Crocheterapia: um fio de esperança e amor pela vida - Jornal Cruzeiro do Vale

Crocheterapia: um fio de esperança e amor pela vida

14/09/2024
Crocheterapia: um fio de esperança e amor pela vida

O mês de setembro é marcado pela campanha ‘Setembro Amarelo’, que visa conscientizar a sociedade sobre a importância da saúde mental e a prevenção do suicídio. Em tempos de crescente ansiedade e estresse, é essencial discutir e promover práticas que ajudem a aliviar a pressão do cotidiano. Nesse contexto, a crocheterapia surge como uma poderosa aliada no combate ao sofrimento emocional.

Como o próprio nome sugere, a crocheterapia utiliza o crochê como ferramenta terapêutica. A prática de criar com as próprias mãos, utilizando fios e agulhas, vai além de um passatempo: ela proporciona momentos de relaxamento, concentração e, sobretudo, uma forma de expressão. Cada ponto feito no crochê pode ser comparado a um pequeno passo em direção à recuperação emocional. Ao dedicar tempo à produção artesanal, o praticante entra em um estado meditativo, onde as preocupações do dia a dia podem ser temporariamente deixadas de lado.

Estudos já demonstram que atividades manuais como o crochê têm o poder de reduzir sintomas de ansiedade e depressão, além de estimular a liberação de dopamina, o hormônio responsável pela sensação de prazer e bem-estar. Isso ocorre porque a repetição dos movimentos e o foco necessário para a execução do trabalho promovem um estado de “fluxo”, uma condição mental em que a pessoa se encontra totalmente imersa na atividade, afastando pensamentos negativos.

A psicóloga Andréia Avosani (CRP 12/20213) explica que existem vários benefícios na prática do crochê. “Entre eles, redução do estresse, além de promover estímulos cognitivos que ajudam na concentração, raciocício, coordenação motora e que previnem doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson”.

Outro ponto levantado pela psicóloga diz respeito à união de nossas paixões ao trabalho. “A satisfação pessoal na área profissional promove estimulos de aprendizados e motivação que contribui para sentimento de realização da carreira, refletindo na vida pessoal e social”. Ela cita a frase: “Escolha um trabalho que você ama e você nunca terá que trabalhar um dia sequer na vida”, do filósofo Confúcio, que traz uma reflexão da importância de se fazer o que gosta, apontando sobre o prazer em estar realizando algo por ‘satisfação’, não por ‘obrigação’.

É importante destacar que a crocheterapia não substitui o atendimento psiquiátrico e psicológico. Essa técnica funciona como uma grande aliada ao tratamento de saúde com profissionais qualificados.

Empresa de Gaspar destaca benefícios do crochê para a saúde mental

A Supremo Fios, sediada no bairro Margem Esquerda, em aspar, desempenha um importante papel na luta pela saúde mental de pessoas de todo o Brasil. Através dos seus produtos, incentiva trabalhos manuais que desestressam, acalmam e, como descrito pela psicóloga Andréia Avosani (CRP 12/20213), proporcionam prazer. Quem acompanha as redes sociais da empresa e consome os lançamentos da marca, sabe que o crochê também estimula a criatividade e foco, além de possibilitar que os artesãos utilizem desse meio como renda extra ou até mesmo principal fonte de renda.

Prefeitura de Gaspar amplia debate sobre saúde mental

A Secretaria de Saúde de Gaspar intensificou as ações já realizadas ao longo do ano. A programação inclui palestras e atividades concentradas no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Essas iniciativas envolvem rodas de conversa de temas que muitas vezes tratados como tabu e ainda enfrentam desafios em relação à identificação de sinais, à oferta de ajuda e à busca por apoio, devido ao preconceito e à falta de informação. O objetivo é conscientizar a população e promover momentos de troca entre profissionais de saúde e cidadãos.

Durante todo o mês de setembro, a Secretaria de Saúde realiza outras atividades alusivas à campanha, enfatizando a importância de que pessoas em crise ou passando por momentos difíceis busquem ajuda. No CAPS, os profissionais alertam os gasparenses sobre a realidade do suicídio no Brasil e no mundo, reforçando a necessidade do diálogo e do acesso a canais de acolhimento para quem está em sofrimento psíquico.

Dados reforçam importância da valorização à vida

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) dão conta que, anualmente, são registrados anualmente mais de 700 mil suicídios. No Brasil, a média dos registros dos últimos 5 anos ultrapassou 15 mil casos anuais, sendo que em 2023 foram mais de 16 mil óbitos auto provocados. Isso significa que 43 pessoas cometem suicídio por dia.

Em Santa Catarina, no ano passado, foram registrados 962 suicídios, dos quais 76% (738) foram cometidos por pessoas do sexo masculino. Entre crianças e adolescentes, na faixa etária dos 10 aos 19 anos, foram 41 óbitos. O maior número de casos ocorreu entre os 30 e 49 anos, somando 366 óbitos. Em 2024, até o dia 29 de agosto, os números já chegam a 616 casos, sendo 77% (475) entre indivíduos do sexo masculino. Os dados são do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

Mas não são só os adultos que cometem o suicídio. Cerca de mil crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos de idade tiram a própria vida no Brasil a cada ano, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. “A taxa entre jovens cresceu 6% ao ano no país entre 2011 e 2022. Já as taxas de notificações por autolesões na faixa etária de 10 a 24 anos aumentaram 29% a cada ano nesse mesmo período”, explica Monique Meneses, enfermeira da Diretoria da Vigilância Epidemiológica (Dive).

Em Santa Catarina, a taxa de mortalidade por suicídio entre crianças e adolescentes de 10 a 19 anos mais que dobrou entre os anos de 2011 e 2022, indo de 2,3 para 5,2 óbitos a cada 100 mil crianças e adolescentes. Já a taxa de notificação das lesões autoprovocadas no estado, nesta mesma faixa etária, chegou a 204,3 casos a cada 100 mil crianças e adolescentes em 2022.

Procure ajuda

Se você está deprimido, angustiado ou sem vontade de viver, é fundamental buscar ajuda o quanto antes. Existem alternativas ao suicídio, e buscar o suporte adequado é o primeiro passo. O acompanhamento médico e psicológico é a forma mais eficaz de tratamento.

O CAPS de Gaspar funciona em regime de porta aberta. Ou seja, sem a necessidade de agendamento prévio ou encaminhamento, oferecendo acolhimento e tratamento multiprofissional. Ao procurar o CAPS, a pessoa é acolhida e participa da elaboração de um Projeto Terapêutico Singular, que atende às suas necessidades específicas. Uma equipe multiprofissional, composta por psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e terapeutas ocupacionais, avalia o quadro do paciente e define o tratamento mais adequado. Além disso, o CAPS oferece acolhimento integral em situações de crise, como nos estados agudos de dependência química (álcool e drogas), onde o usuário pode permanecer para tratamento por tempo determinado.

Busque informações, procure ajuda e fale abertamente sobre suas emoções. Falar ajuda a entender os sentimentos e a compreender o que se passa dentro de si, sem julgamentos. Caso precise, procure o Centro de Valorização da Vida (CVV), ligue para 188 ou entre em contato com o CAPS Gaspar pelo telefone (47) 3091-2101. O CAPS está localizado na rua Coronel Aristiliano Ramos, n. 435, ao lado da Biblioteca Dom Daniel Hostins.

 

 

Edição 2170

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