21/04/2009
CÂMERAS
Gaspar está prestes a ter o serviço de monitoramento de câmeras no centro da cidade. É muito bom, mas cuidado. Isto pode ser uma armadilha. A comunidade e as entidades civis organizadas precisam estar atentas. A audiência pública de segurança realizada recentemente na Câmara de Vereadores e a reunião do Comtur nos mostraram isso, claramente. Fomos enrolados. E as soluções apresentadas, invariavelmente, são cada vez mais taxas (além dos tributos obrigatórios); mais burocracia, mais isso e aquilo como o Conselho de Segurança, que nada mais é do que a privatização de uma obrigação do Estado. E isto pode ficar fora de controle. Foi assim que nasceram, se fortaleceram e viraram pragas, as milícias no Rio de Janeiro, por exemplo. A câmera não substitui o policiamento ostensivo, a ação preventiva e inibidora do policial. Ela é apenas uma ferramenta de prova e ajuda.
NA RUA
Com o sistema de câmeras funcionando, a tendência da Polícia Militar é sempre a de compensar a falta de efetivo e equipamentos, escondendo da sociedade um fato tático grave e que pensa solucionar num segundo passo, passo que nunca chega e se agrava. Por isso, a outra "câmera" sobre as câmeras e a polícia terá que ser de todos nós. Este é a responsabilidade cidadã. A polícia ostensiva que vai diminuir no centro por conta das câmeras terá que ser deslocada para áreas problemas.
EXEMPLO
Vocês duvidam disso? Vejam esse depoimento de um experiente delegado de polícia sobre o caso de Balneário Camboriú. Eu lhe relatei que fora da temporada, na Avenida Atlântica, haviam sumidos os Policiais Militares e o número de passadores e consumidores de drogas se multiplicaram as dezenas para algo fora do controle. "Este é o efeito câmera. Sem a polícia por perto eles se sentem livres, apesar de vigiados por câmeras. Prender pouco adianta. Só inibir. E isto,não é mais feito", concluiu. Acorda Gaspar.
A JOGADA
Esta briga de compra de terrenos e da construção de casas populares esconde uma estratégia política e eleitoral pragmática já para 2010. Ifet - a Escola Técnica Federal - dá votos? Até dá. Ponte do Vale e Anel de Contorno dá votos? Dá, mas custa vir, dá muito trabalho e custa muito dinheiro. E casas populares? Ah, isso sim dá votos e como, não custa tanto e tem até quem as pague. Ainda mais se construírem quase mil casas. Não importa se as pessoas são daqui e de fora. Acorda Gaspar.
O RESULTADO
Entenderam? Se há ou não infraestrutura, se vai deteriorar a qualidade de vida do bairro, se vai afetar a segurança, se vai aumentar o custo da saúde, da educação, da assistência social etc, pouco importa. O importante são os títulos dos eleitores. E essa gente, dependente, é grata. Retribui com votos. Até 2010 todos já esqueceram os dramas da catástrofe, os problemas decorrentes dela já estarão solucionados, o hospital funcionando, o Ifet aberto e as pessoas com teto. E agora me fale sinceramente: se você fosse um estrategista político, viciado no poder, você faria diferente?
COBRANÇA
Os líderes empresariais e políticos de Gaspar estão tiriricas com o secretário Ronaldo Benedetti, da Segurança Pública estadual. Há três anos vendeu mil facilidades para a construção da Delegacia de Polícia via recursos do Fundo de Trânsito. Para isso seria necessário mudar a legislação e que ele prometeu resolver em 15 dias. Agora, descobriu-se que é preciso muito tempo e trabalho.
"SOLUCIONISTA"
O vereador Kleber Wan Dall, PMDB, acaba de criar uma solução para a Gaspar engarrafada. Já que ninguém é capaz de propor e executar uma obra como o Anel de Contorno, que tal tirar os carros das ruas? Solução simples e sem custo. E foi isso que ele propôs na Câmara na semana passada. Pelo menos em um dia: 22 de setembro. Agora falta combinar com os motoristas.
DESCONTENTAMENTO
O ex-vereador Celso de Oliveira, PMDB, na qualidade de presidente do Conselho do Hospital enviou uma nota para o jornal e à coluna. "Venho manifestar o descontentamento quanto à nota intitulada criminoso" (publicada na edição de 14.04.09). E justificou: "Qualquer divergência que possa estar acontecendo para trazer problemas contrários aos princípios desta administração, estão sendo resolvidos internamente. Portanto, são assuntos que não dizem respeito em serem publicados sem a anuência deste Conselho. Quanto à iniciativa de investigação, não há qualquer ação neste sentido. "Primeiro: Celso acha que a imprensa não deva contribuir para a solução das divergências nas coisas que são públicas e que ele considera, internas. Segundo, rechaça a investigação que contribuiria para o esclarecimento e eventualmente o fim das práticas condenáveis contra o Hospital. Os malfeitores agradecem mais uma vez os panos quentes. De mim, não esperem o silêncio em coisas mal explicadas. Acorda Gaspar.
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