por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

por Herculano Domício

17/02/2009

Campanha I
Começou a campanha política para a corrida à presidência da República, ao senado, à câmara e as assembléias em 2010. E isso é bom. Por três aspectos principais: pode-se iniciar uma discussão e esclarecimentos sérios. Quem ganha com isso? Todos nós na sociedade. De quebra, vêm ai a alavancagem da economia com obras estruturais, crédito e ações sociais, feitas com o dinheiro de todos nós, mas que os políticos fingem ser esse dinheiro deles e muitos dos eleitores acreditam nessa deslavada mentira. Finalmente, poderá haver mais fiscalização, mais denúncias, mais ajustes.
Campanha II
Em campanha, o presidente Luís Inácio Lula da Silva, PT, chamou na semana passada a Brasília DF, os prefeitos e as respectivas esposas. Uma festa: palanque, bravatas, gabinetes, jantares e fotos. Tudo no esquema. A "indústria do turismo e a do entretenimento" da Capital Federal agradeceram a mais esta idéia Oficial. Muitos prefeitos nem puderam experimentar de tudo nesta viagem. Com as esposas por perto - e alguns deles mandados por elas - se comportaram como se "santos" fossem.
Campanha III
A oposição surpreendida (PSDB e DEM, principalmente), nos últimos dois meses tenta esboçar reações. Falta-lhe idéias, argumentos, ações, oportunidade e unidade. É campanha? É. A imprensa séria já percebeu isso? Já. E daí? Tem discurso? Tem. Tem ação também. E no discurso de Lula não teve meias palavras. Foi direto (e chulo) contra a imprensa séria e à percepção dela sobre a "jogada". Ele deu o tom: "o povo não é marionete", disse. Será? Logo o PT que foi mestre em usar a imprensa para "esclarecer" o povo? Então, o PT já sinalizou a regra e como quer o jogo. Desta vez parece que não haverá paz e amor. Perder, vai custar caro e não haverá espaços para a elegância. Afinal, é uma campanha de resultados. Está em jogo o poder, os cargos e as mamatas. Estamos em plena crise financeira e que nos palanques do ano passado para o mesmo Lula era uma marolinha. Irresponsabilidade? Não! Tática, penso. O arsenal e as armas estão sendo apresentadas para a nova batalha, a nova campanha eleitoral. O povo quer emprego, salário, sonhos, bravatas, novas promessas e culpados.
Campanha IV
E o pacote de bondades do presidente tem como pano de fundo a crise, ou seja, o combate "responsável" contra ela e seus nefastos efeitos na produção, no consumo, na classe trabalhadora e média. O apelo é forte. A ação é necessária. Cala ou pelo menos desconcerta, quando não desmonta a oposição que se divide, exatamente quando deveria estar pragmaticamente unida. A favor do PAC - Plano de Aceleração do Crescimento - bandeira da ministra candidata Dilma Rousseff, até o governador de São Paulo, José Serra, PSDB, imitou e já lançou o EAE - Estímulo à Atividade Econômica. Tímido, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, PSDB, também fragmenta o seu. Tudo pelo reaquecimento da economia, pela manutenção ou geração dos empregos. Isso é bom. Quem ganha? Todos nós, se a responsabilidade fiscal for mantida. Entretanto, para os prefeitos, houve a sinalização clara de que caloteiros podem continuar na sanha. Acorda Brasil.
Campanha V
De Brasília para a terrinha. O prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, estava lá. Sem a madrinha, senadora Ideli Salvatti (que acompanhou a comitiva catarinense liderada pelo governador Luís Henrique da Silveira, PMDB, a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos). De prático o que veio? A ponte do Vale, o anel de contorno, dinheiro para abrir o hospital como o prometido nos palanques? Nada. Só fotos, blá, blá, blá e custos da viagem para os gasparenses pagarem. E esse PAC, da ministra candidata Dilma Roussef não conhece Gaspar? Uai? Mas o prefeito não tinha as portas abertas com o presidente e os ministérios em Brasília? Então não foi desta vez? E assim a nossa vida continua: esperando pelo necessário mas se contentando com coisas pequenas, picuinhas, com factóides. E o Cefet? Como andam as obras? Pelas minhas contas faltam apenas 10 meses para a sua inauguração lá no Bela Vista. Acorda Gaspar.
Campanha VI
O editor e colunista Gilberto Schmitt, retratou muito bem na coluna "Chumbo" de sexta-feira passada a nossa vida. Independente de quem esteja certo. Uma administração faz e a outra desfaz e se orgulha disso; uma contrata, a outra demite; uma processa, a outra reabilita. Tudo como se isso fosse normal, uma grande coisa, uma grande obra, como se isso servisse ao povo. E tem gente que comemora. Isso se chama vingança, andar em círculos, não é governar para todos, é lidar com o passado e ter medo de enfrentar e construir o novo, ousar, pedir, fazer alianças pragmáticas, gerenciar o futuro. Os nossos problemas são de outra ordem e grandeza. E graves. Acorda Gaspar.
Campanha VII
Isto só terminará quando grandes empresas anunciarem a sua saída de Gaspar devido aos precários corredores urbanos, a insegurança e baixa qualidade de vida que isso traz para o desenvolvimento de suas estruturas. A arrecadação cairá. A cidade ficará mais pobre. Blumenau, já tem pelo menos uma saída arranjada: a duplicação da BR 470. Gaspar, sem ponte do Vale, nem lá chegará. Gaspar insiste em ser pequena. Nega a assumir o seu papel integrado no contexto de desenvolvimento do Vale do Itajaí. Mudam os nomes, os partidos mas o angu continua o mesmo. Sem sabor, nos mesmos pratos e servido para as mesas pessoas, num banquete sem sal e talheres. Acorda Gaspar.
IPTU
Na primeira administração, o prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, foi simples e direto para aumentar a arrecadação do município: ampliou o perímetro urbano. Houve uma chiadeira geral, principalmente nas áreas de produção rural que passaram pagar o IPTU, mais caro no lugar do Incra. Agora, a velha fórmula volta, entretanto com alguns cuidados especiais. Está na Câmara a proposta para mudar o artigo 171 (logo esse número?)do Código Tributário Municipal. Aguarda-se explicações e a nova redação. Acorda Gaspar.
Eventos
A prefeitura procura uma nova área para criar o seu parque de eventos, hoje localizado ao redor do ginásio de esportes prefeito João dos Santos, confluência da Avenida Francisco Mastella e a Rodovia Jorge Lacerda. E já há uma opção. A prefeitura estuda juridicamente como declarar área de utilidade pública as terras da massa falida da SulFabril na ligação com a BR-470. É meio complicado, todavia há esperanças.
Obras
Joel Reinert está secretário de Obras de Gaspar. Ele é engenheiro e radialista. A sua secretaria por questões óbvias - e principalmente em decorrência da catástrofe - é alvo. E não é pouco. Por conta disso, ele precisa urgentemente gerenciar uma solução a dois problemas, ao mesmo tempo, no mínimo. Conhecimento técnico ele tem não apenas como engenheiro, mas como comunicador, e dos bons. E o nó me parece estar na comunicação. As queixas se avolumam, independente da importância de cada uma delas. E já não há como sufocá-las ou arrumar desculpas (mesmo que verdadeiras). É preciso uma ação rápida e eficaz para os buracos e principalmente para a percepção - certa ou errada - de que pouco se faz para sumir com eles das ruas e estradas do município. E nesta história tem fogo amigo. Acorda Joel.
Blog
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