Se não fosse pelos remédios que Maria Luzia Bittencourt toma todas as noites para ajudá-la a dormir, a presença dos quase dez cachorros que rondam sua residência se tornaria um verdadeiro incômodo.
De acordo com a moradora da rua Pedro Simon, no bairro Margem Esquerda, há cerca de quatro meses os animais começaram a aparecer no local. "No início eram apenas um ou dois, mas agora já são quase dez cachorros. Eles fazem muito barulho à noite, é quase impossível dormir", desabafa.
Além do barulho, a principal reclamação da comunidade é sobre o perigo da proliferação de doenças, tendo em vista que os animais não possuem dono e não tomaram vacina preventiva.
Outro problema destacado pelos moradores do local é com relação ao lixo. O aposentado Norberto Baer, que também reside na via, conta que precisa esperar até o horário exato em que os caminhões de coleta passam pelo local, caso contrário, os cachorros reviram o material e rasgam as sacolas. "Eles fazem uma bagunça enorme. Precisamos mudar nossa rotina para evitar que eles façam sujeira", ressalta.
Norberto revela que em meados de 2007 diversos animais apareceram na localidade, mas foram mortos por algum morador. "Acho que alguém daqui deve ter envenenado os cachorros porque eles começaram a aparecer mortos em vários pontos da rua". Nos últimos meses, outros dois animais já foram vítimas.
O morador conta que também possui um animal de estimação, mas que seu cachorro permanece preso e é bem cuidado. Já Maria não conta com a companhia de nenhum animal, mas decidiu apelidar todos os cachorros de "menina". "Decidi chamá-los assim e todos eles acabaram atendendo o chamado".
Cuidados
Maria conta que apesar de não ser a dona de nenhum dos cachorros, cozinha cerca de um quilo de arroz todos os dias para alimentar os animais. "Tenho muita pena deles porque não são tratados por ninguém e não têm o que comer. Mas não posso cuidar de todos porque não tenho condições para isso", revela. O ideal, segundo Maria, seria que existisse um local ou algum órgão que pudesse se encarregar pelo bem-estar destes animais.
Centro de Zoonoses seria alternativa para problemas
A criação de um Centro de Zoonose é apontada pela comunidade e por órgãos públicos como a melhor solução para as situações que envolvem o abandono de animais. Porém, o fiscal da Vigilância Sanitária, Luiz Carlos Venkse, explica que apesar dos trâmites para a construção de um espaço destinado ao tratamento dos animais não serem complicados, o governo não prevê verbas para sua manutenção.
O fato torna inviável a criação do Centro, pois as despesas com manutenção alimentação dos animais, remédios e vacinas, além da contratação de profissionais e funcionários ficariam sob responsabilidade da administração municipal. "Não há como o município arcar com todas estas despesas", destaca.
Uma das alternativas seria a criação de um Centro Regional. Conforme Luiz, estudos já começaram a ser elaborados, mas nenhuma ação concreta foi tomada.
O fiscal reconhece que a situação dos animais abandonados é delicada e ressalta que, no momento, a alternativa é não alimentar os cães. "Muitas pessoas têm pena e acabam dando comida aos animais, fazendo com que eles se acostumem. Sabemos que é difícil, mas a melhor solução é não alimentá-los".
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