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Vai uma cachacinha, aí? - Jornal Cruzeiro do Vale

Vai uma cachacinha, aí?

13/09/2018
Vai uma cachacinha, aí?

Há quem chame de ‘branquinha’, os que apelidam de ‘veneno’ e também aqueles que a batizam de ‘água que passarinho não bebe’. Na quinta-feira, 13 de setembro, comemoramos o Dia Nacional da Cachaça, bebida que sustenta grande carga simbólica para a cultura e identidade brasileira. Sua produção começou há mais de 500 anos e foi ganhando variações conforme o tipo de cana, armazenamento e até elementos adicionais utilizados. A verdade é que, no fundo, a ‘marvada’ também ganhou o coração de muitos desde então.

Dados de 2017 do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, no Brasil, há cerca de 11 mil produtores de cachaça. Essa especiaria é importada por 60 países, sendo que os Estados Unidos e a Alemanha estão no topo da lista, usufruindo de 17,69% e 17,44% do produto, respectivamente. Muito do que é fabricado fica no Brasil e os estados que mais consomem aqui são Pernambuco, Minas Gerais, Ceará, São Paulo e Bahia.

Cachaça Artesanal Wilbert

Apesar de Santa Catarina não ser um dos estados que mais se consome cachaça, é aqui que estão localizados grandes fabricantes. Na Cidade Coração do Vale, por exemplo, há dezenas desses apaixonados pela produção da bebida. Quem fala com muita propriedade sobre o assunto é Ivo Wilbert, proprietário da ‘Cachaça Artesanal Wilbert’. “Já são 57 anos e safras na conta. Meu falecido pai, Vitor Wilbert, começou a trabalhar nesse ramo aqui em Gaspar motivado por meu avô, que tinha vasta experiência lá em Luiz Alves. Então é uma tradição na nossa família”.

Seu Ivo conta que a fabricação da cachaça é feita entre os meses de junho e dezembro. “Plantamos a cana, cortamos, moemos, fermentamos e destilamos. Tudo é feito aqui . Eu e minha esposa produzimos uma média de 160 barris por safra, que corresponde em torno de 16 mil litros. No inverno, o processo de fabricação da cachaça dura dois dias, após moer a cana. No verão, conseguimos reduzir para 24 horas. Me acostumei com essa rotina que é cansativa, mas ao mesmo gratificante”.

Além da cachaça tradicional, Ivo ainda fabrica cachaças saborizadas, melado, mousses e outros doces em sua propriedade no bairro Arraial do Ouro.

Você sabe o que acontece com a cana para que ela se transforme  em cachaça?

A primeira etapa na produção da cachaça é a colheita da cana-de-açúcar, que pode ser feita manualmente ou por máquinas. Depois, o produtor extrai a garapa e separa o bagaço do caldo em uma moenda. Posteriormente, o caldo segue para a fermentação.

Em seguida, o processo exige que seja feita a destilação da cachaça. A garapa fermentada vai para um alambique de cobre e, depois de aquecido , seu vapor se transforma em cachaça. Para mil litros de caldo de cana se extrai aproximadamente 100 litros de cachaça.

O armazenamento e envelhecimento da bebida podem acontecer em recipientes de inox ou em barris de madeira. O aconselhável é envelhecer a cachaça em barril de carvalho. Quanto mais tempo a cachaça ficar armazenada, terá um sabor mais especial e, valores agregados na hora da venda.

Gaspar fabrica a melhor cachaça do Brasil

A cachaça entrou na família Schmitt em 1890, época em que a sobrevivência das pessoas era por meio da agricultura. Além de criar animais e cultivar milho, batata doce e feijão, Pedro Schmitt Junior ainda plantava cana-de-açúcar. Foi assim que ele decidiu fundar seu próprio alambique para produzir a especiaria. A iniciativa deu certo e ele repassou o gosto pela produção para seu filho, José Francisco Schmitt que, mais tarde, transferiu o gosto para o filho Carlos Rogério Schmitt, o Calinho.

A Cachaçaria Moendão vem desde 1988 se destacando pela tradição e qualidade no bairro Poço Grande. Atualmente, Calinho administra a empresa com a ajuda dos filhos Adriano, Luan e Cintia. Lá, eles produzem 11 tipos de cachaça. Provas do comprometimento da família são os títulos que ela carrega a nível nacional: melhor cachaça artesanal armazenada em barril de carvalho americano e segunda melhor cachaça artesanal envelhecida em barril de carvalho francês. As congratulações foram recebidas durante a 28ª edição da ExpoCachaça, ocorrida em Minas Gerais no mês de junho.

A data

O Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) instituiu, em 2009, a criação do Dia Nacional da Cachaça. A iniciativa teve como objetivo homenagear a data em que a bebida foi liberada oficialmente para a fabricação e venda no Brasil: 13 de setembro de 1661. No entanto, muitos não sabem que a legalização desse processo só foi possível através de um movimento popular conhecido como Revolta da Cachaça, estabelecida por conta do exagerado aumento de impostos cobrados em cima da cachaça pela Coroa portuguesa no Rio de Janeiro.

Curiosidade

De acordo com o autor do livro ‘Cachaça, o mais brasileiro dos prazeres’, professor Jairo Martins, apesar de não haver um registro preciso sobre o verdadeiro local onde a primeira destilação da cachaça tenha sido iniciada, pode-se afirmar que ela se deu no território brasileiro. No portal online do Ibrac, ele esclarece alguns pontos a respeito do assunto. “Foi em algum engenho do litoral, entre os anos de 1516 e 1532. Sendo, portanto, o primeiro destilado da América Latina, antes mesmo do aparecimento do pisco peruano, da tequila mexicana e do rum caribenho”.

 

Edição 1868

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