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Morre Mônica da Costa Schmitt, moradora do bairro Poço Grande - Jornal Cruzeiro do Vale

Morre Mônica da Costa Schmitt, moradora do bairro Poço Grande

04/12/2019
Morre Mônica da Costa Schmitt, moradora do bairro Poço Grande

Com muito pesar, a família Schmitt informa o falecimento da matriarca Mônica da Costa Schmitt, moradora do bairro Poço Grande. Ela faleceu aos 88 anos nesta quarta-feira, dia 4 de dezembro, por volta das 19h, no Hospital Santa Catarina, em Blumenau, onde estava internada vítima de um AVC.

Seu corpo será velado na Igreja Santa Clara, no bairro Poço Grande. Às 16h de quinta-feira, dia 5, haverá celebração de corpo presente e, em seguida, acontece o sepultamento no Cemitério de Gaspar.

Mônica foi casada por muitos anos com José Francisco Schmitt, mais conhecido como Juca Schmitt, que faleceu em abril de 2016. Ela deixa netos, bisnetos, trinetos e 10 filhos: Pedro, Ana Maria, José Alberto (Pinoco), Paulo, Isabel, Gilberto (proprietário do Cruzeiro do Vale), Valéria, Teodoro, Carlos Rogério e Sônia.

Em 2012, para marcar o Dia dos Pais, o Cruzeiro do Vale preparou uma reportagem especial e contou a história do casal Juca e Mônica Schmitt. Confira na íntegra:

Por Indianara Schmitt

Escrever uma matéria sobre o Dia dos Pais pode até parecer uma tarefa fácil, mas não é. Ou melhor, ela se torna difícil quando se tem um tema diferente a ser abordado. Algo que o leitor já não tenha visto. Algo novo.

Depois de pensar muito sobre a melhor forma de abordar o assunto, cheguei à conclusão de que relatar a vida de um homem que lutou por sua família seria a melhor forma de homenagear a todos os pais. E quem seria esse homem? Não existe história de vida que me dê mais orgulho em relatar do que a de José Francisco Schmitt.

Sua família começou a ser constituída há 59 anos, quando, um ano após o casamento com Mônica da Costa, o casal recebeu a notícia de que o primeiro herdeiro estava a caminho. Desde então, a árvore genealógica da família Schmitt não parou de crescer e os anos seguintes foram marcados pelo nascimento de outros nove filhos.

Além de pai, seu Juca sempre foi amigo dos filhos. Um verdadeiro conselheiro em todos os momentos. Tímido e com poucas palavras, ele afirma que o bem mais precioso que um homem pode ter é a família, e que seu maior orgulho é poder dizer com todas as letras a quem lhe perguntar que todos seguiram seus ensinamentos e se deram bem na vida.

Cada encontro é uma festa

Tudo é motivo de alegria na família Schmitt. Cada data comemorativa é um pretexto para a família se reunir na casa dos patriarcas, no bairro Poço Grande, para um almoço, um jantar ou até mesmo para um simples café da tarde. Quem conversa com seu Juca vê em seus olhos o orgulho que o senhor de 87 anos sente ao ver a união de todos.

Exemplo que vem de berço

Tudo o que os filhos, seis homens e quatro mulheres, conquistaram deve-se ao exemplo que receberam em casa. Desde cedo, as meninas ajudavam nos afazeres do lar, enquanto aos meninos cabia a função de ajudar o pai na roça. E é do grande resultado da educação dos filhos que seu Juca se emociona ao falar. "Dois dos meus filhos deram continuidade aos meus trabalhos. Os outros seguiram seus próprios caminhos. Graças a Deus, todos estão muito bem. Sinto muito orgulho deles".

Vida em família

"Eu sei que tudo o que Deus faz durará eternamente". Esta frase retrata exatamente o que é o relacionamento de quase 60 anos de Mônica e Juca Schmitt: uma dádiva de Deus.

Com as mãos sempre unidas, durante mais de uma hora de conversa, na cozinha de sua casa, a história de amor do casal foi relatada pelos personagens principais.

Dona Mônica é a primeira a se manifestar para contar as histórias do passado, confessando que seus primeiros olhares foram trocados durante a missa, na Igreja Matriz de Gaspar. Simpática e sorridente, ela conta ainda que chegou a ganhar carona da família Schmitt para voltar para casa depois da missa. "Eu nunca pedia, mas o Juca, que estava na boleia do carro de molas, sempre me via e se apressava para oferecer carona. Naquela época era comum as pessoas darem carona uma para as outras. Todas as famílias se conheciam, então não havia problema", explica.

As trocas de olhares vieram acompanhadas dos batimentos acelerados do coração. Porém, as conversas entre os dois só aconteciam, segundo ela, com intervalos longos, quando se encontravam na missa ou em festas. Ao ouvir a resposta da esposa, Juca interfere declarando que já estava de olho nela há tempo. ?A Mônica é que não sabia, mas quando ela ia para o Macuco fazer curso de costura e passava pela minha casa, eu só ficava de olho nela?.

Os dias foram passando, os encontros acontecendo, o namoro foi oficializado e ambos passaram a frequentar a casa dos sogros. ?E quatro anos depois nos casamos e passamos a ter como objetivo fazer um ao outro feliz?, afirma Mônica.

Ela, professora... Ele, agricultor

Mesmo após a união e o nascimento dos filhos, nenhum dos dois desistiu da profissão que haviam escolhido para a vida. Para que todos dessem conta dos afazeres, as tarefas eram divididas. Enquanto Juca trabalhava na lavoura e no engenho de cachaça, Mônica dedicava o período da manhã às aulas que ministrava no bairro Lagoa e à tarde aos afazeres da casa. "Mas se engana quem acha que era fácil. Eu acordava às 5h, tirava leite de oito vacas e, depois de fazer isso tudo, ia trabalhar e voltava ao meio dia", relembra.

Mas, e as crianças, onde estavam? Eu pergunto. Com rapidez, dona Mônica responde. "Quando eles ainda eram pequenos, uma mulher vinha cuidar deles. Aí, quando os mais velhos começaram a crescer, um cuidava do outro".

Memórias de uma vida no campo

As tarefas do campo sempre fizeram parte da vida de José Francisco Schmitt. Filho de Pedro Schmitt Júnior e Valéria S. Schmitt, as lembranças de quando tinha oito anos ainda estão vivas na memória de Juca. "Lembro que trabalhava na roça, moía cana, capinava e cuidava da criação de porcos e gados. Meus pais eram pessoas muito boas e eu sempre fiz tudo o que pude para ajudá-los". A adolescência e a vida adulta não foram diferente, sempre trabalhando na roça, no engenho de cachaça, fazendo farinha e cuidando das criações. Trabalhador, ele se lembra dos momentos que, depois da missa, encontrava os conhecidos no centro da cidade para tomar café e fazer negócios.

Na memória de Mônica as lembranças dos momentos vividos com os irmãos no bairro Lagoa também são recordadas. "Ainda muito nova eu já trabalhava no engenho de farinha de mandioca. Era tudo muito gratificante e esses momentos de trabalhos eram compensados pelas horas e horas brincando de boneca e de pegar".

Recompensa

Na varanda de uma casa de alvenaria próximo à ponte do ribeirão do Poço Grande, é comum notar a presença do simpático casal sentado nas cadeiras, observando o movimento e cumprimentando, sempre com um sorriso no rosto, aqueles que passam pelo local.

Após anos dedicados ao trabalho, hoje ambos são aposentados e dedicam o tempo livre à família. O contato com todos acontece com frequência e os filhos que moram próximo dos pais não ficam um dia sequer sem ir até a casa dos patriarcas dar um beijo e demonstrar todo o amor e gratidão.

Sempre muito religiosos, parte do seu dia também é destinado a assistir a missa, que é transmitida pela Rede Vida e vista com muita atenção pelo casal e por aqueles que estão na casa.

Neste domingo de Dia dos Pais, a data será comemorada na Festa de Santa Clara, no bairro em que moram, com os filhos. E, neste dia, toda a família dará um abraço especial no homem que serve de exemplo para todos.


O que deseja para os filhos e netos

"Desejo que todos eduquem seus filhos como eu eduquei os meus". Simples e objetiva, esta é a resposta de Juca quando perguntado sobre o que deseja para seus netos, que um dia serão pais e hoje encontram no avô todo o apoio que necessitam.

A educação sempre foi prioridade na família Schmitt. Ele conta ainda que outro conselho que sempre deu aos seus filhos, e espera que eles passem a diante, é o de não mexer nas coisas dos outros.

 

Edição 1930
 

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