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Os retratos do governo de Gaspar está na improvisação do solapamento lateral da rua Nereu Ramos para o rio Itajaí-Açu - Jornal Cruzeiro do Vale

Os retratos do governo de Gaspar está na improvisação do solapamento lateral da rua Nereu Ramos para o rio Itajaí-Açu

29/07/2019

Um caminhão tombado no desvio

Falta de aviso não foi. Falta de evidências e experiência também não. O que faltou de verdade? Encarar o fato como uma crise, um acidente, algo inesperado e que é possível a qualquer governo, empreendimento ou atividades.

E por não tratar o fato como uma crise – separando-a da rotina de governo, com gente especializada ou minimamente preparada para tal na Defesa Civil, na Ditran, no Planejamento, no Obras, na Comunicação e no Gabinete do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB -, é que faltou ou falhou o planejamento, coordenação, ação e liderança para esse caso específico. Sobrou propaganda enganosa e desgastes.

E aí você pensa: é um fato isolado. Mas, não. O governo da cidade é assim. O prefeito está em campanha eleitoral. Está perigosamente exposto. Quem mesmo o orienta?

As vitórias do governo Kleber – e há - estão sendo todas elas engolidas pelos erros e que se transformam rapidamente em derrotas aos olhos da população, das redes sociais, dos aplicativos de mensagens para os quais não possui controle, ou da oposição e dos críticos. E olha que em menos de três anos, Kleber está na quarta equipe de "Comunicação", o que por si só demonstra que algo não vai bem nesta área. Ela finge trabalhar para o governo, mas – e agora mais do que antes - está mais preocupada com a campanha à reeleição do chefe. Detalhe: sem a imagem de realizador que quer vender, diante do que não se realizou até agora, não haverá reeleição.

Vamos destrinchar o óbvio para o caso de uma crise anunciada, mal gerenciada e que é o espelho de tantas outras por todos os cantos da cidade.

Primeiro: o aviso de que aquela área na Rua Nereu Ramos que desmoronou continha problemas foi “anunciada” há mais de um ano, quando a poucos metros dali, na Anfilóquio Nunes Pires, defronte ao Archer, a barranca cedeu para o Rio Itajaí Açú. Isso sem considerar que esse fenômeno não é assunto novo por aqui e deveria ter um programa de monitoramento preventivo constante.

Por displicência, por falta de rotina, ou por economia, o aviso geológico foi ignorado pelos políticos, engenheiros e geólogos os quais não deveriam ter comportamentos de políticos. Deu no que deu: repetiu-se ao que tinha acontecido no Archer. E tende a se repetir mais acima, perto das Malhas Soft, como já relatei e documentei aqui em outra coluna anterior.

Segundo: à tentativa de fazer a simples reposição do material “comido” pelo Rio nas imediações do Archer se mostrou inócua. É um ensinamento, então, mas não aprendido. A engenharia e a geologia tiveram que, emergencialmente, socorrerem-se de uma tal cortina de estacas de concreto – e não prevista no projeto inicial - para “segurar” à movimentação de terras arenosas no local. Mais custos. Mais tempo. Mais dúvidas.

Terceiro. Avisado, mas não remediado como mandava à prudência depois do caso do Archer, a barranca na Nereu Ramos cedeu a 100 metros do Archer. Bingo! Como não só o atual prefeito, mas principalmente os anteriores, nunca levaram a cabo um plano para integrar a cidade à mobilidade naquela área e a deixaram refém da antiga SC 470 e conhecida como Jorge Lacerda, que por Gaspar quando municipalizada passou a se chamar de Aristiliano Ramos, Nereu Ramos e Anfilóquio Nunes Pires do Centro até o Bela Vista, o desbarrancamento da Nereu "surpreendeu" e isolou ambos os lados.

Caos. Um nó no governo Kleber sem plano B para a cidade naquela área que depende da Nereu Ramos e Anfilóquio Nunes Pires.

O acidente da Nereu o retirou do foco em outras obras que já não andam ou estão sob dúvidas. Deixou-o exposto não pelo acidente em si, possível, mas por não ter mitigado nos avisos que recebeu. Refém do improviso e dos comissionados palpiteiros que empregou, inventou a longa, estreita e tortuosa picada das Águas Negras para ultrapassar o trechinho de 50 metros desbarrancado na Nereu.

Um escárnio. Foi enxovalhado. Com luz e rapidez, Kleber e os seus conseguiram um acordo com os proprietários de terras de particulares atrás da Vineplast, na Figueira, para criar um atalho menos perigoso e bem mais curto para se alcançar às Ruas José Casas, Paulo Bailer e Olga Bohn até a Nereu Ramos dos que vinham do Centro para o Bela Vista.

Vencida a batalha, Kleber e sua equipe, todavia, descuidaram-se do novo atalho.

Quarto. Logo aquela via improvisada virou inferno e terra de ninguém. Era proibido por lá passar caminhões acima de quatro toneladas. E ele passaram. A prefeitura desmentia os fatos. Já as fotos e vídeos do mundo digital e instantâneo desmentiam à prefeitura. Faltou sinalização oficial no local; negava-se e as fotos desmentiam outra vez. E quando caminhoneiros tentaram enfrentar à passagem, exatamente por falta de sinalização que não permitiam o impedimento, o guinchamento e a punição, só a polícia deu conta. Faltou gente para orientar.

A Ditran que por um mês não conseguiu nem colocar duas placas oficiais proibitivas – nas entradas e saídas dos desvios -, não possui agentes de trânsito nem para o dia-a-dia em Gaspar, quanto mais para as emergências. Já escrevi sobre isso. Vou escrever novamente.

Há anos a Ditran não faz concursos para seus cargos. Então ela vestiu um santo e despiu outro. “Desativou” a Área Azul no Centro de Gaspar e os seus monitores, fora da lei e da autoridade só conferidas a agentes, foram para lá orientar o trânsito, peitar, multar e dirigir camionetes de emergência sem habilitação, as que sobraram daquelas que estavam nas oficinas.

No trecho atalho improvisado, todo o tipo de desleixo, infração e desorientação. Faltou manutenção. Sobrou poeira, lama, buracos, danos as calçadas, desnivelamento das ruas, comprometimento de pavimentação, calçadas, meio fio e redes de águas pluviais.

Só quando o assunto se tornava uma bomba prestes a estourar na mídia regional e os moradores da José Casas ameaçavam interditar à rua – e exatamente numa quinta-feira chuvosa onde o engarrafamento ultrapassou a oito quilômetros em direção a Blumenau -, é que a prefeitura, imediatamente, foi para lá, prometer soluções, dar manutenção mínima e retirar na sexta-feira de manhã parte do movimento do atalho, colocando-o de volta na rua Nereu Ramos.

Uma semana depois, liberou a Nereu Ramos nos dois sentidos no trecho que foi comido pelo Rio, aliviando todos. Cedo estava lá o prefeito se gabando como herói, fazendo as vezes dos agentes de trânsito que não contrata, de secretário de Obras que não funciona, de gerente de Comunicação que orienta à cidade. Ora, há pouco mais de um ano, o acidente do Archer lhe avisou que esse sufoco poderia acontecer. Os dois do Archer e da curva da Líder, estão avisando que no da Malhas Soft alguma coisa pode acontecer. Tomara que não seja durante a campanha eleitoral. Será o castigo.

E a pergunta que não quer calar: precisava fazer isso sob pressão? Precisava, porque faltou diálogo, cuidado, cronograma, um grupo de crise, transparência, respeito mínimo com quem estava se sacrificando 24 horas por dia por um acidente que foi avisado com meses de antecedência e não ganhou solução. Falhou a Comunicação experimentada, mas em propaganda eleitoral.

Quinto. E a obra em si? Há controvérsias. Engenheiros e geólogos da prefeitura e da Defesa Civil garantem que está tudo dentro do normal e “planejado”. Outros especialistas que olham de fora o problema e o que se fez lá, relatam dúvidas técnicas.

Uma delas é à qualidade do material depositado e que veio em caminhões sem lona pela Anfilóquio como publiquei e sob a complacência da própria Ditran. A outra é a técnica: encheram de barro na base solapada e colocaram pedras na parte superior; alguns entendem que deveria ser o inverso. Finalmente, quem acompanhou o caso Archer, diz que a mesma solução criada à última hora com uma cortina de estacas de concreto deveria ser aplicada na Nereu Ramos. É que os solos e os problemas são iguais e não poderiam ter recebido tratamento diferentes.

Como eu não sou engenheiro ou geólogo e dependo deles para propagar essas verdades técnicas, o jeito é esperar o resultado para ver com quem está a razão e se não será preciso gastar mais, ou ver o que foi feito sob desgastes da imagem da atual gestão se perder novamente. Tudo pago pelos gasparenses.

Finalmente. Na imagem acima e nas aqui abaixo, elas dão conta do retrato desta obra emergencial, mas não só dela, do próprio governo.

Um caminhão atravessa um desvio monitorado, onde teoricamente ele era proibido passar; tomba e o motorista consegue desengatar a cabine e vai embora, deixando para trás a outra parte do caminhão atrapalhando o trânsito, a cidade e os cidadãos; o abandono do poder público da Rua José Casas, Paulo Bailer e Olga Bohn que cederam ao sacrifício para mitigar algo grave e que não tiveram culpa alguma; o caminhão que descarregava pedras sobre o barro tombado na obra; e a sinalização caolha da Ditran, dirigido por curiosos, onde até a placa de orientação ocupa a faixa de pedestre contra a legislação regulamentada do Contran.

A cidade está assim. O governo na propaganda oficial, e onde ele é o repórter de si mesmo, não consegue enxerga-la para consertar naquilo que já viu errado em outros governos, prometeu não repetir ou então mudar. Então, vive se explicando, queixando-se e até se vingando. Acorda, Gaspar!

Inconformado, vereador Cícero recorre da decisão da promotora da comarca.

Ela não reconheceu atos irregulares ou a improbidade do prefeito de Gaspar no conserto de um pontilhão em propriedade particular no Gasparinho

O vereador Cícero Giovane Amaro, PSD, está inconformado. Ele acaba de entrar com um recurso no Conselho Superior do Ministério Público catarinense, contra a decisão da promotora titular da Moralidade Pública da Comarca de Gaspar, Andreza Borinelli. Ela mandou arquivar uma notícia de crime que ele fez sobre suposto uso indevido de recursos públicos para se consertar um pontilhão de madeira, numa propriedade rural, na Estrada da Santinha, no bairro Gasparinho Quadro.

Para o vereador, o Ministério Público foi enganado nas informações que a prefeitura ofereceu sobre o caso. E na reconsideração, Cícero leva vai mais argumentos para serem apreciados e com eles, tentar rever o caso.

Não custa lembrar. Foi também o vereador Cícero, que por sua insistência, parou a obra particular, nova, ao lado do Ribeirão Gasparinho, aqui no bairro Sete de Setembro. Ao ser questionada, a prefeitura também informou ao MP da Comarca e que cuida dos atos do Meio Ambiente, que tudo “estava normal” com a movimentação de terras e a construção do prédio autorizadas pela própria prefeitura.

Só depois que o caso foi parar na Ouvidoria do Ministério, em Florianópolis e o MP daqui obrigado a ir atrás novamente do assunto, e questionada novamente a prefeitura, a secretaria de Planejamento Territorial e a superintendência de Meio Ambiente admitiram ter o construtor avançado sobre Área de Preservação Permanente. Ela foi embargada e depois de meses parada, um acordo entre multas e compensações na Justiça permitiu o término da obra, mesmo avançando sobre a APP.

A decisão da promotora – que não foi a mesma no caso ambiental – colabora para a lenda urbana de que a atual administração municipal está de corpo fechado nas instituições que estão obrigadas à fiscalização. Ela apenas está dando crédito as informações oficiais da prefeitura e que Cicero insiste serem elas mentirosas. A não ser que a doutora Andreza criou uma armadilha ao poder público: a suposta boa fé pública dos agentes públicos contra eles próprios se ficar provado que mentiram como declara o vereador.

O QUE RECLAMA CÍCERO NESTE CASO?

A obra foi realizada no dia 30 de janeiro deste ano. O sitio onde está o pontilhão não comercializa produtos agrícolas e por isso não seria beneficiário de serviços de apoio da secretaria de Agricultura e Aquicultura municipal, como ampara uma lei própria para isso.

O serviço de recuperação do pontilhão de madeira foi feito por outra secretaria, a de Obras e Serviços Urbanos, supostamente a pedido da secretaria de Agricultura e Aquicultura, que possui um programa especial, regulamentado, de fomento aos agricultores gasparenses, como a patrulha mecanizada (aração, plantação, colheita, abertura valas ou desassoreamento de ribeirões ou cursos naturais, recuperação de caminhos para escoamento de produtos etc.)

E mesmo quando esse serviço é executado, ele é pago parcialmente pelo agricultor beneficiado. E nada foi ressarcido aos cofres públicos neste caso.

O caso não se enquadrou em nenhum daqueles já regulamentados pelas leis municipais existentes, segundo o vereador E para justificar, a prefeitura alegou à promotora que reconstruiu a pontilhão da propriedade rural, porque ao passar com máquinas sobre ele, para destruí-o parcialmente, obrigou-se por isso, ao reparo dele. Aceitável. Entretanto, o vereador Cicero, amparado em fotos, fatos, legislação e testemunhas diz que a alegação da prefeitura à promotoria foi e é mentirosa, termo que insistiu várias vezes na tribuna da Câmara na semana passada.

E por isso, Cícero reiterou o pedido de condenação do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB e do secretário de Obras e Serviços Urbanos, Jean Alexandre dos Santos, autores primários das obras, pela prática de Prevaricação e Improbidade Administrativa.

As contradições começam pelo requerimento 19/2019 do vereador e as respostas dadas pela prefeitura a este documento da Câmara, passam por documentos que ele anexou ao recurso ao Conselho do MP, além da legislação onde há expressos e claros limites para a permissão do uso do maquinário da prefeitura em propriedades rurais produtivas de Gaspar.

Para o vereador, a propriedade não é produtiva. Então ela não está apta a receber o apoio previsto na Lei específica municipal. Se houve dano no pontilhão por equipamentos do município, segundo Cícero não teve causa efetivamente comprovada como determina a Constituição e para complicar, a Lei Orgânica de Gaspar obriga a autorização legislativa para que seja feito o reparo do dano. “E não foi reportado, comprovado e nem pedida esta autorização”, insiste o vereador.

Não há registro. Não há apuração. Não há nexo causal. Não há avaliação. Não há determinação da extensão do suposto estrago. Não há laudos comprovando o estado da ponte. Não há manifestação da Defesa Civil. Não há orçamentos e para complicar, testemunhas afirmam que a limpeza do ribeirão onde está o pontilhão, nem perto dali chegou como fundamenta o documento enviado ao Conselho do MP.

O vereador Cícero também se insurgiu contra à apresentação pela prefeitura ao MP das cópias de Licença Ambiental para dragagem do ribeirão. Para ele, este documento é muito antigo e possui a data de 28 de janeiro de 2014. Não deveria ter validade. A limpeza do ribeirão ocorreu cinco anos depois e não teria, neste caso, sido próximo ao pontilhão supostamente danificado. O memorando 13/2018, está com a data de 23/04/2018, mas os documentos foram enviados para tentar relacionar e justificar uma suposta Obra que ocorreu somente em 30/01/2019. E para complicar, no diário do operador da Máquina PC e do motorista que ajudaram na “reconstrução” do pontilhão, não há assinatura do dono do sítio, o beneficiário do serviço, dando quitação do dano.

Cicero está inconformado com o desfecho, sem que se tenha aberto um inquérito e que a palavra da prefeitura perante o MP tenha sido tomada como definitiva.

A justiça cara, morosa e interpretativa.

Usa a mesma Lei contra o cidadão pagador de pesados impostos que a sustenta, mas favorece o bandido que também, afinal, é um ‘cidadão’.

Assaltos de Guarulhos e do Quero-Quero possuem obviedades e até possíveis laços operacionais que se fortaleceram diante do impasse jurisdicional e da competência de investigar e de se ir atrás dos bandidos daqui

Esta coluna nos dias em que prenderam os três “pés de chinelos” com R$ 17 mil - Gaspar, Ilhota e Itajaí - que participaram, ou “faziam parte” do bando de profissionais que assaltaram quase R$10 milhões do aeroporto Quero Quero, em Blumenau, afirmou que a PM catarinense fez espetáculo na mídia. E a imprensa caiu no conto.

Na verdade, como pontuei à época, e fui o único, era uma armadilha que os profissionais bandidos e cabeças da ação - que ficaram com o grosso do dinheiro até agora pois arquitetaram e executaram-no - deram como iscas, seus pés de chinelos da organização criminosa. E a PM ir atrás deles, distraindo-se, enquanto os verdadeiros donos do assalto, sem os olhos da polícia, da imprensa, dos informantes, fugiam por outros caminhos. Bingo!

Isso é do planejamento. É da inteligência. É do jogo. Ou seja, bandidos venceram até agora o sofisticado aparelho de segurança do Estado, seja ele de Santa Catarina ou da Polícia Federal que se meteu no caso de Blumenau, porque a Justiça Estadual entendeu ser dela a competência por ter sido o assalto dentro de um “aeroporto”

Semanas mais tarde, inconformada e ao cobrar, a coluna afirmou que as polícias Federal e a Estadual batiam cabeças na Justiça para saber qual delas tinha a tal jurisdição ou competência para ir atrás dos bandidos e conduzir as investigações. E aí, por causa dessa discussão idiota e o tempo perdido com ela, quase tudo parou à espera de uma decisão na jurisdição, sempre morosa, cheia de recursos, “interpretações” e que, vejam só: chegou até parar no STJ. Vergonha.

Enquanto isso, os bandidos comemoravam à burocracia do estado contra os cidadãos roubados e que pagam pesados impostos para terem uma mínima segurança na vida, no patrimônio e uma Justiça que lhe proteja nos seus direitos o mais rápido possível com base nas leis. O STJ disse só há pouco, que o aparelho catarinense – Civil e Militar - pode prosseguir nas investigações enquanto os doutores magistrados, com a lei à mão, estudam o caso.

Dupla vergonha, depois de ter prejudicado o serviço policial, contribuir decisivamente para se perder o foco, as provas, os rastros e de quase tudo estar comprometido pelo tempo, se tiver algum sucesso, a segurança de Santa Catarina ainda vai ter que dividir holofotes. Pobre pagadores de pesados impostos: estão sendo roubados várias vezes.

SEM POLÍCIA UNIFICADA, A INTELIGÊNCIA DOS BANDOS ZOMBOU DA BUROCRACIA

Retomo. Na semana passada, causalmente e quase como uma premonição, revivi o caso do Quero-Quero com esse viés crítico pelo mesmo motivo que já lhes relatei acima. Fiz isso para requentar o assunto e decepcionado como cidadão com a falta de desfecho que já se vai para quatro meses. Silêncio de todos sobre o caso Quero-Quero, onde teve até houve a morte de uma operária que estava longe da cena do crime.

O “silêncio”, alegam-me, ser isso necessário para não “atrapalhar” as investigações. Mas, foi o “silêncio” que pôs tudo a perder até agora nessa briga de bastidores da interpretação da Justiça por quem tem o dever de buscar os bandidos, recuperar o dinheiro e dar segurança aos cidadãos.

Na verdade, ele esconde um vácuo supostamente legal pela competência de apurar o crime. O aparelho policial -seja ele Federal ou Estadual parou para simplesmente evitar afrontar à Justiça na interferência que fez neste caso de Blumenau. O silêncio esconde um problema grave e que é contra a sociedade, o cidadão. O silêncio, neste caso, trabalha apenas a favor dos bandidos. Inacreditável! Pobres de nós!

Coincidência ou não, nem a semana passada terminava e muitos ainda liam o meu artigo quando houve outro espetaculosos assalto, com modus operandi semelhante, só que desta vez no aeroporto paulista concedido à iniciativa privada, em Guarulhos, atrás de uma montanha de ouro – algo como R$ 110 milhões. Ela estava prestes a ser embarcada para os Estados Unidos – a maior parte - e Canadá. Lá, tudo que a polícia do estado pediu para tornar legal o inquérito e as investigações, ganhou. Quanta diferença!

Voltei ao tema e escrevi que os dois assaltos poderiam estar ligados, exatamente pela forma como eles foram realizados.

Não é que a imprensa nacional e a própria polícia, agora, admitem esse possível elo dos profissionais do crime nos dois casos e mais um outro acontecido anteriormente no aeroporto de Campinas – também sem explicações? Uau! Ou seja, a polícia sabe o que está acontecendo e que está atrasada, mais atrasada com a “ajuda” da Justiça que antes quer decidir que tipo de polícia deve ir atrás dos bandidos.

Ora, se esse elo existe e que por enquanto é só uma hipótese diante de tantas coincidências, o caso de Blumenau tem culpa da Justiça, com seus juízes, em ar refrigerado, que travaram as investigações. E podiam ter evitado, ou atrapalhado. Em São Paulo, a mesma lei teve outra interpretação, a favor do cidadão e contra o bandido. Simples assim!

Soltos - e protegidos pela inércia -, vendo que a Justiça lhes favorece - e se são realmente da mesma célula nos dois casos -, foram atrás de outra oportunidade e que possivelmente já estava mapeada faz tempo, como também haverá outras nas listas de prioridades deles para novos assaltos espetaculares sob os olhos atrasados da Polícia.

Afinal, os bandidos são do ramos e possuem na organização seus pés de chinelos pagos para despistar e assumir os seus erros ou vacilos da Polícia e até da Justiça.

E se não são os mesmos assaltantes ou pertencentes à mesma célula de inteligência delitiva? Não importa.

O sinal trocado dado pela PM catarinense ao cair na armadilha dos assaltantes profissionais e deixá-los escapar ficando só com os “pés de chinelos” que eles ofereceram para ela, bem como a incompreensível "briga" na Justiça para saber quem pode caçar bandidos bem-criados, sinalizou a outro bando que ele devia se arriscar. E arriscou. E até agora, quando escrevo esta coluna, os bandidos dos aeroportos de Campinas, Quero-Quero, Guarulhos e tantos outros, estão ganhando o jogo.

Em Guarulhos, todavia, não houve disputa de competência entre a Federal e a estadual. A polícia de São Paulo tomou à frente e já está produzindo alguns resultados.

Por isso mesmo, temo que desta vez o bando – ou os bandos - terá mais dificuldades até pela repercussão da ousadia. Outra. Pelo que se saiba até agora, não haverá a vergonhosa disputa para saber quem é competente nos aparelhos policiais para capturar bandidos. Polícia é polícia. Bandido é bandido. É assim que o povo assaltado e pagador de pesados impostos entende. É difícil para as pessoas – que se rotulam como autoridades – pagas pelos assaltados compreenderem isso? Chega de nhemnhemnhem. Este também não foi o voto da maioria dos brasileiros em outubro passado? A Justiça ainda não entendeu o que se passou nas urnas?

OUTRA COINCIDÊNCIA

Nos dois casos – Blumenau e Guarulhos -, estava envolvida a transportadora de valores Brinks. Nenhum bandido e minimamente inteligente, experiente, vivido nessa arte, assalta sem informações e rotinas checadas exaustivamente para perceber as vulnerabilidades, criar a organização e a logística da operação para se estabelecer numa execução minimamente bem-sucedida. E as transportadoras são alvos deles no estudo das rotinas, cooptação e infiltração de pessoas e esquemas de segurança, bem como os receptores de valores.

E nos casos de Blumenau e Guarulhos, há graus de riscos e complexidade elevados. Apesar disso quase todos os bandidos, até agora, saíram ilesos com a dinheirama e o ouro que levaram.

Mais uma vez, como em tantos outros, este assalto nasceu na transportadora de valores ou na rotina da recepção do dinheiro ou do material (ouro). Em São Paulo, há notícias de que operadores do aeroporto estão detidos porque as histórias deles não se encaixam aos álibis que construíram. Talvez sejam os pés de chinelos de lá.

Voltando. Até parece aquela série da Netflix, a “La Casa de Papel” contra os cofres do Banco Central Espanhol: na primeira parte da série fabricaram dinheiro e levaram bilhões para viver longe da polícia; agora, na segunda parte da série, como não foram pegos, voltaram para transformar e roubar toneladas o ouro.

E para finalizar. Outra comemoração dos bandidos e permitida pela própria Justiça brasileira: o Coaf está amordaçado por Dias Tofolli, presidente do Supremo Tribunal Federal e ninguém pode seguir o dinheiro sujo, roubado, fruto de ilícito, tráfico, sonegação, corrupção... ou seja, na sua transformação de ilegal em legal.

Então cabe à maioria dos brasileiros apenas pagar os pesados impostos duas vezes via os descontos compulsórios nas transações normais ou quando são roubados, assaltados.... Wake up, Brazil!

(texto autalizado às 20.07, de 29.07.2019)

TRAPICHE

Para não fugir do tema. Só agora em Brasília que o motorista Evânio Prestini, do Jaguar de Guaramirim, que bêbado matou na contramão no dia 23 de fevereiro, duas adolescentes e feriu outras três num Pálio na BR 470, em Gaspar, conseguiu a liberdade provisória.

Em Gaspar e Florianópolis a Justiça foi mais dura e o deixou mofando no presídio de Blumenau, como exemplo a outros riquinhos que não conseguem separar álcool da direção de seus carrões.

Na coluna de sexta-feira, feita especialmente para a edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale, o mais antigo, o de maior circulação e credibilidade em Gaspar e Ilhota, adiantei que esperava que os paralelepípedos – a maior parte então doados pela antiga Ceval - que serão retirados da Rua Bonifácio Haedchen, devido à sua reurbanização, fossem reaproveitados.

A prefeitura diz que essas pedras já têm destino: a Rua João Theiss. É mesmo? Primeiro, onde está o projeto e a dotação orçamentária? Segundo, ao retirar de um lugar já não deveria as duas obras terem início paralelos? Terceiro, os paralelepípedos que serão retirados têm a extensão de quatro quilômetros. Quanto mesmo é a extensão da João Theiss, que será mais estreita? Então vai sobrar muitas pedras da Bonifácio e enrolação outra vez.

Ou seja, muitas outras ruas do Distrito do Belchior poderiam ser beneficiadas pelos paralelepípedos. Cadê a lista, cadê os projetos, cadê os recursos no orçamento para as obras? O planejamento da atual administração é um desastre. Acorda, Gaspar!

Quem disse que o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, não vem a Blumenau? No final de semana apareceu aqui para o casamento do deputado Ricardo Alba, PSL.

Em Gaspar, o PSL está sendo enfraquecido com o cabide de empregos na prefeitura pelo poder de plantão. O cerco saiu das promessas e está se efetivando na prática.

O que faz esta Duster oficial estacionada sobre o trevo do Corpo de Bombeiros, em Gaspar?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentários

Herculano
30/07/2019 19:19
Ao Demetrius

Sugiro plantar milho, para os burros que não conseguiram na prefeitura, fazer um planejamento mínimo para que as duas obras seguissem uma na sequência da outra, ou se estabelecessem paralelamente.

Querem culpar a empreiteira? De político pode se esperar tudo, até isso.

Sugiro ao repórter-ator candidato Kleber - orientado pelo prefeito de fato, Carlos Roberto Peereira, presidente do MDB, ir lá no local e fazer uma live no facebook, Instagran, Twitter e sei lá o quê, assumindo que escolheu erradamente seus assessores para atender aos interesses eleitorais.

Eles - os assessores - vêm repetindo o mesmo erro. Aprendizado, zero! Acorda, Gaspar!
Herculano
30/07/2019 19:11
da série: numa democracia é melhor questionar a ditadura da jurisdição antes que a Justiça perca a condição de fiel da balança

JANAINA PASCHOAL ENTRA COM PEDIDO DE IMPEACHMENT DE TOFFOLI: "DECISÃO CRIMINOSA"

Conteúdo de O Antagonista. Janaina Paschoal, que figura entre os autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, protocolou hoje no Senado um pedido de impeachment de Dias Toffoli.

A atual deputada estadual do PSL de São Paulo assina o documento juntamente com o procurador do MP de Minas Gerais Márcio Luís Chila Freyesleben, o promotor do MP de Santa Catarina Rafael Meira Luz e o promotor do Distrito Federal e Territórios Renato Barão Varalda ?" integrantes do MP Pró-Sociedade.

O motivo é a suspensão por Toffoli de todos os processos judiciais instaurados sem supervisão da Justiça que envolvem dados compartilhados por Coaf e Receita Federal.

Os autores abordam o "processo de depuração" por que passa o país, para acusar Toffoli de aproveitar o caso de Flávio Bolsonaro, filho do presidente, para beneficiar acusados de esquerda e direita:

"Se esse processo de depuração trouxe resultado muito positivos, trouxe também um bastante negativo, qual seja a polarização do país. Com efeito, dado o fato de a presidente afastada e o presidente preso se identificarem com a esquerda, seus apoiadores passaram a contestar a legitimidade desse processo de depuração. Por outro lado, também por força dos graves crimes, da esquerda, os assim chamados direitistas sempre defenderam os inquéritos e processos que visam responsabilizar os culpados. Exemplo claro disso reside nas recentes manifestações populares em apoio à Operação Lava Jato.

Pois bem, detentor de inteligência rara, o Ministro ora denunciado sabia que se prolatasse a decisão criminosa em pleito oriundo de um político esquerdista, em poucos minutos, as ruas estariam repletas de manifestantes.

A fim de neutralizar a resistência popular, o denunciado aguardou que chegasse as suas mãos um pedido perfeito, justamente o pedido (atravessado em petição avulsa) do filho do Presidente da República, de matriz declaradamente direitista.

Nesse contexto, a esquerda não reclama, pois seus principais nomes, implicados em crimes graves, findam beneficiados e, ao mesmo tempo, a direita não reclama, temendo desagradar seu mito, quem seja, o Presidente da República . Uma vez mais, o Brasil dividido entre subservientes a deuses terrenos."
Demetrius
30/07/2019 17:55
Já que na rua Itajaí a prefeitura só reviraram a terra, vamos aproveitar pra plantar aipim e cana de açúcar.
Herculano
30/07/2019 13:14
PSL DE GASPAR TRARÁ AMANHÃ O DEPUTADO FEDERAL CORONEL ARMANDO PARA CONTATAR ENTIDADES. OS POLÍTICOS DONOS DA CIDADE ACHAM QUE TEMOS REPRESENTANTES DEMAIS EM BRASÍLIA. SERÁ?

O deputado Federal, Luiz Armando Schroeder Reis, PSL, conhecido como Coronel Armando cumprirá um agenda amanhã em Gaspar. Vem para contatar entidades como a Acig, Ama, CDL, Rede Feminina de Combate ao Câncer, Hospital para conhecer as prioridades. Na programação também está uma visita à Ceramifix e uma ida a diversos órgãos comunicação da cidade. Cheia!

Em termos de deputados Federais, o município Gaspar parece estar bem servido. Tem o Rogério Peninha Mendonça, MDB, do esquema no poder de plantão político e que entrou na rabeira entre os 16; além de Carlos Chiodini, MDB; Ângela Amim, PP; Carmem Zanoto, Cidadania; e Giovânia de Sá, PSDB.


Poucos municípios têm essa representação ainda mais em todos são dependentes da montanha de emendas parlamentares no Orçamento da União. Mas, há gente em Gaspar, que acha que o Coronel Armando é de Joinville e por isso "não pode" circular por aqui.

Parece implicação minha, mas foi isso que ouvi de duas fontes ligadas ao poder de plantão na defesa de se fechar o curral eleitoral daqui. Perguntar não ofende: quais dos outros deputados federais são de Gaspar?

Peninha é de Ituporanga; Chiodini, de Jaraguá do Sul, Ângela, de Florianópolis e quiçá de Indaial; Giovânia, de Criciúma e Carmem, de Lages.

Esses políticos de Gaspar são estranhos mesmos. Não aprenderam nada com os resultados das urnas em outubro do ano passado.Vão passar vergonha mais uma vez. Como diria um manezinho ao ouvir esse conto: "tais tolo, tais?" Acorda, Gaspar!



Herculano
30/07/2019 09:53
O PSL INICIOU UMA CAMPANHA PARA TER 1 MILHÃO DE FILIADOS. ANTES VAI TER CRIAR 14 MILHõES DE EMPREGOS TIRADOS PELO PT COM O DESASTRE ECONôMICO QUE CRIOU QUANDO ERA GOVERNO.

Só ISSO PARA DAR AO PARTIDO CREDIBILIDADE E ANINHAR OS APROVEITADORES DE SEMPRE
Herculano
30/07/2019 09:46
MÁGICO

É preciso ser mágico de alta performance para ser porta-voz do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, PSL. Assistir as sessões de perguntas e respostas é ao mesmo tempo angustiante e divertido. No fundo é uma atividade insalubre
Herculano
30/07/2019 09:35
da série: ufa! Entretanto, a involução continua, pois gente estudada não acredita em vacinas e outras que se dizem gurus de presidente, não descartam que a terra é plana

PÉ DE PATO, MANGALô 3 VEZES, por Helio Schwartsman, no jornal Folha de S. Paulo

Homeopatia perde espaço na França, na Alemanha, no Reino Unidos e nos EUA

A França anunciou neste mês que, até 2021, seu sistema de saúde deixará de reembolsar tratamentos homeopáticos. A decisão se segue à apresentação de uma avaliação científica conduzida pela Alta Autoridade de Saúde, que concluiu que a homeopatia não apresenta eficácia suficiente para permanecer no sistema de reembolsos.

A Alemanha dá indicações de que poderá seguir no mesmo caminho, que já foi adotado pelo Reino Unido em 2017. A maioria dos países da UE não financia a homeopatia em seus sistemas públicos.

Nos EUA, desde 2016, preparados homeopáticos precisam trazer em seus rótulos o alerta de que não há evidência científica de que funcionem - ou, alternativamente, podem se submeter a um processo de revisão pelo FDA para provar que têm ação superior à de placebos, o que ninguém conseguiu fazer.

Pelo menos desde 2005, depois que a revista médica The Lancet publicou uma grande meta-análise mostrando que a homeopatia não se distingue de placebos, é clara a tendência dos países civilizados de despachá-la da esfera da ciência para as franjas do esoterismo. Várias universidades cancelaram seus programas de homeopatia.

No Brasil, a tendência tem sido exatamente a oposta. O Conselho Federal de Medicina insiste em reconhecer a homeopatia como especialidade. Pior, ao menos até a gestão Temer, havia um forte movimento de incorporação ao SUS de todas as espécies de terapias alternativas, incluindo, além da homeopatia, reiki, crenoterapia, reflexoterapia.

É incrível que, enquanto países ricos se esforçam para obter o melhor retorno possível para cada centavo investido em seus sistemas de saúde, segundo avaliações científicas, o Brasil se dê ao luxo de financiar crendices. Não consegui descobrir o que Bolsonaro pensa da homeopatia, mas, já que seu governo tem forte predisposição a caçar bruxas, eis aí um sortilégio que não faria mal em expurgar.
Herculano
30/07/2019 09:32
PLEBISCITO EM 2021, por Fábio Giambiagi, no jornal O Globo

O Brasil erigiu no passado um regime algo sui generis, que Sérgio Abranches denominou de "presidencialismo de coalizão". Quando se pensa nas democracias europeias, em geral elas são regimes parlamentaristas. Os EUA são presidencialistas, mas são um país bipartidário. Aqui nós temos um regime que, formalmente, é presidencialista. Ao mesmo tempo, no cipoal da ordem de 30 partidos que temos em nosso manicômio partidário, é evidente que o presidente da República, sozinho, pode muito pouco.

O problema principal é a ausência de responsabilidade que isso gera. Pensemos numa situação que se repetiu N vezes na História recente: o partido X fazia parte da base do governo, emplacava indicações políticas, era da aliança que tinha eleito o presidente da República de outro partido etc. Apesar disso, na hora de votar um projeto impopular, alguns parlamentares do partido votavam contra o governo e, na eleição seguinte, criticavam este pela proposta que tinha apresentado. E nada mudava na relação entre esses parlamentares e seu partido ou entre este e o governo. Por quê? Porque, aos olhos do eleitor, os candidatos eram o deputado A ou B, e não os integrantes da agremiação partidária X ou Y. Em outras palavras, durante décadas, foi possível a muitos políticos usufruírem das benesses do poder, sem arcar com o desgaste que o exercício deste implica, tendo o bônus de ser governo, deixando o ônus para o presidente.

A situação que hoje vivemos é a oposta, porque o que se espera é que deputados de partidos que, estando no governo nas gestões Dilma e Temer, por vezes votavam contra, votem a favor de causas por vezes vistas como impopulares no governo Bolsonaro, estando fora dele. É uma equação singular. Tudo indica, não obstante, que a reforma da Previdência poderá de fato ser aprovada pelo Congresso. Tenho minhas dúvidas, porém, de que esse arranjo político curioso funcione no longo prazo.

Esse regime operou durante mais de três décadas com imperfeições, pela falta de comprometimento pleno do conjunto das bancadas que formavam parte da coalizão governante com a agenda proposta pelo presidente. Eram arranjos de conveniência, com vantagens para ambas as partes, mas sem a funcionalidade plena esperada num regime parlamentarista - onde a distinção entre quem está no governo e na oposição é clara e quem está no governo vota com este ou, caso contrário, o governo cai.

Agora, a possível inadequação é de outra índole: o problema não é mais ter deputados que, estando no governo, votam contra ele; e sim a natureza estranha de uma situação onde se pretende que os parlamentares votem em favor do governo, sem ter nada em troca. Uma coisa é o que está acontecendo no caso da Previdência, onde, após anos de descalabro, talvez tenha "caído a ficha" de que o enfrentamento da questão é inadiável. Outra coisa é o que acontecerá na votação dos projetos do dia a dia. Está longe de haver garantias de que o governo terá êxitos sucessivos em outros temas que forem à votação.

No fundo, a grande pergunta - que vale para qualquer presidente brasileiro na situação atual - é: como funciona um país presidencialista em que o presidente se elege com pelo menos 50 % dos votos, mas o seu partido no Congresso tem apenas 8% ou 10% dos parlamentares? A resposta lógica creio que deveria ser mudar de regime e adotar o parlamentarismo. Este não pode, porém, ser adotado após o jogo ter começado, o que significa que só poderia valer a partir de 2023. Por isso, se houver um plebiscito sobre a matéria, ele deveria ocorrer em outubro de 2021, depois das eleições do ano que vem. Se vencer o presidencialismo, nada mudaria. E, se este for derrotado, o presidente Bolsonaro comandaria em 2022, com plenos poderes, a transição rumo ao novo regime. Nada menos que 66 % da população atual não tinham nascido ou não tinham idade para votar a última vez que o país se manifestou sobre o tema, em 1993. Pode ser razoável recolocar o assunto em pauta.
Herculano
30/07/2019 08:39
MORO FOI HACKEADO DUAS SEMANAS DEPOIS DA VISITA DE VERDEVALDO A LULA

Conteúdo de O Antagonista. Glenn Greenwald visitou Lula em 21 de maio, nove dias depois de receber as mensagens roubadas da Lava Jato.

O hacker, porém, só atacou o telefone celular de Sergio Moro duas semanas mais tarde, em 4 de junho.

A PF tem de investigar o que ocorreu entre um evento e outro.

Alguém mandou o hacker atacar Sergio Moro? Ele conversou com algum advogado? Indicado por quem? Ele foi avisado de que as mensagens roubadas de Deltan Dallagnol não tinham nada que garantisse a soltura de Lula?

A cronologia do hackeamento, feita por Merval Pereira, é a chave para compreender os fatos.
Herculano
30/07/2019 08:35
ACHO POUCO PROVÁVEL QUE HACKERS TENHAM CóPIAS DOS ARQUIVOS NO EXTERIOR, por Vera Magalhães, na Jovem Pan

Advogado de hacker preso pela PF disse ter cópias das mensagens obtidas por ele em contas e autoridades no Telegram com terceiros no Brasil e no exterior. Walter Delgatti Neto, o Vermelho, afirmou ser a fonte do jornalista Glenn Greenwald.

"A revelação mais importante desse caso aconteceu na sexta-feira (26) quando ele envolveu a ex-candidata a vice-presidente Manuela D'Ávila nessa história. Ele (o hacker preso) diz ter sido ela a ponte entre ele o site The Intercept Brasil. A ex-deputada confirmou, disse que ele ligou para ela, depois mandou áudios e que ela fez a ponte com Glenn Greenwald. Isso aumenta o componente político do caso e coloca a oposição a Jair Bolsonaro e também ao ex-juiz Sergio Moro mais ativamente no processo. Quanto a essa afirmação do advogado de que há cópias no exterior, ele parece estar fazendo uma aposta de segurança em que as provas não serão destruídas, tentando empoderar seu cliente de alguma maneira. Acho pouco provável que isso seja verdade. Temos visto um modus operandi muito amador."
Herculano
30/07/2019 07:09
da série: fala sério.

HACKER PODE PEGAR 70 ANOS DE CADEIA

Conteúdo de O Antagonista.O hacker pode pegar 70 anos de cadeia.

Segundo O Globo, de fato, "a PF deverá imputar ao hacker Walter Delgatti Neto os crimes de 'interceptação de comunicação' e 'invasão de dispositivo de informática' para cada conta do aplicativo Telegram por ele invadida".

A conta é a seguinte:

"Ao ser interrogado pela primeira vez, na semana passada, o hacker reconheceu ter acessado indevidamente aplicativos de celulares de 14 diferentes pessoas. Por estes números, a soma das penas máximas a ser aplicadas por interceptação de comunicação chegaria a 56 anos. O artigo 10 da Lei n° 9.296/96 prevê reclusão de dois a quatro anos para quem interceptação de comunicação ilegalmente. As invasões de dispositivos de informática, que podem ser punidas com até um ano de prisão, resultariam em mais 14 anos de cadeia. Só por estes dois crimes, a pena poderia bater à casa dos 70 anos."
Herculano
30/07/2019 06:57
OPOSIÇÃO

Sempre escrevi aqui, que não há maior opositor ao presidente Jair Messias Bolsonaro, PSL, do que o próprio Jair Messias Bolsonaro.

Há alguma dúvida?
Herculano
30/07/2019 06:55
É PRECISO MAIS QUE A TESOURA, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

O governo tem cortado gastos, mas ainda é preciso muito esforço e a reforma da Previdência será indispensável para o conserto das contas públicas

Como as famílias endividadas, o governo tem procurado cortar gastos e algum resultado positivo aparece, mas insuficiente para deixar a casa em ordem. Ainda será preciso muito esforço e a reforma da Previdência será indispensável ao conserto das contas públicas. Em Brasília, o corte vem funcionando, os gastos vêm sendo contidos e o Tesouro Nacional conseguiu fechar o primeiro semestre no azul, com superávit de R$ 70,52 bilhões no balanço primário, isto é, sem contar os juros vencidos. Como sempre, nem deu para festejar. Todo aquele dinheiro sumiu no buraco de R$ 95 bilhões da Previdência, como tem ocorrido normalmente. Em resumo: apesar do saldo positivo no dia a dia das operações do Tesouro, o governo central fechou a primeira metade do ano com um déficit de R$ 26,67 bilhões. O cálculo inclui um pequeno saldo negativo das operações do Banco Central (BC).

Em conjunto, governos de Estados e municípios, somados a empresas estatais, acumularam no período um superávit de R$ 19,08 bilhões. O balanço geral do setor público foi um déficit primário de R$ 5,74 bilhões, o melhor para os primeiros seis meses do ano desde 2015, no início da grande recessão.

Quando se acrescentam os juros, o resultado é um rombo de R$ 186,85 bilhões, valor correspondente a 5,35% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse enorme saldo negativo, conhecido como resultado nominal, é um dos piores do mundo, mas as contas públicas brasileiras têm aspectos até mais feios e preocupantes quando examinadas de outros ângulos.

É mais fácil avaliar o desastre das finanças públicas a partir de perspectivas mais amplas. Em 12 meses o déficit nominal chegou a R$ 456,89 bilhões, soma equivalente a 6,54% do PIB estimado para o período. Nos países emergentes e em desenvolvimento, esse déficit ficou em média em 3,9% no ano passado e deve bater em 3,8% neste ano, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional.

O rombo da Previdência, de R$ 199,123 bilhões, corresponde sozinho a 2,85% do PIB. Cada novo resultado confirma a impossibilidade de arrumar as finanças públicas sem mexer, seriamente, nos critérios de aposentadorias. Mas ainda há quem negue que o problema exista. O sumidouro das contas previdenciárias é muito mais, embora nem todos percebam esse fato, que um abstrato problema contábil. É uma fonte de grandes danos para toda a sociedade, incluídos os grupos menos preparados para entender o significado dos números.

O rombo da Previdência só é coberto, a cada ano, porque dinheiro do Tesouro é desviado para isso e porque o governo se endivida para cobrir suas necessidades e continuar funcionando. Na prática, esse enorme desarranjo financeiro retira dinheiro de funções essenciais do governo, como segurança, educação, saneamento básico, assistência médica, investimentos em vias de transporte e pesquisas destinadas a facilitar a produção e a elevar o padrão de vida das famílias.

A dívida pública excessiva também prejudica o funcionamento do governo e atrapalha o conjunto da economia. Forçado a renegociar seguidamente compromissos muito pesados, o Tesouro compete com empresas e famílias pelo dinheiro disponível no mercado. Um dos maus efeitos é a persistência de juros muito altos e prejudiciais aos negócios e à criação de empregos.

Em junho, a dívida bruta do governo geral, de R$ 5,50 trilhões, correspondeu a 78,7% do PIB. A proporção foi a mesma do mês anterior, por efeito de fatores passageiros, mas a tendência é de aumento.

A relação dívida/PIB tende a crescer enquanto o governo for incapaz de pagar uma boa parcela dos juros vencidos. Isso será possível somente quando houver superávit primário, isto é, quando sobrar algum dinheiro da operação - já muito deficiente - da chamada máquina pública.

Dívida moderada, controlada e barata pode ser muito útil ao governo, assim como às empresas e às famílias. Crédito pode tornar a vida mais confortável, fortalecer a atividade empresarial e ampliar a ação do governo. Fora de controle, no entanto, a dívida se converte num monstro faminto. É o caso da dívida pública brasileira.
Herculano
30/07/2019 06:50
PAPAGAIOS DA FACÇÃO

De Cláudio Dantas, de O Antagonista, no twitter:

Quem manda na OAB é Wadih Damous. É ele quem fala através do Felipe Santa Cruz. E Lula fala através de Wadih Damous.
Herculano
30/07/2019 06:46
POR "PATRIOTISMO", LUCIANO HANG TESTA CESTO VERDE E AMARELO, por Joana Cunha, na coluna painel do jornal Folha de S. Paulo

Dono da Havan já trocou cor de uniforme de funcionários e do próprio terno

Depois de usar as cores da bandeira brasileira em uniformes de funcionários, na fachada da empresa e até nos ternos que ele mesmo veste, Luciano Hang, dono da rede varejista Havan, agora testa o verde e o amarelo nas cores dos carrinhos de compras e cestas da loja.

Além dos carrinhos azuis, cor da logomarca da rede, Hang lançou versões de cestos verde e amarelo, com uma nova regra: o cliente que precisar ser atendido por funcionários usa o recipiente azul. Quem quer autoatendimento pega o bicolor.

O empresário repudia a cor vermelha, que ele associa ao PT. Foram colocados, a princípio como teste, 200 carrinhos do novo modelo na loja da matriz em Brusque (SC).

A cor foi escolhida "por patriotismo" e a ideia é "dar mais liberdade ao cliente". Todas as lojas Havan têm uma réplica da Estátua da Liberdade na porta.

Se a estratégia dos novos carrinhos funcionar, mais de 19 mil serão trocados em 120 lojas da rede. Segundo a empresa, o avanço do autoatendimento não vai provocar demissão de lojistas.
Herculano
30/07/2019 06:34
Só 27% NÃO QUEREM PRIVATIZAR EMPRESAS PÚBLICAS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Levantamento exclusivo do Paraná Pesquisa para esta coluna e para o site Diário do Poder mostra que existe amplo apoio aos planos de privatização de empresas públicas; apenas 27% dos entrevistados disseram que nenhuma das estatais deve ser vendida. No DF, o Metrô é a preferida para ser privatizada, com 40% de menções. Depois vem a Cia. Elétrica de Brasília e Companhia de Saneamento da capital.

ELÉTRICA

A Companhia Elétrica de Brasília (CEB) deve ser privatizada, segundo 27,6% dos entrevistados. São 11% aqueles que dizem não saber.

SANEAMENTO

A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) seria alvo de desestatização para 23,1% dos entrevistados.

BANCO REGIONAL

Para 22,2% dos entrevistados, o Banco Regional de Brasília (BRB) deve ser a prioridade nas privatizações.

DADOS

O Paraná Pesquisa entrevistou 1.565 moradores do DF entre 21 e 25 de julho. A margem de erro é de 2,5% para os resultados.

FARPAS ENTRE BOLSONARO E SANTA CRUZ GERAM CRISE

Os ataques do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, provocam incômodo e até engulho em advogados e presidentes estaduais da entidade. Demonstrando ligações a setores de oposição, ele tem atacado, até no campo pessoal, Sérgio Moro (Justiça) e o presidente Bolsonaro. Os presidentes da OAB/MS e OAB/RS declararam repúdio a recentes declarações de Cruz, mas ambos também repudiaram as declarações de Bolsonaro sobre o pai do presidente da OAB nacional.

PENSAMENTO EXCLUSIVO

Presidente da OAB/MS, Mansour Karmouche diz que Santa Cruz critica Moro sozinho. Mas críticas de Bolsonaro ao pai dele são "inaceitáveis".

TOM INSENSÍVEL

O presidente da OAB/RS, Ricardo Breier, se opôs às críticas a Moro. Mas sobre o pai de Santa Cruz, ele diz que Bolsonaro foi "insensível".

OPOSIÇÃO FRONTAL

Tanto Breier, quanto Karmouche, dizem que suas seccionais "se opõem frontalmente às declarações" de Santa Cruz sobre Sérgio Moro.

O QUE MUDOU?

O hacker Walter Delgatti, vulgo "Vermelho", disse precisar de Manuela D'Ávilla para intermediar contato com Glenn Greenwald. Mas os outros contatos, incluindo Sérgio Moro, ele conseguiu através de invasões.

#PRESOPOLÍTICO

Faz sucesso nas redes sociais a hashtag "Cunha Preso Político", que ganhou até perfil próprio no Twitter. A piada compara os casos do ex-presidente da Câmara preso com o também presidiário petista Lula.

RECORDE HISTóRICO

As vendas dos títulos do Tesouro Direto bateram recorde nos primeiros meses deste ano: R$ 18,6 bilhões investidos. É o maior resultado para um primeiro semestre desde 2002, quando o programa foi criado.

INDÚSTRIA CACAUEIRA

O Brasil produz hoje 250 mil toneladas de cacau, mas o Ministério da Agricultura pretende impulsionar o setor para elevar a produção a 400 mil toneladas/ano, patamar que já foi atingido em anos anteriores.

INFRA À BRASILEIRA

No Parque de Exposições da Granja do Torto, em Brasília, onde o presidente da República tem residência, celulares não funcionavam em todos os dias do encontro de motos Brasília Capital Moto Week.

INGRESSOS GRINGOS

Brasileiros que querem ir aos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020 vão poder comprar ingressos a partir do próximo dia 5. Mas em ienes japoneses. E a revendedora oficial é uma empresa com sede na Suíça.

MIGRAÇÃO

A Conferência de Estimativa Demográfica da Florida, nos EUA, diz que o estado norte-americano recebe 300 mil novos residentes por ano. É o mesmo número estimado de brasileiros que vivem no estado.

FRENTES E MAIS FRENTES

A frente parlamentar em Defesa do Nordeste protocolou ação contra Bolsonaro na PGR. São 203 parlamentares que integram a frente. E são 224 frentes parlamentares no Congresso, todas criadas em 2019.

PERGUNTA NA DEMOCRACIA

A invasão de hackers aos celulares de autoridades cancela o direito à privacidade das vítimas?
Herculano
30/07/2019 06:27
MORO DEVE CONTINUAR MINISTRO? por Joel Pinheiro da Fonseca, economista e mestre em filosofia

Ex-juiz já teve luz própria, mas se tornou um mero apêndice de Bolsonaro

Quando Bolsonaro anunciou que Sergio Moro seria seu ministro da Justiça, fui um dos que celebraram. E por três motivos: o primeiro era que Moro institucionalizaria o know-how da Lava Jato no combate à corrupção e ao crime organizado. O segundo era ver em Moro um contraponto e uma barreira a ideias malucas e desumanas do presidente: porte de armas generalizado, salvo-conduto para violência policial etc. Por fim, era alguém que não temeria apontar e combater a corrupção mesmo que ela viesse de dentro do governo ou da família presidencial.

Sete meses depois do início do governo, essas esperanças estão cada vez mais longínquas. Desde o início Moro já vinha se apequenando ao aceitar calado todas as vezes que o presidente o desautorizou. Os casos de corrupção na família do presidente têm sido esquecidos e abafados sem protestos do ministro da Justiça. Com a revelação das mensagens entre Moro e procuradores pelo The Intercept Brasil, Folha e outros veículos, a coisa só piorou.

Colocado contra a parede, reagiu de maneira desastrada. Ora minimizava o conteúdo, ora colocava dúvidas sobre a autenticidade. Agora tem tentado desviar a atenção para o crime do hacker.

Em abril deste ano, em entrevista a Pedro Bial, justificando a decisão - ainda como juiz - de divulgar o áudio captado ilegalmente da conversa entre Lula e Dilma em 2016, Moro disse: "O problema ali não era a captação do diálogo e a divulgação do diálogo. O problema era o diálogo em si, o conteúdo do diálogo." O mesmo vale agora. Invasão de celular é crime e deve ser investigada. Isso é o trabalho da polícia. Para a vida pública brasileira, o que interessa é o conteúdo das mensagens, que mostram Moro, em vez do juiz equidistante e puramente passivo que alegava ser, ajudando e aconselhando o Ministério Público.

As reações do ministro estão ficando mais agressivas conforme ele politiza as acusações. Na semana passada, obteve informações sigilosas da operação que investiga o hacker, entrou em contato com pessoas que tiveram sua privacidade violada (me pergunto com qual finalidade) e, para coroar, anunciou que destruiria todas as evidências, sem ter autoridade para isso. Paralelamente, publicou uma portaria (provavelmente inconstitucional) que prevê a deportação de estrangeiros "perigosos à segurança do Brasil", justo no momento em que é confrontado por um jornalista estrangeiro. Enquanto isso, o presidente ameaça o jornalista de prisão.

Moro já teve luz própria. Agora se tornou um mero apêndice de Bolsonaro, dependente dele para se sustentar. Está, ademais, paralisado. Tudo que faz é se defender, reagir e tentar, sem sucesso, mudar de assunto. Isso compromete o funcionamento do ministério. O pacote anticrime (ele próprio com concessões graves ao bolsonarismo), proposto em fevereiro, avança a passos de tartaruga. De resto, não há nada além da controvérsia.

Sendo assim, melhor será para o Brasil que Moro deixe o ministério. A renúncia não é uma admissão de culpa, apenas o reconhecimento honrado de que a necessidade de se defender interfere nas responsabilidades oficiais.

De 2014 para cá, só uma coisa melhorou no Brasil: o combate à corrupção, graças aos policiais e procuradores da Lava Jato e a juízes como Moro. Agora descobrimos abusos que devem ser conhecidos e corrigidos. Pego no olho do redemoinho, Moro não é a pessoa ideal que parecia ser para conduzir o progresso gradual e seguro de nossas instituições.
Herculano
29/07/2019 14:55
PRESOS DA SPOOFING VÃO DEPOR EM AUDIÊNCIA PÚBLICA

Conteúdo de O Antagonista.O juiz Vallisney de Souza Oliveira autorizou jornalistas a acompanharem, amanhã, a audiência de custódia que vai renovar ou encerrar a prisão temporária dos 4 presos da Operação Spoofing.

A previsão inicial era que o interrogatório ficasse restrito ao Ministério Público e advogados. Os depoimentos começam a partir das 10h na 10ª Vara Federal da Justiça Federal em Brasília, mas a imprensa não poderá fazer imagens e gravações.
Herculano
29/07/2019 14:40
DIANTE DO CONSELHO DE ÉTICA, por Tabata Amaral, cientista política, astrofísica e deputada federal pelo PDT-SP. Formada em Harvard, criou o Mapa educação e é cofundadora do Movimento Acredito, no jornal Folha de S. Paulo

Fui chamada de traidora por ousar dizer sim a uma reforma da Previdência

"Então, a vida sempre acaba mal?" A provocação abre um dos capítulos de A ridícula ideia de nunca mais te ver, de Rosa Montero. O livro é inspirado nos relatos de Marie Curie, a única mulher a ganhar dois prêmios Nobel, sobre a morte de seu marido Pierre, numa época em que às mulheres não se permitiam grandes aspirações.

A autora fala sobre a milenar sabedoria cigana, que é fundamentada na inevitabilidade da desgraça e opta por desejar "um mau começo" nos festejos sociais, esperando que a parcela de dor da vida venha primeiro, para que o final das histórias seja "venturoso".

Sinto-me personagem dessa reflexão, tachada de rebelde, como foi Curie, uma inconsequente em meio ao machismo de então. Fui chamada de traidora, por ousar, como parlamentar mulher e jovem, dizer sim a uma reforma da Previdência que havia mudado completamente desde sua apresentação.

A proposta do governo foi a única a ser debatida no PDT, ainda em março, mas, mesmo assim, entenderam que, com meu voto, desafiei o partido e suas lideranças. Na leitura deles, neguei minha trajetória de comprometimento com os mais pobres, pus o establisment trabalhista abaixo e deveria ter a dignidade de me retirar do partido.

Acolho essa parcela de "dor" a que estou sendo submetida. Mas contraponho a narrativa das minhas supostas deslealdades e incoerência com a verdade da minha trajetória, publicamente esquadrinhada desde que anunciei a candidatura. Não fui eu quem traiu. O manifesto do movimento Acredito, do qual sou cofundadora, fala explicitamente da construção de uma política que promova o diálogo e a busca por soluções efetivas, e da crença em práticas partidárias mais democráticas e transparentes.

Não me infiltrei no PDT, como dizem. Fui acolhida junto com minhas convicções. A carta assinada entre o Acredito e o PDT-SP destacava o compromisso de dar voz ao voto dos integrantes filiados e respeitar a identidade do movimento. Sei que tal documento não se sobrepõe às normas partidárias e não é disso que estou tratando, mas sim do absurdo de carimbar minha expressão como ato de rebeldia, quando exerci o direito de manifestação da minha consciência.

O documento assinado não vale nada? O que interessava ali era capturar uma candidata para preencher a cota dos 30% e, de quebra, "conseguir uns 5.000 votos"? Quem foi desleal e em que momento?

O meu sim à previdência dialoga com a crença de que reformar nosso sistema pode trazer benefícios aos mais pobres, porque políticas públicas sociais precisam ser sustentáveis.

Sem o rombo previdenciário, cria-se espaço para investimentos urgentes em áreas como educação e segurança. Mas vou além. No pleito de 2018, o então candidato à presidência Ciro Gomes, falando da previdência, defendeu diretrizes que se aproximam muito do texto final aprovado em primeiro turno na Câmara dos Deputados, com uma convergência de aproximadamente dois terços entre a proposta do PDT e a que aprovamos, considerados os destaques e emendas aglutinativas.

Quem traiu o quê? De "blogueira" como inicialmente o partido escreveu em minha inscrição (pedi que trocassem por cientista política e ativista), passando por jovem promissora e candidata à Prefeitura de São Paulo, o que sempre neguei, fui alçada a ícone da rebelião contra os ideais trabalhistas.

Tal qual a sabedoria cigana, aguardo dias venturosos quando se possa fazer política de verdade, mantendo a cabeça erguida, como hoje, dia em que apresento minha defesa diante do Conselho de Ética do PDT. A vida nem sempre acaba mal.
Adão de Souza Moraes
29/07/2019 14:05
Eu Adão de Souza Moraes, psicólogo, coordenador do CAPS, quero deixar claro que não tenho nada a ver com a matéria "MDB da Vergonha", publicada na manhã de hoje e estou apurando essas informações, para caso alguém tenha se passado pelo meu nome, tomar as medidas legais.
Herculano
29/07/2019 13:08
DESCORTESIA

Hoje é a inauguração do prédio da Escola Olímpio Moretto, no Gaspar Grande.

O ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt, eleito no MDB mas foi corrido dele, desapropriou a área para viabilizar o prédio; o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, fez a licitação para a construção. E Kleber Edson Wan Dall, MDB, terminou a obra e vai entregá-la à comunidade.

Mas, no grotão só há espaço para um deles. Os outros prefeitos oficialmente, até o meio-dia, não estavam convidados para o evento como parte da história dele. Acorda, Gaspar!
Herculano
29/07/2019 13:03
ACABOU A GRANA

Conteúdo de O Antagonista. O Globo registra, na coluna de Lauro Jardim, que o "exército de Stédile", do MST, sumiu desde que Jair Bolsonaro assumiu o governo.

É simples: acabou a grana.
Herculano
29/07/2019 12:57
DELEGACIA DE GASPAR EM NOVO PRÉDIO

O Delegado Geral de Polícia de Santa Catarina, o gasparense Paulo Norberto Koerich, não deu chances aos políticos fazerem propaganda naquilo que pouco ajudaram.

Hoje cedo, como parte das comemorações dos 207 da Polícia Civil, Koerich anunciou que vencidas as barreiras burocratas, o governo de Carlos Moisés da Silva, PSL, está assinando o contrato para a locação da sede da Delegacia de Polícia.

O anúncio foi na rádio 87,9 para toda a cidade ouvir e os políticos papagaios de pirata daqui chuparem o dedo. Acorda, Gaspar!

Herculano
29/07/2019 11:55
da série: a representação ideológica da OAB e o ranço permanente que marca o Presidente nos embates paralelos

SE O PRESIDENTE DA OAB QUISER SABER COMO O PAI DELE DESAPARECEU NA DITADURA, EU CONTO, DIZ BOLSONARO

Fernando Santa Cruz Oliveira, pai do presidente do órgão, desapareceu após ter sido preso por agentes do regime militar no Rio

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Talita Fernandes e Ricardo Della Coletta, da sucursal de Brasília

Ao reclamar sobre a atuação da OAB na investigação do caso de Adélio Bispo, autor do atentado à faca do qual foi alvo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que poderia explicar ao presidente do órgão, Felipe Santa Cruz, como o pai dele desapareceu durante a ditadura militar.

"Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB? Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele."

"Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro", disse o presidente.

Felipe é filho de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido em fevereiro de 1974, depois de ter sido preso junto de um amigo chamado Eduardo Collier por agentes do DOI-CODI, no Rio de Janeiro.

Fernando era estudante de direito e funcionário do Departamento de Águas e Energia Elétrica em São Paulo e integrante da Ação Popular Marxista-Leninista. Felipe tinha 2 anos quando o pai desapareceu.

No relatório da Comissão da Verdade, responsável por investigar casos de mortos e desaparecidos na ditadura, não há registro de que Fernando tenha participado de luta armada.

O documento, inclusive, ressalta que Fernando à época do seu desaparecimento "tinha emprego e endereço fixos e, portanto, não estava clandestino ou foragido dos órgãos de segurança".

Ainda sobre o caso de Adélio, Bolsonaro disse que ele "se deu mal".

"Adélio se deu mal. Eu não recorri porque se recorresse ele seria julgado não por homicídio, mas tentativa de homicídio, em um ano e meio ou dois estaria na rua. Como não recorri, agora é maluco o resto da vida. Vai ficar num manicômio judicial, é uma prisão perpétua. Já fiquei sabendo que está aloprando por lá. Abre a boca, pô", afirmou.

Sem manifestações de Bolsonaro e do Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais, a 3ª Vara Federal de Juiz de Fora encerrou o caso.

?Bolsonaro foi intimado no dia 28 de junho sobre a decisão e não recorreu. O MPF, no dia 17 daquele mês. O prazo para recursos se esgotou em 12 de julho.

Na decisão, o juiz responsável diz que a investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal não deixa dúvidas sobre a autoria do crime.

Mas, como o réu tem transtorno mental e é considerado inimputável, o magistrado decidiu pela absolvição imprópria (quando uma pessoa é declarada culpada por um delito, mas não tinha capacidade de entender o que estava fazendo quando cometeu o ato) e internação por medida de segurança.

Segundo a Lei de Execuções Penais, nesses casos o preso deve ser encaminhado a hospitais de custódia para receber tratamento psiquiátrico.

O juiz, porém, optou por manter Adélio no presídio federal de Campo Grande. Medidas de segurança não têm prazo determinado, e o preso depende da alta de um médico para que seja liberado.
Herculano
29/07/2019 11:41
da série: a enganação, ou irresponsabilidade ou contabilidade criativa dos políticos e gestores públicos brasileiros? Temos agora, verbas fakes

CONTA DE "RESTOS A PAGAR" JÁ É QUASE UM ORÇAMENTO PÚBLICO, editorial do jornal O Globo

Adiar pagamentos para os exercícios seguintes é forma de burlar limites legais

O Brasil avança no quinto ano seguido em que a soma das despesas públicas, descontados os gastos com o pagamento de juros da dívida estatal, ultrapassa o total de receitas do governo.

Prevê-se para este 2019 gastos de R$ 139 bilhões acima da arrecadação, fechando-se um ciclo de cinco anos consecutivos de contas no vermelho ?"aquilo que economistas definem como déficit primário.

Esse grave desequilíbrio deve persistir até 2022, de acordo com as projeções contidas na lei orçamentária em análise no Congresso.

Essa é a dimensão da crise fiscal brasileira. Seus reflexos permeiam todo o Orçamento da União. Um deles está na rubrica "Restos a pagar", que abriga as despesas com compromisso de utilização previsto, mas que não foram pagas até o último dia de cada exercício fiscal, ou seja até 31 de dezembro de cada ano.

O saldo de restos a pagar se tornou tão grande que passou a ser quase um orçamento paralelo: soma R$ 189,5 bilhões, representando um aumento de R$ 34,1 bilhões (22%) em relação ao ano passado.

Tem sido recorrente. Mais da metade do que se tem efetivamente pago como investimento, nos últimos anos, refere-se à liquidação de despesas da conta de restos a pagar.

No ano passado, por exemplo, o Tesouro Nacional pagou parte de despesas inscritas no Orçamento de 2010. Ou seja, liquidou-se uma conta relativa a projetos que haviam sido aprovados em 2010 ?" oito anos, ou 96 meses, depois. Esse tipo de atitude foi rotineiro nos últimos anos. Num exemplo, em 2016 aprovou-se um aumento salarial para pagamento naquele ano e nos três exercícios seguintes (até este 2019).

Num orçamento engessado como é o da União, onde quase todas as despesas são programadas, ou "carimbadas" por força de lei, essa contínua expansão de débitos pendentes, os restos a pagar, torna inviável qualquer possibilidade de planejamento e administração eficaz.

A distorção provém de uma brecha na Lei de Responsabilidade Fiscal identificada há tempos por gestões federais, estaduais e municipais. Tem sido manejada por diferentes governos como alternativa de emergência ao engessamento orçamentário num ciclo de grave crise fiscal. Seus efeitos, porém, são deletérios.

A saída está na criação de regras para pagamento das despesas dentro de cada exercício fiscal, com reposição da lógica elementar de administração. Uma oportunidade para tanto está na Lei de Finanças Públicas atualmente em debate na Comissão Mista de Orçamento.
Herculano
29/07/2019 11:38
CELULARES VIRARAM CASA DA MÃE, Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, no jornal Folha de S. Paulo

É como se os celulares das autoridades tivessem se tornado lugares públicos

Peço perdão pelo título politicamente incorreto.

Mas o fato é que os celulares de muitas autoridades públicas brasileiras viraram uma espécie de casa da mãe joana. Em outras palavras, devido ao descaso absoluto com medidas básicas de segurança, muitas das informações desses aparelhos se tornaram totalmente vulneráveis.

Os fatos divulgados na semana passada sobre a invasão do celular do ministro Sergio Moro e outras autoridades do primeiro escalão podem indicar que o buraco é muito mais profundo.

A técnica empregada pelos "hackers" da cidade de Araraquara na verdade não requer nenhum conhecimento profundo em tecnologia para ser utilizada. Ao contrário, o procedimento é tão rudimentar e simples que há inúmeros vídeos na internet ensinando como fazer a mesma coisa que os golpistas que vazaram os dados da Lava Jato fizeram (boa parte desses vídeos tem menos de um minuto e meio de duração).

Ou seja, não é preciso ser hacker com conhecimentos técnicos para executar a modalidade de vazamento que aparentemente afetou centenas de pessoas públicas no país.

Dado o caráter rudimentar do golpe, é possível conjecturar que potencialmente inúmeros aventureiros -talvez centenas - possam ter resolvido brincar de hacker, experimentando para ver se conseguiriam obter informações de pessoas politicamente expostas.

É como se os celulares dessas autoridades tivessem se tornado lugares públicos, acessíveis a qualquer pessoa com a paciência de assistir a um vídeo de um minuto e meio e que obtenha o número de telefone de alguma autoridade pública (porque, assim que ela for hackeada, dará acesso também à sua lista completa de contatos para o golpista).

Então qual foi a falha? Como sempre, em casos como esse, o problema acontece em múltiplos pontos. O primeiro é o uso do aplicativo Telegram, que já foi apontado por instituições como a Electronic Frontier Foundation como tendo vários pontos vulneráveis.

Outro problema é não ter acionado o segundo fator de autenticação do aplicativo, dando-se por satisfeito em utilizar apenas o número do telefone.

Outra vulnerabilidade está no fato de que as caixas de mensagens de voz dos celulares, em regra, podem ser acessadas automaticamente quando recebem uma ligação do próprio número da linha. Como o caso da semana passada demonstrou, fazer spoofing ("simular") um número de telefone é prática trivial hoje.

Mas um dos pontos cruciais é o fato de que não há política de cibersegurança implementada na administração pública brasileira.

Quem lida com questões de segurança nacional (ou mesmo de interesse público) no primeiro escalão não deveria ter a opção de usar seu telefone comum, cheio de aplicativos comerciais com graus incertos de segurança. É o que acontece nos EUA, onde o presidente (e o primeiro escalão) passa a utilizar aparelhos especiais fornecidos pelas autoridades de segurança institucional, com exceção de Trump, que não topou todas as medidas.

Talvez a visibilidade que esse tema ganhou possa levar ao amadurecimento da cibersegurança na administração pública do país. Esse amadurecimento é tardio. Mas, se a lição da semana passada não foi suficiente, difícil dizer o que será.

READER
Já era:
Não prestar atenção em cibersegurança

Já é:
Aplicar golpe rudimentar para obter mensagens de aplicativos

Já vem:
Continuação das mesmas práticas, já que até agora nada mudou
Herculano
29/07/2019 11:34
PESQUISA: 68% QUEREM EXTINÇÃO DE CARROS OFICIAIS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Levantamento exclusivo do Paraná Pesquisa para o site Diário do Poder e esta coluna mostra que a maioria dos eleitores é favorável à extinção dos carros oficiais para autoridades públicas de todas as esferas do poder público: 68,2% de entrevistados concordam com a medida. Apenas 25,6% seriam contra. O senador Reguffe (sem partido-DF) apresentou este ano projeto acabar com esse luxo de autoridades.

PROJETO JÁ EXISTE

O projeto de Reguffe dá fim a carros oficiais de autoridades, exceto o presidente da República. Mas anda a passo de tartaruga no Senado.

CANETA CERTEIRA

No início de 2018 o então presidente Michel Temer baixou decreto que tirou a prerrogativa de uso de carros oficiais de 1.052 autoridades.

MAIOR APOIO

A maior faixa de apoio à ideia de extinguir com o benefício dos carros oficiais está entre entrevistados com ensino superior completo: 73,9%.

DADOS

O Paraná Pesquisa entrevistou 1.565 habitantes do DF entre 21 e 25 de julho. A margem de erro é de cerca de 2,5% para resultados gerais.

CONGRESSO PRECISA ANALISAR 14 VETOS DE BOLSONARO

Após o fim do "recesso branco" dos parlamentares federais, existem 14 vetos presidenciais pendentes de análise no Congresso Nacional. Todos foram feitos pelo presidente Jair Bolsonaro desde sua posse, em janeiro. Nove dos vetos já estão sobrestando a pauta legislativa, o que significa que precisam ser analisados para destrancar a pauta conjunta da Câmara e do Senado. Não há previsão para a análise ser realizada.

VETOS TOTAIS

Bolsonaro só fez cinco vetos totais, incluindo a criação do Cadastro Nacional de Pessoa Idosa e dos Juizados Especiais Criminais Digitais.

PROJETO PREVIA TAXAS

O presidente Bolsonaro também vetou, por exemplo, 13 dispositivos do projeto de lei que criou a Autoridade Nacional de Proteção de Dados.

ASSUNTO SENSÍVEL

Um dos vetos trata da gratuidade de bagagens em voos, incluída pela Câmara na MP que permitiu 100% de capital estrangeiro em aéreas.

CUSTO É NOSSO

A maior parte dos 81 senadores ocupam apartamentos funcionais: 61. Segundo o Senado, o Congresso Nacional gasta pelo menos R$ 21 milhões por ano para manter os 504 apartamentos funcionais.

MP E IMóVEIS FUNCIONAIS

Além de parlamentares, são beneficiados com imóveis funcionais também o procurador-geral da República e subprocuradores-gerais dos Ministérios Públicos Federal (MPF), do Trabalho (MPT) e Militar (MPM).

ANDAMENTO SIMULTÂNEO

A expectativa de parlamentares é que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), proponha uma PEC complementar para incluir estados e municípios na reforma da Previdência, que vai passar por uma nova tramitação no Congresso enquanto é votado o texto atual.

EM PLENA ERA DIGITAL

Os deputados federais já torraram quase R$ 1 milhão apenas este ano com "serviços postais". Foram R$ 929.733,07 na conta do contribuinte através da cota para exercício da atividade parlamentar, o tal "cotão".

TOMEM VERGONHA, SENHORES

Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão, e Wilson Witzel (PSL), do Rio, e os demais, deveriam fazer como Ibaneis Rocha (MDB), do DF, que paga do próprio bolso qualquer viagem ao exterior e até a outros estados.

'ANTICORRUPÇÃO' PARA INGLÊS VER

A Petrobras alardeia as "10 principais ações anticorrupção" adotadas após a roubalheira nos cofres da empresa pública, nos governos do PT. Agora, diz a estatal, "fazemos uma checagem de integridade de todos os nossos gestores". Isso não era feito antes?

PÉSSIMA IDEIA

Já está na CCJ do Senado projeto de Jorge Kajuru (PSB-GO) que permite que CPIs realizem acordos de delação premiada. Hoje, apenas a Polícia ou o Ministério Público podem realizar esse tipo de acordo.

BRASIL MENOS PRODUTIVO

O Ministério da Economia divulga estudo da Organização Internacional do Trabalho que mostra que entre 2012 e 2017 o Brasil teve retração na produtividade do trabalho (-0,5%) e é o último colocado numa lista de 50 países que inclui Colômbia e até Afeganistão à frente do Brasil.

PENSANDO BEM...

...o "recesso branco" deveria acabar esta semana, mas como ninguém é de ferro parlamentares só voltam ao trabalho na próxima semana.
Herculano
29/07/2019 11:24
A MELANCOLIA DAS BARATAS, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, ensaísta, professor, no jornal Folha de S. Paulo

A experiência de sentido na vida brota da relação com as coisas concretas

Fazer a gestão de pessoas por meio do medo, da desestabilização do cotidiano de trabalho e da valorização do medíocre e do lambe-botas é uma boa? Sim, pensa o pequeno líder que veste ternos baratos.

O mundo corporativo é a distopia perfeita. Observando-o, você pode vê-lo com os olhos de Gregor Samsa, famoso personagem que vira um inseto em "A Metamorfose", escrito por Franz Kafka (1883-1924), que, aliás, saiu em nova e belíssima edição pela editora Antofágica. A fortuna crítica vê nessa história de horror um libelo contra a animalização do ser humano na modernidade e sua obsessão pela produtividade e eficácia. Famosa é a passagem em que, num dos seus primeiros pensamentos, Gregor se angustia por perder o bonde e faltar no emprego. A pergunta é: tendo acabado de virar uma barata (não é dito que seja uma barata, mas é mais legal pensar que seja), você pensaria logo que perdera o emprego?

A resposta é "sim", principalmente, se você for objeto de um gestor que dirija seu corpo de "colaboradores" (acho fofa essa expressão) por meio do medo, da desestabilização do cotidiano de trabalho e da valorização do medíocre e do lambe-botas.

Mas, o mais radical é pensar que, apesar de jurar que se está animalizando as pessoas em nome do aperfeiçoamento da gestão (portanto, em nome da "causa da modernidade"), esteja-se, na verdade, animalizando as pessoas, apenas, pelo simples gosto de vê-las correndo de uma lado para o outro como baratas. Sempre suspeito, como todo niilista, que o gozo estético vem antes da justificativa ética, racional ou política.


Este é o olhar de Gregor, ver no mundo a melancolia das baratas. O "último Gregor" na novela "A Metamorfose", o melancólico, é o Gregor mais contemporâneo de todos nós.

A filosofia do utilitarista John Stuart Mill (1806-1873), entre outros, já suspeitava que dimensões a ver com o bem-estar impactasse a vida social, moral e política ?"e, portanto, o trabalho. E lembremos que, sem dúvida, os utilitaristas ingleses eram filósofos radicalmente implicados com a "causa da modernidade".

Há em John Stuart Mill quatro chaves muito interessantes que podem nos ajudar a entender o processo moral através do qual um "fazedor de humanos-baratas" realize seu objetivo. Vejamos. A ordem de apresentação não implica nenhuma hierarquia de valor entre elas.

A primeira é o terreno da racionalidade ou coerência. Tratar as pessoas com coerência ou racionalidade, fazendo elas sentirem que o ambiente em que respiram é um ambiente em que ser racional vale a pena, evita a produção de baratas. A ideia de reconhecimento dos méritos num local de trabalho passa por aqui. Reconheço o quão utópico é essa ideia de meritocracia. A esquerda não deixa de ter razão quanto aponta para este fato. É muito raro se chegar a identificação do que é, de fato, mérito, ou mesmo chegando a ele, chegar a justa aplicação do reconhecimento pelo mérito. Mas, ainda assim, Mill acerta quando diz que somos seres racionais e, portanto, a pura e simples irracionalidade e incoerência na gestão de pessoas destrói o tecido moral onde elas vivem e trabalham.

A segunda é a liberdade. Sentir-se autônomo em alguma medida e não uma barata perseguida é essencial para a vida ética numa corporação, e não apenas nesta, mas estou pensando especificamente no mundo corporativo hoje. Negar a liberdade de pensamento, ação e resposta, é valorizar a metamorfose de Gregor. Punir quem age livremente causando medo no tecido corporativo é trabalhar pela "causa das baratas".

A terceira é a imaginação. Seres humanos que têm sua capacidade imaginativa destruída, rapidamente degeneram em baratas. O medo, a instabilidade, a irracionalidade nas decisões por conta da sua impenetrabilidade destrói a capacidade imaginativa das pessoas, negando a elas a percepção de futuro próximo. E pessoas sem essa percepção degeneram em baratas. A experiência de sentido na vida, que é uma experiência que brota da nossa relação concreta com as coisas a nossa volta, depende profundamente da nossa capacidade imaginativa. Tente você ai pensar no seu futuro, sem a possibilidade de imaginá-lo melhor do que hoje é o seu presente. Como se sentirá e qual o impacto que essa sensação negativa terá na sua participação na "causa da modernidade", isto é, no progresso calculado da vida?

Por último, o afeto moral. Sem afeto, finalmente, nossa barata chega a melancolia. Os idiotas da gestão adoram um mundo do trabalho sem afetos.
Miguel José Teixeira
29/07/2019 11:18
Senhores,

Dizem que o "recePTador de material roubado", aquele gringo do intercePT anda com a pulga atrás da orelha.

Está usando fraldas geriátricas estampadas com o "Ursinho Puff". OOOps. . . spoofinf!

Querer pautar a Nação com produto ilícito é muita PeTulância!

Já, já vai descobrir que "spufar" autoridades brasileiras não compensa!

Ou continuaremos sendo uma "Republiqueta de Bananas".

Uma verdadeira latrina para os estrangeiros. . .

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