24/02/2009
Tragédias I
"Vidas esquecidas no Baú" é título de uma nota sobre este assunto no meu blog na quinta-feira, dia 19.02.2009. Sugestivo? Duplo sentido? Não. Deplorável. É que na semana passada conheci parte e eu repito, apenas parte do outro lado das tragédias pessoais e (des)humanas do desastre ambiental de Novembro: a tragédia do esquecimento e do uso político daquilo que é necessário, óbvio e que se prometeu para os sobreviventes. Isso mesmo: sobreviventes, fracos e dependentes. Pelo menos, é assim que muitas pessoas nas áreas governamentais e políticas os querem ver e tê-los: tutelados. Um escárnio. Eu que já perdi quase tudo nas enchentes de 1983, principalmente, e a de 1984, sei da dimensão emocional que este fato em si pode afetar a vida, os sonhos, os planos de uma pessoa, de uma família e de uma comunidade. Sei quais são as perguntas e pesadelos que perpassam por dias e anos seguidos em quem é afetado por estes dois tipos de tragédias.
Tragédias II
Os moradores dos Baús, em Ilhota, que na desgraça já deram audiência nacional para tevês, rádios, jornais e internet agora não são mais notícia. Estão quase órfãos sob todos os aspectos. A terra arrasada os impede de recomeçar por suas próprias forças. Estão impedidos de sonhar. Estão impedidos à dignidade e assim de ter planos naquilo que é essência de uma vida. A não ser que anunciem outra desgraça. E por quê? Porque a comoção da primeira é velha para a mídia, é algo repetitivo, se mistura aos dramas comuns do cotidiano. A audiência já está "cansada" do mesmo assunto. A mídia vive do novo, do espetáculo, da imagem, do drama. E mídia, é um negócio. Precisa se sustentar. E os governantes sabem disso. Por isso arriscam e se tornam irresponsáveis.
Tragédias III
Os moradores do Braço Baú, Baú Alto e Baú Baixo estão atrás de soluções. Construídas. Verdadeiras. Só isso. Não querem e não esperam nada dos céus, a não ser tempo bom. Eles têm coragem, vontade e agora, união: criaram uma associação, a Adarb, para pedir, justificar, reivindicar, reconstruir vidas, denunciar e serem ouvidos naquilo que lhes é de direito. Tem uma porta voz de fibra e com uma história de perda material e familiar na tragédia, Tatiana Richard Reichert. Não precisam de "ajudas", esmolas, promessas, reuniões, discursos, viagens, vantagens, audiências e adiamentos. O tempo e a história deles sempre foram feitos de trabalho, exemplos e conquistas difíceis como é para todos os colonos que moram e vivem nas tifas esquecidas desse nosso Vale do Itajaí. Eles têm um passado a ser respeitado. O que eles reivindicam? O futuro, interrompido pela tragédia de Novembro.
Tragédias IV
Entretanto, alguns políticos já perceberam o filão. Precisam da desgraça, da tragédia e do quanto pior melhor, para montar palanques, audiências, reuniões e assim repaginar assuntos velhos, ganhar espaços para si na mídia, plantar ódios, divisões e mentir, tudo para colher votos, falsos heroísmos ou achar culpados mais tarde. Esses políticos fingem pedir soluções que sabem difíceis e em alguns casos, impossíveis. Temem a verdade. No fundo mesmo, esses políticos, por prática, esperteza ou orientados precisam da tragédia sobre outrem para a sua própria projeção. Acordem governantes. Os desabrigados de Ilhota apenas querem soluções compartilhadas, possíveis e em prazos reais para eles serem eles mesmos, produtivos e verdadeiramente donos do seu próprio destino. Querem apenas o mínimo, a cidadania.
Tragédia V
A Defesa Civil não trabalha, não vistoria áreas, não libera, não dá segurança, é omissa, é irresponsável. As estradas estão como antes, interrompidas, intransitáveis, inexistentes. As crianças não conseguem ir às aulas. Os desabrigados se amontoam em alojamentos há três meses. Os ribeirões assoreados, desviados ainda não servem como fonte de água, trabalho e vida. Nenhuma orientação técnica. Os agricultores sem assistência alguma. Não plantam, não criam os animais, não se sustentam. Os rizicultores sem condições de recomeçar; o preparo dos tabuleiros, da terra começa agora e está comprometido. Como prover, sustentar, reconstruir, viver se não há como trabalhar, se não se tem a independência, a autodeterminação? Parece que tudo é feito para a dependência, para a desmoralização, a humilhação, a tutela. Desde a Prefeitura - que devia liderar o processo de reconstrução - até o governo Federal. "Só queremos reconstruir. Temos capacidade de dar a volta por cima. Só queremos o mínimo e o que nos foi prometido", resume Tatiana. Acorda Ilhota.
Hospital I
O senhor Ernesto Schramm, antigo voluntário da Conferência Vicentina me telefona. "Você devia ver esse negócio dos empregados do Hospital. O presidente do sindicato não fala nada e a advogada manda o pessoal consultar a internet". Primeiro: por que eu? Segundo, senhor Ernesto: eles estão certos, eles têm pouco a fazer. O caso está na Justiça do Trabalho e aí há um trâmite próprio a ser respeitado. A não ser que se aceite um acordo o qual já foi rejeitado pelo sindicato e o funcionários. Explico-lhe rapidamente o caso.
Hospital II
Cerca de 50 ex-funcionários, demitidos depois de ganharem oito meses sem trabalhar - porque assim o próprio Hospital decidiu - entraram na Justiça para reclamarem as verbas indenizatórias e o FGTS. O Hospital estava e está falido e sucateado. Tudo começou a ser renegociado e reconstruído. O sindicato e a advogada manobraram bem. Conseguiram arrestar cerca de R$150 mil de uma conta particular da Acig. Era a 1600-0 da campanha para a reconstrução. Entretanto não puderam dispô-la devido à controvérsia jurídica: o dinheiro não era do Hospital e sim de um terceiro. Briga-se judicialmente. Oferecido o acordo pelo Hospital com este dinheiro para encerrar a pendenga, o Sindicato não aceitou, pois achou que podia ganhar mais. Nem Hospital que não tem dinheiro, nem os empregados demitidos que têm direitos. Ou seja, adiou a solução. Agora, é esperar. Ou sentar para negociar e resolver este assunto logo.
Transparência I
Os atos do governo de Pedro Celso Zuchi, PT, quando são publicados, os são via internet. Dá legalidade? Dá. Contudo, dá-se pouca visibilidade, pouca publicidade, pouca transparência aos gasparenses e que é o objetivo das publicações. Quantos têm internet em Gaspar? Veja esta. Você sabia que desde o dia 23 de janeiro Gaspar não tem secretário de Desenvolvimento Social? A cota é do PV. O Decreto 3.251 publicado na internet só no dia 5 de fevereiro, revogou o Decreto 3.121 que nomeou Ednei de Souza. É que ele pediu licença sem vencimentos e o Tribunal de Justiça onde é concursado e lotado, não concedeu. Como não existe a figura do secretário voluntário, como é obrigado a dar expediente no Fórum onde está lotado, estranho mesmo é ele continuar se apresentando como secretário por aí, inclusive em entrevistas. Acorda Gaspar.
Transparência II
Quando publiquei aqui, logo no início de janeiro que três dos nomeados do primeiro escalão do prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, estavam com saídas marcadas, o pessoal do Paço Municipal, para disfarçar, tratou o assunto como se fosse de um mal informado. Fizeram galhofas. Então comecem a fazer as contas. E elas tendem a aumentar. Dois já saíram, pelo menos no papel. Um emprestou o nome, pois quem manda e entende do riscado não é ele. Outra aberração. Outro já deu a senha, alegando problemas de saúde. Pode até ser, mesmo porque, realmente ele tem problemas de saúde; o desafio é grande e nada entende do que precisa entender na pasta dele. Mas, a verdade é que o secretário em questão já recebeu notificação para voltar em 60 dias ao posto público que ocupa em Gaspar. De quem é a galhofa? Acordem, galhofeiros. Acorda Gaspar.
Transparência III
Tramita no maior silêncio na Câmara de Vereadores a mudança do Código de Posturas do município. Por que este silêncio? O que se pretende? Foi com mudanças abrigadas no Código de Posturas que o prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, no primeiro mandato, conseguiu alterar o zoneamento e na zona rural transformá-la em zona urbana e assim cobrar o IPTU dos agricultores. Por falta de espaço aqui, trato deste assunto no meu blog. É só acessar www.cruzeirodovale.com.br, clique em blogs, e em "Olhando a Maré". Acorda Gaspar.
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