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Amamentação: momento único e essencial entre mãe e filho - Jornal Cruzeiro do Vale

Amamentação: momento único e essencial entre mãe e filho

11/08/2017

‘Alimentar, nutrir e sustentar’. No dicionário, o ato de amamentar se restringe bastante. Em seu real e completo significado, a lactação transmite um misto de sentimentos e serve como uma conexão entre a mãe e o filho. No início de agosto, mais precisamente entre os dias 1º e 8, o assunto se tornou pauta ao redor do mundo devido a Semana Mundial do Aleitamento Materno, que teve como tema ‘Todas juntas pela amamentação’.

Dois amores e um objetivo

Quem desempenha um bonito papel na luta pelo aleitamento materno é a fotógrafa e mamãe Marcelle Rocha. Ela, que há 11 meses amamenta a pequena Laura, afirma que usa do amor pela fotografia para passar um importante recado. Como a maioria de seus clientes são mamães em busca de um registro especial dos primeiros dias do filho, a fotógrafa aproveita a oportunidade para transmitir seu recado. “Sensibilidade, carinho, afeto. Ao amamentar mandamos aos nossos filhos coisas boas, além de sustentá-los. Meu objetivo é chamar a atenção para o tema”, afirma.

De acordo com Marcelle, o município precisa se unir e pensar a respeito do assunto. “Sou membro um grupo de mães e lactantes, quase que inteiramente integrado por mulheres de Balneário Camboriú e Itajaí. Em nossos encontros, discutimos a importância do aleitamento e também a falta de apoio do Executivo em algumas cidades. Em Gaspar, por exemplo, não temos nenhum banco de leite”, destaca.

Marcelle afirma que, aos poucos, o país tem melhorado nesse quesito. “É um trabalho de formiguinha, pequenas ações se tornam grandes no cenário que nos encontramos. Seria muito bom que a secretaria de Saúde promovesse campanhas e orientasse as mamães, principalmente as de primeira viagem. Há uma insegurança instalada nas gestantes e puérperas”.

O aleitamento materno

O leite materno é considerado o melhor alimento para os bebês, pois fornece diversos benefícios para a vida do recém-nascido. É através do aleitamento que as crianças adquirem a força da imunidade e têm diminuídos os riscos de alergias e anemia. Por esses motivos, a Organização Mundial de Saúde criou uma semana especial para a conscientização da população e profissionais da saúde.

No Brasil, há 18 anos, o responsável pela campanha e, consequentemente, a adaptação do tema no país é o Ministério da Saúde. Para por em prática, o setor recebe o apoio de órgãos internacionais, além de secretarias de Saúde estaduais e municipais, que elaboram e distribuem cartazes e folders. A ideia, na sua essência, é unir todos em prol da saúde das mães e filhos recém-nascidos.

Lei garante às mães direito de amamentar em lugares públicos

As personagens desta reportagem afirmam que nunca sentiram preconceito por amamentar em lugares abertos e de circulação geral. Mas, este é um assunto delicado e que, muitas vezes, causa polêmicas. O que, de fato, muitos não sabem, é que não há regulamentações que considerem a prática criminosa ou ilegal. Pelo contrário: as lactantes têm o direito, por lei, de amamentarem seus filhos em público, sem nenhum tipo de constrangimento. Portanto, pessoas que tentarem impedir ou discriminarem o aleitamento materno em público podem ser punidas com multas, que variam conforme a legislação do estado.

Ensaio retrata a arte de amamentar 

A paixão pela fotografia e o contato com mamães de recém-nascidos deu uma ideia especial à Marcelle: realizar ensaios fotográficos para mostrar a amamentação como uma forma de arte. Exemplo disso é o álbum de Natana Sansão, mãe da pequena Nayla, de apenas sete meses de idade. Natana aceitou a ideia da fotógrada e afirma que os retratos serão guardados com muito carinho pela família. “Ficaram lindas as fotos. O resultado foi maravilhoso”.



A amamentação nunca foi um ponto de insegurança para Natana. “Desde quando a Nayla estava na barriga, sempre falei que iria amamentar ela. A amamentação é muito importante na vida de um bebê. Eu amo amamentar. Acho lindo. Amamentar é um momento único entre eu e minha filha. É o momento em que acolho ela nos meus braços”.

Uma profissional que está por dentro das dificuldades e avanços relacionados à amamentação é Rachel da Costa, fonoaudióloga especializada em aleitamento materno. Ela presta consultoria para mães que têm dúvidas e auxilia nesse importante momento. “O leite materno é completo e essencial. A recomendação é de que os bebês sejam alimentados até os seis meses só com o leite, o que não acontece no Brasil. Em média, no nosso país, os recém-nascidos são nutridos com o leite materno só até os 38 dias de vida”.

A especialista diz que não cumprir com perfeição essa etapa da vida dos pequenos pode acarretar em problemas relacionados à obesidade, diabetes e pressão alta no futuro. “As mães são fiéis protetoras e querem oferecer o melhor aos filhos. O problema é que, às vezes, o bebê não se adapta à forma de alimentação ou a mãe tem problemas no seio, além de diversos outros possíveis obstáculos”. Como saída nesta situação, a profissional orienta as mamães a procurarem alternativas de amamentação junto de um pediatra ou consultores de aleitamento.

Curiosidades

1 – Na primeira semana após o nascimento do bebê, a mãe o amamenta com um leite amarelo, chamado de colostro, que tem gosto salgado. O líquido é menos calórico e rico em proteínas.
2 – Passado esse período, a mãe passa a produzir o chamado Leite de Transição. Ele é branco e tem ainda mais nutrientes, vitaminas, lactose e gordura
3 – Depois de 21 dias amamentando, as mulheres começam a produzir o Leite Maduro, um líquido com novas concentrações de nutrientes, formado por água, proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e sais minerais.
4 – Cada copo de leite materno, aproximadamente 200 ml, representa 268 calorias.
5 – O leite materno protege as crianças contra otites, alergias, diarréia, pneumonias, meningites, dentre outras doenças.
6 – O Fundo das Nações Unidas (Unicef) calcula que um milhão e meio de crianças morrem todos os anos por falta de aleitamento materno.
7 – O bebê deve ser alimentado exclusivamente com leite materno até os seis meses de idade. Só depois disso que as crianças podem receber alimentos complementares, como papinhas, água, frutas e sopas.
8 – Segundo a Organização Mundial de Saúde, as crianças devem continuar a ser amamentadas, pelo menos, até os dois anos de idade.
9 – Os bebês devem receber o leite materno já na primeira hora de vida.
10 - Estudos comprovam que o contato pele a pele entre a mãe e o bebê, logo após o parto, reduz estresses negativos para o recém-nascido e o protege contra bactérias.



Edição 1813

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