Segundo a CPI, devido à mudança da técnica construtiva admitida nos depoimentos e empregada na obra os pagamentos superiores a R$1,5 milhão, é irregular e indevido, tipificando improbidade administrativa - Jornal Cruzeiro do Vale

Segundo a CPI, devido à mudança da técnica construtiva admitida nos depoimentos e empregada na obra os pagamentos superiores a R$1,5 milhão, é irregular e indevido, tipificando improbidade administrativa

25/05/2020

Hoje às 9h foi dia de ler, emendar, votar ou jogar no lixo o relatório do vereador Cícero Giovane Amaro, PL, sobre as possíveis irregularidades da rua Frei Solano, no Gasparinho

Uma reunião marcada para às 13h30 deve sinalizar o desfecho de tudo isso, apesar do prazo final ser amanhã, dia 26
Quem leu diz que o relatório é brando demais diante do que se ouviu nos depoimentos e dos 103 documentos que integram as conclusões de Cícero

Nem a negativa de ‘necrópia’ das obras pela maioria do governo na CPI para constatar se realmente era de concreto armado; se ao menos havia ferro nas caixas de inspeção, ou havia berço de concreto para assentar os tubos, ou havia rejunte de argamassa nos tubos como previa o projeto, a licitação, a contratação, a fiscalização e o pagamento original da obra foi possível

Também nada foi mencionado sobre a decisão da maioria do governo Kleber de impedir o depoimento do engenheiro Vanderlei Schmitz que concebeu a obra. Ele é diretor de habitação, cedido em desvio de fumaça à secretaria

Os vereadores que defendem o prefeito Kleber na CPI (Francisco Hostins Junior, MDB; e Roberto Procópio de Souza, PDT) já externaram várias vezes que não concordam com a CPI e seu desfecho

Depois de armar uma reunião sem a presença do presidente da CPI na quinta-feira e de impedir a leitura do relatório na sexta-feira, receberam uma cópia e sinalizaram que fariam outro relatório na lição de casa do final de semana que passou

Ou Cícero muda as constatações do seu relatório ou o relatório dele vai para o lixo e os representantes de Kleber apresentam o deles referendando à assertividade do corpo técnico e dos secretários em se mudar e pagar diferente daquilo que estava contratado

A outra preocupação dos vereadores que defendem Kleber é que a conclusão da CPI chegue aos órgãos de fiscalização como o MP, TCE e outros

Quem é leitor e leitora desta coluna, sabe desde meados do ano passado, ou seja, há quase um ano, por que só leu aqui, que os questionamentos do vereador Dionísio Luiz Bertoldi, PT, na Câmara, insistiam com o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, sobre informações as quais comprovassem que o que foi projetado, licitado, contratado, fiscalizado e pago nas obras da Rua Frei Solano, batiam com o executado.

Dionísio é morador de lá estava e acompanhando a obra todos os dias. E visualmente constatava os desvios. E foi ele o autor do pedido de CPI junto com os vereadores Cícero Giovane Amaro, PL, Marciluci Deschamps Rosa e Dionísio Luiz Bertoldi, ambos do PT e Silvio Cleffi, então no PSC e agora no PP. Na época era opositor e via graves irregularidades, agora Silvio voltou a ser simpatizante do governo Kleber e também vota pelo enterro da CPI.

Em resumo este é objeto da CPI da Câmara. Em resumo também, esta é a conclusão do relatório do vereador Cicero. Ele escreve de que o que foi pago, devido a esse desencontro construtivo técnico, feito durante a obra, entre o contratado e o executado, gerou pagamentos indevidos pela legislação em vigor ou a que rege as licitações no setor público.

E por que a CPI surgiu?

Porque o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, enrolou-se nas explicações - por birra ou porque sabia que estava fazendo errado. Até mesmo quando foi obrigado a fazer isso por mandado judicial aos requerimentos do vereador Dionísio e aprovados na Câmara e que a prefeitura engavetava, Kleber o fez, muito atraso, de forma parcial, desafiando à própria Justiça, que nada fez sobre esta desobediência à ordem judicial.

UM RELATÓRIO FOCADO NAQUILO QUE SE PROJETOU, LICITOU, CONTRATOU, FISCALIZOU, PAGO, MAS FOI FEITO DE OUTRA FORMA

O relatório de 34 páginas do relator da CPI sobre as possíveis dúvidas das obras da Rua Frei Solano, no Gasparinho, em Gaspar, é brando, na minha avaliação, mas vai direto ao ponto a partir da página 31.

O relator dividiu o seu trabalho de exposição dos fatos, atos e falhas legislativas ou executivas em quatro partes: a) apontamentos sobre o processo licitatório; b) apontamentos sobre a execução da obra; c) apontamentos sobre a fase de liquidação e pagamento das despesas; d) apontamentos sobre a vistoria in loco.

Ele juntou 103 documentos entre eles os do MP e TCE, laudos, planilhas e depoimentos como os de Ricardo Paulo Bernardino Duarte; Jean Carlos de Oliveira; Halan Jones Mores; Walney Agílio Raimondi; Jean Alexandre dos Santos; José Hilário Melato; Miguel Martins de Azevedo; Ademar José Beumer; Arnaldo Assunção; e Mariana Andreazza Bernardi Diehl (esta por escrito pois não compareceu nas vezes em que foi chamada).

Quase ao final dele, o relator escreve que diante das mudanças técnicas aplicadas nas obras é que “adentrando especificamente às liquidações e empenhos verificados [conforme planilha de demonstração anexa ao presente Relatório], aponta-se possível pagamento irregular de R$ 69.817,75 [sessenta e nove mil oitocentos e dezessete reais e setenta e cinco centavos] relativos ao “Trecho nº 1” das obras [vide fls. 1.373, 1374 e outras], por liquidação incorreta [procedida em desacordo com a normal legal]; possível comprovação irregular da liquidação das despesas relativas ao “Trecho nº 2” e ao “Trecho nº 3” [vide fls. 1.566, 1.567, 1.568, 1.615 e 1.622 e outras], pelo não emprego de materiais e métodos construtivos previstos na licitação, disso decorrendo possível pagamento indevido/irregular de R$ 1.492.863,87 [um milhão quatrocentos e noventa a dois mil oitocentos e sessenta e três reais e oitenta e sete centavos], devido ao emprego irregular de material e métodos construtivos [destaque para os itens 13,14,15,16,21,22,23 e 24 do Memorial Descritivo que instruiu a licitação] e, ainda; possível pagamento dos R$ 1.492.863,87 [um milhão quatrocentos e noventa a dois mil oitocentos e sessenta e três reais e oitenta e sete centavos] pela autarquia SAMAE em GASPAR CÂMARA MUNICIPAL desconformidade e sem previsão/autorização tempestiva no Plano Plurianual do quadriênio 2018-2021. Diante disso, tem-se, ao menos em tese, ofensa aos artigos 62 e 63 da Lei Nacional nº 4.320/1964, 10, inciso II, da Lei Nacional nº 8.429/1992 e 1º, inciso V, do Decreto-Lei nº 201/1967”.

O relatório de Cícero mostra, parcialmente, o show de irregularidades cometidas pela prefeitura, Samae, empreiteiras, secretarias de Planejamento Territorial, Serviços Urbanos, da Fazenda e Gestão Administrativa, bem como o corpo de fiscais designados para acompanhar as obras.

Entre elas está a tentativa de fazer a obra pela modalidade de pregão ao invés de licitação como manda a legislação sobre este assunto. Isto foi barrado no Tribunal de Contas. Não mostra, por exemplo, que o projeto só apareceu oficialmente, depois da constituição da CPI. O relatório não aponta com exatidão o sumiço de pelo menos 100 tubos de 2 metros de diâmetros que dizem terem sido usados e pagos num trecho de 272 metros, sendo que lá, só há tubos de 1 metro de diâmetro.

EMPRESAS PEDEM PARA ELAS PRÓPRIA GERAREM PREJUÍZOS CONTRA ELAS MESMAS

O relatório, foca principalmente na mudança da técnica construtiva e que era o objeto da CPI. Para essa mudança, a prefeitura sempre alegou que levou vantagens na velocidade da obra, mas isso, nunca traduziu em ganho efetivo. Basta olhar o calendário. Uma obra que estava prevista para ser executada em três meses já se arrasta por 18 meses.

A outra defesa da prefeitura e dos vereadores do governo, ou que as empreiteiras que promoveram as modificações das técnicas construtivas ou de execução no meio da obra, é que elas tiveram prejuízos, e vejam só, sendo elas próprias propondo essas mudanças com a concordância dos gestores e técnicos da prefeitura.

É difícil acreditar nessa argumentação, ou seja, que uma empresa tenha ganho uma licitação e feito uma obra contra aquilo que sabia que deveria fazer e consciente que por conta dessa mudança de técnica, estaria gerando prejuízos contra ela mesmo, sabendo-se que o objetivo principal da empresa é lucrar nos seus negócios e com as obras que executa.

Nem mesmo, à falta de previsão de escoramentos nas valas com mais de 1,2m de profundidade, por obrigação legal (NBR), foi previsto na licitação e no projeto, também não é mencionado neste relatório.

A fornecedora de tubos admitiu em depoimento que em alguns trechos escorou – e para isso teve prejuízos - e em outros, assumiu riscos com seus empregados para não ter mais custos adicionais, sem que o fiscal da prefeitura tenha tomado providências sobre tal procedimento irregular e temerário contra a integridade física e até vidas dos operários, sabendo-se que a prefeitura era solidária em casos de acidentes.

A prefeitura de Gaspar e os que defendem a obra como foi feita e está sendo entregue, de que testada, funciona. Era só o que estava faltando. Com tantos erros e dúvidas, ela não funcionar, logo no primeiro ciclo de exigência que foi o verão passado.

Entretanto, este não era o objetivo da CPI – se a drenagem funciona ou não. Num ambiente público, onde há concorrência pública, o que a define é o projeto. Se ele muda no meio do caminho, há uma fraude, grosseira, tipificada no direito administrativo, e que retirou da concorrência legal de outro fornecedor que não teve a mesma igualdade de concorrer. Simples assim.

O relatório mostra outra do improviso da prefeitura nesta obra e que pode estar contaminando outras, se for feita uma investigação apurada por instituições de auditoria pública.

Diz o relator Cícero a certa altura: “seguindo as explanações acerca do processo licitatório, também chama a atenção a ausência da correta e precisa indicação da dotação orçamentária que suportaria as despesas decorrentes da contratação que se pretendia fazer [o que pode ser verificado às fls. 658,673,1058 e 1068 deste autos].

Pior: isto sem falar que o Samae de Gaspar não tinha no seu ordenamento jurídico, autorização para fazer drenagem.

Enfim, de amanhã, tudo isso não passa.

A conclusão é a seguinte: valendo o que se encontrou e se apontou no relatório de Cicero, ou com o relatório dos governistas, ou com o enterro da CPI, o que ficou foi o desgaste do governo Kleber que tentou peitar e desrespeitar a Câmara.

Pior, com puxa-sacos, sem credibilidade o grupo de Kleber até montou uma live fake para intimidar vereadores, a Câmara e parte da imprensa.

E usou o próprio recinto da Câmara no ano passado para dar ares de oficialidade à reunião. Era para mostrar um papel com um desenho da drenagem, sem assinatura oficial de engenheiros, que se dizia ser o projeto de drenagem da Frei Solano. Tudo para não responder os requerimentos do vereador e morador do bairro, Dionísio. Não deu certo. Acabou em CPI. Acorda, Gaspar!

Samae inundado I – a Gaspar acordada

Na semana em que o mais longevo dos vereadores confessou na Câmara que foi incapaz de implantar a rede para ligar a água tratada do Centro ao reservatório do Bateias, Vigilância Sanitária em favor da saúde do povo de lá bota ordem na esbórnia do Samae de Gaspar. A Assessoria de Imprensa trata isso como fake news


O caminhão pipa feito para molhar ruas e impróprio para o transporte de água potável foi interditado na quinta-feira pela Vigilância Sanitária de Gaspar. Acordo que o liberou na sexta-feira revela a precariedade desse serviço emergencial

O vereador José Hilário Melato, PP, é o mais longevo dos vereadores de Gaspar. Na divisão de poder, onde quase ficou na suplência outra vez se não fossem os votos dos evangélicos do PSC (Silvio Cleffi e José Ademir de Moura), ele se tornou presidente do Samae de Gaspar.

E lá ficou conhecido pelas teimosias e encrencas que arrumou, incluindo à lambança da drenagem da Rua Frei Solano que resultou numa CPI que termina oficialmente nesta terça-feira e cujo relatório do relator Cícero Giovane Amaro, PL, um servidor efetivo do Samae, o poder de plantão e onde está Melato, um dos depoentes, tenta jogar no lixo para se livrar das mazelas encontradas nela.

Volto. A lista de teimosias é longa. Agora, o experimentado vereador Melato está de volta à Câmara. E é para tentar o sétimo mandato, para impedir que o PP perca o cargo de vice-prefeito que se ameaça no jogo brutal do que estão na prefeitura dá-lo PSD de Marcelo de Souza Brick, o que está encostado numa teta da Assembleia Legislativa, ou outro qualquer candidato que possa melhorar a performance – ou anular um que tenha chance de derrotar o ainda ruim nas pesquisas, o atual prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. Ele busca à reeleição.

Pois é. Em tempo de estiagem, Melato foi cobrado pela falta de água no Barracão, Bateias - onde está o reservatório da região – Óleo Grande e Santa Luzia. Teve três anos e meio para resolver o problema para os de lá, para os de Kleber e Luiz Carlos Spengler Filho, PP - o vice e cujo pai foi titular exemplar na gestão do Samae - e para o próprio Samae. Melat não resolveu. Agora, só possui desculpas e culpados.

Cobrado na Câmara, Melato engrossou o tom há duas sessões. Ameaçou culpar em capítulos os governos petistas pelo resultado de hoje e que ele com Kleber não conseguiu reverter. Uau! Antes um parêntesis: mas não foi Melato que estufou o peito e disse na Câmara que não olha o passado; que é afeito à encontrar soluções no presente para o futuro da cidade?

Melato, no fundo, é um político, gente de boa lábia. Não é gestor. Na iniciativa privada era leitor de leis, executor da interpretação de outros mais entendido do que ele. Tinha um conhecimento técnico e restrito em legislação tributária, principalmente o ICM. Nada mais. E como político? Exerce aquilo que lhe cai melhor: a incoerência para sensibilizar os analfabetos, ignorantes, desinformados, correligionários e os de memória curta.

Exagero? Então vamos ao fato concreto do Bateias.

Avisado de que os canos de 200 milímetros para todo o trecho da ligação entre o troncal do bairro Santa Terezinha com o reservatório do Bateias; o projeto e o dinheiro estavam à disposição dele Melato quando o ex-prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, e o diretor geral do Samae Élcio Carlos de Oliveira deixaram o poder, e que a execução dessa ligação, dependia de uma conversa com o Deinfra, Melato teve que miar na sessão passada.

Melato recuou na promessa que fez de triturar o ex-governo petista e culpa-lo pelo problema de hoje no Bateia, Barracão, Óleo Grande e Santa Luzia, porque não é marinheiro de primeira viagem neste assunto de enfrentamento à realidade e aos políticos que estão acostumados aos enfrentamentos sem medo der perder alguma coisa.

E se insistisse nessa balela, Melato perderia de goleada o jogo que já está perdido.

Não vou repetir o que escrevi na segunda-feira passada sobre este assunto e o Melato neste espaço na seção Trapiche. Melato, depois de encarado por Dionísio Luiz Bertoldi, PT, recuou e disse que é um “administrador” que olha para frente. Se olha para frente, também quer enterrar o passado na parte da culpa que tem neste assunto. Entenderam?

FALTA RELACIONAMENTOS E ALTERNATIVAS

É sabido desde há muito em Gaspar, na prefeitura e no Samae, que o manancial da região Sul do município não é suficiente para o abastecimento daquela região. Isto devia estar claro no Plano Diretor, pois é para lá que a cidade tenta se expandir. Como o Plano Diretor é uma peça de ficção remendada – inexplicavelmente em Gaspar bem longe dos olhos do Ministério Público - aos interesses de poderosos, este mínimo – ou seja, a garantia de abastecimento de água - foi desconsiderado. E o berreiro começou mais cedo do que se previa o atual governo.

É sabido, que Gaspar depende do Rio Itajaí Açú para o abastecimento de água potável, o que também é uma temeridade. Vamos supor que haja uma contaminação. Não há planos alternativos. Mas, este um tema para outro dia....

Ora se dependemos do Rio Itajaí para saciar nossa sede, é dele que devemos cuidar – tratar os esgotos, e que por aqui também é algo que passa longe do Ministério Público e das prioridades do governo - e nos abastecer.

Ampliou-se o reservatório do Centro. Boa. Todavia, se devia ampliar à captação e o tratamento também. A cidade está crescendo. A captação e tratamento que existe no Bela Vista, por exemplo, foi uma doação da Ceval – que nem existe mais – na década de 1990. E lá se descuida também. Não bastam ampliar reservatórios. É preciso ampliar a captação, o tratamento, a distribuição e principalmente, integrar essas redes. Foi assim, por exemplo, que o Bela Vista se livrou do caos. É assim, que se evitará o colapso de todos os bairros da Margem Esquerda e que mereceria a constituição de um sistema próprio, sem que dependesse do Centro. Mas...

Remoto outra vez. O que Melato admitiu no discurso manso de terça-feira passada na Câmara?

Que realmente recebeu os canos, o projeto e o dinheiro do governo petista de Zuchi e Élcio. Entretanto, em três anos e meio tentou implantar a ligação entre o Santa Terezinha e o Bateias para abastecer lá, o óleo Grande, Barracão e o Santa Luzia, mas não tiveram sucesso.

E por que? Ele, o prefeito Kleber e outros políticos sem força não conseguiram sensibilizar o Deinfra do governador do MDB de Kleber e do prefeito de fato, presidente do MDB de Gaspar, Carlos Roberto Pereira, Eduardo Pinho Moreira, bem como o atual, Carlos Moisés da Silva, PSL. Uma confissão explícita de fraqueza coletiva.

Noves fora, o que demonstra isso? A incapacidade do governo de Gaspar nos relacionamentos políticos e exatamente para cabos eleitorais mal escolhido e a quem serviram pedindo votos aqui, para eles se instalarem em Florianópolis e Brasília (deputados e senadores).

Então, é balela, a sempre surrada argumentação nos discursos de cabala de votos de que precisamos eleger fulano para que ele nos defenda nos nossos interesses em Florianópolis ou Brasília. Na hora “H”, eles falham contra a cidade, os cidadãos e os próprios cabos eleitorais. Os nossos políticos se contentam com verbinhas de R$100 mil para uma obrinha aqui, outra doação ali para clube, hospital, creche, escola.... Na verdade, migalhas de confrontadas com as nossas necessidades reais.

E por que o Deinfra empentelha no licenciamento da implantação da rede de água pela Rodovia Ivo Silveira, o caminho mais curto e mais barato?

Por que o Deinfra quer duplicar a Rodovia entre Gaspar e Brusque, e Gaspar não quer fazer o que o Deinfra sugere para implantar esta rede: fora do traçado do projeto de publicação. Gaspar e os vereadores, inclusive, encabeçado por Evandro Carlos Andrietti, MDB, lutam para que esta rodovia continue uma picada de mão dupla e municipalizada (hoje é estadualizada), custando caro para mantê-la, perigosa, congestionada, argolando o futuro, dificultando o desenvolvimento da região. E para que? Para atender os interesses de alguns cabos eleitorais que querem entrada exclusivas para seus negócios.

Uma explicação necessária. A drenagem da Bateias é apenas uma desculpa para algo estupido que ser quer contra o futuro da região, inclusive dos empreendedores que querem a transformar na Rodovia da Moda Infantil

Noves fora, o que demonstra tudo isso. Além do atraso em que Gaspar quer continuar no lado sul onde tudo vai se ampliar, o Samae de Melato em três anos e meio não foi capaz de encontrar outra saída para este problema, como por exemplo, levar a água tratada do Centro, via a Rua Itajaí, Poço Grande (no Pocinho a água tratada é a de Ilhota, um tanto salgada) e Macucos, outra região que está em pleno desenvolvimento urbano, industrial e comercial. Impressionante, como o futuro é uma palavra de discurso e não de prática no governo de Gaspar. Notaram?

VIGILÂNCIA SANITÁRIA CORTA O BARATO

Depois de mostrar que na via política e administrativa, que à busca de alternativas práticas não teve sucesso e se perdeu um monte de tempo na falta de uma definição, Melato, choramingou na sessão como se tivesse culpando-o injustamente: furou dois poços artesianos, mas não encontrou água suficiente para dar conta da demanda do reservatório.

O que ele quis dizer com isso: jogou dinheiro fora. Um terceiro poço está mapeado para ser perfurado. Deve ser para se gastar mais dinheiro. Melato, entretanto, diz que há esperanças. Se todo esse dinheiro fosse investido em soluções viáveis como a do Macucos, talvez o povo do Barracão, Bateias, Óleo Grande e Santa Luizia não estivesse – mesmo os evangélicos - rezando tanto para São Pedro, o nosso padroeiro católico.

Melato ainda relatou nas justificativas de que fez de tudo para mitigar o problema que o culpam, que comprou dois caminhões para transportar água daqui do Centro para o reservatório da Bateias. Risível. É como encher uma caixa de água com canecas. Um caminhão era até tanque inoxidável. Repito outra vez: esse dinheiro dos pesados impostos renderia melhor se tivesse ido ao projeto do Macucos.

Mais. Lá pelas tantas, Melato garantiu que a água transportada não ia diretamente dos caminhões para o reservatório do Bateiais, mas sim, para a represa, de lá, reprocessada e só então chegava ao reservatório e daí, sim, distribuída à população.

E por que dessa explicação adicional? Melato, na verdade, escolado, rebatia no discurso mole, às inúmeras denúncias, inclusive de gente do próprio Samae que fez este serviço emergencial quando foi preciso e que foi reportado aqui várias vezes: de que a água poderia estar se contaminando nesse processo de captação e transporte.

Bingo. Esta explicação marota foi na terça-feira. O que aconteceu na quinta-feira? A Vigilância Sanitária da prefeitura interditou um caminhão que fazia esse processo. O caminhão da secretaria de Obras e Serviços Urbanos, enferrujado, feito para molhar ruas que estão empoeiradas e precisando dele, e sem estar preparado adequadamente para o transporte de água, fazia o serviço de levar água aqui do Centro para o Bateias.

Quando vi a notícia pelas minhas fontes perguntei se quem fez tinha pau grosso para colocar na mesa pois o governo Kleber não admite este tipo de intervenção. Não deu outra. Na sexta-feira, a discussão no Samae que agora é dirigido acumulativamente pelo secretário de Planejamento Territorial, Cleverton João Batista, que já gerenciou o Samae de Blumenau e entende do riscado, se ouvia do outro lado da rua.

A vigilância bateu pé. O Samae se enquadrou. A água agora, com provas, vai continuar a ser transportada por caminhões, mas vai ser despejada em um ponto antes do tratamento e não no reservatório. O Samae e o próprio Melato garantiam que já faziam isso. Mas, foram contraditados. E por que? Nenhum caminhão consegue chegar à represa daquela estação onde se dizia que se descarregava a água transportada pelos pipas. Agora, sob vigilância, vai descarregar na estação.

No site do Samae. Depois de pegos, mais uma vez na dúvida e a grande repercussão, a assessoria publicou uma nota alertando para a fake news sobre este assunto. Ou seja, tentou, desqualificar a ação do próprio serviço de vigilância da prefeitura que estava defendendo a população. Impressionante.

Quem ganhou? A saúde da população, a vigilância sanitária. Quem perdeu? Os políticos e os espertos que os cercam. E o Samae continua no passado, apesar dos seus ex-dirigentes como Melato, jurarem que estão só pensando no futuro. Acorda, Gaspar!

Samae inundado II – a necessidade

O Samae estava inchado ou está sendo incorporado pela prefeitura de Gaspar naquilo que se duplica na estrutura administrativa para economizar no óbvio?


Alegando contenção de gastos, o prefeito Kleber (à esquerda) une por decreto parte administrativa do Samae, tocada interinamente por Cleverton João Batista (centro), à super-secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa, de Carlos Roberto Pereira (à direita)

No dia 16 de abril eu fiz um artigo na edição impressa do jornal Cruzeiro do Vale, o que está fazendo 30 anos, é líder de circulação e credibilidade por neste tempo ter enfrentado os poderosos de plantão, os que o queriam manso, de joelhos e uma voz oficial deles como fizeram com outros. O artigo tinha o seguinte título: “Samae flerta com a privatização I, II, III e IV”

O poder de plantão não gostou. E nem poderia. Não sou empregado, não devo favores, nem tinha pacto de confidencialidade, muito menos sou um dos baba ovos deles.

E, como sempre, o poder de plantão, foi até atrás de quem teria vazado para mim “este plano”. E para que essa “procura”? Dar uma correção “daquelas” na minha fonte e me implicar. Não encontrou ninguém. Talvez me chame na polícia mais uma vez para eu revelar as minhas fontes, como vem fazendo, achando que eu sou um cagão e neófito nessas ameaças de gente que está mal relacionada nas instituições, as quais, foram constituídas na lei para justamente pegá-los. E torço para que isso aconteça.

Volto.

Escrevi naquele artigo do dia 16 de abril, ainda o seguinte no título expandido: a “agência reguladora diz que drenagem em Gaspar - como saneamento - precisa ter receita própria para sustentá-la. O que Kleber faz está errado e pode levar Samae à falência. Com a saída de Melato da autarquia, nos bastidores se prepara à privatização do serviço de coleta e tratamento de esgoto. Ele foi aprovado para ser público e que se engavetou por nos mais de três anos do atual governo”

Por que rememoro isso?

Porque sob a vergonhosa desculpa da pandemia, para não levar pau dos servidores, para não dizer que está com o caixa comprometido até os olhos com essa tal drenagem sem fontes de custeio, e principalmente para não dar razão a esta coluna, para desacreditá-la perante os leitores e leitoras, e não exatamente como deveria fazer pela transparência de um governo ao seu povo, escudando-se na eficiência, racionalidade e economia diante de fatos evidentes, o prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, sem alternativas, editou o decreto 9.384, do dia 14 de maio.

Ou seja, o decreto, “coincidentemente” saiu praticamente um mês depois da minha nota de que um processo de ajuste econômico, financeiro e administrativo estava em curso no Samae para salvá-lo e que não se descartava até a sua privatização.

Pior, isso só foi feito só depois da saída do ex-diretor presidente, o mais longevo dos vereadores, José Hilário Melato, PP, que sempre resistiu a qualquer mexida na estrutura inchada, partidária e ineficiente que custou caro à imagem do próprio governo Kleber.

O que resolveu o decreto? Atentem bem para o que está escrito. Ele lava mais uma vez a minha alma e me dá credibilidade perante os meus leitores e leitoras. Amém.

Art. 1º Fica atribuída responsabilidade pela contabilidade, tesouraria e patrimônio e diretoria de gestão de pessoas do Serviço Autônomo de Água e Esgoto - SAMAE do Município de Gaspar à Secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa. Ou seja, os superpoderes da pasta tocada pelo prefeito de fato, Carlos Roberto Pereira, presidente do MDB, interino da Saúde, e ex-coordenador de campanha de Kleber, amplia-se, e agora sobre o Samae.

Art. 2º Visando dar agilidade aos procedimentos, o Presidente e Diretores deverão disponibilizar os recursos humanos na quantidade atualmente utilizada por cada pasta, que passarão a prestar serviços diretamente na Secretaria da Fazenda e Gestão Administrativa.

ISSO É RUIM OU BOM?

É bom na medida em que se reconhece, mesmo que tardiamente, à mínima e coerente racionalidade no serviço público. Sempre defendi e continuarei a defender isso em favor dos pagadores de pesados impostos.

É ruim, na medida em que se concentra naquilo que já está concentrado e usa essa concentração para resultados políticos eleitorais numa máquina de caçar votos que se transformou a prefeitura de Gaspar, voltada unicamente para a reeleição de Kleber, e para que todos que estão nela, permaneçam onde estão por mais quatro anos. Simples assim!

Por outro lado, há se ressaltar que se todos – e que não são poucos - os “considerandos” elencados pelo prefeito nesse mesmo decreto sejam verdadeiros, o próprio prefeito Kleber deveria estar incluído.

Ele possui um dos mais altos salários de Santa Catarina, R$27.356,69, e ao contrário de muitos outros prefeitos e com salários menores, nada disse como e quando ele próprio vai contribuir para minorar à queda de receita de Gaspar, que na Câmara, seu porta-voz, o vereador Francisco Solano Anhaia, MDB, anunciou há duas semanas, ter caído em torno de 60%. Uau! E está gravado. E foi dito para não se pedir mais sacrifício do poder público aos que estão sem emprego, sem negócios ou falindo.

QUAIS AS JUSTIFICATIVAS QUE SERVEM PARA UNS, MAS NÃO SERVEM PARA OUTROS?

Quais esses considerandos do decreto de Kleber para unir as atividades do Samae às da secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa?

Considerando a Declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional pela Organização Mundial da Saúde em 30 de janeiro de 2020, em decorrência da infecção humana pelo novo Coronavírus (COVID-19);

Considerando a Portaria n° 188, de 03 de fevereiro de 2020, do Ministério da Saúde/Gabinete do Ministro, que Declara Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) em decorrência da Infecção Humana pelo novo Coronavírus (COVID-19);

Considerando que na data de 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde declarou que o Coronavírus (COVID-19) é uma pandemia;

Considerando que as medidas adotadas por todas as esferas de governo para o enfrentamento da crise gerada pela proliferação da doença são severas, gerando significativos impactos de ordem social e econômica;

Considerando que, certamente haverá redução no fluxo de receitas próprias e oriundas de repasses da União e do Estado, o que impõe o imediato contingenciamento de despesas por parte do município;

Considerando o teor do Decreto Estadual n° 515, de 17 de março de 2020 e do Decreto Estadual n° 525, de 23 de março de 2020, ambos da lavra do Governador do Estado de Santa Catarina;

Considerando o teor do Decreto Municipal nº 9.308, de 16 de março de 2020, Decreto Municipal nº 9.310, de 17 de março de 2020 e do Decreto Municipal nº 9.311, de 19 de março de 2020, que possuíam como objetivo traçar medidas de prevenção contra o Coronavírus (COVID-19);

Considerando a necessidade do estrito cumprimento do orçamento público diante da notória e generalizada queda na arrecadação de tributos por conta da situação deflagrada pela Pandemia do COVID-19;

Considerando que a centralização das gestões financeiras, patrimoniais e recursos humanos permitirá aos gestores melhor programação financeira, orçamentária e logística dos bens, serviços e materiais adquiridos com escassos recursos públicos, bem como a qualificação e aprimoramento profissional dos envolvidos;

ENCERRANDO

Argumentos há e abundam até para uma reforma administrativa de emergência, redução de salários do prefeito, vice, secretários e da máquina empregadora de comissionados. Mas esses argumentos nos ambientes políticos, só servem para uma situação onde há interesse deliberado e não é uma regra que possa ser estabelecida como justa para todos. É assim que funciona.

E por derradeiro. Quem na prefeitura vai meter a mão nesta cumbuca logo agora em tempo de catar votos e numa reeleição fácil, mas que diante de tantas incoerências se tornou aparentemente incerta. Tudo daqui para frente será usado como responsável por eventual revés. E revés é o que o time de Kleber não quer neste outubro, novembro ou até seis de dezembro, como já se fala, para desespero de uns que queriam a prorrogação do mandato, sem disputas eleitorais. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Quando mesmo as comissões da Câmara vão votar os dois projetos de resolução do vereador Roberto Procópio de Souza, PDT. A decisão está enrolada há quase dois meses. Tenta-se inconstitucionalidades para descarta-los. É que esses projetos diminuem os salários dos vereadores, vejam bem, só por apenas dois meses. Explicado.

Mistério da Ditran de Gaspar. Os carros dela aparecem no pátio batidos e ninguém sabe quem e como isso aconteceu. Em Blumenau, as redes sociais, mostram que veículos oficiais daqui estacionam irregularmente e andam na contramão por lá. Que coisa!

A Secretaria de Assistência Social em Gaspar é um reduto de ações eleitorais, apesar do município ser um foco de problemas na área social e assistência. E por que? É uma cidade dormitório, de passagem e estar no meio de cidades como Blumenau, Brusque, Itajaí e Camboriú (não confundir com Balneário).

Resumindo: quer provas? É só ir no Conselho Tutelar, CRAS e na Vara da Infância e Família para se ter a dimensão dessa gravidade. E que não é de hoje. Muito menos dos leitores e leitoras assíduos dela.

Mais um cabo. O ex-assessor parlamentar do então vereador Kleber Edson Wan Dall, MDB, Ernesto Hostin, que ganhou por isso a titularidade da secretaria de Assistência Social no início do governo, não deu conta do recado, alegou estar doente, saiu dela, mas ficou empregado na prefeitura. Agora ele está de volta com pomposo título. E coincidentemente, às vésperas de mais uma campanha eleitoral para seu chefe.

Ernesto acaba de ser nomeado como diretor-geral administrativo da secretaria de Educação, tocada interinamente por Jorge Luiz Prucino Pereira, chefe de Gabinete titular de Kleber e presidente do PSDB de Gaspar. O salário de Ernesto na nova função será de R$5.505,40. Com o triênio vai a R$6.669,60 brutos.

O ex-secretário de Assistência Social de Gaspar, Santiago Martin Navia, que continua empregado na prefeitura por ser concursado, anuncia que será candidato a vereador. Agora tem programa de rádios, arrumou patrocinadores, virou filantropo e assessor em ajudar as pessoas em benefícios sociais, vive dando entrevistas, inclusive no horário de serviço, e diz nas suas lives que monta, que vai ajudar a distribuir sacolões oficiais aos necessitados. Beira a crime se a intenção dele é mesmo ser mesmo candidato.

Mas se Navia está com intenção mesmo de resolver problemas de pessoas vulneráveis, ele devia ir até o Residencial Milano e deixar um sacolão para a Marlei. Ele como secretário, apesar de todos os relatórios disponíveis no CRAS do Bela Vista e até no CAPS, nada fez por ela que andou até a beira do suicídio. É um retrato como é dura essa vida de assistente filantropo candidato ou cabo eleitoral de um.

E A UTI provisória, alugada e cara, do Hospital de Gaspar para apenas funcionar aos doentes de Covid-19, só foi habilitada pelo governo Federal depois da intervenção por ela e outras catarinenses na mesma situação do senador Dário Berger, MDB. A espera durou três semanas e o aluguel sendo contabilizado neste período. Agora, ela aguarda pacientes da Covid-19. Só da Covid.

O que faz a ex-suplente de vereadora pelo PSD, Marisa Tonet e que agora está no MDB? Oficialmente é coordenadora de gabinete. Mas, lá, não está. Está na Casa Rosa, antiga Casa de Cultura. Fazendo crochê tecendo novamente a sua candidatura a vereadora.

Enquadraram. O empresário Osnildo Moreira, fez um vídeo e colocou na sua rede social, contando uma história muito comum e conhecida por aqui. Era véspera das eleições de 2018. Tudo estava acertado para se votar em Rogério Peninha Mendonça, MDB, para deputado federal.

Eis que de repente, chegou lá no Moreira – como se ele fosse um bobo - a cúpula do partido e orientado pelo grupo de Kleber. E pediu para mudar tudo. O candidato não era mais o Peninha, mas o oestino Valdir Colato, MDB. Que não se elegeu e Peninha ficou na rabeira. O vídeo, interessante e que mostra como as coisas funcionam por aqui nas eleições do dia para a noite, desapareceu da rede social do Osnildo, mas circula nos aplicativos de mensagens. Fala mais, Osnildo.

Uma imagem fala mais do que palavras. O PSDB de Gaspar que já não era uma expressão, virou nanico e só existe no papel. E se mandar periciar o papel, vai se ter certeza que ele é falso.

A presidente do partido, a evangélica e deputada Federal Giovana de Sá, está percorrendo o estado para avaliar, reorganizar e reconhecer o potencial do partido. Em Gaspar, esta foto abaixo e feita no pátio da prefeitura, mostra que o PSDB de Gaspar se resume em duas pessoas: a vereadora Franciele Daiane Back e o presidente Jor Luiz Prucinio Pereira. No álbum, a foto contrasta com outros encontros bem mais volumosos em outros municípios. Acorda, Gaspar!

 

 

Comentários

Miguel José Teixeira
28/05/2020 19:40
Senhores,

Alteração do lema da bandeira da "Pátria Armada Brasil":

Sai o "Ordem e Progresso" e
Entra o "Ordens Absurdas Não Se Cumprem"

"Lá vem o Brasil descendo a ladeira. . ."
(Antonio Pires/Pedro Gomes)
Herculano
28/05/2020 14:13
da série: está na hora de saber quem tem bananas no balaio para vender. Anunciar no pregão, todos estão anunciando. É preciso ver se vão entrar o que anunciam

DEFENDO A RUPTURA

Ontem, escrevi a um conhecido em privado: está na hora do Brasil e seus mandatários saírem dessa lenga-lenga. É preciso haver a ruptura, para que tudo se normalize. É preciso testar a capacidade elástica desse material que está exposto. E tudo que se estica, como num pêndulo, volta para o estado de normalidade. É impossível conviver com esta insegurança de que a casa vai cair ou que vai se chegar a um acordo, todos frágeis.

Chega de ameaças, bravatas e escaramuças e dentro do prórpio campo ideológico da direita, do conservadorismo.... O Brasil precisa de tranquilidade para superar este momento muito difícil em que está passando devido ao coronavírus. E o governo de Bolsonaro é mais um ponto de estresse e não de luz.

EDUARDO BOLSONARO PROMETE "CAOS" E "RUPTURA"

Conteúdo de O Antagonista. Eduardo Bolsonaro disse que participa de reuniões em que se discute "quando" - e não "se" - acontecerá a "ruptura" no Brasil:

"Não tenho nem dúvida que amanhã vai ser na minha casa, que se nós tivermos uma posição colaborativa, vão entrar na nossa casa, dando risada. Até entendo quem tem uma postura moderada, vamos dizer, para não tentar chegar a momento de ruptura, a momento de cisão ainda maior, conflito ainda maior. Entendo essas pessoas que querem evitar esse momento de caos. Mas falando bem abertamente, opinião de Eduardo Bolsonaro, não é mais uma opção de se, mas, sim, de quando isso vai ocorrer."
Herculano
28/05/2020 14:05
da série: quando se está num lado, não há outra possibilidade. Incrível! É por isso, que essa gente detesta a imprensa livre, profissional, opinativa e investigativa.

"EU SOU A FAVOR DA PENA DE MORTE PARA ESSES CARAS"

Conteúdo de O Antagonista. Na escalada de barbaridades dos bolsonaristas contra o STF, Olavo de Carvalho - como sempre - conseguiu se sobressair.

Ele disse:

"Esse Alexandre de Moraes não tem de ter direito de falar. Eu sou a favor da pena de morte para esses caras."

Herculano
28/05/2020 13:59
da série: efeito Moro, reiteradas mentiras e diabruras dos filhos amalucados ou com dúvidas.

REJEIÇÃO A BOLSONARO BATE RECORDE, MAS BASE SE MANTÉM, DIZ DATAFOLHA

Antes rachado em três, Brasil tem polo contrário ao presidente com 43% e favorável, fixo em 33%

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Igor Gielow. A rejeição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cresceu ao longo do mês passado, cristalizando uma polarização assimétrica na população em meio à crise sanitária, econômica e política pela qual passa o Brasil.

Segundo pesquisa do Datafolha feita na segunda (25) e na terça (26), já sob o impacto da divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, 43% dos brasileiros consideram o governo ruim ou péssimo. Recorde na gestão, esse número era de 38% no levantamento anterior, de 27 de abril.

Foram ouvidos 2.069 adultos, com margem de erro de dois pontos percentuais. A aprovação de Bolsonaro segue estável, os mesmos 33% nas duas aferições. Já aqueles que acham o governo regular, potenciais eleitores-pêndulo numa disputa polarizada, caíram de 26% para 22%.

Olhando a breve série histórica de Bolsonaro no poder, o Brasil deixou de estar partido em três partes iguais, como o Datafolha indicou ao longo de 2019, para caminhar a uma divisão em que o polo que rejeita o presidente é mais denso.

Tal radicalismo é bastante visível entre os mais ricos, aqueles que ganham mais de 10 salários mínimos. Se antes eles eram um esteio da aprovação do presidente, agora estão entre os que mais o rejeitam, com 49% de ruim ou péssimo.

No mesmo segmento, contudo, é alta sua aprovação: 42%. A fatia daqueles no meio do caminho, que acham Bolsonaro regular, míngua para 8%.

A estratificação mostra também que os mais instruídos são os que mais rejeitam, no cômputo geral, o presidente. Entre os que têm curso superior, 56% desaprovam Bolsonaro, ante 36% daqueles que têm o ensino fundamental.

Com isso, é visível que o proverbial terço do eleitorado que está com o presidente se mantém estável mesmo com os reveses políticos recentes, como a crise com Poderes, a acusação de interferência na Polícia Federal, a saída de Sergio Moro do governo ou as barganhas com o centrão.

Há algumas cunhas, contudo: entre aqueles 55% que assistiram ao polêmico vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, a rejeição a Bolsonaro sobe a 53%.

O caudaloso compêndio de palavrões e agressões da peça fez disparar a má avaliação que o brasileiro faz do comportamento presidencial. Acham que Bolsonaro nunca se comporta de forma adequada ao cargo 37% dos entrevistados, ante 28% há um mês.

Já os que acreditam que ele se comporta mal na maioria das vezes se manteve estável (de 25% para 23%). E os que sempre veem a liturgia do cargo preservada são 13% (14% em abril), enquanto os que a percebem assim na maioria das vezes oscilaram de 28% para 25%.

A capacidade do presidente de governar é questionada. Oscilou positivamente de 49% para 52% entre as duas pesquisas o número de quem acha que Bolsonaro não a possui mais. Acham que ele ainda a tem ficaram estáveis em 45%.

A confluência multifatorial da crise levou o Datafolha a buscar medir impactos específicos da pandemia sobre o humor do eleitorado.

O instituto quis saber quantos brasileiros procuraram o auxílio emergencial de R$ 600 oferecido pelo governo federal na crise. Fizeram o pedido 43% dos ouvidos, sendo que dos quais 16% não receberam nenhuma parcela.

Pediram mais a ajuda desempregados (78%), quem é assalariado sem carteira (68%) e jovens de 16 a 24 anos (60%). O Norte e o Centro-Oeste foram as regiões que mais requisitaram (54%), enquanto o Sudeste foi onde menos pedidos foram feitos (35%).

A composição do apoio a Bolsonaro mudou desde o ano passado, com uma migração de aprovação de ricos e instruídos para mais pobres e com pouco ensino.

Mas o auxílio emergencial não impactou de forma significativa isso. Aqueles que fizeram e receberam a ajuda aprovam Bolsonaro em medida semelhante à média nacional: 36% de ótimo e bom, ante os 33% gerais. Se isso ajudou a segurar o índice, é apenas hipotético.

Já a disputa política em torno da condução da pandemia, na qual Bolsonaro assumiu o papel de inimigo do isolamento social em prol da manutenção da economia aberta, tem reflexos.

Questionados sobre sua adesão ao isolamento, o maior grupo (50%) diz que só sai de casa se for inevitável. Entre esses, a rejeição a Bolsonaro vai a 48%. O mesmo se dá entre aqueles que ou pegaram a Covid-19 ou conhecem alguém que pegou, com 47% de ruim/péssimo.

Quem vive em regiões metropolitanas, que estão sofrendo mais com a doença, também critica mais o presidente: 49% de rejeição, antes aprovação de 32% e um regular minguante de 19%.

O mesmo se dá demograficamente: as duas regiões mais populosas, Sudeste e Nordeste, com cerca de 2/3 dos moradores do país, rejeitam mais Bolsonaro, com 45% e 48% e ruim/péssimo, respectivamente. É má notícia eleitoral para o presidente a posição no Sudeste, já que nordestinos sempre foram grupo de resistência ao seu nome.

Na mão contrária, há coincidência entre posições de maior relaxamento contra o coronavírus e o apoio a Bolsonaro. Entre aqueles que dizem viver normalmente, 53% o acham bom ou ótimo. Já entre quem é contra a ideia de um "lockdown", 55%.

Bolsonaro tem o pior índice de aprovação de presidentes eleitos desde 1989 a esta altura de um primeiro mandato. Entre aqueles sofreram impeachment desde então, Fernando Collor (então PRN) tinha 41% de rejeição um pouco mais a à frente, com um ano e seis meses na cadeira.

Já Dilma Rousseff (PT) gozava de aprovação estratosférica (65%) e apenas 5% de ruim/péssimo em março de 2012. Acabou reeleita em 2014, e impedida dois anos depois.

ENTREVISTAS FORAM REALIZADAS POR TELEFONE
A pesquisa telefônica, utilizada neste estudo, representa o total da população adulta do país. As entrevistas são realizadas por profissionais treinados para abordagens telefônicas e as ligações feitas para aparelhos celulares, utilizados por cerca de 90% da população.

O método telefônico exige questionários rápidos, sem utilização de estímulos visuais, como cartão com nomes de candidatos, por exemplo. Assim, mesmo com a distribuição da amostra seguindo cotas de sexo e idade dentro de cada macrorregião, e da posterior ponderação dos resultados segundo escolaridade, os dados devem ser analisados com alguma cautela por limitar o uso desses instrumentos.

Nesta pesquisa, feita dessa forma para evitar o contato pessoal entre pesquisadores e respondentes, o Datafolha adotou as recomendações técnicas necessárias para que os resultados se aproximem ao máximo do universo que se pretende representar.

Todos os profissionais do Datafolha trabalharam em casa, incluídos os entrevistadores, que aplicaram os questionários através de central telefônica remota.

Foram entrevistados 2.069 brasileiros adultos que possuem telefone celular em todas as regiões e estados do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

A coleta de dados aconteceu nos dias 25 e 26 de maio de 2020.
Miguel José Teixeira
28/05/2020 10:14
Senhores,

De ontem para hoje, o andar de cima deixou o subsolo e já flutua na rede de esgotos!

O pentiunvirato zero-zero está à triunfar. . .

Será que, vem aí a ditadura verde-amarela.

Valha-nos, Deus!
Herculano
28/05/2020 07:53
da série: uma verdade inconveniente que macula não apenas Ministério Público Federal, mas dá tons para os estaduais que já estão sob sérios questionamentos

PGR À MERCÊ DA POLÍTICA, por Merval Pereira, no jornal O Globo

O Supremo, no momento, é que estabelece a maior barreira democrática para coibir os avanços autoritários do governo.

O pedido extemporâneo do Procurador-Geral da República, Augusto Aras, para que seja suspenso o inquérito sobre fake news aberto há um ano no Supremo Tribunal Federal (STF) só tem explicação no clima de tensão que dominou o Palácio do Planalto com a operação de ontem da Polícia Federal contra apoiadores do presidente Bolsonaro.

Sendo assim, o Procurador-Geral coloca o Ministério Público à mercê da disputa política que ora se desenvolve no país, prejudicando sua credibilidade. Suas idas e vindas sobre o tema, apontadas pelo partido político Rede, demonstram que ele se deixou levar pelas incertezas da política, sem emitir pareceres técnicos. De olho grande na vaga do STF que abrirá em novembro, dizem seus críticos.

A cronologia dos fatos é impressionante. Quando assumiu o cargo, Aras discordou de sua antecessora, Raquel Dodge, que, em abril do ano passado, declarou-se contrária à abertura do inquérito sem a presença do Ministério Público, e deferiu a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) impetrada pelo Rede no sentido de suspendê-lo.

O novo Procurador-Geral, em outubro, manifestou-se pela validade do inquérito, e classificou de imprestável a ADPF. Ontem, seis meses depois, o mesmo Aras mudou de ideia e pediu a suspensão do inquérito baseado na mesma ação do Rede.

O presidente Bolsonaro já havia dito ao então ministro Sérgio Moro que o inquérito que abrangia parlamentares bolsonaristas era "mais um motivo para a mudança", referindo-se à Polícia Federal.

A operação de busca e apreensão autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes nas casas dos investigados poderá revelar, através dos celulares e computadores, toda intrincada rede de montagem do que pode ser, segundo o STF, uma organização criminosa dedicada a espalhar mentiras, injúrias, difamações contra os adversários políticos e a disseminar noticias falsas com intuitos políticos.

Essa central de mentiras e difamação teria uma base instalada dentro do Palácio do Planalto, que os parlamentares ouvidos na investigação chamaram de "gabinete do ódio". Assessores do governo comandam desde lá os ataques coordenados aos "inimigos", e o principal orquestrador seria o vereador Carlos Bolsonaro, o 02 do presidente.

O ministro Alexandre de Moraes foi até mesmo cauteloso, e não aceitou o pedido para fazer busca e apreensão nas casas dos parlamentares investigados, que foram apenas intimados a depor.

Esse inquérito do Supremo Tribunal Federal sobre fake news tem ligações indiretas com as ações que correm no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a campanha presidencial da chapa Bolsonaro-Mourão, acusada de ter se beneficiado de esquemas ilegais de distribuição de fake news e impulsionamentos de propagandas políticas de WhatsApp.

O temor do Planalto é que, como já está acontecendo, partidos políticos peçam para que o TSE incorpore as provas coletadas às ações em curso, ganhando dinâmica própria o pedido de impugnação da chapa.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, declarou-se surpreendido pela operação policial, mas foi informado pelo ministro Alexandre de Moraes, que abriu vista por uma semana para ele se manifestar sobre as diligências.

O vice-presidente Hamilton Mourão reagiu à operação com um Twitter onde confunde ação penal com investigações. Afirmou que o STF não está cumprindo a Constituição, que diz que o Ministério Público é o dono da ação penal pública, mas essa questão já fora dirimida lá atrás, quando Raquel Dodge arquivou o processo justamente com esta argumentação.

O ministro Alexandre de Moraes decidiu que "o sistema acusatório de 1988 concedeu ao Ministério Público a privatividade da ação penal pública, porém não a estendeu às investigações penais".

O Supremo, no momento, é que estabelece a maior barreira democrática para coibir os avanços autoritários do governo, atingindo uma coesão poucas vezes vistas. A Polícia Federal continua sob suspeita depois da interferência de Bolsonaro, e mesmo as ações de hoje podem ser atribuídas ao fato de o ministro Alexandre de Moraes não ter deixado que a nova administração trocasse os agentes que trabalham há quase um ano no inquérito.

O Legislativo, depois que o Centrão aderiu ao governo, está excessivamente cauteloso, tendo o presidente Rodrigo Maia perdido o controle do plenário. E a atitude cambiante do Procurador-Geral da República coloca em xeque também o Ministério Público.
Herculano
28/05/2020 07:49
CERCO AOS FILHOS E AO PLANALTO VAI DITAR REAÇÃO DE BOLSONARO AO STF, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Nascido sob o signo do arbítrio, inquérito se aproxima de assessores e da família do presidente

O país já viu até onde Jair Bolsonaro é capaz de chegar para defender seus filhos e aliados. Há um mês, ele atropelou o ministro mais popular do governo e detonou uma crise em nome dessa proteção. Agora, o cerco montado contra seu grupo político no inquérito das fake news provoca uma escalada do conflito entre o presidente e o STF.

Os efeitos da controversa operação realizada nesta quarta-feira (27) podem ser calculados a partir dos elementos que se aproximam, cada vez mais, do Palácio do Planalto e dos escritórios da primeira-família.

Um dos pontos surge de passagem na decisão que autorizou buscas contra militantes acusados de atacar autoridades. Ao se referir ao chamado "gabinete do ódio", Alexandre de Moraes transcreve um depoimento que cita três assessores presidenciais que seriam responsáveis pela distribuição de notícias falsas.

Bolsonaro em videoconferência da na posse do subprocurador-geral da República Carlos Alberto Vilhena no cargo de Procurador Federal dos Direitos do Cidadão para o biênio 2020-2022 - Marcos Corrêa/PR
O trio despacha nas cercanias da sala do presidente, no terceiro andar do Planalto, e trabalha em linha direta com Carlos Bolsonaro. Nenhum deles foi alvo dos 29 mandados expedidos nesta fase. O inquérito, porém, deixa esse caminho aberto.

Também é revelador o silêncio sobre Eduardo Bolsonaro. Documentos enviados à CPMI das Fake News apontaram que um assessor do gabinete do deputado opera um perfil nas redes sociais acusado de propagar discursos de ódio contra opositores da família. A dupla não foi incomodada pela Polícia Federal.

A reação inicial de Bolsonaro foi armar suas defesas. Convenceu o procurador-geral e o advogado-geral da União, que haviam endossado o inquérito, a protestar contra a investigação. Fez também com que o novo ministro da Justiça divulgasse uma nota contra a ação do Supremo ?"tarefa que Sergio Moro se recusava a cumprir, o que enfurecia Bolsonaro.

O inquérito do Supremo nasceu sob o signo do arbítrio, concentrando poderes desmedidos nas mãos do tribunal. Seu avanço passa a representar um risco para o presidente e pode levar a uma conflagração irreversível entre a corte e o Planalto.
Herculano
28/05/2020 07:46
'PROVAS' NO INQUÉRITO DE MORAES SÃO NULAS, ALEGA MP, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

São imprestáveis as eventuais provas recolhidas pela Polícia Federal na operação desta quarta (27) contra críticas, fake news e ameaças a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A advertência é de Bruno Calabrich, procurador da República, cujo entendimento é compartilhado por colegas como Raquel Dodge, ex-procuradora-geral da República que, ainda no cargo, comparou o STF a um "tribunal de exceção", próprio de regimes totalitários: a acusação é privativa do ministério público.

VÍTIMA NÃO INVESTIGA

Além disso, Calabrich lembra que, como "vítima" dos supostos ataques e ameaças, o STF está impedido de investigar tais crimes.

MP IGNORA AS 'PROVAS'

Acusações no inquérito de Alexandre de Moraes estão indo direto para a lata do lixo do ministério público, que considera as provas ilegais.

CRIMINOSOS FAVORECIDOS

Calabrich lamenta que, com "provas" imprestáveis, o inquérito de Moraes favoreça aqueles que eventualmente tenham cometido ilegalidades.

ENTENDIMENTO IGNORADO

A PGR arquivou o inquérito em 2019, e o entendimento do STF é que não há o que fazer, segundo lembra o procurador Bruno Calabrich.

PARA 50%, PLANALTO E CONGRESSO TRABALHAM MAL

Levantamento exclusivo do instituto Orbis para o site Diário do Poder e esta coluna revela que a população está insatisfeita com a atuação das autoridades da República. A avaliação do governo Jair Bolsonaro é "ruim ou péssima" para 52%, enquanto 50,7% classificam o Congresso da mesma forma. A avaliação do governo é "bom ou ótimo" para 29,8% e regular para 15%. Já o Congresso é bom ou ótimo para apenas 5,8%.

GOVERNADORES EM ALTA

A administração estadual tem a melhor avaliação entre as esferas de governo: 30,3% (bom ou ótimo) contra 29,3% (ruim ou péssimo).

REGULAR GANHA

O desempenho do Poder Legislativo é "regular" para 37,9% dos entrevistados. Já governos estaduais são "regulares" para 38,8%.

HOMENS E MULHERES

Homens estão mais seguros na manutenção do emprego. Para 33,7% deles é grande a chance de ficar empregado. Para elas, são 25,2%.

ASSIM É, SE LHE PARECE

Pesquisa Datafolha desta quarta diz que 60% defendem lockdown, mas o jornalão que a divulga não mancheteou que 65% preferem "acabar com isolamento das pessoas em casa para estimular a economia e impedir o desemprego, mesmo que ajude a espalhar o coronavírus".

DIREITO DE CRÍTICA

O ministro da Justiça fez o que o presidente Bolsonaro sempre cobrou de Sérgio Moro: em nota, utilizando-se de argumentos jurídicos, André Mendonça considerou a operação um "atentado contra a democracia".

PRENDO E ARREBENTO

Com inquérito considerado ilegal pelo Ministério Público Federal e suas provas "imprestáveis", até com prisão de comediante, Alexandre de Moraes faz pose de delegado mandachuva das antigas, no interior.

FALTA COMBINAR COM A LEI

O inquérito inventado pelo STF à margem da Lei tem outro problema central, segundo especialistas: investiga o "crime de fake news" que ainda não está previsto no Código Penal Brasileiro.

FALTOU MENTIROSO NA LISTA

Somados, são 2,2 milhões os seguidores dos perfis que viraram alvos de Alexandre de Moraes, na operação policial desta quarta. Dilma "Estoca Vento" Rousseff tem 6,3 milhões, Luiz "Eu não Sabia" Inácio, 1,8 milhão.

MURILO FARÁ FALTA

A morte do jornalista Murilo Melo Filho deixa uma lacuna impreenchível no jornalismo político brasileiro. Gentil no trato e refinado no texto, ele tinha um talento inigualável para conquistar fontes e dar "furos".

ECONOMIA PóS-UTI

O resultado no mercado com anúncio da reabertura gradual do comércio em SP, maior economia do país, foi bombástico. A bolsa disparou 2,9%, chegando a 88 mil pontos e o dólar despencou 1,44%, cotado a R$5,28.

EMPREGO PóS-PANDEMIA

O secretário da Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, participa nesta quinta, às 11h, de "live" com o deputado Laércio Oliveira, presidente da Frente Parlamentar do Setor de Serviços, de 15 milhões de empregos.

PENSANDO BEM...

... acusar humoristas de fake news é o fim da piada.
Herculano
28/05/2020 07:32
ENFIM UMA OFENSIVA REAL CONTRA AS FAKE NEWS, por Roberto Dias, secretário de Redação do jornal Folha de S. Paulo

Movimento com diferentes frentes em escala inédita é bem-vindo, mas carrega problemas

O esgoto das fake news enfim ganhou a atenção devida. Neste mês, abriram-se diferentes frentes para combater as mentiras na rede, em ataque descoordenado e de escala inédita. O movimento é ótimo - e problemático.

No Brasil, o principal lance veio do inquérito pilotado por Alexandre de Moraes no STF. A investigação tem raízes questionáveis, mas mira agora um alvo real: a rede que fomenta mentiras em favor do bolsonarismo.

As ações desse ninho foram expostas pela Folha em 2018. Não foi suficiente para que a Justiça Eleitoral investigasse de verdade.

A ofensiva do STF corrige parcialmente a lacuna. Mas não o faz sem atropelos. Um exemplo é o do ex-deputado Roberto Jefferson. Se ele comete crimes ao se expressar, deve ser julgado por isso. Bloquear suas redes não passa de censura. Esse mesmo inquérito, vale lembrar, censurou a revista Crusoé por publicar uma decisão judicial. Os conceitos de fake news no STF são preocupantes.

No Congresso, o buzz está no projeto dos deputados Tabata Amaral e Felipe Rigoni. É um caminho equivocado. Abre espaço para classificar de desinformação reportagem que deixe alguém em maus lençóis. Tenta balizar o que fazem verificadores de fatos. Determina até as configurações iniciais dos aplicativos de mensagens.

Nos EUA, o Twitter confrontou pela primeira vez Donald Trump, que reagiu prometendo regular ou fechar as redes sociais. Obviamente não sairá coisa boa. Originado também lá, o movimento Sleeping Giants colocou a pressão sobre os anunciantes. A ação, que chegou ao Brasil, é bem-vinda ?"e confortável para quem vive de publicidade programática.

Os interesses das plataformas, por sinal, saem guarnecidos nos movimentos acima (excetuada a torpeza de Trump). Isso nem sempre fica claro, pois as big techs já cooptaram para seu ecossistema, inclusive financeiramente, muitos dos protagonistas do debate. Sem mexer em pilares dessas empresas, o combate às fake news continuará inglório.
Herculano
28/05/2020 07:26
AO ZECA DO PP

A frase completa do mais longevo dos vereadores e ele deve saber bem o que falou, foi "águia voa com água; águia não voa com pardal".

Qual a conclusão? Que as obras da Rua Frei Solano foram feitas por águias e como tal, tentaram se sair ilesas comendo os pardais.

Pardais se chamam Zecas, são usados para dar recados e até baterem o ponto aqui e flanando na Terra Santa, e quando pegos, precisou das águias para salvarem as penas. Acorda, Gaspar!
Zeca do PP
27/05/2020 21:06
Herculano,


Na fala na Câmara ontem o ex diretor geral do SAMAE o melhor de todos tempo e vereador mais experiente e atuante, resumiu ao final que: "Águia voa com águia e não com...".
Entenderam?
Herculano
27/05/2020 17:45
da série: será que vai esticar a corda? Acho que está na hora para ver quem tem bananas para vender.

EM REAÇÃO AO STF, BOLSONARO COGITA RENOMEAR RAMAGEM E NÃO DEIXAR WEINTRAUB DEPOR

Conteúdo de O Antagonista. Na reunião ministerial extraordinária que Jair Bolsonaro convocou para discutir como reagir à ação do STF de hoje, uma das medidas cogitadas é não deixar Abraham Weintraub depor à PF para explicar sua declaração defendendo a prisão de ministros do Supremo.

Outra é renomear Alexandre Ramagem como diretor-geral da PF. Tanto a ordem para que Weintraub deponha como o bloqueio à nomeação de Ramagem vieram do mesmo ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Herculano
27/05/2020 17:18
ANDRÉ MENDONÇA MUDA DE IDEIA SOBRE INQUÉRITO DAS FAKE NEWS: "DIREITO DE CRITICAR É INALIENÁVEL"

Conteúdo de O Antagonista. André Mendonça criticou hoje, em nota, as buscas e apreensões contra bolsonaristas ordenadas por Alexandre de Moraes. Afirmou que ao povo é garantido o "inalienável direito de criticar seus representantes e instituições de quaisquer dos Poderes".

Quanto aos parlamentares, intimados a depor, afirmou que "é garantida a ampla imunidade por suas opiniões, palavras e votos".

"Intimidar ou tentar cercear esses direitos é um atentado à própria democracia", afirmou na nota.

O ministro da Justiça explicou que, no ano passado, como advogado-geral da União, defendeu a continuidade do inquérito "por dever de ofício imposto pela Constituição" - cabe à AGU defender judicialmente os atos dos três poderes.

"Em nenhum momento, me manifestei quanto ao mérito da investigação e jamais tive acesso ao seu conteúdo", afirmou.

Leia a íntegra:

"Diante dos fatos relacionados ao Inquérito 4.781, em curso no Supremo Tribunal Federal, pontuo que:

1. Vivemos em um Estado Democrático de Direito. É democrático porque todo o poder emana do povo. E a este povo é garantido o inalienável direito de criticar seus representantes e instituições de quaisquer dos Poderes. Além disso, aos parlamentares é garantida a ampla imunidade por suas opiniões, palavras e votos.

2. Intimidar ou tentar cercear esses direitos é um atentado à própria democracia.

3. De outra parte, esclareço que, em 2019, enquanto Advogado-geral da União, por dever de ofício imposto pela Constituição, defendi a constitucionalidade do ato do Poder Judiciário. Em nenhum momento, me manifestei quanto ao mérito da investigação e jamais tive acesso ao seu conteúdo.

4. Da mesma forma, as diligências realizadas pela Polícia Federal nesses casos se dão no estrito cumprimento de ordem judicial.

5. Assim, na qualidade de Ministro da Justiça e Segurança Pública, defendo que todas as investigações sejam submetidas às regras do Estado Democrático de Direito, sem que sejam violados pilares fundamentais e irrenunciáveis da democracia.

Brasília, 27 de maio de 2020.

André Luiz de Almeida Mendonça
Ministro da Justiça e Segurança Pública"
Herculano
27/05/2020 16:00
BRIGA ENTRE WITZEL E FLÁVIO NÃO PODE SER INTERROMPIDA, por Josias de Souza, UOL.

Ex-aliados, o senador Flávio Bolsonaro e o governador fluminense Wilson Witzel decidiram se engalfinhar em público. Todo brasileiro de bem tem o dever cívico exigir que essa desavença seja levada às últimas consequências.

Investigado por suspeita de corrupção, Witzel mirou no Zero Um após receber a visita dos rapazes da Polícia Federal. Teve o computador e o celular apreendidos. Declarou-se "perseguido". E afirmou que Flávio é que "já deveria estar preso."

Varejado numa investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro, Flávio reage: "Quando você fala que eu devia está preso, preso por quê? Não fiz nada de errado. Como eu me arrependo de ter eu te elegido governador aqui do Rio de Janeiro".

O arranca-rabo já produziu uma novidade. Ao se apresentar no ringue como um político limpinho, Flávio fez um inusitado elogio a Fabrício Queiroz, o faz-tudo que administrava a folha salarial "rachadinha" do seu gabinete.

"Onde eu ia você ficava ligando para o Queiroz", disse o Zero Um para Witzel. "Botava assessor para ligar para ele para saber onde eu estava. (...) Sabia que o Queiroz estava do meu lado, trabalhando. Um cara correto, trabalhador, dando sangue por aquilo que ele acredita."

Colecionador de inimigos, Flávio elogia Queiroz num instante em que o personagem retornou às manchetes pelas mãos do empresário Paulo Marinho. Suplente de Flávio no Senado, Marinho diz que o primogênito do presidente foi informado por um delegado da PF, em 2018, de que a conta bancária de Queiroz estava exposta num relatório do Coaf.

Desde então, Flávio vinha mantendo com Queiroz uma política de distanciamento social pré-pandemia. Já que redescobriu o valor do amigo da família, o Zero Um talvez possa responder: Por que demitiu Queiroz do seu gabinete em 15 de outubro de 2018? Por que seu pai, às voltas com a disputa do segundo turno da eleição presidencial, exonerou na Câmara a filha do Queiroz, Nathalia?

O mal de brigas como a de Flávio e Witzel é o pessoal que passa não distinguir quem é quem. Daí a importância de assegurar as condições para que a desavença seja levada às últimas consequências.

Em meio à atmosfera malcheirosa que infesta o eixo Rio-Brasília, Flávio e Witzel têm de continuar tratando um ao outro como gambás. Não se sabe, por ora, quem prevalecerá. Mas a plateia já percebeu que, em brigas desse tipo, mesmo o hipotético vitorioso sai fedendo.
Herculano
27/05/2020 15:19
ARAS PEDE A FACHIN SUSPENSÃO DO INQUÉRITO DAS FAKE NEWS,

Conteúdo de O Antagonista. Augusto Aras pediu a Edson Fachin a suspensão do inquérito das fake news no STF.

O pedido do PGR foi feito nesta quarta-feira, após a divulgação da operação da PF que mira o suposto esquema criminoso que divulga fake news, ligado a apoiadores de Jair Bolsonaro.

Aras fez o pedido em uma ação do partido Rede que questiona o inquérito, cujo relator é Fachin.

No pedido, o procurador-geral da República alega não ver crime nos posts em redes sociais dos alvos da operação e considera "desproporcionais" as medidas de bloqueio das contas em redes sociais.
Herculano
27/05/2020 13:00
FEDENTINA VEM MAIS DA PGR DO QUE DA PF. BOLSONARO OBTÉM SEU ESCONDE-CADÁVER, por Reinaldo Azevedo, no Uol

Quando as investigações começam, vaza tal volume de informações e detalhes que o público se perde. Resta-lhe apenas a constatação: "Ah, todo mundo é desonesto mesmo..." Ao que os bolsonaristas alardeiam: "Menos o Jair". Nesta terça, o senador Flávio Bolsonaro, vendo Wilson Witzel, seu desafeto, em palpos de aranha, teve a ousadia de chamar Fabrício Queiroz, o desaparecido, de "honesto e trabalhador".

Sim, há um monte de coisa que cheira muito mal nessa operação que colhe Wilson Witzel, governador do Rio, e é preciso tomar cuidado com o estado policial de Jair Bolsonaro. Há, sim, a fedentina do vazamento, mas não só. Em havendo áreas de manobras do presidente para engolfar governadores, em especial os desafetos do "capitão", a principal não é, por ora, a Polícia Federal, mas a Procuradoria Geral da República, cujo chefe é o bolsonarista Augusto Aras. É dali que emanaram os pedidos para mandados de busca e apreensão em endereços do governador e de sua mulher, Helena Witzel. Vamos ver.

FATORES ANTECEDENTES

Bolsonaro não é apenas um negacionista dos riscos da pandemia, a despeito dos números devastadores. Há muito tempo já ele vem alardeando que os governadores usam o coronavírus para alimentar esquemas de corrupção. E, sabemos, desde a Lava Jato, a palavra "corrupção" vira um anulador de quaisquer outros valores ou prioridades. Seu combate justificaria qualquer coisa.

Aras criou na PGR um grupo para acompanhar as ações dos governos estaduais durante a pandemia. Não se sabe de qualquer preocupação relacionada ao governo federal. Isso pode decorrer do fato de que este é de tal sorte incompetente e inoperante na área que pouco resta a investigar. Fato: tudo aquilo de que Bolsonaro precisava agora era de uma cortina de fumaça, ainda que exista incêndio - isto é, malfeitos - para encobrir a montanha de corpos de pobres vitimados pela doença. O órgão comandado por Aras lhe fez este favor.

ANTECEDENTES DA PLACEBO

A PGR reuniu investigações que se davam em duas frentes: Ministério Público Estadual, em parceria com a Polícia Civil, e Lava Jato do Rio, em parceria com o MPF. O primeiro grupo deflagrou a operação "Mercadores do Caos", que prendeu o subsecretário de Saúde Gabriell Neves.

Ele seria o responsável por fechar contratos que empenhariam algo em torno de R$ 1 bilhão. Desse total, R$ 836 milhões foram celebrados com a IABAS (Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde), que responde pelos hospitais de campanha. O governo prometeu nove. Só três foram inaugurados. Com plena condição de funcionamento, há apenas um. Cláudio França, presidente da entidade, também foi alvo da operação.

Gabriell está preso em Benfica, acusado de fraude na compra, sem licitação, de mil respiradores por R$ 183,5 milhões. Dos 66 contratos que ele celebrou, 44 foram cancelados. Ouvido, afirmou que obedecia ordens.

Outra frente é a Lava Jato no Rio, que desfechou a Operação Favorito, que prendeu o empresário Mário Peixoto, que mantém contratos com o governo do Estado desde Marcello Alencar. Ele é acusado de ser sócio oculto da UNIR, organização social que administra as UPAs. Ela tinha sido descredenciada por falta de prestação adequada de contas, e Witzel levantou a interdição, contrariando pareceres jurídicos.

POR QUE A AÇÃO CONTRA WITZEL?

A operação contra o governador e sua mulher foi pedida pela PGR e autorizada pelo ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça. Por que Gonçalves a autorizou?

1 - o tal Gabriell Neves, que está preso e já tinha sido demitido pelo governador, alega que seus superiores tinham o controle de suas ações;

2 - o escritório de advocacia de Helena Witzel tem um contrato de prestação de serviços com a empresa DPAAD Serviços Diagnósticos, que tem como sócios Alessandro de Araújo e Juan Elias Neves de Paula. Segundo o MPF, Peixoto é o verdadeiro dono da empresa, o que seu advogado nega.

3 - nota: o contrato de Helena com a DPAAD é de R$ 540 mil, dividido em 36 parcelas de R$ 15 mil, e o primeiro depósito foi feito em agosto do ano passado - bem antes de o coronavírus assombrar o mundo;

4 - Peixoto já foi cliente do advogado Lucas Tristão, hoje secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais do governo do Rio, também investigado.

ARAS NÃO APARECE

Foi a PGR que solicitou as ações contra Witzel, sua mulher e outros, mas Aras não aparece. Quem cuida do caso é a subprocuradora-geral Lindora Araújo. É de absoluta confiança do procurador-geral e responde pelos processos criminais junto ao STJ.

Outra subprocuradora-geral também trabalha em perfeita afinação com Aras: Célia Regina Delgado, do Gabinete Integrado de Acompanhamento da Covid-19, que funciona no âmbito da PGR. Há fortes indícios de que houve vazamento da Operação Placebo oriundos da Polícia Federal, mas o esparramo contra um adversário figadal de Jair Bolsonaro não partiu da PF e sim da Procuradoria-Geral da República. Vale dizer: a coisa pode ser ainda mais grave.

Os governadores que se cuidem. O risco maior não vem de uma PF, também bolsonarizada, mas da bolsonarização da PGR. Ah, sim: não se está aqui a negar que tenha havido safadeza. É preciso apurar. Ainda que tenha existido, isso não afasta o risco de manipulação política da investigação.

Ou ninguém se impressiona que, até agora, a PGR não tenha visto nada de errado na atuação do governo federal?
Herculano
27/05/2020 12:54
LUCIANO HANG, DA HAVAN EXPLICA NO TWITTER:

Hoje, às 6h da manhã, recebi a visita da Polícia Federal em minha casa, em Brusque (SC), requerendo meu celular e computador para análise. Querem saber se produzi ou patrocinei Fake News contra membros do Supremo Tribunal Federal ou contra a instituição. Jamais fiz isso.

EU EXPLICO

O que o STF está atrás, e pediu para a PF, são provas de financiamento dos blogs que geram fake news. E os amigos de Luciano, muitos do Vale do Itajaí e Litoral, temem serem pegos nesta rede junto com ele.

O QUE NÃO CONCORDO

É como se processa esta investigação, à margem da Lei e justamente feita pelo Supremo, o ponto maior de equilíbrio da Justiça para uma nação e um país. Se STF não acolhe à legislação normativa e processual em vigor e usa atalhos para exercer o seu poder do devido processo legal, a insegurança do cidadão está estabelecida.
Herculano
27/05/2020 12:47
da série: quem não deve, não teme. Será? Essa gente se enrola nos próprios conceitos de verdade que cobram dos outros. Como dizia o mineiro Tancredo Neves, quando a esperteza é demais, ela come o dono.

BOLSONARO TROCA NÚMERO DE CELULAR TRÊS DIAS APóS PEDIDO DE APREENSÃO IR À PGR

Conteúdo de O Antagonista.Jair Bolsonaro trocou o número de seu celular nesta segunda-feira (25), informa a Crusoé.

A mudança ocorreu três dias após Celso de Mello enviar à PGR pedidos de parlamentares para apreender o celular do presidente e de seu filho Carlos.

Assessores de Bolsonaro, no entanto, alegam que a mudança não tem relação com os pedidos dos parlamentares, e sim com um vazamento de seu antigo número.
Miguel José Teixeira
27/05/2020 11:34
Senhores,

+ 1 da série "o andar de cima transferiu-se para o subsolo":

. . .um presente para devedores contumazes. . .

"Projeto de lei beneficia devedores

A pandemia do coronavírus monopoliza atenções e muita discussão importante passa despercebida. É o caso do Projeto de Lei 1.397, aprovado na semana passada na Câmara e que agora será submetido ao Senado. Ele reserva armadilhas para a arrecadação federal e dos governos estaduais ao definir regras transitórias para empresas em recuperação judicial ou em vias de chegar a esse ponto. Na prática, o texto dá salvaguarda para todo tipo de devedor até dezembro de 2021. O artigo 15, por exemplo, determina que "ficam suspensos atos administrativos de cassação, revogação, impedimento de inscrição, registro, código ou número de contribuinte fiscal, independente da sua espécie, modo ou qualidade fiscal, sob a sujeição de qualquer entidade da federação que estejam em discussão judicial, no âmbito da recuperação judicial". Trata-se de um presente para devedores contumazes. Para se ter uma ideia, só no mercado de combustíveis cerca de
R$ 3 bilhões em tributos deixarão de ser recolhidos até o fim de 2021.

(fonte: CB, hoje em Mercado S/A.)
Miguel José Teixeira
27/05/2020 11:27
Senhores,

Corroborando com a minha frase ". . .o andar de cima transferiu-se para o subsolo":

"General Heleno age como qualquer político corrupto:
tenta matar o carteiro para não ter que ler a carta. Ao só me atacar, se exime de responder às questões que pontuei". (Ciro Gomes)

"Ciro Gomes, que eu mal conheço e considero um canastrão, publicou um vídeo com uma série de ofensas a mim. Não vou responder, porque o considero um lixo humano, nem vou processá-lo, por ser um caso igual ao Adélio, inimputável por ser débil mental"(General Heleno)

Fonte: Só papos/Eixo Capital, CB, hoje)
Miguel José Teixeira
27/05/2020 10:54
Senhores,

Pensando bem, nesses tempos de pandemia, o andar de cima transferiu-se para o subsolo.

"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca." Mateus 26:41
daniel
27/05/2020 10:15
É interessante, pra não dizer engraçado.
O festival de horrores protagonizado nas três esferas políticas do brasil consegue ofuscar a maior crise de saúde pública no mundo moderno.
E pior que tudo isso é passar em frente à Caixa Econômica e ver mais jovens buscando auxílio do governo do que pessoas "mais fracas" e que realmente precisam.
Um país de políticos ladrões, com jovens buscando auxílio emergencial em época de pandemia e economia parada, não fica difícil saber o que estamos deixando de herança para as próximas gerações..lamentável!
O que dirão os livros de história no futuro sobre nosso desempenho?
Herculano
27/05/2020 09:32
TEMPOS ESTRANHOS

De Paulo Eduardo Martins, jornalista e deputado Federal PSC/PR, no twitter:

O inquérito conduzido pelo Alexandre de Moraes é inconstitucional, é absurdo. Minha solidariedade ao
@allantercalivre, ao @luciano_hang e a todos que tem os seus direitos violados. O STF existe para proteger a CF, não para rasgá-la.

Herculano
27/05/2020 09:23
TEMPOS ESTRANHO

De Carlos Andreazza, editor de livros e comentarista na Band FM, no twitter:

A real de hoje. Os meios importam. Não vou comemorar o cerco a gente mentirosa cujas práticas deploro se o processo que autoriza os mandados é autoritário, tocado à revelia do MPF, e capaz de mover ações até contra jornalismo sério que desagrada ministro do Supremo. Cuidado.
Herculano
27/05/2020 08:49
CADA COISA. QUEM ESTÁ ATRASADO E QUEM ESTÁ AVANÇADO?

A FRANÇA ACABA DE PROIBIR, DEPOIS DE TESTES MÉDICOS, PESQUISAS CIENTÍFICAS E RESULTADOS EM DOENTES, O USO DA HIDROXICLOROQUINA EM PACIENTES COM COVID-19

NO BRASIL, O PRESIDENTE JAIR MESSIAS BOLSONARO, SEM PARTIDO, QUE NÃO É MÉDICO, MAS DEMITIU DOIS MINISTROS DA SAÚDE, MÉDICOS QUE NÃO QUISERAM REFERENDAR O PROTOCOLO DE USO DA DROGA, TORNOU O REMÉDIO A SALVAÇÃO DOS BRASILEIROS CONTRA A COVID-19.

É UM CASO DE SAÚDE SÉRIO
Herculano
27/05/2020 08:34
SINAIS DE ALERTA, por Merval Pereira, no jornal O Globo

É preciso decifrar em que pé está a interferência de Bolsonaro diretamente na Polícia Federal, especialmente no Rio

A operação policial no Palácio Laranjeiras, residência oficial dos governadores do Rio, faz parte de um amplo mosaico de combate à corrupção que é bem-vindo, mas traz consigo a desconfiança de que a Polícia Federal esteja sendo usada para objetivos políticos depois da mudança de chefia recente.

O fato de que esta é a segunda vez em pouco tempo que um governador do Rio recebe a visita da Polícia Federal em sua casa - o outro, Pezão, foi levado preso de lá -diz muito sobre a deterioração da política do estado, onde milicianos e trambiqueiros de diversos naipes dominam os serviços terceirizados, especialmente os da Saúde, numa perversão que não parou no governo Sérgio Cabral.

Os trambiqueiros são os mesmos. Mário Peixoto tinha ligação antiga com o governo anterior, e já na campanha sua presença no entorno de Witzel foi denunciada pelo também candidato Romário. Milícias disputam os poderes entre si, federal e estadual.

Os indícios contra o governador do Rio, Wilson Witzel, sempre foram muito fortes desde o início, quando desmontou o sistema unificado de polícias do Rio na Secretaria de Segurança organizado pelos militares durante a intervenção, e voltou a aceitar indicações políticas para o comando de batalhões, segundo informações das autoridades da época. O interventor foi o general Braga Netto, que hoje ocupa o Gabinete Civil da Presidência de Bolsonaro.

Mas o presidente Bolsonaro festejar com risadas e dar os parabéns à operação da Polícia Federal tem o mesmo efeito dos cumprimentos e elogios ao procurador-geral da República, Augusto Aras, ao visitá-lo de surpresa para elogiar de corpo presente o "colegiado maravilhoso" do Ministério Público.

Com atitudes como essas, Bolsonaro pressiona publicamente órgãos de Estado que são autônomos e precisam demonstrar essa condição em situações delicadas, como, por exemplo, recolher o celular de uma autoridade. Ontem, os celulares e computadores do governador do Rio, Wilson Witzel, foram confiscados pela PF com a autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Por que então é considerado pelo governo federal uma ofensa a simples menção à possibilidade de confiscar o celular do presidente da República, a ponto de o general Augusto Heleno dar-se ao desplante de soltar nota oficial, respaldada pelo Ministro da Defesa, ameaçando com uma crise institucional "de consequências imprevisíveis"?

O mesmo general, juntamente com seus colegas de farda Braga Netto e Luiz Eduardo Ramos, sentiu-se ofendido quando o mesmo ministro Celso de Mello convocou-os para deporem como testemunhas e, no documento de convocação, havia o aviso de praxe de que se não comparecessem no dia marcado, poderiam ser levados a depor coercitivamente debaixo de vara.

Todo cidadão brasileiro recebe intimações nesses termos, por que os generais não poderiam também serem tratados como cidadãos comuns? Sentem-se "mais iguais que os outros", lembrando George Orwell na "Revolução dos bichos"? Essas suspeitas tornam nubladas operações que podem ser corretas, no meio de uma confusão política enorme.

Que o Palácio do Planalto sabia da operação no fim de semana parece não haver mais dúvidas, e não apenas porque a deputada Carla Zambelli deu com a língua nos dentes e antecipou em entrevista operações contra governadores.

Assessores próximos do presidente da República comentaram com amigos a possibilidade de prisão de Witzel no sábado. A suspeita de que a nova direção da Polícia Federal está satisfazendo a "curiosidade" do presidente Bolsonaro, especialmente no Rio de Janeiro, é o efeito colateral dessa ação, o que pode ser mortal para a nossa democracia.

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, soltou ontem uma nota oficial sóbria mas enérgica, cujo núcleo é a defesa da tese democrática de que ordem judicial se cumpre, e que a relação entre os poderes não pode estar ameaçada por sentimentos espúrios.

É preciso decifrar em que pé está a interferência de Bolsonaro diretamente na Polícia Federal, especialmente no Rio. Muita coincidência que tudo em primeiro lugar aconteça no Rio. A primeira decisão do novo diretor da PF foi a troca do superintendente do Rio, a primeira operação foi aqui também. É preocupante imaginar que o presidente esteja constrangendo Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República e Ministério Público. Pode ser perigoso para a democracia.
Herculano
27/05/2020 08:32
LUCIANO HANG, DONO DA HAVAN, ROBERTO JEFFERSON, DEPUTADO ESTADUAL DE SP E BLOGUEIRO SÃO ALVOS DE OPERAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL

As ordens judiciais estão sendo cumpridas no Distrito Federal, no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Mato Grosso, no Paraná e em Santa Catarina.

Conteúdo do portal G1, TV Globo E Globonews. Texto de Gabriel Palma, Márcio Falcão e Isabella Camargo de Brasília

A Polícia Federal (PF) cumpre, na manhã desta quarta-feira (27), mandados de busca e apreensão no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura ameaças e ofensas à Corte. O ex-deputado federal Roberto Jefferson, o empresário Luciano Hang, o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) e blogueiro Allan dos Santos são alvos. Os quatro são aliados do presidente Jair Bolsonaro.

As buscas com relação a Jefferson e Hang foram realizadas nas casas deles, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, respectivamente.

No caso de Garcia, as buscas foram realizadas no gabinete, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde computadores foram apreendidos.

As buscas sobre Allan dos Santos ocorreram na casa dele, em uma área nobre de Brasília.

Ao todo, a operação tem 29 mandados de busca e apreensão. As ordens foram expedidas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do inquérito.

Além de Rio de Janeiro e Brasília, há mandados para ser cumpridos também nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

Histórico do inquérito
As investigações tramitam em sigilo e apuram informações levantadas pela equipe designada pelo relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, sobre suspeitos de terem atacado a honra ou tentado ameaçar ministros.

Abertura do inquérito

O inquérito criminal para apurar "notícias fraudulentas", ofensas e ameaças que "atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares" foi aberto em março pelo presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, sem um pedido de autoridades policiais ou procuradores e sem a participação do Ministério Público.

Também por conta própria, Toffoli designou Moraes como relator do caso. Não houve sorteio entre os ministros do Tribunal, como é norma regimental no caso dos inquéritos comuns.

As medidas geraram críticas no Ministério Público Federal e no meio jurídico - dez ações foram apresentadas ao Supremo contra o inquérito e aguardam julgamento.

Um dos pontos questionados é que os suspeitos não têm foro no Supremo, mas sim as vítimas, que são os ministros.

O Supremo, por sua vez, diz que o regimento da Corte permite a abertura de investigações para apurar crimes cometidos dentro da instituição ?" no caso, os ministros são a instituição em qualquer lugar que estejam, segundo interpretação do STF.

O inquérito deveria ter terminado em janeiro de 2020, mas foi prorrogado por seis meses.
Herculano
27/05/2020 08:22
A POLÍCIA FEDERAL ESTÁ NAS RUAS EM VÁRIOS ESTADOS ATRÁS DE BLOGUEIROS BOLSONARISTAS E ESPECIALISTAS EM FAKE NEWS E OFENSAS AO STF

É UM TESTE PARA A INFLUÊNCIA DO PRESIDENTE JAIR MESSIAS BOLSONARO, SEM PARTIDO, NA POLÍCIA FEDERAL E A CORDA QUE ESTICOU COM O SUPREMO. AS ORDENS JUDICIAIS SÃO DO INQUÉRITO CONDUZIDO PELO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAIS.

DIA QUENTE.
Herculano
27/05/2020 08:17
BOLSONARO DESMORALIZOU A POLÍCIA FEDERAL EM TEMPO RECORDE

Há um mês, presidente disse que 'minha PF' investigaria uso do dinheiro para o coronavírus.

Jair Bolsonaro mudou de ideia. Há pouco mais de um mês, o presidente batia na mesa ao esbravejar contra a Polícia Federal. Enviava mensagens ao ministro da Justiça para reclamar de apurações contra seus aliados e reclamava da lentidão do órgão em atender a seus interesses. Agora, ele sorri por trás da máscara e parabeniza a corporação por investigar um de seus rivais.

A alegria seletiva reforça a visão torta que o presidente tem das instituições. Quando a PF se aproxima de seu grupo político, Bolsonaro se diz perseguido e sabota o órgão, em busca de proteção. Quando a corporação bate à porta de seus adversários, a reação é mais generosa.

O próprio presidente faz questão de demarcar essa diferença. Em 24 de abril, Bolsonaro se queixou: "A PF de Sergio Moro mais se preocupou com Marielle do que com seu chefe supremo". Depois de trocar o ministro da Justiça, lançou um pronome possessivo. "A minha PF vai para cima de quem estiver fazendo besteira com essa grana, hein?", afirmou Bolsonaro, em referência ao dinheiro para o combate ao coronavírus.

Nesta terça (26), o presidente acordou satisfeito. Investigadores amanheceram na residência oficial do governador do Rio, Wilson Witzel, arqui-inimigo de Bolsonaro. Eles dizem ter provas de que uma organização criminosa desviou parte do dinheiro contra a pandemia e fraudou até o orçamento das caixas d'água dos hospitais de campanha do estado.

Em sua campanha obsessiva pelo controle da PF, Bolsonaro conseguiu desmoralizar a corporação em tempo recorde e alimentar desconfianças sobre a atuação do órgão contra críticos do presidente. As investigações acumulam indícios e se aproximam do governador, mas Witzel ganhou de presente a chance de apontar o dedo para Brasília.

Na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro se limitou a dar "parabéns à Polícia Federal". Como se sabe, o episódio só mereceria uma intromissão presidencial caso Witzel se encaixasse nas categorias "a minha família toda" ou "amigos meus".
Herculano
27/05/2020 08:14
COMPLICA SITUAÇÃO DE SKAF NA FIESP, APóS VIRAR RÉU

O clima pode esquentar na reunião de diretoria, nesta quarta (27), da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Será a primeira depois que seu presidente, Paulo Skaf, virou réu na Justiça. Ele é acusado de corrupção e caixa 2. A expectativa é até de renúncia, por coerência: em 2016, Skaf defendeu a saída de diretor denunciado como maior devedor da União, mais de R$6,9 bilhões. E fez a Fiesp divulgar nota sobre sua "intransigência no combate à sonegação e corrupção."

BOBEOU, DANÇOU

O diretor da Fiesp Laodse de Abreu Duarte, cuja saída era defendida abertamente por Skaf, acabou renunciando ao cargo.

A REGRA É CLARA

O artigo 27 do estatuto da Fiesp prevê a destituição de diretor no caso de "conduta incompatível com a ética, a dignidade e o decoro do cargo".

ACUSAÇÃO ACEITA

Paulo Skaf virou réu na Justiça Eleitoral, acusado de levar R$5 milhões em propina e "caixa dois", pagos pela Odebrecht, estrela da Lava Jato.

BICO CALADÍSSIMO

Embora solicitado por dois dias consecutivos, por meio da assessoria, a comentar sua situação na Fiesp, Skaf manteve-se em silêncio sepulcral.

OPERAÇÃO DA PF ERA AGUARDADA ATÉ PELA IMPRENSA

Não era só da deputada Carla Zambelli (PSL-RS) a expectativa de operações da Polícia Federal, inclusive no Rio, contra governadores e prefeitos suspeitos de roubar na compra de materiais contra o covid-19. O "chute" refletiu uma aposta generalizada, após a prisão de corruptores e corrompidos no governo de Wilson Witzel. Rumores sobre operação da PF foram noticiados em veículos como a revista Crusoé, como quando da chegada à cidade, dia 20, do jato de transporte de policiais federais.

SEM SURPRESA

A fofoca que a deputada compartilhou recebeu tratamento de "escândalo", como se a operação da PF tivesse sido "surpreendente".

EXPECTATIVA DIÁRIA

Segunda (25), a PF agiu em Fortaleza. No Recife, cresce a expectativa de operação da PF contra compras de R$670 milhões sem licitação.

TEM PARA TODOS

Amapá e Pará tiveram suas operações. Prefeituras do interior de SP e também empresa que vendeu testes para Rondônia foram alvos da PF.

PERSEGUIÇÃO?

A investigação começou na própria Polícia Civil do Rio de Janeiro, mas quando chegou em Wilson Witzel, subiu para a Polícia Federal e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em razão do privilégio de foro do governador. Foi um ministro do STJ quem ordenou a Operação Placebo.

PIADA PRONTA

A acusação do governador Wilson Witzel de "perseguição" não combina com os fatos, e faz lembrar a velha piada do ladrão que corre da polícia, mas, para disfarçar, também grita "pega ladrão!, pega ladrão!"

QUEM QUER, ELOGIA

Em entrevista ao Diário do Poder, o ex-ministro Osmar Terra fez elogios ao ministério "de altíssima qualidade" de Bolsonaro. "Tem todas as condições de conduzir o Brasil para um futuro melhor", disse ele.

SANDÁLIAS DA HUMILDADE

O ministro Celso de Mello soltou os cachorros contra os que atacam o Supremo Tribunal Federal, e com razão. Mas não teve a humildade de admitir o erro de vazar o vídeo que, inútil ao inquérito, só agravou a crise.

INIMPUTÁVEL

Juíza de 1ª instância condenou um cursinho de BH a indenizar Dilma Rousseff por "danos morais" por associar foto dela ao texto "Como deixar de ser burro". Quanto aos danos da petista ao País, nada. Cabe recurso.

ONG AMA DINHEIRO PÚBLICO

De olho na grana, como sempre, uma associação de organizações não-governamentais criou uma outra ONG para pressionar o governo, deputados e senadores a revogarem o Teto dos Gastos Públicos.

BOM SERIA LIBERAR GERAL

O vídeo divulgado por ordem do ministro Celso de Mello para expor Bolsonaro fez lembrar ao advogado Pedrinho Barreto, ex-presidente do PSDB-SE: "Imagine se divulgam as sessões administrativas do STF..."

EFEITO DA TRANSPARÊNCIA

O dólar comercial caiu pelo segundo dia seguido depois da divulgação do vídeo da reunião ministerial e fechou ontem cotado a R$5,35, exatamente o mesmo valor em que era negociado no dia 29 de abril.

PENSANDO BEM...

...já lá se foi o tempo em que autoridades tinham fé pública.
Herculano
27/05/2020 08:05
da série: a polícia agora virou arma de governo própria das ditaduras que perseguem adversários políticos e não forças de estado estabilização social ou judiciária. Vergonha.

SUSPEITAS VOLTAM COM OPERAÇÃO DA PF CONTRA WITZEL, editorial de O Globo

Há sólidas evidências de corrupção na área da saúde, mas vazamento da operação causa preocupações

No encadeamento de crises que caracteriza o governo, a vertente da Polícia Federal e sua vinculação ao Planalto é um foco que volta a chamar a atenção desde o final da madrugada de ontem, quando viaturas da Polícia Federal entraram nos jardins do Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do Rio de Janeiro, cargo ocupado por Wilson Witzel, adversário político do presidente Bolsonaro. Em um momento de normalidade política, seria mais uma demonstração de seriedade e independência da PF, como aconteceu nestes últimos anos no ciclo de combate à corrupção.

Mas o presidente acabou de substituir o ministro da Justiça Sergio Moro por André Mendonça, que, com o aval de Bolsonaro, colocou Rolando Alexandre de Souza na direção-geral da PF, o que faz supor que os clamores do presidente para ter gente na polícia com quem possa "interagir" foram atendidos. Por "interagir" pode-se entender tudo, considerando-se o estilo pessoal do presidente e seu perfil centralizador e autoritário. Porém, não se tem dúvida de que o mandado de busca e apreensão concedido pelo ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), cumprido no Laranjeiras, e não só nele, esteja bem fundamentado.

Mas a conjugação das mudanças na pasta da Justiça e Segurança Pública, e por decorrência na PF, com a deflagração da Operação Placebo contra Witzel, chamado de "estrume" por Bolsonaro na reunião ministerial do vídeo, é preocupante, porque pode ser o sinal de que a PF começa a se converter em braço armado do poderoso de turno, como acontece em republiquetas.

Para reforçar o temor de que a PF passa mesmo à órbita de Bolsonaro, um presidente que se preocupa em proteger família e amigos, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), próxima do presidente, frequentadora do Planalto e do Alvorada, com fácil trânsito na PF, adiantara à Rádio Gaúcha que a Polícia investigava governadores. Arriscou um nome para a operação: "Covidão". Nisso errou. Este caso tem vários aspectos, e todos parecem verdadeiros. Não se discutem fartas evidências de grossa corrupção nos gastos do governo do estado em hospitais de campanha e na compra de equipamentos para aparelhá-los, a fim de acolher vítimas da Covid-19. Há negócios escusos com organizações sociais. Por R$ 180 milhões, por exemplo, compraram-se mil ventiladores pulmonares junto a empresas inidôneas; foram entregues 52, mas não serviram. E desapareceram quase integralmente R$ 36 milhões.

O ex-secretário de Saúde, Edmar Santos e o seu sub, Gabriell Neves, são processados, e este foi preso. Antes, em outra operação, terminou encarcerado o empresário Mário Peixoto, deste ramo de negócios com governos. A primeira dama do estado, a advogada Helena Witzel, também é citada nas investigações. Se tudo for provado, depois de Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo será o segundo casal a passar pelo Laranjeiras que cairá nas redes da Justiça, em mais um estágio na degradação ética da política carioca e fluminense. Mas nada justifica a PF ser de governos.
Herculano
27/05/2020 08:00
ROUBANDO O REMÉDIO DO DOENTE, por Carlos Brickmann

Bolsonaro tem suas culpas - tantas, tão graves, que não é preciso inventar culpas novas para falar mal dele. No caso da busca e apreensão no Rio, em que o governador e sua esposa foram atingidos, ele até que gostaria de ser o responsável pela Operação Placebo da Polícia Federal, mas o comando é outro: quem pediu ao Superior Tribunal de Justiça que autorizasse a busca, a apreensão e a quebra dos sigilos foi a Procuradoria Geral da República. O procurador-geral, Augusto Aras, foi indicado por Bolsonaro, mas se o STJ autorizou a ação é que havia motivos para realizá-la. A coisa no Rio parece mesmo brava: dos sete hospitais de campanha, só três foram entregues. Um hospital, dado como pronto, só tinha as paredes: o equipamento, já pago, lá não existia. A empresa terceirizada que cuida da construção e manutenção dos hospitais já gastou um terço da verba total para seis meses, sem concluir sequer metade das obras de construção. E a manutenção?

Mas, se o responsável pela operação não é Bolsonaro, que tanto queria mudar a direção da PF no Rio que por isso até demitiu Sergio Moro, se a operação ocorreu logo após a mudança por pura coincidência, resta explicar uma coisa. Na véspera da operação, a deputada ultrabolsonarista Carla Zambelli disse à Rádio Gaúcha que a Federal iria agir contra governadores.

Era verdade - mas como é que ela soube? Quem, e por que, violou o sigilo?

CADÊ O SIGILO?

Carla Zambelli é uma parlamentar pronta a defender o presidente, mas não está no primeiro escalão bolsonarista. Além dela, quem mais sabia da operação? Ela sabia de mais coisas: na entrevista, disse que a PF tinha outras operações "na agulha", que acabaram não sendo feitas.

De novo a pergunta: como é que sabia? O senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, garante que começou o tsunami. É só palpite ou sabe de algo? Se sabe, como?

DE TUDO UM MUITO

O Ministério Público diz ter provas de que houve fraude no orçamento até dos geradores dos hospitais de campanha do Rio. Mais: que, no topo da organização que fraudou o orçamento, está o governador Wilson Witzel.

PRIMEIRO DELES

Há gente arriscando a vida para cuidar de quem contraiu o coronavírus. Há gente que se mobiliza para ajudar os que, por causa do coronavírus, estão precisando de dinheiro, comida e roupas. Há empresas que fizeram pesadas doações para ajudar a combater a pandemia - entre elas, louve-se enfim, a sempre criticada JBS, que também não demitiu funcionários. E há gente que, mesmo sabendo dos problemas que os vários governos enfrentam para pagar os custos do combate ao coronavírus, dão de ombros. E daí? Não é com eles.

Na Bahia, um lúgubre retrato do que pode acontecer. No Tribunal de Justiça, saiu uma listinha de salários. Lembre: diz a lei que nenhum salário pago por cofres públicos pode ultrapassar o de ministro do Supremo, algo como R$ 40 mil mensais. Nos Estados, são cerca de R$ 36 mil. Na lista de 19 nomes do TJ da Bahia, o menor salário é de Itabuna, de um diretor de Secretaria de Vara, R$ 39.722,80. O maior é de Salvador, de um subescrivão de gabinete de desembargador, R$ 54.563,22. No miolo da lista, há um escrivão, com R$ 45.1448,29; um atendente de recepção, R$ 50.305,29; um técnico de nível médio, R$ 47.298,65. Tudo deve estar bem explicadinho, com certeza. E ajuda a encontrar a explicação da falta de dinheiro para pagar funcionalismo.

ALô, ALô, COLEGAS!

Não existe "protesto a favor". Existe "manifestação a favor". Protesto é uma manifestação contrária. Portanto, "protesto a favor de Bolsonaro" é uma contradição em termos: ou é protesto, ou é a favor. Segundo: na manifestação deste final de semana na avenida Paulista, em São Paulo, havia pelo menos uma bandeira da Pravy Sektor, a milícia fascista da Ucrânia. Deve ter sido falha deste colunista, que não viu menção a esta bandeira, nem entrevistas com quem a transportava. Só vi uma menção à Ucrânia, que talvez seja fake news: uma entrevista atribuída a Sara Winter, ex-feminista que hoje lidera um grupo radical de bolsonaristas. Segundo o áudio que lhe é atribuído, ela diz ter sido treinada na Ucrânia e que chegou a hora de ucranizar o país.

TEM DE SABER PUXAR

John Foster Dulles, o secretário de Estado do presidente Eisenhower (1953-1961) disse que os Estados Unidos não tinham amigos, mas países com interesses comuns. O presidente Bolsonaro, ingênuo ao ponto de achar que ele e seu filho tinham conquistado a amizade do presidente Trump, já enfrentou problemas mais de uma vez (como na indicação para a Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, OCDE). Agora Trump proibiu a entrada nos EUA de pessoas que tenham passado pelo Brasil há menos de 14 dias, já que aqui o coronavírus cresceu exponencialmente.

Até aí, vá lá; mas as palavras de Trump foram duras, "não quero ninguém entrando aqui para infectar nossos cidadãos". Muy amigo.
Herculano
27/05/2020 07:50
ENCRENCAS QUE GOVERNO BOLSONARO CRIA COM CHINA SÃO PRODUTO DA INÉPCIA, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Não há contencioso algum com o país asiático, salvo recônditos sentimentos racistas

Com a exposição das falas tétricas da reunião ministerial de Bolsonaro, saem do Planalto sinais de preocupação diante de um eventual estrago que possa ocorrer nas relações do Brasil com a China.

Se um ministro chinês dissesse que o Brasil "é aquele cara que cê sabe que cê tem de aguentar", porque eles nos vendem proteínas de que precisamos, e outro acrescentasse que a "globalização cega" levou o país a comprar alimentos de quem espalhou o "comunavírus", a milícia bolsonariana estaria com a faca nos dentes. Bizarrices desse tipo partiram dos ministros Paulo Guedes, na reunião, e Ernesto Araújo, num artigo.

O professor Delfim Netto já ensinou que os governos precisam abrir a quitanda pela manhã, com beringelas para vender e troco para a freguesia.


O governo de Jair Bolsonaro só abre à noite, não tem troco nem legumes e briga com as freguesas. À primeira vista faz isso movido por estranhas convicções, mas as encrencas que ele cria com a China são produto da inépcia.

Durante a existência do capitão, a diplomacia brasileira cuidou de grandes questões que envolviam o interesse nacional. Assim foi com o estranhamento ocorrido no século passado com a Argentina em torno da construção da hidrelétrica de Itaipu ou mesmo com os Estados Unidos durante o governo de Jimmy Carter, em torno do acordo nuclear assinado com a Alemanha.

Nesses dois casos existiam contenciosos. Com a China não há contencioso algum, salvo recônditos sentimentos racistas. No limite, o Império do Meio acaba mal falado porque compra beringelas brasileiras.

O doutor Guedes diz que "tem que aguentar" o chinês e orgulha-se de ter lido obras do economista John Maynard Keynes "três vezes, no original". Ler o inglês no original é motivo de orgulho, vender soja para o chinês chega a ser um desconforto.

O povo chinês viveu o que ele mesmo chama de "século da humilhação". O palácio de verão dos imperadores foi saqueado por uma tropa anglo-francesa em 1860 e no início do século passado um parque localizado no enclave internacional de Xangai tinha um cartaz que avisava: "Proibida a entrada de cachorros e de chineses".

Quando o ministro da Educassão, Abraham Weintraub, fez graça brincando com a fala do Cebolinha para sugerir que a China seria a beneficiária da ruína provocada pela pandemia, sabia que lidava com um preconceito. Seu erro estava em julgar-se superior aos chineses, e muita gente pensa assim.


Em 1979, quando o poderoso Deng Xiaoping visitou Nova York, precisou pedir dinheiro a um amigo para comprar um presente para sua neta, uma boneca que chorava e fazia xixi. Hoje as crianças americanas brincam com bonecas chinesas.

Na transcrição liberada com embargos pelo ministro Celso de Mello, Bolsonaro disse que "não queremos brigar com XXXXXX , zero briga com a XXXXX." A XXXXX não briga, espera.

Fica aqui o registro de que o ministro zombou da curiosidade alheia nos embargos que impôs ao texto da fatídica reunião de 22 de abril. Alguns cortes são risíveis, pois basta medir o trecho suprimido para se perceber o que está escrito ali.
EDUARDO CAMPOS
26/05/2020 22:00
VAMOS A SECRETÁRIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DE GASPAR

- As peças do tabuleiro mudaram mais tudo permanece igual.

-ELAINE CONTINUA FAZENDO AS ATRIBUIÇÕES DE DIRETORA GERAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL

-SANDRA CONTINUA NA PROTEÇÃO BÁSICA

-SILVANIA ATUAL ATUA COMO SECRETÁRIA REAL

-FELIPE COADJUVANTE DISCURSO POLÍTICO MAIS NA PRÁTICA NÃO CONSEGUE COMPREENDER O TRABALHO EXECUTADO.

- EVANDRO SCHNEIDER IMHOF CUIDA DO SETOR DE MANUTENÇÃO CONTUDO TEM O CARGO DE COORDENADOR DA ALTA COMPLEXIDADE DESVIO DE FUNÇÃO EM UM SETOR ONDE DEVERIA ACOMPANHAR AS INSTITUIÇÕES DE ACOLHIMENTO E INSTITUIÇÃO DE IDOSOS DE LONGA PERMANÊNCIA, COLOCARAM UM FIGURA POLÍTICO PARTIDÁRIO PARA EXERCER UM CARGO COMPLETAMENTE DIFERENTE. NOVAMENTE QUEM PERDE É A POLÍTICA PÚBLICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. FICANDO A DESPROTEGIDA NESTE NIVEL DE COMPLEXIDADE.

-NA SECRETÁRIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL NÃO EXISTE UMA ORGANIZAÇÃO DAS FUNÇÕES COMISSIONADAS CADA UM FAZ O QUE QUER DO JEITO QUE QUER DE ACORDO COM AS ORDENS DO PREFEITO DE FATO ROBERTO PEREIRA.

-AS DECISÕES ESTÃO SENDO TOMADAS POR DUAS PESSOAS, SILVANIA A DIRETORA GERAL E FELIPE SECRETÁRIO INTERINO.

-GASPAR MERECIA MAIS ATENÇÃO NESTA POLÍTICA PÚBLICA SENSIVEL NA SOCIEDADE EM TEMPOS DE PANDEMIA E CRISE SOCIAL MERECIA TER MAIS INVESTIMENTO.

-CHEGANDO INVERNO AS PESSOAS QUE ESTÃO EM SITUAÇÃO DE RUA ESTÃO DESPROTEGIDAS UM ALBERGUE PARA ACOLHER ESSAS PESSOAS SERIA IMPORTANTE, MAIS NUNCA FOI PRIORIDADE NO GOVERNO MUNICIPAL EM VÁRIAS GESTÕES PÚBLICAS.

-VAMOS AGUARDAR OS PR?"XIMOS CAPITULOS DA SECRETÁRIA DE ASSSISTÊNCIA SOCIAL DE GASPAR.
Herculano
26/05/2020 17:52
da série: algo vexatório para um ex-juiz

INVESTIGAÇÃO DIZ QUE WITZEL ESTÁ NO TOPO DE GRUPO QUE FRAUDOU ORÇAMENTO ATÉ DE CAIXA-D'AGUA

Dados enviados pelo Ministério Público Federal ao STJ afirmam que governador tinha comando de ações; ele nega irregularidades

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Fábio Fabrini e Matheus Teixeira, da sucursal de Brasília. A Operação Placebo diz ter reunido provas indicando que o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), está no topo de uma organização que fraudou o orçamento até das caixas d'água de hospitais de campanha no Rio.

Dados da investigação, enviados pelo Ministério Público Federal no Rio ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), afirmam que Witzel "tinha o comando" das ações para, supostamente, lesar a gestão das unidades de saúde.

Para isso, seria auxiliado por sua mulher, Helena Witzel, e pelo ex-secretário de Estado da Saúde Edmar Santos, que delegou algumas atribuições a subordinados sob investigação.

Segundo o inquérito, que tramita em sigilo, houve ilegalidades no processo de contratação da organização social Iabas para administrar os hospitais provisórios. Para isso, diz a investigação, foram fraudados os valores dos orçamentos de diversos itens do atendimento a vítimas da Covid-19.

"Afirmam [os investigadores] a existência de prova robusta de fraude nos processos que levaram à contratação da Iabas para gerir os hospitais de campanha no Rio de Janeiro, tudo com a anuência e comando da cúpula do Executivo", diz trecho da decisão do ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Benedito Gonçalves, que autorizou a operação.

"Para tanto, informam que foram apresentados orçamentos fraudados para montagem e desmontagem de tendas, instalação de caixas d'água, geradores de energia e pisos para a formação da estrutura dos hospitais de campanha, tudo com o conhecimento do [então] secretário de Saúde. Provas policiais dão conta que os demais orçamentos foram apresentados ao estado para escamotear a fraude na contratação, aparentando uma legalidade inexistente", completa.

Nesta terça (26), a Polícia Federal cumpriu ordens de busca e apreensão em endereços de Witzel, incluindo os palácios das Laranjeiras e da Guanabara, da mulher dele e de servidores da Saúde no estado.

"Afirmam [os investigadores] que as provas coletadas até este momento indicam que, no núcleo do Poder Executivo do estado do Rio, foi criada uma estrutura hierárquica, devidamente escalonada a partir do governador, que propiciou as contratações sobre as quais pesam fortes indícios de fraudes", prosseguiu o ministro.

Em seguida, ele acrescenta: "Para tanto, Wilson Witzel mantinha o comando das ações [auxiliado por Helena Witzel]".

Na decisão, Gonçalves afirmou que o compartilhamento de provas provenientes da Justiça Federal no Rio demonstrou "vínculo bastante estreito e suspeito entre a primeira dama do Rio" e as empresas de Mário Peixoto, empresário beneficiado com contratos no governo fluminense.

Ele cita contrato de prestação de serviços entre o escritório de advocacia de Helena Witzel e a DPAD Serviços e Diagnóstico, bem como comprovante de transferência de renda entre as duas empresas.

No email de Alexandre Duarte, apontado como operador de Peixoto, a polícia também encontrou um comprovante de pagamento à esposa de Witzel, afirma o ministro.

Gonçalves afirmou que as ações são necessárias em busca de provas e ressaltou a dificuldade de investigar pessoas que conhecem o funcionamento da Justiça.

O governador Wilson Witzel, no caso, é ex-juiz de carreira e deixou a profissão para se candidatar ao Executivo fluminense.

"Ademais, estamos tratando de supostos ilícitos cometidos por alguns investigados com conhecimento jurídico, cuja obtenção de prova torna-se bastante difícil. Assim, a medida cautelar se mostra imprescindível em razão da necessidade de assegurar a preservação de elementos comprobatórios de materialidade e autoria delitiva", escreveu.

Gonçalves ainda disse que as provas colhidas até o momento expõem a necessidade dos mandados de busca e apreensão.

Além da operação em busca de evidências nos endereços ligados aos supostos criminosos, o magistrado destacou a necessidade de os investigadores terem acesso ao sigilo fiscal e telemático dos investigados.

"A quebra de sigilo dos dados obtidos e arrecadados também deve ser autorizada, ainda que não explicitamente solicitada, porquanto é consectário lógico de indigitada apreensão, de modo a permitir o acesso a todos aqueles que vierem a ser obtidos, sejam de sistemas de informática, telemática ou qualquer meio de armazenamento, mesmo que condizentes a sigilo bancário e/ou fiscal, inclusive os dados armazenados na nuvem, através de quaisquer serviços utilizados", diz.

Witzel afirmou nesta terça que não cometeu irregularidades e apontou interferência do presidente Jair Bolsonaro na investigação.

"Continuarei trabalhando de cabeça erguida. Manterei minha rotina de trabalho para continuar salvando vidas e corrigindo erros que todos nós estamos passíveis de sofrer, diante desse momento tão difícil que atravessa o Brasil ?"governado por um líder que, além de ignorar o perigo que estamos passando, inicia perseguições políticas àqueles que ele considera inimigos", afirmou Witzel.

Ao comentar a operação, Witzel afirmou ter sido alvo de narrativas fantasiosas e investigações precipitadas. "O que aconteceu comigo vai acontecer com outros governadores considerados inimigos", disse.

"Não há absolutamente nenhuma participação ou autoria minha em nenhum tipo de irregularidade nas questões que envolvem as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal. Estou à disposição da Justiça, meus sigilos abertos e estou tranquilo sobre o desdobramento dos fatos. Sigo em alinhamento com a Justiça para que se apure rapidamente os fatos. Não abandonarei meus princípios e muito menos o estado do Rio de Janeiro", afirmou, em nota.

O governador disse que sofre perseguição política e que a busca não resultou em nada, já que não foram encontrados valores ou joias. "O que se encontrou foi apenas a tristeza de um homem e de uma mulher pela violência com que esse ato de perseguição política está se iniciando em nosso país."

"Quero manifestar minha absoluta indignação com um ato de violência que hoje o Estado democrático de Direito sofreu. A narrativa que construída e foi levada ao ministro Benedito é absolutamente fantasiosa. Não vão conseguir colocar em mim o rótulo da corrupção", completou.
Herculano
26/05/2020 15:59
da série: vem ai o Covidão. Witzel reclama, mas na prática, ele comeu a isca da corrupção tão normal no estado e cidade do Rio de Janeiro.

"O QUE ACONTECEU COMIGO VAI ACONTECER COM OUTROS GOVERNADORES CONSIDERADOS INIMIGOS"

Conteúdo de O Antagonista. Em pronunciamento, Wilson Witzel afirmou há pouco que não foi encontrado dinheiro nem joias no Palácio Laranjeiros, residência oficial do governador do Rio.

Segundo Witzel, a busca e apreensão é, na verdade, um "ato de perseguição política que está se iniciando no país".

"Todas as irregularidades estão sendo investigadas por determinação minha. A busca e apreensão, além de ser desnecessária, porque o ministro foi induzido ao erro, fantasiosa a construção que se fez, não reflete em absolutamente nada. Não foram encontrados valores, não foram encontradas jóias. Se encontrou, foi apenas a tristeza de um homem e de uma mulher pela violência com que esse ato de perseguição política está se iniciando no nosso país. O que aconteceu comigo vai acontecer com outros governadores considerados inimigos."

O Antagonista já mostrou que há ao menos três governadores sendo investigados no STJ por contratos suspeitos da Covid-19.
Herculano
26/05/2020 12:55
PENSANDO BEM...

De Carlos Tonet, no twitter:

Seria mais prático a PF fazer uma lista de governadores e prefeitos que NÃO são suspeitos de roubo e superfaturamento na pandemia.

Assim a gente todo o dia podia checar uma listinha com meia dúzia de nomes e era mais fácil decorar.
Herculano
26/05/2020 12:53
da série: colocaram um freio de arrumação no deputado Ivan Naatz, PL, e tirar o governo do estado das manchetes no escândalo dos respiradores chineses pagos antecipadamente e que até agora os que chegaram ainda não serviram para nada. Se bobear, a Polícia Federal chega antes aos envolvidos

O CORONAVÍRUS ATACA A ASSEMBLEIA E A CPI, por Roberto Azevedo, no Makingof

O motivo para existir uma compra de respiradores, investigada por antecipar R$ 33 milhões em pagamentos, o combate ao Coronavírus, é o mesmo que tira a atividade na Assembleia por uma semana.

A confirmação de um teste positivo para a Covid-19 em um dos servidores do Legislativo e a suspeita de que a doença pode ter atingido outros quatro, fez com que o presidente Julio Garcia não titubeasse em cancelar sessões, reuniões de comissões e a aguardada reunião da CPI dos Respiradores, onde seriam ouvidos os ex-secretários Helton Zeferino (Saúde) e Douglas Borba (Casa Civil) e a servidora de carreira Márcia Regina Geremias Pauli, ex-superintendente de Gestão Administrativa da Secretaria Estadual da Saúde.

Curiosamente, a mesma Márcia Regina que foi à imprensa defender-se a apontar eventuais culpados, entre eles Zeferino e Borba, entrou com um pedido de habeas-corpus preventivo com pedido de liminar, negado pelo desembargador Ernani Guetten de Almeida, do Tribunal de Justiça, para evitar produzir provas contra si na oitiva e certamente a pressão que viria dos parlamentares, bem mais incisivos do que o contato que teve anterior com a sociedade onde o objetivo era dar sua versão aos fatos.

A servidora é figura-chave na investigação da compra dos respiradores, já foi inocentada na própria CPI por quem chefiava, mas apresenta uma estratégia estranha às vésperas do momento que mais deveria valorizar, isso depois de prestar três depoimentos ao MP e à Polícia Civil, sem que lhe fosse imputada qualquer culpa.

NA SEMANA QUE VEM

Toda a expectativa gerada pela CPI, a semana que seria decisiva, será transferida para o início de junho, inclusive com a real possibilidade de acareação entre Helton, Douglas e Márcia.

O exercício será apertar o calendário, como prejuízo como admite o próprio relator, deputado Ivan Naatz (PL), ou conseguir uma prorrogação em função do inusitado momento que o Coronavírus propiciou, com possibilidade, porém, do deputado se debruçar sobre os depoimentos dados ao Ministério Público e Polícia Civil, agora disponibilizado à CPI.

UM ABSURDO

Deputado Jessé Lopes (PSL), já marcado por declarações jocosas como a de que "mulher gosta de ser assediada", passou de todos os limites éticos ao publicar nas redes sociais o ataque à honra do governador Carlos Moisés e do ex-secretário Douglas Borba sobre o suposto fato de um dos dois ter engravidado uma servidora da Casa Civil.

Mais execrável e lamentável, porém, é o fato de Jessé ter dado mais um passo infeliz contra uma mulher, sem o menor respeito por liberdade ou opção da mesma, tratando-a como um objeto e lhe impondo uma pecha ou marca de puro desprezo.

NÃO HÁ OUTRA SOLUÇÃO

A Assembleia, dona de enorme protagonismo, tem a chance de seguir a orientação do seu presidente, deputado Julio Garcia (PSD), que, em texto claro e objetivo, fez questão de se manifestar sobre o tema indigesto.

Sem citar nomes, Julio deu a letra de como a situação criada por Jessé deve ser tratada: "A Presidência da Assembleia Legislativa não compartilha com iniciativas que, de alguma forma, venham a ferir a honra das pessoas, bem como não compactua com pré-julgamentos em quaisquer circunstâncias". Leia na íntegra:

NOTA DA PRESIDÊNCIA

Aos parlamentares cabe debater idéias e projetos para superar desafios e encontrar caminhos para o desenvolvimento econômico e social do nosso Estado, com vistas a uma melhor qualidade de vida para todos.

A Presidência da Assembleia Legislativa não compartilha com iniciativas que, de alguma forma, venham a ferir a honra das pessoas, bem como não compactua com pré-julgamentos em quaisquer circunstâncias.

Florianópolis, 25 de maio de 2020.

SEQUÊNCIA

É esperada uma reação muito forte da bancada feminina da Assembleia, com a exceção de sempre, para impor mais uma análise na Comissão de Ética da casa contra o deputado do PSL, que, a propósito, por essas e por outras, já está suspenso por um ano do partido.

Moisés já avisou que serão tomadas medidas jurídicas contra o ato e deveria ir mais além, que a ação judicial atinja os que espalharam o assunto como se tratasse de uma brincadeira, algo engraçadinho, sem avaliar as consequências, um pedido para afastar as fake News do cotidiano.

ATÉ O PSL

Manifestações duras como da deputada Ada de Luca (MDB), conterrânea de Jessé, não foram isoladas.

O PSL, que já puniu o deputado, nem quis saber dos argumentos de Jessé de que pretendia fazer uma espécie de analogia entre a compra dos respiradores e o evento, que narrou como verdadeiro, da suposta troca de pais e a necessidade de um teste de DNA da criança.

QUANDO RETORNAR

A Assembleia já vivia uma rotina de muitos cuidados, onde era limitada a permanência de assessores, três por gabinetes, e pessoas não relacionadas entre servidores e parlamentares não tinham acesso às dependências do Palácio Barriga Verde.

Os jornalistas não entravam mais para acompanhar as sessões presenciais em plenário e as reuniões das comissões, até mesmo da CPI dos Respiradores. Quando retornar às atividades, no dia 1º de junho, os cuidados serão redobrados, muito além da higienização, que será feita durante esta semana.
Herculano
26/05/2020 12:39
UMA VERDADE INCONVENIENTE

Do apresentador e humorista Danilo Gentili, que já foi Bolsonaro de carteirinha, no twitter

Que Witzel se foda. Cometeu crime? Pague. Mas não vejo aqui ninguém dizendo "Vamos ter q tolerar Witzel senão esquerda volta no Rio!" Ou "Temos que engolir isso do Witzel senão traficante vence!". Já quando o assunto é investigar a família buraco esse é o argumento do gado.
Miguel José Teixeira
26/05/2020 12:33
Senhores,

E a militante carla zambelli, hein?

Ignora olimpicamente que compete ao deputado federal o ato de legislar e manter-se como guardião fiel das leis e dogmas constitucionais nacionais, inclusive podendo propor, emendar, alterar, revogar, derrogar leis, leis complementares, emenda à Constituição Federal e propor emenda para a constituição de um novo CC (Congresso Constituinte) para confecção de nova Constituição.

Seu primeiro desvio da função ocorreu quando, em nome da presidência, pediu ao Moro que aceitasse o ramagem na PF e depois ganharia como prêmio, uma vaga no STF. Pressionada, recuou e alegou que era apenas uma militante do bolsonarismo. Deputada militante?

Reincidente, em entrevista nesta segunda-feira à Rádio Gaúcha, a tal militante bolsonarista, antecipou operações contra governadores ?" como a de hoje, contra Wilson Witzel. Provavelmente ela integra a rede de informações particular do "capita".

Pelo visto, atrapalha mais do que ajuda. Bom para nós, contribuintes, que bancamos toda essa bandidagem.
Herculano
26/05/2020 12:32
da série: isso não vai terminar bem...

ZAMBELLI A WITZEL: "É MELHOR O SENHOR COMEÇAR A PROCURAR BONS ADVOGADOS PARA QUE NÃO VÁ PARA A CADEIA"

Conteúdo de O Antagonista. Carla Zambelli, na entrevista à CNN, mandou um recado a Wilson Witzel, alvo da Operação Placebo, deflagrada hoje pela PF.

"Infelizmente, a mosquinha azul picou o senhor. Poucas semanas depois de ter tomado posse, o senhor já falava em ser presidente em 2022", disse Zambelli.

E mais:

"Eu te digo uma coisa, governador: o senhor deveria estar muito mais preocupado com a água batendo na sua bunda do que com o que eu estou falando. [...] É melhor o senhor começar a procurar bons advogados para que não vá para a cadeia."
Miguel José Teixeira
26/05/2020 10:24
Senhores,

Realmente, como teclou o Herculano em postagem abaixo, o bolsonaro não é médico, cientista, químico, biólogo ou farmacêutico.

No entanto, ele pratica a alquimia: está transformando o Brasil numa grande lerda!

Age e acredita que o famigerado centrão seja a pedra filosofal.

Muitos que nisso acreditaram sucumbiram.
Herculano
26/05/2020 09:08
CPI DAS SUPOSTAS IRREGULARIDADES DA RUA FREI SOLANO, EM GASPAR?

Desde novembro, que meus leitores e leitoras vem sendo informados de que o relatório seria do jeito que o governo de Kleber Wan Dall, MDB, quisesse, encontrando ou não, como se encontrou, irregularidades naquelas obras.

Kleber tinha a maioria dos votos na CPI, com Francisco Hostins Júnior, MDB, Roberto Procópio de Souza, PDT, e que já foi o mais ferrenho adversário de Kleber na Câmara.

Bingo. Não deu outra. Está encerrada a CPI. Tudo foi feito dentro do que permite a lei, ou que o governo e os membros do governo na CPI entendem como normal.

Destaca-se apenas a ingenuidade do relator oficial, Cícero Giovane Amaro, PL, que fez um relatório "suave" para tentá-lo "passar". O suave foi retalhado, tratorado e pro lixo como antecipei.

Resta agora, o longo caminho do MP e TCE. O certo, é virar a página. O governo de Kleber e Luiz Carlos Spengler Filho, PP, venceram, mas ficaram marcados.

Volto esta assunto mais tarde. Acorda, Gaspar!
Herculano
26/05/2020 09:00
O INVESTIGADO E O INVESTIGADOR, por José Casado, em O Globo

Visita do presidente Bolsonaro à PGR expõe Augusto Aras

Bolsonaro e Aras ainda ruminam a derrota no Supremo

Jair Bolsonaro fez uma visita surpresa a Augusto Aras, procurador-geral da República. Foi à procuradoria apenas para "apertar a mão do nosso novo colegiado maravilhoso da PGR". Recebeu "a alegria de sempre", segundo Aras.

Teria sido mais um encontro imprevisto, fechado e rápido, se Bolsonaro não fosse um investigado e Aras o seu investigador em inquérito sobre crimes de responsabilidade na Presidência. Esse detalhe deu relevo à cena de ontem, em Brasília.

Ambos ainda ruminam a derrota no Supremo, na divulgação dos registros da reunião ministerial de abril.

Aras pediu ao juiz Celso de Mello uma censura muito mais abrangente do que a solicitada pela defesa do presidente. Argumentou que a transparência ao público, reivindicada por outro investigado, o ex-ministro Sergio Moro, daria à oposição chance de "uso político, pré-eleitoral (2022)", criando "instabilidade" e "querelas".

O juiz respondeu-lhe em 55 páginas. Lembrou a Aras que, no regime democrático, o Ministério Público não pode sequer manifestar a "pretensão" de restringir o direito de investigado ou réu em ver produzidas ou ter acesso a provas que possam favorecê-lo. A Constituição impõe publicidade aos atos de agentes públicos, observou. E, no caso, nem o governo se preocupara em tratar a reunião com sigilo.

Aras perdeu a batalha, mas tem o poder final de denunciar ?" ou não ?" o presidente. Pode decidir antes da aposentadoria do juiz Celso de Mello, em novembro. Ou deixar para a época de sucessão na Procuradoria-Geral e de escolha do substituto de outro que se aposentará no STF, Marco Aurélio Mello. De toda forma, Bolsonaro o deixou exposto na visita de ontem.

O presidente abstraiu a pandemia e segue em campanha pela reeleição. No roteiro incluiu o domínio de agências de espionagem, órgãos de controle externo e o Ministério Público. Ano passado, apresentou critérios peculiares para escolha do procurador-geral. Na essência, desejava a virtual conversão da PGR em anexo do Planalto. Bolsonaro, agora, só depende de Aras.
Herculano
26/05/2020 08:58
da série: quem tem que pedir é o lesado ou o Ministério Público Federal

CELSO DE MELLO ARQUIVO PEDIDO CONTRA BOLSONARO POR FALSIDADE IDEOLóGICA

Conteúdo da CNN Brasil. A Secretaria-Geral da Presidência admitiu que incluiu a assinatura eletrônica de Moro no documento, afirmando que a ação é praxe. Em depoimento à PF, Moro afirmou que nunca teve conhecimento de atos relativos à Justiça e Segurança Pública levarem sua assinatura sem seu conhecimento.

O ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu à manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e arquivou notícia-crime contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por falsidade ideológica. O pedido de denúncia foi apresentado pelos senadores Randolfe Rodrigues e Fabiano Contarato, da Rede, após o ex-ministro Sérgio Moro afirmar que não assinou o decreto que exonerou Maurício Valeixo da chefia da Polícia Federal.

A Secretaria-Geral da Presidência admitiu que incluiu a assinatura eletrônica de Moro no documento, afirmando que a ação é praxe. Em depoimento à PF, Moro afirmou que nunca teve conhecimento de atos relativos à Justiça e Segurança Pública levarem sua assinatura sem seu conhecimento.

A notícia-crime dos senadores da Rede pedia que Celso de Mello intimasse Augusto Aras a denunciar Bolsonaro por falsidade ideológica e realizasse oitivas com testemunhas do caso. O decano enviou os autos à PGR, que se manifestou pelo arquivamento do pedido.

Ao aceitar a manifestação da PGR, Celso de Mello destacou que não detém o poder para ordenar ex-officio, ou seja, sem prévia e formal manifestação do Ministério Público, o arquivamento de investigações penais, instauração de inquérito, oferecimento de denúncia e a realização de diligências.

Este último ponto é destacado pelo decano, que na última semana (17) encaminhou três notícias-crimes a Aras envolvendo Bolsonaro. Uma delas pedia a apreensão do celular do presidente. A ação foi criticada pelo ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), que divulgou controversa nota à nação afirmando que eventual pedido de apreensão contra Bolsonaro teria consequências imprevisíveis para o País.
Herculano
26/05/2020 08:53
da série: essas relações para disfarçar a corrupção, ou a corrupção abraça os ingênuos para ter melhores caminhos?

MULHER DE WITZEL TEM CONTRATO COM EMPRESA INVESTIGADA

Conteúdo de O Antagonista. A mulher de Wilson Witzel é alvo na operação Placebo porque, segundo a Folha de S. Paulo, a PF encontrou um contrato do escritório de advocacia dela com uma empresa investigada.
Miguel José Teixeira
26/05/2020 08:48
Senhores,

1) Ganhamos o dia com a abissal profundidade da frase extraída do texto do Josias de Souza, abaixo replicada:

"Habituado a raciocínios cuja profundidade pode ser atravessada por uma formiga com água pelas canelas, Jair Bolsonaro talvez não tenha notado." . . .

2) O óbvio ululante do "toma-lá-da-cá":

A Polícia Federal, controlada pelos Bolsonaros, investiga o Governador do RJ & cia.

A Polícia Civil, que é controlada pelo Governador do RJ, investiga os bolsonaros & cia.

Como dizía-se nas antigas uma mão lava a outra e toalhas "x" enxugam as duas!

E nós, burros-de-cargas, pagamos a conta!
Herculano
26/05/2020 08:46
O CÃO DE GUARDA, por Merval Pereira, em O Globo

É da vigilância cidadã da imprensa que fugia Salles, que já havia mentido ao rejeitar as denúncias de ONGs

A mais explícita prova da importância do jornalismo profissional para a saúde da cidadania quem forneceu foi o ministro do Meio-Ambiente Ricardo Salles no seu pronunciamento na reunião ministerial cuja integralidade a Nação, embasbacada, pôde ver e ouvir semana passada, no desdobramento do processo aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a denunciada interferência do presidente Bolsonaro na Polícia Federal.

A bem da verdade, tenho que ressaltar que Salles foi apenas imprudente e, ao fazer o elogio da esperteza a serviço da imoralidade na ação pública, destacou a importância da suposta "tranquilidade" que a vigilância da imprensa dava ao se concentrar na cobertura da Covid-19 para abrir caminhos a medidas que, em tempos normais, encontrariam obstáculos na reação da opinião pública, e dos sistemas Judiciário e Legislativo, alertados pela imprensa.

Disse ele, como se desse instruções a comparsas sobre como bater a carteira dos desavisados: " (...) pra isso, precisa ter um esforço nosso aqui, enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid-19, e ir passando a boiada, e mudando todo o regramento, simplificando normas. (...) Agora é hora de unir esforços pra dar de baciada a simplificação, é de regulatório que nós precisamos, em todos os aspectos".

É justamente essa a atribuição da imprensa, fazer com que a Nação saiba os projetos e desígnios do Estado, e possa debatê-los. Era isso, exatamente, que o ministro não queria que acontecesse. A "opinião pública" surgiu através principalmente da difusão da imprensa, como maneira de a sociedade civil nascente se contrapor à força do Estado absolutista e legitimar suas reivindicações no campo político.

Não é à toa, portanto, que o surgimento da "opinião pública" está ligado ao Estado moderno, que pressupõe transparência do poder público, e não manobras sub-reptícias que, se precisam da escuridão para serem efetivadas, é porque beneficiam algum setor, e não a sociedade.

É por isso que o papel da imprensa profissional é o de ser o cão de guarda da sociedade, segundo definição clássica do presidente dos Estados Unidos Thomas Jefferson, que dizia que, para cumprir essa missão, a imprensa deve ter liberdade para criticar e condenar, desmascarar e antagonizar.

A diferença entre figuras como Bolsonaro e Jefferson está não apenas aí, mas também. No sistema democrático, a representação é fundamental, e a legitimidade da representação depende da informação. "Uma nação conversando consigo mesma" é a definição de jornalismo do teatrólogo americano Arthur Miller, enquanto para Rui Barbosa, a imprensa é a vista da nação. "Através dela, acompanha o que se passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam ou roubam, percebe onde lhe alvejam ou nodoam, mede o que lhe cerceiam ou destroem, vela pelo que lhe interessa e se acautela do que ameaça".

É dessa vigilância cidadã que fugia Ricardo Salles, que já havia mentido oficialmente ao rejeitar as denúncias de ONGs de que o desmatamento da Amazônia estava crescendo muito, depois que justamente ele, aproveitando que o país está preocupado com as vidas que estão sendo ceifadas pela Covid-19, afrouxou as normas de fiscalização na região.

Como demonstrou o ministro do Meio Ambiente, o jornalismo continua sendo um espaço público em torno do qual se forma o consenso para a construção da democracia, e é através dele que a sociedade opina e recebe informações que lhe permitirão tomar posição diante de decisões do governo.

Recentemente, o chefe do Gabinete do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), General Augusto Heleno, depois de se queixar da imprensa, disse que o governo tem as redes sociais para defende-lo das críticas. Confundiu militância política e fake news com informação com credibilidade. Assim como Bolsonaro confunde os organismos oficiais de inteligência e informação com seu sistema particular que, por ser clandestino e ilegal, não tem credibilidade. O bom jornalismo depende da credibilidade de quem o faz, e essa credibilidade está posta em xeque pelas milícias digitais a serviço do governo,
Herculano
26/05/2020 08:43
NASCIDOS UM PARA O OUTRO, editorial do jornal O Estado de S. Paulo

Tanto o presidente Jair Bolsonaro como o chefão petista Lula da Silva se associam na mais absoluta falta de escrúpulos, em níveis que fariam até Maquiavel corar

Não há dúvidas. Jair Bolsonaro e Lula da Silva nasceram um para o outro.

Tanto o presidente da República como o chefão petista se associam na mais absoluta falta de escrúpulos, em níveis que fariam até Maquiavel corar. Pois o diplomata florentino que viveu entre os séculos 15 e 16, malgrado tenha descartado a retidão moral absoluta como fator essencial para o bom governo, formulou uma ideia de ética específica para a política, segundo a qual, entre outras regras, o governante jamais deve colocar seus interesses pessoais acima dos interesses do Estado nem agir como se seu poder fosse ilimitado: "O príncipe que pode fazer o que quiser é um louco", escreveu em sua obra mais conhecida, O Príncipe (1532).

Jair Bolsonaro e Lula da Silva unem-se como siameses. Enxergam o mundo e seu papel nele da mesmíssima perspectiva. Tudo o que fazem diz respeito exclusivamente a seus projetos de poder, nos quais o Estado e o povo deixam de ser o fim último da atividade política e passam a ser meros veículos de suas aspirações totalitárias.

Ambos, Bolsonaro e Lula, só se importam com o sofrimento e a ansiedade da população na exata medida de seus objetivos eleitorais. O petista, por exemplo, declarou recentemente que "ainda bem que a natureza criou esse monstro chamado coronavírus para que as pessoas percebam que apenas o Estado é capaz de dar a solução, somente o Estado pode resolver isso".

Tão certo de sua inimputabilidade, Lula da Silva nem se preocupou em ao menos aparentar retidão moral, como recomendava Maquiavel aos príncipes de seu tempo, entregando-se à mais vil exploração política do sofrimento causado pela pandemia de covid-19. Lula da Silva é, assim, o anti-Maquiavel: enquanto o florentino elogiou seus conterrâneos por preferirem salvar sua cidade em vez de salvar suas almas, Lula saúda a morte de seus compatriotas como uma espécie de sacrifício religioso em oferenda à estatolatria lulopetista.

Já Bolsonaro, bem a seu estilo, continua a menosprezar os milhares de brasileiros mortos na pandemia, agora com requintes de crueldade. Depois do infame "e daí?", expressão que usou ao reagir à informação sobre a escalada do número de mortos no Brasil, o presidente da República não viu nenhum problema em fazer piada com a desgraça do país que ele foi eleito para governar. "Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda toma Tubaína", brincou Bolsonaro.

Nem se deve perder tempo procurando graça onde, definitivamente, não há. Diante das dramáticas circunstâncias, só riu da blague bolsonarista quem não nutre nenhuma empatia ou respeito pelo sofrimento dos outros. Para o presidente da República, só os direitistas são dignos de salvação ?" por meio da cloroquina, que Bolsonaro, baseado em estudos fajutos, quer que os brasileiros tomem para que o País supere rapidamente a pandemia e "volte ao normal". Já os "esquerdistas" ?" isto é, todos os que não são bolsonaristas ?", que bebam refrigerante.

Bolsonaro e Lula são o resultado mais vistoso da degradação violenta da atividade política, aquela que, na concepção de Maquiavel, deveria almejar a todo custo o bem coletivo. Cada um à sua maneira, um mais truculento, o outro mais dissimulado, o presidente e o petista se consideram fora do alcance das considerações éticas que deveriam moderar o poder e que estão no coração das sociedades democráticas.

Lula trabalha desde sempre para cindir o País ?" e sua recente celebração do coronavírus pode ser vista como uma espécie de corolário macabro da concepção doentia segundo a qual os brasileiros recalcitrantes, que ainda não aceitam o projeto de Estado autoritário idealizado pelo lulopetismo, devem ser castigados pela natureza para que aprendam de uma vez por todas que Lula sempre tem razão. Bolsonaro faz exatamente o mesmo, e ainda enxovalha publicamente quem se recusa a aceitá-lo como salvador.

O bolsonarismo é um monstrengo antidemocrático que só ganhou vida e ribalta por obra e graça do lulopetismo. A uni-los, a sede de poder absoluto. Mas, como já ensinou Maquiavel, não há poder que dure para sempre.
Herculano
26/05/2020 08:37
CLOROQUINA

Este assunto mostra muito bem à loucura da ideia fixa que ronda os bolsonaros e os bolsonaristas. É só um, bem visível. Há dezenas de outros bem expostos nas redes sociais para o consumo de analfabetos, ignorantes, desinformados, fanáticos e idiotas

A Organização Mundial da Saúde diz que a cloroquina não serve para prevenir e tratar a Covid-19. As melhores universidade e entidades mundiais de pesquisas também afirma isso com base em testes e pesquisas com centenas de pessoas infectadas pela Covid-19 no mundo.

No Brasil, para o presidente Jair Messias Bolsonaro, que não é médico, cientista, químico, biólogo ou farmacêutico, insiste na ideia. Ela, em certos casos, como também demonstraram as pesquisas, pode até matar pacientes tratados com a cloroquina.

Resultado: dois ministros da Saúde, médicos, que não concordaram com isso. Está no lugar deles, um general obrigado a bater continência para o presidente.

Os remédios a base da cloroquina no Brasil, que eram baratíssimos, sumiram das farmácias e quando ele estão disponíveis, estão num preço muito alto e pior, o laboratório do exército, está ocupado em produzir a droga que não tem efeito nenhum e que daqui a pouco vai para o lixo. Meu Deus.
Herculano
26/05/2020 08:24
PESQUISA: GOVERNO FEDERAL COMBATE MAIS A COVID-19, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A responsabilidade pelo combate ao coronavírus é dos governos estaduais e municipais, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mas para a maior parte dos brasileiros (31,2%) o governo federal é que mais trabalha contra a pandemia, segundo pesquisa exclusiva do instituto Orbis para o site Diário do Poder. Mas 43% dos entrevistados afirmam "não saber responder", enquanto para 11% é a Câmara é a que mais trabalha, seguida do STF com 10,8% e o Senado, com apenas 4%.

CLOROQUINA DIVIDE

Sobre o uso da cloroquina no estágio inicial do tratamento contra a Covid19, 39,9% disseram ser contra e 39,1%, a favor; 21% não sabem.

REGIõES

Norte e Centro-Oeste estão empatadas como o maior apoio ao uso da cloroquina: 46,5% a favor. No Sul, 50,6% são contra ao medicamento.

DEVE MELHORAR

Márcio Pereira, diretor do Orbis, disse que as entrevistas são anteriores ao vi?deo polêmico, e não é possível avaliar se impactariam nos números.

PESQUISA NACIONAL

O Instituto Orbis ouviu 2.681 pessoas no dia 22 de maio, em todo o País. A margem de erro, para mais ou para menos, e? de 1,89%

PANDEMIA NÃO É FIM DO MUNDO, AFIRMA OSMAR TERRA

O ex-ministro da Cidadania e deputado Osmar Terra (MDB-RS), que tem experiência no combate à gripe H1N1, afirmou em entrevista ao site Diário do Poder e a esta coluna, que o novo coronavírus "não é o fim do mundo", como setores da imprensa "venderam" a doença. Ele considera que a quarentena imposta pelos governantes pode ter piorado a infecção do covid-19. Segundo ele, "estamos sendo vítimas de uma experiência", a experiência do isolamento pela primeira vez em situação de pandemia.

INÉDITO

"Já tivemos dezenas de pandemias, e nunca se fez isso", diz Osmar Terra, ex-secretário de Saúde gaúcho durante o surto do H1N1.

TODA AJUDA

Sobre a chance de assumir o Ministério da Saúde, o médico Osmar Terra desconversa, e diz que "já ajuda o governo de qualquer forma possível".

Só UMA DICA

"Sou eternamente grato pelo reconhecimento (de ter sido ministro de Estado). Não tem homenagem maior que essa", revelou.

QUEM SE HABILITA?

Relator da Lei de Abuso de Autoridade, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) acha que o artigo 28 enquadra de fato o ministro Celso de Mello, do STF, por divulgar vídeo "sem relação com a prova que se pretendia produzir (...), ferindo a honra ou a imagem do investigado ou acusado".

USINA DE ABSURDOS

É vergonhosa a decisão do TRT-10 que protege de demissão por justa causa quem for flagrado fumando maconha no intervalo do expediente, mesmo se concluindo o retorno do sujeito ao serviço sob efeito da droga.

MINISTRO VALDETÁRIO

Em Brasília, há torcida nos meios jurídicos pela indicação de Valdetário Monteiro, ex-conselheiro do CNJ e secretário da Casa Civil do governo do DF, para eventual vaga de ministro do Superior Tribunal de Justiça.

HONORÁRIOS SUSPEITOS

Espantam credores da encrencada Rodovias do Tietê os honorários de R$10 milhões dos advogados da recuperação judicial. Casos assim, de uma dívida de R$1,6 bilhão pulverizada entre 19 mil credores, honorários advocatícios usuais giram em torno de R$3 milhões. Aí tem coisa.

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA

O ex-governador José Roberto Arruda está fora do poder, mas sempre dá sinal de vida. Tentou emplacar um apadrinhado na Caesb, estatal de águas e saneamento do Distrito Federal, mas não conseguiu.

HONESTIDADE DOS NÚMEROS

É tão desonesto comparar o número de casos de covid-19 do Brasil, que está em alta, com os da Europa, em baixa (porque lá começou primeiro), quanto não citar os números de óbitos: 22 mil no Brasil, 29 mil na Espanha, 37 mil no Reino Unido, 33 mil na Itália e 100 mil nos EUA.

RECADO DADO

O novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso atribuiu a onda de fake news a "milícias digitais", que chamou de "terroristas digitais". Aproveitou e cobrou "jornalismo responsável".

MEDICINA VIA APP

Grandes redes e planos de saúde, como o Unimed, criaram aplicativos de "telemonitoramento", que é o primeiro passo para pacientes com suspeita de coronavírus. Antes de ir ao hospital, a consulta é via app.

PENSANDO BEM...

...na frase "ainda bem que a natureza criou o coronavírus", onde deveria estar o sujeito? Preso, é claro.
Herculano
26/05/2020 08:14
BOLSONARO LEVA DESCOMPOSTURA REGINADA DE BARROSO, por Josias de Souza, no UOL

Habituado a raciocínios cuja profundidade pode ser atravessada por uma formiga com água pelas canelas, Jair Bolsonaro talvez não tenha notado. Mas o miolo do discurso proferido por Luís Roberto Barroso ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral foi dedicado a criticar o seu governo. Sem mencionar o nome de Bolsonaro, que o assistia por videoconferência, Barroso deslocou a Presidência do capitão do mundo conservador para o universo do atraso. As palavras do magistrado soaram como uma descompostura.

"A falta de educação produz vidas menos iluminadas, trabalhadores menos produtivos e um número limitado de pessoas capazes de pensar criativamente um país melhor e maior", disse Barroso a certa altura. "A educação, mais que tudo, não pode ser capturada pela mediocridade, pela grosseria e por visões pré-iluministas do mundo. Precisamos armar o povo com educação, cultura e ciência."

O magistrado acertou dois coelhos com um parágrafo. Respondeu ao insulto de Abraham Weintraub, que defendera a prisão dos "vagabundos do STF" numa frase vadia proferida na reunião ministerial de 22 de abril, cujo vídeo foi jogado no ventilador por ordem de Celso de Mello, decano do Supremo. Respondeu ao próprio Bolsonaro, que associara a política de isolamento social à ideia de golpe.

Vale a pena ouvir novamente o Bolsonaro da reunião de 22 de abril: "Como é fácil impor uma ditadura no Brasil! Como é fácil!. O povo tá dentro de casa. Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai ter um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui! Que é fácil impor uma ditadura! Facílimo! Um bosta de um prefeito faz um bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se tivesse armado, ia pra rua."

Sobre Weintraub, o que Barroso declarou, com outras palavras, foi mais ou menos o seguinte: "O Ministério da Educação não merece ser comandado por tamanha mediocridade." Para Bolsonaro, foi como se o novo presidente do TSE, que também é membro do Supremo, dissesse algo assim: "Fale-me em armamentismo que eu puxo logo o iluminismo, que não atira para matar."

Noutro trecho do seu discurso, Barroso espetou: "Só quem não soube a sombra não reconhece a luz que é viver em um Estado constitucional de direito, com todas as suas circunstâncias. Nós já percorremos e derrotamos os ciclos do atraso. Hoje, vivemos sob o reinado da Constituição, cujo intérprete final é o Supremo Tribunal Federal".

O ministro acrescentou: "Como qualquer instituição em uma democracia, o Supremo está sujeito à crítica pública e deve estar aberto ao sentimento da sociedade. Cabe lembrar, porém, que o ataque destrutivo às instituições, a pretexto de salvá-las, depurá-las ou expurgá-las, já nos trouxe duas longas ditaduras na República."

Referia-se à ditadura do Estado Novo, sob Getúlio Vargas (1937-1945); e à ditadura militar (1964-1985), um regime cultuado por Bolsonaro.

Numa referência indireta ao negacionismo entoado pelo presidente da "gripezinha", Barroso solidarizou-se com os familiares dos mortos do coronavírus. E elogiou duas lideranças femininas que gerenciaram adequadamente a pandemia em seus respectivos países: a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Arden; e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Ambas adotaram o distanciamento social, refugado por Bolsonaro.

O discurso de Barroso conteve recados certos para um destinatário incerto. Tomado pelas atitudes que adotou em 16 meses de governo, Bolsonaro meteu-se num autoengano que pressupõe que a distinção entre verdade e falsidade, entre realidade e fantasia, entre conservadorismo e atraso desaparece numa cabeça que se desligou dos fatos para viver num Brasil paralelo.
Herculano
26/05/2020 08:03
OUTRO ALVO

Se valer a máxima de que a Polícia Federal agora está a serviço dos bolsonaros, o governador Carlos Moisés da Silva, PSL, e outros, que coloquem as barbas de molho.
Herculano
26/05/2020 08:01
da série: a Polícia Federal dos Bolsonaros vai a cata dos inimigos e adversários? Se bem que no Rio (o estado e principalmente a cidade), origem dos Bolsonaros e das milícias, é um estado falido e corrupto sem competidor igual no Brasil. A corrupção até pode ter um chefe, mas ela é acima de tudo uma organização que se auto-alimenta nas oportunidades que antevê e cria para achacar o estado, empresas e pessoas

PF CUMPRE MANDADO NA RESIDÊNCIA OFICIAL DE WITZEL EM INVESTIGAÇÃO SOBRE HOSPITAIS DE CAMPANHA DO RJ

Operação Placebo, autorizada pelo STJ, busca provas em 12 endereços.

Conteúdo do portal G1 e TV Globo. A Polícia Federal (PF) iniciou na manhã desta terça-feira (26) a Operação Placebo, sobre suspeitas de desvios na Saúde do RJ para ações na pandemia de coronavírus. São 12 mandados de busca e apreensão - um deles no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador Wilson Witzel (PSC).

A PF não informou se Witzel é alvo de algum mandado, mas a operação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável por ordenar ações contra governadores.

Equipes também foram mobilizadas para a casa onde Witzel morava antes de ser eleito, no Grajaú, e no escritório de advocacia do governador, que é ex-juiz federal.

O G1 entrou em contato com o governo do estado, mas, até a última atualização desta reportagem, ainda não havia resposta.

A Operação Placebo apura suspeitas de desvios ligados ao Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde para a construção de hospitais de campanha para enfrentamento do Covid-19.

Segundo as investigações, foi identificado um esquema de corrupção envolvendo uma organização social contratada para a instalação de hospitais de campanha e servidores da cúpula da gestão do sistema de saúde do Estado do Rio de Janeiro.

A ação é comandada por agentes da Polícia Federal de Brasília. Quinze equipes estão em vários endereços, entre eles no Leblon, na Zona Sul, e na Rua Professor Valadares, no bairro do Grajaú, Zona Norte, onde morava o governador antes de assumir o mandato.

A ação tem autorização do Supremo Tribunal Federal (STJ).
Herculano
26/05/2020 07:53
GENERAIS BOLSONARISTAS VÃO DA OMISSÃO A ARREGANHOS AUTORITÁRIOS, por Rainier Bragon, no jornal Folha de S. Paulo

Consequências imprevisíveis ocorrerão se o país se curvar a bravateiros de pijama

Devido ao despreparo e ao completo apego à estupidez, Jair Bolsonaro conseguiu a proeza - involuntária, claro- de fazer soar palatável a participação de militares na gestão política do país. Mesmo com a lembrança da nefasta ditadura finda em 1985, em comparação ao Jair Futebol Clube qualquer XV de Piracicaba acaba parecendo um carrossel holandês.

As Forças Armadas não são de Lula, Temer ou Bolsonaro, mas do Estado brasileiro. E têm que se subordinar ao comando civil e ao império da lei.

É isso ou a república de bananas, cuja volta, queremos crer, só é desejada por desmiolados que acham divertido passar vergonha coletiva na rua, fantasiados de verde e amarelo.

Por isso, olhemos a mudez dos generais bolsonaristas na já célebre reunião de 22 de abril.

Associaram-se, acoelhados, à defesa das hemorroidas presidenciais, ao banditismo do projeto arma para todos, ao ladino que aproveita a "calmaria" da Covid para dar seus pulinhos, à beatice histérica da ministra sem noção, ao arroubo à Chuck Norris do garganteiro da Caixa e ao autopiedoso libelo puxa-saquista do inqualificável Weintraub. Uma catarse só assombrada pelo medo de, perdido o poder, serem todos presos pela obra que ora edificam. Foi a reunião de loucos, impostores, fanáticos, aproveitadores, militares sectários, e uns poucos estarrecidos, como bem resumiu Janio de Freitas.

Se a inação foi torpe, a ação se mostrou pior. O general Eduardo Pazuello chancelou depois a recomendação do uso do remédio que, segundo o maior estudo feito no mundo até agora, não só é ineficaz contra a Covid-19 como eleva o risco de morte. Que nome se dá a isso?

Carregando todo o amargor de quem desgraçadamente defende o indefensável, o general Augusto Heleno resolveu alertar que eventual apreensão do celular do chefe trará "consequências imprevisíveis", para alvoroço das vivandeiras de pijama. Já as vivemos, general, mas não serão arreganhos autoritários que farão parar o rumo da história
Herculano
25/05/2020 16:02
da série: a imagem do Brasil no exterior realmente está ruim. Isto mostra claramente que a diplomacia falha e é mal gerenciada por um apóstolo ideológico.

"O HOMEM QUE QUEBROU O BRASIL"

Conteúdo de O Antagonista. É o título da reportagem sobre Jair Bolsonaro do jornal conservador The Telegraph, do Reino Unido.

O tema é a gestão catastrófica da epidemia de Covid-19.
Herculano
25/05/2020 13:23
AO ALVEJAR CELSO DE MELLO, BOLSONARO UNIFICA O STF, por Josias de Souza.

Antes de deixar o palácio residencial do Alvorada para mais uma de suas pedaladas sanitárias dominicais, Jair Bolsonaro inspecionou a publicação de um post nas redes sociais. Nele, o presidente fustigou o ministro Celso de Mello.

"Essa bala perdida vai atingir todo o Supremo", disse à coluna um dos ministros da Corte. "Ou o presidente Bolsonaro está juridicamente mal assessorado ou decidiu transformar inquérito em palanque, o que não me parece aconselhável."

Sem citar o nome de Celso de Mello, Bolsonaro borrifou na atmosfera a insinuação de que o decano do Supremo cometeu abuso de autoridade ao divulgar o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril praticamente na íntegra.

Bolsonaro reproduziu artigo 28 da lei 13.869, de 2019. Diz o seguinte: "Art. 28. Divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou a imagem do investigado ou acusado: pena - detenção de 1 (um) a 4 (quatro) anos."

Ao comentar o post, o colega de Celso de Mello disse que Bolsonaro comete três erros num único movimento: 1) Esgrime uma tese jurídica precária; 2) Ecoa o ministro Abraham Weintraub (Educação) na ideia de prender ministros do Supremo; e 3) Unifica a Corte contra si.

Quer dizer: ao levar Celso de Mello à alça de mira, Bolsonaro exerce em toda sua plenitude o direito de ladrilhar seu próprio caminho para o inferno.
Herculano
25/05/2020 13:12
Da série: caindo a máscara, que nem usa...

EM ÁUDIO: "BOLSONARO AJUDOU A COLOCAR O LULA EM LIBERDADE", DIZ EX-LÍDER DO PSL, por Diego Amorim, de O Antagonista.

O deputado Delegado Waldir, que liderou a bancada do PSL na Câmara quando Jair Bolsonaro era do partido, disse a O Antagonista que "a pauta da Lava Jato", de combate à corrupção, é "inexistente" no atual governo, "em razão das tretas dos filhos do presidente".

Waldir afirmou que as declarações de Sergio Moro ao Fantástico confirmam o que ele vem dizendo desde que rompeu com Bolsonaro.

"O governo usou o Moro. E ele [Moro] tem consciência disso agora. Mas parece que não tinha percebido quando aceitou o cargo, né?"

Em áudio enviado ao site, o deputado acrescentou:

"A pauta da Lava Jato, de combate à corrupção, no atual governo, foi inexistente, em razão das tretas dos filhos do presidente. O presidente vem do Centrão, a origem dele foi o Centrão, a origem partidária dele."

Waldir disse que o governo negociou a liberação de emendas - mesmo impositivas - para aprovar a reforma da Previdência, mas "não fez qualquer esforço" na tramitação do pacote anticrime.

"E trabalhou para impedir a prisão em segunda instância. O presidente da República afastou-se completamente de todas as pautas de combate à corrupção. Ajudou a colocar o Lula em liberdade, porque, com isso, acabava com o discurso da oposição."
Herculano
25/05/2020 12:23
NAUFRÁGIO À VISTA, por Leandro Colon, diretor da sucursal de Brasília, do jornal Folha de S. Paulo

Em raro lapso de lucidez, Bolsonaro disse uma verdade na reunião ministerial

Presidente afirmou que seu governo está indo em direção ao 'iceberg'

É justo admitir que Jair Bolsonaro falou uma verdade em meio às barbaridades ditas na reunião ministerial do dia 22 de abril.

Em lapso raro de lucidez diante das evidências sobre a interferência na Polícia Federal, o presidente afirmou aos ministros que seu governo pode estar "indo em direção a um iceberg". "A gente vai pro fundo, então vamos se ligar, vamos se preocupar [sic]", disse.

Passado o choque da revelação de um episódio da zorra total, a certeza é a de naufrágio após a batida inevitável da gestão Bolsonaro com o iceberg. O vídeo revela um governo não só de insanos e despreparados como também de gestores completamente perdidos.

Muita gente nem deve ter percebido, mas a razão do encontro era o programa Pró-Brasil, coordenado pelo general Braga Netto (Casa Civil). ?

A proposta é um amontado de ideias de investimentos públicos e de números reciclados. Na prática, nada.

"É um plano Marshall brasileiro, né?", disse Braga Netto na reunião fechada com seus colegas ministros.

Plano Marshall foi o programa dos EUA para ajudar a reconstruir os países aliados devastados economicamente com a Segunda Guerra.

Ao ouvir Braga Netto, Guedes rebateu: "Não chamem de Plano Marshall porque revela um despreparo enorme". "Um desastre", acrescentou. "Vai revelar falta de compreensão das coisas", disse o ministro na frente do chefe da Casa Civil e do presidente Bolsonaro. "Pró-Brasil é um nome espetacular', exagerou Guedes.

À tarde daquele dia 22, Braga Netto convocou a imprensa para anunciar o programa no Palácio do Planalto. Guedes ficou de fora da entrevista. Pouco antes, jornalistas foram informados e publicaram que nos bastidores os militares haviam apelidado o Pró-Brasil de "Marshall".

Questionado pelos repórteres, o chefe da Casa Civil, talvez um tanto esquecido do que dissera no encontro privado com os colegas de governo, respondeu: "Não existe nenhum Plano Marshall, aqui existe o Pró-Brasil. Plano Marshall é outra coisa".
Herculano
25/05/2020 11:58
A AUTO VIAÇÃO CATARINENSE ESTÁ VENDENDO PASSAGENS INTERESTADUAIS PELA METADE DO PREÇO PARA Só SEREM USADAS QUANDO FOR LIBERADO O USO DOS ôNIBUS E AS ROTAS
Herculano
25/05/2020 11:54
ILHOTA EM CHAMAS

A água salgada e até a falta dela, em Ilhota, segue um drama que só sabe nas redes sociais e principalmente, anonimamente, nos aplicativos de mensagens, diante de tanto medo que a população de lá tem de expressar suas justas reclamações aos políticos no poder de plantão.

Circula, um áudio onde se convoca para tomar banho na casa dos vereadores governistas, na casa do prefeito, Érico de Oliveira, MDB, e Joel José Soares, PSL, estes empresários, para tomarem banho.

"É final de semana. Estamos se coçando que nem cachorro sarnento. Levem toalha. Levem sabonete. Precisamos de água para o banho. Valeu Chico Caroço, valeu Juarez. Dá um positivo. Vamos fazer uma fila com um metro e meio de distância para se proteger do coronavírus..."
Herculano
25/05/2020 11:43
DEVAGAR, A DEMOCRACIA EXTRAI O TUMOR AUTORITÁRIO, por Vinicius Mota, secretário de Redação do jornal Folha de S. Paulo

Reunião de 22 de abril foi drama psicótico de grupo reprimido pelas instituições

Diante da pornografia em que se converteu o exercício do poder presidencial sob Jair Bolsonaro, o que na pandemia custa vidas e empregos, dá para entender a ansiedade de quem preza a democracia e o bom governo pela solução rápida do impasse. Mas ela dificilmente virá.

Não deve vir porque uma das características das democracias é a prevalência da forma sobre a vontade.

Esse mecanismo é o mesmo que dificulta a intromissão do presidente da República nos órgãos policiais do Estado, impede a ministra rompedora dos Direitos Humanos de prender governadores e prefeitos e evita que o desmatador do Meio Ambiente vá passando a boiada por cima das regulamentações antimotosserra.

A pauta de fato da reunião de 22 de abril na sede da Presidência era imprecar contra esse sistema. Ali uma súcia de sádicos reprimidos sonhou acordada com adversários esmagados, sujos de excrementos e acometidos de dores lancinantes. O que as instituições vedam ao grupo foi por ele verbalizado no drama psicótico.

Autoritários são assim. Odeiam o que embota os seus desejos imediatos. Tomam atalhos para contornar a norma e jamais dispensam a força em benefício próprio. Que morra depressa quem tiver de morrer com o vírus para eu tocar o barco da economia. Que vão para a cadeia os juízes que me importunam. Que se evaporem o delegado que investiga minha família e o fiscal que me multou.

Democratas são feitos de outro tecido. Não admitem fulminar a cartilagem que os protege do despotismo nem quando ela também contribui, no presente, para postergar a depuração do regime das liberdades. Formam o partido da paciência cívica.

Daí vem a nota otimista destes dias. Quem cabeceia na fossa obscura dos apetites e das alucinações perdeu a perspectiva do tempo. Trava uma batalha de vida ou morte a cada minuto. Comemora não ter sido atingido pela "bala de prata", mas não enxerga que afundou mais um pouco nem que a derrocada continua.

A democracia, com vagar sacramental, empurra o tumor para fora.
Herculano
25/05/2020 11:39
VÍDEO, MENTIRAS E PALAVRõES, por Fernando Gabeira, no jornal O Globo

A divulgação na íntegra, exceto referência aos chineses, deu uma boa ideia de como estamos sendo governados

É raro ver um filme, depois de ler seu argumento e roteiro. Você sabe o que vai acontecer. No entanto, desconhece como os atores vão representar o texto, como reagirão às falas, como se movimentam no espaço cênico.

O famoso vídeo da reunião do Conselho de Ministros já foi vazado a ponto de termos uma ideia de como transcorreu. Sim, havia dúvidas sobre os palavrões. Como foram ditos, com que expressão facial, em que contexto, que tipo de olhar suscitaram.

Tenho impressão de que o vídeo veio na íntegra. O corte da fala de Weintraub é tão óbvio que todo mundo percebe o que disse: não queria ser escravo do PC chinês. Talvez seja uma das frases mais inocentes de todo o texto.

Não foi uma reunião de Conselho de Ministros tal como a supomos. Foi mais parecido com uma pajelança, uma tentativa de Bolsonaro de animar seu Ministério. O debate mesmo era sobre o plano Pró-Brasil.

O trecho básico, que interessa ao processo nascido com a queda de Moro, é o que afirma que não vai deixar sua família se foder, nem seus amigos. Por isso, mudaria até o ministro se necessário. Mudou o superintendente da Polícia Federal, e Moro caiu em seguida.

O nível das intervenções de Bolsonaro é bastante singular se cotejado com os documentos de reuniões presidenciais. Um dos momentos mais dramáticos foi afirmar que, se a esquerda vencesse, todos estariam cortando cana e ganhando 20 dólares por mês.

Como escritor, o que mais me impressionou foi a maneira como figurou a perda da liberdade: "Eles querem nossa hemorroida", disse. Da primeira vez, hesitei. Seria isso mesmo? De onde tirou a hemorroida para expressar a perda da liberdade, não tenho a mínima ideia. Os analistas talvez nos ajudem.

A divulgação na íntegra, exceto referência aos chineses, deu uma boa ideia de como estamos sendo governados. Não apenas pelas palavras escolhidas, mas pela falta de conexão, de uma liderança que tivesse a agenda na cabeça e tentasse trabalhar o Ministério no conjunto como o maestro que rege uma orquestra afinada.

A perversidade ficou evidente na fala do ministro Ricardo Salles. Ele sabe que a Amazônia está sendo destruída num ritmo alucinante: de agosto de 2019 a abril de 2020 o desmatamento cresceu 94,4 % em relação ao período de agosto de 2018 a abril de 2019.

A tática explícita de Salles é aproveitar a grande preocupação com a pandemia e passar todas as agendas que significam enfraquecer a legislação ambiental e acelerar o processo destrutivo em curso.

Eu já intuía isso. O Human Rights Watch publicou um relatório semana passada, mostrando como as multas na Amazônia deixaram de ser devidamente cobradas desde outubro e como os funcionários sentem-se desamparados na execução da lei.

Consegui passar essa mensagem no meio de uma notícia sobre Covid. É preciso usar todas as brechas para neutralizar a tática perversa.

O general Heleno escreveu uma nota ameaçadora antes da divulgação do vídeo. Não entendeu que o ministro Celso de Mello apenas submeteu ao procurador-geral a hipótese de periciar o telefone de Bolsonaro e seu filho Carlos.

A ameaça é clara: intervenção militar. Heleno é um militar com experiência internacional. Creio que ele e as Forças Armadas sabem que existe uma pandemia e que ela é um tema decisivo para a Humanidade.

Creio também, caso leiam os jornais, que sabem o papel de Bolsonaro no imaginário internacional: o de um negacionista, cada vez mais perigoso na medida em que o Brasil torna-se o epicentro da pandemia mundial.

Um golpe militar no Brasil vai colocar o país em choque com o mundo. Dois temas vão se entrelaçar: a pandemia e a destruição da Amazônia.

Não creio que depois de tanta reflexão histórica, estudos, seminários, palestras, cursos no exterior, as Forças Armadas queiram participar dessa aventura. Já associaram sua imagem à cloroquina. Será que ouviriam o general Heleno e os defensores de uma intervenção militar?

Desta vez, não cairemos no erro de resistir com armas. Será uma luta longa e pacífica, alavancada pelo próprio mundo. Da primeira vez foi uma tragédia; agora, será uma farsa com consequências profundas. Se é possível dar um conselho, ai está: por favor, não tentem.
Herculano
25/05/2020 11:27
CONTRA FAKE NEWS, SIGA O DINHEIRO, por Ronaldo Lemos, Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, no jornal Folha de S. Paulo.

No mundo de hoje, a desinformação tornou-se uma indústria muito bem financiada

A expressão "follow the money" (siga do dinheiro) foi popularizada pelo filme "Todos os Homens do Presidente" (1976), que conta a derrocada do presidente Richard Nixon e o papel do bom jornalismo para isso.

Seu significado é simples: várias formas de corrupção política podem ser desvendadas examinando as transferências financeiras entre as partes envolvidas. Com as fake news, é a mesma coisa.

Uma forma eficaz de combater campanhas organizadas para espalhar notícias falsas é seguir o dinheiro.

Especialmente porque no mundo de hoje a desinformação tornou-se uma indústria muito bem financiada. Há uma miríade de empresas, designers, programadores, gestores e financiadores envolvidos na disseminação de notícias falsas. Essa estrutura é cara. Compreendê-la ajuda a lidar com o problema.

Evidência de que essa estratégia funciona está no perfil do Twitter chamado Sleeping Giants, surgido nos EUA, e sua versão brasileira, o Sleeping Giants Brasil (@slpng_giants_pt).

Em quatro dias, a versão brasileira conseguiu resultados no combate a desinformação de fazer inveja ao Tribunal Superior Eleitoral, à CPI das Fake News e ao Congresso. A razão para esse sucesso não é de incapacidade dessas instituições, mas sim um ajuste de estratégia. O Sleeping Giants mapeou parte do dinheiro que alimenta a indústria das fake news.

Fez isso identificando marcas que ?"sem querer?" estavam com anúncios sendo exibidos automaticamente em sites de desinformação via plataforma do Google. Tudo que o perfil fez foi alertar essas marcas do que estava acontecendo.

As marcas que se incomodaram imediatamente bloquearam os anúncios. Já as que não se incomodaram em ter anúncios ao lado de manchetes como "Cloroquina, a cura negada à sociedade" mantiveram suas propagandas (como é o caso do Banco do Brasil).

Em outras palavras, essa estratégia combate desinformação com mais informação (e não com menos). Cabe a cada marca decidir o que vai fazer com seu dinheiro.

O Sleeping Giants, no entanto, tem alcance limitado. Atua só com relação a uma pequena parte do dinheiro que financia fake news. Essa indústria envolve muitas vezes a prática sistemática de várias atividades criminosas, tais como falsidade ideológica, falsa identidade, fraude processual e, sobretudo, lavagem de dinheiro (na ocultação de recursos privados ou públicos usados para financiar esses crimes).

Age acobertando a compra de engajamentos artificiais, usa robôs e automação maliciosa para atacar pessoas ou minar o debate público e assim por diante. Quando descambam para a ilicitude, são verdadeiras organizações criminosas. O Sleeping Giants pouco pode fazer sobre isso.

Já instituições como o Judiciário e o Congresso podem fazer muito. De novo, combate-se fake news com mais informação, e não menos. Jogando luz e punindo quem pratica crimes para ocultar maliciosamente a autoria de campanhas massivas de desinformação, prejudicando a autonomia, o livre-arbítrio, o livre convencimento e a tomada de decisões de cada um.

Colocar a lei a serviço de aumentar a informação disponível e para revelar o que está sendo ilicitamente ocultado é um bom caminho para lidar com a questão.

READER

Já era?
Achar normal transporte público aglomerado e lotado

Já é?
Reduzir temporariamente a capacidade do transporte público

Já vem?
Volta dos scooters e bikes compartilhadas como modais de transporte urbano individual
Herculano
25/05/2020 11:14
TEMER SE RECUSOU A ASSINAR MP QUE O STF ALTEROU, por Claudio Humberto, na coluna que publicou nesta segunda-feira

Burocratas ligados à área econômica do governo federal tentam já há algum tempo emplacar uma medida provisória que vire lei protegendo-os de punição por erros que tenha cometido no exercício de suas funções. Antes de convencer Jair Bolsonaro a assinar a MP 966, alterada nesta quinta (21) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), esses burocratas, na maioria concursados, fizeram idêntica investida no governo anterior, mas o então presidente Michel Temer se recusou a endossar a "blindagem".

BUSCA DE SEGURANÇA

Essa flexibilização prevista na MP, barrada por Michel Temer em 2018 e assinada agora por Bolsonaro, objetiva dar mais segurança ao servidor.

MEDO DE PROCESSOS

Há grande temor de servidores em assinar qualquer coisa, nos governos: eles acham que o ministério público "vê erro até onde não tem."

É Só ANDAR NA LINHA

A assessoria de Michel Temer, que o aconselhou a brecar a MP dos burocratas, indicam a solução para evitar processos: "andar na linha".

CONTRA APROVEITADORES

Os burocratas que redigiram a MP, a rigor, não estão mal-intencionados. Mas o texto abre caminho para aqueles que se aproveitam de brechas.

OAB QUER INDICAR SEUS DIRIGENTES PARA TRIBUNAIS

O presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, deve tentar nesta segunda (25), na reunião do conselho federal da entidade, acabar uma regra que vigora há duas décadas, proibindo seus dirigentes ou conselheiros, incluindo as 27 seccionais, de concorrer pelo chamado "quinto da advocacia" a vagas em tribunais. Os críticos da medida acusam Santa Cruz de tentar mudar as regras do jogo para beneficiar aliados que desejam virar magistrado na chamada "quota" da advocacia.

VAGA NO STJ

A OAB estaria interessada em influenciar na ocupação da vaga do ministro Félix Fischer (STJ) que, doente, pode ser aposentar em junho.

OLHA O PERIGO

Félix Fischer é um dos ministros mais rigorosos e relator no STJ da nova condenação por corrupção e lavagem de Lula, aliado de Santa Cruz.

PRETERIÇÃO INJUSTA

Há defensores da revogação da regra, mas por razão diferente: alegam que, embora competentes, dirigentes são injustamente preteridos.

DA ESQUERDA À DIREITA

Não é só Bolsonaro que não gosta do ex-senador Arthur Virgílio. Lula e Dona Marisa tinham ódio do diplomata que virou prefeito de Manaus. O petista chegou a considerar Virgílio seu desafeto "number one".

UM IRRESPONSÁVEL

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, admitiu na reunião ministerial que vai acabar "sendo preso", disse ele. Se não por roubar, ao menos por mentir e ofender gravemente a dignidade dos trabalhadores da Band.

FALTA NORDESTINO NO STF

O centrão tem a esperança de convencer Bolsonaro a escolher um jurista nordestino para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal. O último foi o admirado sergipano Carlos Ayres Brito, hoje aposentado.

STJ COMO DESTINO

Subiu muito a cotação de Otávio Luiz Rodrigues Jr., ex-assessor do ministro Dias Toffoli e membro do Conselho Nacional do Ministério Público, para uma das próximas vagas no Superior Tribunal de Justiça.

HISTóRIA DE SEMPRE

Na "coletiva da grade", após a divulgação da íntegra do vídeo da reunião ministerial, o presidente Bolsonaro externou sua frustração com quem fica "pinçando" acontecimentos para faturar audiência na mídia.

SEMPRE O PAC

O ministro Onyx Lorenzoni (Cidadania) lembrou que a pandemia mundial vai passar, mas os problemas exclusivamente brasileiros, não. Segundo ele, o governo assumiu país com 36 mil obras paradas. Do PAC, avisou.

BEM NA FITA

Ao falar da recuperação de prestígio internacional, Onyx citou recepção para o ministro Tarcísio Freitas (Infraestrutura) na Rússia e os US$10 bilhões disponibilizados pelo governo saudita para investir no Brasil.

ÍNDICE É SENTIMENTO

O Indicador de Incerteza da Economia Brasil da Fundação Getúlio Vargas (FGV) chegou ao mais alto nível da série histórica em abril. O índice é composto principalmente pela medição do humor da mídia.

PENSANDO BEM..

...gravar e divulgar reunião ministerial é como mostrar a um dos cônjuges a gravação da sessão de psicanálise do outro.
Herculano
25/05/2020 11:13
HUMILHAÇÃO HISTóRICA DAS FORÇAS ARMADAS. O ENIGMA: "LIBERDADE - HEMORROIDA", por Reinaldo Azevedo, no UOL

O momento em que Bolsonaro diz por que quer armar todos os brasileiros. Nada tem a ver com autodefesa. Pensa em guerra civil. E fez essa revelação entre dois generais. Humilhação inédita

A imagem flagra o exato momento em o presidente Jair Bolsonaro diz querer que todo mundo se arme no Brasil. E deixa claro que isso nada tem a ver com o enfrentamento de bandidos ou com a defesa pessoal. Raramente, ou nunca, as Forças Armadas passaram por tamanha humilhação.

À esquerda do presidente e à direita, está o general Hamilton Mourão, vice-presidente. Do outro lado, o general Braga Netto, chefe da Casa Civil e até havia outro dia chefe do Estado Maior das Forças Armadas.

Ambos sabem que o presidente havia exonerado o general Eugênio Pacelli, do Comando de Logística do Exército. Ele teve de deixar a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército porque Bolsonaro se zangou com o militar. Seu erro: ter criado regras para rastrear armamentos e munições nacionais e importados. Seu terro: ter feito a coisa certa.

Bolsonaro não quer rastrear nada. Ele revogou as portarias. Assim, desaparece o controle de armas e munições no país. Mais: é no momento desse flagrante que o presidente dá ordem a Sergio Moro e a Fernando Azevedo e Silva para que baixem outra portaria multiplicando por 33 a quantidade de munição que pode ser comprada por um civil: de 200 unidades por ano para 55 POR MÊS. E, com efeito, no dia 23, a portaria veio à luz.

Reproduzo a fala inteira referente a armas, que tem um rasgo poético até agora incompreendido por quantos tenham tentado interpretá-la: a hemorroida como metáfora de liberdade. Leiam. Volto em seguida:

"Um bosta de um prefeito faz um bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se tivesse armado, ia pra rua. E se eu fosse ditador, né? Eu queria desarmar a população, como todos fizeram no passado quando queriam, antes de impor a sua respectiva ditadura. Aí, que é a demonstração nossa, eu peço ao Fernando e ao Moro que, por favor, assine essa portaria hoje que eu quero dar um puta de um recado pra esses bosta! Por que que eu tô armando o povo? Porque eu não quero uma ditadura! E não da pra segurar mais! Não é? Não dá pra segurar mais.

(...)
É escancarar a questão do armamento aqui. Eu quero todo mundo armado! Que povo armado jamais será escravizado.

(...)
Que os caras querem é a nossa hemorroida! É a nossa liberdade! Isso é uma verdade"

RETOMO

Generais conhecem muito bem a implicação de um eventual armamento generalizado da população, ao arrepio de qualquer controle.

Ao lado do presidente, Braga Netto sabe mais do que outros: foi ele o interventor na segurança púbica do Rio de Janeiro.

Já hoje, com algum controle, as milícias e o narcotráfico dão uma sova no Estado brasileiro - e não deixa de ser uma humilhação às Forças Armadas também, convenham - porque armados até os dentes.

Imaginem sem controle nenhum.

Mas Bolsonaro considera ser esse o caminho para preservar a liberdade. E a hemorroida.

Duvido que haja qualquer estudo na biblioteca das Três Forças que justifique esse ponto de vista. Duvido que algum militar responsável consiga defendê-lo à luz da segurança interna.

De combatentes contra a subversão, as Forças Armadas do Brasil se transformaram em promotoras passivas da guerra civil.

Levarão muitas décadas para se livrar dessa nódoa moral e ética.
Herculano
25/05/2020 11:12
da série: uma opinião que deve ser lida, relida e respeita. É um texto simples e ingênuo, que não possa ser lido e compreendido por alguém que saiba ler e minimamente entender o que lê. Ele trata de algo complexo, que se debruça teóricos e mestres nos tratados e nas universidades. leiam, até o fim, e entendam que as nossas opções, são todas feitas para o presente e não o futuro, inclusive, o que não é abordado no texto, a previdência para a velhice. Eu sou um idoso e vivo do que construí e poupei. Meus filhos e seus amigos, pensam bem diferente. Um dia conhecerão a amargura quando não poderão mais consertar o erro conceitual. Ser velho, pobre, doente e só é algo indesejável até mesmo na literatura. E os jovens de hoje, na sua maioria, caminham para esta realidade do meado e fim deste século.

NÃO FOI O VÍRUS QUE PAROU O MUNDO, por Stephen Kanitz

Perdoem-me por voltar ao assunto, mas é importante entender realmente o que fez o mundo parar.

Não foi o vírus.

Não foi um súbito "colapso da demanda", nem "a falta de estímulos corretos".

Da ótica da administração não se justifica todo esse desastre, só porque as empresas pararam de produzir por somente 45 dias.

Pensem bem.

Tampouco se justifica todos esses pacotes trilionários de estímulos, quando no fundo tiramos talvez 45 dias de férias, em 70% da economia.

Os bois estão engordando, e a soja está crescendo.

Afinal, muitas empresas param anualmente por 30 dias dando férias coletivas e nada acontece.

Eles devidamente preparam previamente estoques dos produtos que fabricam, e o setor atacadista supre o mercado nesse período.

O que realmente ocorreu é que colocaram o rei a nu, algo que venho alertando há anos.

Todo esse desastre foi deflagrado pela crônica falta de capital de giro próprio desde o capital de giro das famílias, até o capital de giro das empresas.

Cada família precisa acumular capital de giro próprio nos anos de vacas gordas, para enfrentar períodos sem entrada de recursos, por perda de emprego por exemplo.

No passado remoto estocávamos comida por sete anos, lembram-se?

Hoje, especialmente nas famílias onde a mulher também trabalha, algo recente, as chances de um ou outro perder o emprego dobra de probabilidade.

Ou seja, os 33% de americanos despedidos afetaram 55% das famílias. É muita gente.

O americano médio tem somente US$ 500 de liquidez imediata e só.

E essas mesmas famílias têm em média US$ 8.500 de dívidas só no cartão de crédito.

Ou seja, capital de giro negativo por família de US$ 8.000.

Isso num país onde a média tem mais de oito anos de "educação".

Por isso as famílias imediatamente reduzem seu consumo, não por causa do vírus ou confinamento, mas por não terem reservas para uma emergência, como esta.

Param de comprar, atrasam pagamentos.

E aí entra uma espiral descendente, onde o setor varejista para de pagar o setor atacadista.

Isso porque também não possuem o capital de giro próprio suficiente para sobreviver nem mesmo 4 meses com vendas baixas.

O atacadista para de pagar o produtor, que também não tem o capital de giro próprio necessário para amortecer esse desequilíbrio.

O produtor por sua vez não paga o fabricante de peças.

Que para de pagar o setor de matéria prima, que para de pagar seus funcionários, e o ciclo se repete e piora.

Os vasos comunicantes embolam e param.

E posso lhes garantir que esses trilhões de "estímulos", não chegarão onde precisam, muito menos para as empresas sem capital de giro, o cerne do problema.

Basta perceber que ninguém sabe qual a empresa que mais precisa de capital de giro próprio.

O FRED americano desde 1967 não calcula mais o CAPITAL DE GIRO das empresas americanas, nem percebeu que estava diante de um problema que estava piorando, e que por isso deveria ser acompanhado de perto.

Queda persistente que Melhores e Maiores também apontava desde 1964, e que sou o único que acompanha até hoje.

Lá como aqui, o Ministério da Economia está pilotando a economia às escuras, tanto quanto nossos Ministros da Saúde.

Tomam decisões equivocadas por não ter os dados certos para analisar o que ocorre na economia real.

O nível de capital de giro já estava estrategicamente muito baixo em 2019, aqui e nos Estados Unidos, colocando em risco a nossa Economia, algo que muitos que me seguem já sabem.

Não foi o vírus que gerou esse desastre econômico.

Foi a falta de capital de giro próprio suficiente para enfrentar essa crise, por parte das empresas e das famílias.

E o pior, no post mortem que será feito dessa crise por historiadores e economistas, tenho a absoluta certeza de que novamente não aprenderemos a lição.

Keynes sequer analisou a falta de capital giro próprio das empresas depois de três anos de recessão, sequer mencionou essa variável na sua Teoria do Emprego.

Por isso ninguém vai recomendar a partir de 2021 que famílias passem a pensar em termos de capital de giro necessário.

Nenhum livro de Economia vai propor que no futuro os governos tenham o capital de giro próprio necessário para enfrentar crises em vez de dívidas monstruosas.

Pegos de surpresa, economistas de governo vão manipular a contabilidade das nações, imprimindo e digitalizando moeda falsa a rodo.

Ao contrário daquilo que ensinamos em Administração Responsável das Nações.

"Nenhuma reserva pública pode terminar antes do término de uma recessão, senão a economia entrará em depressão."

"Todo país e toda família devem acumular reservas financeiras adequadas como forma de proteção."
Herculano
25/05/2020 11:11
GOVERNO FRACASSA NO SOCORRO A 16,3 MILHõES DE EMPRESAS, editorial do jornal O Globo

Pandemia impôs um custo brutal ao setor. Em São Paulo, 117 mil estabelecimentos estão fechados

O governo prometeu, e fracassou. Está deixando para trás 16,3 milhões de empresas de micro, pequeno e médio portes que acreditaram no anunciado socorro oficial durante a emergência da pandemia. É um universo empresarial sobre o qual existe pouca luz e, em geral, sempre foi tratado com desdém na política econômica.

São dez milhões registrados como microempreendedores individuais (MEI, para a Receita Federal), um contingente que dobrou nos últimos cinco anos. Antes da crise provocada pelo novo coronavírus, conforme dados do Sebrae, oito em cada dez deles ganhavam acima de dois salários mínimos, com renda mensal domiciliar na média de R$ 4.400,00. Apenas uma minoria (24%) possuía fonte de renda além do trabalho em casa. Operavam, basicamente, em condições estruturais precárias ?" 68% não possuíam previsão de caixa para o mês seguinte.

Igualmente fragilizados estão os 6,3 milhões de pequenos e médios empresários (PMEs), mostra estudo recém-concluído do Google/IAT sobre os impactos da crise na vida brasileira. Juntas, essas pequenas e médias empresas são responsáveis por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado. Ou seja, constituem a fonte básica de renda para mais de 16 milhões de trabalhadores na economia formal, em todo o país.

A pandemia impôs um custo brutal para esse universo empresarial. Em São Paulo, por exemplo, 117 mil estabelecimentos comerciais estão fechados, segundo a Fecomércio. Foi interrompida, também, a cadeia de negócios na fronteira entre lojas e comerciantes informais ?" os ambulantes ?", com perdas estimadas por dirigentes da Associação Comercial em quase R$ 1 bilhão por dia.

O drama se estende à pequena e média indústria paulista. Pesquisa Datafolha/Simpi com 181 indústrias, entre os dias 8 e 12 de maio, indica que a ampla maioria (86%) não tinha acesso ao crédito prometido pelo governo. Seis em cada dez estavam totalmente paradas ou com a maior parte do maquinário desligada ?" e sem qualquer auxílio estatal.

A crise está expondo a inoperância governamental em sua plenitude. Falha o prometido socorro às micro, pequenas e médias empresas, e malogra a assistência aos economicamente mais vulneráveis.

Antes da surpresa pandêmica, a burocracia impôs uma fila a dois milhões de pessoas com direito à aposentadoria. Com a disseminação do vírus criou-se outra fila, de dezenas de milhões, nos guichês da Caixa Econômica Federal. Em abril, o governo imaginava que teria de pagar R$ 600, temporariamente, a cerca de 25 milhões de "invisíveis" na economia. Em maio descobriu que são mais de 50 milhões, além dos inumeráveis sem qualquer tipo de registro em agências do Estado brasileiro.

Brasília precisa acordar e agir rapidamente na realidade de uma economia à beira do abismo. Sua ineficácia está ampliando a dimensão do desastre.
Herculano
25/05/2020 11:10
da série: se você é meu leitor, ou leitora, por favor vá até o fim deste artigo, mesmo que textos tão simples, tão curtos, sobre algo tão complexo, sejam uma tortura para você.... obrigado.

O NOVO NORMAL É UM MUNDO EM QUE PARANóICOS E HIPOCONDRÍACOS VENCERAM, por Luiz Felipe Pondé, filósofo e ensaísta, no jornal Folha de S. Paulo

As pessoas gozam com a morte, e ficam excitadas quando autorizadas a odiar, a temer e a desconfiar

E quem disse que as pessoas leem e entendem tantos artigos que descrevem em detalhes as patologias que levam o paciente infectado pela Covid-19 a óbito? Não entendem, mas gozam morbidamente.

Imagine pessoas comuns ouvindo toda hora que tudo pode ser sintoma do novo coronavírus. Imagine a Organização Mundial da Saúde dizer que é mais seguro masturbação do que sexo com outra pessoa.

Imagine ainda as pessoas, na rua, atravessando para o outro lado com medo do pestilento que vem em sua direção. Imagine a proibição definitiva do beijo na boca como sendo algo semelhante a colocar a boca numa privada. A boca da morte ri por toda a parte.

Hoje ninguém está seguro. O novo normal (essa expressão idiota) é, seguramente, um mundo em que os paranoicos e os hipocondríacos venceram. Agora eles têm uma coleção de justificativas científicas para o seu gozo com a morte.

A ciência provou que a paranoia diante do mundo é a ação mais sustentável epidemiologicamente. Você acha que defendo a delinquência? Não. Há mais coisas entre o céu e a terra do que pensa a nossa vã estupidez polarizada.

Quando alguém se pergunta "por que o entregador de delivery não tem o mesmo direito de ficar em casa que nós da classe média para cima?", saiba que você está diante de um mentiroso ou de um sádico. Esse cara que faz delivery trabalha porque precisa comer. Você pede comida remotamente? Pois então, ele é parte do seu aplicativo revolucionário. Se não fizer entregas, morre de fome. O gozo com a morte nos deixa cínicos.

Sigmund Freud (1856?"1939) publicou seu "Além do Princípio do Prazer" em 1920. O conceito de pulsão de morte ali descrito é uma grande chave de leitura para a nossa época.

A morte está na ordem do dia como objeto de gozo. A pulsão de morte goza onde o ser é destruído, seja pela violência, seja pela paralisia. Quanto mais paralisado o mundo, mais gozo com a morte. O capital sorri enquanto se especializa numa sociedade mediada pela pulsão de morte. Todos com inseticidas à mão.

A política goza com a epidemia. A mídia goza com a epidemia. As ciências gozam com a epidemia. Os empresários gozam com a epidemia, pensando em como eliminar elos na cadeia produtiva sendo criativos! O incapaz de penetrar uma mulher goza com a epidemia, a mulher amarga com tudo goza com a epidemia. O deprimido finalmente tem razão para o seu estado de espírito.

O contrato social atual, como sempre ocorre em crises sanitárias graves na história, privilegia os vícios, a covardia, o abuso e os impulsos mórbidos. O contrato agora é permeado pela pulsão de morte como gozo social: Tânatos é a sua substância, e não Eros.

Os hipocondríacos ganharam a batalha pelo modus vivendi. O mundo será tão seguro quanto a morte é, eternamente fora de qualquer risco.

A profusão de textos e vídeos sobre métodos de segurança é impressionante. Suspeito que escorra uma baba pelo canto da boca de quem goza lendo-os e assistindo.

De agora em diante, toda pessoa perto de você é uma inimiga. Não só as pessoas, mas as maçãs também são inimigas. Tampouco ouse olhar uma criança, pois logo irá se descobrir que o coronavírus também é transmitido pelo olhar.

A fronteira entre a paranoia e o cuidado é o excesso de cuidado da paranoia. Freud já nos dizia que o superego, "órgão psíquico" da moral, se alimenta de pulsão de morte. A moral tortura.

Os tempos em que vivemos provam isso de forma evidente, com o casamento das normas sanitárias vigilantes com o medo. Talvez Freud, que atravessou a Primeira Guerra e a gripe espanhola, pandemia que matou uma das suas filhas, tenha percebido esse detalhe - e o gozo está no detalhe: as pessoas gozam com a morte.

Elas ficam especialmente excitadas quando autorizadas a odiar, a temer, a desconfiar, trair, a proibir. Fosse o vírus um exército de ocupação, o colaboracionismo seria total. Você duvida?

A pulsão de morte reina sozinha no novo normal, faz selfie, live, branded content, novos negócios. Como sempre, ela, a pulsão de morte, busca o repouso no inorgânico. Irônico que, apesar de tanto se falar em salvar vidas, seja justamente a morte que goza mais do que tudo nesse nosso novo normal.

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