Pais que participam na escola melhoram rendimento dos filhos - Jornal Cruzeiro do Vale

Pais que participam na escola melhoram rendimento dos filhos

Por Carolina Briso, gerente de projetos do Instituto Natura

Você já parou para pensar que participar mais do cotidiano da escola dos seus filhos pode influenciar a aprendizagem deles, incidindo em questões fundamentais da vida escolar? Nos focamos muito no que acontece dentro das salas de aula, mas o processo de aprendizagem depende muito mais do conjunto de interações que o aluno vivencia do que das que ocorrem somente dentro das salas.

Infelizmente, a participação de pais e familiares na rotina das escolas costuma estar limitada a reuniões e apresentações em datas especiais e precisamos de muito mais do que isso para, de fato, vivenciar e fazer a diferença na educação das nossas crianças e adolescentes.

Já há algumas décadas, estudos feitos pela Universidade de Barcelona apontam os benefícios da participação de pais, familiares e da comunidade no geral nas escolas por meio de comissões mistas de trabalho, assembleias e voluntariado para tutorias. Esse tipo de participação aumenta os recursos humanos que apoiam a aprendizagem dos estudantes, permitindo atuações inclusivas que contribuem para o rendimento e a convivência escolar. Além disso, melhoram a relação entre família e escola, reforçando os valores de solidariedade, cumplicidade e amizade, beneficiando tanto os alunos quanto a comunidade escolar em geral.

É possível ampliar os espaços de participação dos familiares por meio de iniciativas simples, como adequar os horários das reuniões às possibilidades das famílias e promover encontros que não sejam meramente informativos, mas sim reuniões em que todos tomam decisões, criando um clima de confiança e diálogo.

Isso aumenta o sentido, as expectativas e o compromisso de todos com a educação, já que unimos esforços para alcançar objetivos comuns e compartilhamos a responsabilidade sobre as decisões que afetam a escola. Quando as decisões são unilaterais, ou seja, estão completamente nas mãos da direção da escola, corremos o risco de parte do grupo que compõe os públicos da escola (alunos, pais, professores, funcionários) não entender os motivos de determinada iniciativa, causando ruído no diálogo. Quando todos têm voz e vez e as decisões são tomadas coletivamente, tudo fica mais fácil.

Isso passa pelo estabelecimento de um diálogo igualitário entre professores e familiares, fundamentado na validade dos argumentos e não em critérios baseados em relações de poder e pelo respeito e a valorização da inteligência cultural das famílias. Ou seja, precisamos valorizar o que cada família pode trazer à mesa porque as crianças e adolescentes não aprendem só quando estão em contato com os currículos obrigatórios, mas também ao se depararem com o que cada um de nós pode contar e oferecer. As possibilidades de aprender mais uns com os outros são infinitas e trazem um tipo de conhecimento que não se acha em livros didáticos ou apostilas.

Mesmo que a escola dos seus filhos ainda não esteja disponível para tamanha abertura, pais e mães podem estar mais presentes se envolvendo com as atividades nos espaços em que a instituição se propõem a abrir para a participação de familiares. Além disso, vale acompanhar de perto a rotina da criança, perguntando como foi seu dia, o que ela aprendeu, o que ela gostou e o que não gostou. Também é importante mostrar a ela que você valoriza a escola e os professores, consolidando a consciência sobre a importância da educação.

 

Edição: 1875

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