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Celestina: a mulher das cucas - Jornal Cruzeiro do Vale

Celestina: a mulher das cucas

08/11/2019
Celestina: a mulher das cucas

Cuca de banana, nata, farofa ou até as não tão tradicionais como chocolate ou morango. A pergunta é: quem não gosta de cuca? O prato típico da culinária alemã está presente em qualquer café colonial do catarinense, mas essa iguaria é muito mais forte no Vale do Itajaí. No bairro Belchior Baixo, dona Celestina da Rocha, de 74 anos, é conhecida como ‘a mulher das cucas’.

A cuca faz parte da vida de dona Celestina desde que era criança. Ela lembra que sua mãe não ensinava a receita e que ela aprendeu a fazer apenas observando. “Quando ela terminava de bater a massa, eu e meus irmãos colocávamos o dedo para experimentar e lembro dela dizer ‘já tão lambendo?’. A minha mãe só fazia cuca na Páscoa, no Natal e, se sobrasse trigo, fazia também no Ano Novo. Não era fácil aquele tempo. Hoje nós podemos comer cuca a qualquer momento”, lembra.

Aos 18 anos, Celestina fez pela primeira vez uma cuca sozinha. Foi no trabalho, quando preparou a iguaria para os hóspedes de um hotel onde trabalhava. “Eles ficavam vendo como eu fazia a massa e perguntavam com quem eu aprendi. E eu só respondia que havia aprendido olhando a minha mãe fazer”.

Hoje, suas cucas fazem sucesso nas festas de igrejas. Na capela Santa Catarina, no Belchior Baixo, Celestina é a responsável pela preparação das delícias vendidas nas festividades. Na última festa, foram feitas 60 cucas, que equivalem a 120 pedaços. “Não sobra uma cuca na festa. O pessoal me conhece como ‘a mulher das cucas’, pois sempre estou ajudando. Eu sou muito perfeccionista. Gosto de ensinar as pessoas a fazerem. Tem que bater bem a massa até dar bolha. Se a massa não der bolha é porque ainda não está boa”, explica.

Mantendo a tradição

Assim como todos nós, ela também tem os seus sabores preferidos: nata com ameixa e nata com carambola. Para dona Celestina, a cuca representa alegria. “Hoje temos em abundância o que não tínhamos na infância, numa época em que só lambíamos os dedinhos. Cuca é isso: fazer os outros felizes e manter a tradição. Por isso eu adoro fazer. É muito bom ouvir os elogios. Isso motiva a fazer ainda melhor. Eu queria ser mais nova para poder abrir um restaurante e vender as minhas cucas. Ela seria o carro chefe”.

 

 

Edição 1926

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