A decisão do Senado de afastar a presidente Dilma Rousseff da Presidência da República repercute em todo o país. Em Gaspar, onde PT e PMDB historicamente se posicionam em lados opostos no espectro político, a troca de comando no país de Dilma para o vice-presidente Michel Temer também motiva avaliações sobre os próximos passos do país com o governo provisório de 180 dias e os reflexos desse processo no cenário local.
Presidente do diretório do PT de Gaspar, o vereador Amarildo Rampelotti entende que o processo de afastamento já estava definido desde a admissão do impeachment pela Câmara dos Deputados, no dia 17 de abril, e acredita que a saída de Dilma é irreversível. “Hoje se interrompeu definitivamente um governo democraticamente eleito por 54 milhões de votos e que alguns homens corruptos decidiram desrespeitar”, dispara.
Rampelotti alega que a existência ou não de crime de responsabilidade ficou em segundo plano tanto na votação da Câmara quanto na do Senado. “Basta olhar a Ponte para o Futuro, base do programa do Temer, para perceber que voltaremos a ter um governo que vai cortar programas sociais, reduzir financiamentos públicos para universidades e trazer um retrocesso na distribuição de renda. Particularmente, preocupa-me a situação de Gaspar por haver uma economia baseada no ramo têxtil, onde grande parte dela ganha de um a três salários mínimos. Acredito que teremos uma fase negra para o trabalhador. Por outro lado, sou otimista por natureza e espero que o governo que vem aí ache a solução para fazer o que está dizendo e superar a crise, que não é brasileira, mas sim mundial. Quanto ao PT, vamos para a oposição e de repente é lá que vamos nos fortalecer”, avalia.
Presidente do PMDB de Gaspar, o advogado Roberto Pereira considera o iminente presidente Michel Temer um homem de muita serenidade e acredita que ele irá reunir diferentes forças políticas para construir um governo de união nacional. “Ele tem 75 anos, foi presidente da Câmara por várias vezes, é professor de Direito Constitucional. Mas para sair dessa crise, não será só uma pessoa ou um partido. Comenta-se que ele vai procurar até mesmo Lula e o PT para ajudar a iniciar esse novo governo. É importante que isso aconteça. O momento não é de divisão. Se chegamos a esse ponto, é por culpa do PT, do PMDB, do PSDB, que por muito tempo não se posicionou como oposição, de todos os partidos”, analisa.
Para alcançar os objetivos de retomar o desenvolvimento econômico do país, Pereira pontua como essencial a escolha de bons ministros. O nome de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e cotado para ser o ministro da Fazenda de Temer, é bem visto pelo peemedebista por oferecer credibilidade ao mercado. “Também acredito que é necessário tomar medidas como o enxugamento da máquina, a diminuição de ministérios, reduzir o custo do Estado, que no Brasil ainda é muito alto. Hoje temos mais de 11 milhões de desempregados, então é preciso tomar medidas para retomar o crescimento e também combater a inflação, que atinge principalmente os mais pobres”, sinaliza.
Edição 1749
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