09/01/2009
Adilson I
O ex-prefeito Adilson Schmitt, PSB, pode estar deixando a sigla. Ele era o único prefeito do partido com mandato em Santa Catarina. Isto não foi motivo suficiente para ser convidado para a posse do padrinho no partido e novo único prefeito do PSB, Djalma Berger, na prefeitura de São José na manhã do dia primeiro de janeiro. Durante e após a catástrofe ambiental Adilson diz que ficou órfão do partido. Quem lhe acolheu e "abriu" algumas portas, segundo ele, foi o deputado Federal, Paulo Bornhausen, do DEM.
Adilson II
Ai tem. Começou com a dobradinha do seu novo vice, Pepê Schmitt, DEM, na reeleição derrotada, algo meio esdrúxulo e à força. Afinal, o DEM parecia ter candidatura Júlio Zimmermann ( o Julinho do Posto) e caminhos próprios. Depois da derrota, vieram a público as declarações de amor da ex-secretária da Saúde e braço direito de Adilson nos últimos dias de governo, Tereza da Trindade, PP (ex-PT) ao DEM e ao deputado que eles chamam de Paulinho.
Adilson III
O certo é que tudo isto é um alinhamento natural para o próximo embate: o de 2010. Começa que o ex-prefeito e sua gente estão desempregados e são cabos eleitorais nada desprezíveis. No PSB, Adilson teria que se alinhar ao projeto do PT nacional e que por aqui pretende fazer da senadora Ideli Salvatti uma pré-candidata ao governo do Estado. Ao final, Adilson teria que estar, por vias tortas ou diretas, no balaio e sob o comando de Celso Zuchi, PT, que lhe derrotou. Hoje, algo impensável pra ambos. O padrinho de Adilson no PSB, Djalma Berger (ex-PTB, PFL e PSDB), antecipou esse alinhamento: empregou a filha do presidente Lula, a Lurian Sato, no governo de São José. Vai lidar com pobres. Acorda eleitor.
Adilson IV
Adilson Schmitt vai fazendo suas escolhas e seu jogo. Não descarta ser candidato a deputado estadual. Até seu inimigo mortal, o governador Luís Henrique da Silveira, PMDB, em poucos dias, para o próprio Adilson, já não é mais tão inimigo assim. Quem diria? Se ele namora o DEM joga e retoma algumas cartas perdidas, voltando à tríplice aliança. Espera-se que quem o orientou nos quatro anos de governo e que não permitiram a sua sonhada reeleição, não esteja por detrás das novas armações. Acorda Gaspar
Exemplo I
Veja esta notícia do dia primeiro de janeiro. O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho,PT, defendeu o nome do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab,DEM, como articulador dos interesses da região metropolitana junto aos governos estadual e federal. Segundo o petista, a região precisa dessa articulação para "poder responder aos graves problemas que tem hoje", especialmente na área de transporte público.
Exemplo II
"Se o prefeito Kassab topar liderar o processo [de discussão dos problemas da região metropolitana], tem todo o meu apoio. É natural que o prefeito da capital lidere esse processo", disse Marinho durante a posse. Está ai um exemplo inteligente a ser declarado e ser seguido pelo prefeito Celso Zuchi, PT. Os municípios menores perdem quando querem andar sozinhos. Os problemas de Gaspar são da região e não apenas de Gaspar. Então é preciso agir em conjunto e esquecer essa briga de siglas, interesses paroquiais ou partidários. Quem ganhará. Todos: a comunidade e o administrador que tiverem e aproveitarem esse senso de oportunidade e resultados comuns. Acorda Gaspar
O jogo I
Esta notícia é da Folha de S. Paulo e publicada no dia dois de janeiro: em meio à crise econômica que provocam cortes em série nos orçamentos das administrações municipais pelo país, o governo Lula turbinou, após as eleições, o caixa de um grupo de prefeituras que serão comandadas por aliados em 2009. Na lista dos principais beneficiados com dinheiro da União para tocar obras e programas sociais despontam cidades cujos prefeitos foram eleitos por PT e PMDB, respectivamente o partido do presidente e o aliado preferido do Planalto para a disputa de 2010.
O jogo II
Como se vê o jogo eleitoral já está sendo jogado. Perguntar não ofende. Qual a fatia de Gaspar nesse jogo? Na lista dos 79 municípios (26 capitais e 53 cidades com maior densidade eleitoral), Gaspar não aparece. Cadê o Cefet, o hospital, a ponte, o anel e o saneamento, por exemplo? Durante a campanha eleitoral, uma das bravatas do vencedor é que Gaspar teria uma ligação direta com o Planalto. Pelo jeito, mais uma vez vamos para o fim da fila. Acorda Gaspar.
Azar I
Pobre é azarado mesmo. Se lhe falta no município o mínimo e o básico, sobra dinheiro para os políticos da sua cidade se esbaldarem em campanhas políticas. Tudo para não perder o poder, a boquinha e ganhar com a corrupção empobrecendo ainda mais o município, desassistido aos pobres e aumentando a insegurança, comprometendo o desenvolvimento. O estudo foi realizado pelos pesquisadores Maurício Bugarin, do Ibmec São Paulo, Adriana Portugal, do Tribunal de Contas do Distrito Federal, e Sérgio Sakurai, da USP. Respeitáveis.
Azar II
O estudo deles é conclusivo. Cidades com pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) têm disputas políticas mais polarizadas e caras que as de municípios desenvolvidos, diz estudo. Quando eleição se polariza, doadores investem mais em campanha, pois temem que derrota de seu candidato prejudique seus interesses. Ou seja, quando mais pobres e desinformados, mais manipuláveis e mais caros os eleitores. Um ciclo vicioso e odioso orquestrado por espertos fisiológicos e ideológicos, esses com dissimulados atos, patrulha, censura e discursos.
Azar III
Sintomas dessa pobreza e farra desses políticos: quando perdem uma disputa, por ignorância, birra e falta de respeito à vontade popular da maioria, deixam de ir à transmissão de cargos e posse de seus sucessores. Para eles, cargos e cidades são marcas de poder pessoal e não um símbolo democrático de doação pública em favor de todos. São sementes do ódio que disseminam e alimentam quando fora do poder. Acorda Gaspar.
Antes
A notícia da composição e direção da mesa da Câmara de Vereadores de Gaspar não era nova. Pelo menos para o leitor desta coluna. Ele já sabia de tudo desde a edição de 16.12.2008. Leu a trama na nota "Maioria". Acorda Gaspar.
Janeiro quente
Para encerrar a coluna. O Movimento dos Sem-Terra, MST, prepara uma jornada de marchas e invasões em todo o País para comemorar os 25 anos de existência que se completam este mês. Foi em janeiro de 1984 que o movimento definiu a bandeira de luta pela terra e pela reforma agrária em Cascavel, PR. Em nota divulgada pela coordenação nacional, o MST convoca os militantes para a ação. "Não haverá maneira e lugar melhores para comemorarmos nosso 25 anos do que com lutas nas ruas e ocupações de latifúndios".
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