por Herculano Domício - Jornal Cruzeiro do Vale

por Herculano Domício

17/03/2009

Comportamento
Você me perguntaria o que esta nota sob o título "censura" aí abaixo tem a ver com a nossa cidade? Tudo, pois se trata de um comportamento incrustado na antropologia do poder, repito: qualquer poder estabelecido.

Censura
O PT gosta de imprensa livre, mas só quando ele é oposição. Na situação, detesta-a. Combate a censura, mas quando ele não é governo. Quando governo, censura até a memória do país, a nossa história. Inacreditável. Veja esta. O gabinete de Segurança Institucional do governo de Luíz Inácio Lula da Silva enviou há pouco mais de uma semana ao Arquivo Nacional, que é público e acessível para todos nós, as atas do Conselho Nacional de Segurança. O Conselho funcionou de meados de 1930 a 1988. São quase três mil páginas. Em 413 linhas, ou seja, oito páginas e escritas antes de 1960, têm uma tarja preta para que não possam ser lidas. História e memória do relacionamento com os nossos vizinhos que foram escondidas (por enquanto). Acorda Brasil.

Vários nós.
Voltando à terrinha. Por aqui o governo de Pedro Celso Zuchi, PT, tenta desatar alguns nós, equilibrando-se para não quebrar os ovos e assim fazer o omelete para ser servido aos velhos companheiros, ao partido e aos novos apoiadores. Zuchi nutre a esperança que todos elogiem o sabor da nova iguaria. Milagres acontecem, todavia esta se trata de mágica, ilusionismo e um truque. Exige-se habilidade, concentração e experiência. Acorda Gaspar.

Rodrigo
O jovem vereador Rodrigo Boing Althoff, PV e atual secretário de Planejamento é um dos nós. O ex-topógrafo concursado da prefeitura se tornou o queridinho do PT quando passou a réu e por conta disso, vítima na instauração, instrução e julgamento do Processo Administrativo Disciplinar 006/2007 movido pela administração de Adilson Luís Schmitt, PSB (ver coluna de 10.02.09 e no blog). Parecia ser um caso de perseguição política. Está na Justiça. Agora, o engenheiro Rodrigo, como paga ao atual e revanche ao ex, virou (pelo menos pretendia) um todo poderoso secretário.

Preço
Por conta disso, o PT e a administração Zuchi já estão convencidos que estão metidos numa enrascada sem tamanho. Se não fosse humilhante, diriam que Adilson tinha razão em parte. Rodrigo não é apenas um secretário. Quer ser muito mais. Mais que o prefeito e o PT. E para isso, desagrega, planta notícias, age nos bastidores por outros e desafia, afinal ele é determinado e articulado, tem votos, tem uma vaga vital na Câmara para a governabilidade e tem uma rede de favores e interesses a lhe apoiar. Acorda Gaspar.

Recados
Ao tentar enquadrar o secretário Rodrigo Boing Althoff, o governo Zuchi e o PT já receberam o recado dele via imprensa (o tal e.mail do pseudo PT Sacana). Rodrigo não esconde aos amigos, tem opinado sobre indicações menores e sobre a própria vinda do ex-secretário, o engenheiro Soly Waltrick Antunes Filho, aquele da confusão das bitolas dos tubos. Viu nele um concorrente. E o crucificado disso tudo foi o chefe de gabinete Doraci Vanz que monta a operação para dar ao governo do PT de Gaspar uma cara própria. Romper com Rodrigo não é uma boa idéia no que tange à governabilidade. O governo ficaria mais refém do presidente da Câmara, José Hilário Melato, PP, e de Claudionor de Souza, PSDB. No fundo são todos de um mesmo grupo - onde está Rodrigo - que ajudou na vitória de Zuchi. É ou não é um nó isso tudo? Acorda Gaspar.

Obras
O discurso de posse e as primeiras ações de Soly foram o que incomodaram Rodrigo. Soly veio para substituir o cartorário Élcio Carlos de Oliveira na secretaria da Agricultura, fato que tinha sido antecipado por esta coluna e desmentido pela administração municipal nas conversas internas. Voltando. Rodrigo teme que este não seja o endereço de Soly. Pensa-se que Soly, este sim, venha a ter super poderes para interferir na secretaria de Obras, de Joel Reinert e na de Planejamento, do próprio Rodrigo, se não se instalar em uma das duas. Daí as manobras ágeis de Rodrigo e que assustaram a administração Zuchi na semana passada. Agora é tarde, ou é melhor agora o desgaste do que lá adiante. Este é o dilema da atual administração.

Catástrofe
Joel Reinert na avaliação da administração petista vem patinando. Teve azar. Naturalmente, já seria difícil à área e seu titular. Mas, Joel pegou uma cidade arrasada pela catástrofe; uma administração se compondo e se disputando internamente; e ele por não ter partido, sob o fogo amigo, um deles, o próprio Rodrigo que tinha solução para tudo, prioridades e até cartas publicadas de munícipes nos jornais agradecendo à ação do Planejamento, vejam só, exatamente naquilo que era exclusividade de Obras.

Comparação
Para mostrar a ineficiência de Gaspar na recuperação pós-tragédia, começaram as invitáveis comparações com Ilhota, talvez a mais atingida e com menos recursos do que Gaspar. Lá não houve a troca de governo o que é uma vantagem. Além disso, inteligentemente, decidiu-se por mutirões. Máquinas, servidores, empreiteiros e voluntários se concentraram na solução de um problema grave, numa região. O resultado aparecia. Aqui, ficou-se correndo de um lado para o outro, resolvendo-se também graves problemas, mas não de forma consistente, articulada, participativa ou definitiva. Permitiram à "chuva" de reclamações. Erraram na dose, na organização e na estratégia.

Outro nó
Está aí outro nó desta questão delicada que terá que ser desatado com cuidado. É que Joel além de engenheiro é também radialista e continua dono da Rádio Nativa FM, hoje arrendada. Foi um crítico e deu voz (quem não se lembra de Rudnei Cavalheiro? ) para as críticas contra a administração de Adilson Luís Schmitt. O PT e o Pedro Celso Zuchi certamente não cometeriam desatinos. Qualquer decisão vai exigir análises e negociações. Mais surpresas virão. O espaço é pouco. Entretanto, pessoas próximas ao prefeito afirmam que ele está decidido a montar um governo com os mais próximos, os de confiança e os companheiros. Ele não aguenta mais críticas sobre gente do seu governo e que ele não pode exigir ao limite máximo. Então é chegada da onça beber água. Acorda Gaspar.

Plateia I
O prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, teve três atitudes nos últimos dias para a plateia. Parecia que continuava no palanque, em campanha. Primeiro cobrou mais agilidade e mais verbas do presidente da Comissão Externa da Câmara para Acompanhamento das Calamidades em Santa Catarina, Paulinho Bornhausen, DEM. A comissão só acompanha, fiscaliza a liberação e a aplicação. O dono das verbas e quem as libera é governo de Luíz Inácio Lula da Silva, do PT. A cobrança feita tinha endereço errado ou era uma intencional bravata?

Plateia II
Outra. A Defesa Civil liberou verbas para a compra de terrenos para a reconstrução de novas casas aos desabrigados. Gaspar ávido por soluções, começou perdendo para Blumenau e Ilhota no prazo na corrida pela entrega dos documentos necessários para a liberação da verba disponibilizada recentemente pelo governador Luíz Henrique da Silveira. Por outro lado, sabe-se agora que os R$150 milhões prometidos por Lula à construção dessas casas em Santa Catarina, tornaram-se verbas para todos no Brasil. Será que vai sobrar para Gaspar? Ou só vamos conseguir comprar os terrenos com o dinheiro dos doadores caridosos para a Defesa Civil?

Plateia III
Por derradeiro, Zuchi anunciou uma reunião quarta-feira, dia 11, às 9h, em Blumenau, com o procurador do Ministério Público do Trabalho Eder Sievert. O encontro teria como objetivo suspender a aplicação do Termo de Compromisso de Ajuste de Conduta (TAC), assinado no dia três de dezembro de 2007, pela antiga administração municipal. Perguntar não ofende. Qual foi o resultado desta reunião? Na campanha valia tudo. Agora, tem-se conviver com as consequências de atos impensados para sustentar palanques. Voltarei ao tema. Acorda Gaspar

 

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