27/08/2020
Quais dos candidatos a prefeito de Gaspar vão se agarrar, ou demonizar, o presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT?
A partir da semana que vem, oficialmente, começa a se conhecer os candidatos a prefeito de Gaspar na disputa deste 15 de novembro. Antes da data fatal de 16 de setembro, pelo calendário do Tribunal Superior Eleitoral, tudo estará no tabuleiro de emoções, lamúrias, sorte e surpresas. Desenha-se três candidaturas, talvez quatro. Mas, a pergunta não respondida ainda é: quem se apresentará - ou será reconhecido - como o candidato do presidente Jair Messias Bolsonaro, sem partido, e que há duas semanas ensaiou o seu retorno ao PSL? O candidato de Bolsonaro em Gaspar será de direita, conservador ou um mero oportunista? E onde fica nesta história toda, o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, nascido do bolsonarismo militar e da mudança, contra as castas que se alternavam no poder estadual e que teve 78% dos votos no segundo turno por aqui e 35,81% no primeiro? Moisés está “na esquerda” de Bolsonaro. Moisés está no pior dos mundos em tão pouco tempo: um processo de impeachment e a fritura na CPI dos Respiradores, os dois bem orquestrados na Assembleia Legislativa, exatamente pelos velhos políticos da política velha que um dia ele prometeu colocar no passado.
Na quarta-feira, a Convenção do MDB consagra o óbvio dos quase quatro anos de administração de Kleber Edson Wan Dall. Ele vai à reeleição mesmo que um dia tenha dito na rádio 89 FM, como forma de adiar os questionamentos, que isso era dúvida para ele. Nem a aposta, sem disfarces, que Kleber e seu grupo fizeram pela unificação das eleições em 2022, deu certo. Queriam fugir neste ano do julgamento popular, nas urnas, da gestão. Ambos foram ensaios precoce de medo. “O seguro morreu de velho”. Na quarta-feira, também, inicia-se outra batalha: a de quem vai ser o candidato do presidente Bolsonaro em Gaspar. Bolsonaro no segundo turno de outubro de 2018 ficou com 87,50% dos votos válidos do eleitorado, contra os míseros 17,50% dados a Fernando Haddad, PT, na terra de Pedro Celso Zuchi, o único com três mandatos de prefeito, bem como terra da extrema influência da ex-senadora e ex-ministra Ideli Salvatti e dos padrinhos dos petistas gasparenses, os ex-deputados Décio Neri e Ana Paula Lima.
Kleber montou uma cara “máquina” de caça votos para o MDB e seus aliados na prefeitura de Gaspar. Ela ocupou maciçamente a estrutura com cargos comissionados e de confiança. Mesmo assim, essa “máquina” que não teve ajustes, pifou escandalosamente em três de outubro de 2018. Faltaram votos no loteamento de candidatos a deputados [Federal e Estadual] e principalmente a governador, o deputado Mauro Mariani, que levou a decepcionante votação de 19,37%. Então, saiu da disputa já no primeiro turno. Há muito tempo e continuou depois das eleições de outubro de 2018, o mau humor das pesquisas internas. Elas advertem os políticos no poder de plantão para a possível repetição desse fenômeno. Muitos dizem que é apenas a volta natural do pêndulo da esquerda para a direita. Na verdade, é algo muito mais complexo. É uma depuração das práticas de gestão, transparência e resultados dos políticos para com a sociedade que lhes sustenta e está cansada de ser enrolada. Kleber e seus “çabios”, incluindo o presidente do MDB de Gaspar, o prefeito de fato, o secretário da poderosa secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa, que na cara reforma administrativa foi talhada para ele, o chefe de campanha da vitória, venderam o novo. Instalados do poder de plantão, praticaram a velha política. Agora, terão que se explicar.
Kleber vai lutar para no mínimo neutralizar Bolsonaro como influenciador por aqui. Como? Se apresentando com um conservador, um fiel da igreja evangélica um pai de família. Ele quer o sumido deputado Rogério Peninha Mendonça, MDB, como “ponte” ou instrumento de neutralização das influências bolsonarista de Brasília. O PL, PSL, Patriotas e DEM – e principalmente as redes sociais dos bolsonaristas - disputarão esse espólio em favor de um escolhido para representa-los. Muitos deles já estão comprometidos com o “Aliança pelo Brasil” e usam o PL, DEM e Patriotas como trampolim. A sorte de Kleber e da penca que o apoia, é que “briga” na direita é intestinal, por vaidade e nuances ideológicas mesmo antes de vencer. Depois que se vence é pior ainda. É só olhar para a vice Daniela Cristina Reinehr, PSL. E em comum? Todos, terão Carlos Moisés da Silva como o patinho feio, até mais que o ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Vana Rousseff que serão âncoras para o PT. Como já escrevi; se Kleber perder diante de tudo isso, poderá dizer que perdeu porque terceirizou o seu governo a quem não tinha votos, mas arrogantemente, sede de poder e vingança. Acorda, Gaspar!
Unanimidade. A professora e ex-vereadora Andreia Simone Zimmermann Nagel, hoje está no PL. Nasceu no DEM, passou pelo PSDB para ser candidata a prefeita de Gaspar. É, estranhamente, ao mesmo tempo, alvo de preocupações e namoro por vários partidos em Gaspar.
O MDB de Kleber Edson Wan Dall faz de tudo para que ela não seja candidata a nada. Chegou até a oferecer a secretaria da Educação para ela ficar inelegível. Recusou. O nanico PSDB, por usa vez, fez de tudo para tirá-la da presidência do diretório. Manobrou, enganou-a e a alijou.
Já o PT, a quem Andreia sempre combateu como poucos na Câmara entre 2013/16, quer a morte política dela e para sempre. Um castigo eterno pelo estrago que ela – praticamente sozinha - fez naqueles tempos. José Hilário Melato, PP, tomou no voto articulado pelo PT, a acordada presidência da Câmara destinada a Andreia.
Enquanto isso, o PL onde ela está, não a tem como candidata. O DEM, publicamente já a declarou que a quer, mas só como vice para trazer votos (?). Igualmente o PSL. Ora, se Andreia é tão importante assim, por que a direita e os conservadores não a querem como candidata viável com apoio deles, já que o MDB com a penca em torno dele, bem como o PT a enxergam como uma ameaça eleitoral para eles?
O problema de Andreia é que ela tem vida própria. Andreia, possivelmente não será candidata a nada nesta eleição. Nem a vereadora. Também não quer servisse de ninguém e não tem caixa para bancar a corrida. No fundo, Andreia está obstinada re-alavancar a sua escola infantil no Bairro da Lagoa depois do baque da pandemia.
Andreia vê também nos movimentos que fizeram e fazem para isolá-la, expressa contrariedade às ideias que ela defende de mudança, transparência, saneamento administrativo e político. Não possui força, ou estômago – e isso é fundamental -, para enfrentar a máquina e os velhos esquemas. Ela também receia que poderá ser “engolida” pelos novos esquemas que não enfrentam de frente os velhos e virar um novo Moisés.
A diferença. Blumenau liberou na semana passada o futebol de patotas contra expresso decreto estadual proibindo esta prática por causa da Covid-19. O Ministério Público de lá, atento, sinalizou de que iria reagir. A Polícia Militar informou que faria cumprir a lei estadual. O prefeito Mario Hildebrandt, Podemos, também em campanha de reeleição, recuou.
Em Gaspar, semelhante decreto estava em vigor até o fechamento da coluna, na quarta-feira; era retroativo ao dia 21 só para “esquentar” o que se fez no final de semana. O poder de plantão bancou tudo. Os que estão obrigados à fiscalização da lei, calados. Como se diz no paço e há muito, todos de corpo fechados. Havia brecha para não abrir os campos e fazer média política com a boleirada: culpar o governo do estado. Mas, nem isso.
Começaram as obras para fazer o Mirante do Centro de Gaspar. Ele vai custar pouco mais de R$700 mil para apenas 300m2. A ideia e o primeiro projeto têm mais de 20 anos. Nasceu com o falecido (14 de maio de 2018, aos 53 anos) Rodrigo Fontes Schramm, PT.
Enterrando a Arena Multiuso que era uma boa ideia para Gaspar, mas fruto de uma desapropriação com tons de vinganças do PT ao empresário dono do imóvel.
Para não deixar dúvidas disso, Kleber Edson Wan Dall, MDB, resolveu dar o pontapé inicial naquilo que está chamando de Parque do Município e que ficará ao lado do Ginásio de Esportes João dos Santos. Serão gastos R$1.740.000,00 se não houver aditivos.
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