por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

por Herculano Domício

23/12/2008

O fim I
Esta é a última coluna deste 2008. E para começá-la que tal emprestar do jornalista Élio Gasperi uma frase que li em um de seus escritos: "Como se diz nos palácios, em fim de governo só quem bate à porta é o vento".

O fim II
Pois é por aqui bateu também água, chuva, lama, destruição e mortes para se completar na desgraça. Ausente, teve gente que ao invés de liderar, solucionar e socorrer, ficou isolado, na solidão e sem equipe; preferiu reclamar de que não aparecia na televisão em rede nacional. Um artista. Teve a oportunidade de ouro de transformar o vento da tormenta a seu favor. Entretanto, preferiu ouvi-lo uivar mais forte nas frestas da porta do paço, da casa e do escritório particular. A cidade ficou isolada por terra, no relacionamento e na ajuda. Um espaço de órfãos e indignação. Acorda Gaspar.

O fim III
Enfim, como diziam os antigos: é melhor um fim desgraçado do que uma desgraça sem fim. Vamos ver se o sapo será desenterrado desta vez. No primeiro governo, Celso Zuchi, PT, teve esta oportunidade ímpar e falhou. Por isso, perdeu para Adilson Schmitt, no então PMDB a liderar uma ampla coligação. Adilson falhou. E Celso ganhou a segunda chance e com a ajuda da aliança da vingança. Um perigo que se repete.

O Recomeço
Agora, os astros parecem o ajudá-lo. Com a catástrofe ambiental, paradoxalmente, os cofres e as facilidades se abriram ante o mal, o isolamento e a crise financeira. Mais, Celso tem uma boa madrinha, a senadora Ideli Salvatti, uma gasparense honorária. Então além do Cefet (que já deveria estar em construção e foi propaganda do e para o PT); da enrolada ponte do Vale, do Anel de Contorno e do Hospital (que o governo Federal ainda não se mexeu e que na campanha Celso disse que abriria como se mágico fosse), tem a agora reconstrução. Se não construir percepções neste mundo de oportunidades é dar sopa para o azar ou à incompetência. E tempo e trabalho há para (re)construir. Acorda Gaspar.

Exemplos I
O PT reclama que o prefeito Adilson Schmitt, PSB, dificultou muito a transição. Sem entrar no mérito específico pergunto: e o prefeito Volnei Morastoni, do PT, de Itajaí, fez diferente com Jandir Belini, do PP? . Resposta. Não só eles, mas centenas de outros e de todos os partidos. Uma vergonha.

Exemplos II
Isto não está nos partidos, mas nas pessoas que se acham donas da cidade, donas do partido, não se conformam com a derrota democrática pela maioria dos votos e não respeitam os cidadãos e cidadãs que são quem sustentam seus administradores e votaram pelas mudanças. É algo patológico. Freud explica. Isto revela a falta grandeza e de preparo para governar para todos e a bem compreensão do papel temporário do político no cargo público. Um município, um estado, um país não é de um político, ou de um partido, ou um grupo político. Antes, eles são plurais e de todos nós.

Galhofa I
Nos últimos meses, membros da atual administração espalharam pela cidade de que um executivo de uma empresa local, e devido a sua experiência internacional, teria sugerido modificações no trânsito de Gaspar. Coincidentes, as sugestões implantadas, segundo alguns, foram determinantes para o agravamento da situação e alguns confrontos. Era uma forma de lavar as mãos e se desculpar pela incompetência que tiveram para solucionar este problema. Então arrumaram um culpado.

Galhofa II
Espera-se que o tal executivo tenha aprendido a lição e não venha cair em novas armadilhas em outras áreas (que também não conhece) no próximo governo. Basta ouvir, ter filtro e uma assessoria competente. Caso contrário, virá desgastes por ai. E dos grandes.

Emoção infantil
"Acho que a gente devia ir para outro planeta e começar tudo de novo. Este aqui não dá mais, já acabou." Artur, quatro anos, desabrigado, ingênuo, sincero, na capa do Santa, no dia 29 de novembro.

Reação adulta
"Nas suas brincadeiras e sonhos, invente um planeta diferente aqui mesmo na Terra. Faça um desenho desse mundo melhor que você deseja. Eu gostaria de vê-lo. Seria uma inspiração para nós, adultos, torná-lo realidade. E assim, devolver a você o que nunca lhe deveríamos ter tirado: a esperança". Este é o trecho final da longa carta que a senadora Ideli Salvatti, PT, assinou e fez publicar no mesmo jornal dias depois.

A ferida
Artur ainda não sabe que no mundo temos governos, políticos, interesses empresarias, demagogia, a mentira e a dissimulação. Suponhamos que contra a Natureza nada podemos, mas mitigar a sua fúria ou reação é possível. Por que os governos não se entendem se isso é uma necessidade para todos nós arturs? Por que os políticos fazem e aprovam legislações que desprotegem a vida? Por que quando candidatos ou com mandatos, para ter ou se manter no poder permitem desmatamentos, terraplanagens criminosas, e construções em encostas, nas barrancas, estimulam ocupações, permitem loteamentos irregulares, regularizam aquilo que é risco, é morte e destruição certa?

A solução
Artur já nos deu a solução. Nós é que teimamos em não entendê-la e não aplicá-la. Ou fingimos, não sei. Temos interesses. Temos verdades. Somos egoístas. E nos achamos superiores e inteligentes. Teimamos em fazer para nós o nosso próprio planeta para usufruirmos integralmente dele no curto período que vivemos nele. O planeta de Artur é o de todos, é o ideal, é o dos sonhos. E é aqui mesmo. Será que algum político (que nos representa com legitimidade) vai entender de verdade o desenho do planeta do Artur? É Natal. Para o Artur existe Papai Noel. Para outros...

Barrados
Líderes empresariais ficaram indignados. Foram "barrados"no encontro com o presidente Luís Inácio Lula da Silva, no Sesi, em Blumenau. Foi uma ação política e partidária. Deliberada. Vergonhosa. Bem feito. Isto foi orquestrada por políticos com mandatos e seus assessores, os mesmos que usam, constrangem e expõem esses líderes para abrir portas nas empresas para passar o pires das doações, que sozinhos não teriam acesso. São e foram usados. Com essas portas abertas os intermediários são descartados. É sempre assim. Líderes e empresários ainda não aprenderam a lição. Falta profissionalismo de uns. Sobra, artimanhas de outros.

Escândalo
Notícias nacionais dão conta que o que era para os flagelados foi desviado. A história é antiga. Por aqui num tempo antigo até o que veio de graça do governo foi parar no mercado para ser vendido e gerar lucros para famílias de políticos. A diferença? É que naquela época não se tinha uma imprensa mais vigilante.

Hospital
O governo do estado já entrou e se comprometeu com mais R$ 2,2 milhões. O prefeito Adilson Schmitt neste ano honrou R$ 525 mil do município. Empresários e comunidade, outros milhões. O governo Federal até agora, só promessas em palanques eleitorais. Bravatas. Intrigas. Talvez porque faltava-lhes coisa mais séria para prometer. Acorda Gaspar.

 

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