Por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

23/09/2008

Debate I

Perguntaram-me se o debate de sábado com os prefeituráveis foi bom. Apesar de suspeito, digo-lhes que foi excelente. Primeiro ele foi feito com o trabalho voluntário de muita gente mobilizada pela ACIG, Ampe e a CDL; apesar das emoções envolvidas, a imparcialidade imperou; todos os candidatos compareceram e a platéia de mais de 600 pessoas, ouviu (e até torceu) e contribuiu muito no exemplo de respeito às idéias, opiniões e defesas expostas pelos candidatos, mesmo não concordando com algumas delas; houve uma clara demonstração de respeito de todos para com as regras e aos limites dos embustes possíveis para este tipo de encontro. Democracia e pluralidade. É Gaspar de olhos abertos.

Debate II

Debate é apenas uma das formas de exposição, comparação dos candidatos, suas idéias e projetos. Afinal, julgamentos e manifestações para esses casos devem ser aquelas que valem de verdade: a que a gente vai sufragar nas urnas eletrônicas em cinco de outubro. O que aconteceu no Salão Cristo Rei e transmitido pelas rádios Sentinela do Vale e Nativa FM foi é um exemplo de cidadania e ação comunitária. É o exemplo de uma cidade acordada, mobilizada.

Debate III

Perguntaram-me se o nível do debate foi bom. Digo-lhes, sim. Houve uma demonstração inequívoca de maturidade e respeito de todos os candidatos para com os eleitores e com seus adversários (alguns com inimizades claras, o que é uma pena). Pegadinhas, escapadinhas e marketing para a platéia faz parte do jogo. Todavia, está claro que não se tem nenhuma proposta de mudança. Todos trabalham sobre o mesmo tema e comportamentos há 30 anos. Meio ambiente, gestão, como fazer muito com pouco, inclusão social (crianças e adolescentes), esporte para todos, humanização da cidade e segurança foram temas do presente e do futuro que escaparam. Há promessas que não se explicam de como elas vão ser realizadas. No outro ponto, não se esclarece o que já é turvo. É um jogo. O embate eleitoral é assim, infelizmente. Acorda eleitor. Acorda Gaspar.

Debate IV

Ponte, Anel de Contorno, trânsito caótico foram temas comuns, desgastantes e repetitivos. Mas, eles dependem de verbas federais e estaduais. E é por ai que quase todos se escaparam. Já se anteciparam nas desculpas. Nem mesmo o Cefet que já estava prometido, admitiu-se que o governo Federal, alegando problemas técnicos na licitação (e é sempre assim), atrasou. É por conta dessas "coisas técnicas", que poderá se atrasar muito mais. Entretanto, ninguém soube garantir se as aulas começam no ano que vem como se prometeu. Soube-se ainda no debate que outra verba federal para uma obra certa Gaspar, o saneamento básico, via PAC , também empacou. E assim vai. Propaganda e promessas que se desmancham em desculpas. Por isso, o debate é essencial. Acorda Gaspar.

Debate V

O grande tema local (na verdade deveria ser saúde como um todo), o hospital, apareceu pouco. É delicado. A clareza pode machucar (já magoa) muita gente. E quando apareceu, ele não foi tratado de forma séria como pede e deve. O candidato Adilson Schmitt culpou o candidato Celso Zuchi por ter, segundo ele, ajudado a fechá-lo, quando prefeito. Na contrapartida, Adilson disse que a prefeitura estava ajudando a reabri-lo. Adilson disse que Zuchi repassava apenas R$25 mil por mês, quando o hospital já necessitava naquela época de R$75 mil. Zuchi retrucou na lata: "eu repassava R$25 mil e ele estava aberto. Vocês repassam R$75 mil e ele está fechado". Bravata de palanque. Aceitável. Todavia, não quando se impõe uma solução.

Hospital I

Pegando o gancho. Ora, se havia uma necessidade de R$75 mil para suportar o Pronto Atendimento, uma obrigação da prefeitura com os seus cidadãos - pois era um serviço que o hospital fazia para o município - e que hoje custa quase R$150 mil via o CAR - e vai continuar custando para o próximo prefeito -, mas na época só se recebia R$25 mil por mês por este serviço, está claro para quem sabe fazer simples contas de somar e diminuir, que havia um grande rombo mensal que inviabilizou o hospital ao longo dos tempos. Um dia ele teria que fechar. E fechou.

Hospital II

O resto é demagogia política e parece que se persistir nesta toada fazendo-se jogo de palavras para eleitores pouco esclarecidos, nenhum problema será resolvido para a população como ela quer e espera dos administradores públicos, de forma madura como o caso pede. Outra, os R$75 mil que a prefeitura repassa hoje são apenas para as obras que vão permitir reabri-lo com outros entes da comunidade. Não é para a manutenção ou atendimento.

Hospital III

Outra do debate, da política e dos panfletos apócrifos. Foi entendido que foi Fernando Buchem, genro de Celso Zuchi quem pediu o fechamento do hospital. Errado. É também jogo de palavras. É misturar política partidária em coisa séria. É algo tão rasteiro quanto dizer que com R$25 mil ele estava aberto e com R$75 mil está fechado. Não se resolve o problema dessa forma. Ao contrário, agrava-se. Disputa-se uma coisa que está fora dos padrões éticos de um político comprometido com a sua comunidade disputar: a intolerância e a solidariedade. Acorda Gaspar.

Hospital III

O médico ortopedista Fernando Buchem era o diretor clínico do Hospital de Gaspar. Como representante dos médicos que trabalhavam no Pronto Atendimento - aquele que a prefeitura tem a obrigação de manter - pediu um direito, legítimo: o pagamento do sobreaviso (uma remuneração para o médico que fica disponível para as emergências). Ele agiu corporativamente, não politicamente e muito menos com revanchismo por ser parente de um político derrotado numa eleição, penso eu. Outro médico que fosse diretor clínico, aposto, faria a mesma coisa em nome dos médicos que representava. Ele estava sob pressão. O hospital falido, tentou negociar, renegociar. Não conseguiu. Os médicos ficaram irredutíveis no direito que tinham. O caso foi parar na Justiça e daí, a história é conhecida de todos (ou terei que repeti-la outra vez?). Acorda Gaspar.

Governador I

O governador Luís Henrique da Silveira, PMDB, veio sexta-feira a Gaspar catapultar uma das candidaturas locais. Os coordenadores da campanha agendaram então uma reunião do governador com os empresários locais. Queriam mostrar poder de mobilização. Um fiasco. Para ir, e de última hora, os empresários quiseram saber antes o que o governador queria com eles. Mas ninguém soube explicar qual seria a pauta da agenda. Então, os empresários, meio desconfiados, preferiram não ir. O governador ficou no mínimo, digamos, chateado.

Governador II

Para completar a coisa mal feita e pouco transparente, um coordenador de campanha espalhou que o governador pediu para o gerente regional de fiscalização estadual marcar uma nova "reunião" com os empresários locais e enquadrá-los (no quê?). Isso ainda pode feder. Alguns empresários não gostaram nem um pouco desse recado. "Faço questão de estar com o governador, como governador. Respeito-o muito. Mas, nesta hora, o governador é político, tem partido e interesses. Eu também. Então tudo deve estar bem claro entre nós. Custo crer que ele possa ter dito isso (reunião de enquadramento). Respeito é bom, dele eu e o governador gostamos muito", retrucou um empresário, digamos, também nada satisfeito com essa história. Acorda Gaspar.

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