11/06/2020
Na foto distribuída pela prefeitura, ela está preparando o terminal urbano para receber o serviço de transporte coletivo. No edital, isso seria tarefa da empresa da vencedora. Como não houve vencedora...
O que eu escrevi na coluna de 29 de maio sob os títulos “O novo improviso de Kleber I, II, III e VI”? “Arma-se um novo improviso contra a cidade e o cidadão”. Referia-me ao vácuo da “fuga”” da Caturani. Ela é originária de Blumenau. A Caturani não quis sequer espichar o contrato provisório que tinha. Ela se meteu a fazer aqui o transporte coletivo urbano – aprendeu e está habilitada às licitações - depois que a titular e vencedora da única concorrência feita por em Gaspar, lá em 2002, a Viação do Vale, de São José, também deu no pé antes de vencer o contrato licitado. Soltou – como a Caturani - marimbondos contra os administradores públicos daqui. O que aconteceu? Bingo! Tão logo o artigo tomou à cidade, o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, amenizou e disse que já estava negociando nos bastidores com uma empresa. Era, afinal, o que restava – por obrigação mínima emergencial - diante do “vazio” na nova licitação, a 05/2019, de 22 de outubro e que a pandemia deu até uma mãozinha no tempo para a prefeitura trabalhar melhor esses bastidores. Então, a partir deste 22, os trabalhadores, desempregados e futuramente, os estudantes, já terão um novo improviso da gestão Kleber à disposição. A tarifa, até o fechamento do texto da coluna, não havia sido anunciada. Talvez ainda esteja sendo negociada nos bastidores.
Eu e a Hodierna Transportes Públicos, de Concórdia, que tentou impugnar o edital no dia 17 de outubro para tentar participar dele, estávamos certos. No “press release” que distribuiu na semana passada para anunciar a volta do Transporte Coletivo e rebater esta coluna, o prefeito Kleber tentou repassar a culpa pelo não aparecimento de interessados no edital: foi resultado de “um estudo técnico e orientações do Ministério Público”. Meu Deus! Quem vai fazer o serviço em Gaspar é a Safira, da família Bogo, experimentada nesse ramo em Jaraguá do Sul, Gaspar e Blumenau, de onde foi sacada com a falência do Consórcio Siga ao tempo de prefeito de lá, Napoleão Bernardes, PSD. A prefeitura de Gaspar no edital que ninguém apareceu, queria, absurdamente, R$174.220.653,73, por 20 anos de concessão. Com a Safira, a prefeitura não ganhará nada. Queria que o capital da vencedora fosse de no mínimo R$18.033.460,68. Uau! A Safira não tem nem 10% disso. Ai, ai, ai.
E não havia um do ramo de transporte coletivo que tivesse visto o edital e que não concluísse o que a Hodierna afirmou categoricamente na sua impugnação: “Todas as exigências visam unicamente reduzir a competição”. A prefeitura não aceitou a impugnação. Bingo mais uma vez. É impossível que tudo isso tenha a parceria do MP como se justifica agora Kleber perante à cidade e os seus eleitores. O edital não atraiu investidores. Incrível! Não ocorreu que havia algo errado? É que o edital do século 21 com uma operação no século 20 foi feito para assustar os interessados ou então, quebrar o vencedor. Queriam-se coisas como R$609.772,29 de depósito de garantia todos os anos. Ou seja, retirava-se essa alta quantia do giro da empresa e a dava para o uso do caixa da prefeitura. A Safira não vai dar isso. Exigia-se iniciar a operação no dia seguinte à assinatura do contrato, que se daria imediatamente à proclamação da vencedora. O normal é um prazo mínimo de 60 a 90 dias. Trazia-se uma planilha fake, com defasagem salarial para servir de base na composição dos custos, ou repassava obrigações do município, como a manutenção do terminal urbano, sem que isso fosse possível dimensionar nos custos da operação, além de exigir a implantação da bilhetagem eletrônica às expensas do vencedor sem a possibilidade de diluição desse investimento. A Safira fará isso? O contrato ainda não apareceu ao distinto público.
Como se vê, tudo foi talhado no edital para não se ter ninguém interessado nele. Ou, então, a prefeitura de Gaspar apostou alto e perdeu tudo. Provou do seu próprio veneno. Ambas, são coisas de “çabios”, que transformaram a diretoria de Transporte Coletivo desde o início da gestão Kleber num cabide de emprego político comissionado e com gente que não é do ramo. Dessa forma, permitiu-se, mais uma vez, o governo Kleber e o prefeito de fato Carlos Roberto Pereira, secretário da Fazenda e Gestão Administrativa, onde está a Ditran com a diretoria de Transportes Coletivos, negociarem nos bastidores, algo essencial para a cidade e os cidadãos. Transparência zero. O contrato é de seis meses, podendo ser renovado sucessivamente até uma nova licitação que desde que a Viação do Vale saiu daqui, enrola-se há quatro anos. A Safira vai começar do zero, em tempo de pandemia, ou seja, à meia boca, afinal está provisoriamente por aqui. E no provisório não precisa se submeter as exigências de um edital draconiano, com o aval do Ministério Público como foi o 05/2020. O improviso está armado. A eficiência do governo ficou outra vez e somente na propaganda oficial e nos bastidores. Acorda, Gaspar!
Samae inundado I. A fama do mais longevo dos vereadores José Hilário Melato, PP, como gestor eficiente do Samae de Gaspar e onde foi seu diretor-presidente por mais de três anos, está ameaçada pelo interino Cleverton João Batista, engenheiro titular da secretaria de Planejamento Territorial. Experiência no Samae ele já teve de sobra, mas em Blumenau.
Samae inundado II. Cleverson acabou com o sobreaviso; os plantões só presenciais. Está revendo o segundo reservatório da Bateiais, pois o que falta lá de verdade é água para os reservatórios. Vender água para Ilhota, primeiro ela precisa chegar aos gasparenses do Pocinho e outras regiões como o Barracão, Margem Esquerda.... Além disso, é necessário substituir quilômetros de tubos de 60mm, que suporta apenas 20l/s, por uma de 110mm, capaz para 6l/s.
Samae inundado III. Mas, a grande obra de Melato, o reservatório do Centro, já dá sinais de cansaço. Moradores da Rua Catarina Schramm estão desconfiados. Em tempo de seca prolongada, o morro esteve sempre molhado naqueles lados. Logo depois da inauguração começaram os temores por infiltrações decorrentes da obra.
Tem servidor efetivo de Gaspar, que se diz pré-candidato a vereador, que continua postando chamadas de sua live em pleno horário de serviço. Como é do time do poder de plantão, ele pode.
O governador Carlos Moisés da Silva, PSL, finalmente fez o óbvio. Só na terça-feira à noite pediu desculpas aos catarinenses. Se tivesse feito isso no primeiro minuto da polêmica no domingo, já teria saído da mídia. Incrível como essa gente no poder de plantão pensa nos outros como tolos diante de imagens irrefutáveis.
Engraçado foi ver o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB – que não participou do episódio - se equilibrar para exigir do hotel o cumprimento decreto do próprio governador. Já o Ministério Público mandou instaurar um inquérito. Cumpriu o papel naquilo que daqui se tornou manchete no estado e no Brasil. Se não cuidar, poderá ser surpreendido outra vez por manchetes estaduais de coisas daqui.
Você sabia? A prefeitura de Gaspar cortou o convênio de castrações animais de rua firmado com a Agapa – Associação Gasparense de Proteção aos Animais - e que ela assinou no início do ano?
Há duas sessões, o líder do governo na Câmara, Francisco Solano Anhaia, MDB, lembrou e se congratulou pelo Dia da Imprensa, no que foi observado pelo presidente da Casa, Ciro André Quintino, MDB: “depende, da imprensa, né, vereador?” Ambos, certamente, estavam discriminando uma e homenageando a outra imprensa: a que baba os ovos de políticos por conveniência.
Enquanto isso, nesta segunda e terça-feira, os vereadores de Gaspar, ao preço de R$877,00, cada um, prepararam-se com dinheiro dos pesados impostos dos gasparenses para as eleições deste ano. Eles realizaram pela internet – das 14h às 18h – o curso “caça níquel” denominado “Condutas Voltadas aos Agentes Públicos na Eleição de 2020”, o qual pediram em ofício individual ao presidente da Casa. Meu Deus! E em plena pandemia?
Nem todos se inscreveram. Pedi ao presidente Ciro André Quintino, MDB, a lista dos participantes. Providencialmente, ele estava em silêncio até o fechamento deste texto. Ou seja, deixou todos o mesmo balaio. Este tipo de “curso” deve ser pago pelos candidatos de forma particular e quando muito, pelos partidos que já têm de nós, o dinheiro dos pesados impostos no bilionário Fundo Partidário. Acorda, Gaspar!
Ilhota em Chamas I. Os áudios de empreiteiro para o vereador e funcionário público de Ilhota, Almir Aníbal de Souza, MDB, provam às impunes negociatas na troca de votos para ele e na reeleição do atual prefeito, Érico de Oliveira, MDB. É gente que está no poder de plantão e com a caneta na mão.
Ilhota em chamas II. Impressionante: o bafo que receberam nas redes sociais, aplicativos de mensagens e imprensa foi considerado coisa armada pela oposição e não como algo tipificado como crime. E o áudio foi vazado num erro do próprio vereador ao usar o seu whatsapp.
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