Uma UTI e sofisticados equipamentos no Hospital de Gaspar por si só não vão salvar vidas, mas o que se faz antes deles, incluindo à transparência - Jornal Cruzeiro do Vale

Uma UTI e sofisticados equipamentos no Hospital de Gaspar por si só não vão salvar vidas, mas o que se faz antes deles, incluindo à transparência

13/08/2020

Samuel, o menino I

Gaspar se tornou notícia estadual mais uma vez na pandemia da Covid-19. O primeiro paciente da UTI emergencial feita só para Covid-19 no Hospital de Gaspar, não tinha o novo corona vírus. Todos concordam. É técnico. Foi testado. Não há o que contestar. Entretanto, o Hospital – cujo dono ninguém sabe quem é e está sob intervenção municipal desde o governo petista de Pedro Celso Zuchi - foi à Justiça para que isso não seja registrado ou comentado por mim. O que alega?  Que mancha a “boa imagem” do Hospital. É que estamos em tempo de campanha eleitoral e isso não fica bem, mas para a “imagem” dos políticos que tocam o Hospital. Só isso! Agora, o Hospital e principalmente a secretaria de Saúde, tentam se justificar na morte de Samuel Miranda de Oliveira (foto), de 12 anos, morador da Bateias, filho de gente humilde e negra. Pode ser que tenham razão. Mas, prova-se mais uma vez que a UTI não é a salvação daquilo que ainda mal funciona aos olhos dos que estão doentes, esperançosos, não têm para onde ir além do Hospital e do sistema de atendimento da secretaria do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. 

Samuel, o menino II

O Hospital de Gaspar – que conheço bem desde 1984 - já fechou a pedido do seu Conselho por falta de condições financeiras e técnicas – nem fossa séptica tinha, doentes, mortos, visitas, funcionários e médicos entravam e saiam pela mesma porta. Fui o vice-presidente da Comissão que o reconstruiu fisicamente Hospital, liderada pelo então presidente da Acig, Samir Buhatem. Muita gente filantropa e comunitária esteve envolvida, principalmente a Fundação Bunge no suporte econômico. O corpo clínico bem distante. As novas ou modernas instalações não serão nunca nada, se à essência do Hospital não existir na alma dele que é o de acolher, diagnosticar corretamente, encaminhar, tratar, recuperar e devolver à vida aos doentes. São os doentes bem atendidos e recuperados que avaliam e avalizam o Hospital e seus profissionais. A “alma” do Hospital deve estar longe dos políticos, inclusive dos bem-intencionados. Tudo começa no Pronto Atendimento, foco dos problemas mínimos, básicos e rotineiros. As redes sociais estão cheias de reclamações e denúncias. As desculpas são sempre as mesmas: falta raio-x, tomógrafo, UTI, isso e aquilo. Eles estão chegando. E os problemas, por sua vez, continuam e até aumentam, quando deveriam diminuir. Então a ordem é abafá-los. 

Samuel, o menino III

E saúde pública não se faz apenas no Pronto Atendimento do Hospital. Esse erro estratégico e funcional retrata bem à gravidade e a forma torta que se trata este grave problema. A saúde pública começa nos postinhos, na policlínica e nas farmácias básicas. É lá que a saúde pública está falhando contra os mais frágeis. Não se faz política pública de saúde séria trocando continuadamente de secretário de Saúde e gestão do Hospital sob intervenção como se viu e se vê no governo Kleber. Não se faz política pública de saúde calando o debate, o doente ou a família dele. O debate e a insatisfação não estão exatamente aqui neste espaço. Estão nas redes sociais e aplicativos de mensagens. São eles que estão fora do controle dos que mandam e marqueteiam na gestão de Kleber. E Samuel pode ser resultado de tudo isso.  A própria prefeitura de Gaspar deu pistas na sua nota oficial. “O menino apresentou os primeiros sintomas suspeitos de corona vírus no dia 5 de julho e testou positivo para Covid-19 no dia 9 de julho”. Então, entende-se que Samuel deveria estar sendo monitorado – como manda o protocolo - pela secretaria de Saúde e como, no mundo o protocolo diz, a doença se expira em 14 dias, presumia-se que este “acompanhamento” da secretaria é que deu a alta, pois não se testou para ver a real situação de Samuel. Mas, ele continuava doente. E de Covid-19. 

Samuel, o menino IV

Emergência. E tarde!  Sugerindo outra causa, a nota das 18.56 continuava: “o menino deu entrada no Pronto Atendimento do Hospital de Gaspar às 21h47 desta quarta-feira, dia 5 [ um mês depois que ele procurou atendimento na rede pública com sintomas de Covid-19], com quadro agravado de dificuldade respiratória. A equipe médica iniciou todos os procedimentos, porém, a criança não resistiu e, infelizmente, veio a óbito por volta das 2h45 dessa madrugada”. Nesta segunda-feira, dia 10, contra o que esperavam todos os envolvidos e os políticos, os exames provaram que Samuel morreu devido, ou com a Covid-19. “Era um menino alegre”, sintetizou a mãe em depoimento a NSC TV. “Eles não passaram nenhum remédio. Só isolamento”, escreveu a irmã mais velha naquilo que viralizou nas redes sociais. Os médicos choraram, registrou a mídia. Mas quem perdeu um filho e um irmão foram outros. Samuel é um caso de investigação científica, no mínimo. Ele é a prova de que sem diagnóstico e acompanhamento corretos, nenhum doente se cura em Hospital com paredes, aparelhos sofisticados e UTI novas. É preciso debater, sim, mais este caso. Abafá-lo como querem os políticos que devem explicações à cidade e aos mais vulneráveis, significará mais outros Samueis no futuro. Boa imagem se constrói, não se impõe sob o silêncio naquilo que se errou, ou estabeleceu como fatalidade. Acorda, Gaspar! 

 

TRAPICHE 

Apenas dois pré-candidatos a prefeito de Gaspar se comprometeram, até agora, a “secar” a teta de comissionados e diminuir o quadro de secretários da prefeitura de Gaspar, se eleitos: Rodrigo Boeing Althof, PL e Sérgio Luiz Batista de Almeida, PSL. Este até promete baixar o atual salário de R$27.356,69 do prefeito – um dos mais altos de Santa Catarina. 

Kleber Edson Wan Dall, MDB, não pode mais fazer tais promessas. Inchou a máquina como poucos. E o PT, que já foi governo e teve as mesmas práticas, ainda não tem candidato declarado. Mas, se tiver, terá os mesmos defeitos de Kleber neste aspecto. 

Enquanto isso, todos 13 vereadores de Gaspar continuam num silêncio sepulcral sobre dois Projetos de Resolução e de autoria do governista Roberto Procópio de Souza, PDT. Eles cortariam apenas 20% por só dois meses, além de não mais acessarem às diárias até o final do ano. 

Os PRs deram entrada no dia sete de abril e estão empacados na Comissão de Legislação, Justiça, Cidadania e Redação, presidida pelo próprio Roberto.  

Para comparar: os cincos projetos que reajustaram os salários do prefeito, vice, secretários, vereadores e deu 1% de aumento real para os funcionários em ano eleitoral, entrou, foi analisado, relatado e aprovado em seis dias. 

Não tem jeito. O Samae, a secretaria de Planejamento Territorial, a secretaria de Obras e Serviços Urbanos e as empreiteiras não se falam. Mal uma obra é terminada, asfalto novinho, lá vem o Samae de Gaspar quebrando tudo. E para procurar registros tampados pelo asfalto. E o povo pagando duas vezes essa pesada conta. 

 

Edição 1964

Comentários

Herculano
17/08/2020 05:40
COLUNA INÉDITA

Hoje é dia de Olhando a Maré, inédita. Uma coluna que definitivamente não é espaço de amenidades e falsidades do mundo político. Acorda, Gaspar!
Miguel José Teixeira
16/08/2020 19:05
Senhores,

Professor Pardal

"Depois de homeopatia, vermífugo e ozônio, prefeito de Itajaí anuncia que adotará cloroquina"

(Fonte: NSC Total, Dagmara Spautz, hoje)

Seguramente, Itajaí é infinitamente maior do que isto. . .
Miguel José Teixeira
16/08/2020 13:05
Senhores,

A mais antiga oligarquia tupiniquim

"Em crise e por sobrevivência, clã Sarney se aproxima do bolsonarismo". (O Globo)

Alguém aí lembra de qual governo a corja sarney não fez parte?

Pelo visto, zéquinha sarney no ministério do meio ambiente, já, já. . .

A Secretaria do Meio Ambiente do DF não lhe agrada muito e é muito vigiada.
Miguel José Teixeira
16/08/2020 12:56
Senhores,

Em "O Globo"

"GP da Espanha: Hamilton controla Verstappen, vence e fica a três vitórias de igualar Schumacher"

Ué. . .o Schumi continua disputando GPs?

Arranjem outro parâmetro, pois este é "pegadinha do bundão"!
Miguel José Teixeira
16/08/2020 11:46
Senhores,

Cadê os caríssimos e inoperantes parlamentares Catarinenses na Câmara dos Deputados?

Eis o texto extraído da Agência Câmara de Notícias:

"Projetos sustam decreto que autoriza concessão do Parque Nacional de Brasília à iniciativa privada"

"Decreto questionado por deputados também autoriza inclusão do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina, no programa de desestatização do governo

Três propostas apresentadas à Câmara dos Deputados sustam o decreto do governo (Decreto 10.447/20) que autoriza a concessão à iniciativa privada do Parque Nacional de Brasília - também conhecido como Água Mineral - e do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina.

Publicado no dia 10 de agosto, o decreto inclui as unidades de conservação no Programa Nacional de Desestatização, permitindo a concessão dos serviços públicos de apoio à visitação, à conservação, à proteção e à gestão das unidades. Hoje o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), autarquia ligada ao Ministério do Meio Ambiente, é responsável por essas tarefas.

Importância estratégica
"Não precisamos privatizar parques e não devemos, mas sim cumprir a legislação ambiental, e melhorar nossa imagem internacional", diz o deputado Professor Israel Batista (PV-DF), autor do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 364/20, assinado por toda a bancada do PV.

Ele lembra que o DF passou por fortes crises hídricas em 2017 e 2018 e destaca que o Parque Nacional de Brasília tem "importância estratégica para a garantia do serviço essencial de fornecimento de água para a população do Distrito Federal". O parque protege as bacias dos córregos formadores da represa Santa Maria, responsável por parte do abastecimento de água da capital.

O parlamentar acrescenta que o parque tem a função de preservar a vegetação típica do cerrado, contribuindo para o equilíbrio das condições climáticas e para o controle da erosão dos solos no DF.

Agenda antiambiental
"A medida representa mais uma ação na agenda antiambiental do governo Bolsonaro e da gestão Salles [no Ministério do Meio Ambiente]", afirma a líder do Psol, deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS), na justificativa do PDL 369/20. O texto foi assinado por outros nove deputados do partido.

Para ela, há "conflito de interesses envolvido nas medidas de concessão, considerando que o objetivo destas empresas sempre será o lucro, o que é incompatível com a missão intrínseca à implementação de qualquer área natural protegida". Na visão dos parlamentares, para garantir a plena conservação dos ecossistemas, o governo deveria fortalecer e aumentar o quadro dos órgãos federais ambientais.

Interesse público
Autor do PDL 363/20, o deputado José Guimarães (PT-CE) também acredita que, se a concessão se concretizasse, os "interesses econômicos de exploração turística desses parques se sobreporiam às necessidades de sua preservação e da preservação dos recursos naturais que deles depende".

Conforme ele, "as atividades de conservação demandam, muito além de amplos investimentos, dificilmente suportados por empresas privadas, escolhas de manejo sustentável que envolvem interesses exclusivamente públicos".

Reportagem ?" Lara Haje
Edição ?" Rachel Librelon

Até o "PeTralha dos dólares na cueca" saiu em defesa do Parque Nacional de São Joaquim. . .

Acordem, Catarinenses!
Herculano
16/08/2020 07:20
SUPER IMPOSTO DE GUEDES PODE ARRECADAR MAIS DO QUE EXTINTA CPMF

Conteúdo de O Antagonista. O imposto sobre transações eletrônicas proposto pelo ministro Paulo Guedes pode arrecadar mais do que a extinta CPMF.

Segundo a Receita Federal, em 2007 a CPMF arrecadou R$ 72 bilhões em valores atualizados pela inflação ?" o que corresponde a 1,34% do PIB.


Diz a Folha:

"O time de Guedes prevê que a 'nova CPMF', como vem sendo chamada no Congresso, renderia R$ 120 bilhões por ano aos cofres públicos."

A CPMF de Guedes, como publicamos, está na base do plano para reeleger Bolsonaro.
Herculano
16/08/2020 07:13
VIRADA DE BOLSONARO REPETE O PASSADO, por Samuel Pessôa, economista, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (FGV) e sócio da consultoria Reliance.

Presidente volta-se para programa de maior intervencionismo na economia

Há fortes sinais de uma reviravolta "desenvolvimentista" na política econômica. Percebe-se que o presidente está altamente tentado a quebrar o teto de gasto para que haja espaço para a elevação do investimento em infraestrutura e expansão da política social (em relação ao status quo pré-pandemia).

Ao menos é o que se depreende dos acontecimentos da semana e das mensagens, explícitas ou cifradas, que o próprio presidente envia à sociedade.

Na sexta-feira (14), esta Folha divulgou a elevação da popularidade do presidente. A soma de ótimo e bom subiu cinco pontos percentuais (pp), de 32% para 37%, e a avaliação negativa, dada pela soma de ruim e péssimo, caiu 10 pp, de 44% para 34%. Na região Nordeste, a queda da avaliação negativa foi de 17 pp, de 52% para 35%, e a positiva subiu 6 pp, de 27% para 33,3%.

Assim, além da elevação da popularidade do presidente, aparentemente há uma troca da natureza do apoio. Bolsonaro consegue penetrar em regiões que nas últimas eleições têm votado no PT, fato bem notado na entrevista do cientista político André Singer a esta Folha no domingo passado (9).

Bolsonaro pode estar repetindo dois movimentos já observados em nosso passado. Do ponto de vista da política econômica, após um início em que ensaiou apoio a uma agenda de reformas e de ajuste fiscal, talvez mais como farsa, e não realmente como ocorreu no governo Castello Branco, volta-se para uma programa de maior intervencionismo na economia e de desequilíbrio fiscal. Rapidamente, Bolsonaro pode refazer, com nuances, a trajetória da formulação da política econômica da ditadura militar.

Na política, Bolsonaro parece caminhar para repetir o ciclo que tem ocorrido com todas as forças que mantêm alguma hegemonia ou autoridade política durável no Brasil há muitas décadas.

A nova força política surge com forte apoio do eleitorado da região Sudeste. Com o passar dos tempos e o natural processo de desgaste, o apoio no Sudeste cai ou desacelera, e a base eleitoral do grupo político que tem a liderança do Executivo nacional se movimenta para o Nordeste, a região mais dependente das transferências do governo central.

Bolsonaro talvez faça a jato, em alguns anos, o trânsito que fizeram, em década ou década e meia, aproximadamente, a Arena nos anos 1960/1970; o MDB nos anos 1970/1980; e o PSDB nos 1990 (vale lembrar que Serra em 2002 venceu em Alagoas); e o PT nos anos 2000/2010.


Na sexta, em excelente coluna intitulada "Predestinados", Angela Alonso notou um traço comum entre a família de Caetano Veloso e a de Jair Bolsonaro: diversos filhos com a mesma atividade profissional do pai. Em ambos os casos, o pai é extremamente bem-sucedido em seu campo de atuação. Os filhos conseguem se beneficiar do capital social do pai para se lançar na mesma atividade profissional.

Angela nota que, "tão distintas em tanto, as duas famílias se assemelham neste ponto: os pais subiram e transmitem aos filhos oportunidades e recursos para permanecer no topo". Nada de novo aqui. É a história de nossa desigualdade abissal.

Há outro ponto, no entanto, que vale notar. Se os filhos tiveram o caminho aberto para seguir os passos do pai, essa escolha ficou mais fácil pela nossa estagnação secular. Desde meados dos anos 1980, a produtividade do trabalho praticamente não cresce.

O início da vida profissional para todo adulto jovem ficou muito difícil. Para aqueles que têm a oportunidade de um caminho desse tipo, diante da mediocridade de nossa economia, a opção ficou ainda mais natural.
Herculano
16/08/2020 07:06
TROCA DE GUEDES DEIXOU DE SER TABU NO GOVERNO, por Josias de Souza

O relacionamento entre Jair Bolsonaro e Paulo Guedes trincou. O presidente não perdoa o titular da pasta da Economia por ter jogado no ventilador o debate interno sobre gastos públicos. Classificou o comportamento de "desleal". Irritou-se com o uso do termo "impeachment". Dividiu sua insatisfação com auxiliares. Tomado pelas palavras, Bolsonaro já não exclui a hipótese de substituir Guedes.

Para Bolsonaro, Guedes transformou copo d'água em tempestade ao dizer que ele tomará a trilha que leva à irresponsabilidade fiscal e ao impedimento se der ouvidos aos ministros "fura-teto". Alega que o Orçamento de 2020 está submetido ao regime de calamidade ditado pela pandemia. E não faria sentido falar em ameaça ao teto de gastos públicos diante de um rombo estimado em R$ 800 bilhões.

Com a popularidade vitaminada pelo vale corona de R$ 600, Bolsonaro deve intensificar as incursões ao Norte e Nordeste. Nesta semana, voará para o Rio Grande do Norte ao lado do "nosso querido Rogério Marinho", ministro do Desenvolvimento Regional.Ex-subordinado de Guedes, Marinho é visto pelo antigo chefe como líder da ala dos fura-teto.

Bolsonaro dá de ombros. Na última sexta-feira, um ministro palaciano acalmou um senador governista que se disse preocupado com a hipótese de fritura do ministro da Economia. Disse que foi Guedes quem pulou no óleo quente. Nessa versão, Bolsonaro estaria tentando convencê-lo a sair da frigideira. Simultaneamente, se equipa para a eventualidade de uma troca.

Menciona-se no Planalto o nome do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, como alternativa para o Ministério da Economia. A exemplo do que ocorreu com Sergio Moro, empurrado para fora da pasta da Justiça, a troca de Paulo Guedes deixou de ser um tabu no governo.
Herculano
16/08/2020 06:58
SENADO PõE SOB SUSPEITA RELATOR CONTRA DALLAGNOL, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou neste domingo

Senadores da "bancada da ética" pressionam para que Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho, apadrinhado de Renan Calheiros (MDB-AL), seja afastado da relatoria do julgamento do procurador Deltan Dallagnol, da Lava Jato, no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), terça (18). Os 13 senadores de 6 partidos e 12 estados, do grupo "Muda Senado", apontam a forte ligação do conselheiro ao político alagoano, cuja representação virou processo contra Dallagnol, terror de políticos denunciados nos casos de corrupção investigados na Lava Jato.

O PREDILETO

A indicação do ex-chefe de gabinete para o cargo de conselheiro do CNMP também é atribuída ao senador-coronel de Alagoas.

O GRUPO DOS TREZE

Integram o grupo Alessandro Vieira, Álvaro Dias, Eduardo Girão, Jorge Kajuru, Lasier Martins, Leila Barros, Major Olímpio e Mara Gabrili (SP).

BANCADA DA ÉTICA

Marcos do Val, Oriovisto Guimaraes, Randolfe Rodrigues, Soraya Thronicke e Styvenson Valentim também são do "Muda Senado".

MÉDIA DE REGISTRO DE ?"BITOS CAI DESDE 27 DE JULHO

O painel especial de monitoramento da pandemia da Covid-19 dos Cartórios de Registro Civil, que mantém uma conta detalhada de cada registro de óbito feito em todo o País, incluindo casos confirmados e também apenas os suspeitos, indica que a média móvel caiu de 822 mortes no dia 27 de julho, para 390 na última quarta-feira (12). A "média móvel" é a evolução no tempo da média do número de mortes e leva em consideração os diversos números apresentados numa só data.

INDICADOR DE TENDÊNCIA

Os números mudam à medida de novas informações: a média móvel é o indicador de tendência mais confiável, usado até no mercado financeiro.

CONTAS DIFERENTES

A conta do painel dos cartórios de registro civil leva em consideração a data do óbito e não do registro da morte do paciente.

TAMBÉM APRESENTA QUEDA

Em relação à data registro de mortes, que é a forma apresentada pelo Ministério da Saúde, o total tem caído nas últimas duas semanas.

MAIS OPOSIÇÃO NO STF

Ficou para dia 28 o julgamento da ação do PDT no STF que questiona o veto de Bolsonaro ao artigo de uma lei que obriga o uso de máscara em espaços públicos e privados. O relator é o ministro Gilmar Mendes.

NÃO CUSTAVA PERGUNTAR

O ex-secretário de Desestatização e Privatização Salim Mattar saiu do cargo reclamando que a coisa não andava. Deveria ter perguntado ao governador do DF como se faz. Ibaneis Rocha está tocando uma dezena de privatizações. Com paciência e negociação com o Legislativo.

Nó NA CABEÇA

Após o papel determinante da "ajuda emergencial" na recuperação do presidente Jair Bolsonaro nas pesquisas, os opositores que usaram e abusaram do Bolsa Família, já chamam o programa social de "populista".

GRANA ÚTIL E PARADA

Projeto de Joice Hasselmann (PSL-SP) permite o saque integral do FGTS durante estados de calamidade ou pandemia. O saque foi permitido pelo governo, no início da crise, mas limitado a um salário.

O FATO ERROU, NÃO A 'NOTÍCIA'

Jornalões de São Paulo manchetearam que o Tribunal de Justiça de São Paulo pagaria "bônus" de R$100 mil para que seus juízes colocassem o trabalho em dia. Quando o presidente da corte demonstrou que isso era ficção, os jornalões noticiam que ele decidira "suspender" a medida.

SINAIS DE ESQUIZOFRENIA

Após ir à Justiça em defesa das operadoras, da ANS, "agência reguladora", deu sinais de sua esquizofrenia com a decisão de obrigar os planos de saúde a cobrir exames para detecção do coronavírus.

SAÚDE É ESSENCIAL

A revista científica Annals of Internal Medicine publicou pesquisa esta semana mostrando que pessoas obesas, mesmo sem comorbidades e abaixo de 60 anos, têm quatro vezes mais chances de morrer por covid.

OS MAIORES PORTOS

Os terminais de Ponta da Madeira, no Maranhão (15,1%), e de Santos, em São Paulo (10,3%), lideram o ranking de movimentação dos portos brasileiros em 2020 (janeiro a junho), de acordo com dados da CNT.

PENSANDO BEM...

...deve ter lotado consultórios de psicólogos a pesquisa Datafolha confirmando a melhoria da avaliação do governo Bolsonaro.
Herculano
16/08/2020 06:49
FATALISMO, POBREZA E ALÍVIO DA REBERTURA AJUDAM BOLSONARO, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Oposição ficou consternada com o aumento da popularidade presidencial

Muita gente que se opõe a Jair Bolsonaro ficou consternada com o aumento da popularidade presidencial. Não deveria, não tanto, pois havia indícios do que veio, enfim, a ser confirmado pelo Datafolha. Não levou também em conta o fato de que o prestígio de presidentes eleitos não se esboroa facilmente ou pelos motivos desejados pelos oposicionistas.

Os números da pesquisa permitem especular de modo razoável que a melhora da avaliação de Bolsonaro parece se dever a três efeitos: descompressão, pobreza e fatalismo.

O efeito descompressão fica evidente no sentimento declarado de alívio. O Datafolha perguntou se, de forma geral, a situação do coronavírus no Brasil está melhorando ou está piorando. Em fins de maio, a situação melhorava na opinião de 28% e piorava para 65%.

No início deste agosto, melhorava para 46% e piorava para 43%, avaliação constante não importa a classe de renda ou nível de instrução. Nesse intervalo de tempo, o número oficial de mortos passou de 24 mil para 104 mil.

Nessas semanas, pagou-se muito auxílio emergencial, o comércio voltou ao nível de vendas anterior à calamidade, houve reabertura econômica, gente de volta às ruas e disseminou-se algum sentimento de fuga da prisão e de normalidade no desastre.

Quanto ao morticínio, pode ser revoltante, mas não desarrazoado, dizer que o número de vítimas talvez não abale a maioria de modo decisivo. Ou seja, 10 milhões ou 20 milhões choram pelos 100 mil parentes e amigos que se foram, levados pelo vírus. O país tem 212 milhões de habitantes e habituou-se a 80 mil mortes anuais no trânsito e por homicídio, por exemplo.

Pode parecer uma explicação de mentalidade bolsonariana. Mas este é um país que elegeu Bolsonaro faz menos de dois anos, tempo em que também foi possível conhecer muito bem as ideias de morte do presidente e talvez gostar delas.

O efeito pobreza é o agora mui sabido aumento do prestígio presidencial entre os mais pobres, salvos do desespero pelo auxílio votado pelo Congresso.

Em dezembro de 2019, o governo Bolsonaro era ótimo/bom para 30%; ruim/péssimo para 36%; agora em agosto, respectivamente 37% e 34%. Dos sete pontos extras na nota ótimo/bom, quase 90% vieram da melhoria da avaliação presidencial entre famílias que ganham menos de dois salários mínimos (cerca de 50% da amostra do Datafolha). Mesmo assim, ainda é o grupo de renda mais crítico de Bolsonaro.

O efeito pobreza vai perdurar? Depende do efeito gratidão depois que os auxílios forem terminados ou reduzidos, da retomada econômica e do compromisso que Bolsonaro terá com os mais pobres. Mas o auxílio mexeu com as entranhas políticas e socioeconômicas do país.

Há o efeito fatalismo. Para 22%, nada que o país fizesse evitaria as mais de 100 mil mortes. Outros 6% não sabem o que dizer a respeito. Então, um de cada quatro brasileiros não imagina que algo poderia ser feito para evitar o morticínio. Para outros 24%, fez-se o que era necessário. Mais da metade do país, pois, é em alguma medida fatalista ou assim ficou, entorpecida talvez pela devastação também psicológica causada pela epidemia.

Para arrematar, note-se que o comportamento público de Bolsonaro e seu governo mudaram. O presidente produz menos notícias negativas sobre si mesmo e reorientou sua campanha eleitoral permanente.

Talvez ele e seu governo tenham aprendido alguma coisa, o que não foi o caso da oposição, que ainda quase nada sabe ou quer saber dos motivos de quem vota em Bolsonaro.
Herculano
16/08/2020 06:41
A DANÇA DOS FURA-TETOS, por Carlos Brickmann

Os bons tempos voltaram! Lembra-se de Sebá, O Último Exilado, que não acreditava nas notícias que lhe chegavam do Brasil e achava que a esposa se amancebara e não o queria de volta? Chôse de lóque! Mas hoje, como na década de 1980, quando Jô Soares criou o personagem, Sebá não acreditaria em nada. Imagine se Bolsonaro, O Inimigo da Velha Política, teria acertado tudinho com o Centrão e adotado, como conselheiro, justo Michel Temer? Talkey, Bolsonaro não deve entender direito a empolada fala de Temer, então tudo bem: talvez o confunda com Olavo de Carvalho. Sebá acreditaria quando ouvisse o presidente se referir a seus ministros como Fura-Tetos?

Eu sou do tempo em que chamar alguém de Fura-Teto era insultá-lo. Hoje Bolsonaro chama seus homens de confiança de Fura-Tetos como elogio. Há alguns anos, talvez os brindasse com uma volta no primeiro Fusca teto solar, que o mercado rejeitou e apelidou de Cornowagen. Também sou do tempo em que a saída de dois assessores do ministro não se chamava "debandada".

Velhos tempos! Dizia-se que, se um banqueiro tivesse olho de vidro, não seria difícil identificá-lo: um de seus olhos teria brilho, calor humano - claro, o de vidro. Hoje, um operador financeiro com longos anos de êxitos acredita quando o presidente lhe diz que apoia sua política e rejeita a dos Fura-Tetos. E os Fura-Tetos dizem, pensando que a gente acredita, que não querem furar o teto de gastos, só querem algum dinheiro para promover o bem do Brasil.

A VIDA COMO ELA FOI

Bolsonaro exerceu a deputança por 28 anos, votando com Lula e Dilma na maior parte das vezes. Disse que votou em Lula para presidente "por causa da honestidade". Virou "liberal na economia" só nas eleições de 2018. Paulo Guedes sabia disso (como Sergio Moro também sabia). Liberal na economia, pelo jeito, significa liberar a gastança. Mas sair do Governo é outra coisa.

O CUSTO DA LIDERANÇA

Como não disse o esplêndido escritor americano Mark Twain, temos os melhores eleitores que o dinheiro pode comprar. Afirmam os adversários do presidente que ele começou a recuperar-se nas pesquisas depois que parou de falar. Nesta coluna, no dia 9 de agosto, que analisava com antecedência a ascensão de Bolsonaro, este fato nem é citado. O importante é lembrar que, num país pobre, os R$ 600,00 de auxílio resolvem os problemas imediatos da população mais pobre e a fazem olhar com carinho para quem a beneficia.

Curiosamente, Bolsonaro queria dar R$ 200,00 de auxílio e foi Rodrigo Maia quem elevou a verba para R$ 600,00, elevando também nas pesquisas o nome do presidente. Num país mais organizado, a renda mínima seria uma política de Estado, não partidária. Guedes, aluno de Milton Friedman, sabe tudo de renda mínima, mas não a implantou. Junto com as reformas que defendia, ficou na gaveta. Virou coisa partidária e haverá problemas para manter os pagamentos.

É a hora em que agem o Centrão e os Fura-Tetos.

CALA-A-BOCA CONTINUA

Bia Kicis é procuradora aposentada, de boa reputação profissional, sempre trabalhou na área do Direito. Mas pediu à Vara Cível de Brasília que censurasse uma reportagem da revista Crusoé sobre dificuldades para aprovação no Congresso da prisão de réus após condenação em segunda instância, embora o artigo 220 da Constituição proíba a censura.

Importante: o que a Constituição garante não é só a livre expressão, mas também o direito do cidadão de receber informações. Sempre que houve censura o cidadão foi prejudicado. Um dos temas censurados naquela ditadura que dizem que não houve foi um surto de meningite. Sem informação, as pessoas não se protegiam. Como diria alguém, "mas todos vamos morrer, não é?"

O CUSTO DO CALA-A-BOCA

O pedido da deputada federal Bia Kicis atingiu reportagem sobre a pouca vontade dos bolsonaristas em aprovar a medida. Bia Kicis fez 40 discursos na Câmara em 2020 sem mencionar a segunda instância nem uma só vez.

Digamos que, em certos casos, só mesmo censura para salvar a face.

PROTEGENDO AS MULHERES

Uma boa notícia: engenheiras israelenses de software organizaram uma hackathon (maratona de programação de elite) para desenvolver aplicativos que ajudem a proteger mulheres vítimas de violência doméstica e as auxiliem a denunciar agressões e assédio. A ideia nasceu de uma tragédia: em outubro do ano passado, Michal Sela foi morta a facadas pelo marido. A irmã dela, Lilian Ben Ami, criou, com um grupo de amigas, o Safe Home Hackathon, que conquistou o apoio de Facebook, Microsoft e SalesForce e reuniu mais de 1.800 profissionais de tecnologia, divididos em 54 grupos. Um destaque é o aplicativo MedFlag, que usa dados do sistema nacional de saúde para identificar vítimas com machucados recorrentes e protegê-las. Outro é o Stay Tuned, camuflado num smartphone, que registra sons quando está aberto e os envia imediatamente para outras pessoas, via nuvem. Podem dar certo.
Herculano
16/08/2020 06:31
BOLSONARO NÃO MUDOU, MAS APRENDEU A SER POPULISTA MAIS EFICIENTE, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Popularidade e aliança com centrão ajudam presidente a manter políticas originais

Jair Bolsonaro enfrentou dois choques de impopularidade depois que chegou ao Palácio do Planalto. O primeiro ocorreu no ano passado, quando ele decidiu brigar com meio mundo para esconder a devastação da Amazônia. O segundo refletiu a condução catastrófica do país na crise do coronavírus.

O vento mudou e a aprovação ao governo subiu, mas o presidente continua o mesmo. Na terça (11), Bolsonaro voltou a brigar com os números e disse que "essa história de que a Amazônia arde em fogo é uma mentira". A ideia é omitir o aumento de 28% nas queimadas na região e facilitar a derrubada da floresta.

A pandemia também segue sua marcha, diante do mesmo Bolsonaro que menosprezou a doença desde o primeiro dia. Em visita ao Pará na última semana, o presidente se manteve na função de garoto-propaganda da cloroquina e tentou, mais uma vez, se eximir da culpa pelas mortes provocadas pelo coronavírus.

Bolsonaro ainda cutuca as feridas que derrubaram seus índices de popularidade no passado, mas agora sua aprovação disparou ao maior nível desde o início do governo. A variação coincidiu com um tom diferente em algumas de suas declarações públicas, mas está claro que ele está longe de ser um moderado.

O presidente não mudou. Ele só aprendeu a ser um populista mais eficiente. Os números da última pesquisa Datafolha estimulam Bolsonaro a manter suas políticas originais, desde que segure a língua, cimente uma base social e busque blindagem no Congresso e nos tribunais.

O salto na aprovação ao presidente entre brasileiros de baixa renda indica que o auxílio emergencial e outras ações ajudam a protegê-lo dos maremotos provocados por ele mesmo ?"ainda que, para isso, tenha que empurrar Paulo Guedes para fora da Esplanada dos Ministérios.

A aliança com o centrão e o apoio de alguns amigos no Judiciário podem completar essa missão.

Enquanto tiver um punhado de boias de salvação à vista, Bolsonaro não precisa ter medo de pular.
Herculano
15/08/2020 08:56
PF DIZ NÃO HAVER "DÚVIDAS" SOBRE PROPINAS A BEZERRA

Conteúdo de O Antagonista. Para a Polícia Federal, "não pairam dúvidas" de que Fernando Bezerra Coelho, líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, tenha recebido propinas de empreiteiras.

O parlamentar é alvo da Operação Desintegração. A PF pediu mais prazo ao STF para colher os depoimentos do senador, de seu filho, o deputado Fernando Coelho, e de dois assessores e empreiteiros investigados.

Mesmo assim, a delegada da PF em Pernambuco Andrea Pinho Albuquerque da Cunha já está convencida de que Bezerra recebeu das empreiteiras responsáveis pelas obras do Canal do Sertão e da transposição do Rio São Francisco um total de R$ 5,5 milhões em propinas.
Herculano
15/08/2020 08:48
BOLSONARO PROMOVE INVASÃO DAS CIDADELAS DO PT, por Josias de Souza

A subida no índice de popularidade de Jair Bolsonaro, captada pelo Datafolha, fez duas vítimas. A primeira foi a agenda liberal do ministro Paulo Guedes, que está definitivamente ameaçada pelos pendores populistas do presidente. A segunda vítima é o PT. Eleito graças ao impulso que recebeu do antipetismo, maior força eleitoral de 2018, Bolsonaro realiza uma incursão inédita pelo universo político do PT. Cavalgando o corona vírus de R$ 600, o presidente invade a última cidadela do petismo: os bolsões de pobreza situados nas regiões Norte e Nordeste e nas periferias das grandes cidades

O índice de aprovação do presidente subiu cinco pontos em dois meses: foi de 32% para 37%. A taxa de reprovação despencou dez pontos: de 44% para 34%. Até onde a vista alcança, duas novidades tiveram influência: entre os eleitores mais abonados, a moderação de Bolsonaro, adotada a partir da prisão de Fabrício Queiroz, em 18 de junho; entre os mais pobres, que compõem a maioria, pesou o bolso, fornido com o coronavírus.

Está entendido que o governo não dispõe de caixa para manter o benefício de R$ 600. O custo é de R$ 50 bilhões mensais. Mas a criação do Renda Brasil, irmão mais gordo do Bolsa Família, tornou-se incontornável para Bolsonaro. De resto, o presidente está obcecado pela ideia de colocar em pé o programa de obras Pró-Brasil, primo pobre do petista Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. Como já declarou o primogênito Flávio Bolsonaro, Guedes terá que "arrumar um dinheirinho" se quiser permanecer no governo.

A movimentação de Bolsonaro reforça a ideia de que, em política, nada se perde e nada se transforma - tudo se adapta. Em maio de 2012, Bolsonaro se referiu à clientela do Bolsa Família como "voto de cabresto do governo" petista. Em outubro de 2014, ele tachou o programa de criminoso. Declarou: "Você vê meninas no Nordeste... bate a mão na barriga, grávida, e fala o seguinte: [...] Esse aqui vai ser uma geladeira, esse aqui vai ser uma máquina de lavar." Agora, Bolsonaro saboreia a perspectiva de conduzir o "cabresto" que condenava nos adversários.
Herculano
15/08/2020 08:36
da série: o olhar torto do Brasil ao que mais lhe interessa, as trocas, deixa-o fora do jogo competitivo e só por questões ideológicas onde o maior beneficiário é o incentivador desta toca disputa, os Estados Unidos

MITO DA NOVA GUERRA FRIA É NOCIVO AO BRASIL, por Roberto Simon, diretor sênior de política do Council of the Americas e mestre em políticas públicas pela Universidade Harvard, no jornal Folha de S. Paulo

Analogia esconde o que está em jogo a Brasília no duelo EUA-China

Estamos diante de uma Guerra Fria entre EUA e China? Longe de ser um mero exercício teórico, essa pergunta definirá os cálculos estratégicos de todos os países -incluindo o Brasil - nas próximas décadas. A depender da resposta em Brasília, os caminhos que se abrem à nossa relação com o mundo levam a lugares distintos.

Os que falam em nova Guerra Fria referem-se à ideia de um antagonismo, em escala global, entre duas superpotências. De fato, a disputa entre China e EUA já se alastrou a todos os continentes e temas da agenda global - do mar do Sul da China ao futuro do TikTok.

Mas a Guerra Fria do século 20 foi muito mais do que o choque entre as duas nações mais poderosas da época. E a analogia histórica "mais confunde do que explica" os desafios da atualidade, aponta Odd Arne Westad, um dos maiores historiadores do período.

O sistema internacional que perdurou do fim dos anos 1940 a 1991 tinha duas características basilares. A primeira era o duelo entre ideologias universalistas e antitéticas: comunismo e capitalismo. O leninismo soviético acreditava que seu triunfo dependia da destruição completa (e inevitável) do sistema capitalista.

O confronto ideológico permitia às superpotências apenas compromissos relativos, temporários. Ao final, prevaleceria um jogo de soma zero - uma derrota soviética era uma vitória americana, e vice-versa.

Há quem veja na China de Xi Jinping um projeto internacionalista, como se Pequim quisesse exportar uma ideologia mundo afora. É essa a convicção de parte do governo Bolsonaro, a começar pela cúpula do Itamaraty. E, se o embate EUA-China é um confronto entre modelos políticos, o Brasil - uma democracia de livre-mercado - inevitavelmente tem lado: Washington.

Essa interpretação, porém, viola os fatos. A China tem um capitalismo de Estado, e sua força motriz no plano global não é um projeto internacionalista, mas o nacionalismo. Pequim reivindica um "lugar de direito" entre potências, o qual chineses teriam ocupado até dois séculos atrás.

Na visão chinesa, Washington representa o principal obstáculo à expansão de sua influência, com a Ásia no centro da disputa, assim como uma ameaça ao próprio regime do Partido Comunista Chinês. Mas, há quatro décadas, chineses não acreditam que destruir o sistema de governo americano, ou a democracia ocidental, seja precondição para alcançar seus objetivos estratégicos.

O segundo traço distintivo da Guerra Fria relacionava-se à distribuição de poder no mundo, a qual era profundamente distinta da que temos hoje. Sobretudo em suas primeiras décadas, a Guerra Fria tinha uma estrutura clara: dois blocos ideológicos antagônicos, liderados por EUA e URSS, a se entreolhar à beira do precipício da guerra atômica (em outras palavras: a destruição da humanidade).

Juntos, o confronto ideológico e a bipolaridade sob armas nucleares resultavam na máxima de Raymond Aron: "Paz impossível, guerra improvável".

Entre China e EUA hoje, a paz é absolutamente possível e a guerra total, ainda mais improvável.

A economia global, com enorme interdependência entre americanos e chineses, também mudou drasticamente. Os blocos capitalista e socialista comerciavam entre si, mas eram relativamente isolados. Hoje, é difícil dizer onde termina a economia americana e começa a chinesa: mais da metade dos aviões comerciais na China são fabricados pela Boeing, e o Starbucks planeja abrir uma loja a cada 15 horas em solo chinês até 2022.

Despido o mito da Nova Guerra Fria, o Brasil fica diante de um confronto por poder e influência entre seus dois maiores parceiros comerciais - com todos os problemas (e oportunidades) que ele enseja.

Alinhamentos automáticos perdem sentido. E os custos de uma visão de mundo divorciada da realidade tornam-se ainda mais evidentes.
Herculano
15/08/2020 08:22
BOLSONARO TENDE A CRESCER E DEVE PASSAR DOS 40%, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou neste sábado nos jornais brasileiros

Presidente do Paraná Pesquisa, primeiro a detectar há quase um mês o crescimento da avaliação positiva do governo Bolsonaro, Murilo Hidalgo explicou a esta coluna que o levantamento do Datafolha, divulgado nesta sexta (14), mostra que a avaliação do presidente está em ascensão e a tendência é passar dos 40% de avaliação positiva. O levantamento de 20 de julho, do Paraná Pesquisa, mostrou que a aprovação havia crescido de 44% para 47,1%. E o governo já era ?"timo/Bom para 37% do total.

POBRE TAMBÉM VOTA

Para o especialista, o socorro do governo aos mais pobres durante a pandemia, por meio de ajuda emergencial, foi decisivo nessa "virada".

ONDE ELE CRESCEU

A ascensão de Bolsonaro se deve sobretudo às classes C, D e E e ao Nordeste, onde seus opositores nadavam de braçadas. Nadavam.

É Só CONTINUAR COMO ESTÁ

"Acredito, que se mantiver o benefício, continuar viajando, sem criar crise política, o presidente deve passar de 40 de ?"timo/Bom", diz Hidalgo.

QUEDA DOS OPOSITORES

Além de crescer na avaliação positiva, Bolsonaro também vê despencar a avaliação negativa do seu governo em dez pontos percentuais.

PENSÃO PARA 'ARQUIVO VIVO' RACHA CÚPULA DA OAB

A diretoria da OAB nacional está rachada após o atual presidente, Felipe Santa Cruz, que presta obediência ao ex-presidente Marcus Vinícius Furtado Coelho, tentar presentear com uma pensão vitalícia de R$17 mil mensais um ex-funcionário da entidade, Paulo Guimarães, ex-chefe de gabinete de Furtado Coelho e já aposentado. Três dos cinco diretores são contrários ao benefício. Advogados relataram telefonemas agressivos de Guimarães, inconformado com a derrota da pretensão.

ARQUIVO VIVO

O detalhe é que Guimarães conhece segredos cabeludos na OAB. O temor é que ele mostre sua língua afiada e faça "a casa cair".

A BRIGA ESTÁ FEIA

Apoiam a regalia Felipe Santa Cruz e Beto Simonetti, seu candidato a presidente da OAB. Ambos são obedientes a Marcus Vinícius.

TURMA DA RESISTÊNCIA

São contrários ao privilégio o vice-presidente da OAB, Luiz Viana Queiroz, e os diretores Ary Raghiani Neto e José Augusto Noronha.

ALÉM-COVID

O ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) fez um balanço de que o governo Bolsonaro já investiu, em 2020, mais de R$1,1 bilhão do orçamento da União no programa de habitação popular e foram entregues 178 mil residências do programa até o fim de junho.

CATEDRÁTICO EM GOLEADA

O canal Esporte Interativo teve a feliz ideia de chamar o "frangueiro" Júlio César para comentar o jogo em que o Barcelona tomou 8x2 do Bayern. Foi o goleiro brasileiro do vergonhoso 7x1. Tem conhecimento de causa.

DEMISSÃO DEMORADA

A Advocacia Geral derrubou no STJ somente esta semana uma liminar do TRF que impedia a demissão da ex-embaixadora do Brasil no Sri Lanka Elizabeth-Sophie Balsa, em 2018, acusada de embolsar o auxílio-aluguel quando servia em Haia, Holanda. E ainda cabe recurso.

TERTÚLIA

O chanceler Ernesto Araújo e o secretário da Cultura, Mário Frias, mantiveram ontem animada conversa sobre a valorização da memória histórica rumo ao bicentenário da Independência. Depois se elogiaram.

ENQUANTO ISSO, NO BRASIL...

O Ministério do Desenvolvimento Regional estima em 7,5 mil as pessoas beneficiadas com as entregas de 1,9 mil casas a famílias de baixa renda no Rio, Pernambuco, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

ANTIFA ADORA

A ação do partido Rede sobre um "dossiê antifascista" será julgado na quarta (19) no STF. A relatora é a ministra Cármen Lúcia. O "antifa" está adorando. O Rede também: sem votos e com apenas um deputado, continua tomando decisões de governo em parceria com o STF.

PONDERAÇÃO

A proposta original sobre o impedimento de ministros do STF próximos da aposentadoria de relatarem novas ações continha a expressão "a requerimento". O ministro Marco Aurélio propôs retirar a expressão, pois o pedido pode gerar constrangimento. Por isso virou automático.

A ECONOMIA REAGE

Levantamento da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) revela que cresceu 4,4%, para 537,9 milhões de toneladas, a movimentação dos portos, de janeiro a junho, em relação ao mesmo período do 2019.

PENSANDO BEM...

...o Barcelona finalmente viveu uma vergonha maior que aquele 7x1.
Herculano
15/08/2020 08:03
da série: a Justiça seletiva aos do poder de plantão, aos endinheirados, aos advogados conhecedores de corredores e relacionamentos nas cortes e com decisões que os injustiçados são incapazes de entender diante dos fatos e da lei expressa nos códigos

GILMAR MENDES CONCEDE HABEAS CORPUS E MANTÉM QUEIROZ EM CASA, por Mônica Bérgamo, no jornal Folha de S. Paulo

Magistrado estendeu benefício também à mulher do ex-assessor da família Bolsonaro

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), concedeu habeas corpus determinando que Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), permaneça em prisão domiciliar.

Um dos argumentos centrais do magistrado é o de que os fatos narrados para determinar a detenção, de 2018 e 2019,? não têm atualidade e por isso não justificariam a permanência do PM aposentado no cárcere.

Com isso, a decisão do ministro Felix Fischer, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que na quinta (13) determinou que Queiroz deixasse a prisão domiciliar e voltasse para o regime fechado, fica anulada.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro já havia emitido mandato de prisão para o ex-assessor de Bolsonaro. Ele perde a validade.

A decisão de Gilmar Mendes se estende à mulher de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar.

O magistrado determinou ainda o uso de tornozeleiras e proibiu que eles saiam do país.

"Além de recair fundadas dúvidas sobre a contemporaneidade dos fatos invocados para justificar a segregação dos pacientes, a suposta conveniência para fins de instrução criminal e de garantia da ordem pública parecem se referir muito mais a conjecturas, como as de que o? paciente teria influência em grupos de milícias e no meio político", diz o magistrado.

Ele afirma ainda que, "mesmo que os fatos imputados aos pacientes sejam da mais alta gravidade - como de fato o são", a Justiça não observou a possibilidade de aplicar outras medidas cautelares ao casal.

"A decisão atacada parece padecer de ilegalidade por não ter sopesado se, no caso concreto, outras medidas cautelares diversas da prisão não seriam menos invasivas e até mesmo mais adequadas para garantir a regularidade da instrução penal", completa.

Ele escreve ainda que é preciso considerar "o grave quadro de saúde do paciente, que deve ser compreendido dentro de um contexto de crise de saúde que afeta gravemente o sistema prisional".

O ex-assessor da família Bolsonaro foi preso em 18 de junho, depois de ser encontrado na casa de Frederick Wassef, então advogado de Jair Bolsonaro, em Atibaia (SP).

Ele é pivô do escândalo das rachadinhas, em que funcionários de gabinetes de deputados estaduais do Rio de Janeiro são investigados por dividir seus salários com os parlamentares.

Queiroz e integrantes da família dele trabalhavam nos gabinetes de Flávio Bolsonaro quando o filho do presidente exercia mandato parlamentar no estado (de 2003 a 2019), e também de Jair Bolsonaro, na época deputado federal.

Os investigadores descobriram, entre outras coisas, que funcionários do gabinete de Flávio depositavam dinheiro de seus salários em uma conta de Queiroz. O Ministério Público do Rio de Janeiro suspeita que os valores coletados por ele foram usados para bancar despesas pessoais de Flávio e família, um crime tecnicamente denominado peculato.

Há documentos que mostram que Queiroz pagou contas de Flávio Bolsonaro em dinheiro vivo. Fez ainda depósitos na conta da primeira-dama, Michelle Bolsonaro. O presidente da República diz que o ex-assessor apenas devolvia dinheiro emprestado a ele.

Os procuradores citam também uma suposta ligação de Queiroz com milícias do Rio de Janeiro.

Detido no fim de junho, Queiroz ficou preso em regime fechado por pouco tempo: em 9 de julho, o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), João Otávio de Noronha, determinou que ele fosse transferido para prisão domiciliar.

Ele atendeu ao pedido da defesa, que apontava riscos em razão da Covid-19.

Noronha estendeu ainda o benefício à mulher de Queiroz, Márcia, que estava foragida, argumentando que ela precisaria cuidar do marido.

Levantamento da Folha nas edições do Diário da Justiça da semana pré-recesso revelou que o ministro rejeitou 133 de 137 pedidos (97%) para que detentos pudessem deixar as cadeias e cumprir medidas alternativas durante a crise sanitária.
Miguel José Teixeira
14/08/2020 14:50
Senhores,

"Bolsonaro deve descartar Mourão como vice em 2022"

"Os empresários começam a se dar conta de que podem perder um de seus principais interlocutores no governo caso Jair Bolsonaro seja reeleito em 2022. Pelo que ouvem nos corredores do Palácio do Planalto, o general Hamilton Mourão não será mantido como vice na chapa que irá para as urnas nas próximas eleições. Bolsonaro acredita que Mourão é independente demais e não agregará votos. As opções para vice estão no Centrão, que reúne os partidos mais fisiológicos do Congresso, e no grupo ideológico, caso o presidente precise de um contraponto ao figurino paz e amor para manter o apoio dos eleitores mais radicais. Ciente de que já está sendo descartado, Mourão sonha com o governo do Rio Grande do Sul, seu estado natal."
(fonte: Correio Braziliense, Caderno Economia, Mercado S/A., hoje)

Mas bah, tchê! Mourão em banhado é tão firme quanto prego em polenta. . .
Miguel José Teixeira
14/08/2020 14:04
Senhores,

O cocar do cacique zero-zero

"De cocar e com máscara pendurada na orelha, Bolsonaro provoca aglomeração ao inaugurar obra no Pará e volta a defender o uso da cloroquina contra o coronavírus.". . .
(Correio Braziliense, hoje)

Reza o folclore político, que usar cocar dá azar!

E, segundo uma antiga matéria jornalística cujo link encontra-se abaixo, ". . .o azar não vem do cocar, mas das penas com que ele é feito. Se a ave que cedeu as penas tiver morrido, o azar é maior ainda.

(https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/9/22/caderno_especial/14.html)

Imaginem então se as penas forem de galinhas. . .

Poderá indicar que o seu alto nível de aprovação atual, será de curto prazo, tal qual "o vôo da galinha".

Aguardemos, pois!
Miguel José Teixeira
14/08/2020 11:23
Senhores,

"Ministro do STJ derruba domiciliar e determina que Queiroz retorne à prisão. (UOL)

Queiroz, não GeMa, pois com o supremo GM não há problema!
Herculano
14/08/2020 11:12
da série: o vai-e-vem do sem palavra, ou do que não entendeu até hoje o que o descontrole fiscal é capaz de fazer contra seu mandato, os mais pobres e a favor da inflação; ou de quem que quer agradar a todos e não pode

APóS ADMITIR DISCUSSõES SOBRE FURAR O TETO DE GASTOS, BOLSONARO VOLTA A DEFENDER REGRA FISCAL

'A ideia de furar o teto existe, o pessoal debate, qual o problema?', disse o presidente na quinta (13)

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Ricardo Della Coletta, da sucursal de Brasília. Poucas horas depois de ter admitido que o governo avaliou furar o teto de gastos, o presidente Jair Bolsonaro acusou a imprensa de distorcer suas declarações da véspera voltou a afirmar que sua administração tem como norte a regra fiscal.

"Quando indagado na live de ontem sobre 'furar' o teto, comecei dizendo que o ministro Paulo Guedes (Economia) mandava 99,9% no Orçamento. Tudo, após essa declaração, resumia que por mais justa que fosse a busca de recursos por parte de ministros finalistas, a responsabilidade fiscal e o respeito [à] Emenda Constitucional do 'Teto' seriam o nosso norte", escreveu Bolsonaro nas redes sociais, na manhã desta sexta-feira (14)

A fala de Bolsonaro admitindo ?"e até detalhando?" os debates internos no governo sobre formas de contornar o teto de gastos ocorreu na noite de quinta (13), durante sua tradicional live semanal nas redes sociais.

"A ideia de furar o teto existe, o pessoal debate, qual o problema? Na pandemia nós temos a PEC de Guerra, já furamos o teto [de gastos] em mais ou menos R$ 700 bilhões", disse.

O presidente afirmou então que foi perguntado por auxiliares se era possível extrapolar o teto em "mais R$ 20 bilhões". "Eu falei: 'qual a justificativa? Se for para vírus não tem problema nenhum'", complementou, ainda na sua live de quinta.

Na ocasião, ele também indicou que um dos argumentos defendidos pelos que querem encontrar uma forma de contornar o teto ?"dispositivo constitucional que limita despesas do governo federal às realizadas no exercício anterior, corrigidas pela inflação?" é considerar obras relacionadas a água dentro das ações de combate à pandemia do coronavírus.

"Aí o Paulo Guedes fala: 'tá sinalizando para a economia e o mercado que no teto está dando um jeitinho'", contou o presidente na live.

Na publicação na manhã desta sexta, Bolsonaro disse que a "grande imprensa tradicional virou partido político ao atual governo".

Ele se queixou que as reportagens sobre sua declaração davam conta que ele admitiu que o teto poderia ser desrespeitado.

"Apenas posso lamentar essa obsessão pelo 'furo jornalístico' onde a verdade é a primeira vítima nesses órgãos de comunicação, que teimam em desinformar e semear a discórdia na sociedade. Vamos trabalhar junto ao Congresso para controlar despesas com objetivo de abrir espaço para investimentos e assim atravessarmos unidos essa crise", complementou,

Não é a primeira vez nesta semana que o presidente é obrigado a prometer publicamente respeito à principal âncora fiscal, que é defendida pelo ministro Paulo Guedes.

Na quarta (12), o presidente defendeu o teto de gastos após uma reunião com ministros e os presidentes da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

O encontro ocorreu após as as credenciais liberais do governo terem sido novamente colocadas em dúvida com a saída, no dia anterior, dos secretários do ministério da Economia responsáveis pelas privatizações e pela reforma administrativa. Os agora ex-secretários Salim Mattar e Paulo Uebel deixaram a equipe de Guedes por verem poucos avanços em suas respectivas agendas.
Herculano
14/08/2020 11:04
da série: político mesmo enlameado não consegue enxergar a lama que o cobre. Sem a prisão, queria até então representar os limpos.... e os enlameados. Incrível

PRISÃO E SUBSTITUIÇÃO, por Cláudio Prisco Paraíso

A Fecam (Federação Catarinense dos Municípios) já tem novo presidente. Com a prisão, ontem de manhã, de Orildo Severgnini, prefeito de Major Vieira, assumiu Paulo Roberto Weiss, o Paulinho, chefe do Executivo de Rodeio, que até então era o vice-presidente da entidade.

Severgnini foi preso no âmbito da Operação et patter filium, Deflagrada pelo MPSC e pela Polícia Civil. A operação cumpriu ainda 11 mandados de busca e apreensão. São investigados crimes de organização criminosa voltada para a prática de corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

Severgnini assumiu depois que o prefeito de Caçador, Saulo Sperotto, saiu do cargo. Ele foi preso na segunda fase das investigações. O prefeito de Major Vieira já era muito pressionado a deixar o comando da Fecam, mas ele resistia até ontem.

Na segunda-feira, Paulinho, o novo comandante da associação municipalista, estará em Florianópolis para uma coletiva de imprensa. Consta que Orildo Severgnini pode não ter cometido ilícitos apenas em sua cidade. A própria Fecam pode ter sido lesada, o que é gravíssimo, considerando-se que a entidade representa os 295 municípios do estado.

EM DEFESA DO FRANGO

Outra notícia que repercutiu muito, foi a notícia de que teriam sido achados traços do coronavírus numa embalagem de asas de frango no sul da China. O produto é da Aurora, empresa genuinamente catarinense. Logo em seguida, associações de produtores lançaram notas públicas defendendo a qualidade do produto estadual e brasileiro, que é exportado a mais de 150 países.

Essa história precisa ficar muito bem esclarecida, pois se houver dúvidas vindas da China, onde pode haver deslizes, todo mundo sabe, foi ali que nasceu o coronavírus, o impacto na produção e na economia brasileira pode ser enorme. É muito preocupante.

QUALIDADE RECONHECIDA

Segue trecho da nota distribuída ontem pela Associação dos Criadores de Aves (Acav). "As autoridades brasileiras estão em contato com as autoridades chinesas na obtenção de informações precisas, reiterando, contudo, que o Brasil é um país de excelência na produção de proteína animal no mundo, seja pelo aspecto de sanidade, seja pela segurança dos processos produtivos, auditados reiteradamente por mais de 150 países para os quais o produto é exportado.

O processo produtivo brasileiro, reconhecido internacionalmente, sempre levou em consideração o respeito às pessoas, aos animais e ao uso intensivo de técnicas e tecnologias que levam excelência em qualidade e segurança do alimento colocando assim o Estado de Santa Catarina e o Brasil no topo da cadeia de produção e exportação de aves."

NOVA FASE

A tarde de ontem foi de eventos virtuais para atos importantes da Secretaria de Patrimônio da União (SPU). Foram entregues áreas para atendimento a pescadores, obras em região histórica, cessão de parque ecológico e terreno para praças e projeto para erradicar o trabalho infantil. A SPU em Santa Catarina saiu do marasmo. Passou a ser um órgão atuante, acessível e ágil dentro dos ditames da legislação após a posse do advogado Nabih Chraim como Superintendente. Nos governos esquerdistas que comandaram a SPU por décadas, o órgão era visto como aterrorizante, ultrapassado, inacessível e absolutamente burocrático e ineficaz.
Miguel José Teixeira
14/08/2020 11:01
Senhores,

Posto Ipiranga cheio de razão

"Paulo Guedes vê reeleição como entrave de reformas no Brasil" (UOL)

Já este frentista que vos tecla, vê toda e qualquer reeleição como entrave à ordem e progresso.

Cargo eletivo não é sinônimo de carreira profissional!
Miguel José Teixeira
14/08/2020 08:27
Senhores,

Vox populi, vox Dei

O capitão zero-zero está em alta. . .

Portanto,se "a voz do povo é a voz de Deus", oremos!
Herculano
14/08/2020 06:10
BOLSONARO É O BRASIL DE SEMPRE, por William Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

A debandada da equipe econômica sinaliza a perda de ênfase em reformas

A derrota do projeto eleitoral de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes para a economia brasileira é um fato que se pode aplaudir ou lamentar, mas é incontestável. Definido em linhas gerais como uma ampla e profunda transformação do Estado brasileiro, e a consequente "libertação" da economia para gerar aumento de produtividade e crescimento, era um conjunto de intenções aplaudidas por boa parte da sociedade, antes de ser um plano.

Ficou até aqui muito aquém do pretendido (de novo, pode-se saudar ou lamentar essa constatação) e agora não há mais condições políticas, tempo e, ao que parece, intenção de realizá-lo. Grosso modo, a derrota deve ser atribuída a dois grandes fatores. O primeiro é o fato de que não havia uma estratégia, entendida como adequação dos meios (sobretudo políticos) aos fins (reforma do Estado) dentro de um período de tempo. Perdeu-se tempo precioso elaborando o que seria "nova" política, além da dedicação de Bolsonaro ao que se chama na linguagem militar de "teatros secundários".

Como consequência, para o "projeto" acabou sendo ainda mais violenta a devastação trazida pelo segundo grande fator: o imponderável da pandemia da covid-19, que destruiu qualquer outro cálculo que não fosse o da sobrevivência política. A brutal crise de saúde pública agravou os males que já existiam: escancarou a incompetência do governo central, aprofundou a miséria, a crise fiscal e abalou uma economia que ensaiava uma recuperação apenas tímida, presa aos limites estruturais de sempre.

Para todos os efeitos o presidente é hoje um personagem político diminuído em seus poderes e com escassa capacidade de liderança, obcecado com a situação pessoal, gradativamente abandonado pelas elites econômicas que apostaram nele e agora fascinado pelas recompensas político-eleitoreiras trazidas pelo assistencialismo emergencial. Como se antecipava, a economia definiria os rumos de Bolsonaro, que agora precisa gastar o que não tem.

Surge com razoável nitidez o caminho após a derrota do "projeto", e é bem a cara do Brasil "velho" (aquele que nunca deixou de ser). A premente ampla reforma tributária esbarra na incapacidade política de se proceder à eliminação de distorções tais como renúncias fiscais que atendem a vários interesses setoriais antagônicos, além da dificuldade política de coordenar os vários entes da Federação. O Brasilzão de sempre, esse que continua aí, indica que o caminho do menor esforço político nos levará a mais e não menos impostos.

A pretendida reforma do Estado dependia de uma reforma administrativa que atacasse gastos públicos ?" aumentá-los muito além da capacidade de financiá-los foi um claro consenso da nossa sociedade, como assinalou o ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida. Reforma que sumiu no horizonte. Há um compromisso verbal com a manutenção da âncora fiscal além do período de emergência, mas as nuvens da política sugerem que esse período será estendido para o ano que vem.

Furar o teto de gastos é uma contingência política criada no plano imediato pela convergência entre os "desenvolvimentistas" no Planalto, entre eles os saudosistas do período militar (que convenientemente se esquecem de como aquilo acabou), e a massa do Centrão que enxerga uma oportunidade nos cofres públicos sem fundos. Juros baixos e inflação bem comportada permitirão que essa "estratégia" se mantenha por um tempo razoável, que é o tempo para se programar para uma reeleição. As ambiciosas privatizações e a propalada diminuição do Estado ficam para depois.

Bolsonaro deve ser ajudado por um conjunto de concessões e obras de infraestrutura que movimentarão setores como construção e atrairão investidores, ainda que preocupados com a eterna insegurança jurídica que paira como sempre sobre os negócios. Vai ser indiretamente ajudado também pelos setores modernos do agro negócio que desprezam como o governo fala sobre questões ambientais, mas acham que bem ou mal sobreviverão às pressões internacionais, e seguirão crescendo.

Com a perspectiva real de vacinas que ajudem a controlar o vírus, a tragédia dos milhares e milhares de mortos vagarosamente se acomoda na psicologia coletiva. No jeitão do Brasil de sempre, aquele que Bolsonaro prometeu mudar, sonhando com o que poderia vir a ser, sem conseguir deixar de ser o que é.
Herculano
14/08/2020 06:01
TSE SE INCLINA A REJEITAR 'ABUSO DE PODER RELIGIOSO', por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) têm divergido da pretensão legisladora do ministro Edson Fachin, de criminalizar suposto "abuso de poder religioso" na influência de pastores, bispos ou padres em campanhas eleitorais. A lei não prevê esse "abuso", mas o TSE nunca foi de resistir à tentação de legislar. Não seriam atingidos pela medida influenciadores como sindicalistas, artistas, professores etc.

LIBERDADES AMEAÇADAS

Em voto brilhante, o ministro Tarcísio Vieira de Carvalho Neto defendeu as liberdades de expressão e religiosa, multiculturalismo, tolerância etc.

NÃO HÁ COMO DISSOCIAR

"Não vejo como defender a liberdade de voto dissociada da liberdade de expressão do candidato e de seu simpatizante", disse Carvalho Neto.

MORAES ABRIU DIVERGÊNCIA

Até o ministro Alexandre de Moraes divergiu do alegado "abuso de poder religioso", no caso em que adversários tentam cassar uma vereadora.

TODO APOIO SERÁ CASTIGADO

Políticos governistas veem na alegação de "abuso de poder religioso" a tentativa de dificultar um novo apoio evangélico a Bolsonaro, em 2022.

NÃO HÁ NEGROS NO CNJ QUE AVALIA RACISMO DE JUÍZA

Quando chegar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) o caso da juíza Inês Marchalek Zarpelon, da 1ª Vara Criminal de Curitiba, que afirmou em sentença que um réu é "seguramente integrante do grupo criminoso em razão da sua raça", encontrará um colegiado de quinze integrantes no qual não há negros. A vítima do racismo, Natan Vieira da Paz, 42, é negro e foi condenado a 14 anos e dois meses de prisão pela juíza.

30 DIAS PARA AGIR

O corregedor nacional de Justiça do CNJ, Humberto Martins, ordenou "providências" e fixou prazo de 30 dias para a corregedoria paranaense.

DESPEDIDAS

Martins participará, dia 25, de sua última reunião do CNJ. No dia 27, ele assumirá a presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

QUE 'CONTEXTO'?

A juíza diz que a frase "foi retirada do contexto". Como se fosse possível desvirtuar a frase "integrante do grupo criminoso em razão da sua raça".

ACESSO DIFÍCIL

A dificuldade de acesso dos advogados a magistrados foi alvo de estudo da OAB-DF: em média, 36,4% de juízes de tribunais do DF (incluindo superiores) não recebem advogados de jeito nenhum. No STF, 4 dos 11 ministros mantém portas fechadas e no STJ, metade dos 30 ministros.

LÍDER DA OPOSIÇÃO

Em suas coletivas, como nesta quinta-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, mal esconde sua satisfação com a tal "debandada" de dois do Ministério da Economia. Ele quer ver Paulo Guedes pelas costas.

BEM DE SAÚDE

Recuperada de covid-19, a deputada Joice Hasselman (PSL-SP) voltou a marcar presença na Câmara, em Brasília. Colegas afirmam, "com todo o respeito, a perda de peso durante a doença lhe fez bem".

FALTOU EXPLICAR

O STF decidiu que ministro a 60 dias da aposentadoria será excluído do sorteio para relatar novos casos. Se isso não teve o objetivo de alcançar o ministro Celso de Mello, que se aposentará em 1º de novembro, ao completar 75 anos, foi uma atitude indelicada com o decano da Corte.

BOM CABRITO

À frente da liderança do governo na Câmara desde o início do mandato do presidente Bolsonaro, o deputado Vitor Hugo (PSL-GO) foi substituído e não saiu atirando. Caso raro de lealdade.

VISITA A CORUMBÁ

O presidente Jair Bolsonaro visita o Mato Grosso do Sul na próxima terça-feira. Fez questão de ir a Corumbá verificar providências adotadas para impedir incêndios.

A ECONOMIA REAGE

As maiores lojas virtuais no Brasil receberam 1,29 bilhão de acessos de em julho, o terceiro melhor desempenho dos últimos 12 meses, revela estudo Conversion. Foram avaliadas mais de 200 lojas de e-commerce.

SUSPEITO JÁ É EX

O governo de Roraima enviou nota à imprensa para lembrar que o ex-secretário de Saúde Francisco Monteiro Neto, alvo de operação da PF de ontem, foi demitido em maio pelas suspeitas em que é investigado.

PENSANDO BEM...

...se é mesmo verdade que os chineses encontraram covid em um lote de frango brasileiro, é caso clássico de "toma que o filho é teu".
Herculano
14/08/2020 05:51
CONTA DE LUZ ENTRA NO RADAR QUE MEDE QUEM É BOM DEVEDOR, por Joana Cunha, na coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo

Distribuidoras de energia assinam acordo para passar dados ao cadastro positivo

A conta de energia vai entrar na lista das informações dos consumidores que os birôs de crédito acompanham para compor o cadastro positivo.

A Abradee (associação de distribuidores de energia elétrica) diz que vai assinar na terça-feira (18) um acordo com as empresas para que o histórico de pagamento das faturas passe a ser usado na análise de concessão de empréstimos e produtos financeiros.

Um dos esforços para tentar reduzir as taxas de juros pagas pelos consumidores no país, o cadastro positivo começou a funcionar em janeiro, mas coletando apenas informações do sistema bancário.
Herculano
14/08/2020 05:46
CADA COISA

O prefeito e candidato a reeleição Kleber Edson Wan Dall, MDB, está mandando o seu novo suposto vice, Marcelo de Souza Brick, PSD - que ainda se apresenta por ai como candidato a prefeito pelo seu partido - representá-lo em discussões com a comunidade.

Ou seja, Brick está falando em nome de um governo que não participa - e onde ainda está instalado o vice Luiz Carlos Spengler Filho, PP - sob o manto de uma suposta função política que não existe, pois nem candidato oficial é na coligação com o MDB e que também não há com o PSD por enquanto. Acorda, Gaspar!
Herculano
14/08/2020 05:40
UM POLÍTICO DE VERDADE

Quando secretário não foi capaz de fazer uma política pública consistente aos vulneráveis da cidade, como candidato está distribuindo esmolas aos necessitados e fotografando para inundar as redes sociais, num triste espetáculo de falsidade.

Está pronto. É um político de verdade. Só falta ser eleito

Herculano
14/08/2020 05:37
CHORORô LIBERAL QUER ABAFAR INCOMPETÊNCIA DO GOVERNO BOLSONARO

Fracassos do reformismo se devem à desordem política e administrativa do Planalto

O episódio da "debandada" provocou um chororô dos liberais, além de escancarar intrigas no Ministério da Economia.

Paulo Guedes forçou um recuo dos "fura-teto", mas tem dificuldade de avançar porque ele mesmo não tem plano organizado, porque o governo não tem iniciativa, programa, competência e está dividido quanto ao que fazer da economia. Se não fosse por um general "fura-teto" e pelo Congresso, Jair Bolsonaro e seus "liberais" estariam com uma corda no pescoço.

Guedes depende de conveniências menores de Bolsonaro e do programa passivo do comando da Câmara. Do pouco que sai do Planalto, Rodrigo Maia e seu grupo vetam ou autorizam o que pode tramitar - não há plano organizado em acordo com uma coalizão no Congresso.

Tais decisões talvez mudem um pouco de figura, pois todos os líderes do governo e da maioria são agora deputados e senadores do MDB e do PP; todos menos um foram ministros de Dilma Rousseff e de Michel Temer, aliás.

Os liberais reclamam que são minoritários, preteridos e tratados como corpos estranhos no malévolo paquiderme estatal. Queixam-se do "deep state", burocratas que andariam por porões brasilienses a sabotar privatizações etc. Talvez devessem mandar um telegrama de protesto para Guedes, pois em tese o ministro nomeou sua equipe e toma decisões.

Talvez se lembrem também de que os governos "social-democratas" privatizaram mais do que eles, os liberais. Os "comunistas" do primeiro governo FHC, como diz Bolsonaro, quebraram o monopólio estatal do petróleo, venderam a Vale, as teles, ferrovias e uma estatal elétrica, pelo menos. Os de Itamar Franco abriram a economia e venderam a CSN, a Açominas, a Cosipa e a Embraer.

Não quer dizer que reformas liberalizantes não vão passar. Esse é o programa de parte do establishment e do movimento que depôs Dilma Rousseff. Lembram-se de 2015, da "Ponte para o Futuro" do MDB, de Temer e companhia? Pois é.

Essas coisas ganham impulso e perduram por mistura de interesses e da feia necessidade, de pressões sociais e econômicas, de ideias da alta burocracia e dos acadêmicos. Mesmo um teto de gastos, diferente desse que está aí, foi plano de Nelson Barbosa, ministro da Fazenda na fase terminal de Dilma 2, que até queria fazer umas reformas, mas foi sabotada pelo PSDB e largada pelo PT.

O pessoal "Ponte para o Futuro", também uma coalizão contra a Lava Jato, e o puro creme do milho da "velha política" passaram a liderar o governo no Congresso e seguram a cabeça de Bolsonaro. O próprio Temer agora é "brother".

Se Bolsonaro tivesse um programa de administração, teria feito um governo Temer 2, mas não entende nem queria saber de nada disso, não reuniu quadros (nem conhecia algum), não organizou bancada e não tem articulação social (mafuá em rede social é outra coisa). Dedica-se a fazer guerra ideológica autoritária e a resolver os problemas da família com a polícia.

Em suma, um problema de Guedes e dos "liberais" é que não há propriamente governo. Reclamam dos generais, mas foi deles, de Braga Netto em particular, o plano de criar uma coalizão parlamentar mínima, em abril, e alguma articulação administrativa.

Reclamam do Congresso, que aprovou a reforma da Previdência e o auxílio emergencial, contra o plano pífio dos "liberais" para a epidemia, sem o que o país estaria em convulsão social e econômica, com saques, mais fome e quebradeira ainda maior.

Se algo andar, será por causa dessa geringonça que tenta dar forma a algo que pareça um governo.
Herculano
14/08/2020 05:26
da série: o que aconteceu com o Aliança pelo Brasil, o partido que foi talhado para ser dos Bolsonaros e bolsonaristas raíz?

PSL NÃO ACEITA BOLSONARO DE VOLTA, DIZ BOZZELLA

Conteúdo de O Antagonista. Júnior Bozzella afirmou que os deputados do PSL "acharam por bem não aceitar" a volta de Jair Bolsonaro ao partido.

"Agradecemos ao Jair Bolsonaro o seu reconhecimento de que o PSL é um grande partido, de gente séria e equilibrada, ao solicitar o seu retorno para agremiação. Mas como um partido liberal e democrático, deputados acharam por bem não aceitar."

Como mostramos, Bolsonaro admitiu esta noite que tem buscado uma "reconciliação" com o seu ex-partido.

O movimento de reaproximação começou no mês passado, quando o presidente passou a avaliar a filiação a outros partidos por causa da incerta criação da Aliança pelo Brasil.

"Vou conversar com o pessoal do PSL porque, apesar de eu ter saído, tem 43, 44 parlamentares que conversam comigo. Tem uns oito que não dá para conversar por causa do nível que conduziu a política, entrando na questão pessoal", disse Bolsonaro.

No racha do PSL, Bozzella assumiu o papel de porta-voz informal de Luciano Bivar, presidente da sigla. À época, apesar do distanciamento, o deputado afirmou que o partido não passaria a fazer oposição ao governo.
Herculano
14/08/2020 05:21
VALE CORONA VIROU BOLSA POPULARIDADE DO CAPITÃO, por Josias de Souza

O auxílio mensal de R$ 600 que o governo vem pagando desde abril não socorreu apenas os brasileiros pobres abalroados pela pandemia. O vale corona exerceu sobre a popularidade de Jair Bolsonaro um efeito anabolizante. Tornou-se uma espécie de Bolsa Popularidade.

O índice de aprovação do presidente subiu de 32% para 37% no intervalo de dois meses, informa o Datafolha. Um salto de cinco pontos percentuais, dos quais três vieram de desempregados e trabalhadores informais, clientes do socorro do Tesouro Nacional.

A pesquisa ajuda a explicar por que Bolsonaro encosta sua Presidência numa agenda populista, distanciando-se do liberalismo de Paulo Guedes. A última parcela do auxílio emergencial será paga em setembro. E o presidente quer colocar algo no lugar. Sem dinheiro, o grande desafio é evitar que o tônico vire um veneno.

"A ideia de furar o teto existe, o pessoal debate. Qual o problema?", indagou Bolsonaro numa live transmitida nas redes sociais na noite de quinta-feira, apenas 24 horas depois de ter assegurado em entrevista que respeitaria os limites do teto de gastos públicos.

Olhado de esguelha pela oligarquia empresarial e pela turma do mercado financeiro, Bolsonaro deu de ombros: "Esse mercado tem que dar um tempinho também, né? Um pouquinho de patriotismo não faz mal a eles, né?"

No momento, Bolsonaro cultiva duas obsessões: criar o Renda Brasil, irmão mais gordo do Bolsa Família, e colocar em pé o plano de obras Pró-Brasil, primo pobre do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. Ironicamente, a agenda populista do capitão tem um aroma petista.

A desaprovação de Bolsonaro despencou de 44% para 34%. O melhor desempenho relativo foi observado no Nordeste, uma cidadela do PT. Ali, a rejeição a Bolsonaro despencou de 52% para 35%. A aprovação subiu de 27% para 33%. Continua sendo a mais baixa entre as regiões do país. Mas deu um salto de seis pontos percentuais.

Afora o vale corona, que estimula o brasileiro pobre a avaliar Bolsonaro com o bolso, o que há de diferente no presidente é a língua. Ela vem sendo mantida na coleira desde 18 de julho, quando foi preso o amigo Fabrício Queiroz, operador do clã Bolsonaro. O timbre moderado rende dividendos políticos ao capitão.
Herculano
14/08/2020 05:14
da série: não há limites no ambiente público contra os pagadores de pesados impostos, nem mesmo a aguada crise que vivemos é capaz de sensibilizar essa gente.

O DESPLANTE DO TRIBUNAL, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Enquanto a economia desaba, TJ paulista quer elevar sua verba em 55%

Mesmo em meio ao colapso econômico provocado pela calamidade sanitária, a elite da burocracia estatal avança insaciável na captura do Estado. A esta altura, o alheamento diante das privações que atingem a maioria dos brasileiros configura uma doença crônica.

O mais novo exemplo, entre incontáveis outros, é a proposta de orçamento apresentada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para 2021. Enquanto milhões de empregos são perdidos e a arrecadação de impostos desaba, as Excelências querem elevar seus gastos em nada menos de 55% no próximo ano, para R$ 19,1 bilhões.

Dos R$ 6,8 bilhões adicionais aventados, 70% seriam destinados a salários, como noticiou o jornal O?Estado de S. Paulo. O escárnio fica explícito quando se observa que a maior parte dos desembargadores tem remuneração acima do teto estadual, de R$ 35,4 mil mensais.

Com penduricalhos diversos, chega-se aos R$ 56 mil - e não raro os pagamentos se aproximam da incrível marca de R$ 100 mil.

São vantagens injustificáveis, todas tratadas como direitos adquiridos - criados e protegidos pelo próprio Judiciário, numa governança viciada e pouco republicana.

Tome-se ainda a decisão do TJ paulista de criar até 19 câmaras extraordinárias para reduzir a fila de 120 mil processos pendentes de julgamento. O objetivo meritório, que deveria ser cumprido normalmente, poderá render R$ 100 mil extras a cada desembargador.

A despesa não ocorrerá de imediato, segundo nota do tribunal, dado que inexistem recursos. Ora, como sempre acontece, surgirão "atrasados" a serem pagos mais adiante, quando o assunto tiver sido esquecido ou superado em desfaçatez pela próxima regalia.

O conceito de remuneração variável, essencial no setor privado, acaba sendo distorcido quando se aplica ao funcionalismo.

Advogados públicos que ganham verbas de sucumbência (o pagamento dos custos judiciais pela parte derrotada), auditores fiscais que pretendem indexar salários aos valores arrecadados e juízes a ganhar por processo julgado fazem parte do mesmo padrão de degeneração das carreiras de Estado.

Quanto ao TJ paulista, não cabe ampliação de orçamento. Os cortes de investimentos e bloqueios de despesas públicas nos últimos anos decorrem justamente do inchaço da folha e de demandas no topo da pirâmide. Em qualquer comparação internacional, o custo do Judiciário brasileiro se mostra excessivo. É preciso contê-lo.
Herculano
14/08/2020 05:08
AGUARDANDO O CARNAVAL, por Jorge Henrique Cartaxo, em Os Divergentes.

A Gripe Espanhola, a grande epidemia do início do século XX, chegou ao Brasil pelo porto do Rio de Janeiro, em setembro de 1918, a bordo do correio britânico Demerara vindo de Lisboa com escala em Dakar. Naquela epidemia, como na atual, o búzio demorou a tocar. As mortes estranhas, dolorosas e rápidas se espalhavam pela cidade. Assim como mentes primitivas e almas azinhavradas atribuíram aos chineses a "invenção" do coronavírus, o carioca de 1918 ?" nesse caso dando vazão ao festejado humor fluminense ?" considerou a doença uma espécie de "arma secreta alemã, embutidas nas salsichas".

Quando as mortes chegaram a centenas por dia, as autoridades perceberam que havia de fato uma grave epidemia no país. Mesmo sendo a cidade mais atingida, o Rio não sofreu sozinho. Recife, Fortaleza, Salvador e Santos também viveram seus dias de horror. Ontem como hoje, remédios milagrosos e curas extemporâneas foram anunciados e as autoridades sanitárias, no primeiro momento, também tentaram amenizar a gravidade da peste. Cenas mais fortes do que as atuais aterrorizaram a paisagem da metrópole imperial. Não havia leitos nos hospitais, cadáveres eram empilhados nas ruas, mortos eram largados nas calçadas aguardando carroças ou caminhões que viriam recolhê-los, não raro depois de dias. Inexistiam velórios e muitos corpos eram jogados em valas comuns ou simplesmente incinerados. Há histórias de enterrados vivos e estertores antecipados com pazadas desfechadas pelo coveiro da hora.

Pouco mais de 45 dias depois de desembarcar na capital da República na boca, no corpo e nos calçados dos marujos britânicos que animaram a Praça Mauá naquele setembro de 1918, a Gripe Espanhola, no final de outubro daquele mesmo ano, como num passe de mágica, foi embora. As mortes cessaram, os enfermos recuperaram-se, o comércio voltou a funcionar, a vida a fluir, o carioca a fruir no seu melhor estilo. Contaminações esporádicas ainda ocorreriam, como foi o caso do ex-presidente Rodrigues Alves, que viria a falecer em janeiro de 1919. Miguel Couto, então nosso maior clínico, disse à época que mais de 600 mil pessoas haviam sido contaminadas no Rio, pouco mais da metade da população da capital da República. Considerou um milagre a morte ter alcançado, numericamente, apenas 15 mil cariocas. Algo em torno de 2,5% dos infectados.

Finda a Primeira Guerra Mundial e dissipado o vírus e suas mortes, o espírito brasileiro mostrou, novamente, seu verdadeiro estilo. "Quem não morreu na Espanhola / quem dela pôde escapar / não dê mais tatos à bola/ toca a rir, toca a brincar...", cantava o grande sucesso do carnaval de 1919, considerado um dos mais eufóricos dos Momos da vida carnavalesca do Rio. Este relato é descrito com vantagens, primor e estilo, no livro "Metrópole à Beira-Mar - O Rio Modernos dos anos 20", do jornalista Ruy Castro.

Não se sabe ainda, e talvez jamais possamos identificar, quando e por onde chegou o coronavírus ao Brasil. O fato doloroso é que passamos os cem mil mortos em pouco mais de cinco meses da presença do vírus no país na esteira de um espetáculo dantesco de descaso, desordem, abandono e quase achincalhe do poder público, com destaque para a presidência da República, diante do avanço da epidemia. Curiosamente, o incômodo diante desse horror se restringe, de certo modo, à mídia, aos comentaristas, aos eventuais acadêmicos e a algumas vozes do Poder Judiciário. No mais há uma estranha aceitação das mortes e enfermidades. Ela torna-se normal e passa integrar a paisagem. Parece que aguardamos o próximo carnaval!
Herculano
14/08/2020 05:02
OS DOIS LADOS DA MOEDA

A mesma China que demorou para "achar", ou ao menos divulgar ao mundo o novo corona vírus, foi rápida demais ao diagnosticar que frango brasileiro continha o mesmo vírus.

Por enquanto, ela está passando vergonha diante da ciência de que isso é possível.

Mas, será por pouco tempo. É que no fundo, tudo isso tem um quê de uma guerra suja comercial e que sempre foi própria da China para diminuir preços de fornecedores ou colocar problemas para chamar à negociação bilateral, como por exemplo para que se compre mais dela outros produtos para ter vantagens na balança comercial, ou que se facilite o 5G da Huawei que está num jogo de tranca dom os Estados Unidos, ou recados ao Itamaraty ideológico...

E quem paga a conta da insegurança, é no fundo, neste caso, o pequeno produtor rural brasileiro.
Herculano
14/08/2020 04:50
COM ADESõES A BOULOS, PT PODE SOFRER NOVA ONDA DE DESGASTES NAS ELEIÇõES, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Partido finge não ver problema em candidatura e ainda pode perder tempo com caça às bruxas

O PT preferiu fazer pouco caso diante da adesão de eleitores identificados com o partido à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo. Afinal, o ex-ministro Celso Amorim não vota no município, e Chico Buarque nem é filiado à legenda, argumentaram dirigentes.

Os petistas fingiram não ver o problema. O partido comandou a Prefeitura por 12 anos em três décadas, mas penou para definir um nome na disputa deste ano. A vaga ficou com Jilmar Tatto, ex-deputado, ex-secretário e integrante de um clã que domina redutos políticos da zona sul.

De saída, a escolha não empolgou. Petistas notórios declararam apoio a Boulos, como o cientista político André Singer, o ex-presidente do PT Tarso Genro e a ex-deputada Bete Mendes, fundadora da legenda.

A sigla pode enfrentar uma nova onda de desgastes nas eleições municipais. Há quatro anos, a legenda perdeu 60% de suas prefeituras na esteira do impeachment e da Lava Jato. Agora, parece jogar para cumprir tabela em cidades importantes.

A escolha de Tatto representa uma opção pela política local, mas muitos petistas se incomodam com o fato de que o partido abriu mão de usar a campanha como palanque para um embate com Jair Bolsonaro. Alguns, como Tarso Genro, acreditam que o PT deveria se aliar a Boulos.

Ex-ministro de Lula e Dilma, Celso Amorim afirma que seu apoio ao candidato do PSOL não representa uma crítica ao PT. Ele argumenta que a eleição terá grande repercussão nacional e "precisa de candidatos que tenham essa dimensão".

"O edifício está desabando. Não adianta só pregar um andaime novo", diz. "O cansaço com a política tradicional requer um nome que venha com propostas novas, ideias novas."

A presidente do PT disse que os filiados que apoiarem outras siglas podem sofrer sanções. "A filiação petista carrega consigo algumas responsabilidades, entre elas a de lealdade ao candidato do partido", disse Gleisi Hoffmann ao repórter Fábio Zanini. A legenda ainda pode perder tempo numa caça a suas próprias bruxas.
Herculano
13/08/2020 21:03
da série: o governo Bolsonaro e uma nota de R$3 é a mesma coisa. O que diz, não se confia ou não se pratica.

"A IDEIA DE FURAR TETO EXISTE. QUAL É O PROBLEMA?", DIZ BOLSONARO

Jair Bolsonaro confessou há pouco que o governo debate a possibilidade de furar o teto de gastos.

Em live, o presidente afirmou que ministros têm o procurado para pedir mais recursos para obras públicas.

"A ideia de furar teto existe, debate. Qual é o problema? O ministro diz: 'Presidente, já furamos o teto em R$ 700 bilhões. Dá para furar mais R$ 20 bilhões?'. Eu pergunto qual é a finalidade. Se for para vírus, não tem problema nenhum. 'Ah, mas entendemos que água é para a mesma finalidade. E daí? Já gastamos R$ 600 bilhões, vamos gastar mais R$ 20 bilhões ou não?'"

Segundo Bolsonaro, Guedes afirmou que o aumento de recursos para investimento público em obras poderia sinalizar ao mercado que o governo está "furando o teto".

"O Paulo Guedes diz que está sinalizando para o mercado que está furando o teto, dando um jeitinho. O outro lá na ponta diz que não vai aceitar jeitinho. Em vez de ligar, telefonar, isso vaza aqui do nosso meio."

E acrescentou:

"Falou-se em fazer uma consulta ao TCU. Não fizeram, mas o pessoal vem como se estivesse tudo articulado para dar um grande golpe, furar o teto, como se alguém estivesse desviando dinheiro. A intenção de arranjar mais R$ 20 bilhões é para a água no Nordeste, revitalização de rios, Minha Casa, Minha Vida."
Herculano
13/08/2020 20:57
FISCHER MANDA QUEIROZ DE VOLTA PARA A CADEIA

Conteúdo de O Antagonista. O ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça, acaba de mandar Fabrício Queiroz e sua mulher, Márcia Aguiar, de volta para a prisão.

Fischer acolheu recurso do Ministério Público Federal e derrubou a liminar do presidente do STJ, João Otávio de Noronha, que havia garantido, durante recesso do Judiciário, o regime domiciliar para o ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Fischer determinou que o Tribunal de Justiça do Rio analise com urgência o habeas corpus, porque os desembargadores remeteram o pedido diretamente para o STJ sem analisá-lo.

Relator do caso da rachadinha no STJ, Fischer adiou seu retorno ao trabalho por problemas de saúde. Precisou ser submetido a uma cirurgia de abdômen e, após alta médica, acabou tendo uma recaída.

No último sábado, porém, retornou para casa recuperado e assumiu os processos em seu gabinete ontem.

Como a derrubada da esdrúxula liminar era esperada, a defesa de Queiroz protocolou outro habeas corpus no Supremo. O caso está sob análise de Gilmar Mendes, que hoje pediu informações ao STJ, ao Tribunal de Justiça do Rio e ao juiz Flávio Itabaiana.

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