O poder público é constantemente criticado pela omissão com que encara - ou deixa de encarar - assuntos relacionados ao desenvolvimento da cidade. É a exigência de distância de 100 metros do rio que vale para um, mas não vale para outro, é a letargia na cobrança de construção de calçadas no interior do município ou no andamento de obras como a Ponte do Vale, o desrespeito constante a vagas de idosos e deficientes por parte de veículos oficiais.
Esta semana, porém, o poder público intensificou um trabalho de fiscalização a alguns abusos que aconteciam nas calçadas da rua Coronel Aristiliano Ramos. Quem passa pelo local sabe que havia lojas colocando camas, geladeiras, tapetes vermelhos e toda sorte de obstáculos que pudessem fazer o gasparense entrar nas lojas. Com uma nova legislação sob o braço, fiscais não tiveram dúvidas e, após orientações, baixaram as multas.
Sobrou para quem abusava, e sobrou também para comerciantes que tinham reduzido seu avanço sobre a calçada, e até para alguns com ótimas intenções, como a lixeira à frente de uma relojoaria. Mas o que se deixou de ver foi que, desta vez, o que estava sendo criticado era o “preciosismo”, o excesso de apego à legislação do poder público, e não a inércia, a omissão ou a regra de dois pesos, duas medidas. Por mais que possa causar sensação de injustiça aos comerciantes multados, é preciso reconhecer que o trabalho de fiscalização do município precisa ser feito dessa forma, aplicar a lei sem olhar a quem, e não apenas na lei da acessibilidade. O desafio está lançado.
Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).