Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

12/06/2021

O MEA culpa o ambiente I

Quem é leitor ou leitora do blog na internet já leu meia-dúzia de artigos onde eu conto à saga de um estampador da Margem Esquerda. Ele não reza à cartilha político-partidária da prefeitura e dos poderosos que estão lá de plantão. Ele foi transformado em judas para ser malhado. É para mostrar aos outros o que poderá acontecer com quem desafiar ou não se alinha com o que se acha ser o certo por aqui. O empresário, jovem, nascido da informalidade como quase todos, já tinha até uma licença ambiental regular concedida pela própria prefeitura de Gaspar para funcionar à sua micro-estamparia. E comemorava à suposta regularidade. Nas ruas transversais de lá, estamparias não podem. Jura que soube depois. É o que diz o Plano Diretor. Então, mandaram-no fechar o negócio. E o imbróglio foi parar na Justiça. E lá está. Vai longe.

O MEA culpa o ambiente II

Antes de prosseguir um esclarecimento necessário. Não há santo em nenhum dos lados. Esse micro-empresário estava todo faceiro com a licença. Certo que estava legalizado. Mas, durante a fiscalização, soube do fiscal que estava era irregular. Aquela licença da prefeitura não valia nada e por isso, devia ele enfiar a sua viola no saco. Num gesto de fúria, o micro-empresário pegou a sua espingarda e colocou o fiscal para correr. Um bafafá. Deu polícia e ele foi preso. Estava errado. Já reconheceu o erro. Mas, poderia ter acontecido uma fatalidade irreparável. Por isso, esse negócio de arma em casa...

O MEA culpa o ambiente III

Na Margem Esquerda há dezenas de estampadores na mesma situação desse empresário emparedado. E até bem pior. É que muito tempo depois, na segunda fiscalização pela mesma superintendência do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da secretaria de Planejamento Territorial de Gaspar, constatou-se que nem licença ambiental havia. E se apurar bem, alguns, nem alvarás terão. E para resolver a situação que é permitida – e agora nem isso se sabe bem direito se estampar pode na BR 470 e nas ruas Luiz de Franzoi e Pedro Simon diante de um parecer que apareceu na prefeitura -, será preciso mudar o Plano Diretor. Essa mudança é técnica. Porque do ponto de vista político, em tese, o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB e seus “çabios” possuem votos para concertar o conserto.

O MEA culpa o ambiente IV

O relatório do fiscal que autuou o empresário é uma aula: mas dos erros do poder público gasparense. O órgão ambiental falhou, causou os problemas. Falta-lhe gente, sem falar na gestão politiqueira. Se fosse técnica, esta licença não teria sido concedida. E por quê? Porque a coordenadora, uma comissionada e instruída para o resultado, bastava ter pego à documentação e ido lá no negócio desse empresário, confrontar à lei e documentação com a realidade. Ou seja, o empresário contratou uma especialista da área para fazer o que ele não sabia e não tinha tempo para fazer: obter a licença. E conseguiu. E a prefeitura lhe concedeu à regularidade. Ele comemorou. Agora a prefeitura não só o questiona, mas quer tudo fechado por lá. “Se soubesse que eu não podia trabalhar aqui, não teria investido, nem me regularizado, nem enfrentado o fiscal”, argumenta o empresário.

O MEA culpa o ambiente V

Afinal, quem vai pagar os prejuízos e lucros cessantes do empresário? Ele, o meio-ambiente ou a prefeitura via os seus servidores que não realizaram o mínimo naquilo deveriam ter feito para preservar a lei? Mais, uma vez, há cheiro de discriminação. Os poderosos da vez atiraram no que viram e acertaram no que não viram: dezenas de outros estampadores estão na mesma situação. O caso foi parar no Ministério Público. Se o que se fez a um terá que ser feito, obrigatoriamente a outros. Esta é a tal administração que avança. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE

Perguntar não ofende: afinal o que está faltando para liberar ao tráfego, o caro trechinho de menos de um quilômetro do Anel de Contorno ligando as avenidas Francisco Mastella e Frei Godofredo? O medo faz coisas!

No artigo que escrevi na segunda-feira passada no blog www.olhandoamare.com.br – líder em acessos, mesmo sem ferramenta de impulsionamento ou avisos, acessível de qualquer lugar pelo seu smartphone -, mostrei à preocupação técnica de todos os envolvidos. Além de algo que deveria ter nascido em pista dupla, a forma como se deu o aterro, em teoria, é temerária e vai exigir caras intervenções para corrigi-lo. As fotos que circulam são impressionanetes.

Quem tirou o presidente de honra do MDB de Gaspar, o ex-prefeito Osvaldo Schneider, da lista de discursos do Encontro Regional do MDB da semana passada aqui, foi exclusivamente, o MDB de Gaspar. Tudo isso tem nome e sobrenome: Carlos Roberto Pereira, presidente do partido, prefeito de fato, e dono da poderosa secretaria de Fazenda e Gestão Administrativa.

Depois que o honorável Paca se mostrou empacado, a culpa foi parar no colo do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, com quem Paca está com um pé atrás, diante de fatos que o surpreenderam dos entrelaços políticos, familiares e religiosos.

O MDB de Gaspar era o anfitrião do encontro e o dono do cerimonial. E mesmo se não fosse, mostrou ao deixar o ex-prefeito mudo na marra, que não possui força perante o diretório regional. Como dizia o ex-primeiro ministro Tancredo de Almeida Neves, “a esperteza quando é demais, come o dono”.

A troca de titular no Procon de Gaspar traz várias leituras. O PDT perdeu a vaga para o PP. E uma dessas leituras diz que o poder de plantão mandou esticar a corda para ver se o PDT possui resistência no acordoamento. Poderá estar começando aí a exposição das fraquezas que infestam o governo gasparense.

Ainda repercute o festão – que não foi - de novos ricos daqui. Eles, a pretexto de formalizar um casamento já acontecido há muito aos olhos de todos, foi abortado pelas autoridades de vigilância sanitária, na última hora, lá em Brusque.

O que tudo isso mostra? Que pandemia é coisa de pobre, medrosos e maricas. E o principal é que, quem devia que conter o exagero, preferiu se esconder. Apareceria por lá como “convidado” e se “assustaria” com o mundaréu de gente amiga e conhecida que já se flertavam nos aplicativos de mensagens. Eles é que deram as pistas para a batida.

Precisou o deslocamento de uma força tarefa de Florianópolis para pôr ordem na casa, naquilo que nem devia ter sido arquitetado e muito menos engenheirado. E os donos da festa estão brabos pela sensatez que não tiveram, mas ainda sacrifica muita gente, a economia, os empregos... Meu Deus!

 

 

Edição 2006

Comentários

herculano
15/06/2021 09:25
No link acima ou no blog www.olhandoamare.com.br e que você pode acessar do seu smartphone, você se atualizará ainda mais sobre este assunto das pequenas estamparias de Gaspar.

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