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Repercute a coluna de segunda onde mostrei que o PSL sofre ataques de fogo amigo, da seleção natural e principalmente de seus adversários que ainda o tem como uma incógnita eleitoral - Jornal Cruzeiro do Vale

Repercute a coluna de segunda onde mostrei que o PSL sofre ataques de fogo amigo, da seleção natural e principalmente de seus adversários que ainda o tem como uma incógnita eleitoral

14/08/2019

Esta coluna não relata acontecimentos sociais e não é para mandar abraços e parabéns aos amigos que aparecem, só por oportunidades, a todo momento. Ela é feita com os bastidores que mudam a vida da cidade e das pessoas. É registro. É história. Ela é feita para desnudar as tramas dos poderosos e dos que querem transformar a mesmice em fatos novos. É para dar transparência aos que tentam jogar com a carta escondida na manga, como se todos fossem tolos na trucagem antiga e manjada.

Então! Repercutiu interna e externamente de forma aguda no PSL de Gaspar e da região, os relatos e os comentários feitos aqui na segunda-feira em “a comissão provisória do PSL flerta com a ingenuidade, descuida-se e fica sob fogo amigo dos que acham ser a política da pureza humana e o tiroteio mortal intencional dos profissionais da política gasparense

Como antecipei, o bafafá nas redes sociais logo se espalhou entre os que se dizem ser PSL. E estranhamente, até que fui poupado desta vez. Há notícias ruins admitem e a culpa não é do mensageiro como sempre se quer transferir.

Nos comentários que acessei nas redes sociais, estão claros que, nada que é de ruim do partido pode ser conhecido pela cidade, os cidadãos, simpatizantes e adversários. Os problemas, mesmos sendo eles verdadeiros, como admitem, devem ficar soterrados onde estão expostos.

Então volto a repisar: esconder à parte ruim, só permite que na sombra, esse problema aumente e contamine todo o processo que, presumivelmente, é denominado de bom. E por que? Porque um partido é um entre público não uma entidade secreta e para poucos; é feito de gente, e gente é coisa difícil de se lidar. Num partido estão em jogo interesses, vaidades, poder e ideias, as quais, nem todas são iguais e elas, naturalmente, disputam espaços comuns.

Esconder problemas e os problemáticos deixará o PSL igual ao PT, ao MDB, ao PP, ao PSDB – para não ampliar a lista. Eles que têm gente presa ou superenrolada em coisas mal explicadas, exatamente porque a turma do abafa não quer os sujos fora dos seus respectivos partidos. No fundo, sabem que todos estão sujos. Entenderam a razão de que as coisas partidárias não dizem respeito apenas ao partido, mas a todos, pois é para todos que pedem votos?

Segundo, ficou claro nos comentários dos pesselistas gasparenses nas redes – como havia relatado no artigo - que há gente no partido que não topa a liderança do Marciano da Silva. Isso é natural. Até porque o PSL é o partido da moda e aí todos querem um predacinho dele para aparecer.

Os problemas são internos ou externos

Nos debates internos dos seus filiados nos aplicativos de mensagens, principalmente, os seus filados insistem que é impróprio lavar roupa suja na imprensa. “Alguém deve estar nos traindo”, ou seja, passando as informações, como se elas não estivessem circulando na cidade, por grupos de aplicativos ou mesmo nas redes sociais.

Primeiro, este comportamento só confirma o artigo que fiz de que há roupa suja e também concordo que se deva lavar em casa. E quando isso não é feito, a roupa suja fica exposta ou então, é levada à lavanderia onde se corre o risco de alguém vê-la no estado em que está. E foi isso que aconteceu. Eu apenas, diferente dos que enxergam, mas fazem vistas grossas, relatei

Então qual o mal de se relatar isso? Quem não fez a lição de casa foi o PSL ou os membros dele de Gaspar: o de buscar conciliar ou expurgar os descontentes, ou os que não estão acostumados a respeitar à sua liderança. Essa tática de trazer todos para dentro do partido, é tão ruim, quanto o de rejeitar gente só por diferenças pessoais mesmo tendo afinidades de projetos.

Partido que é seita sabe-se bem o que acontece com ele.

O PSL de Gaspar ao discutir se alguém está vazando as informações dos seus litígios para a imprensa, deveria antes olhar à rede e às trocas de mensagens nos aplicativos de seus membros. Com essa atitude de avestruz está, no mínimo, escondendo-se dos seus próprios problemas e permitindo que eles cresçam.

Mas, antes tarde, do que nunca. Entre hoje e amanhã, uma reunião deverá acontecer da Executiva, num ambiente fechado, longe daqui, para aparar essas arestas. Quer se criar um discurso de apaziguamento e antes de um evento de filiações e que acontecerá neste final de semana no Centro de Gaspar.

Afinal, quem quer o PSL dividido em Gaspar?

O mais sensato foi Sérgio Luiz Batista de Almeida que passou áudio por whatsapp para seus correligionários. Ele, também, como eu, pensa que o PSL está sendo bombardeado pela máquina dos partidos tradicionais que disputam lugares e a prefeitura de Gaspar, como a máquina do MDB, PP, PSDB, PSC, PDT por exemplo e outros que deverão se agregar neste bloco se o atual prefeito deslanchar nas pesquisas.

É do jogo e o PSL deve entender dele se quiser participar dele.

São os que estão no poder – diferentes, mas unidos por interesses comuns - e o PT que quer voltar apesar da marca manchada que possui, que não querem um PSL como alternativa e zebra em Gaspar. E torcem para a falta de união, disputa de comando e desorganização do PSL. Apostam num governo do estado que ainda não disse a que veio e é do PSL, que até agora desdenhou o Vale do Itajaí.

É difícil entender que o problema do PSL – como um todo - está fora da Comissão Provisória, mas vem daqueles que não o querem como concorrente?  E para finalizar. O PSL não será mais a surpresa no ano que vem. Ele poderá ser um mero concorrente dependendo de como e com quem ele se apresentar.

Quem apostou em Kleber, Luiz Carlos Spengler Filho, PP e Carlos Roberto Pereira como o novo, viu que foi enganado. Está tudo tão antigo quanto antes... Acorda, Gaspar!

A falta de planejamento é crônico e conspira contra a propaganda eleitoral de realizador de obras do prefeito Kleber

Kleber já está com o plano B da licitação que o tribunal de contas barrou. Ele mostra a razão pela qual as obras se atrasam tanto: falta de planejamento

Nada como um dia após o outro. Nada como ficar exposto e sem respostas técnicas ou adequadas. Nada como insistir em algo que poderá se consagrar como improbidade do gestor público e até cassar direitos políticos.

Tudo isso aconteceu em Gaspar só para mostrar a opositores, parte da imprensa que se interessa por este tipo de assunto e opositores – que na verdade neste tipo de caso são os melhores amigos do poder de plantão e explicarei isso mais adiante -, de que supostamente possui canais “influentes” em órgãos de fiscalização e julgamento, ou então, lançar-se simplesmente à teimosia em erros visíveis.

Na coluna de sexta-feira e feita especialmente para a edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale, mostrei como o Tribunal de Contas do Estado colocou chope no pregão 58/2019 lançado pelo prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, orientado por sua equipe política, técnica e jurídica. Era para contratar serviços para obras com viés técnico e especializado, mas de forma genérica, o que não é permitido nesta modalidade nas Lei das Licitações.

No discurso político para analfabetos, ignorantes e desinformados ou nas entrevistas sem perguntas, os gestores e vereadores que defendem o governo de Kleber zombaram: a denúncia feita pelo vereador Cicero Giovane Amaro, PSD, era mimimi da oposição e uma forma de atrapalhar o governo. Era um caso de simples interpretação jurídica. Mas, o relator do processo, o conselheiro Herneus de Nadal, ex-deputado pelo MDB de Kleber, resolveu confirmar monocraticamente a liminar.

E isso, acendeu a luz amarela na prefeitura de Gaspar.Tanto que já se trabalha com o Plano B. Estão fatiando o pregão 58/2019 e fazendo licitações como manda a lei para esses casos.

Primeiro, porque não querem mais correr riscos; segundo, se houver à reversão do relatório de Nadal no colegiado do TCE, a decisão poderá levar tempo e aí se perde o discurso eleitoral da obra em andamento ou pronta para a campanha do ano que vem; terceiro, por falta de alocação de recursos no Orçamento – um disfarce permitido no pregão que está sob judice – agora vai se ter que escolher as obras – ou parte - prioritárias deste ano e as do ano que vem.

Por exemplo: colocaram na praça um edital para fazer as galerias pluviais da Rua Frei Solano, onde deve estar enterrado um sapo.

Primeiro fizeram a drenagem, na marra, e sem projeto. Ao menos até hoje não o apresentaram na Câmara, apesar da informação dada pelo prefeito ao juiz Leonar Madalena de que o requerimento do vereador Dionísio Luiz Bertoldi foi respondido em mandado de segurança. Segundo, esqueceram de fazer o edital da pavimentação. Agora, que ele saiu depois de seis meses. Terceiro: faltava o da rede pluvial? Agora, está na praça. Éprácabar. É mais custos para os gasparenses pagarem. É mais sacrifício para os moradores e comerciantes da Rua Frei Solano.

A concorrência que está na praça, é a 07/2019. Mas, só no dia 30 de agosto, se não houver nenhuma contestação, se conhecerá que irá fazer essa obra.

Então perguntar não ofende: num planejamento correto não seria ter estas três ações juntas para se fazerem numa sequência lógica? Drenagem geral do bairro que ocupou o meio da rua, a pavimentação para tampar a drenagem principal e a drenagem lateral da rua? Uma saiu no início do ano. Outra está saindo agora. E outra só no final do mês? Hum! E depois sou eu o impertinente.

O registro de preço permitido no pregão como o usado no caso do 58 e foi parar no TCE, a prefeitura não precisa ter todo o valor quando lança a licitação, pois não gera obrigação de compra. Já nas outras modalidades, gera um contrato, o que obriga a empenhar, e para empenhar é preciso estar disponível no Orçamento.

TRAPICHE

O secretário de Agricultura e Aquicultura de Gaspar, André Pasqual Waltrick, PP, está com os dias contados. Esgotou a cota pessoal de sustos dele contra a administração municipal. O cotado para substitui-lo é Afonso Bernardo Hostert, PDT. Ele tinha igual função no governo do PT de Pedro Celso Zuchi.

A “ginástica” para os rearranjos político e equilíbrio dentro do governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, é a dor de cabeça na qual se debruçam os “çabios” do Paço. Há uma ciumeira contra vereador e presidente do PDT, Roberto Procópio de Souza. Era o mais ferrenho opositor de Kleber. Embarcou no ônibus do governo tardiamente, está sentado na janela e na poltrona da frente.

O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, provou da sua popularidade na feijoada do Tupy. Marquinhos Deschamps, do porto de Areia do Poço Grande estava fulo com o líder do governo, Francisco Solano Anhaia, MDB, na cruzada contra a extração ilegal e cobrou Kleber. Para o empresário, por falta de fiscalização da própria prefeitura, estão colocando todos na barca e ele não concorda com isso.

Uma prova de que a atual administração de Gaspar continua velha e burocrática tanto quanto seus antecessores do século 20, apesar de se mostrarem com gente jovem, são aquelas repetidas fotos com os tais papelinhos nas mãos, como se fossem – fotos e papelinhos - algo sério e conclusivo. Incrível!

O presidente da Fundação Municipal de Esportes e Lazer da Gaspar, Jorge Luiz Prucino Pereira, não perdeu o cheiro do caminho de Brasília que conhecia quando vivia lá para “buscar” verbas especiais para os projetos do governo. Esta semana ele está lá, com o subordinado e assessor para Assuntos da Juventude, Denis Estevão. Até foto no plenário da Câmara em plena segunda-feira correu à rede social.

Foram atrás, segundo Jorge atrás do Programa 4.0 para inclusão digital dos jovens de 15 a 29 anos. Segundo Jorge, inclui programação e impressão em 3D. A outra é a de captar recursos para a revitalização do “complexo” esportivo João dos Santos e outro projeto para a “Iniciação Esportiva”.

Tudo é válido, mas revitalizar o tal “complexo” João dos Santos, encravado na rótula da ponte do Vale com a Francisco Mastella e a Rua Itajaí? Não seria prudente remover tudo dali para uma outra área que livre as pessoas de acidentes e tenha acesso mais facilitado. Acorda, Gaspar!

Está sobrando gente na Câmara de Gaspar? O presidente Ciro André Quintino, MDB, assinou resolução em que prorroga a cessão de Marcelo Peterson Pereira à Justiça Eleitoral de Gaspar por mais um ano. Ele já estava lá pela resolução 53/2018. Quem paga o servidor é a Câmara.

Xicaras e copos. Com dispensa de licitação, a Câmara de Gaspar está comprando 150 copos de vidro liso duplo, transparentes e cilíndricos e mais 60 xícaras com pires de porcelana com asa e pires tipo café. Todos terão que ter o brasão da Câmara impresso. Uau!

O vereador Francisco Hostins Júnior, líder do MDB na Câmara, no papel dele, disfarça e discursa para os pobres. Segundo ele, o Programa de Recuperação Fiscal, o tal Refis - que abate juros, correção e multas dos que devem ao município -, aprovado pela segunda vez no governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB, beneficia quem perdeu emprego, ou foi afetado pela crise econômica e não pode pagar o IPTU.

O crítico da atual administração, Cícero Giovane Amaro, PSD, vai na mesma ladainha, mas com menos ingenuidade. Ele inclusive pediu para esticar esse benefício até 16 de dezembro para essas pessoas aproveitarem a segunda parcela do 13º. E foi atendido.

Entretanto, Cícero, lembra que o Refis não é apenas para o IPTU, mas para todos os tributos municipais. “E aí tem gente grande e que não sabemos quem é. Gente que vive de atrasar os impostos que faltam às obras, creches, postinhos e outras necessidade”, ressaltou. Por que isso é um segredo do governo?

Cícero quer saber quem são os cem maiores devedores de impostos de Gaspar e se não são os mesmos de sempre que se beneficiam dos perdões dados pelos políticos no poder de plantão. Trabalham com o dinheiro dos cidadãos e os deixam na mão nas suas necessidades, segundo o vereador. Cícero está certo, mas vai tomar um chá de cadeira daqueles, num ambiente feito de interesses poderosos e pouca transparência. Acorda, Gaspar!

 

Edição 1914

Comentários

Miguel José Teixeira
15/08/2019 16:39
Senhores,

O TSE injetou sangue nos zumbis PeTralhas Catarinenses.

O "coveiro manquinho" ressurgiu e já planeja viagens por conta do erário ao presidiário lula em Curitchiba.

Pois é. . .de hora em hora a coisa piora!

Da nota abaixo: BOLSONARO GARANTE RECURSOS PARA INAUGURAR BR-470 EM 2020", pincei:

". . .Faltou apenas o deputado Pedro Uczai, do PT. . ." e, em breve, faltará também a deputada Ana Paula Lima, do PT. . .

A escória das escórias nunca defendeu os pleitos de Santa Catarina. Nem mesmo quando estavam com a faca e o queijo na mão!
Herculano
15/08/2019 15:19
MUNIÇÃO DISPONÍVEL CONTRA CRISE QUE NUNCA ACABOU PODER ESTAR PERTO DO FIM, por Fernando Canzian, no jornal Folha de S. Paulo

Pânico nos mercados tem mais do que razões conjunturais, e perda de renda da classe média ajuda a explicar o risco de uma nova recessão

O pânico que tomou conta dos mercados tem mais do que razões conjunturais, baseadas em dados negativos de produção em 3 das 5 maiores economias do mundo.

A venda pesada de ações sugere que investidores estão acordando para problemas estruturais na economia mundial, como a estagnação da renda, e reconhecendo a cada vez mais limitada munição que os bancos centrais dispõem para enfrentar uma eventual grande crise.

O mercado global estava tenso desde o fim de julho, quando Alemanha e Reino Unido revelaram quedas na produção industrial para o menor patamar em sete anos.

Ontem, enquanto a China divulgava que suas fábricas caíram para o ritmo mais lento em 17 anos, a Alemanha anunciou encolhimento de 0,1% do PIB no trimestre até junho.

Ruins o bastante, as notícias se apresentaram no precário palco de fundamentos da economia mundial; e diante de investidores que já vinham fugindo de aplicações de risco como ações.

Existem hoje no mundo US$ 15 trilhões (mais que o PIB da China) de investidores aplicados em títulos públicos de baixo risco e que rendem menos do que a inflação.

O dinheiro está lá porque os seus donos preferem perder um pouco a expô-lo a riscos. Diante do pânico desta quarta (14), houve nova corrida para esse tipo de papel, sobretudo nos EUA.

Outros investidores têm fugido para o ouro, e o metal já acumula alta de 27% em 12 meses. Ou para notas físicas de US$ 100, cuja demanda hoje é recorde, segundo o FMI, porque investidores temem tanto tensões geopolíticas quanto o colapso dos mercados.

Apesar da aversão ao risco, índices das Bolsa de Valores de Nova York vinham batendo recordes históricos, mesmo sem que o lucro projetado de muitas empresas justificasse o valor dos papéis.
Como assim?

O aparente paradoxo é explicado pelas decisões que os bancos centrais das principais zonas econômicas do planeta tomaram desde a grande crise global de 2008-2009.

Para salvar o mundo de um colapso, eles baixaram agressivamente suas taxas básicas de juro e injetaram desde então cerca de US$ 15 trilhões no mercado global comprando títulos de governos e de empresas em dificuldades.

Como acontece com qualquer mercadoria, a maior oferta de dinheiro na praça fez seu custo diminuir, e o mundo se endividou como nunca. Somadas, dívidas de governos, empresas e famílias se aproximam agora de US$ 250 trilhões, o equivalente a 320% do PIB global e um recorde de todos os tempos.

Grandes quantidades desse dinheiro foram utilizadas por investidores e empresas para comprar debêntures e ações, o que explicaria a forte alta dos mercados até aqui.

No caso do endividamento recorde das famílias, não se trata disso. Ele seria o sintoma da perda consistente de renda que elas têm sofrido ao longo de décadas ?"e o que estaria por trás do risco de uma nova recessão global.

Como a Folha vem mostrando na série Desigualdade Global, a classe média nos países do Ocidente ?"onde vivem 85% das pessoas de alta renda?" vem perdendo há décadas participação nos rendimentos totais, o que a tem levado a consumir menos.

Nos EUA, a metade mais pobre praticamente não teve aumento real na renda nos últimos 40 anos, o que tornaria inviável ao país manter um crescimento sustentável só com endividamento.

Além de seus efeitos econômicos, a estagnação da renda também já teria levado o mundo a escolhas, pelo voto, de respostas populistas como Donald Trump nos EUA e o brexit no Reino Unido.

O primeiro agora ameaça piorar ainda mais as coisas com sua guerra comercial contra a China; o segundo, enfraquecendo a já combalida economia europeia.

Assim, além dos dados conjunturais de ontem, há duas boas razões para se preocupar: não se resolve o problema da distribuição de renda facilmente; e os bancos centrais talvez já tenham gasto boa parte da munição disponível em uma crise que nunca terminou de fato
Herculano
15/08/2019 15:08
da série: o palanque da duplicação BR 470 - usado pelo PT e MDB por 12 anos - parece, finalmente com os dias contados, se Bolsonaro não for igual aos antecessores.

BOLSONARO GARANTE RECURSOS PARA INAUGURAR BR-470 EM 2020, ´pr Moacir Pereira, no Diário Catarinense, da NSC Florianópolis.

Num clima descontraído, o presidente Jair Bolsonaro recebeu durante uma hora e dez minutos os 3 senadores e 15 dos 16 deputados federais de Santa Catarina para um café da manhã hoje no Palácio do Planalto. Faltou apenas o deputado Pedro Uczai, do PT, o único que votou contra a reforma da previdência.

Bolsonaro ouviu um a um os senadores e os deputados federais sobre os principais pleitos da população catarinense, com consenso em torno da conclusão das obras da BR-470 no Vale do Itajaí.

Deu a palavra ao ministro de Infraestrutura, Tarcisio Freitas, que demonstrou pleno conhecimento sobre a realidade das rodovias federais.

O presidente agradeceu os votos dos catarinenses, e, a expressive votação da bancada na votação da reforma previdenciária.

Prometeu retornar ao Estado em outubro para participar da Oktoberfest, evento que prestigiou, lembrando até a participação no desfile da Planetopeia.

VALE

O coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado Rogério Mendonça(MDB), classificou de excelente e produtiva a reunião com Jair Bolsonaro. Disse que nunca houve uma reunião tão positive e descontraída com um presidente da República. E informou que após a reunião, Bolsonaro ficou a vontade, fotografando com os parlamentares e com os assessores que se encontravam na antesala.

Após o encontro, Peninha colocou o ministro da Infraestrutura, Tarcisio de Freitas no telefone, que anunciou ações do governo para reforço da receita em setembro, quando então pretende anunciar mais recursos para o DNIT em Santa Catarina.

-Nossa prioridade é entregar 21 km da BR-470 até fim do ano. Vamos atacar e terminar os lotes 1 e 2. Agilizaremos medidas para desapropriações dos lotes 3 e 4, priorizando o Viaduto da Mafisa e o trevo de Pomerode, principais gargalos.

O ministro revelou que pelos planos do Ministério de Inifraestrutura a BR-470, nos quatro trechos, deverá ficar pronta em 2020.
Herculano
15/08/2019 13:12
ANA PAULA LIMA, PT, É DEPUTADA FEDERAL, DECIDE A SUPERIOR TRIBUNAL ELEITORAL

A divergência é longa. Mas, por maioria, o STE decidiu hoje, quinta=feira, reconhecer os 491 votos da candidata petista Ivana Laís da Conceição para a legenda petista. E com os votos de Ivana, Ana Paula é deputada. Faltava uma certidão para Ivana e a candidatura dela tinha sido impugnada por isso na contagem final dos votos.

Com a decisão do TSE, quem perdeu o mandato foi o deputado Ricardo Guidi, PSD, do Sul do Estado.

O Vale do Itajaí ganha um deputado federal? Ganha, mas pouco poderá fazer pela região: é oposição a Jair Bolsonaro e a ação de Ana Paula é fundamentalmente ideológica. Assemelhada a presidente do partido, Gleise Hoffmann.

Ela é umbilicalmente ligada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Então, com o governo de Jair Bolsonaro, PSL, será zero para travar batalhas em favor da região, entre elas, a duplucação da BR 470 que só avançou com Bolsonaro, apesar dos palanque petista por várias eleições. Sobram, as emendas impositivas, e que não são poucas.

E a situação do marido de Ana Paula, Décio Neri de Lima, presidente do PT catarinense? Ele estava de malas prontas para o PDT. É quase certo, depois de hoje que tenha que desembarcar dessa viagem.

E o que isso tem a ver com Gaspar? Tudo! Se Décio não mudar de partido, Pedro Celso Zuchi e os seus, também não mudam. A imagem de Zuchi é boa nas pesquisas, mas elas próprias, por sua vez, essas mesmas pesquisas - e que estão nas mãos dos petistas e outros - mostram que o sobrenome PT é um problema que o prejudica sobremaneira os candidatos seja a prefeito, vice ou a vereança. Acorda, Gaspar!
Herculano
15/08/2019 11:35
O PRESIDENTE JAIR BOLSONARO, PSL, GARANTIU HOJE EM BRASÍLIA, QUANDO RECEBEU O PREFEITO MÁRIO HILDEBRANT, SEM PARTIDO, AS RAINHAS E OUTROS DA COMITIVA, QUE VIRÁ À OKOBERFEST EM OUTUBRO

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: SERÁ QUE O GOVERNADOR CARLOS MOISÉS DA SILVA,PSL, SE BOLSONARO NÃO APARECER POR QUESTÕES CIRCUNSTANCIAIS QUE CERCAM A PRESIDÊNCIA, VIRÁ?
Herculano
15/08/2019 08:17
UM CAMINHO POSSÍVEL PARA O PAÍS, por Fernando Schuller, professor do Insper e curador do projeto Fronteiras do Pensamento. Foi diretor da Fundação Iberê Camargo, no jornal Folha de S. Paulo

Vai se desenhando, na prática, um novo arranjo político, feito de um paradoxo

À época em que Donald Trump ainda montava seu governo, após as eleições de 2016, o veterano líder democrata Newt Gingrich fez um alerta: não tratem o novo estilo presidencial como uma bizarrice. Há certo método ali. O recado era para a mídia, que havia entrado de cabeça na polarização política. Mas servia para muito mais gente. Gingrich resumia o método Trump: "você tem que ter coelhos que a mídia vai perseguir, ou eles vão inventar seus próprios coelhos".

Ter a hegemonia, no mundo politico, funciona assim. Você dá a pauta e escolhe as armas do jogo, e os outros correm atrás. Na era do populismo eletrônico, isso é feito frequentemente de maneira grotesca. O líder político, que deveria agir como estadista, buscar consensos, falar com todos de modo igual, funciona ele mesmo como o agitador-chefe do país. Estes dias me corrigiram: como humorista-chefe. Ok, há gosto para tudo.

Boa parte dos coelhos inventados pelo presidente não faz sentido nenhum. Não passa de conversa fiada, por exemplo, dizer que o governo não irá financiar filmes que agridam "nossa tradição judaico-cristã". Incentivos culturais são regidos por lei e a escolha de filmes (felizmente) independe da vontade presidencial. Imagino que Bolsonaro saiba perfeitamente disso. Sua insistência nesse tipo de bravata diz respeito ao tal "método".

Boa parte do mundo intelectual gosta desse modus vivendi. As provocações presidenciais são um jogo fácil de jogar. São uma disputa de "valores", como me disse, dias atrás, um ativista. É isso. Bate-boca em torno de valores é o terreno no qual Bolsonaro ganhou as eleições, sente-se bem e sabe mobilizar sua legião de seguidores. Ele sabe que, para azar do bom debate público, as pessoas não irão se mobilizar em torno da nova lei de recuperação judicial e do marco legal do saneamento básico. E isso não tem conserto.

O ponto interessante é que, em meio à estridência política, o país vem construindo, gradativamente, um novo centro político. Ele funciona no Congresso e vem dando as cartas na aprovação de uma agenda de reformas. A última foi a MP da Liberdade Econômica, na Câmara. Vai se desenhando, na prática, um novo arranjo político, feito de um paradoxo: exasperação e certo tom delirante, no mundo da retórica política, e relativa convergência e capacidade de produzir consensos na tomada de decisão institucional.

O mundo real vai superando a velha ideia de que não funcionaria um arranjo político em que o presidente não contasse com um bloco majoritário estável no Congresso. O fato é que o sistema se reciclou, novos atores ocuparam o centro político e funcionam à base de um protagonismo compartilhado. Rodrigo Maia, espécie de oposto estético do presidente da República, é sua expressão mais nítida: hostilizado pelo ativismo digital governista, atua, não obstante, como o fiel da balança da agenda estrutural do próprio governo.

Nesse processo, duas visões de mundo vão ficando para trás: a agenda econômica da esquerda e a chamada pauta de costumes da nova direita. A primeira tem sido essencialmente reativa e historicamente avessa a tudo que diga respeito à modernização do Estado e da economia. Sua narrativa remonta aos anos 1980. Não à transição, não à Constituição, não ao real, não à Lei de Responsabilidade Fiscal, e por aí andamos até os últimos resmungos ainda agora, na reforma da Previdência e na votação da MP 881 (Liberdade Econômica).

A agenda de costumes, com a qual Bolsonaro ganhou as eleições, é a contrapartida cultural do atraso econômico da esquerda. Ela corre no sentido inverso da boa tradição republicana e, além disso, é politicamente inviável. Sempre que o governo insistir por ali será barrado pelo Congresso. Isto já aconteceu com a flexibilização do Estatuto do Desarmamento e o Escola sem Partido. Se passar no Congresso (o que é difícil), tudo será devidamente "metabolizado" pelo Supremo.

Saldo positivo disso tudo é a percepção de que há um caminho possível para o país, longe do atraso cultural da nova direita e do atraso econômico da velha esquerda. Essa é a mensagem que o avanço da agenda reformista, no Congresso, desde a PEC do Teto de Gastos, e os insucessos da agenda conservadora, nos oferecem. O ensaio de um país que deseja ser simultaneamente moderno, no terreno econômico, e laico, aberto e plural, no plano das instituições.
Herculano
15/08/2019 08:09
BRASIL PODE OFERECER SEMENTES PARA REFLORESTAR PAÍSES EUROPEUS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) gostaram da sugestão do deputado José Medeiros (PSD-MT), oficializada ao governo, para que o Brasil envie sementes para o reflorestamento da Alemanha, da Noruega e da França, que devastaram suas matas. "Mas para plantar, teriam antes que demolir muitas de suas cidades para desocupar as áreas de proteção ambiental", que destruíram, ponderou o ministro. Já Jair Bolsonaro, ironizou a decisão do governo alemão de suspender o envio de recursos para projetos de proteção da floresta amazônica.

REFLORESTAR É PRECISO

A ideia do deputado é que reflorestem esses países "tudo o que já foi desmatado em seus territórios" e contribuam para o meio ambiente.

ALEMANHA FAZ SILÊNCIO

Indagada por e-mail, a embaixada da Alemanha, país onde só restam 2,5% da Floresta Negra, não comentou a oferta de sementes.

BOM SENSO NESTA HORA

Medeiros não incluiu o Vaticano entre os destinatários de sementes. Com apenas 44 hectares de extensão, "seria exigir demais".

ALEMANHA É QUE PRECISA

Bolsonaro sugeriu que a chanceler Angela Merkel utilize o dinheiro que seria enviado ao Brasil para reflorestar a Alemanha. "Pegue essa grana (R$80 milhões) e refloreste a Alemanha, ok?" E concluiu: "Lá, está precisando muito mais do que aqui".

BOLSONARO BLINDA O PORTA-VOZ E EXPõE WAJNGARTEN

A demissão do ex-secretário de Imprensa Paulo Fona após 7 dias no cargo mostrou como está "mal na foto" o secretário de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten, que o nomeou. Na manhã de terça (13), Bolsonaro ouviu de ministros críticas à comunicação como "o maior problema" do governo, e resolveu agir. Demitiu Fona, deixando clara sua insatisfação, e blindou o porta-voz de subordinação a Wajngarten. Mas manteve a Secretaria de Imprensa sob o comando da Secom.

NOVO ENDEREÇO

A equipe do porta-voz Otavio do Rêgo Barros ficará alojada na Secretaria de Governo do general Luiz Eduardo Ramos.

HABILIDADE EM CAMPO

Ramos tem sido muito hábil coordenando uma solução consensual para a qual já conta com a boa vontade de Rêgo Barros e Wajngarten.

GORDURA PESSOAL

Wajngarten não foi demitido, como se aventou, porque Bolsonaro gosta dele e confia no seu talento para destravar a área de publicidade oficial.

NOVO ATAQUE A BRASÍLIA

O ministro Walton Alencar não gosta do governador do DF, nem parece ter apreço por Brasília, onde vive: liderou outra decisão do TCU para criar dificuldades à gestão do DF, proibindo o uso de recursos do fundo constitucional para aposentados e pensionistas de educação e saúde.

SEM DINHEIRO PÚBLICO

Pela primeira vez na história recente, a "Marcha das Margaridas", realizada a cada quatro anos, foi realizada sem dinheiro público. Mas ainda assim mobilizou muitas "mortadelas".

LADAINHA DE SEMPRE

A Polícia Militar do DF estimou em 35 mil os presentes nos atos contra a reforma da Previdência e a Marcha das Margaridas. Já a organização dos atos, diz que foram 100 mil pessoas, a mesma estimativa de 2015.

QUE PAPELÃO

Velha militante do PCdoB, Delaíde Arantes não faz ideia do seu papel institucional de ministra do TST. Recusou-se a participar da cerimônia em que autoridades como o presidente da República (o primeiro a comparecer) receberam a Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho.

STALKING É CRIME

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o Projeto de lei que tipifica o crime de perseguição obsessiva (stalking, em inglês), com pena de 6 meses a 2 anos de prisão. O projeto vai à Câmara.

DEMISSÃO NO DETRAN/SP

O governador de São Paulo, João Doria, demitiu o diretor do Detran-SP, Maurício Alves, acusado de ser o pivô de esquema montado para favorecer a Tecnobank, empresa ligada à B3/Bovespa que realiza registro de contratos de financiamento de veículos, o gravame.

NÃO DÁ TEMPO

A Comissão de Trabalho da Câmara aprovou projeto anti-nepotismo com a emenda de Kim Kataguiri (DEM-SP), que barra a nomeação de parente de autoridade para os cargos de ministro e embaixador. Rodrigo Maia garante que isso não vai atrapalhar Eduardo Bolsonaro.

OUTROS TEMPOS

A UEFA Champions League chegou a 250 mil espectadores no jogo entre Liverpool e Chelsea, pela UEFA Supercup, ontem. Mas tudo através da transmissão no Facebook, sem nenhuma TV ligada.

PENSANDO BEM...

...agora, para o PT, Palocci é delator da Lava Jato, mas já foi "o cara do cara".
Herculano
15/08/2019 08:00
PLANO DO GOVERNO PARA MUDAR RECEITA E COAF REFLETE OPORTUNISMO, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Aliança entre Planalto e STF contra abusos acelera esforço para estancar a sangria

O ex-senador Romero Jucá deve estar com inveja. Em poucos meses, o novo governo pôs de pé um pacote para estancar a sangria e redefinir a atuação de órgãos encarregados de fiscalizar atividades financeiras. A ideia ganhou velocidade rara depois que os farejadores se aproximaram da família do presidente e de outras autoridades.

Nas últimas semanas, o ministro Paulo Guedes anunciou a intenção de fatiar a Receita Federal e mudar a estrutura do Coaf - que produz relatórios sobre movimentações suspeitas de dinheiro. O objetivo declarado é limitar a influência política sobre as duas entidades e reduzir sua autonomia para evitar abusos.

Não foram poucas as ocasiões recentes em que órgãos de fiscalização ultrapassaram as fronteiras da lei, mas o movimento de reforma, por enquanto, cheira a oportunismo.

A atuação do Coaf e da Receita tem sido alvo de críticas justas das figuras mais poderosas da cena política. A insatisfação parece ter criado entre os personagens dispostos a frear esses excessos uma aliança incomum ?"com o Supremo, com tudo.

A decisão do ministro Dias Toffoli de suspender investigações baseadas em relatórios detalhados do Coaf, a pedido da defesa de Flávio Bolsonaro, lançou a primeira ponte. O freio nos inquéritos deu respaldo à articulação do governo para fazer mudanças no funcionamento do órgão, especialmente depois que o presidente do conselho criticou o despacho de Toffoli.

O STF abriu mais um caminho ao mandar interromper apurações da Receita sobre movimentações financeiras de ministros do tribunal. Em pouco tempo, a equipe de Bolsonaro começou a esboçar um novo organograma para a entidade, a fim de circunscrever seus trabalhos.

A atuação ilegal de alguns auditores e servidores explica a reação, mas ela já nasce contaminada pelas circunstâncias políticas. Mudando algumas letras de lugar, o redesenho institucional pode muito bem se transformar num projeto de esvaziamento das estruturas de controle.
Herculano
14/08/2019 15:13
O CRIME COMPENSA NO BRASIL, ASSEGURAM OS POLÍTICOS ELEITOS PELOS CIDADÃOS, AOS CRIMINOSOS

De Milton Neves, no twitter:

Existe alguma análise técnica e sem torcida desse pacote anti-crime do Moro? Pq só se ouve que "Moro sai derrotado" pra tudo que é lado e ninguém avalia se quem sai derrotado é o país. Há quanto tempo se fala que é "necessário mudar as leis pq o crime compensa no Brasil". E aí?
Herculano
14/08/2019 14:03
QUEDA

De Juliana Rosa, no twitter:

Diretor do Banco Central, João Manoel Pinho, prevê queda grande de juros com aumento da competição provocada por Open Banking, que deve começar a valer este ano e abre mais informações dos clientes ao setor financeiro
Herculano
14/08/2019 14:01
ALGUMA COISA ESTÁ MUDANDO EM BLUMENAU

Há dias um coordenador fiscal comissionado que atua no meio ambiente foi flagrado, preso e demitido por exigir propina para fechar o olho para algo que ele dizia ser irregular numa terraplanagem.

Hoje, foi a vez de um outro fiscal, cobrar para fechar o olho para a falta de alvará de construção.

Se a moda pega, e devia pegar, não só em Blumenau, tudo vai melhorar, inclusive na ocupação urbana e na cidadania.
Herculano
14/08/2019 13:57
PT RECEBEU R$ 270,5 MILHõES EM PROPINA, DIZ PALOCCI

Conteúdo de O Antagonista. Antonio Palocci disse em delação que o PT recebeu R$ 270,5 milhões em propina entre 2002 e 2014, informa a Veja.

Os valores eram doados por empresas para campanhas, mas em troca de favores: para cada doação, havia uma contrapartida
Herculano
14/08/2019 13:53
da série: este editorial foi escrito muito antes da abertura dos mercados nesta quarta-feira. Mas, o mundo está em transe. E as mudanças no Brasil é só para não ficarmos no fundo do poço, mas no poço. Não há muitas alternativas. O único que ainda não se seu conta foi Jair Messias Bolsonaro, PSL, que pouco entende e apoia Paulo Guedes e sua turma

ALERTA NAVEGANTES, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Indicadores não permitem diagnóstico claro, mas cenário econômico é alarmante

A temida palavra voltou à cena depois que o índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br), que reúne dados de indústria, serviços e agropecuária, apontou encolhimento no segundo trimestre, como já ocorrera no primeiro.

A hipótese de o país estar novamente em recessão, infelizmente, não é despropositada, ainda que o indicador do BC não tenha a capacidade de predizer o resultado do Produto Interno Bruto - e ainda que mesmo o registro de duas quedas trimestrais consecutivas do PIB não baste para caracterizar o início de um ciclo recessivo.

Levam-se em conta diversos fatores para tal diagnóstico, e nenhum deles parece conclusivo hoje.


A intensidade da retração, em primeiro lugar, mostra-se baixa. O PIB, que busca mensurar a renda geral do país, caiu 0,2% de janeiro a março, ante os três meses anteriores. Já o IBC-Br teve oscilação negativa de 0,13% de abril a junho. Variações inferiores a 0,5%, positivas ou negativas, não significam impacto relevante para o período.

Quanto ao emprego, a melhora permanece, mas em ritmo muito lento. A taxa de desocupação chegou a 12% no trimestre encerrado em junho deste 2019, pouco abaixo dos 12,4% do período correspondente de 2018. O rendimento médio do trabalho, porém, teve recuo de 0,2%, na mesma base de comparação, para R$ 2.290 mensais.

Se os últimos números do setor produtivo e da confiança empresarial foram fracos, um dado mais alentador veio do indicador do Ipea para os investimentos, com elevação no segundo trimestre.

Inexiste dúvida, de todo modo, de que se está diante de um cenário alarmante - ainda mais para um país que está longe de ter se recuperado dos efeitos da profunda crise encerrada em 2016.

Recorde-se, a esse propósito, que a etapa inicial daquela recessão, em 2014, tampouco apresentava indicadores incontestáveis. Estes só surgiriam no ano seguinte, após um estágio de estagnação.

Não se vê o risco de nada tão devastador agora, decerto. Fatores domésticos, inclusive, permitem algum otimismo, como a perspectiva de aprovação da reforma da Previdência e o corte dos juros do BC. O panorama externo, porém, traz ameaças, com tensões comerciais entre Estados Unidos e China e incerteza eleitoral na Argentina.

O?Brasil não pode se dar ao luxo, como já deveria estar claro, de tomar a recuperação da economia como mera questão de tempo.
Herculano
14/08/2019 13:49
MILITÂNCIA BOLSOLULA

Conteúdo de IstoÉ. O PSDB trabalha para emplacar uma nova narrativa visando às eleições de 2020 e 2022. A ideia não é apenas se desvincular tanto do PT, quanto de Bolsonaro com o propósito de se consolidar como uma alternativa real para quem quer fugir dos extremos. Os tucanos querem mostrar também que os dois pólos hoje antagônicos (PT e Bolsonaro) já foram faces da mesma moeda num passado não tão distante. "Se Lula já teve 87% de popularidade, significa que muitos bolsonaristas de hoje foram lulistas no passado. PSDB nunca foi PT", postou hoje o perfil oficial do PSDB no twitter. O militante bolsonarista pode até discordar da tese, mas o próprio Bolsonaro admitiu ter votado em Lula em 2002 contra José Serra. Ou seja, a história é implacável: Bolsonaro, de fato, já foi Lula.
Herculano
14/08/2019 13:45
UFA! ATÉ QUE ENFIM, UM FREIO CONTRA O IMPÉRIO MONOCRÁTICO DO SUPREMO

CCJ DO SENADO APROVA PEC QUE IMPEDE DECISõES MONOCRÁTICAS DE MINISTROS DO STF EM CASOS ESPECÍFICOS

Conteúdo de O Antagonista. A PEC das Liminares foi aprovada hoje na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e poderá ser votada ainda hoje no plenário do Senado.

A proposta impede que um ministro do STF suspenda sozinho a vigência de um ato normativo, lei ou decreto. Nessas chamadas ações de controle concentrado de constitucionalidade, portanto, não caberiam mais decisões monocráticas - pelo texto, os casos deverão ser analisados no plenário, dependendo de maioria absoluta dos votos para a concessão de liminares.

"Um único ministro não pode contrariar a decisão de todo o Congresso Nacional e do presidente da República. Por isso, nesses casos, é necessária a decisão colegiada", defendeu o autor da proposta, o senador Oriovisto Guimarães (Podemos).

Se aprovada no plenário do Senado, a PEC seguirá para tramitação na Câmara.
Herculano
14/08/2019 13:40
NENHUM CATARINENSE

Senadores do grupo #MudaSenado, que querem que Davi Alcolumbre analise os pedidos de impeachment de Ministros do STF: Alessandro Vieira, Alvaro Dias, Carlos Viana, Eduardo Girão, Fabiano Contarato,Jorge Kajuru, Lasier Martins, Leila Barros,Lucas Barreto, Luis Carlos Heinze,Major Olímpio, Marcos do Val, Oriovisto Guimarães, Plínio Valério, Reguffe, Rodrigo Cunha.,Luíza Selma, Soraya Thronicke e Styvenson Valentim. Fonte: Vem Prá Rua.
Herculano
14/08/2019 13:36
A ORGANIZAÇÃO DO ROUBO, por Hélio Beltrão, engenheiro com especialização em finanças e MBA na universidade Columbia, é presidente do instituto Mises Brasil, para o jornal Folha de S. Paulo.

A pior ideia de Marcos Cintra, espécie de Suplicy do imposto único, é a volta da CPMF

Após o martírio da reforma da Previdência, a bola da vez é a reforma tributária. O tema dos impostos é controverso para um liberal consistente. Há de pronto uma objeção de ordem moral. Afinal, em sua essência o ato da taxação não difere moralmente do roubo, pois representa a subtração da propriedade de um indivíduo sem seu consentimento.

O sujeito que objetar ao pagamento do imposto é implacavelmente perseguido por meio de cartas, processos, penhoras e confiscos. Assim como um ladrão nem sempre exibe a arma para que nos submetamos à demanda de lhe passar a carteira, analogamente o imposto representa agressão sobre inocentes.

A questão de como financiar os serviços essenciais a uma sociedade justa, ordeira e próspera sem apelar para a coerção sistemática é relevante, mas de natureza distinta. A opção adotada hoje em dia é a coerção de todos pelo Estado para financiar os gastos considerados necessários pelos políticos, mas não é obrigatório que seja assim no futuro: nada impede que um serviço de interesse público possa vir a ser pago voluntariamente.

É assim no mercado, onde votamos com o bolso e a cada compra asseguramos que o valor desembolsado vale a pena. Todavia, no caso de um serviço público, não há essa garantia: o que pagamos não volta em serviços.

Não surpreende, portanto, que nos últimos anos a dívida do setor público tenha crescido em dez pontos percentuais do PIB ao se bancarem empresários amigos, inchaço do funcionalismo, venda de caminhões com taxas de 2% ao ano e sobretudo a seguridade social insustentável.

Não há, portanto, como discutir uma reforma tributária sem também discutir a diminuição dos gastos do governo.

Mas como taxar? Uns defendem o foco na renda, outros no consumo, mas isso é irrelevante porque o estrago do imposto é universal. Quem tem a obrigação legal de pagar não é quem sofre a incidência do imposto na vida real. Este é em geral o assalariado.

Há inúmeras propostas em discussão no momento. Pelo lado positivo, as propostas endereçam aberrações tais como o custo burocrático de apuração, a insegurança jurídica derivada das ambiguidades e a complexidade de mais de 80 impostos, taxas e contribuições, com alíquotas e bases distintas.

No entanto, em geral as propostas se ocupam em manter ou aumentar a receita de cada nível da Federação. Os proponentes pesam cada alteração levando em conta o impacto na arrecadação e a coibição da competição entre estados e municípios.

A ideia geral é unificar tributos e centralizar a arrecadação no nível federal ou em um comitê em que o governo federal tenha voz forte. É fazer com que serviços paguem mais. É aumentar a base de arrecadação. É eliminar toda e qualquer isenção de impostos.

Todo imposto gera distorção alocativa e impede a neutralidade. A isenção fiscal tem natureza distinta do subsídio. A primeira, ao eliminar impostos, torna a alocação de recursos mais eficiente ao se aproximar do cenário de melhor alocação. A segunda, ao tirar de Pedro para dar a Paulo, prejudica a todos, menos Paulo.

Algumas exceções do sistema atual existem para acomodar justas diminuições de carga para certas atividades. A isenção de alguns impostos para micro e pequenas empresas que empregam 50% da mão de obra brasileira é um privilégio? Não me parece o caso.

A pior ideia do secretário Marcos Cintra, que é uma espécie de Suplicy do imposto único, é a volta da CPMF. Espero que essa ideia siga "blowing in the wind".
Herculano
14/08/2019 13:31
ONGS ARTICULARAM ATAQUE A EMBAIXADAS BRASILEIRAS, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nesta quarta-feira nos jornais brasileiros

?"rgãos de inteligências concluíram que ONGs estrangeiras que atuam na Amazônia estão por trás de atos de vandalismo contra a embaixada brasileira em Londres. Essas ONGs, que perderam espaço e poder no governo Bolsonaro, articularam ataques em várias capitais europeias, mas somente a ONG porralouca "Extinction Rebellion" (algo como "rebelião contra extinção"), do Reino Unido, topou a tarefa. O Brasil já endereçou reclamação ao governo local exigindo segurança.

IDEIA ERA COINCIDIR

A ONG deu à polícia pistas da articulação, como a intenção de coincidir o crime com o protesto de índias em Brasília, também nesta terça (13).

IMPRESSÃO DIGITAL

Vândalos emporcalharam a fachada da a embaixada com tinta vermelha e pichações citando, claro, questões ambientais e indígenas.

JARGÃO ERA PETISTA

Os delinquentes protestaram também contra a eleição democrática do presidente do Brasil, repetindo frases petistas como "ele não".

ONG TERÁ DE PAGAR

O embaixador Fred Arruda fez divulgar nota contra o vandalismo e vai à Justiça, se necessário, para a ONG pagar os prejuízos causados.

SENADOR LEMBRA QUE STF INDICOU FILHO DE MINISTRO

O Supremo Tribunal Federal (STF) não decidirá contra a indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para o cargo de embaixador em Washington porque, caso houvesse ilegalidade, não teria indicado o filho de um ministro da própria corte, Carlos Veloso, ao Tribunal Superior Eleitoral. "O princípio é o mesmo", diz o senador Eduardo Gomes (MDB-TO), que apoia a indicação do filho do presidente até pelas qualidades que reconhece no deputado já no segundo mandato.

SEM EX-MINISTRO

No STF não há "ex-ministro" e sim ministro aposentado, por isso, se houvesse ilegalidade, o filho do ministro não teria sido indicado.

SEM NEPOTISMO

O STF já firmou entendimento de que não há nepotismo, por isso avalizou a indicação de Carlos Veloso Filho para integrar o TSE.

Só PARA PROFISSIONAIS

É outro o erro de Bolsonaro, indicando o filho embaixador: diplomacia não é para amadores, sobretudo em posto como Washington (EUA).

PASSOU DO PONTO

Hélio José, senador entre 2014 e 2018, foi condenado a indenizar a deputada Paula Belmonte (PPS-DF) por danos morais. Ele ofendeu a imagem e honra da deputada, acusando-a de compra de votos.

DEBOCHE

O desembargador do TJ-SP Luiz Soares de Mello, que mandou Alexandre Nardoni de volta para a cadeia, concorda: é um "deboche" com a população a concessão de "saidão" da cadeia no Dia dos Pais para quem matou os pais ou os filhos. "Sou população também", diz.

FICA NA CÂMARA

Apesar de ter sido expulso do PSL, o deputado Alexandre Frota (SP) não está sujeito a perda de mandato. Ele ficaria sujeito à perda de mandato se tivesse saído voluntariamente. Só senador pode fazer isso.

O QUE INTERESSA

Três das cinco notícias mais lidas da semana no site do PT tratam do "diálogo cabuloso" entre chefe da facção criminosa PCC, com o partido de Lula e Dilma, que agora está insatisfeito com o governo, claro.

PT CELEBRA RECESSÃO

A Perseu Abramo, fundação política do PT, comemorou a possibilidade de recessão técnica na economia brasileira, após a derrota de Macri na Argentina. Só lamentou que não houve mais espaço para a boa nova.

PARTIDO DO PETROLÃO

Patrocinado por partidos como o PT e PCO, e grupos como MST, CUT e CTB, todos alinhados com o partido do Mensalão e do Petrolão, os protestos de ontem foram por "Lula Livre" e "Fora Bolsonaro". Pouco se protestou "pela Educação", como foi prometido nas redes sociais.

CURSINHO ELEITORAL

O sucesso do RenovaBR, que elegeu 17 das 133 pessoas formadas no curso que oferece, fez multiplicar por 10 o total de matriculados, de 445 cidades. O curso de olho nas eleições de 2020 vai durar quatro meses.

DIA DO PROTESTO

Neste dia 14 de agosto é celebrado o "Dia do Protesto". Depois de tantos anos de manifestações, impeachment e indignação, a data já deveria ser feriado no Brasil.

PENSANDO BEM...

...a nomeação de Eduardo Bolsonaro está servindo de VAR: a maior ferramenta para os juízes que querem aparecer.
Herculano
14/08/2019 13:19
A FALTA QUE FAZ UM CHANCELER, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Médici, Geisel e Figueiredo tinham suas opiniões, mas sabiam que deviam ouvir os profissionais

A declaração de Jair Bolsonaro de que a derrota de Mauricio Macri na prévia eleitoral argentina pode significar uma vitória da "esquerdalha" de Dilma Rousseff, Hugo Chávez e Fidel Castro, foi coisa inédita, assombrosa.

Ele pode achar o que quiser, mas não tem mandato para meter o Brasil numa disputa eleitoral argentina.
Falando de questões internas, pode se intitular "Capitão Motosserra" ou expor sua teoria da relação do meio ambiente com o cocô. Bolsonaro é assim e sem dúvida prefere ver os brasileiros discutindo cocô em vez do cheiro de uma recessão na economia.

Bolsonaro não gosta dos governos civis que o antecederam. Tudo bem. Ficando-se com os exemplos que lhe deixaram os militares, salta aos olhos uma lição: falta-lhe um chanceler, ou, pelo menos, um ministro das Relações Exteriores com as qualidades profissionais de Mário Gibson Barboza (governo Médici), Azeredo da Silveira (Geisel) e Ramiro Guerreiro (Figueiredo).

Os três descascaram abacaxis nas relações com a Argentina sem criar atritos. Graças aos dois primeiros, conseguiu-se negociar em relativa harmonia a construção da hidrelétrica de Itaipu.

Médici aguentou um desaforo do general-presidente Agustín Lanusse. Numa visita a Brasília, ele enfiou um caco no discurso que fez no Itamaraty, e sua comitiva chegou à grosseria de cortar do comunicado conjunto uma referência à "inquebrantável amizade" dos dois países. Na costura da calma estava Mário Gibson.

Lanusse foi substituído pelo demagogo larápio Juan Perón. Tinha tudo para acabar em encrenca. Ele vivia exilado na Espanha. Em 1964 tentou descer na Argentina mas foi barrado pelo governo brasileiro no aeroporto do Galeão e teve que voar de volta. Ainda por cima, era amigo do presidente deposto João Goulart e assumiu criando dificuldades para a construção de Itaipu.

O general Ernesto Geisel detestava-o e disse ao embaixador brasileiro em Buenos Aires, Azeredo da Silveira, que não negociaria "com quem está de má-fé, sem honestidade de propósitos".

O diplomata não havia sido convidado para o ministério e sabia que estava numa sabatina, mas disse ao general: "Mesmo assim, é preciso negociar". Geisel negociou.

Perón morreu sem que a ditadura brasileira encrencasse com seu governo ou com o de sua substituta, a vice Isabelita, uma ex-dançarina de cabaré panamenho.

Coube a Ramiro Guerreiro, o chanceler de João Figueiredo, o melhor lance da diplomacia dos generais com a Argentina. Em 1982, ela era presidida pelo general Leopoldo Galtieri, um cavalariano chegado ao copo, que mantinha boas relações com Figueiredo.

Com a popularidade em baixa, Galtieri resolveu invadir naquele ano a possessão britânica das ilhas Malvinas. Se dependesse de Figueiredo e dos militares que o cercavam, o Brasil ficaria do lado da Argentina.

Coube a Guerreiro tomar distância. Não podia ficar perto da maluquice de Galtieri, mas também não podia se aproximar da inevitável vitória dos ingleses. Algo como tirar a meia sem descalçar o sapato, e Guerreiro conseguiu.

(Meses depois, a diplomacia brasileira conduziu uma gestão para que os ingleses devolvessem o capitão Alfredo Astiz, que se rendeu nas Malvinas. Tremenda sorte a de Astiz, pois recebeu o tratamento que merecem os soldados. Ele havia sido um dos maiores assassinos da ditadura militar argentina que sucedeu Isabelita Perón. Era apelidado de Anjo Ruivo da Morte. Está na cadeia.)

Médici, Geisel e Figueiredo tinham suas opiniões, mas sabiam que na Presidência deviam ouvir os profissionais. Por sorte, tiveram Gibson, Silveira e Guerreiro.
Herculano
14/08/2019 13:15
CADA QUADRADO NO SEU QUADRADO, por Carlos Brickmann

Um economista que sabe das coisas diz que se você volta à Argentina vinte dias depois de ter saído, vê que tudo mudou. Se volta depois de vinte anos, vê que nada mudou.

Faz uns noventa anos que a Argentina, com raros intervalos, é peronista. Houve até luta armada e sangrenta entre peronistas de extrema direita e de extrema esquerda. Inimigos, inconciliáveis, mas todos peronistas.

É difícil de entender? Por isso mesmo o presidente Bolsonaro se coloca em má posição ao envolver-se na política interna de los hermanos. Põe em risco, por exemplo, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, importantíssimo para nosso futuro. Ameaça as boas relações com nosso terceiro maior parceiro comercial, que nos rende uns 4 bilhões de dólares ao ano de superavit. Esquece que a Argentina é o país que mais importa carros brasileiros. Não se diga que que lutar contra a esquerda é mais importante do que manter boas relações comerciais e de amizade com nosso vizinho. A China é uma ditadura comunista, que mantém fortes laços com um partido que faz oposição ferrenha a Bolsonaro, o PCdoB, mas com a China ninguém mexe. Será a Argentina mais esquerdista que a China? Não: essa história de fronteiras ideológicas é para boi dormir. Os argentinos são como são. E não querem nem aceitam conselhos.

CARTÃO AMARELO

Se na eleição argentina se repetir o resultado da prévia, Macri estará derrotado no primeiro turno, e Alberto Fernandez, o poste escolhido por Cristina Kirchner (sua candidata a vice) será o próximo presidente. Se deixar a raiva de lado, Bolsonaro verá claramente o motivo da fraqueza de Macri: ele era a esperança de reverter o caos econômico do kirchnerismo. E não atendeu as expectativas. Seu liberalismo econômico foi para o brejo na primeira oportunidade: como a inflação não cedia, congelou os preços. E, como de costume, não deu certo. Ruim por ruim, escolheram o passado.

MANDA PRA NóS

As incessantes declarações de Bolsonaro sobre qualquer tema que se apresente são levadas a sério no mundo desenvolvido. Já teve problemas com Noruega e Alemanha; e continua falando. A Alemanha cortou 150 milhões de dólares da ajuda à Amazônia como protesto pelo aumento da derrubada da floresta, e Bolsonaro disse que os alemães deixam de comprar a Amazônia em prestações e que não precisamos desse dinheiro. Mas é um dinheiro que faz falta, e que vem a fundo perdido: é dado, não emprestado.

RETRATO DO BRASIL

Os cálculos são da Anefac, Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade, instituição que há meio século se dedica a fazê-los. De março de 2013 até julho de 2019, considerando-se todas as mudanças na taxa básica Selic, os juros reais baixaram 17,24%, caindo de 7,25% ao ano para 6% ao ano. Já os juros cobrados de pessoas físicas subiram 29,05%, subindo de já espantosos 87,97% ao ano para 117,02%. As pessoas jurídicas também foram esfoladas, mas menos: no seu caso, os juros subiram 11,68%, passando de 43,58% para 48,67% ao ano.

ONDE SE GASTA, E COMO

Vale a pena acompanhar a newsletter Don't LAI to Me - um trocadilho bilingue que mistura o "não minta para mim" à LAI, Lei de Acesso à Informação. Nela estão os gastos dos diversos presidentes da República em seus cartões corporativos. Dá trabalho acompanhar, mas vale a pena. É grátis: basta entrar no Google em Don't LAI to me e fazer a ficha. É uma fonte de informações inestimável - e tudo com dados oficiais.

DINHEIRO NÃO FALTA

O presidente do Tribunal de Justiça da Bahia decidiu, no dia 9 último, conceder aposentadoria a um técnico de nível médio, com R$ 30.956,00 mensais. O salário do técnico de nível médio é de R$ 5.767,91 ?" o restante é penduricalho, tipo vantagem pessoal eficiência, vantagem pessoal AFI símbolo, função gratificada, etc. Como há o teto constitucional para quem recebe vencimentos do Tesouro, o técnico receberá R$ 30.471,10. Mas dá para viver. Reforma da Previdência só vale para nós, não para eles.

CHEGANDO AO DESTINO

A Reforma da Previdência deve estar pronta para votação na segunda quinzena de outubro. Com isso, o Governo ganha fôlego para investir e, se trabalhar direito, iniciar a recuperação da economia. Já está no forno a medida provisória da liberdade econômica, que reduz a interferência do Governo nas atividades privadas. A reforma tributária, a proposta pelo deputado Baleia Rossi (que se baseou em estudos do economista Bernard Appy), talvez combinada com a de Paulo Guedes, deve rapidamente ser submetida ao Congresso. Pois, como Macri está demonstrando na Argentina, se a economia não andar o Governo perde as eleições.
Herculano
14/08/2019 13:11
BOLSONARO PEGA CARONA EM MAIORIAS PARA SILENCIAR QUEM INCOMODA, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Governo deturpa conceito de democracia ao tentar impor sua agenda ideológica

Jair Bolsonaro finge que não entendeu ainda o papel de um governo. Fazendo festa para o público evangélico da Marcha para Jesus, no fim de semana, ele disse que não tem preconceitos e não discrimina ninguém, mas avisou que "as leis existem para proteger as maiorias".

O presidente fazia uma defesa explícita da pauta conservadora para frear as chances de expansão dos direitos das minorias. "É a única maneira que temos para viver em harmonia", acrescentou. "O que minoria faz, sem prejudicar a maioria, vai ser feliz. Não podemos admitir leis que firam nossos princípios."

Bolsonaro sabe que as leis existem para garantir os direitos de todos os cidadãos, não de grupos majoritários. Ainda assim, ele prefere fermentar um conceito deturpado de democracia para impor sua agenda ideológica, receber aplausos de seu eleitorado e expandir seus poderes.

O apelo ao desejo da maioria faz parte do livro dos governantes autoritários. Eles agem como se as vontades dominantes numa sociedade fossem uma justificativa para ultrapassar os limites da lei ou retirar direitos de grupos menores.

É verdade que o processo democrático, em geral, é baseado na manifestação da maioria. Ele traz consigo, porém, a garantia de que todos os cidadãos devem ter acesso a liberdades individuais e aos serviços que são desempenhados pelo Estado.

Se o raciocínio da maioria fosse mesmo absoluto, Bolsonaro deveria defender as invasões de terra. A propriedade privada é um direito que pode ser descrito como uma salvaguarda para elites minoritárias.

A mesma lógica parece pautar o filtro político que o governo quer fazer no cinema. Na semana passada, o porta-voz do Planalto disse que os filmes financiados pela Ancine deveriam estar alinhados a um "sentimento cristão", que seria o "sentimento da maioria da sociedade".

Como se vê, o plano não é incentivar uma diversidade que represente cada vez mais brasileiros. A ideia é usar o argumento para a aniquilar o que parece incomodar Bolsonaro.
Miguel José Teixeira
14/08/2019 10:17
Senhores,

Espetacular o artigo abaixo, assinado por Joaquim Falcão, Professor de Direito Constitucional, publicado hoje no Correio Braziliense, que no meu entendimento deveria intitular-se "Carta aberta aos Senhores Parlamentares"

"Ministro Toffoli versus Lava-Jato"

Cinco pontos para melhor entender a tática do ministro Toffoli contra Lava-Jato. Em especial contra Deltan Dallagnol e o ministro Moro. Primeiro, esqueçam, pelo menos temporariamente, a lição do Ministro Celso de Mello, de que o poder do Supremo reside na sua palavra final. O poder agora reside no instante do Ministro presidente. Na liminar monocrática, na definição ou indefinição da pauta, na cotidiana declaração pública, na indevida visita às partes, na distribuição das relatorias. E por aí vamos. Tem poder não quem tem a palavra final: a instituição. Mas quem tem o efêmero instante: o ministro individualmente.

Segundo, o importante é o presidente manter em aberto a possibilidade de agradar e/ou ameaçar a todos, ao mesmo tempo. Seja Lava-Jato. Seja a Presidência da República, o Congresso, os congressistas denunciados, os acordos de leniência, os empreiteiros. Todos. Agradam o presidente Bolsonaro, protegendo e dificultando a investigação de seus filhos. Ao mesmo tempo, fica aberta a possibilidade, a ameaça de prosseguir as investigações. Agradar e ameaçar são faces da mesma moeda.

Manter esta moeda é a arma do ilimite. Produz incerteza judicial e insegurança jurídica permanentes em todo o país. Entra na pauta, sai da pauta, adia a pauta, leva à mesa, não leva, pede vista. As vítimas são as próprias instituições. Liquefeitas, diria Bauman. E também a economia. E o investimento. A expectativa econômica muito vive da expectativa jurídica.

Terceiro, ministro não é Supremo. Nem mesmo presidente do Supremo é supremo. Nem ministro do TCU é o TCU. Nem Corregedor do Ministério Público é o CNMP. Não confundir opiniões, decisões, insinuações, declarações à mídia de ministros individuais com as decisões das instituições a que pertencem. Quem fala por essas instituições são seus plenários. E seus plenários estão prudentemente calados. Quase constrangidos. Processualmente silenciados.

Como os plenários são plurais, a tática dos alto-falantes é evitá-los. Diante de questões polêmicas, é difícil prever o resultado. É melhor adiá-los. Esperando a sombra da liminar do eu sozinho, o momento político propício. Quando conseguir votos suficientes para aprovar suas inclinações, alianças ou interesses pessoais. É o que está acontecendo e aconteceu no Conselho Nacional do Ministério Público. Os processos contra Deltan entram ou não entram em pauta de acordo com os cálculos dos votos que previamente fazem os que controlam a pauta. A pauta da conveniência. Abuso do direito. A fase atual é pressão nos conselheiros.

Até hoje o ministro Toffoli não levou para o plenário sua decisão unilateral e sem previsão constitucional ou regimental de editar e promover inquéritos envolvendo parentes de ministros, inclusive. Criou assim uma espécie de Medida Provisória Suprema que começa a valer no instante em que edita, e na hora silencia o plenário. Com um pequeno e decisivo detalhe. A medida provisória só vale por 60 dias. A Medida Provisória Suprema do ministro Toffoli vale até o dia em que ele queira colocar em pauta.

Quarto, ao ultrapassar limites institucionais, Toffoli coloca uma armadilha para o plenário. Se colocar para apreciação do plenário seu ato unilateral em que se concede autopoderes de investigação, o plenário ficará coagido. Como dizer ao povo que seu presidente fez um ato irregular? Não precisa dizer. Já se sabe. A pesquisa de Rubens Glezer da FGV-Direito São Paulo sobre os pedidos de suspeição mostra claramente. O Supremo, mesmo seu plenário, não quer se julgar. Nem julgar seus pares. Os ministros do Supremo não são suspeitos nunca! Mesmo sendo.

Quinto, esqueçam as discussões jurídicas, as teorias formalistas, doutrinas, jurisprudências. Como a celeuma sobre imparcialidade do magistrado. Um ministro do TCU pode ou não ameaçar os auditores-fiscais? Conflitando com a Receita Federal. Extrapolou ou não sua competência? Pouco importa. Importa é ter acesso, por instante, às informações confidenciais que, por enquanto, não teria.

Vejam a querela da parcialidade da força-tarefa. Vai ser julgada por ministro que, de antemão e de público, diz que se trata de uma organização criminosa. Declaração que não advém de prova ilícita. Mas de registro no cartório da opinião pública. É suspeito. Já pré-julgou. Como julgar as questões envolvendo o presidente Bolsonaro, sem se julgar suspeito?

Alguém se lembra de John Stevens, presidente da Suprema Corte americana, se encontrando amiúde com Trump? Ou do presidente da Corte Constitucional Alemã Andreas Voßkuhlese encontrando-se amiúde com Angela Merkel? Não se encontram. E quando se encontram é publico e protocolarmente. O cerne do poder é a manipulação do tempo. Da expectativa da pauta, da mídia, da opinião pública, das partes, dos advogados e dos demais poderes submissos. No Estado democrático de direito, o poder do presidente do Supremo é o silêncio. O resto é silêncio, diria Hamlet.
Miguel José Teixeira
14/08/2019 09:37
Senhores,

''Há um cansaço do circo inaugurado por Bolsonaro'', diz presidente da OAB.

+ em: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2019/08/14/interna_politica,777034/ha-um-cansaco-do-circo-inaugurado-por-bolsonaro-presidente-oab.shtml

Diante dos fatos, sou obrigado a concordar com o Presidente da OAB.

Apesar do período longo no Exército, Bolsonaro não aprendeu a comportar-se como um militar. Militares falam pouco e suas falas são fulminantes.

Apesar do período extremamente longo que ficou na Câmara dos Deputados, Bolsonaro não aprendeu a comportar-se como um político.

Políticos engolem sapos e lagartos "diurna e noturnamente" (lembando dilmaracutaia, a defenestrada).

Mas algo ele já aprendeu: fazer cortesia com o chapéu alheio.

Prometeu à um filho, a Embaixada no Tio Sam como presente. Parece-me que vai conseguir cumprir sua promessa.

Sabe-se que Embaixadas não pertencem ao Presidente!

Portanto, como vai presentear um filho com uma delas?

Ora, presenteando também os senadores!

E, como um Presidente a República presenteia os parlamentares?

Respostas para Curitchiba, onde, por enquanto, ainda está preso o rei do mensalão, PeTrolão e outros maracutaião, que tinha o hábito de presentear os parlamentares de todas as cores e matizes.

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