16/07/2020
Mais de dois meses depois de anunciado (27 de abril), montar e só agora após expor os doentes em tendas improvisadas no posto do Centro, nesta quarta-feira e sob forte pressão popular, a prefeitura de Gaspar, Defesa Civil e Secretaria da Saúde montaram um Centro de Triagem da Covid-19 no Ginásio João dos Santos com distanciamento e sob abrigo mínimo da chuva, frio e vento. Esta foto é da própria prefeitura e lá de abril
Trôpegos no poder I
O tema da coluna desta sexta-feira era outro. Mas, o rato tanto vai ao moinho... É claro que não escreveria sobre como estão “florescendo”, em pleno inverno, os belos jardins da nossa cidade. Não é minha especialidade, não estou no cabresto dos políticos e não sou pago para este tipo farsa contra a cidadania. O belo se admira por si só. Não deve ter ele à intenção de esconder a sujeira que não se limpa, mas, acumula-se. Também não publicaria fotos de políticos, sorrindo em encontros e que saberia eu serem eles marcados pelo erro e hipocrisia. Mas, sou obrigado a voltar a um tema antigo e repetido; unicamente analisado aqui neste espaço. Ele tomou às redes sociais e os aplicativos de mensagens como fogo em pólvora. O assunto foi renegado no poder de plantão. Imprudência à uma obviedade. Trata-se do alto salário do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB (R$27.356,69, por mês), somado à falta de sacrifícios mínimos dos políticos locais. A contrapartida macabra em tempos de desesperadores e decorrentes da pandemia. Em tempo de pandemia esses políticos de um lado preservam os seus ganhos, no outro, exigem mais sacrifícios dos pagadores que pesados impostos da cidade e que lhes sustentam nesse mundo irreal e injusto.
Trôpegos no poder II
Kleber, o que diz ser um “jovem bom”, de “coração mole”, evangélico, mas orientado por seus “çabios”, esticou a corda. E nesta semana viu um abaixo-assinado eletrônico circular na internet pedindo para ele próprio baixar 55% do seu salário e 35% dos comissionados – a pesada máquina eleitoral do poder de plantão empregada na prefeitura para a reeleição dele. Faltou, nesse abaixo-assinado pedir igual sacrifício aos vereadores. Eles, em março, em seis dias tramitaram e reajustaram os salários dos políticos; deram um aumento de 1% para os servidores. Porém, estão sentados há 95 dias sobre dois Projetos de Resolução, do vereador da base de Kleber, Roberto Procópio de Souza, PDT. Um desses PR prevê à redução de apenas 20% por dois meses dos ganhos dos vereadores. E é o próprio Procópio, que segura a ida à votação no plenário. Ele, advogado, é presidente da Comissão de Legislação. Ela achou pelo em ovo. A área técnica indicou inconstitucionalidade. Aliás, diga-se que o relator geral desse PR, Dionísio Luiz Bertoldi, PT, já deu parecer favorável há meses e o prazo para uma solução na Comissão já expirou no dia 29 de maio.
Trôpegos no poder III
E por que o prefeito eleito Kleber foi para a patíbulo? Porque ele foi colocado lá e se tonou um mero garoto propaganda de um grupo de “çabios”. Eles que verdadeiramente governam. O MDB cooptou o PP, o PSD, o PSDB, o PDT, o PSC e outros nanicos. Com este suposto poder relegaram, à prevenção do Covid-19. Derem os piores exemplos nas redes sociais com reuniões políticas em tempos de restrições. Quando a doença veio para valer devido ao relaxamento das medidas e à falta de conscientização de parte da sociedade, mas inspirada nos maus nos exemplos dos políticos, Kleber editou um decreto sem ouvir os afetados e mais duro do que os próprios vizinhos como Blumenau, Brusque e Itajaí. Falou com os pastores para deixar os templos abertos à noite. Entretanto, ignorou mandou os donos de restaurantes fecharem as 18h, ou seja, antes mesmo deles abrirem. Se a cara e sofisticada propaganda do governo não funciona nas redes sociais, a dos revoltosos, improvisada, faz estragos. Será que o poder de plantão terá ao menos esse episódio como lição? Acorda, Gaspar!
O prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, é um jovem. Por outro lado, é um político velho com práticas condenadas no exercício administrativo. Ele confunde propaganda e puxassaquismo dos que o rodeiam por interesse pessoal, com transparência e prestações de contas à comunidade que lhes sustenta. Se diz vítima. E é, porém, das suas escolhas.
Kleber apostou em obras físicas, endividamento, falta de planejamento, dúvidas, erros, equipe fraca feita de cabos eleitorais. Persegue ao invés melhor olhar às pessoas vulneráveis e as pagadoras de impostos, oferecendo-lhes melhor saúde nos postinhos, mais creches, escolas com contraturno, período integral, assistência social estruturada...
A Covid-19 é um caso excepcional? É! Entretanto, gestor capaz é eleito para governar e surpreender os cidadãos nos desafios e nas crises, principalmente, as inesperadas. É na tempestade que se conhece o verdadeiro comandante. Na Saúde em Gaspar, em pouco mais de três anos e meio, tivemos seis titulares e interinos. Uau! Alguma coisa pode dar certo? Esse retrato percorre o próprio Hospital – que ninguém sabe quem é o dono – e está sob intervenção municipal.
Exemplos? O governo de Gaspar depois de anunciar há dois meses e meio que preparou o ginásio João dos Santos como um Centro de Triagem para a Covid-19, foi só nesta semana com o recrudescimento da doença por aqui e diante daquela tenda na porta do Centro de Saúde, com os vulneráveis e doentes expostos ainda mais à doença, frio, umidade, vento e chuva, que o governo Kleber resolveu ativar o João dos Santos. Meu Deus!
A Saúde Pública em Gaspar, apesar de ela consumir horrores em grana e muito mais do que o orçado, ou seja, com resultado efetivo, político e de imagem pífios, ela parece que nunca foi uma prioridade de verdade no governo Kleber, a não ser na propaganda oficial. Os fatos falam por si só. Então, o descontrole diante de uma crise grave e de resultados imprevisíveis como a Covid-19, deixaram mais expostos quem não se planejou, mas fez dela uma área para jogos de cargos, ajeitamentos e poder.
E quem paga? Os doentes, os vulneráveis, os pobres, os cidadãos. Quem vai pagar em 15 de novembro? Os políticos. Eles brincam com coisa seríssima. Querem a prova? A primeira secretária de Saúde de Gaspar escolhida por Kleber foi uma reconhecida técnica. Ela foi indicada por um dos apoiadores de campanha: Dilene Jahn dos Santos. Durou seis meses. Saiu corrida daqui. Negava-se a fazer política com saúde do povo.
Quem a substituiu? Uma administradora especialista da área e já enturmada no ambiente político daqui, Maria Bernadete Tomazini. Contudo, meses depois, em fevereiro de 2018, o então todo poderoso secretário da Fazenda e Gestão Administrativa – secretaria que fez para si na cara Reforma Administrativa -, presidente do MDB, advogado, ex-coordenador de campanha de Kleber, Carlos Roberto Pereira, exilou-se lá.
E por que? É que Kleber, por pixotada do próprio secretário, que é o prefeito de fato, perdeu a maioria na Câmara. Não podia mais passar seus projetos. Apostou na eleição da mais jovem vereadora Franciele Daiane Back, PSDB – partido que nem era do governo na época -, não articulou e ela não pediu votos. Arrogância igual a derrota.
Por causa disso, o médico Silvio Cleffi, PSC, evangélico, cria política de Kleber, silenciosamente, vingou-se e se elegeu com os votos da oposição articulados por Roberto Procópio de Souza, PDT. Ele hoje está no governo Kleber, numa cara negociação para Kleber ter de volta a maioria na Câmara no final de 2018. Hoje, Sílvio vou ao colo do governo, está no PP e pagando micos e pecados. Em Gaspar, a política usou a Saúde.
Carlos Roberto Pereira, gostou e ficou na Saúde até maio de 2019. Deixou-a para o dentista José Carlos de Carvalho Júnior, vindo da Fundação Municipal de Esporte e Lazer. Como é pré-candidato a vereador, e faz do trabalho em ambiente público um trampolim eleitoral, Júnior saiu da Saúde neste início de ano, para a interinidade de quem? Carlos Roberto Pereira – que continuou na Fazenda - sob a desculpa esfarrapada de Kleber de conter gastos. Mais uma falácia. O discurso não durou três meses.
E por que? Em maio, a pasta da Saúde foi entregue para o atual secretário, o enfermeiro Arnaldo Gonçalvez Munhoz Júnior. Ufa! É ele quem anda escondido nas ações da pandemia em Gaspar –e devia estar à frente de tudo. E por que está recolhido? Falta-lhe autoridade? Talvez! O certo é todos palpitam, inclusive marqueteiros de araques. Arnaldo é mais um que está refém dos “çabios” de Kleber. Eles infestam no paço e estão colocando Kleber no buraco.
E o que se pode deduzir dessa dura realidade? Que a tempestade os domina. Nenhum planejamento suporta tal irresponsabilidade. E o Hospital de Gaspar- que ninguém sabe de quem é – entrou na mesma insegurança, desconfianças técnicas e troca-troca de gestão. E o povo sofre. Acorda, Gaspar!
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