O desastre de 2008 - Jornal Cruzeiro do Vale

O desastre de 2008

por Juarês José Aumond - Geólogo, Mestre em Geografia e Doutor em Engenharia Civil

O desastre de 2008 foi provocado pela ocupação homem das áreas já ambientalmente suscetíveis aos escorregamentos, enxurradas e inundações. Os principais fenômenos relacionados, tais como deslizamentos de encostas, inundações e enxurradas, estão associados a eventos pluviométricos intensos e prolongados que se repetem a cada fase de chuva mais severa e estão relacionados às mudanças climáticas. Os movimentos de massa de 2008 foram um marco histórico para esse tipo de desastre no Brasil e serviu de alerta para o que aconteceria na sequência em várias regiões brasileiras.

A catástrofe foi classificada como a maior tragédia geoclimática da história catarinense. Naquele novembro, perdemos 135 vidas. Foram também cerca de um bilhão em perdas econômicas. O mundo chorou pelos catarinenses. Nunca antes tinha ocorrido fenômeno semelhante no Brasil. Naquela ocasião, não estávamos preparados para enfrentar esse tipo de desastre. A Defesa Civil, governos e instituições eram inexperientes. Tínhamos experiências com cheias, inundações e enxurradas, mas algo assim foi um marco.

Hoje, vivemos um momento de grande singularidade do clima em função das mudanças climáticas e o uso de áreas como margens de rios. Isso pode fazer com que se repita a situação de 2008 em nossa região e pelo brasil afora.

Passados 10 anos, a memória das pessoas ainda recorda aqueles tristes e cinzentos dias. Em homenagem às pessoas que nos deixaram de uma forma tão trágica, devemos assumir uma postura pró-ativa.

Para mitigar situações como essa, será importante desenvolver ações para estabelecer nas cidades processos de resiliência, com intervenções urbanas mais sustentáveis. Implementar políticas públicas para a gestão dos riscos de desastres com Planos de Contingência de curto, médio e longo prazo. Identificar as áreas de risco e melhoria da gestão urbana no esforço de construção de um novo modelo de desenvolvimento mais sustentável que impeça a ocupação dessas áreas.

Prevenir e preparar a população para uma nova cultura de prevenção de riscos e desenvolver sistemas de alerta. Adotar um modelo de gestão pública sistêmico de ações e práticas para eliminar e/ou reduzir a frequência e a intensidade dos desastres. Nas Escolas e Universidades, inserir disciplinas que ensinem o que são as mudanças climáticas e seus possíveis efeitos. Preparar e organizar as associações de bairros para que os moradores se transformem em membros pró-ativos. Profissionalizar as Defesas Civis municipais e dar autonomia para que elas possam tomar decisão no sentido de evacuar as áreas ambientalmente frágeis e impedir a ocupação de novas áreas de riscos. Estas são algumas das proposições e diretrizes para eliminar, ou pelo menor minimizar as vulnerabilidades das comunidades localizadas nas áreas de maior risco a desastres.

 

Edição: 1878

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