14/10/2008
Exemplo I?
"Digam a verdade ao povo e o país está salvo!". Esta frase é atribuída ao ex-presidente americano Abraão Lincoln. Certamente ele não imaginou o que faria muitos anos depois alguns sucessores dele, como George Walker Bush, além dos gananciosos e "criativos"executivos financeiros que meteram o mundo numa grande crise neste ano. Os executivos estão ricos e impunes contrariando os princípios calvinistas da sociedade americana de resultados e ética. Os políticos e os governantes que fecharam os olhos, mamaram, não regulamentaram e não fiscalizaram, também. Nesta lista, certamente, estão também muitos políticos (e executivos) brasileiros e suas inúmeras mazelas administrativas para se manterem no poder, levar vantagens, ganhar dinheiro fácil e eleições.
Exemplo II?
Veja esta e conclua você mesmo. Ela é do noticiário do dia 4, sábado, véspera do domingo de eleições. É do bravateiro, do palanqueiro, do político e do irresponsável (só pode ser ao se analisar o contexto da comédia e a autoridade que deveria mostrar para conduzir este delicado assunto), e do líder de audiência no seu reduto sindical de São Bernardo do Campo (SP). Em campanha para o companheiro Luiz Marinho, seu ex-ministro, ele foi definitivo: " lá (nos EUA) ela é um tsunami. Aqui, se ela chegar, vai chegar numa marolinha que não dá nem para esquiar". Autor? Luiz Inácio Lula da Silva.
Exemplo III?
Horas depois destas declarações e diante dos resultados do primeiro turno, como já estava programado, o presidente da República mudou o tom. E mudará muito mais depois do segundo turno. Veio o ministro Guido Mantega, da Fazenda (que diz que não perde o sono com o assunto); o presidente do Banco Central, Henrique Meireles; o ministro, Paulo Bernardo, do Orçamento, Planejamento e Gestão, dizer que a tsunami vai fazer ondas perigosas por aqui se o assunto não for tratado com seriedade devida. Ah, bom! Luiz Marinho está no segundo turno graças as irresponsabilidades como esta do seu palanqueiro predileto para uma massa que adora bobagens. E pior, vota sob seus efeitos delirantes.
Exemplo IV?
Como a economia vai desacelerar, a arrecadação de tributos deve cair por conta disso. O orçamento da União, por sua vez, só vai ser adaptado depois do segundo turno, numa outra manobra visivelmente eleitoreira. E começará pelo cortes de obras, emendas parlamentares ao invés das despesas e custeio de uma máquina inchada, sem produtividade para o cidadão, sindical, companheira e política que engole os nossos tributos com uma fome incontrolável. O que o Vale do Itajaí e Gaspar tem a ver com isso? Muito. Esta será, mais uma vez, a desculpa dos políticos para não vir ou atrasar o Cefet, ponte, anel, duplicação da BR-470, hospital, obras de saneamento e por ai vai. Tudo começará a ser discutido às vésperas da eleição de 2010. É assim a vida dos políticos. É assim que eles se alimentam. Esta é a nossa sina. E tem gente que acredita neles e em mudanças. Acorda Gaspar.
Nanico I
Sérgio Hening, do PHS, obteve 382 votos na eleição em Gaspar. Com esses votos ele não se elegia nem a uma mera suplência na Câmara de Vereadores. Perdeu até para os nulos, 905 e para os votos brancos, 809. Sérgio, logo ele presumivelmente com conhecimento do assunto e graduado em Ciências Sociais, duvidou publicamente da idoneidade do Ipac que fez a pesquisa e por via indireta, deste Cruzeiro do Vale que encomendou, pagou e a publicou. Foi no debate no Cristo Rei. Arrancou aplausos fáceis. Nem por isso, conseguiu os votos que precisava e imaginava. Segundo ele, a verdadeira pesquisa seria aquela do dia 5 de outubro. Então ela está aí. Há mais alguma dúvida? Ou há problemas também no sistema de apuração da Justiça Eleitoral de Gaspar?
Nanico II
O outro nanico, o PSB, associado a outros nanicos, o PPS e o DEM (ou alguém tem dúvidas disso depois daquela famosa cisão promovida pelo Pepê Schmitt?), foi melhor na performance: obteve 3.109 votos nas urnas. Já Adilson Schmitt com esses nanicos conseguiu 8.552 votos e ficou em segundo. Ou seja, foi mais articulado e provou ter mais votos individualmente do que os partidos, apesar das marcas que criou contra si próprio para esta eleição.
Votos
A coligação PP, PSDB e PDT obteve 9.621 votos nas urnas. Respeitável. Mais que o segundo colocado Adilson Schmitt, se comparado. O candidato da coligação, Clarindo Fantoni, PP, no entanto, teve apenas 2.274. Ficou em quarto. O seu PP onde é presidente, por exemplo, sozinho obteve 5.419 votos na legenda. Se o candidato a vereador é o principal cabo eleitoral do candidato a prefeito na sua coligação, a monstruosa diferença provou o tamanho da organização, da liderança e da traição. Este é o melhor retrato da fidelidade em Gaspar nesta e em outras eleições.
Independência
É notória a independência partidária de três vereadores eleitos: Claudionor Souza, PSDB; José Hilário Melato, PP; e Raul Schuller, no PMDB. O chororô dos majoritários derrotados e dos caciques partidários é grande sobre este tema. Quem viver, verá.
Liderança I
O ex-prefeito Fernando Poli, ex-MDB, PMDB e PFL, hoje no PDT mostrou toda a sua força política. Seu irmão Luiz Eurides Poli, o Michola, PDT, e que na campanha era conhecido como Poli, teve apenas 329 votos. De quebra seu cunhado, Raul (Schramm) do Procon, PPS, teve 270. Nenhum deles se elegeu à Câmara. O Poli está sem representação. E pelo jeito, também sem votos .
Liderança II
Outro que mostrou a sua força foi o vereador e ex-presidente da Câmara, Orlando Bernardes, ex-PP e hoje PSDB, e que articulava para coligar o seu partido com o PT. Seu irmão Cláudio Pica Fio recebeu 380 votos e também não se elegeu. O sucesso de Claudionor de Souza no PSDB não tem nada a ver com o presidente Bernardes.
Liderança III
Luiz Carlos Spengler Filho, o Lu, do PP, se elegeu vereador pela primeira vez e com 780 votos. Ele é filho de Luiz Carlos Spengler, o Cuca, ex-vereador, ex-vice-prefeito, ex-secretário municipal e ex-presidente do Samusa. A família Spengler trabalhou unida e esta sim, mostrou força e mobilização.
Audiência
O radialista Rudinei Cavalheiro era um líder de audiência nas manhãs da Rádio Nativa FM. O alvo preferido era o prefeito Adilson Schmitt. Fazia a festa dos adversários e do povo. Saiu da rádio por desentendimentos comerciais. Para o espanto de alguns, tempos depois foi trabalhar na prefeitura. Filiou-se e saiu de lá para ser candidato a vereador pelo PDT . Convenceu apenas 150 eleitores e também não se elegeu.
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