02/06/2009
RUA DO BARULHO
A rua Maria Cecília Schneider Krauss foi denominada assim por meio da Lei Ordinária 718 de 21.09.82 e assinada pelo ex-prefeito Luiz Fernando Poli, então MDB. Esta rua começa na Barão do Rio Branco e termina na José Krauss, que passa defronte ao hospital. O nome da homenageada estava errado. Só em Gaspar isso. Então, o vereador Jacó Francisco Goedert, PMDB, teve aprovado a Lei 1604 de 07.06.96 e assinada também pelo Poli, só que agora no PFL, a qual retificou o nome e corrigiu o erro: ela se tornou a Rua Cecília Joanna Schneider Krauss. Espertamente, no artigo primeiro desta Lei apareceu um "sem saída" e que não estava na 718 e que segundo Goedert, não foi ele quem colocou, nem pediu e nem era o espírito da retificação. A rua virou particular. Coincidência: Maria Lúcia Aranha Pacheco Beduschi, moradora da rua, era a assessora jurídica na Câmara em 1996. E é ai que começam os nós.
MURO DA RUA
Foi feito um muro na José Krauss. A Cecília Krauss virou um sossegado beco. O ex-prefeito Adilson Luís Schmitt, PSB, o derrubou. Um imbróglio político e jurídico. O beco voltou a ser rua para dar fluxo ao complicado trânsito da cidade. Agora, num domingo, novamente um muro. Alega-se que sob uma liminar da Justiça. Mas se é legal, porque construí-lo num domingo? O fiscal Carlos Castilhos foi lá para impedir a obra. Foi a mando do secretário de Planejamento, Rodrigo Althoff, PV.
DESENCONTROS
Castilhos voltou com duas informações. O diretor do Ditran, Emerson Andrade, deu um parecer de que a rua podia ser fechada pois não é importante para Gaspar e o procurador do município, Mário Wilson Mesquita tinha consentido no erguimento do muro pois se cumpria uma ordem judicial e que, todavia, a ninguém foi apresentada. Como se vê a prefeitura está dividida, beneficiando amigos e o imbróglio continua sendo político e jurídico. As favas, os técnicos. Viva a esperteza.
UM MURO DE DÚVIDAS
Consultados, advogados com experiência no Direito Administrativo dizem que se a Lei era retificadora do nome da rua, como foi, não podia ela retificar ou alterar o gabarito da rua, como aconteceu. Primeiro isso só seria possível a partir do Executivo, numa lei enviada ao Legislativo conforme orienta a Lei Orgânica; segundo, o próprio autor nega que este espírito, a de tornar a rua sem saída, tenha orientado a retificação de sua autoria, o que prova que houve uma indevida mudança beirando até para a falsidade ideológica; terceiro, é que o Município não está fazendo o papel de defesa do patrimônio público e de uso comum de todos.
SERVIDORES PERDERAM
O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público de Gaspar e seus representados, na comparação, perderam todas. Negociaram e ganharam da prefeitura um reajuste de 1,5% em Maio, outro 1,5% em Julho e podem ganhar outros 2,83% em Outubro. Os servidores de Blumenau ganharam 5,83% já e os de Ilhota 5%. Blumenau e Ilhota também foram duramente atingidas pela catástrofe de Novembro, crise financeira, queda de tributos etc. Mais detalhes em "Sintraspug está na Bahia" acessando www.olhandoamare.wordpress.com
IMPRENSA E IDÉIAS
Aos dizem que exagero, afianço-lhes que ideias se combatem com ideias e não com censura, prisão ou banimento de quem as difunde. Quer um exemplo? Fidel Castro chegou ao poder em Cuba. Como faz hoje Hugo Chavez, na Venezuela (com tevês, rádios, jornais, professores e intelectuais), mandou fechar o jornal "Diário de La Marina". Veja o que fez há 50 anos o jornal concorrente, inclusive na ideologia, "Prensa Libre": um editorial. Ele dizia: "se se começa perseguindo um jornal por manter uma ideia, se acabará perseguindo todas as ideias". Foi o que aconteceu. Nem "Prensa Libre", simpático ao regime sobreviveu. Sobrou o que "inspira", instrui e unifica as ideias aos demais: o "Granma" e que acolhe os artigos de Fidel.
SOCIEDADE DE REDE
A internet, a instantaneidade, a democracia, a pluralidade e as teses conspiratórias mudaram a comunicação. Inclusive e principalmente a local, normalmente feita de donos, pressões e desmoralização ou comemoração da claque. Ideias se proliferam. Nada se esconde. Ao contrário. E o veículo que sonega o que todos sabem no boca a boca na sociedade, perde credibilidade, morre. Em "Cartas a um Jovem Político" (Editora Campus/Elsevier), o sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma diante da experiência dura que teve sobre este assunto. "Hoje, para ter chance de sucesso, o político precisa dominar os meios de comunicação de massa. Isso não significa ter poder sobre eles, no sentido de controlar o que fazem. Mas é indispensável saber lidar com eles: estar familiarizado com o seu funcionamento, conhecer os seus ritmos, respeitar suas práticas, aprender como agem e reagem".
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