por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

por Herculano Domício

24/10/2008

Hospital I
O prefeito eleito Celso Zuchi, PT e sua vice, Mariluce Deschamps foram à audiência pública do Fórum Parlamentar Catarinense, realizada na terça-feira, no Teatro Carlos Gomes, em Blumenau. O Fórum é presidido pela senadora Ideli Salvati. O objetivo foi o de conhecer as prioridades das comunidades para dar base e justiça as emendas individuais e coletivas dos nossos parlamentares. O prefeito pode testemunhar como as lideranças políticas e institucionais do Vale defendem a Ponte, o Anel e o Hospital de Gaspar. No discurso Zuchi fez coro. Reafirmou o seu compromisso de se unir ao mutirão cívico para reabrir o hospital revitalizado o mais rápido possível.

Hospital II
Celso Zuchi, entretanto, precisa urgentemente afinar a prática e o discurso. Um médico que já pertenceu ao corpo clínico, percorreu recentemente gabinetes em Brasília. Surpreendentemente, ele pregou o fechamento do atual hospital, desestimulou o envio de verbas federais e defendeu a construção de um hospital novo e municipal. Para tal, alegou a inviabilidade econômica do atual. É isso o que dá médico, sem o mínimo conhecimento acadêmico para tal, meter-se no exercício ilegal de administrador ou economista. Acorda Gaspar.

Hospital III
O governador Luís Henrique da Silveira, PMDB, tem dito e demonstrado que quer ver o Hospital de Gaspar reaberto o mais rápido possível. O secretário regional, Paulo França, jura a mesma coisa. Mas, a coordenadora regional de saúde, Maria Regina de Souza, tem agido sistematicamente na direção contrária. Ou ela está afrontando os dois, ou está consciente naquilo que faz para os dois. Já está mais do que na hora de se esclarecer este jogo de gato e rato. Os que lutam pela reabertura do hospital agradecem. A cidade também.

Imprensa
O debate é intenso e sério. A imprensa (principalmente a tevê e ao vivo)teria contribuído para o resultado da tragédia no seqüestro de Santo Andre SP. O autor saiu ileso (e preso). As vítimas: uma morta e uma ferida. Antes, porém, foram personagens para a disputa de audiências. Um espetáculo duvidoso (e que continua). A polícia? Refém de uma cobertura televisiva e do show de palpites de gente que se diz entendida no assunto (consultores, ex-policiais etc). Para completar, a mesma imprensa que precisou do assunto para sustentar a audiência, agora questiona o fim trágico e culpa os policiais. Polícia é polícia. Política é política. Imprensa é imprensa. Quando uma se confunde com a outra, algo pode dar errado. E em Santo André, deu. Agora se distribuem as culpas, ao invés de vidas.

Diferença I
O engenheiro e economista Gilberto Kassab, DEM, apesar de ter sido deputado federal e estadual, e até secretário da prefeitura de São Paulo na administração de José Pitta, PP, na verdade, ele era um desconhecido vice do prefeito José Serra, PSDB, para a população da sua cidade. Isto foi publicamente comprovado por uma pesquisa quando ele assumiu após a vitória de Serra para o governo do estado. Agora, sabe-se ainda que aos 48 anos ele é solteiro e não tem filhos, e para o PT pela discussão que se dá em São Paulo, isso pode ser algo depreciativo para um político e candidato. Inacreditável observação preconceituosa para o século 21.

Diferença II
Para ser conhecido, Kassab um descendente de libanês com italiana, brigou (literalmente) com alguns eleitores (filme disponível no You Tube), limpou a cidade dos out-doors e placas, contrariou interesses das poderosas agências de publicidade que influenciam os meios de comunicação; endureceu com os camelôs, com os sonegadores e ampliou o rodízio de carros e caminhões. Mais enfrentou o conhecido Geraldo Alckmim que queria navegar sozinho no mar PSDB/DEM. Tudo em dois anos. Está no segundo turno, surpreendendo e à frente da ex-prefeita, ex-deputada federal, ex-ministra e super-conhecida figurinha do PT nacional (inclusive pelo relaxa e goza), a sexóloga Marta Suplicy. E dizer que por aqui uma receita parecida, mas com gente conhecida, deu tudo errado. Por que será?

Surpresas
Para quem não acredita (ou rezava por) em viradas de última hora, o segundo turno, poderá mostrar que elas existem sim. É esperar e conferir neste domingo após a abertura das urnas. Em São Paulo, parece que não haverá esta virada. A baixaria atrapalhou. Vencido nas urnas, a chance vai para o tapetão. O PT já iniciou o processo de impugnação da candidatura de Gilberto Kassab. O primeiro round o PT já ganhou. A denúncia foi aceita pela promotoria.

Comemoração
Comemorar uma vitória de idéias, projetos e mudanças é algo digno e necessário. Comemorar uma vingança é algo que mostra um preocupante vazio. Beira à pequenez. Estar cercado de novos amigos que se sentem felizes com a vingança é algo mais preocupante ainda. Acorda Gaspar.

Transição I
Haverá uma "renovação" completa na Câmara de vereadores de Gaspar a partir de primeiro de Janeiro de 2009. Elogiosa e exemplar é a decisão da atual mesa diretora em iniciar imediatamente um processo de transição: de conhecimento, trâmites legislativo, normativo e administrativo para os "novos" vereadores.

Transição II
Na outra ponta, Gaspar e os gasparenses ganhariam muito se houvesse um processo de transição entre as equipes de Adilson Schmitt, PSB, e Celso Zuchi, PT. É estar acima das coisas pequenas e do exercício do poder pelo poder. Não haverá perdedores, mas ganhadores: a cidade, as cidadãs e os cidadãos, além do atual e futuro prefeitos. Será que é possível esta decisão histórica e apenas própria aos homens públicos maduros? Quem se habilita intermediar esta necessidade e situação? Acorda Gaspar.

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