30/09/2008
Hospital I
A senadora Ideli Salvati, PT, cidadã honorária gasparense, subiu o morro e foi conhecer a realidade do novo Hospital e de como um grupo de abnegados luta para reerguê-lo, abrir e lhe dar sustentabilidade apesar de todas as dificuldades e desconfianças. O candidato e ex-prefeito Celso Zuchi e sua vice, a vereadora Mariluce Deschamps e outros, aproveitaram a carona. Já era hora para quem diz que vai abrir o hospital ir lá. Foi muito rápido. Todos ficaram bem impressionados - pelo menos foi isso que se ouviu deles durante a visita - com o que viram, com o que já foi feito, investido e pelo muito que ainda tem por fazer lá.
Hospital II
Falta ao governo Federal dizer como vai contribuir na revitalização e reabertura do novo Hospital. Não vale colocar impedimentos burocráticos e assim arrumar desculpas antecipadas para não participar como já se ensaiou na imprensa. Os governos, municipal (R$300 mil) e estadual ( R$750 mil), além dos empresários e a comunidade (mais de R$2 milhões), já contribuíram pesadamente para essa grande virada. E estão dispostos a mais. Também havia e há para eles impedimentos, mas foram superados em nome da causa e seus resultados - e isso foi dito aos visitantes. Nesta história, o governo Federal até agora só levou, ou seja, ele está recebendo parte dos quase R$3 milhões em dívidas tributárias que foram repactuadas pelo grupo gestor - para viabilizá-lo e salvar a pele dos ex-administradores - e estão sendo pagas religiosa e mensalmente. Acorda Gaspar.
Campanha I
Dois ministros do governo Lula estiveram na região na semana passada: Márcio Fortes (PP) das Cidades e Dilma Rousseff (PT), da Casa Civil. O primeiro reafirmou a preocupação com a ponte do Vale e o Anel de Contorno; a segunda, recebeu dois documentos sobre o mesmo assunto: um da ACIG, Ampe e CDL de Gaspar, e outro da ACIB, Ampe e CDL de Blumenau. Os dois ministros faziam campanha política em favor de candidatos de seus partidos. Será que vão mesmo dar atenção aos pleitos do Vale do Itajaí e dos gasparenses ou estavam à procura de resultados imediatos? O que essa gente não faz atrás de votos fáceis, heim! Acorda Gaspar.
Campanha II
Os candidatos a prefeito e vereadores de Gaspar estão olhando com alguma desconfiança para o nosso padroeiro, o São Pedro. É que a maioria dos finais de semana - principalmente nesta reta de chegada - tem sido de chuvas e lama e isso, segundo eles, tem dificultado alguma ações. Será mesmo esta a causa da falta de empolgação da campanha local? Acorda Gaspar.
Porto I
O porto de Itajaí baixou uma medida administrativa para dar "produtividade". Na verdade, disfarçou-a: é para aumentar o seu caixa, aumentar as despesas e tirar a competitividade dos clientes as custas da sua incapacidade de resultados. Os importadores da região estão tiriricas. Hoje paga-se 0,26% da carga para os primeiros dez dias estocada no porto, enquanto aguarda-se a liberação na burocracia aduaneira. Após os dez dias, soma-se mais 0,11% por dia parado. A pedido de associados, a ACIG, a Ampe e a CDL protestaram, inclusive à ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, a dona do PAC - Plano de Aceleração do Crescimento.
Porto II
A nova medida baixou de dez para cinco dias o tempo de permanência da carga no porto para o desembaraço. Após, valem 0,11% ao dia. Ou seja, os mesmo dez dias que antes tinham uma incidência de 0,26% sobre a carga hoje têm 0,81%. Entenderam? Ou seja, o serviço não melhorou, reduziu-se o prazo para se pagar mais por isso sem que o cliente possa fazer nada. Por que? Porque, a liberação da carga depende exclusivamente do porto. Aliás, em matéria de números, o porto de Itajaí é um especialista. Quem sabe muito bem disso é a Polícia Federal em várias operações que realizou e que estão espirrando em nomes de servidores, "empresários" e políticos carimbados.
Crise I
Atrevo-me a pitacos. Escrevi aqui sobre como os Fundos de Investimentos criaram cotações falsas para as commodities, principalmente alimentos, comprando e sustentado papéis e não transação produtos. É algo complicado de entender para a maioria das pessoas. Esta crise financeira quem vem abalando o mundo tem a mesma origem. Criaram e sustentaram créditos (na verdade, para os leigos, dívidas e que agora não tem liquidação). Uma engenharia da ganância. Inclusive de executivos na busca de resultados e compensações em seus salários. Empurrou-se de barriga a solução. Criaram-se expectativas e vivia-se dela. Um dia a bolha estouraria. E estourou. Alguém vai pagar. Vai do simples investidor, aos fundos que sustentam as aposentadorias privadas e que tem esses papéis inflados pela especulação, à ganância, a falta regulação e fiscalização. Privatizaram os ganhos e estão socializando os prejuízos.
Crise II
Não vou me alongar. Vou dar alguns números. Por isso, recomendo desde já, uma leitura detalhada e simples de entender deste assunto: "A festa do crédito e a economia global. Dinheiro, Ganância, Tecnologia", do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial (www.braudel.org.br). Ele foi escrito pelo intelectual americano, jornalista e especialista em estudos latino-americanos, Normall Gall. O PDF é de fácil acesso e está em português.
Crise III
Veja e conclua. O Global McKinsey Institute (GMI) produziu uma série de estudos sobre a proliferação dos ativos financeiros nas últimas décadas. Os números são dramáticos. O estoque financeiro mundial - o total de depósitos bancários, títulos da dívida privada, dívidas governamentais e participações acionárias - passou de US$10 trilhões em 1980, próximo do valor do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, para US$167 trilhões em 2006, quase quatro vezes o PIB mundial. Apenas em 2006, os ativos financeiros globais tiveram um aumento de US$ 25 trilhões, ou quase 18%, um crescimento três vezes maior que o PIB. Conclusão: criou-se poeira, expectativas, não efetiva riqueza.
Crise IV
Quer mais? Desde 2000, a especulação no mercado desregulado de trocas de garantias contra calotes (CDSs, em inglês), cresceu exponencialmente de US$ 900 bilhões para US$ 62 trilhões no início de 2008, duas vezes a capitalização do mercado acionário dos EUA e quase o equivalente à totalidade da riqueza das famílias dos Estados Unidos e dez vezes o valor de todos os títulos da dívida que podiam ser protegidos por seguros. Pior. Toda a riqueza do mundo (o PIB mundial) é avaliada hoje em cerca de US$ 40 trilhões. Logo, os US$ 62 trilhões da especulação são o mundo mais metade do mundo. É ou não poeira? Coitados de nós.
Crise V
As empresas privadas brasileiras têm US$ 15,1 bilhões de dívidas de médio e de longo prazo a vencer no período que vai de setembro até o final de dezembro. Esses papéis podem ser renovados ou liquidados, a depender do que exigirem os credores. O sucesso (ou fracasso) nessas operações será a melhor forma de aferir qual o impacto real da crise financeira internacional sobre o Brasil. Falta dinheiro. Os juros internacionais já amentaram para os investimentos. Então, vamos ver qual é a nossa parte nesta poeira no bordel da banca financeira e sem regulação liderada pelos Estados Unidos.
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