05/10/2020
Sem utilizar o terminal vereador Norberto Willy Schossland, na Coloninha, os passageiros do sistema de transporte coletivo de Gaspar podem pagar duas passagens para ir de um bairro a outro
O serviço de transporte coletivo urbano em Gaspar voltou no tempo há mais de 20 anos contra a cidade e os cidadãos. Ele foi implantado em 2002 quando o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, resolveu romper o monopólio da Verde Vale que fazia de Gaspar um grande bairro de Blumenau e desenvolvia o comércio de lá.
As linhas de ônibus começavam em Ilhota, nos bairros e centro de Gaspar e iam dar no Centro de Blumenau. E vice e versa. A situação foi denunciada na Câmara na semana passada. Cobrado, o líder do governo não teve resposta. Com o desgaste político que se espalhou pela cidade, agora a prefeitura corre atrás de uma solução, a qual deveria ter sido construída quando reativou o serviço do transporte coletivo em Gaspar. Impressionante!
A Viação do Vale, de São José, e ligada a família do Senador Dário Berger, MDB, ganhou a primeira - e única até aqui licitação com vencedor. Entretanto, ela não cumpriu o que estava no edital, sofreu cobrança na Justiça e quando viu que a operação não era rentável, resolveu sair um antes de expirar o contrato de 15 anos da concessão.
Isto aconteceu em setembro de 2016. Ironia: a Viação do Vale saiu quando Zuchi era prefeito pela terceira vez. Foi embora atirando, querendo indenizações na Justiça porque também prometido, volume mínimo de passageiros não se concretizou.
Emergencialmente, Zuchi arrumou a Caturani, de Blumenau. Uma empresa sem experiência nenhuma no assunto chamado transporte coletivo urbano. Ela aos poucos – com a faca e o queijo na mão, sob emergência e com o pescoço dos políticos expostos -, foi aumentando a tarifa. Ficou a mais alta da região.
Na Câmara, representantes da Caturani apontavam, sucessivamente, o que diziam que parte dos custos era devido ao suposto canibalismo dos seus seus passageiros. Alegava – e provava - concorrência desleal da Verde Vale. Ela capturava passageiros que dizia serem seus. A Caturani apontava o Deter – órgão fiscalizador estatual -, bem como a prefeitura de Gaspar por falharem neste assunto. Na pandemia da Covid-19, com o contrato emergencial vencendo, a Caturani, diante da experiência e por isso, apta à concorrência em outros municípios, foi embora e não voltou mais.
O TUNEL DO TEMPO
Agora, esta operação, também em novo regime emergencial, é da Safira, de Blumenau. Ela é mesmo grupo de negócios da Verde Vale, de Gaspar e operava no falido no Consórcio Siga – desfeito corajosamente pelo ex-prefeito de lá – Napoleão Bernardes. A operação foi substituída emergencialmente e depois por concorrência ganha pela Piracicabana.
Esse pessoal que opera em Gaspar – originário de Jaraguá do Sul - entende do assunto como poucos. E só perdeu a concorrência em 2002 porque jurava que ninguém viria para Gaspar concorrer com ele. Uma aposta malfeita. A Caturani, acusava a Verde Vale de capturar passageiros urbanos como se fossem eles para as rotas interurbanas a que a Verde Vale opera, faz bem e tem direito.
Agora, a Safira, sob a complacência do poder público que é concedente desse serviço público, está fazendo o negócio render para a empresa e não exatamente se preocupando com a mobilidade e os custos para os gasparenses mais pobres, obrigação do poder público, o verdadeiro dono desse serviço.
Qual foi a sacada? Primeiro, demagogicamente, anunciou-se à diminuição do preço da passagem para os gasparenses. Boa. Era uma queixa recorrente contra a Caturani e o governo de plantão.
Segundo: veio a revelação do truque dessa mágica. Acabar com a integração, diminuir horários e rotas e tudo sob o manto da pandemia. E com a permissão da prefeitura de Gaspar que regula este assunto para o município e os cidadãos, foi fechado o único terminal urbano, o vereador Norberto Willy Schossland, na Coloninha, alterando todo o modelo do sistema de integração no transporte coletivo em Gaspar e como é em outros municípios como Blumenau, Brusque, Itajaí...
Ali os ônibus da operação urbana entravavam e os passageiros podiam, gratuitamente, pegar outra linha e com isso, com uma só passagem alcançar outros bairros.
O que está aconteceu? Quem vinha de um bairro e queria ir para o outro tinha saltar no Centro, e com sorte – pois horários e linhas não são sabidos, falta transparência e ampla divulgação - pegar outro ônibus, pagar uma nova passagem, ou então caminhar sob sol quente ou chuva.
Fácil mesmo, no novo modelo, ficou para ir e voltar a Blumenau, e desenvolver lá o comércio, bares, restaurantes, lazer e diversão. A Verde Vale e Safira praticamente fundiram suas operações e ela com o governo de plantão, anunciaram como ganho, a possibilidade dos moradores do Bela Vista avançarem sobre a antiga rota que se tinha no território de Blumenau.
PREÇO ALTO
Hoje a passagem no cartão é R$4,30 e no dinheiro, R$4,50 no dinheiro. Mas naquilo que se mudo no sistema, ida e volta para alguns trabalhadores, aposentados e desempregados, pode não apenas custar R$8,60 ou R$9,00 reais por dia, mas o sobro, ou seja, respectivamente R$17,20 ou R$19,00. Assombroso!
A prefeitura falhou em duas licitações que deram desertas, exatamente por querer ficar rica com elas. Exigiu mundo e fundos das possíveis vencedoras. As próprias concorrentes já tinham advertido o poder de plantão em frustradas tentativas de impugnação.
Eu mesmo mostrei isso em vários artigos que me deixaram, mais uma vez de alma lavada diante do resultado. Releiam os artigos. Vejam tudo, também, nos processos licitatórios no site da prefeitura.
Agora, a conta ganância ou imprudência está se tentando repassar para os trabalhadores e os pobres.
Mais: depois de perder duas licitações, é que a prefeitura está gastando mais de R$150 mil para fazer um "estudo" sobre o sistema de transporte coletivo em Gaspar.
Perguntar não ofende pela obviedade: este "estudo" não deveria ter sido feito antes das licitações exatamente para ampará-las tecnicamente e se ter o mínimo de sucesso na vinda concorrentes interessados em favor da cidade, da mobilidade coletiva e dos cidadãos, principalmente os trabalhadores e estudantes?
O modelo de transporte coletivo em Gaspar é baseado no século 20, com políticos do século 21 a gerenciá-lo. A diretoria de Transporte esteve sempre ocupada por curiosos, cabos eleitorais do sistema político que sustenta o poder de plantão. É só ver quantos e quem passou por lá nestes quase quatro anos, numa área técnica, sensível, complicada, que exige especialistas e é vital para os cidadãos, principalmente os mais pobres.
Quer ver o retrocesso, um caso sério de Defesa do Consumidor, para o qual o Procon fecha os olhos em Gaspar? Nas empresas, tenta-se sem sucesso, resgatar os créditos dos empregados no vale transporte adquiridos na Caturani. Para cumprir a legislação, esses empresários, via o RH das suas empresas, são obrigados ir até a Safira e comprar passes de papel, sem a perspectivas de verem os créditos serem devolvidos ou convertidos em novas passagens. Acorda, Gaspar!
A Agapa se tornou referência para aquilo que o poder público se tornou omisso na política de controle de zoonoses ou da população de animais de ruas. A Agapa vive de doações e os políticos em tempo de campanha, falsamente, adotam o discurso da tal "causa animal", sem nunca ter verdadeiramente dedicada a ela.
O que o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, sancionou na semana passada e foi publicada no Diário Oficial da União no dia 30, quinta-feira? A Lei 14.064. Ela aumenta a pena para quem maltratar cães e gatos. Agora, a prática de abuso, maus-tratos, ferimento ou mutilação dos bichos de estimação será punida com reclusão de dois a cinco anos, além de multa e proibição de guarda. A punição elevada já está valendo. Uau!
Há semanas que as redes sociais de Gaspar se encheram de fotos terríveis e textos – dos mais variados - indignados sobre o exercício ilegal da Medicina Veterinária, charlatanismo e por conta disso, ferimentos e mutilações em PETs. Gaspar tem que acordar e ao mesmo tempo, parar com essa desqualificada hipocrisia e sob a proteção de muitos poderosos que não querem largar a teta pública.
O exercício ilegal da medicina é crime e está tipificado em legislação própria. É impossível que o núcleo de médicos veterinários que atua por aqui e dirigido por Adilson Luiz Schmitt, tenha tanta dificuldade para dar um basta nisto em nome da classe.
Afinal, alguém está atuando em nome dela e causando prejuízos sérios de imagens a todos os médicos veterinários da cidade e região. É impossível que interesses da política partidária movidas pelo atraso, trabalhem para abafar algo tão deplorável – e criminoso - em pleno os anos 20 do século 21.
“Precisamos de denúncias formais, fundadas, provadas e os donos dos animais mutilados, maltratados ou até mesmo mortos, estão com medo das represálias, das repercussões das denúncias e das ameaças que recebem se levarem seus casos adiante na mídia, nas redes sociais e na Justiça”, justifica-me Adilson.
Conversando com outros profissionais da área e que atuam em Gaspar, eles vão na mesma linha. Ou seja, temem que o charlatão, o falso médico veterinário, o que vive protegido pelo poder político de plantão, ainda consiga na Justiça vantagens para não só encobrir o que fez, como se safar de qualquer punição, e até, vejam só, condenar e receber indenizações dos denunciantes e prejudicados – donos dos animais e os profissionais formados que estão sendo manchados na imagem e principalmente pela concorrência desleal e desumana.
No final da semana passada, o caso ganhou repercussões ainda mais amplas e ele deve ir ao Ministério Público nesta semana. Não para impedir do autor das supostas atrocidades de ser candidato como quer e se inscreveu a um cargo eletivo, mas para cessar os atos de dor e sofrimento inflige contra os animais contra os quais atua com procedimentos cirúrgicos e prescrição medicamentosa.
Se a lei que já existia e que Bolsonaro endureceu ainda mais não o alcançar, estará provado que os poderosos do velho esquema da cidade estão mesmo com o corpo fechado, como arrotam todos os dias por aí.
AGAPA
“A Agapa – Associação Gasparense de Proteção aos Animais – vem acompanhando tudo bem de perto. “Mas, neste caso, há uma violação do exercício profissional e é por aí que a apuração deve começar e se estabelecer”, afirma o presidente da entidade, Rafael Araújo de Freitas.
A falta de política pública para o controle das zoonoses em Gaspar, o corte no programa público de castrações entre outras, exemplificam como a administração de Kleber Edson Wan Dall, MDB, passa longe deste assunto. “Isto pode ser visto como maus tratos também”, observou Rafael.
“Estamos na Justiça pedindo que se reestabeleça o mínimo comprometido pela própria prefeitura naquilo que ela interrompeu sob as mais variadas desculpas. O pouco que ainda recebemos é por força judicial. Uma outra Ação Civil Pública do ano passado, só ganhou despacho nesta semana e a Justiça deu 30 dias para a prefeitura se explicar mais uma vez.
“Não se trata de causa animal. Trata-se de controlar a população animal, proliferação de doenças nos animais, para dar mais qualidade de vida às pessoas em contato com esses animais e que na maioria das vezes estão nas periferias, onde há uma clara desassistência do poder público. E essas doenças podem afetar os humanos, gerar mais custos para o poder público”, pondera Rafael.
A prefeitura de Gaspar que não conseguiu instrumentalizar a Agapa, passou a persegui-la. Sob a desculpa de priorizar a pandemia – e isto é justo – cortou o que ainda sobrava de compromisso com a entidade.
Entretanto, a própria prefeitura por seu prefeito de fato e secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, MDB, veio a público recentemente reafirmar que a arrecadação municipal não caiu, ao contrário cresceu. Por outro lado, candidatos ligados ao governo dizem defender a causa animal, mas na prática, nada fizeram até o momento para mudar o comportamento governamental neste tipo de assunto específico.
A Agapa – cujas atividades podem ser monitoradas pelo Instagran e Facebook – sobrevive de ações voluntárias de seus membros, doações e promoções. Faz em média 150 atendimentos por mês e tem uma despesa que gira em torno de R$6 mil. “Viramos referência, mas estamos sendo desgastados pois dependemos de voluntários de ajuda da população e de clínicas especializadas que entendem a nossa missão e avaliam o nosso trabalho como sério”, pontua Rafael. Acorda, Gaspar!
Primeiro, justiça seja feita. Todos os candidatos nas suas respostas revelaram desconforto com esse tema. Ou não estão falando sério, ou estão escondendo o que vão fazer de fato se eleitos, ou não sabem o que realmente fazer com este problemão chamado Hospital de Gaspar, cujo dono ninguém sabe quem é, que não possui transparência, que é administrado por uma Organização Social, que não quer que ninguém exponha as suas fraquezas, dúvidas e erros porque senão vai atrás para calar ou processa-los. Então, aí tem!
Segundo, o candidato José Amarildo Rampelotti, ex-vereador, ex-presidente do PT, ex-líder do governo de Pedro Celso Zuchi na Câmara, do prefeito que fez a intervenção no Hospital de Gaspar dizer logo de cara e de boca cheia que “Eu vou acabar com a intervenção política no hospital, dando uma solução técnica”, é zombar dos que se lembram de como foi feita esta intervenção e tratar todos como se fossem tolos e desmemoriados.
A intervenção no Hospital de Gaspar feita por Zuchi foi essencialmente política. Nem mais, nem menos. Ponto final.
Foi o PT que iniciou o que Amarildo – representando o PT - diz querer acabar hoje. E se fala isso, reconhece que fez cagada no passado ou está enrolando mais uma vez.
Por que Zuchi interveio no Hospital? Porque achava que passava dinheiro demais para ele – exatamente um décimo do que a prefeitura gasta hoje com o Hospital por ano -, sem dar soluções aos problemas e reclamações. Ao contrário, tudo se ampliou nas reclamações e suporte financeiro.
Porque Zuchi e o PT achavam que, dominado no seu Conselho por gente do MDB, havia roubo. Prometeu auditoria para apontar os supostos ladrões. Até hoje, esses nomes e falcatruas não apareceram. E por que? Porque não havia ou porque Zuchi e o PT puderam tornar o Hospital mais uma fonte poder e empreguismo para os seus, como é no governo atual. Simples assim, também.
A piada de Rampelotti tem mais duas partes: “as interferências políticas que estão sendo feitas não ajudam e novamente estão colocando em risco a manutenção do hospital aberto”. Volto. Concordo plenamente com Amarildo. Parabenizo-o. Mas, quem é mesmo o pai desse desvio de finalidade do Hospital de Gaspar se não o próprio PT e com ajuda da Câmara onde Amarildo era vereador, uma metralhadora contra esta coluna – e devido a isso a deu mais credibilidade e agradeço por isso?
Eram os meus artigos, tratados como lixo na época - e as atas estão na Câmara para comprovar o que escrevo - que defendiam exatamente o que Amarildo quer hoje como candidato a prefeito para o Hospital. Incrível. Então, mais uma vez, tempo é o senhor da razão. Nada como um dia após o outro. Estou mais uma vez de alma lavada. Os leitores e leitoras não perderam o tempo se informando aqui quando outros escondem à nossa dura realidade que exige choque de gestão.
O PT E ZUCHI NÃO REABRIRAM O HOSPITAL
Entre outras, acertadamente, Amarildo diz que se eleito é preciso “criar um ambulatório geral para atendimento das 17 às 23 horas, diariamente, com clinico geral e pediatria”. Só agora esta proposta? Três governos e 12 anos de poder do PT para descobrir esse óbvio que nem o atual governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, foi capaz?
Sobre a afirmação de Amarildo ao Cruzeiro do Vale de que foi o PT que reabriu o Hospital, aí é uma mentira deslavada e que contada repetidamente tenta transformá-la numa verdade. Também já esclareci isso aqui várias vezes, fato que irrita o PT e seus porta-vozes. Ao menos já evoluiu. Se o ex-prefeito Adilson Luiz Schmitt fosse candidato a alguma coisa, errada e novamente, ele seria acusado de fechá-lo. Quem o fechou foi o Conselho do Hospital.
O Hospital de Gaspar reabriu sim, no governo do PT, depois que os empresários via a ACIG, CDL, Ampe e Fundação Bunge terem restruturado-o e recuperado o prédio sob as críticas e a omissão política do PT. Eu era o vice-presidente da comissão de reconstrução. E era contra à sua reabertura sem à garantia de sustentabilidade econômica. Fui voto vencido. Os políticos juraram que dariam essa sustentabilidade. Depois, preferiram intervir no Hospital para dar no que deu. Hoje, até Amarildo – um dos defensores da intervenção - reconhece que foi um tiro no próprio pé dos políticos contra a população pobre, doente e vulnerável, exatamente a que sempre mais votou no PT.
Um candidato a prefeito de Gaspar com vontade política para resolver esse calcanhar de Aquiles na saúde pública de Gaspar teria outra prioridade como lição de casa: fazer os postinhos de saúde funcionarem, a policlínica funcionar de verdade e criar um ambulatório geral, 18 horas por dia (e não só das 17 às 23h como quer Amarildo), para desafogar o Pronto Socorro do Hospital. Ele deve ser verdadeiramente usado para as urgências, emergências, média e alta complexidade e não para curativos, medir febre, dar analgésicos para dores-de-barriga ou antitérmicos para os febris.
É preciso dar utilidade aos postinhos nos bairros, razão deles estarem lá. Ou então fecha todos eles, economiza e concentra no Hospital. Hoje se gasta e se desgasta muito não fazendo as duas coisas - postinhos e PS do Hospital - ou fazendo as duas muito mal. É preciso fazer funcionar a rede de assistência social (CRAS e CAPS) pois nem tudo é mal físico e isto está uma lástima, numa cidade com problemas sociais graves, por ser cidade-dormitório e rota de migração.
Só depois disso realizado é então preciso passar uma raio-x no Hospital e ter certeza o que move tanta desconfiança, dúvidas, dívidas e erros contra ele. Descobrir seu passado e passivo. Escolher em torná-lo público ou privado. Se público lhe dar uma vocação para ser referência regional, colocar as finanças sob rígido controle, com concorrências e contas abertas e públicas, bem como recuperar à credibilidade desfeita por gente que teima em esconder as suas mazelas e não as eliminar. Acorda, Gaspar!
O engenheiro e professor, ex-secretário de Planejamento de Gaspar, Rodrigo Boeing Althoff, PL, saiu na frente e anunciou na sexta-feira nas redes sociais que se eleito prefeito de Gaspar, entre as prioridades da gestão dele estará a tal ponte da Integração do Vale.
Ela está projetada para ser construída ao lado da Loja da Havan (fechada há anos e sendo desmanchada por descuidos insanáveis de engenharia de gente que vive do ambiente político), ligando a Rua Anfilóquio Nunes Pires, na Marinha, no Bela Vista à Rua Vidal Flávio Dias, no Belchior Baixo, no Distrito do Belchior. Seria a terceira ligação de Gaspar com BR 470 duplicada e que é um corredor logístico e acesso ao litoral, zona norte de Blumenau e aos municípios do Alto Vale, da Serra e até do Vale do Itapocu.
É também a terceira ponte de Gaspar. As outras duas são a Hercílio Deecke, no Centro e que se tornou apenas uma ponte urbana com a Margem Esquerda e Sertão Verde, e a ponte do Vale, no Poço Grande, a que facilita a interligação da região Sul (Brusque) e Leste (litoral e Ilhota) da cidade com a BR 470. A nova ponte, se feita e quando entregue, integrará Gaspar com o Distrito do Belchior. Facilitará a ampliação do distrito logístico e industrial que se estabelece naturalmente no Belchior Baixo e ajudará a circulação com a região Norte de Blumenau e Alto Vale.
Como aconteceu com a ponte do Vale construída no governo do ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, a nova ponte terá um caráter de mobilidade regional não só para Gaspar, mas também para Blumenau, Brusque, Litoral e o Alto Vale deixando o centro de Gaspar mais livre do tráfego pesado e de longo curso, diminuindo o tempo nas ligações com a BR 470 e 101.
Como no ex-governo petista Zuchi, a nova ponte, a da Integração do Vale, o engenheiro Rodrigo diz que só fará se tiver recursos federais e não se endividar os gasparenses ou comprometer o orçamento do município. “É uma obra do Vale e não de Gaspar”, justifica o candidato. E para isso, o engenheiro Rodrigo Althoff, jura contar com o apoio do senador Jorginho Mello, PL, na articulação desse assunto com a bancada catarinense em Brasília e o governo de Jair Messias Bolsonaro, sem partido. E este assunto foi tratado no domingo quando o senador esteve em Gaspar para falar com Rodrigo.
Como Rodrigo é engenheiro, como é professor nessa área de conhecimento, como já foi secretário de planejamento de Gaspar, no mínimo deve estar falando como um técnico sobre este assunto, e não um político e mero candidato que é.
Começou a campanha eleitoral de verdade em Gaspar. Eita bagaça! E o melhor sinal de que a zona de conforto está ameaçada está nas reações dos que estão dentro dela. Os guardiões e buldogues se espalham desesperados.
Na coluna do dia 21 de setembro, ou seja, há três semanas, escrevi exatamente estas duas notinhas neste Trapiche e repito-as para que não haja a menor dúvida:
“Tarefa complicada. A coligação no poder de plantão ordenou aos seus 150 comissionados que arrumem mais três veículos para serem plotados com propaganda oficial, além do próprio comissionado. Não está sendo tarefa fácil para alguns.
No dia 27, a orientação é se ter pelo menos 1.800 veículos adesivados circulando pela cidade até o dia 15 de novembro. É para impressionar, ajudar nas pesquisas que vivem de lembranças recentes e abafar qualquer reação dos adversários”.
O pessoal do MDB, PP, PDT, PSD e PSDB ficaram putos com revelação da estratégia e ensaiaram retaliações contra esta coluna para me calar mais uma vez sobre a verdade que se estampa e se tenta esconder a qualquer custo.
Os adversários ficaram quietos. Só ontem, com tantos dias de atraso, quando ouviram a gravação de um áudio vazado da secretária de Educação tampão, Silmara Nicoletti Maraschi, confirmando tal prática, é que ficaram indignados e reagiram. E os do poder de plantão ameaçam processar quem replicar o áudio, que dizem ser particular, mas, não negam a veracidade. Virou febre nas redes sociais e aplicativos de mensagens contra os poderosos o áudio e a intimidação!
Não são três como escrevi, são dez carros como diz com todas as letras a secretária que cada comissionado tem que arrumar em Gaspar para adesivar e impressionar. E a meta de 1.800 continua intacta. Haja material. E isso custa. E muito.
O que se conclui? Primeiro a desigualdade da campanha e como a máquina de fazer e cooptar votos da prefeitura e dos cabos eleitorais de comissionados pagos com os pesados impostos fará a diferença nestas eleições.
E a segunda conclusão é de como os concorrentes estão lentos para perceber como eles estão sendo engolidos por essa máquina bem montada e azeitada. Ela funciona há quase quatro anos. Nas eleições de outubro do ano passado esta mesma máquina de cata votos – como já expliquei várias vezes - falhou feio.
Entretanto, achar que ela vai falhar de novo, é repetir a história do ovo na cloaca da galinha. Os que não concordam com a atual situação precisam é trabalhar duro para diminuir minimamente esta desigualdade e uma delas, é apontar para a sociedade como há apenas um plano de poder e não um plano de governo em disputa nesta eleição.
A professora Karla citada pela secretária Silmara reagiu com indignação nas redes sociais à exposição que sofreu. Primeiro está claro que isto é assédio moral: uma superiora pedindo algo fora do contexto de trabalho a uma subordinada. E o poder de plantão sabe muito bem onde está metido neste assunto. Segundo, a alegação de Karla que se trata de uma conversa privada e possivelmente "roubada" não condiz com a realidade dos fatos.
Simples. Quem poderia ter vazado esta conversa se não as próprias autora ou a receptora? Então a culpa não é de quem divulgou, debate ou esclarece essas práticas indevidas da campanha eleitoral em Gaspar, mas de quem a pratica ou quer lançar névoa sobre o que já está nebuloso. Acorda, Gaspar!
Fedor do lixo I. Quem achava que a Recicle tinha o monopólio do aterro sanitário na região de Brusque e Gaspar está enganado. A multinacional francesa Veolia, com sede em São José, já adquiriu as operações da Recicle. Ela também já tinha adquirido as operações do aterro sanitário de Governador Celso Ramos que atende a Grande Florianópolis.
Fedor do lixo II. A Veolia tentou coletar o lixo naquela escolha de emergência dada pela Racli, de Criciúma e que atua em Blumenau, por R$304.050,00. Das seis, o preço da Veolia foi o mais alto: R$ 510.037,88. Virão fortes emoções. Uau!
Transparência I. O candidato José Amarildo Rampelotti, PT, tem de receitas até esta segunda-feira registradas no site do Tribunal Superior Eleitoral, R$1.953,00 e uma despesa deR$232,34.
Transparência II. O candidato Rodrigo Boeing Althoff, PL, tem de receitas até esta segunda-feira registradas no site do Tribunal Superior Eleitoral, R$11.500,00, despesas de R$23.517,00 das quais, já pagou R$3.000,00.
Transparência III. O candidato Kleber Edson Wan Dall, MDB, registrou R$35.000,00 em receitas. Não há despesas, nem pagamentos contabilizados até esta segunda feira no site do Tribunal Superior eleitoral.
Transparência IV. O candidato Sérgio Luiz Batista de Almeida, PSL, não tem nada de receitas bem como nada de despesas registradas no site do Tribunal Superior Eleitoral.
Transparência V. O candidato Wanderlei Rogério Knopp, DEM, registrou R$15.000,00 de receitas e nada de despesas até agora, no site do Tribunal Regional Eleitoral. Ainda nesta segunda-feira, o TSE ainda não disponibilizava links de sites da campanha do candidato.
Transparência VI. Em Ilhota o candidato Erico de Oliveira, MDB, e único concorrente Luiz Gustavo dos Santos Fidel, PP, ainda não registraram no site oficial do TSE qualquer receita ou despesas até esta segunda-feira. Em Ilhota, o limite legal de gastos é de R$123.077,42.
O poder de plantão em Gaspar – e seus advogados - está sentindo saudades das verdades desta coluna que lhe motiva à perseguição com processos. Os aplicativos de mensagens estão desnudando com memes, fotos e fatos, aquilo que se escondia e era proibido. Vai ser uma festa.
Tem candidato que na falta do que falar e convencer os seus eleitores e eleitoras usa ferramentas digitais para se disfarçar, maquiar e chamar a atenção. É o novo vestido de velho palhaço dos dias de hoje.
Tem gente mascarada – e que diz estar orientada por advogado especialista - que vai se estrepar. Distribuir máscara facial como propaganda eleitoral é proibido. Está na lei. Dúvidas? Consulte a Lei 9.504/97, artigo 39, parágrafo 6º, acrescido pela Lei 11.300/06. E a legislação combinada diz?
“É vedada na campanha eleitoral a confecção, utilização, distribuição por comitê, candidato, ou com a sua autorização, de camisetas, chaveiros, bonés, canetas, brindes, cestas básicas ou quaisquer outros bens ou materiais que possam proporcionar vantagem ao eleitor”. Alguma dúvida sobre que máscaras faciais, por analogia se enquadrem na proibição de brindes?
O candidato a prefeito pelo PSL de Gaspar, o funcionário público e sindicalista Sérgio Luiz Batista de Almeida, quer ver o diabo, mas não quer ver o governador Carlos Moisés da Silva. “Estamos alinhados com Bolsonaro”, avisa.
E é bom a eleição acontecer logo, porque os bolsonaristas – como o pastor Silas Malafaia entre centenas -estão ficando injuriados com o mito no ajuntamento que ele vem fazendo com o Centrão e a surpreendente indicação que fez do piauiense Kassio Nunes Marques para ser o novo ministro do Supremo no lugar do decano Celso de Mello. As notícias não são boas para quem luta contra a corrupção.
Aliás, Sérgio – evangélico - vem travando uma batalha dentro dos domínios das igrejas pentecostais em Gaspar. As portas dos templos estão fechadas pelos guardiões políticos de Kleber Edson Wan Dall, MDB, também evangélico dominante na cidade.
Em Gaspar, o que parecia uma coisa, está se tornando outra. Antes o MDB se apresentava com dois vices: o atual Luiz Carlos Spengler Filho, PP e o escolhido na nova aliança, o ex-concorrente, Marcelo de Souza Brick, PSD.
Agora, os “çabios” do paço e da campanha descobriram que candidato a prefeito e o vice devem fazer campanhas separadas. Aliás, em matéria de esconder influenciadores, o MDB entende bem.
Tem candidato do MDB fazendo campanha pensando em se transferir depois de eleito para o PL e torce para o candidato a prefeito do PL não ser eleito. É que ele que está fora do bonde do MDB quer ser o candidato daqui a quatro anos. Vá entender essa gente estranha que não se arrisca e quer nomeações.
Sempre escrevi aqui: saúde pública, educação e assistência social em Gaspar foram desprezadas como nunca se viu antes. Na saúde tentou-se remenda-la, mas as feridas continuam abertas. Educação é caso perdido e se torce pela pandemia para não se discutir a falta de vagas nas creches.
E na semana passada, mais um mal-estar na Assistência Social, um lugar técnico, tomado por cabideiro político. Por falta de espaço nesta coluna, voltarei ao assunto em breve. Impressionante a insistência no erro.
Do ex-procurador geral de Gaspar e advogado, Aurélio Marcos de Souza, ao saber do pedágio de 5% denunciado por Osnildo Moreira. O meme na rede de Aurélio é conclusivo: Tem comissionado investindo 5% de seus rendimentos neste tempo de eleição. Não precisaria nada disto, é só passar em concurso público”.
O “coordenador” de campanha de Kleber Edson Wan Dall, MDB, virou ex-presidente da Fundação Municipal de Esportes e Lazer e só depois que esta coluna anotou o acúmulo possível, mas não ético, de funções. Mas, o cargo não ficou vago um segundo: Denis Eduardo Estevão foi nomeado e assumiu.
Impressionante. A sessão da Câmara de Vereadores de Gaspar da terça-feira passada durou menos de 40 minutos. Teve vereador com menos de meia hora de sessão pediu para sair “porque tinha compromisso agendado”. Na agenda do vereador, devia estar a sessão que se faz só uma vez por semana e todas as terças. E ele está em campanha pela reeleição. Meu Deus!
Quando se escuta ou se vê a sessão da Câmara tem-se a clara impressão de que o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, se preparou para ter um único adversário: o PT e especialmente o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi. Nem um e nem outro vieram para ser páreos de verdade. Então, o MDB está sem chão, sem argumentos, sem rumo, sem palanque, sem o terrível inimigo a ser abatido.
É incrível. Kleber e os seus na Câmara só se comparam ao PT e a Zuchi a quem dizem terem sido os piores gestores de Gaspar. Eu, por exemplo, gostaria de ser comparado ao melhor e não ao pior, que o MDB assim qualifica o PT e Zuchi. Quem mesmo orienta essa gente do MDB?
Desperdício. Está faltando agente de trânsito nas ruas em Gaspar para orientar o trânsito e atender ocorrências. Entretanto, a Ditran, insiste em gastar em torno de R$8 mil por mês para deixar dois deles praticamente parados no pátio. Se não há blitz, não há serviço para liberação de carros lá.
Há flagrantes de funcionários públicos comissionados distribuindo material de campanha em horário de serviço, bem como o uso da internet do ambiente público ou mesmo particular no horário de trabalho e ambiente público. Isso já rendeu punição na Justiça uma vez. Aprendizado até agora, zero. O aplicativo Pardal da Justiça eleitoral está entupido de denúncias.
Se o calendário eleitoral original tivesse sido cumprido, hoje era dia de festa e chororô em Gaspar e Ilhota. As eleições de ontem teriam definido as reeleições ou as derrotas de Kleber Edson Wan Dall e Érico de Oliveira, ambos do MDB.
Pergunta ao Luciano Hang. Quanto custou se associar e confiar em políticos para a sua obra de Gaspar. Dos três anos da sua inauguração, dois estão fechados e agora quase toda a Loja Havan desmanchada (foto abaixo)? Ainda vou resgatar os discursos daquele dia festivo. É delirante! Odorico Paraguaçú, de Dias Gomes, é fichinha na fictícia Sucupira. Acorda, Gaspar!
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