09/09/2008
OPINIÃO
Por Herculano Domício
Não sei. Primeiro haverá uma eleição. E a decisão silenciosa e inviolável do eleitor será soberana. Mas, que esta pesquisa do jornal Cruzeiro do Vale é uma ducha de água fria (como a trovoada que nos surpreendeu nesta madrugada) na campanha de pelo menos quatro candidatos, ah isto é sem dúvida alguma.
Ouvi vários comentários sobre o resultado das pesquisas. Desde os sensatos aos conspiratórios. É do jogo. É do esperneio. Afinal, quem foi para a chuva, podia se molhar. E pode se secar também. A verdade é cruel e a realidade não dá margens para filosofias. Então vamos ao que interessa.
Vou evitar comentar números. Eles falam por si só e não me atrevo a insultar a capacidade de análise dos meus leitores. Tentarei escrever de forma muito rápida sobre algumas experiências e as muitas evidências (mas que o espaço e a legislação eleitoral não me permitem discorrer sobre muitas delas).
Das experiências. Primeiro há uma oportunidade para os que estão empatados tecnicamente em segundo lugar. Otimismo? Mas políticos não vivem disso? Ou preferem se enganar? A distância é grande para o primeiro? É. Entretanto, tudo é possível. Há possibilidade de alianças "brancas" e há quase 30 por cento ( e isto não é pouco) de indecisos, nulos e brancos por ai. Eles podem estreitar a disputa ou alargar a vantagem. Todavia, a história e o quadro de picuinhas e rivalidade que se instalou entre partidos e candidatos conspira com tudo contra a possibilidade de eventuais alianças.
Segundo. Por isso e por outros aspectos técnicos só um desastre ao PT e um quase milagre com um fato novo aos demais mudam o curso do que parece estar consagrado. Só há 25 dias para uma reversão. É pouco tempo. E esta pesquisa reflete outras sérias feitas há mais de um ano ( não as montadas e usadas como propaganda por simpatizantes). Ou seja, esta intenção de voto dos gasparenses não é nova. Está delineada há algum tempo. E para mudar...
Terceiro. Quando um partido ou um candidato tem uma vantagem tão sólida, o que parece vantagem pode se constituir numa cilada: para o partido que se acomoda ( e pode ser surpreendido) e para a sociedade que perde um instrumento de negociação ou para exigir compromissos, comprometimentos do virtual vencedor com ela própria. É uma pena.
Bom, e das evidências? O PT chegou a Gaspar em 2000 depois da desastrada administração Nadinho/Andreone Cordeiro (PMDB/PTB e outros) e a divisão das lideranças locais como hoje. O PT fez isso via a fortaleza que ele instalou em Blumenau. A história se repete, entretanto num cenário totalmente diferente. O prefeito Adilson Schmitt colhe resultados amargos de uma desconexa estratégia geopolítica, uma proteção errônea para seus atos e uma comunicação pífia do que diz ter feito para a cidade e os cidadãos gasparenses.
Se analisarmos as eleições de 2000 e 2004 e esta pesquisa, deve-se admitir que o PT já tem um eleitorado constante concentrado nos jovens (os excluídos nos demais) e nos mais esclarecidos num outro contraponto e que de alguma forma, pode estar atraindo a simpatia para a candidatura petista alguns conservadores desgostosos. Nada desprezível. Isto também sinaliza futuro.
O PT anda mal ou balançando com as suas candidaturas em Blumenau, Indaial, Ilhota, Itajaí (onde é governo) e em cidades chaves como Florianópolis, Criciúma e Chapecó. Poderá se salvar em Gaspar e ai fará da nossa cidade o seu cartão de visitas, vai gerar empregos para os companheiros e companheiras como sempre e quem sabe, promover soluções para a cidade e alavancar alguém na corrida eleitoral de 2010.
Daí conclui-se que a pesquisa, neste momento, mostra que a eventual eleição do candidato do PT em Gaspar não tem muito a ver com o PT nacional e o fenômeno Lula. Tem a ver, claramente, com o clima e desejos, estrutura partidária ou falta de opções, mas tudo bem relacionados com Gaspar.
Finalmente. Depende de que ângulo que candidatos olharão esta pesquisa. Um mandará talhar o terno da posse; outro poderá arregaçar as mangas para com astúcia desmentir a pesquisa na base do trabalho; e haverá quem se conforme, desistirá do desafio e procurará outra freguesia para se instalar. E assim a vida seguirá. Morna.
Certo mesmo é que depois desta pesquisa, o dinheiro que já andava escasso na campanha, ficará mais escasso ainda para alguns candidatos. Ou seja, tudo se tornará mais angustiante e difícil. E tedioso.
Até a próxima pesquisa do Cruzeiro do Vale.
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