Microcrédito e o desafio da retomada econômica - Jornal Cruzeiro do Vale

Microcrédito e o desafio da retomada econômica

Por Isabel Baggio, Presidente do Banco da Família

Os últimos anos têm sido desafiadores para quem busca fazer qualquer prognóstico sobre a economia mundial. No rastro de uma crise sanitária sem precedentes, os anos de 2020 e 2021 foram marcados por incertezas e instabilidade. Superada a fase mais crítica da pandemia, 2022 parecia apontar para maior estabilidade e para a retomada gradual da normalidade. Aí veio a alta da inflação em diversos países e o risco de desaquecimento econômico. Em todo esse período, no entanto, um elemento permaneceu praticamente imutável no Brasil: o microcrédito ganhou espaço como ferramenta essencial para a promoção do empreendedorismo e a abertura ou manutenção de postos de trabalho.

Os números são positivos, como mostram dados das 33 instituições filiadas à Associação Brasileira de Entidades Operadoras de Microcrédito e Microfinanças (ABCRED). No primeiro semestre de 2022, em comparação com o mesmo período do ano anterior, a carteira ativa aumentou 13,8%, passando de R$ 570,5 milhões para R$ 649,5 milhões. O total emprestado subiu 4,1% - crescendo de R$ 414 milhões para R$ 431,6 milhões.

O microcrédito ganhou espaço e a tendência é de novas altas daqui pra frente. Mas a frieza dos números é insuficiente para mostrar a importância desse fenômeno. Fundamental é ter em mente que por trás das cifras há histórias verdadeiras e efetivas de empreendedorismo, geração de renda, desenvolvimento econômico e social e até superação da pobreza. O microcrédito nasceu com esse propósito e desde sempre teve como característica principal o papel de apoio na melhoria de vida das pessoas que mais precisam de auxílio para ter condições dignas de vida, saúde, moradia e trabalho.

Criado há 24 anos, o Banco da Família é um dos pioneiros no País a trabalhar no segmento e nessas duas décadas e meia já assistiu inúmeras crises, escaladas inflacionárias e variações nos indicadores de emprego e desemprego e crescimento ou retração do PIB. Em todo esse tempo, a instituição apostou na parceria com seus clientes e na confiança de que as pessoas precisam de oportunidades e apoio para progredir. A receita deu certo. A instituição hoje está presente em 222 municípios de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul e contribuiu para a realização de muitos sonhos. Mais precisamente: nossas operações impactaram de forma positiva mais de 1,5 milhão de pessoas. 

Ainda temos muito a fazer e muitas pessoas a apoiar. Apesar das incertezas, é possível afirmar sem medo de errar que as microfinanças são primordiais para a base da pirâmide, sustentando a cadeia produtiva. Algo que possibilita que os empreendedores dos micros e pequenos negócios sejam protagonistas na economia brasileira.

 

Edição 2077

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