Chumbo - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Gilberto Schmitt

13/09/2019

Homenagem a um amigo que partiu

Quem acompanha a coluna Chumbo toda semana sabe que é difícil eu dedicar este espaço para um assunto específico. Em quase 30 anos de jornal, posso contar nos dedos quando fiz isso. Mas, dessa vez, o momento merece uma atenção especial. É hora de homenagear um grande amigo que partiu e deixou muitas saudades: André Inácio.

 

No sábado, dia 7 de setembro, recebi no celular a notificação de que o Corpo de Bombeiros havia sido acionado para atender um acidente de trânsito no bairro Gaspar Grande. A mensagem dizia: moto x poste, homem inconsciente. Como jornalista, todos os dias me deparo com mensagens desse tipo. Lembro que, na hora, cheguei a pensar: “tomara que não seja nada grave”.

Não passou muito tempo para receber a notícia de que sim, era um acidente grave. E o pior: com vítima fatal. Os anos de trabalho me deixaram ‘calejado’ para este tipo de situação. Apesar de triste, é meu dever como jornalista noticiar esses fatos. Mas, quando descobri a identidade da vítima, confesso que me desesperei.

André Inácio, de 40 anos, era entregador do Jornal Cruzeiro do Vale. Mais do que isso, era meu amigo. Parceiro, trabalhador e honesto. Entrou no Cruzeiro há quase quatro anos e posso dizer com todas as letras que era um homem de confiança.

A confiança era tão grande que, quando eu viajava com minha família, ele é quem cuidava da minha casa. E, agora, ele não está mais entre nós. Partiu de uma maneira inesperada. 

Lembro que na sexta-feira, um dia antes da sua morte, ele passou no jornal. Foi antes do almoço. Estava fazendo uns serviços extras. Combinamos que voltaria na segunda. Mas ele não voltou. E nunca mais vai voltar.

Da redação do Cruzeiro do Vale, conseguia ouvir o ronco da sua moto entrando no estacionamento do jornal. É difícil imaginar que esse barulho nunca mais será ouvido. Dói pensar que ele nunca mais vai subir as escadas do jornal e, com seu jeito educado e quieto, entrar de mancinho, pé por pé, e me chamar. É sofrido ter que contratar outro entregador de jornal para fazer as rotas do Centro e Gaspar Grande. É muito ruim pensar que os entregadores do Cruzeiro se encontraram esta madrugada para começar a entregar o jornal e o André não estava entre eles.

As lágrimas caem em meu rosto enquanto escrevo essa mensagem. Elas são de tristeza. De sensação de impotência. Quem dera se pudéssemos voltar no tempo. Mas, infelizmente não temos esse dom. Agora, nos resta rezar e ter fé em Deus. Com certeza, Andrezinho está em um bom lugar.

Desejo que Deus conforte o coração de sua esposa, filha e de toda a sua família.

Com certeza, André cumpriu a sua missão na terra e agora está ao lado do seu pai, cuidando e olhando por todos nós.

 

Edição 1918

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