28/10/2008
Comprometimento
Esta coluna está comprometida com o futuro, as mudanças e as soluções. Afinal, alguém pode ter lhe acostumado ao contrário: o passado, a mesmice, eventualmente o presente e principalmente enxergar só os problemas. Eu penso um pouco diferente. Para mim existem problemas para qualquer solução. Então as oportunidades são prioritárias e valem mais. Acorda Gaspar.
Exemplos
Falam que a nossa aldeia é pequena. Mas ela, garanto-lhes, não é menor como muitos a querem fazê-la. E quando escrevo sobre as coisas do mundo, do Brasil e de Santa Catarina, também falo indiretamente da nossa aldeia. São exemplos. São reflexões e soluções num mundo conectado, super conectado. Veja a crise financeira, os Estados Unidos, as bravatas dos nossos líderes, etc. Tudo isso interfere no nosso dia-a-dia e principalmente no nosso futuro. Acorda Gaspar.
Amim
O professoral, arrogante, auto-suficiente, individualista, raivinha, vingativo, antigo e prepotente Esperidião Amim Helou Filho, PP, (o então surpreendente novo e jovem do ex-governador biônico Antonio Carlos Konder Reis, Arena) perdeu a corrida para a prefeitura de Florianópolis. Com ele perderam também o declarado PC do B e o enrustido PT. Ele prometeu mudar o discurso e principalmente o comportamento do primeiro para o segundo turno. E para isso contrataram toda a equipe de marketing e imagem do vencedor João Paulo Kleinubing, DEM, de Blumenau. Bobagens. Ele nunca respeitou esses profissionais. Ainda bem. Assim perdeu a mentira, a esperteza e a maquiagem. Acordem políticos.
Governador
Outra derrota foi para a até então reconhecida habilidade estratégica do governador Luís Henrique da Silveira, PMDB. A vitória de Carlito Mers, PT em Joinville, estava mais do que madura depois de cinco tentativas (ufa!). Ela, todavia, foi amplamente facilitada pela interferência indevida no PMDB, na imposição de nomes, alianças, rachas e abandonos orquestradas pelo governador no norte catarinense. Neste caso específico ele se vestiu de deus, apostou e perdeu todas as fichas que jogou. No sábado, para disfarçar a lambança em Joinville, LHS preferiu desfilar com o vitorioso Dário Berger, PMDB, em Florianópolis.
Maldição I
Veja só o que alguns colunistas observaram na semana passada quando o dólar teimava em subir, subir, subir frente ao nosso Real apesar das fortes atuações do Banco Central. Para eles, se o dólar estabilizar numa faixa acima de R$ 2,10 será razoável dizer que a economia brasileira passou por uma maxidesvalorização da moeda (estava em R$1,60). Os precedentes políticos de semelhante mudança deveriam ser vistos pelo presidente Lula e sua equipe econômica como uma advertência. Nos últimos 20 anos todos os governos que fizeram (ou tiveram que fazer) maxis capotaram na sucessão presidencial. O mesmo aconteceu na Argentina, México e Chile. Acorda Dilma.
Maldição II
Se Barack Hussein Obama vencer a eleição da semana que vem (apesar das pesquisas não é algo fácil), ele será o terceiro americano a sair direto do Senado para a Casa Branca. Os dois outros foram Warren Harding, eleito em 1921, e John Kennedy, eleito em 1960. Nenhum dos dois terminou o mandato. Harding morreu do coração e Kennedy tomou um tiro na cabeça, em Dallas, no Texas.
Maldição III
E para completar esta sombria constatação, em fevereiro (faz tempo eu sei), li que a escritora Doris Lessing enunciou outra maldição. Ela paira sobre as cabeças de milhões de pessoas que olham com desconfianças (e raiva) esse favoritismo de Obama: "Eles vão matá-lo". Mas, quem? Eu, heim! E depois dizem que os Estados Unidos são exemplo de democracia. Entretanto, que democracia é esta que não respeita a pluralidade, a diversidade, as minorias e os resultados? Quem conhece os Estados Unidos ou tem uma noção sócio-antropológica daquele país sabe que Obama não é a "alma" do estereótipo americano (seja ele branco, afro-descendente, identificado com regiões ou oligarquias políticas). É algo novo e que incomoda e deixa dúvidas, principalmente porque mexe com os jovens.
Maldição IV
Na sexta-feira passada, o centenário e poderoso New York Times fez a opção por Barack Obama (os outros grandes como Washington Post, Los Angeles Times e Chicago Tribune já tinham feito isso). É tradição este tipo de manifestação por lá. O editorial ressaltou que o senador por Illinois é "um homem de fina inteligência, com uma capacidade para captar as nuanças de temas complexos e uma evidente habilidade para a conciliação e a construção de consensos". No contraponto do editorial, o NY Times foi implacável: "o senador John McCain mostra-se cada vez mais distante da política americana, liderando uma campanha de divisão partidária, guerra de classes e até de racismo".
Biografia I
Álvaro Correia, identificado com Gaspar, ex-radialista (Nereu Ramos), combativo ex-vereador em Blumenau e ex-deputado pelo então MDB/PMDB, é um líder de leitura nas edições de sexta-feira aqui no Cruzeiro do Vale. Resgata a memória da nossa cidade. Formidável, exemplar e necessário. Na edição passada foi a vez de Francisco Hostins.
Biografia II
Lá pelas tantas se afirmou, com base na versão e depoimento do biografado: "quando encerrava o mandato de vereador, uma forte corrente política da cidade tendo a frente o PDC e com apoio de importantes empresas, Francisco Hostins é lançado a prefeito nas eleições de 1988". Errado. Sou testemunha e guardo farta documentação do episódio e do período.
Biografia III
Em Gaspar naquela época haviam duas correntes políticas legítimas: o PDS (ex-Arena) a qual pertencia Hostins e o MDB, ambos preservando identidades e resquícios das UDN e PSD. O PDC foi uma nova alternativa partidária criada na cidade. Não por importantes empresas com se disse, mas por pessoas jovens, idealistas, bem sucedidas e eventualmente ligadas a grandes empresas (que sonhavam com o novo e ingenuamente acreditavam que havia político confiável para representá-las). O líder daquele movimento foi o ex-deputado e ex- presidente da Acig, Francisco Mastella (já morto) e amigo de Vilmar de Oliveira Schürmann, então o principal executivo da antiga Ceval e onde Mastella trabalhou. Hostins valorizou o convite feito pelo PDC e quando viu que Wilmar Guilherme Spengler, o Petiço, seria o escolhido e que ele ficaria sem nada, virou a mesa e se tornou candidato.
Biografia IV
A segunda virada de mesa aconteceu dois anos depois de eleito, quando as contas do município já estavam saneadas e o planejamento estratégico feito por especialistas o diferenciava na administração do município. Ele excluiu o grupo de técnicos e seu vice, Mário Siementcoski , o qual chamou de companheiro na biografia, para se unir a um grupo da velha política, com interesses claros no poder e na sua sucessão. E nem isso conseguiram. Luís Fernando Poli, pelo então PFL, venceu e o sucedeu.
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