18/11/2008
Conspiração I
Primeiro veio a notícia do médico que foi a determinados gabinetes de Brasília DF sugerir que o Hospital de Gaspar não deveria receber nenhum recurso federal - fato raro na vida do nosso hospital receber recursos do governo Federal - porque tinha dívidas, segundo ele, impagáveis. Aproveitou, então, para sugerir a construção de um hospital municipal, o que pode demorar anos mas ao final, produzirá empreguismo político partidário e corporativo com mais facilidade. Assim é fácil: cria-se um problema, não se produz nenhuma solução e estrutura-se outro problema, ambos para o povo pagar. Acorda Gaspar
Conspiração II
Por aqui, outro médico faz campanha para esconder as fotos da tragédia na qual ficou o nosso mal cuidado hospital, como se com isso se pudesse apagar um período negro, de politicagens e gestão amadora ou duvidosa. E não tardou a confirmação do que já se desconfiava. Agora vem a informação que, outro médico do ex-corpo clínico, foi à Justiça do Trabalho dizer que tinha um contrato de boca de alto valor, isso mesmo, um contrato de fio de bigode com o hospital e que está atrás dos seus direitos por conta disso.
Conspiração III
E para que não ficasse nenhuma dúvida, esse médico que relutava em ter concorrentes quando trabalhava no hospital, levou como testemunhas a antiga administradora do hospital e mais dois outros médicos do ex-corpo clínico. Todos confirmaram o fato. Agora, entende-se melhor o que querem dizer com dívidas impagáveis. Resumindo: está mais do que na hora da atual administração do hospital ir à Justiça e pedir a reparação cível contra quem deu causa e é responsável por este estado de coisas antes que a moda pegue. Se ela não fizer isto, vai perder a credibilidade e se tornará culpada pelos desastres de hoje e do passado. Contrato de boca? Eu, heim! Quem, numa administração séria e pública pode aceitar isto? Acorda Gaspar.
Agradecimento
O prefeito eleito Celso Zuchi e a sua vice, Mariluce Deschamps, ambos do PT, com a senadora Ideli Salvatti e entourage estiveram sexta-feira com a direção da Bunge, em Gaspar. Foram agradecer a grande ajuda dada à campanha, pedir e se aconselhar. O assunto do hospital esteve em pauta. Mas, teve gente que botou as barbas de molho depois do que viu, ouviu e se excluiu.
Obama I
Tem gente que consegue transformar fatos históricos em coisas pequenas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT, no exterior, externou publicamente a sua preferência pela vitória do então candidato Barack Hussein Obama II, por ele ser negro. Lula foi mais longe e até se auto-comparou. São biografias distintas e incomparáveis, por enquanto. Só ele não enxerga isto.
Obama II
Primeiro, um presidente que avoca para o nosso país a condição de líder e árbitro não pode ter preferências sobre as escolhas soberanas dos outros. É interferência indevida. Entretanto, ela é admissível em casos extremos: baseados unicamente em vantagens estratégicas, alinhamentos ou então em necessidades, estas resultantes do relacionamento bilateral futuro. Lula não vota lá. Não era um cabo eleitoral voluntário. Nem nós brasileiros. Lula como presidente nos representa e neste caso particular, teria que nos ouvir. Não foi à toa que o Itamarati ficou em polvorosa com o fato em si.
Obama III
Segundo, escolher um líder pela cor, sexo, religião ou origem social para determinar a melhor qualidade, é algo menor. E bota menor nisso. Invalida a capacidade e a oportunidade contextual do escolhido. Pelé é rei porque é reconhecidamente um ex-craque de futebol ou porque é negro ou ex-pobre? Quando Carlos Ghosn, de Porto Velho AC, tornou-se presidente mundial da francesa Renault e mais tarde da join-venture Renault-Nissan, bem como um dos 25 executivos mais influentes do mundo, devia-se ao fato dele ser brasileiro e branco, ou porque ele foi julgado competente, empreendedor e preparado para os resultados diferenciais empresariais exigidos naquele momento?
Obama IV
Orgulho é uma coisa. E devemos nos orgulhar sempre. É uma referência. Mas justificá-lo para coisas menores, é algo que muda e diminui a história, torna anão o vencedor, aprofunda abismos, cheira-se à discriminação, exclui-se e não o reconhece o que faz maior, diferente e importante.
Obama V
Maior, como a vida, a história e a sabedoria de Nelson Mandela, por exemplo, para citar um negro, um africano, um líder, o símbolo do fim do odioso apartheid. Nada falou antes. Quando Obama eleito, Mandela foi um estadista, soberano e irretocável. "A sua vitória, mostrou que, ninguém no mundo deveria deixar de sonhar com a esperança de transformá-lo num lugar melhor". Mais, disse ele: "anotamos e aplaudimos o seu compromisso de apoiar a paz e a segurança no mundo, e confiamos em que também, durante sua Presidência, adotará como missão a luta contra a pobreza e a doença". E concluiu: "força e resistência nos dias e anos de desafio que tem pela frente".
Obama VI
A vitória de Obama é um orgulho para os negros, mas acima de tudo é uma conquista para a diversidade, à pluralidade, à oportunidade e para quem ama as liberdades. E não foi por causa dele ser negro que ele foi eleito deputado, senador e presidente. Ele é bem formado, tem uma história impressionante até aqui, uma causa, é competente, se cerca de outros muito competentes e emociona os jovens, estes sim, o grande diferencial desta eleição nos Estados Unidos da América do Norte.
Obama VII
Obama dizia que gostaria de promover mudanças, vendia um sonho, comunicou-se melhor, mostrou-se mais preparado, capaz e o tempo, a oportunidade exigiam uma mudança, uma nova experiência. E a maioria dos americanos sentiu que ele podia ser o anjo desse desejo, desse sonho, desse momento e apostou. Quem argumenta diferente não conhece antropologia, luta contra fatos e percepções, números e a história. Se Lula representa uma maioria social desprotegida, Obama não representa uma maioria racial como alguns vendem por aqui. Escolheu-se o que pareceu melhor, num debate aberto, crítico, amplo e em tempo real como nunca se viu antes (parodiando o próprio Lula).
Obama VIII
No Brasil, segundo os dados demográficos ajustados somos auto declarados 49,5% afro-descendentes (6,3% negros e 43,2% de pardos, fruto da não segregação) e 49,9 auto declarados brancos. Agora veja como isso é nos Estados Unidos. Os quase 300 milhões de habitantes são: 69,1% brancos; 12,5% hispânicos; e 12,3% de afro-americanos. Lá, a segregação legal durou até 1960 quando democrata Lyndon Baines Johnson (vice do assinado John F. Kennedy) pôs fim as leis segregacionistas.
Obama IX
Analisando e comparando os números, venceu o candidato que se vendeu melhor; aquele que angariou a confiança da maioria dos americanos (e não dos negros e até hispânicos se prevalecer a tese da discriminação ou das minorias). Venceu quem convenceu uma nação da sua competência para uma época difícil, crucial, cheia de dúvidas que terá que enfrentar e superá-la. Discussões de outra fonte são menores e renegam a história, o feito histórico e o maior. São coisas menores e de gente mal informada ou mal formada, mal intencionada e que se aproveita da ignorância de alguns para criar factóides e discursos.
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