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Morre Sany Donald da Silva, ex-vereador de Gaspar - Jornal Cruzeiro do Vale

Morre Sany Donald da Silva, ex-vereador de Gaspar

08/01/2020
Morre Sany Donald da Silva, ex-vereador de Gaspar

Gaspar acaba de perder Sany Donald da Silva. Ele faleceu nesta quarta-feira, dia 8 de janeiro, aos 87 anos, no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Sany foi um grande líder comunitário e homem respeitado na cidade. Foi funcionário público por muitos anos, vereador e chegou a se candidatar ao cargo de prefeito. Além disso, foi presidente do Clube Carijós e do Clube Atlético Tupi e contribuiu com a fundação do hospital de Gaspar e do Clube Alvorada.

Ele nasceu no bairro Poço Grande e atualmente morava na rua São José, no Centro de Gaspar. Sany deixa a esposa Eunice da Silva, uma filha e muitos amigos.

O corpo se Sany será velado na Capela Mortuária Bom Pastor a partir das 19h desta quarta, dia 8. O sepultamento está marcado para às 10h de quinta, dia 9.

Em setembro de 2017, Sany concedeu uma entrevista ao Cruzeiro do Vale e falou sobre um acontecimento marcante de sua vida profissional: a explosão do cofre da prefeitura em 1960. Confira:

Quem explodiu o cofre da prefeitura?

Fogo no estopim. A madrugada foi explosiva na Prefeitura Municipal de Gaspar. Criminosos arrombaram um cofre para roubar o dinheiro que seria utilizado na conclusão da Ponte Hercílio Deeke. A ação foi rápida e, surpreendentemente, silenciosa. Ninguém notou a movimentação. Os bandidos fugiram do local sem deixar pistas e ainda não foram encontrados.

Você, leitor do Cruzeiro do Vale, deve estar se perguntando como isso tudo aconteceu. Mas, calma! A história que aqui será contada é verdadeira, mas não recente. Portanto, não estamos falando da gestão de Kleber Wan-Dall e Luis Carlos Spengler Filho. Muito menos da Ponte do Vale. O arrombamento ao cofre aconteceu na época em que Dorval Rodolfo Pamplona administrava a cidade pela União Democrática Nacional (UDN) e acompanhava a construção da Ponte Hercílio Deeke, no Centro de Gaspar.

Voltamos aos anos de 1960, com as memórias do gasparense Sany Donald da Silva. Ele vivenciou os acontecimentos e hoje divide a experiência com o veículo de comunicação impresso mais antigo da cidade e seus fiéis leitores.

Sany lembra que a ação criminosa aconteceu durante a noite e, naquela dia, o assunto que corria na cidade era a ida do prefeito à Florianópolis para buscar 8 mil cruzeiros em espécie utiliza dos para pagar a segunda metade da obra da ponte. O valor seria entregue diretamente pelas mãos de Hercílio Deeke, político responsável pela Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina no governo de Heriberto Hulse, substituto de Jorge Lacerda. O que ninguém imaginava, porém, é que bandidos tentariam roubar o valor vindo para a obra.

Naquela noite, bandidos entraram na prefeitura e estouraram o cofre que guardaria todo o dinheiro recebido. “Eles puseram fogo no estopim, um cordão banhado a combustível ligado em uma dinamite. Depois da explosão, usaram picaretas para terminar de arrombar a porta”. Conforme lembra Sany, o material utilizado na explosão do cofre estava na prefeitura, na sala do então fiscal Leopoldo Schramm, que se localizava ao lado da sala do cofre. “Os bandidos sabiam que os explosivos eram guardados lá e para eles era mais conveniente usar o que já estava dentro da prefeitura”.

O cofre tinha cerca de dois metros de altura e era feito de material duro e acinzentado. Sua porta era grossa e possuía uma grande fechadura, com duas barras de ferro entrelaçadas. “Foi perca total. Não deu para recuperar o cofre”, afirma Sany.

Os bandidos abriram o cofre com a certeza de que lá encontrariam grande quantia em dinheiro. Porém, uma surpresa ao abri-lo: nele estavam guardados apenas alguns trocados, que foram queimados durante a explosão.

Sany conta que a iniciativa de não guardar o dinheiro da ponte no próprio cofre da prefeitura partiu do prefeito Dorval Pamplona. “Ele estava ciente de uns comentários que assolavam Gaspar e se preveniu: depositou todo o valor no Banco Inco (localizado no atual endereço do Bradesco, no Centro de Gaspar), que na época era gerenciado por Antônio Venhorst. Como ele voltou de Florianópolis tarde, ninguém imaginou que ele guardaria o valor em outro lugar”.

A ação dos bandidos que tentaram roubar o dinheiro da conclusão da Ponte Hercílio Deeke aconteceu no final dos anos de 1950, quando a obra estava praticamente 50% concluída. Até hoje, ninguém sabe a identidade dos ladrões.

Prefeitura na época
Há cerca de 60 anos, a configuração do quadro funcional da prefeitura era bastante diferente da atual. Na administração de Dorval Rodolfo Pamplona, haviam mais cerca de dez funcionários efetivos: secretários, tesoureiros, contadores e fiscais geral e de tributos. Além disso, aproximadamente 20 profissionais exerciam funções de operários braçais, em serviços externos.

Sany

Natural de Gaspar, Sany Donald da Silva tem 85 anos [em 2017]. Sempre foi participativo nos assuntos do município, desempenhando importante papel como cidadão. Iniciou sua carreira no Tabelionato Santos, onde permaneceu por 20 anos. Além disso, trabalhou por mais 20 anos na Prefeitura Municipal de Gaspar. Atualmente, ele mora no Centro.

 

 

Edição 1933
 

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