentam os especialistas é que, com as formações emergenciais que ocorreram na crise, a inclusão digital de professores constrói a base de um processo de ensino que pode permanecer e se aperfeiçoar após o retorno às aulas. Aprender online vai ser possível, mas sempre sob liderança de bons professores!
Herculano
01/05/2020 07:33
CONGRESSO NADA; OPOSIÇÃO A BOLSONARO ESTÁ NO STF, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nesta sexta-feira nos jornais brasileiros

Jair Bolsonaro coleciona uma sequência de derrotas sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF), em relação aos antecessores. Ministros mal disfarçam a antipatia pelo presidente e acabam usados por partidos de oposição como instrumento para impor derrotas, anulando decretos, medidas provisórias, nomeações, projetos, campanhas etc. Julgando contra o governo, ministros como o decano Celso de Mello, Alexandre de Moraes e Luís Barroso têm lembrado a Bolsonaro que a vitória nas urnas não garante o livre exercício das suas competências constitucionais.

DEIXA QUE EU CHUTO

Apesar da origem tucana, Moraes não fica no muro: são cinco decisões contra o governo em 35 dias. Incluindo a "desnomeação" na PF.

ATÉ ATO ADMINISTRATIVO

O STF barrou ato que devolvia a Funai ao Ministério da Agricultura. E por unanimidade impediu que Bolsonaro definisse políticas de isolamento.

IMPORTANTE É DERROTAR

O STF impôs derrota a Bolsonaro e anulou MP que extinguia indecoroso DPVAT, além de impedir a extinção das sinecuras de conselhos federais.

SEM ALÍVIO

Por unanimidade, o STF barrou mudar a lei de Acesso à Informação para aliviar a punição a quem não respondesse pedidos durante a pandemia.

MIDIÁTICO, DORIA FRACASSA NO COMBATE À COVID-19

Os questionamentos do presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre as medidas adotadas por alguns governadores como o midiático João Dória (SP) decorrem, além da batalha política, dos maus resultados obtidos no enfrentamento à Covid-19. Dória, que optou pelas medidas mais restritivas, inclusive ameaça de prisão a quem saísse de casa, não impediu o estado de se tornar o epicentro da epidemia no Brasil e atingir uma taxa de mortalidade de 8,3%, bem acima da média nacional.

MAU EXEMPLO

A taxa de mortalidade média no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, é de sete em cada 100 infectados. Em SP, essa taxa é 20,3% maior.

NÚMEROS NÃO MENTEM

O governador afirma que o estado é o mais preparado, mas com 21,7% da população do Brasil, SP tem 33,6% dos casos e 40,2% das mortes.

HOLOFOTE NÃO SALVA VIDAS

Dória reserva parte das coletivas para criticar Bolsonaro e mostra que a preocupação de emplacar na imprensa parece maior que a com o vírus.

ALô, PF, ALô MPF

A denúncia chocante de treze deputados estaduais do Amazonas continua sem resposta e nem providência das autoridades federais: o governo chefiado por Wilson Lima é acusado de superfaturar em 300% as compras de materiais e equipamentos de combate ao coronavírus.

O QUE É RUIM, ESCONDE

Ex-vice de Obama e candidato democrata a presidente, Joe Biden foi acusado de estupro, mas os brasileiros não sabem: os correspondentes certamente só se interessariam se o acusado fosse o rival Donald Trump.

A VIDA COMO ELA É

Se Bolsonaro é desinformado sobre coronavírus, tem uma visão ingênua do interesse de muitos prefeitos no estado de calamidade de municípios, a maioria longínquos. O presidente acha que é para manter o povo em casa, mas é para comprar adoidado sem licitação. E superfaturado.

PODER DO VÍRUS

O impacto da pandemia do coronavírus foi brutal sobre a economia do Brasil. Em apenas três meses pulverizou 1,2 milhão de empregos e fez o país voltar ao fim de 2018 em termos de taxa de desemprego.

É DO JOGO

O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), afirmou que o Supremo Tribunal Federal "precisa defender a democracia" e que "ninguém está acima da lei, nem mesmo os filhos do presidente".

RECOMPENSA

O deputado Loester Trutis (PSL) e o empresário Ciro Fidélis, de Campo Grande (MS), estão oferecendo recompensa de R$100 mil a quem oferecer pistas que levam aos cúmplices de Adélio, o autor da facada no presidente Jair Bolsonaro. Pedem ligar para o celular (61) 99107-5856.

FRANCO ATIRADOR

Deputado do PDT apresentou projeto para suspender as atividades da bolsa (mercado de ações, títulos ou valores mobiliários) no Brasil, por 120 dias. Ou quer parar de perder ou nada entende de mercado.

AGILIDADE NACIONAL

Pouco depois de firmar parceria para produzir 14.100 respiradores com indústrias nacionais, o Ministério da Saúde começou a distribuição das primeiras 272 unidades a estados e municípios em maior necessidade.

PENSANDO BEM...

...o distanciamento social fez milagre no relacionamento entre o ministro Paulo Guedes e o Congresso Nacional.
Herculano
01/05/2020 07:25
da série: o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, possui uma virtude incomum e ela trabalha contra ele. Ele sempre estica a corda no limite. A sensatez não faz parte do seu dicionário para desespero do que querem a estabilidade, as acomodações e os recuos. É um provocador contumaz. E com isso, ele próprio aperta o nó da sua própria corda para ver até onde pode suportar, se suportar.

APOIO A IMPEACHMENT CHEGA CEDO A BOLSONARO, MAS AINDA NÃO NO NÍVEL DE COLLOR E DILMA

Desejo pelo processo aferido pelo Datafolha mostra semelhanças e diferenças entre presidentes

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Igor Gielow. A abertura de um processo de impeachment contra Jair Bolsonaro racha o eleitorado brasileiro, mas o presidente ainda está em posição mais confortável do que a de seus dois antecessores impedidos desde a redemocratização de 1985.

É o que se depreende da análise de outros momentos de crise política nos quais o Datafolha perguntou à população se era conveniente o movimento por parte da Câmara dos Deputados.

Relativizando essa leitura há um fato: a intenção contrária a Bolsonaro é alta, 45%, e ele tem um 1 ano e 4 meses no cargo. Outros 48%, um empate na margem de erro de três pontos, são contra a abertura do processo. Os dados foram divulgados na segunda (27).

A palavra impeachment ronda conversas políticas há poucos meses, devido à erosão acelerada da relação entre o Planalto e os outros Poderes e entes federativos. A condução conflituosa da emergência do novo coronavírus, rejeitada por 46% e na qual Bolsonaro se isolou politicamente, acelerou o desgaste político.

A tensão chegou ao paroxismo com a saída de Sergio Moro do governo, com o ministro da Justiça acusando o ex-chefe de querer interferir na Polícia Federal - algo confirmado por Bolsonaro ao insistir no nome de Alexandre Ramagem, próximo à sua família, para a direção do órgão.

O presidente, contudo, mantém um patamar alto de apoio popular no cômputo geral, 33% de ótimo e bom.

O primeiro presidente eleito diretamente depois da ditadura de 1964, o hoje senador Fernando Collor de Mello (então no partido sob medida PRN), foi afastado sob acusação de corrupção em setembro de 1992 - viria a renunciar três meses depois para tentar evitar a perda de direitos políticos, sem sucesso.

Ele passou os dois primeiros anos do mandato, 1990 e 1991, decaindo devido ao caos econômico e à perda de sustentação no Congresso. Fritou na cadeira, de fato, em 1992, quando foi acusado pelo irmão Pedro de envolvimento em um grande esquema de corrupção e acabou alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito e o subsequente impeachment.

O Datafolha aferiu o ânimo da população nos dias 3 e 4 de setembro, pouco mais de 20 dias antes da abertura do processo. Naquele momento, 75% dos brasileiros desejavam a medida, ante 18% que a rejeitavam.

Já Dilma Rousseff (PT) foi reeleita em 2014, assumindo em 2015 sob grave crise econômica decorrente de opções feitas em seu primeiro mandato.

Politicamente, o governo começou a sangrar pelas revelações da Operação Lava Jato, que atingia não só seu partido como vários aliados, em 2014. No ano seguinte, a oposição ferrenha do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB), acelerou sua decadência política.

Em março de 2015, o Datafolha mostrou que 63% dos brasileiros desejavam o impeachment de Dilma, enquanto 33% eram contra. Em outras quatro pesquisas, o índice oscilou até um máximo de 68% a favor (março de 2016), chegando ao derradeiro levantamento de abril de 2016 em 61%.

A presidente acabou afastada em maio daquele ano, sendo julgada e impedida em agosto, devido às pedaladas fiscais que promovera.

Esses dados são referenciais, dado que há diferenças metodológicas ?"as duas pesquisas sobre Bolsonaro foram feitas por telefone devido à pandemia da Covid-19, enquanto as anteriores eram presenciais.

Outros dois presidentes no período tiveram o impeachment especulado, mas permaneceram no cargo com apoios díspares. Em agosto de 2005, no auge do escândalo do mensalão, o Datafolha quis saber se os brasileiros desejavam um impeachment contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O resultado: 63% eram contrários, 29% a favor. A oposição acompanhou o sentimento popular e preferiu deixar Lula sofrer o desgaste. Deu errado: em 2006, ele havia se recuperado e foi reeleito.

Já em maio de 2017, foi a vez do ex-vice de Dilma, Michel Temer (MDB), ir para a grelha. Pego em uma conversa indevida com o empresário Joesley Batista, ele teve duas denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República à Câmara ?"conseguiu vê-las suspensas até o fim de seu mandato.

O fez pelo apoio expressivo que tinha na classe política e pela anemia da oposição recém-retirada do Planalto. O desejo popular era por impeachment: o Datafolha apontou em junho daquele ano que 81% desejavam o instrumento contra Temer, enquanto 15% o poupavam.

O caso de Bolsonaro é comparável com o de seu antecessor imediato pelo tempo semelhante que ambos tinham no cargo quando o impeachment começou a rondar. Mas Temer tinha quase uma unanimidade popular contra si, algo que está longe do atual presidente por ora.

O que se vê são os traços comuns de todos os presidentes que foram removidos da cadeira: amplo desejo popular pelo processo de impeachment, falta de apoio congressual e crise econômica.

Sobre algo bastante mais intangível, a renúncia de Bolsonaro, o Datafolha mostrou que 46% dos brasileiros a desejam - o valor aferido na segunda (27) é maior do que aquele registrado há duas semanas, 37%.

Em três rodadas questionando sobre a hipótese, entre novembro de 2015 e abril de 2016, o Datafolha ouviu um alto apoio a ela no caso de Dilma, oscilando de 60% a 65%. Já Temer teve a renúncia desejada, no auge de sua crise em 2017, por 76%.
Herculano
01/05/2020 07:15
HOJE É DIA DO TRABALHO OU DO TRABALHADOR?

Com a Pandemia, nem um, nem outro.

Hoje seria o dia do tradicional torneio e churrasco do Tupi. Era lá onde cuida da escolinha de talentos, depois do Stammtisch organizado pelo Cruzeiro do Vale onde montava a principal barraca, também cancelado, que o presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB, fazia à aproximação política.

Perdeu a oportunidade lá e hoje. Restará a Festa de São Pedro, também bem ameaçada, pois esse pico da doença nunca chega contra os cidadãos, a cidade e a renda.

A vida de político populista que vive do contato e lábia com o povo está difícil. Então Ciro fez um vídeo, agradável, com cuidados para não se enquadrar em campanha antecipada. Ele está circulando nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Ajuda? Sim, mas não substitui o jeito de contatar e fazer política, como Ciro faz.
Herculano
01/05/2020 07:06
ILHOTA EM CHAMAS

Depois de mandar os empresários do comércio comprar e doar as máscaras aos clientes e provocar mais uma forte polêmica há 20 dias, o prefeito de Ilhota Érico de Oliveira, MDB, que é empresário e possui loja (bem como seu vice Joel José Soares, PSL), mudou de ideia. Comprou 15 mil máscaras para doar a população.

Repetiu, tardiamente, o gesto de outros prefeitos.
Herculano
30/04/2020 20:26
da série: políticos, jornalistas, promotores públicos e juízes ainda queriam que o pagamento se desse sem a apresentação do CPF...

PF PRENDE DUAS PESSOAS POR SAQUES ILEGAIS DE R$ 96,5 MIL DE AUXÍLIOS EMERGENCIAIS, por Vicente Nunes, no jornal Correio Braziliense, Brasília DF

As filas quilométricas em frente às agências da Caixa Econômica Federal se tornaram rotina nos últimos dias. Milhares de pessoas enfrentam horas de espera para sacar o auxílio emergencial de R$ 600 pagos pelo governo federal. Para os bandidos, no entanto, ter acesso a esses recursos está mais fácil do que parece.

A Polícia Federal no Maranhão prendeu, em flagrante, duas pessoas na madrugada desta quinta-feira (30/04), após o saque indevido de R$ 96.573. Segundo policiais que participaram da operação, a quantia corresponde ao auxílio emergencial pago por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

De acordo com a PF, os bandidos foram levados para a sede da Superintendência Regional da corporação no Maranhão por policiais militares. Os dois foram surpreendidos com 108 cartões do Bolsa Família em nome de diversas pessoas e vários extratos bancários, que confirmaram os saques na agência da Caixa, localizada na Praça João Lisboa, no Centro de São Luís.

Os bandidos responderão pelo crime de estelionato, previsto no Artigo 171, Parágrafo 3º, do Código Penal Brasileiro. A notícia da prisão das duas pessoas provocou comoção em São Luís, onde as mortes pela Covid-19 estão em disparada. O Maranhão é um dos estados mais pobres do país.

Em todo o Brasil, são muitas as queixas em relação às dificuldades impostas pelo governo para os saques do auxílio emergencial. Mais de 13 milhões de pessoas tiveram os pedidos de ajuda negados pelo governo.
Herculano
30/04/2020 20:15
BOLSONARO TROCA A PRESIDÊNCIA PELA CAÇA ÀS BRUXAS, por Josias de Souza.

Jair Bolsonaro abdicou de sua condição de presidente para assumir as funções de animador do cercadinho do Palácio da Alvorada. Como presidente, Bolsonaro deveria liderar o combate à crise do coronavírus. Como animador de cercadinho, ele se dedica a criar crises laterais que dificultam o gerenciamento da crise principal. A ação do animador potencializa os efeitos da inação do presidente. Hoje, o país divide suas atenções entre o cercadinho de Brasília e os cemitérios. Logo, os cadáveres serão tantos que as pessoas começarão a perceber de forma mais intensa a falta que faz um presidente.

Antigamente, a criação de crises era atribuição de oposicionistas. Agora, Bolsonaro se encarrega de informar que ele próprio esteve na bica de atear na conjuntura uma crise institucional. No seu esforço para animar o cercadinho, Bolsonaro transformou-se em caçador de bruxas. Um caçador de bruxas não precisa acreditar em nada. Nem em bruxas. A bruxa é uma caça abundante, porque qualquer coisa é uma bruxa. Basta o caçador de bruxas apontar o dedo e dizer: "É uma bruxa".

Para Bolsonaro, a temporada de caça às bruxas dura o ano inteiro. Mas algumas fases são mais propícias. Quando o caçador de bruxas se sente ameaçado, seu dedo endurece naturalmente. Ora aponta para os governadores, ora para a cúpula do Congresso. No momento, Bolsonaro enxergou uma bruxa no ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Alega que esfregará na cara da bruxa um recurso contra a liminar que o impediu de colocar um amigo da encrencada família Bolsonaro no comando da Polícia Federal. Isso é conversa mole.

A nomeação do amigão da família foi desfeita. E não se pode recorrer para manter um ato administrativo que já não existe. Afronta-se a lógica porque Alexandre de Moraes tornou-se uma bruxa conveniente. Ele cuida no Supremo de dois inquéritos que roçam em Bolsonaro e nos filhos dele. Sabendo que pode virar caça, Bolsonaro se apressa em apontar para a bruxa do Supremo. Avalia que ninguém dará crédito às conclusões penais de uma bruxa. O problema de todo esse teatro de horrores é o seguinte: à medida que a pilha e corpos aumenta, as pessoas começam a se perguntar: o que faz o presidente? E Bolsonaro: "Não tenho nada a ver com nada. Estou caçando bruxas." O caçador logo terá de se abai.
Herculano
30/04/2020 20:08
BIPOLAR

De Vera Magalhães, do jornal O Estado de S. Paulo, no twitter:

Pesquisas e panelaço em Porto Alegre devem ter assustado o presidente. Tom dele agora na live muito diferente: não peitou o STF, não desancou governadores, cumprimentou famílias dos mortos de covid-19 e fez elogio aos profissionais de saúde
Herculano
30/04/2020 18:44
DENTRO DO ALÇAPÃO, por Willian Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

A crise tripla que Bolsonaro enfrenta é inédita e não permite dizer o que vai acontecer

Com a vivência de 28 anos de política em Brasília, provavelmente Jair Bolsonaro sabe ou pelo menos intui que está, agora, nas mãos de profissionais. Os do Centrão e os do STF. Na linguagem militar, trata-se de um formidável movimento de pinça, do qual o presidente tem poucos recursos para escapar.

O alçapão armou, Bolsonaro está dentro dele e ali ficará debatendo-se em limites muito estreitos, salvo o imponderável (o número de mortos da crise de saúde pública e um impeachment são hoje os imponderáveis). Mantida a situação atual de precário equilíbrio, suas opções são reduzidas.

Ele criou a armadilha para si mesmo agindo por medo e com muita pressa. Bolsonaro é um personagem político autêntico e de extraordinária transparência. Faz questão de reiterar publicamente que se sente sempre o alvo de uma grande conspiração, integrada por membros da velha política, imprensa, juízes e ministros do STF, comunistas, ministros com alta popularidade, governadores ?" a lista é longa.

Por algum tempo o "cerco" urdido por conspiradores era apenas uma distorcida percepção da realidade. Hoje, de fato, o presidente está cercado. Pelos profissionais do Centrão, que dispõem de tempo e de circunstâncias inesperadamente favoráveis para extrair do presidente o preço máximo em troca de apoio político.

E pelos profissionais do Judiciário, sobre os quais Bolsonaro tem pouco ou nenhum tipo de controle. A judicialização da política na era Bolsonaro assumiu contornos muito semelhantes aos da era Dilma, quando uma liminar proferida por um integrante do STF a impediu de nomear Lula como ministro. Desvio de finalidade - o mesmo tipo de figura jurídica da liminar que bloqueou a nomeação por Bolsonaro de um novo diretor-geral da Polícia Federal.

Os perigos para Bolsonaro estão hoje no STF ?" uma instituição contra a qual seus apoiadores foram mobilizados com a ferocidade e irresponsabilidade típicas de redes sociais nas quais o presidente acredita residir seu maior capital político. A figura do presidente já seria lateralmente atingida por investigações em curso nas quais se pretende apurar quem e como organizou e financiou campanhas contra o Judiciário, mas, agora, está no centro do inquérito que o procurador-geral da República requereu "sem apontar A ou B". O STF apontou para o B de Bolsonaro.

Salvo imponderáveis, o Centrão não tem o apetite para tocar adiante um processo de impeachment. Os parlamentares não enxergam nenhuma vantagem prática em derrubar o presidente neste momento, e se consideram bem situados do ponto de vista político em assegurar "governabilidade" que, nestes dias de enorme crise de saúde pública, significa sobretudo abrir os cofres públicos para ver como é que fica depois. O movimento para moer Bolsonaro está vindo do STF.

A preciosa intuição que Bolsonaro exibiu na campanha eleitoral faltou-lhe agora. Sem que nenhum de seus opositores precisasse se esforçar, ele mesmo acabou solapando os pilares da sua imagem e está perdendo rapidamente o apoio em camadas de eleitores que não são tão numerosos, mas têm peso na propagação e formação de opinião. E, em vez de evitar comoções, Bolsonaro se esmera em criá-las constantemente. Seu jeito "autêntico" de ser (como ao dizer "E daí? Que quer que eu faça?" diante de um recorde de mortos pelo coronavírus) é visto com repulsa em círculos cada vez mais amplos.

Como tudo na atualidade, a situação que Bolsonaro enfrenta também é inédita. Dilma tinha de lidar com uma dupla crise, econômica e política. A situação de Bolsonaro é de uma tripla crise: a terceira é a pandemia. Mas não há parâmetros históricos para dizer o que vai acontecer.

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