O que você quer fazer antes de morrer? - Jornal Cruzeiro do Vale

O que você quer fazer antes de morrer?

02/12/2016
O que você quer fazer antes de morrer?

Por Geraldo Genovez

Eu vou estar vivo amanhã, semana que vem ou mês que vem? Vou conseguir realizar todos os meus sonhos? E se eu morrer, para onde vou? Existe vida após a morte? O que vai acontecer com meu corpo e espírito quando minha passagem pela terra chegar ao fim?

Essas interrogações fazem parte da vida de todos e, uma hora ou outra, elas começam a martelar na cabeça. Crianças, jovens, adultos e idosos não sabem como será o dia de amanhã. Mulheres e homens não fazem ideia do que vai acontecer em um dia, um mês ou um ano. Para todos, a única certeza é a morte.

O dia a dia da maioria das pessoas é o mesmo: trabalhar, voltar para a casa, curtir a família, descansar... Nas horas de lazer, o tempo é utilizado em projetos pessoais, como o planejamento do casamento que vai acontecer em alguns meses ou anos; o destino da próxima viagem de férias; ou o tema da festa de aniversário do ano seguinte. Todos têm seus planos e ninguém está preparado para uma interrupção. Mas, o futuro é incerto.

Um ditado antigo diz que, antes de morrer, o homem deve ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Por isso, o Cruzeiro do Vale entrevistou seis pessoas de idades diferentes e perguntou: quais os cinco sonhos que você quer realizar antes de morrer? Os entrevistados tem 20, 30, 40, 50, 60 e 70 anos. Eles nasceram em épocas diferentes, tem sonhos e pensamentos distintos. Mas, tem em comum a mesma vontade de viver e realizar os mais diversos sonhos. Confira:

Cinco desejos para realizar antes de morrer

Maurício Rodrigues, 70 anos
No auge dos seus 71 anos, Maurício Rodrigues já foi casado por quadro vezes e segue em boa forma e com muita disposição. Apesar de estar aposentado, ele trabalha como representante comercial em uma empresa porque não se vê em casa o dia inteiro. Morador do bairro Bela Vista, em Gaspar, ele tem sonhos bem diferentes e tem muitos planos para os próximos anos. Em sua lista, está, inclusive, uma viagem ao fundo do mar em um submarino e um fim de semana ao lado da cantora colombiana Shakira. Além disso, Maurício quer ganhar na loteria, conhecer a arquitetura japonesa e ter um livro publicado contando a história da sua vida. 

Luis C. da Silva, 57 anos
Aos 57 anos, o representante comercial Luis Carlos da Silva sonha ir à Portugal. Ele também almeja dirigir um carro esportivo na pista de Interlagos, se divertir em uma estação de esqui com muita neve, desfilar na Escola de Samba da Mangueira e na Centopéia da Oktoberfest. Luis é casado, mora no bairro Sete de Setembro, em Gaspar, tem três filhas, e deseja também muitos anos ao lado da família. 

Sandra Reinert, 48 anos
Conhecer as Ilhas Gregas faz parte da lista de desejos antes da morte de Sandra Reinert. Ela é publicitária, casada, tem 48 anos, e deseja que ela e o marido possam receber uma bênção na capela em Fernando de Noronha. Como terceiro desejo, Sandra pretende ir a um show da banda U2 e, como quarto, desfilar em uma escola de samba no Rio de Janeiro. O quinto e mais importante desejo, porém, é poder caminhar na praia com um bisneto. Esse pode ser o sonho mais demorado a se realizar, afinal Sandra possui uma filha de 20 anos que ainda não tem planos de engravidar.

Cecília Rodrigues, 43 anos
A lista de desejos de Cecília Rodrigues, de 43 anos, contempla a felicidade e sucesso dos seus filhos, Geraldo e Helena. Ela ainda deseja conhecer o caminho que Jesus percorreu em Jerusalém, ir a um show do violinista André Rieu, se voluntariar para ajudar as crianças da Etiópia e ter muitos netos. Cecília é casada, trabalha como artesã e é moradora do bairro Santa Terezinha, em Gaspar.

Mara Rosa Cunha, 31 anos
Aos 31 anos, a estilista Mara Rosa Cunha está noiva e mora com o namorado no bairro Coloninha. Ela sonha em se casar na igreja e construir uma família unida. Para Mara, viajar o mundo e poder ajudar crianças carentes também faz parte dos seus sonhos. Outra vontade da estilista é doar sangue, já que é O negativo, um sangue raro e doador universal. Porém, sua fobia de agulhas impede, no momento, que realize esse sonho.

Camila Gaboardi, 19 anos
No começo da sua vida adulta, Camila Gaboardi, de 19 anos, tem muitos sonhos. A jovem é moradora do bairro Santa Terezinha, namora, estuda Comércio Exterior e trabalha como auxiliar de importação. Entre as coisas que quer conquistar antes da morte está a conclusão de seus estudos e o investimento em uma especialização depois da faculdade. Além disso, Camila quer ter sucesso profissional, que vai possibilitar a compra de uma casa própria e uma viagem para o exterior. Mas, o que a estudante mais deseja é a saúde dos pais, para que ela possa tê-los por perto por muito tempo.

“Todos devem ter seus sonhos dentro de um propósito maior”

Segundo o parapsicólogo blumenauense Henrique Pagnocelli, falar sobre a morte ainda é um tabu. “A morte passou a ser temida por uma visão extremamente materialista, onde ela é tida como o fim de tudo. Outro temor pela morte é a ideia de que a pessoa pode ser condenada eternamente em consequencia dos pecados cometidos ao longo da vida”, afirma.

Henrique conta ainda que atende muitas pessoas com medo de morrer por terem receito de serem condenadas a irem para o inferno. “Na verdade, esses são pensamentos que engessam o ser humano. Ou seja: atribuir a Deus sentimentos, atitudes, ou cacoetes humanos. Deus não castiga ninguém. O sofrimento vem em consequência dos seus apegos e das muitas programações que estão no subconsciente. A saída para isso é o autoconhecimento. Assim, a pessoa pode viver mais tranquila diante de todas as realidades da vida, inclusive da morte”. 

Utilizando um pensamento de Teilhard de Chardin, o parapsicólogo afirma que a morte é a volta do espírito para sua origem. “Chardin diz que ‘não somos seres humanos vivendo uma existencia espiritual. Somos seres espirituais vivendo uma existencia humana’. Então, estamos aqui cumprindo um propósito. Portanto, a morte é uma passagem, onde deixamos a materialidade do corpo e retornamos na condição de espírito”, afirma.

O fato de as pessoas se negarem a pensar na morte faz com que todos ajam como se fossem eternos. De acordo com o parapsicólogo, todos devem ter seus sonhos dentro de um propósito maior e transpessoal. “Aí, não haverá frustrações. Nesta perspectiva, tudo passa a ter sentido. Então, não há mais temor da morte”.

 

“Morte é a transformação da vida”

Por mais que uma família esteja preparada para o pior, quando a morte chega, a realidade é difícil de ser encarada. Há sofrimento, dor e saudade. Conforme afirma o pároco da Igreja Matriz São Pedro Apóstolo, em Gaspar, frei Paulo Moura, a morte é a transformação da vida. É o momento em que a pessoa deixa de existir na vida corporal e passa a viver eternamente. “A igreja católica acredita na ressurreição. Se Cristo morreu e ressuscitou, nós também ressuscitaremos. O cristão, que une sua própria morte à de Jesus, vê a morte como um caminhar ao seu encontro e uma entrada na vida eterna”, afirma o frei.






Sonhos interrompidos

Os sonhos de Larissa de Pin Laux foram interrompidos cedo. Prestes a completar 20 anos, ela sofreu um acidente e perdeu sua vida no dia 13 de maio de 2016.

Larissa nasceu em Rio do Sul e estudava Publicidade e Propaganda na Furb, onde conquistou muitas amizades e cativou todos que viviam ao seu redor. Hoje, quem lembra com carinho de todos os desejos de Larissa são seus familiares e amigos.

De acordo com Andressa Cassuba, amiga da jovem, um dos sonhos de Larissa era estudar fora do país. “Eu lembro que no ano passado nós duas conversamos muitos sobre fazer intercâmbio. Mas ela ia esperar terminar a faculdade para depois planejar melhor”, conta.

Maria Eduarda da Silva é outra amiga de Larissa e conta que ela e as amigas decidiram demonstrar o carinho e a saudade de Larissa através de uma tatuagem em forma de coração. “Decidimos juntas. Escolhemos o coração porque é nele que guardamos todos os momentos que tivemos com a Lari e também os nossos sonhos”.

 

71 sonhos deixados para trás 

Na mahã de terça-feira, 29 de novembro, o mundo acordou com a triste notícia de que o avião com o time Chapecoense havia caído. O acidente deixou para trás 71 sonhos. As histórias foram interrompidas de forma repentina. Eles seguiam para uma esperada competição na Colômbia e não chegaram ao destino final.


Jovens jogadores morreram com a alegria de representar Santa Catarina em uma competição tão importante. Jornalistas perderam suas vidas em uma das matérias que, talvez, fariam suas carreiras deslancharem. Famílias ficaram desoladas e incrédulas.

As 71 vítimas do acidente tiveram seus sonhos interrompidos. Mas, partiram deixando um legado de muita perseverança e paixão pelo que fazem.

Aproveitar em vida

Com toda a incerteza que cerca a morte, todos devem viver com um objetivo em comum: aproveitar os dias da melhor forma possível, fazendo o bem e deixando um legado de muito trabalho, dedicação e amor pelo que faz. Os dias e as portunidades devem ser aproveitadas ao máximo.

Aquilo que pode ser conquistado hoje, talvez não seja possível alcançar amanhã. Portando, indepente da idade, realize sonhos diariamente, deixe um legado bom, distribua gentilezas, deseje a felicidade do próximo. E, acima de tudo, tenha fé, seja qual for a sua religião. Sonhe e realize que, ao final da vida, seja qual for sua idade, a vida terá valido a pena. A morte faz parte da vida!

 

Edição 1779
 



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