18/05/2020
Kleber quer evitar que o relatório do vereador Cícero – e que deve ser rejeitado por falta de votos – vá parar na polícia, no Ministério Público e no Tribunal de Contas
Vereadores e técnicos da empresa especializada foram vistoriar as obras de Rua Frei Solano. Naquilo que os vereadores do governo que são maioria nela permitiram, perceberam que o que foi projetado, licitado, contratado, fiscalizado e pago, foi diferente do executado.
A rejeição do relatório oficial do relator da Comissão Parlamentar de Inquérito, o vereador Cicero Gionave Amaro, PL, e que apura às supostas dúvidas da drenagem da Rua Frei Solano, no bairro Gasparinho, entra na reta final e deve ser apresentado esta semana.
A CPI – depois dos esticamentos feitos por conta da Covid-19 que suspendeu os trabalhos na Câmara -termina neste dia 26, terça-feira que vem. Ela começou em novembro do ano passado.
Nesta segunda-feira, haverá uma reunião da CPI na Câmara para discutir com a empresa Dinamika, contratada para ajudar os vereadores da CPI no que toca os detalhes técnicos e de engenharia que supostamente falharam, mudaram ou foram fraudados na obra. A reunião é para debater os detalhes dos pontos das inspeções feitas nas obras na própria Frei Solano, na semana passada.
Foi uma inspeção realizada pela metade. E por que? Porque em maioria na comissão, os vereadores do prefeito Kleber, Francisco Hostins Júnior, MDB, e Roberto Procópio de Souza, como prometeram, e como o governo divulgou e queria, impediram qualquer escavação para ver se havia berço de concreto na base de assentamento dos tubos como pedia o projeto original, o contratado, fiscalizado e pago, se havia os rejuntes externos de argamassas nos tubos e também se houve mesmo, o tal “envelopamento” dos tubos, que seria uma alternativa construtivas substituta alegada tanto pela prefeitura, Samae, e a empreiteira fornecedora de tubos, a CR Artefatos de Cimento, para suprir o tal berço.
A tal inspeção só pode comprovar de fato que as caixas de inspeções – feita exatamente para se adentrar nelas e algumas delas fechadas para essa serventia há meses por asfalto, mas abertas apressadamente na semana passada em mais um custo para a obra – não foram construídas de cimento armado como pedia o projeto original, licitado, contratado, fiscalizado e pago.
Essas caixas foram feitas com blocos de cimento, preenchidas de cimento, cuja qualidade não se sabe qual é e não se tem a menor noção da bitola, qualidade e trama do aço que há ou não junto com o cimento que preencheu os blocos. Viu-se que não há revestimentos nessas caixas o que pode ocasionar infiltrações e comprometimentos sérios e imediatos. Também na visão a partir das caixas, ficou claro que não havia revestimentos nas emendas dos tubos, como se argumentou em depoimentos de engenheiros executores e fiscais das empresas e da prefeitura. Incrível!
Também não se olhou o interior da tubulação para ver que tipo de rejunte foi aplicado e a qualidade dele. Alegou-se possível exposição pela Covid-19. Hum!
O secretário de Obras e Serviços Urbanos de Gaspar, Jean Alexandre dos Santos, para justificar e defender os procedimentos do presente, levou caixas de documentos de supostos erros do passado e quer na campanha eleitoral o atual governo prometia não repetí-los
CALA BOCA EM 20 NOTAS
1. O governo de Kleber e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, tem votos para abafar, rejeitar e jogar no lixo o relatório oficial da CPI do relator Cícero. O próprio Cícero está consciente disso. Até a poeira que encima muitos móveis do velho e inadequado prédio da Câmara de Vereadores de Gaspar já sabiam disso desde novembro do ano passado, quando Kleber e os seus, manobraram – e bem - para ter a maioria na CPI. Formaram um blocão com MDB, PP, PSDB e PDT, riscando o suplente de vereador José Ademir de Moura do PDC. A oposição chupa o dedo desde então.
2. Restará um relatório que será feito por Hostins ou Procópio, inocentando o governo Kleber, e que será “aprovado” com os votos dos dois vereadores de Kleber. Eles são a maioria dos quatro votos, porque o presidente Dionísio só vota em caso de empate e neste caso, parece impossível esta situação.
3. Tudo será enterrado no procedimento regimental. Tudo será conforme o arquitetado desde novembro do ano passado pelo governo Kleber. Tudo será como vem informando aos meus leitores e leitoras esta coluna, a odiada, a perseguida, a desacreditada, a constrangida e a censurada pelo governo Kleber. Já foi em outros, entretanto, esta coluna já foi a “queridinha” de Kleber, dos que inventaram a candidatura dele e a usufruem no governo. E por que? Porque a coluna sempre foi fiel aos fatos e aos leitores e leitoras.
4. E naqueles tempos, os erros do governo de Pedro Celso Zuchi, PT, interessavam ao grupo de Kleber e a minha coragem, sem paga alguma pois nunca aceitei isso, nunca pedir favores, nunca usei refis, nunca participei de tratos e festas de novos amigos, era explorada. E para que? Para esse pessoal chegar ao poder. Nem mais, nem menos. Há mais de 15 anos relatos os mesmos fatos. Os que me aplaudem hoje, serão os mesmos que me amaldiçoarão amanhã. Não reclamo. Nunca mudei de lado. Apenas constato por Gaspar. E por isso, tenho crédito. E essa gente...
5. O que Kleber e seu grupo não poderá enterrar? O estrago já feito por essa CPI na comunidade, nos moradores, comerciantes da Frei Solano e nos seus eleitores. Uma obra prometida para três meses, vai para dois anos e até botou para correr uma empresa idônea de 51 anos que ganhou a licitação mas não pode executá-la. Já relatei isso aqui. O que dificilmente Kleber e seus vereadores não terão condições é de impedir o provável rejeitado relatório oficial, depoimentos gravados e documentações chegarem às mãos do Tribunal de Contas, Ministério Público Estadual e Federal e até mesmo ao Gaeco, apesar do governo se orgulhar de ter o corpo fechado nessas instituições para barrar e incriminar os que não se alinham com ele.
6. Quem pediu a CPI foi o vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, morador do Gasparinho. Ele estava acompanhando a obra e via os defeitos dela. E só se decidiu pela CPI depois de sucessivas humilhações – uma das marcas, além da vingança, do prefeito Kleber. O prefeito e sua turma se negaram responder os seus requerimentos – aprovados pelos vereadores -, desafiando a lei e principalmente, à independência da Câmara a qual, o Executivo sempre a quis como um puxadinho seu – tanto que tentou fazer três vezes o presidente do gosto do paço municipal e perdeu todas, no voto.
7. Mais do que isso, o vereador Dionísio, sem alternativa, teve que se socorrer de um mandado judicial para obter tais informações. Mais ainda. Obrigado pela Justiça a disponibilizar as informações pedidas por Dionísio, Kleber enviou as respostas ao Dionísio, contudo, numa clara provocação e deboche, pela metade. Ou seja, mandou bananas até para a Justiça e o juiz. Eles nada fizeram nada até hoje para consertar este tipo de crime de desobediência de ordem judicial de Kleber.
8. O líder do governo, vereador Anhaia, que já foi vereador pelo PT, na sessão da Câmara da terça-feira passada, ao afirmar que não haveria outro relatório que não fosse “o da verdade”, segundo à ótica do governo Kleber, acusou Dionísio de apenas estar se vingando do governo porque ele “atrasou” em meses “algumas” informações sobre a obra. Para Anhaia, Dionísio pediu a CPI somente para aparecer, para se projetar e para prejudicar as pessoas do Gasparinho, que finalmente se livraram de um problema crônico nas enxurradas.
9. O que o líder do prefeito, o vereador Anhaia, insistiu no seu discurso de desagravo da terça-feira contra a CPI é a tônica da repetição de meses um mesmo discurso feito pela defesa política – e não técnica - do governo Kleber: ou seja, que um benefício comunitário justifica o erros e dúvidas graves do governo. E não cola mais. Esta coluna foi a única, praticamente, a explorar este assunto. E esta andorinha fez, mais uma vez verão. Os governos de Bernardo Leonardo Spengler, Nadinho, MDB – e que não completou o seu mandato -, Adilson Luiz Schmitt- o que foi corrido do MDB por não ceder ao jogo bruto do partido -, e Pedro Celso Zuchi, PT, já experimentaram dessa andorinha. E Kleber, desdenhou.
10. Volto. E o erro que acham menor e querem ver perdoado fora dos canais institucionais, é ter projetado (o projeto só apareceu meses depois; o engenheiro autor na prefeitura o governo não deixou ele depor na Câmara para exatamente não esclarecer às dúvidas e não fazer provas contra ele mesmo), licitado, contratado, fiscalizado e pago uma coisa, e executado uma outra obra bem diferente. É isso que Dionísio pedia em seus requerimento, é isso que a CPI tentou esclarecer. E por que? Porque, presume-se, que feito uma outra coisa, modifica-se no preço e o resultado técnico final da obra entre elas a durabilidade.
11. O governo Kleber, malandramente, para disfarçar e descaracterizar a busca de respostas da CPI, diz que fez mais do que projetou, licitou, contratou, fiscalizou e executou. Todavia, não prova nada disso e não permite que a CPI constate isso, ou seja, a sua própria inocência. Estranho, não é?
12. Estranhamente, com essa vantagem toda do governo – ou seja, que supostamente fez mais do que estava no projeto original que apareceu depois da obra começada - Kleber por seus vereadores que são maioria na CPI, não quer periciado o que afirma e propaga aos gasparenses. Trata-os como analfabetos, ignorantes e desinformados.
13. Contraditória e espertamente a prefeitura preferiu enterrar tudo o mais rapidamente possível, mesmo com a obra a meio pau e demorando meses para termina-la. Foi isso, por exemplo que constatou uma diligência preliminar (e inconclusiva) do próprio Ministério Público de Santa Catarina. O MP de Florianópolis mandou para cá uma equipe técnica. Ela apenas disse que havia indícios de problemas graves. Entretanto, sentenciou que eles não puderam ser constatados. E por que? Pela impossibilidade de perícia. E por que? Estava tudo enterrado. A prefeitura comemorou. Hum! E agora, na hora da CPI periciar o que está enterrado, o governo impediu, via os seus vereadores Hostins e Procópio a necropsia de algo que fede. E de quebra, acusou de politicagem os vereadores da CPI que queriam o esclarecimento. E estão doidos com esta coluna.
14. No fundo, o governo Kleber sabe que vai ser cozido. As pesquisas internas do partido já mostram isso, tanto que defendem a prorrogação de mandato e que não haja eleições em outubro. Kleber sabe que o relatório de Hostins ou Procópio vai lhe livrar da culpa formal, mas não perante a cidade que sabe e entendeu a manobra. Ninguém – a não ser os comissionados obrigados à defesa do indefensável nas redes sociais - acreditará nesse relatório. Ele será peça de campanha da oposição para mostrar o quanto ineficaz e sem transparência foi o governo atual e justo ele que prometeu mudar este estado de coisas em Gaspar.
15. Pior do que isso. O prefeito Kleber também sabe que corre um sério risco de durante a campanha - se confirmada que haverá eleições para este outubro - estar sob investigação de órgãos que ele diz estar controlando como o TCE, MP e Gaeco. É que as investigações terão como base aquilo que foi apurado, documentado e ouvido na CPI, mas foi rejeitado pelos governistas na CPI. Nelas, o relatório de Hostins ou de Procópio serão o lixo.
16. Os “çabios” que se uniram para mandar na cidade e até em outras instituições, se fossem verdadeiramente inteligentes e estratégicos, e quisessem proteger verdadeiramente Kleber e o projeto político de um amontoado de comissionados, seguradores de bandeiras e cabos eleitorais, sem eficiência para resultados técnicos à cidade e ao governo, teriam controlado a CPI de outra forma.
17. Facilitariam a coleta de provas, admitiriam o erro e elegeriam entre eles, um Cristo para a culpa ou erro técnico ou de procedimento. Nem isso, essa gente foi capaz. Preferiu pagar para ver. E neste cassino, perde quem se acha o amigo do dono do cassino – o que nunca perde nessa banca de apostas. Preferiu-se dar corda à oposição. Criou-se ambiente para o enforcamento do próprio governo e no tempo errado: o da campanha política. Será um tempo sem controle, será um tempo das redes sociais e dos aplicativos de mensagens, que o governo e o poder de plantão não conseguem “comprar” e “controlar” como se tenta com a imprensa, antes da intimidação dela.
18. Kleber errou e venceu quando jogou a população do Gasparinho contra os vereadores que queriam saber exatamente à razão da pressa daqueles empréstimos. Kleber errou e venceu quando jogou a população do Gasparinho contra os vereadores que queriam saber como se daria esta invenção da prefeitura passar para o Samae a responsabilidade de fazer drenagem, sem experiência alguma, sem receita específica, sem transparência e tocada pelo mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP e que se dizia um executivo exemplar nestes assuntos. Agora ele está de volta à Câmara para tentar o sétimo mandato, mas desconfortavelmente se explicando.
19. Kleber errou e venceu quando jogou a população do Gasparinho contra os vereadores que queriam saber detalhes do projeto de drenagem da Frei Solano, montando até uma audiência fake na Câmara com Live transmitida por um puxa-saco sem crédito. Kleber errou e venceu quando jogou a população do Gasparinho contra o vereador Dionísio por ele pedir informações por requerimentos e em mandado de segurança em juízo sobre a drenagem da Frei Solano. Kleber sabe que perdeu quando tudo isso virou uma CPI – que presumia não teria cobertura da imprensa - e devido à sua teimosia ou má orientação, teve que correr atrás das suas vitórias de pirro que citei acima em um assunto aparentemente tão simples de ser resolvido e explicado.
20. E para finalizar. O que mais deixa o governo de Kleber, Luiz Carlos e do prefeito de fato, o presidente do MDB de Gaspar, o ex-coordenador de campanha de Kleber, o secretário da poderosa secretaria de Fazenda e Gestão Pública, interino na capenga secretaria da Saúde, o advogado, Carlos Roberto Pereira? Não são exatamente os meus textões explicativos que desmoralizaram as verdades governamentais baseados naquilo que se apurou na CPI. Mas esta simples foto abaixo. Ela é elucidativa de todos a enrolação que se tenta esclarecer na CPI. Não há analfabeto, ignorante, desinformado e gente comprometida com o governo que não consiga entender o tamanho da dúvida e razão da CPI. Esta foto basta em si própria e saber o que foi ou não foi feito na drenagem da Rua Frei Solano, no Gasparinho. Acorda, Gaspar!
Kleber (à esquerda) tem um dos mais altos salários de prefeitos de SC e não quer reduzí-lo. O de Blumenau, Hildebrandt (ao centro), que é menor do que Gaspar, já reduziu. E na Câmara de Gaspar, o projeto de Procópio (a direita) está empacado
O prefeito de Gaspar Kleber Edson Wan Dall, MDB, evangélico, possui um dos mais altos salários de Santa Catarina: R$27.356,69 por mês. Uau! Soma-se a isso, as diarias. É mais elevado por exemplo do que o do prefeito de Blumenau, Mário Hildelbrandt, Podemos, que é também evangélico. E Blumenau é várias vezes mais complexa para se administrar e importante do que Gaspar para ser gerida. Ou existe alguma dúvida quanto a isso?
Voltemos. Hildebrandt, por exemplo e lá no início de abril, ou seja, há mais de um mês, e acompanhando gestos semelhantes de outros prefeitos pelo Brasil, reduziu em 20% o seu salário de R$23.849,12 e de 10% de seus secretários e diretores.
É algo simbólico, reconhece-se. É para contribuir com as finanças do município e principalmente para se solidarizar com os que estão perdendo empregos, fechando negócios ou falindo suas empresas. Eles não vão gerar mais impostos para Blumenau para sustentar à máquina pública, inclusive os salários de seus agentes políticos, como o prefeito.
Em Gaspar, ficamos descobrindo na semana passada durante a sessão da Câmara, por exemplo pelos próprios representantes do governo Kleber, que de janeiro a abril, a queda da arrecadação de Gaspar foi de 60%. É assustador. E vem mais por aí, pois estamos no início do debacle que vai atingir não só aqui em Gaspar.
É assustadora a queda anunciada, mas até certo ponto esperada. Mais assustadora, todavia, é saber que o prefeito Kleber, seus secretários, puxa-sacos, dependentes de boquinhas na barrosa e até vereadores, acham que é demagógica se pedir sacrifícios simbólicos na redução de vencimentos dos agentes políticos e gestores públicos.
Na prefeitura de Gaspar, há inclusive, quem se disponha a procurar em textos legais onde se possa enquadrar cidadãos que usam as redes sociais ou quem na imprensa como eu, que pedem o sacrifício dos políticos nesta situação. Vergonha. Vergonha. Vergonha. E são esses políticos que estão em campanha para ficar onde estão, mamando.
Assustador é saber que ao invés de diminuir a folha de pagamento de gente comissionada como se falsamente propagou há dias, o governo que está arrecadando menos, está inchando a máquina pública, tudo para buscar mais votos e não eficiência com resultados para a cidade e seus cidadãos. Emprega-se disfarçadamente cabos eleitorais.
Demostrei isso com números claros na coluna do dia 27 de abril em “O discurso de economia do político Kleber em tempos de pandemia não resiste a uma simples planilha comparativa”, referindo-me aos levantamentos feitos pelo vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT e apresentados no dia seguinte, por ele, na tribuna da Câmara e que não conseguiu ser contestado pelo próprio governo, mesmo tendo tempo antecipado para se preparar para a contestação. Dionísio apresentou e desmontou, mais uma vez, o falso discurso do governo Kleber feito para analfabetos, ignorantes, desinformados e puxa-sacos.
Então quando o próprio governo de Gaspar admite que está perdendo 60% da arrecadação, não se trata de demagogia pedir para diminuir o seu próprio alto salário. Trata-se de igualar aos que não possuem estabilidade e mandatos, e que sustentam a máquina governamental e política.
Quando o governo Kleber admite que está perdendo 60% da sua arrecadação é um sinal claro de que muitas pessoas estão perdendo seus empregos, seus negócios e suas empresas estãop em dificuldades ou falindo.
Quando o governo Kleber admite que está perdendo 60% da sua receita é um sinal claro de que ele precisa agir: cortar salários, diminuir serviços, eliminar comissionados que os emprega como disfarçados cabos eleitorais, que é preciso revisar à sua máquina para não falir e minimamente não ser atingido durante a campanha eleitoral, exatamente por temerária falta de ação preventiva ou de correção.
Mas, Kleber e os seus acham que mostrar e discutir esta realidade publicamente é uma implicação, é perseguição, é oposição, ou uma exposição que deveria ser escondida do povo. Na verdade, tudo isso, revela à incapacidade de ineficiência e à falta de antecipação de problemas da gestão pública.
A VELOCIDADE É DIFERENTE E OS VEREADORES ESTÃO TAMBÉM ILHADOS EM SEU MUNDINHO
Na coluna do dia quatro de maio fiz esta manchete: “Os vereadores resistem a diminuírem os seus salários por dois meses para simbolicamente contribuírem com a crise de arrecadação oriunda da pandemia. Proposta neste sentido ganhou parecer de inconstitucionalidade e ares de confusão”.
O que mudou de lá para cá? Nada! A não ser que os vereadores estão muito putos – é a melhor palavra para ser entendida por todos - com o autor da ideia, Roberto Procópio de Souza, PDT.
Por outro lado, Procópio está com a batata quente na mão e contra o seu próprio projeto. É que ele é o presidente da Comissão Legislação, Justiça, Cidadania e Redação. E a assessoria técnica da Casa já teria sinalizado que tal Projeto de Resolução do vereador, que é advogado, é inconstitucional. Procópio colocou tudo debaixo do braço e está cozinhando a saída desse assunto.
O projeto que reduz em apenas 20%, por apenas dois meses, os subsídios dos vereadores e o que veda a concessão de diárias a vereadores e servidores até o final deste ano, deu entrada no dia sete de abril. E desde o dia 14 rola nas comissões. Estamos no dia 18 de maio. E o prazo é de 90 dias para a tramitação. Então, em tese, tudo está dentro do prazo.
Mas, leitores e leitoras tomem estes prazos destes PRs e os compare com outros cinco Projetos de Lei que reajustaram os vencimentos de prefeito, vice, secretários, vereadores, funcionários da Câmara e até concederam aumento real de 1%, porque é ano de eleições e ano de político em campanha fazer um “agradinho” extra para garantir votos aos servidores municipais?
Esses PLs deram entrada no dia seis de março e no dia 17 de março, depois de passar por todas as comissões, sem quase nenhuma observação em Plenário, estavam todos aprovados, por unanimidade. E coincidentemente, logo em seguida, a Câmara fechou por conta da Covid-19 por quase um mês. E no primeiro dia da volta, Procópio protocolou os seus dos PRs.
JOGO DE PODER E VAIDADES
No caso dos projetos do vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, há alguns ingredientes que devem ser considerados. Primeiro, os demais vereadores acharam que ele teve a ideia, que ela é boa, mas vejam só, se aprovado é Procópio pode ficar com os louros na campanha eleitoral como pai da criança. Então, os demais estão boicotando. E por que? Porque perderam o bonde. E o boicote vem com a tal inconstitucionalidade.
Na verdade, a iniciativa de Procópio é um ato político e deveria ter partido da mesa da Câmara. Mas, o presidente da Câmara, Ciro André Quintino, MDB, se fez de tonto, perdeu o timming e agora torce para que tudo fique como está: parado e na confusão da constitucionalidade e das vaidades. Parece-me que ele também está olhando a maré, neste caso específico.
E devem ficar parados, porque o próprio prefeito e seu entorno acham que se os vereadores cortarem parte de seus próprios subsídios, obrigarão Kleber a fazer o mesmo. E ele não quer diminuir seu salário, mesmo que por um mês. Vem resistindo há semanas e acha que a menção deste assunto nesta coluna é algo feito para deixa-lo constrangido e desgastado.
Segundo fato e mais importante: é que o governo sentiu que novamente está pisando em ovos. Procópio era o mais ferrenho dos opositores. Sempre esteve alinhado com o PT. Para liquidar a fragilidade crônica que tinha na Câmara, Kleber foi lá em 2018, peitou e desmontou a oposição trazendo Procópio para o governo. E abriu generosos espaços na administração municipal para os pedetistas gasparenses. Foi um baque para a oposição que ficou órfão do líder e perdeu a maioria.
Mais: é Procópio quem está freando a CPI da Rua Frei Solano. Então, o enfrentamento com Procópio que já perdeu a eleição a presidente da Câmara como candidato de Kleber; que sem coligação está sujeito a não se reeleger a vereador com o seu nanico PDT, é algo que passou a ser contornado com cuidados extremos por Kleber até sepultar a CPI da Frei Solano.
Depois da CPI enterrada como quer Kleber, Luiz Carlos e Carlos Roberto Pereira, a conversa com Procópio será outra.
Kleber e seu grupo pretendem enquadrar Procópio, a começar pela proposta de redução de salários de vereadores que ele colocou na Câmara sem consultar o governo. Se não rasgar essa ideia – e tem o argumento da suposta inconstitucionalidade e que não funcionou em outras Câmaras, por exemplo -, Procópio corre um sério risco de ficar falando sozinho e as vagas que o seu grupo ocupa no governo Kleber serem distribuídas para quem o governo acha que tenha mais votos e identificação com os atuais detentores dom poder.
Um político próximo a Kleber me disse: “se o pessoal do Procópio deixar os cargos que eles ocupam na prefeitura dá mais economia do que o que ele quer fazer na propaganda com os vereadores”.
Então, Procópio pode ser mais um que o grupo de Kleber usou e vai descartar se não se ajoelhar para rezar na cartilha do poder de plantão. E estarei mais uma vez, de alma lavada. Procópio não tem o que se queixar: usufruiu quase dois anos do poder e deixou Kleber governar do jeito que queria. Mas, o desgaste virá de uma ou de outra forma. E Procópio sabe disso. Acorda, Gaspar!
Mente e esconde as razões bem como os mandantes dessa vergonha que atenta contra a transparência de governo, liberdade de imprensa e a pluralidade de expressão dos comunicadores amparada na constituição
A Amanda (à esquerda) excluiu Miro (Centro) do Grupo de aplicativo de mensagens da assessoria de imprensa que cobre a prefeitura de Gaspar, numa retaliação em que usou os próprios colegas para isso. Tudo para proteger o chefe Kleber (à direita) das críticas)
O ex-vereador PFL, agora no PL, radialista, apresentador e presidente da Rádio Comunitária Vila Nova, de Gaspar, Almir Sálvio, conhecido como Miro Savio é uma das raras vozes que o poder de plantão não conseguiu alugar, controlar e subjugar – como esta coluna - dominado pelo prefeito eleito Kleber Edson Wan Dall, MDB, Luiz Carlos Spengler Filho, PP e pelo prefeito de fato, o presidente do MDB de Gaspar, ex-coordenador de campanha de Kleber, titular da poderosa secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa e interino naquilo que não entende, a secretaria da Saúde, o advogado Carlos Roberto Pereira.
Eles estão em campanha de reeleição. E mostrar à realidade e fatos do governo aos gasparenses é para essa gente no poder de plantão um ato terrorismo e de sabotagem à conhecida e poderosa máquina eleitoral em campanha de reeleição a qualquer preço, instalada no paço municipal.
O que aconteceu neste final de semana? O Miro foi REMOVIDO do grupo de imprensa do whatsapp da prefeitura de Gaspar, administrado pela prefeitura, via a assessoria, cuja titular é Amanda Elisa Weber.
É um grupo que recebe pautas, informações genéricas de interesse administrativo e político do poder de plantão, bem como convites para eventos oficiais. Eu não faço parte desse grupo. Sou perigoso. A prefeitura, oficialmente, por outro lado, considera que sou um pária imprensa e vive me constrangendo, desqualificando, intimidando e processando.
No domingo pela manhã, o Jota Aguiar, repórter da 89 FM, ao ver a remoção perguntou no grupo a razão de tal ato. A TV Gaspar aplicou um emoge de surpresa. E qual foi a resposta da Amanda: foi uma decisão coletiva, inclusive com pedidos e aval de colegas do grupo.
Imediatamente foi sendo desmentida pelos participantes do grupo, incluindo o proprietário do jornal Cruzeiro do Vale, o mais antigo (30 anos de circulação líder ininterrupta) e do portal Cruzeiro do Vale, o mais acessado em Gaspar e Ilhota, segundo as ferramentas de aferição da internet, Gilberto Schmitt.
Amanda mentiu. Amanda está obrigada e não disse até agora, quem pediu esta retirada. Afinal, quem de nós é contra o Miro estar neste Grupo? Amanda esconde que se não foi uma retaliação dela, da superintendência, foi do próprio prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. Amanda, a jornalista, a formada, mostra como ela trata de forma torta eticamente o jornalismo, os veículos de comunicação e os comunicadores que não se submetem à extensão de propaganda enganosa da prefeitura de Gaspar.
Na falta de argumento, convencimento e pautas: perseguição, humilhação, sonegação, alienação....
Amanda – que é a quarta titular da área depois de várias experiências mal-sucedidas por correligionários e curiosos. Ela é especialista em campanha eleitoral. Foi, por exemplo, assessora da ex-prefeita de Bombinhas, a atual deputada Ana Paula da Silva, a Paulinha, PDT.
Amanda veio trabalhar a comunicação do prefeito Kleber, em Gaspar, voltada unicamente para a reeleição dele. Seu pai, Normélio Pedro Weber, que está empregado na Diretoria Executiva Fundação Cultural Hilda Carolina, da prefeitura de Itajaí, é o orientador estratégico e fornecedor de pesquisas para o grupo que está no poder de plantão e tenta a reeleição por aqui.
Amanda está obrigada a revelar quem, na imprensa de Gaspar, ou quem infiltrado no grupo está pediu a retirada de Miro. E não é só um, mas quem é esse coletivo, que também não pode ser der dois. Um governo que vive de ludibriar analfabetos, ignorantes e desinformados é de se esperar tudo, menos clareza de seus atos. E não é de hoje. E depois diz que não sabe a razão de tanta rejeição. Acorda, Gaspar!
Até o fechamento da coluna, duas semanas depois que políticos, comissionados e amigos do poder de plantão passaram por lá para posarem em fotos com o prefeito, a UTI do Hospital de Gaspar continua lá sem pacientes, e custando aos gasparenses. Falta-lhe a habilitação governamental, segundo informações de fontes do próprio Hospital. Quem alugou os dez leitos está agradecido.
O governador Carlos Moisés da Silva, PSL, está colocando a corda no pescoço do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. Ele está prestes a liberar o serviço transporte coletivo urbano em Santa Catarina. E Gaspar, depois de 18 anos implantado esse serviço no governo de Pedro Celso Zuchi, PT, e diga-se, desde já, com problemas, ele sumiu no governo de Kleber. Parabéns!
O assunto é longo e complexo. Já escrevi sobre isso. Colocaram nessa área gente que nem sabe o que é a palavra transporte coletivo quanto mais o conceito, só para dar emprego a correligionários e amigos. Deu no que deu. A cidade ficou sem um bem precioso e necessário para os mais pobres, base dos votantes de Kleber. Outra vergonha e desatino.
O que era provisório, caro e deficiente, nem existe mais. A Caturani – sem experiência - foi embora. E a Covid-19, por incrível que pareça veio em socorro de Kleber quando o governador suspendeu este tipo de serviço em Santa Catarina. Ao invés de aproveitar o tempo e correr atrás de soluções, Kleber está tonto e não sinaliza como vai levar alunos, professores, trabalhadores, desempregados às escolas, creches, trabalho bem como os que perambulam a procura de um emprego, serviço, bico...
O interino da Educação e Cultura de Gaspar, que é titular da chefia de Gabinete de Kleber e presidente do PSDB, Jorge Luiz Prucinio Pereira, soltou um áudio. Nele, o “çabio” torce para que tudo fique como está quando comenta o Projeto que o deputado João Amim, PP, de quem o vice Luiz Carlos Spengler Filho, é devoto, para a volta das aulas. Jorge qualifica o projeto de inadequado, prematuro...
E em Gaspar, verdadeiramente, a volta às aulas é inadequada. E por que? Porque não possui transporte coletivo. Simples assim. E Jorge e Kleber sabe disso muito bem. Isto sem falar que muitas das crianças estão passando fome, mesmo as que receberam mantimentos parciais da merenda. É que nem todas possuem quem prepare as refeiçções em casa.
E quanto ao ensino por aqui em tempo de pandemia? É outra dúvida. A prefeitura até agora não substituiu a pedagogia presencial pela virtual. É complexa e cara, sabe-se disso. E demora. Ainda mais numa cidade onde tudo é lento, como mostram as obras que se espalham pela cidade. Então qual a razão para condenar o projeto de João Amim? Falta de transporte coletivo.
Aliás, dois pontos a destacar sobre este assunto e que voltarei mais tarde ao tema. O vereador Roberto Procópio de Souza, PDT, que ainda é da base do governo, propôs esses dias o transporte gratuito. Gratuito só na máquina de calcular dele.
Quem vai pagar ônibus, combustível, manutenção, motoristas e até cobradores em época digital onde tudo deveria ser com cartões? A maioria dos gasparenses que nem usa o transporte coletivo. Simples assim. E a prefeitura de Gaspar está inchada de cabos eleitorais, quebrada e com a arrecadação em queda, teria condições der assumir mais este ônus?
O outro ponto. Este escrevi no tempo da licitação: de que ela seria deserta porque o governo foi ganancioso, queria ganhar milhões onde não se tinha nada para pedir, e fazia uma licitação do século 20 no século 21 diante das mudanças bruscas neste ambiente de transportes individuais e coletivos. Não deu outra. Estava na cara. Não era advinho. Agora, nem dinheiro para as burras da prefeitura, e ao mesmo tempo se pagará caro politicamente por não tratar o assunto de forma séria. Gente “çabia”.
Juros zero. Em Indaial, o governo está bancando os juros das micros e empreendedores individuais não atrasam os financiamentos. Tudo para ativar a microeconomia local. Quando esse assunto chegou à Câmara de Gaspar, apenas como notícia e exemplo, o líder do governo Francisco Solano Anhaia, MDB, um micro-empreendedor, com toda a sua prudência e sabedoria, rejeitou de pronto o assunto.
O mais longevo dos vereadores de Gaspar, José Hilário Melato, PP, escolheu o seu adversário para fazer escada na sua volta à Câmara de Gaspar: Dionísio Luiz Bertoldi, PT, que o pegou de calças curtas na CPI da Frei Solano.
Experimentado, Melato fez três coisas na última sessão. Reconheceu que Dionísio e a família dele foram decisivos em duas das seis eleições Melato e se disse grato por isso. Recuou na ameaça que fez em sessão anterior de desnudar as administrações passada do Samae e do PT. “Eu olho para frente”, justificou, mas ao mesmo tempo, como aviso, anunciou que este assunto vai render mais duas ou três sessões. Talvez lhe falta outro melhor ou está tendo que se explicar.
Esta bandeira branca com velada ameaça, no entanto, não foi suficiente para aquietar Dionísio. “Estou no meu papel de fiscalizar, vereador”, dirigindo-se a Melato, que queria aparte e chamou Dionísio de mal-educado por não concedê-lo “O senhor é quem deve explicações da comunidade do Barracão, Bateias e óleo Grande porque não fez a ligação da rede do Centro com a de lá, sendo que já se tinha comprado os canos para isso”, rebateu Dionísio.
Na sessão passada, o funcionário municipal, vereador e médico cardiologista Silvio Cleffi, PP, expressou na tribuna da Câmara ser contra à volta da reunião presencial na Casa. O único que estava remotamente era o vereador Evandro Carlos Andrietti, MDB.
Em todas as sessões remotas feitas na Câmara sob o improviso da internet pendurada, Silvio – secretário da atual legislatura - foi o único que esteve presente na mesa com o presidente Ciro André Quintino, MDB. Estranha opinião a dele neste assunto e neste momento.
Na Câmara de Gaspar, há espaço para se preservar o distanciamento exigido nas recomendações de saúde e decretos governamentais. Além disso, quem se sentir ameaçado pela Covid-19, pode se pendurar na internet, como fez o Andrietti.
Por outro lado, ir a cultos pode, ir à academia pode, ir ao supermercado pode, ir ao barbeiro e cabelereira, ir ao shopping pode, ir ao consultório médico pode. Mas os 13 vereadores de Gaspar se reunirem num espaço de quase 300 metros quadrados, sem a presença de público, para tocarem a vida da cidade e dos cidadãos não? Acorda, Gaspar!
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