O Parlamento britânico rejeitou nesta segunda-feira uma nova nova tentativa do premiê Boris Johnson de realizar novas eleições-gerais no Reino Unido. Agora, o Parlamento ficará suspenso durante cinco semanas, até o dia 14 de outubro.
Ao todo, 293 parlamentares votaram a favor do projeto do primeiro-ministro em uma votação inicial, muito aquém do número necessário. Uma nova eleição-geral exigiria o apoio da maioria dos dois terços dos membros da Casa, ou seja, 434 dos 650 votos possíveis.
Mais cedo, parlamentares da oposição confirmaram que não apoiariam a votação de 15 de outubro, e ressaltando que uma lei que bloqueia um Brexit sem acordo deve ser implementada.
Boris Johnson ainda foi notificado de que ele pode enfrentar uma ação legal por desrespeitar a lei.
Ministros chamaram a lei de "péssima" e disseram que iriam "até o limite" para barrá-la.
Atualmente, a legislação do Reino Unido prevê que o país deixe a União Europeia (UE) no 31 de outubro, independentemente de um acordo de retirada ter sido acordado com Bruxelas ou não.
Mas a nova legislação, que recebeu o consentimento real nesta segunda-feira, determina que o primeiro-ministro tenha até o dia 19 de outubro para conseguir aprovar um acordo para a saída no Parlamento. Se o prazo expirar, o líder britânico é obrigado a pedir ao bloco europeu uma extensão da data-limite atual para o Reino Unido sair - mais especificamente, até 31 de janeiro de 2020.
A editora de política da BBC em Londres, Laura Kuenssberg, disse que, embora o premiê insistisse que ele não estava tentando violar a nova lei, estavam sendo feitos esforços estudar uma maneira de contorná-la.
Enquanto isso, John Bercow disse que se demitirá do cargo de Presidente da Câmara dos Comuns e membro do Parlamento na próxima eleição, ou em 31 de outubro - o que ocorrer primeiro - depois de 10 anos no cargo.
O primeiro-ministro disse que o governo usaria esse tempo para negociar um acordo com a UE, enquanto se "preparava para sair sem um".
Johnson disse havia dito que o líder do Partido Trabalhista - Jeremy Corbyn - havia dito anteriormente que apoiaria uma eleição se o projeto para impedir o governo de forçar um Brexit sem acordo em 31 de outubro se tornasse lei.
"Pela sua própria lógica, ele deve agora apoiar uma eleição", disse o primeiro-ministro.
Johnson disse que uma eleição é a única maneira de quebrar o impasse na Câmara dos Comuns.
Mas Corbyn disse aos parlamentares que membros do Partido Trabalhista estavam "ansiosos por uma eleição - mas, por mais que desejemos, não estamos preparados para o risco do desastre de não haver um acordo com as nossas comunidades, com empregos, serviços ou mesmo direitos".
Trabalhistas, SNP, Liberais Democratas, Partido Verde, Grupo Independente e Plaid Cymru se reuniram na manhã de segunda-feira e concordaram em não apoiar a moção para uma eleição.
Antes, o primeiro ministro sofreu outra derrota na Câmara dos Comuns.
Os parlamentares apoiaram o pedido, por 311 votos a 302, para a publicação de comunicações entre membros do governo relacionadas à suspensão do Parlamento e à liberação de todos os documentos relacionados à Operação Yellowhammer, o plano de contingência sem acordo do governo, compartilhado com os ministros desde 23 de julho.
O ex-conservador Dominic Grieve, o parlamentar recém-independente que apresentou o projeto, disse aos parlamentares que era "inteiramente razoável" pedir a divulgação "para que a Câmara entenda os riscos envolvidos e para que isso possa ser comunicado mais amplamente ao público".
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