Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Uma UTI e sofisticados equipamentos no Hospital de Gaspar por si só não vão salvar vidas, mas o que se faz antes deles, incluindo à transparência

13/08/2020

Samuel, o menino I

Gaspar se tornou notícia estadual mais uma vez na pandemia da Covid-19. O primeiro paciente da UTI emergencial feita só para Covid-19 no Hospital de Gaspar, não tinha o novo corona vírus. Todos concordam. É técnico. Foi testado. Não há o que contestar. Entretanto, o Hospital – cujo dono ninguém sabe quem é e está sob intervenção municipal desde o governo petista de Pedro Celso Zuchi - foi à Justiça para que isso não seja registrado ou comentado por mim. O que alega?  Que mancha a “boa imagem” do Hospital. É que estamos em tempo de campanha eleitoral e isso não fica bem, mas para a “imagem” dos políticos que tocam o Hospital. Só isso! Agora, o Hospital e principalmente a secretaria de Saúde, tentam se justificar na morte de Samuel Miranda de Oliveira (foto), de 12 anos, morador da Bateias, filho de gente humilde e negra. Pode ser que tenham razão. Mas, prova-se mais uma vez que a UTI não é a salvação daquilo que ainda mal funciona aos olhos dos que estão doentes, esperançosos, não têm para onde ir além do Hospital e do sistema de atendimento da secretaria do prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB. 

Samuel, o menino II

O Hospital de Gaspar – que conheço bem desde 1984 - já fechou a pedido do seu Conselho por falta de condições financeiras e técnicas – nem fossa séptica tinha, doentes, mortos, visitas, funcionários e médicos entravam e saiam pela mesma porta. Fui o vice-presidente da Comissão que o reconstruiu fisicamente Hospital, liderada pelo então presidente da Acig, Samir Buhatem. Muita gente filantropa e comunitária esteve envolvida, principalmente a Fundação Bunge no suporte econômico. O corpo clínico bem distante. As novas ou modernas instalações não serão nunca nada, se à essência do Hospital não existir na alma dele que é o de acolher, diagnosticar corretamente, encaminhar, tratar, recuperar e devolver à vida aos doentes. São os doentes bem atendidos e recuperados que avaliam e avalizam o Hospital e seus profissionais. A “alma” do Hospital deve estar longe dos políticos, inclusive dos bem-intencionados. Tudo começa no Pronto Atendimento, foco dos problemas mínimos, básicos e rotineiros. As redes sociais estão cheias de reclamações e denúncias. As desculpas são sempre as mesmas: falta raio-x, tomógrafo, UTI, isso e aquilo. Eles estão chegando. E os problemas, por sua vez, continuam e até aumentam, quando deveriam diminuir. Então a ordem é abafá-los. 

Samuel, o menino III

E saúde pública não se faz apenas no Pronto Atendimento do Hospital. Esse erro estratégico e funcional retrata bem à gravidade e a forma torta que se trata este grave problema. A saúde pública começa nos postinhos, na policlínica e nas farmácias básicas. É lá que a saúde pública está falhando contra os mais frágeis. Não se faz política pública de saúde séria trocando continuadamente de secretário de Saúde e gestão do Hospital sob intervenção como se viu e se vê no governo Kleber. Não se faz política pública de saúde calando o debate, o doente ou a família dele. O debate e a insatisfação não estão exatamente aqui neste espaço. Estão nas redes sociais e aplicativos de mensagens. São eles que estão fora do controle dos que mandam e marqueteiam na gestão de Kleber. E Samuel pode ser resultado de tudo isso.  A própria prefeitura de Gaspar deu pistas na sua nota oficial. “O menino apresentou os primeiros sintomas suspeitos de corona vírus no dia 5 de julho e testou positivo para Covid-19 no dia 9 de julho”. Então, entende-se que Samuel deveria estar sendo monitorado – como manda o protocolo - pela secretaria de Saúde e como, no mundo o protocolo diz, a doença se expira em 14 dias, presumia-se que este “acompanhamento” da secretaria é que deu a alta, pois não se testou para ver a real situação de Samuel. Mas, ele continuava doente. E de Covid-19. 

Samuel, o menino IV

Emergência. E tarde!  Sugerindo outra causa, a nota das 18.56 continuava: “o menino deu entrada no Pronto Atendimento do Hospital de Gaspar às 21h47 desta quarta-feira, dia 5 [ um mês depois que ele procurou atendimento na rede pública com sintomas de Covid-19], com quadro agravado de dificuldade respiratória. A equipe médica iniciou todos os procedimentos, porém, a criança não resistiu e, infelizmente, veio a óbito por volta das 2h45 dessa madrugada”. Nesta segunda-feira, dia 10, contra o que esperavam todos os envolvidos e os políticos, os exames provaram que Samuel morreu devido, ou com a Covid-19. “Era um menino alegre”, sintetizou a mãe em depoimento a NSC TV. “Eles não passaram nenhum remédio. Só isolamento”, escreveu a irmã mais velha naquilo que viralizou nas redes sociais. Os médicos choraram, registrou a mídia. Mas quem perdeu um filho e um irmão foram outros. Samuel é um caso de investigação científica, no mínimo. Ele é a prova de que sem diagnóstico e acompanhamento corretos, nenhum doente se cura em Hospital com paredes, aparelhos sofisticados e UTI novas. É preciso debater, sim, mais este caso. Abafá-lo como querem os políticos que devem explicações à cidade e aos mais vulneráveis, significará mais outros Samueis no futuro. Boa imagem se constrói, não se impõe sob o silêncio naquilo que se errou, ou estabeleceu como fatalidade. Acorda, Gaspar! 

 

TRAPICHE 

Apenas dois pré-candidatos a prefeito de Gaspar se comprometeram, até agora, a “secar” a teta de comissionados e diminuir o quadro de secretários da prefeitura de Gaspar, se eleitos: Rodrigo Boeing Althof, PL e Sérgio Luiz Batista de Almeida, PSL. Este até promete baixar o atual salário de R$27.356,69 do prefeito – um dos mais altos de Santa Catarina. 

Kleber Edson Wan Dall, MDB, não pode mais fazer tais promessas. Inchou a máquina como poucos. E o PT, que já foi governo e teve as mesmas práticas, ainda não tem candidato declarado. Mas, se tiver, terá os mesmos defeitos de Kleber neste aspecto. 

Enquanto isso, todos 13 vereadores de Gaspar continuam num silêncio sepulcral sobre dois Projetos de Resolução e de autoria do governista Roberto Procópio de Souza, PDT. Eles cortariam apenas 20% por só dois meses, além de não mais acessarem às diárias até o final do ano. 

Os PRs deram entrada no dia sete de abril e estão empacados na Comissão de Legislação, Justiça, Cidadania e Redação, presidida pelo próprio Roberto.  

Para comparar: os cincos projetos que reajustaram os salários do prefeito, vice, secretários, vereadores e deu 1% de aumento real para os funcionários em ano eleitoral, entrou, foi analisado, relatado e aprovado em seis dias. 

Não tem jeito. O Samae, a secretaria de Planejamento Territorial, a secretaria de Obras e Serviços Urbanos e as empreiteiras não se falam. Mal uma obra é terminada, asfalto novinho, lá vem o Samae de Gaspar quebrando tudo. E para procurar registros tampados pelo asfalto. E o povo pagando duas vezes essa pesada conta. 

 

Edição 1964

Comentários

Miguel José Teixeira
14/08/2020 14:50
Senhores,

"Bolsonaro deve descartar Mourão como vice em 2022"

"Os empresários começam a se dar conta de que podem perder um de seus principais interlocutores no governo caso Jair Bolsonaro seja reeleito em 2022. Pelo que ouvem nos corredores do Palácio do Planalto, o general Hamilton Mourão não será mantido como vice na chapa que irá para as urnas nas próximas eleições. Bolsonaro acredita que Mourão é independente demais e não agregará votos. As opções para vice estão no Centrão, que reúne os partidos mais fisiológicos do Congresso, e no grupo ideológico, caso o presidente precise de um contraponto ao figurino paz e amor para manter o apoio dos eleitores mais radicais. Ciente de que já está sendo descartado, Mourão sonha com o governo do Rio Grande do Sul, seu estado natal."
(fonte: Correio Braziliense, Caderno Economia, Mercado S/A., hoje)

Mas bah, tchê! Mourão em banhado é tão firme quanto prego em polenta. . .
Miguel José Teixeira
14/08/2020 14:04
Senhores,

O cocar do cacique zero-zero

"De cocar e com máscara pendurada na orelha, Bolsonaro provoca aglomeração ao inaugurar obra no Pará e volta a defender o uso da cloroquina contra o coronavírus.". . .
(Correio Braziliense, hoje)

Reza o folclore político, que usar cocar dá azar!

E, segundo uma antiga matéria jornalística cujo link encontra-se abaixo, ". . .o azar não vem do cocar, mas das penas com que ele é feito. Se a ave que cedeu as penas tiver morrido, o azar é maior ainda.

(https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/9/22/caderno_especial/14.html)

Imaginem então se as penas forem de galinhas. . .

Poderá indicar que o seu alto nível de aprovação atual, será de curto prazo, tal qual "o vôo da galinha".

Aguardemos, pois!
Herculano
14/08/2020 11:12
da série: o vai-e-vem do sem palavra, ou do que não entendeu até hoje o que o descontrole fiscal é capaz de fazer contra seu mandato, os mais pobres e a favor da inflação; ou de quem que quer agradar a todos e não pode

APóS ADMITIR DISCUSSõES SOBRE FURAR O TETO DE GASTOS, BOLSONARO VOLTA A DEFENDER REGRA FISCAL

'A ideia de furar o teto existe, o pessoal debate, qual o problema?', disse o presidente na quinta (13)

Conteúdo do jornal Folha de S. Paulo. Texto de Ricardo Della Coletta, da sucursal de Brasília. Poucas horas depois de ter admitido que o governo avaliou furar o teto de gastos, o presidente Jair Bolsonaro acusou a imprensa de distorcer suas declarações da véspera voltou a afirmar que sua administração tem como norte a regra fiscal.

"Quando indagado na live de ontem sobre 'furar' o teto, comecei dizendo que o ministro Paulo Guedes (Economia) mandava 99,9% no Orçamento. Tudo, após essa declaração, resumia que por mais justa que fosse a busca de recursos por parte de ministros finalistas, a responsabilidade fiscal e o respeito [à] Emenda Constitucional do 'Teto' seriam o nosso norte", escreveu Bolsonaro nas redes sociais, na manhã desta sexta-feira (14)

A fala de Bolsonaro admitindo ?"e até detalhando?" os debates internos no governo sobre formas de contornar o teto de gastos ocorreu na noite de quinta (13), durante sua tradicional live semanal nas redes sociais.

"A ideia de furar o teto existe, o pessoal debate, qual o problema? Na pandemia nós temos a PEC de Guerra, já furamos o teto [de gastos] em mais ou menos R$ 700 bilhões", disse.

O presidente afirmou então que foi perguntado por auxiliares se era possível extrapolar o teto em "mais R$ 20 bilhões". "Eu falei: 'qual a justificativa? Se for para vírus não tem problema nenhum'", complementou, ainda na sua live de quinta.

Na ocasião, ele também indicou que um dos argumentos defendidos pelos que querem encontrar uma forma de contornar o teto ?"dispositivo constitucional que limita despesas do governo federal às realizadas no exercício anterior, corrigidas pela inflação?" é considerar obras relacionadas a água dentro das ações de combate à pandemia do coronavírus.

"Aí o Paulo Guedes fala: 'tá sinalizando para a economia e o mercado que no teto está dando um jeitinho'", contou o presidente na live.

Na publicação na manhã desta sexta, Bolsonaro disse que a "grande imprensa tradicional virou partido político ao atual governo".

Ele se queixou que as reportagens sobre sua declaração davam conta que ele admitiu que o teto poderia ser desrespeitado.

"Apenas posso lamentar essa obsessão pelo 'furo jornalístico' onde a verdade é a primeira vítima nesses órgãos de comunicação, que teimam em desinformar e semear a discórdia na sociedade. Vamos trabalhar junto ao Congresso para controlar despesas com objetivo de abrir espaço para investimentos e assim atravessarmos unidos essa crise", complementou,

Não é a primeira vez nesta semana que o presidente é obrigado a prometer publicamente respeito à principal âncora fiscal, que é defendida pelo ministro Paulo Guedes.

Na quarta (12), o presidente defendeu o teto de gastos após uma reunião com ministros e os presidentes da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

O encontro ocorreu após as as credenciais liberais do governo terem sido novamente colocadas em dúvida com a saída, no dia anterior, dos secretários do ministério da Economia responsáveis pelas privatizações e pela reforma administrativa. Os agora ex-secretários Salim Mattar e Paulo Uebel deixaram a equipe de Guedes por verem poucos avanços em suas respectivas agendas.
Herculano
14/08/2020 11:04
da série: político mesmo enlameado não consegue enxergar a lama que o cobre. Sem a prisão, queria até então representar os limpos.... e os enlameados. Incrível

PRISÃO E SUBSTITUIÇÃO, por Cláudio Prisco Paraíso

A Fecam (Federação Catarinense dos Municípios) já tem novo presidente. Com a prisão, ontem de manhã, de Orildo Severgnini, prefeito de Major Vieira, assumiu Paulo Roberto Weiss, o Paulinho, chefe do Executivo de Rodeio, que até então era o vice-presidente da entidade.

Severgnini foi preso no âmbito da Operação et patter filium, Deflagrada pelo MPSC e pela Polícia Civil. A operação cumpriu ainda 11 mandados de busca e apreensão. São investigados crimes de organização criminosa voltada para a prática de corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

Severgnini assumiu depois que o prefeito de Caçador, Saulo Sperotto, saiu do cargo. Ele foi preso na segunda fase das investigações. O prefeito de Major Vieira já era muito pressionado a deixar o comando da Fecam, mas ele resistia até ontem.

Na segunda-feira, Paulinho, o novo comandante da associação municipalista, estará em Florianópolis para uma coletiva de imprensa. Consta que Orildo Severgnini pode não ter cometido ilícitos apenas em sua cidade. A própria Fecam pode ter sido lesada, o que é gravíssimo, considerando-se que a entidade representa os 295 municípios do estado.

EM DEFESA DO FRANGO

Outra notícia que repercutiu muito, foi a notícia de que teriam sido achados traços do coronavírus numa embalagem de asas de frango no sul da China. O produto é da Aurora, empresa genuinamente catarinense. Logo em seguida, associações de produtores lançaram notas públicas defendendo a qualidade do produto estadual e brasileiro, que é exportado a mais de 150 países.

Essa história precisa ficar muito bem esclarecida, pois se houver dúvidas vindas da China, onde pode haver deslizes, todo mundo sabe, foi ali que nasceu o coronavírus, o impacto na produção e na economia brasileira pode ser enorme. É muito preocupante.

QUALIDADE RECONHECIDA

Segue trecho da nota distribuída ontem pela Associação dos Criadores de Aves (Acav). "As autoridades brasileiras estão em contato com as autoridades chinesas na obtenção de informações precisas, reiterando, contudo, que o Brasil é um país de excelência na produção de proteína animal no mundo, seja pelo aspecto de sanidade, seja pela segurança dos processos produtivos, auditados reiteradamente por mais de 150 países para os quais o produto é exportado.

O processo produtivo brasileiro, reconhecido internacionalmente, sempre levou em consideração o respeito às pessoas, aos animais e ao uso intensivo de técnicas e tecnologias que levam excelência em qualidade e segurança do alimento colocando assim o Estado de Santa Catarina e o Brasil no topo da cadeia de produção e exportação de aves."

NOVA FASE

A tarde de ontem foi de eventos virtuais para atos importantes da Secretaria de Patrimônio da União (SPU). Foram entregues áreas para atendimento a pescadores, obras em região histórica, cessão de parque ecológico e terreno para praças e projeto para erradicar o trabalho infantil. A SPU em Santa Catarina saiu do marasmo. Passou a ser um órgão atuante, acessível e ágil dentro dos ditames da legislação após a posse do advogado Nabih Chraim como Superintendente. Nos governos esquerdistas que comandaram a SPU por décadas, o órgão era visto como aterrorizante, ultrapassado, inacessível e absolutamente burocrático e ineficaz.
Miguel José Teixeira
14/08/2020 11:01
Senhores,

Posto Ipiranga cheio de razão

"Paulo Guedes vê reeleição como entrave de reformas no Brasil" (UOL)

Já este frentista que vos tecla, vê toda e qualquer reeleição como entrave à ordem e progresso.

Cargo eletivo não é sinônimo de carreira profissional!
Miguel José Teixeira
14/08/2020 08:27
Senhores,

Vox populi, vox Dei

O capitão zero-zero está em alta. . .

Portanto,se "a voz do povo é a voz de Deus", oremos!
Herculano
14/08/2020 06:10
BOLSONARO É O BRASIL DE SEMPRE, por William Waack, no jornal O Estado de S. Paulo

A debandada da equipe econômica sinaliza a perda de ênfase em reformas

A derrota do projeto eleitoral de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes para a economia brasileira é um fato que se pode aplaudir ou lamentar, mas é incontestável. Definido em linhas gerais como uma ampla e profunda transformação do Estado brasileiro, e a consequente "libertação" da economia para gerar aumento de produtividade e crescimento, era um conjunto de intenções aplaudidas por boa parte da sociedade, antes de ser um plano.

Ficou até aqui muito aquém do pretendido (de novo, pode-se saudar ou lamentar essa constatação) e agora não há mais condições políticas, tempo e, ao que parece, intenção de realizá-lo. Grosso modo, a derrota deve ser atribuída a dois grandes fatores. O primeiro é o fato de que não havia uma estratégia, entendida como adequação dos meios (sobretudo políticos) aos fins (reforma do Estado) dentro de um período de tempo. Perdeu-se tempo precioso elaborando o que seria "nova" política, além da dedicação de Bolsonaro ao que se chama na linguagem militar de "teatros secundários".

Como consequência, para o "projeto" acabou sendo ainda mais violenta a devastação trazida pelo segundo grande fator: o imponderável da pandemia da covid-19, que destruiu qualquer outro cálculo que não fosse o da sobrevivência política. A brutal crise de saúde pública agravou os males que já existiam: escancarou a incompetência do governo central, aprofundou a miséria, a crise fiscal e abalou uma economia que ensaiava uma recuperação apenas tímida, presa aos limites estruturais de sempre.

Para todos os efeitos o presidente é hoje um personagem político diminuído em seus poderes e com escassa capacidade de liderança, obcecado com a situação pessoal, gradativamente abandonado pelas elites econômicas que apostaram nele e agora fascinado pelas recompensas político-eleitoreiras trazidas pelo assistencialismo emergencial. Como se antecipava, a economia definiria os rumos de Bolsonaro, que agora precisa gastar o que não tem.

Surge com razoável nitidez o caminho após a derrota do "projeto", e é bem a cara do Brasil "velho" (aquele que nunca deixou de ser). A premente ampla reforma tributária esbarra na incapacidade política de se proceder à eliminação de distorções tais como renúncias fiscais que atendem a vários interesses setoriais antagônicos, além da dificuldade política de coordenar os vários entes da Federação. O Brasilzão de sempre, esse que continua aí, indica que o caminho do menor esforço político nos levará a mais e não menos impostos.

A pretendida reforma do Estado dependia de uma reforma administrativa que atacasse gastos públicos ?" aumentá-los muito além da capacidade de financiá-los foi um claro consenso da nossa sociedade, como assinalou o ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida. Reforma que sumiu no horizonte. Há um compromisso verbal com a manutenção da âncora fiscal além do período de emergência, mas as nuvens da política sugerem que esse período será estendido para o ano que vem.

Furar o teto de gastos é uma contingência política criada no plano imediato pela convergência entre os "desenvolvimentistas" no Planalto, entre eles os saudosistas do período militar (que convenientemente se esquecem de como aquilo acabou), e a massa do Centrão que enxerga uma oportunidade nos cofres públicos sem fundos. Juros baixos e inflação bem comportada permitirão que essa "estratégia" se mantenha por um tempo razoável, que é o tempo para se programar para uma reeleição. As ambiciosas privatizações e a propalada diminuição do Estado ficam para depois.

Bolsonaro deve ser ajudado por um conjunto de concessões e obras de infraestrutura que movimentarão setores como construção e atrairão investidores, ainda que preocupados com a eterna insegurança jurídica que paira como sempre sobre os negócios. Vai ser indiretamente ajudado também pelos setores modernos do agro negócio que desprezam como o governo fala sobre questões ambientais, mas acham que bem ou mal sobreviverão às pressões internacionais, e seguirão crescendo.

Com a perspectiva real de vacinas que ajudem a controlar o vírus, a tragédia dos milhares e milhares de mortos vagarosamente se acomoda na psicologia coletiva. No jeitão do Brasil de sempre, aquele que Bolsonaro prometeu mudar, sonhando com o que poderia vir a ser, sem conseguir deixar de ser o que é.
Herculano
14/08/2020 06:01
TSE SE INCLINA A REJEITAR 'ABUSO DE PODER RELIGIOSO', por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) têm divergido da pretensão legisladora do ministro Edson Fachin, de criminalizar suposto "abuso de poder religioso" na influência de pastores, bispos ou padres em campanhas eleitorais. A lei não prevê esse "abuso", mas o TSE nunca foi de resistir à tentação de legislar. Não seriam atingidos pela medida influenciadores como sindicalistas, artistas, professores etc.

LIBERDADES AMEAÇADAS

Em voto brilhante, o ministro Tarcísio Vieira de Carvalho Neto defendeu as liberdades de expressão e religiosa, multiculturalismo, tolerância etc.

NÃO HÁ COMO DISSOCIAR

"Não vejo como defender a liberdade de voto dissociada da liberdade de expressão do candidato e de seu simpatizante", disse Carvalho Neto.

MORAES ABRIU DIVERGÊNCIA

Até o ministro Alexandre de Moraes divergiu do alegado "abuso de poder religioso", no caso em que adversários tentam cassar uma vereadora.

TODO APOIO SERÁ CASTIGADO

Políticos governistas veem na alegação de "abuso de poder religioso" a tentativa de dificultar um novo apoio evangélico a Bolsonaro, em 2022.

NÃO HÁ NEGROS NO CNJ QUE AVALIA RACISMO DE JUÍZA

Quando chegar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) o caso da juíza Inês Marchalek Zarpelon, da 1ª Vara Criminal de Curitiba, que afirmou em sentença que um réu é "seguramente integrante do grupo criminoso em razão da sua raça", encontrará um colegiado de quinze integrantes no qual não há negros. A vítima do racismo, Natan Vieira da Paz, 42, é negro e foi condenado a 14 anos e dois meses de prisão pela juíza.

30 DIAS PARA AGIR

O corregedor nacional de Justiça do CNJ, Humberto Martins, ordenou "providências" e fixou prazo de 30 dias para a corregedoria paranaense.

DESPEDIDAS

Martins participará, dia 25, de sua última reunião do CNJ. No dia 27, ele assumirá a presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

QUE 'CONTEXTO'?

A juíza diz que a frase "foi retirada do contexto". Como se fosse possível desvirtuar a frase "integrante do grupo criminoso em razão da sua raça".

ACESSO DIFÍCIL

A dificuldade de acesso dos advogados a magistrados foi alvo de estudo da OAB-DF: em média, 36,4% de juízes de tribunais do DF (incluindo superiores) não recebem advogados de jeito nenhum. No STF, 4 dos 11 ministros mantém portas fechadas e no STJ, metade dos 30 ministros.

LÍDER DA OPOSIÇÃO

Em suas coletivas, como nesta quinta-feira, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, mal esconde sua satisfação com a tal "debandada" de dois do Ministério da Economia. Ele quer ver Paulo Guedes pelas costas.

BEM DE SAÚDE

Recuperada de covid-19, a deputada Joice Hasselman (PSL-SP) voltou a marcar presença na Câmara, em Brasília. Colegas afirmam, "com todo o respeito, a perda de peso durante a doença lhe fez bem".

FALTOU EXPLICAR

O STF decidiu que ministro a 60 dias da aposentadoria será excluído do sorteio para relatar novos casos. Se isso não teve o objetivo de alcançar o ministro Celso de Mello, que se aposentará em 1º de novembro, ao completar 75 anos, foi uma atitude indelicada com o decano da Corte.

BOM CABRITO

À frente da liderança do governo na Câmara desde o início do mandato do presidente Bolsonaro, o deputado Vitor Hugo (PSL-GO) foi substituído e não saiu atirando. Caso raro de lealdade.

VISITA A CORUMBÁ

O presidente Jair Bolsonaro visita o Mato Grosso do Sul na próxima terça-feira. Fez questão de ir a Corumbá verificar providências adotadas para impedir incêndios.

A ECONOMIA REAGE

As maiores lojas virtuais no Brasil receberam 1,29 bilhão de acessos de em julho, o terceiro melhor desempenho dos últimos 12 meses, revela estudo Conversion. Foram avaliadas mais de 200 lojas de e-commerce.

SUSPEITO JÁ É EX

O governo de Roraima enviou nota à imprensa para lembrar que o ex-secretário de Saúde Francisco Monteiro Neto, alvo de operação da PF de ontem, foi demitido em maio pelas suspeitas em que é investigado.

PENSANDO BEM...

...se é mesmo verdade que os chineses encontraram covid em um lote de frango brasileiro, é caso clássico de "toma que o filho é teu".
Herculano
14/08/2020 05:51
CONTA DE LUZ ENTRA NO RADAR QUE MEDE QUEM É BOM DEVEDOR, por Joana Cunha, na coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo

Distribuidoras de energia assinam acordo para passar dados ao cadastro positivo

A conta de energia vai entrar na lista das informações dos consumidores que os birôs de crédito acompanham para compor o cadastro positivo.

A Abradee (associação de distribuidores de energia elétrica) diz que vai assinar na terça-feira (18) um acordo com as empresas para que o histórico de pagamento das faturas passe a ser usado na análise de concessão de empréstimos e produtos financeiros.

Um dos esforços para tentar reduzir as taxas de juros pagas pelos consumidores no país, o cadastro positivo começou a funcionar em janeiro, mas coletando apenas informações do sistema bancário.
Herculano
14/08/2020 05:46
CADA COISA

O prefeito e candidato a reeleição Kleber Edson Wan Dall, MDB, está mandando o seu novo suposto vice, Marcelo de Souza Brick, PSD - que ainda se apresenta por ai como candidato a prefeito pelo seu partido - representá-lo em discussões com a comunidade.

Ou seja, Brick está falando em nome de um governo que não participa - e onde ainda está instalado o vice Luiz Carlos Spengler Filho, PP - sob o manto de uma suposta função política que não existe, pois nem candidato oficial é na coligação com o MDB e que também não há com o PSD por enquanto. Acorda, Gaspar!
Herculano
14/08/2020 05:40
UM POLÍTICO DE VERDADE

Quando secretário não foi capaz de fazer uma política pública consistente aos vulneráveis da cidade, como candidato está distribuindo esmolas aos necessitados e fotografando para inundar as redes sociais, num triste espetáculo de falsidade.

Está pronto. É um político de verdade. Só falta ser eleito

Herculano
14/08/2020 05:37
CHORORô LIBERAL QUER ABAFAR INCOMPETÊNCIA DO GOVERNO BOLSONARO

Fracassos do reformismo se devem à desordem política e administrativa do Planalto

O episódio da "debandada" provocou um chororô dos liberais, além de escancarar intrigas no Ministério da Economia.

Paulo Guedes forçou um recuo dos "fura-teto", mas tem dificuldade de avançar porque ele mesmo não tem plano organizado, porque o governo não tem iniciativa, programa, competência e está dividido quanto ao que fazer da economia. Se não fosse por um general "fura-teto" e pelo Congresso, Jair Bolsonaro e seus "liberais" estariam com uma corda no pescoço.

Guedes depende de conveniências menores de Bolsonaro e do programa passivo do comando da Câmara. Do pouco que sai do Planalto, Rodrigo Maia e seu grupo vetam ou autorizam o que pode tramitar - não há plano organizado em acordo com uma coalizão no Congresso.

Tais decisões talvez mudem um pouco de figura, pois todos os líderes do governo e da maioria são agora deputados e senadores do MDB e do PP; todos menos um foram ministros de Dilma Rousseff e de Michel Temer, aliás.

Os liberais reclamam que são minoritários, preteridos e tratados como corpos estranhos no malévolo paquiderme estatal. Queixam-se do "deep state", burocratas que andariam por porões brasilienses a sabotar privatizações etc. Talvez devessem mandar um telegrama de protesto para Guedes, pois em tese o ministro nomeou sua equipe e toma decisões.

Talvez se lembrem também de que os governos "social-democratas" privatizaram mais do que eles, os liberais. Os "comunistas" do primeiro governo FHC, como diz Bolsonaro, quebraram o monopólio estatal do petróleo, venderam a Vale, as teles, ferrovias e uma estatal elétrica, pelo menos. Os de Itamar Franco abriram a economia e venderam a CSN, a Açominas, a Cosipa e a Embraer.

Não quer dizer que reformas liberalizantes não vão passar. Esse é o programa de parte do establishment e do movimento que depôs Dilma Rousseff. Lembram-se de 2015, da "Ponte para o Futuro" do MDB, de Temer e companhia? Pois é.

Essas coisas ganham impulso e perduram por mistura de interesses e da feia necessidade, de pressões sociais e econômicas, de ideias da alta burocracia e dos acadêmicos. Mesmo um teto de gastos, diferente desse que está aí, foi plano de Nelson Barbosa, ministro da Fazenda na fase terminal de Dilma 2, que até queria fazer umas reformas, mas foi sabotada pelo PSDB e largada pelo PT.

O pessoal "Ponte para o Futuro", também uma coalizão contra a Lava Jato, e o puro creme do milho da "velha política" passaram a liderar o governo no Congresso e seguram a cabeça de Bolsonaro. O próprio Temer agora é "brother".

Se Bolsonaro tivesse um programa de administração, teria feito um governo Temer 2, mas não entende nem queria saber de nada disso, não reuniu quadros (nem conhecia algum), não organizou bancada e não tem articulação social (mafuá em rede social é outra coisa). Dedica-se a fazer guerra ideológica autoritária e a resolver os problemas da família com a polícia.

Em suma, um problema de Guedes e dos "liberais" é que não há propriamente governo. Reclamam dos generais, mas foi deles, de Braga Netto em particular, o plano de criar uma coalizão parlamentar mínima, em abril, e alguma articulação administrativa.

Reclamam do Congresso, que aprovou a reforma da Previdência e o auxílio emergencial, contra o plano pífio dos "liberais" para a epidemia, sem o que o país estaria em convulsão social e econômica, com saques, mais fome e quebradeira ainda maior.

Se algo andar, será por causa dessa geringonça que tenta dar forma a algo que pareça um governo.
Herculano
14/08/2020 05:26
da série: o que aconteceu com o Aliança pelo Brasil, o partido que foi talhado para ser dos Bolsonaros e bolsonaristas raíz?

PSL NÃO ACEITA BOLSONARO DE VOLTA, DIZ BOZZELLA

Conteúdo de O Antagonista. Júnior Bozzella afirmou que os deputados do PSL "acharam por bem não aceitar" a volta de Jair Bolsonaro ao partido.

"Agradecemos ao Jair Bolsonaro o seu reconhecimento de que o PSL é um grande partido, de gente séria e equilibrada, ao solicitar o seu retorno para agremiação. Mas como um partido liberal e democrático, deputados acharam por bem não aceitar."

Como mostramos, Bolsonaro admitiu esta noite que tem buscado uma "reconciliação" com o seu ex-partido.

O movimento de reaproximação começou no mês passado, quando o presidente passou a avaliar a filiação a outros partidos por causa da incerta criação da Aliança pelo Brasil.

"Vou conversar com o pessoal do PSL porque, apesar de eu ter saído, tem 43, 44 parlamentares que conversam comigo. Tem uns oito que não dá para conversar por causa do nível que conduziu a política, entrando na questão pessoal", disse Bolsonaro.

No racha do PSL, Bozzella assumiu o papel de porta-voz informal de Luciano Bivar, presidente da sigla. À época, apesar do distanciamento, o deputado afirmou que o partido não passaria a fazer oposição ao governo.
Herculano
14/08/2020 05:21
VALE CORONA VIROU BOLSA POPULARIDADE DO CAPITÃO, por Josias de Souza

O auxílio mensal de R$ 600 que o governo vem pagando desde abril não socorreu apenas os brasileiros pobres abalroados pela pandemia. O vale corona exerceu sobre a popularidade de Jair Bolsonaro um efeito anabolizante. Tornou-se uma espécie de Bolsa Popularidade.

O índice de aprovação do presidente subiu de 32% para 37% no intervalo de dois meses, informa o Datafolha. Um salto de cinco pontos percentuais, dos quais três vieram de desempregados e trabalhadores informais, clientes do socorro do Tesouro Nacional.

A pesquisa ajuda a explicar por que Bolsonaro encosta sua Presidência numa agenda populista, distanciando-se do liberalismo de Paulo Guedes. A última parcela do auxílio emergencial será paga em setembro. E o presidente quer colocar algo no lugar. Sem dinheiro, o grande desafio é evitar que o tônico vire um veneno.

"A ideia de furar o teto existe, o pessoal debate. Qual o problema?", indagou Bolsonaro numa live transmitida nas redes sociais na noite de quinta-feira, apenas 24 horas depois de ter assegurado em entrevista que respeitaria os limites do teto de gastos públicos.

Olhado de esguelha pela oligarquia empresarial e pela turma do mercado financeiro, Bolsonaro deu de ombros: "Esse mercado tem que dar um tempinho também, né? Um pouquinho de patriotismo não faz mal a eles, né?"

No momento, Bolsonaro cultiva duas obsessões: criar o Renda Brasil, irmão mais gordo do Bolsa Família, e colocar em pé o plano de obras Pró-Brasil, primo pobre do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. Ironicamente, a agenda populista do capitão tem um aroma petista.

A desaprovação de Bolsonaro despencou de 44% para 34%. O melhor desempenho relativo foi observado no Nordeste, uma cidadela do PT. Ali, a rejeição a Bolsonaro despencou de 52% para 35%. A aprovação subiu de 27% para 33%. Continua sendo a mais baixa entre as regiões do país. Mas deu um salto de seis pontos percentuais.

Afora o vale corona, que estimula o brasileiro pobre a avaliar Bolsonaro com o bolso, o que há de diferente no presidente é a língua. Ela vem sendo mantida na coleira desde 18 de julho, quando foi preso o amigo Fabrício Queiroz, operador do clã Bolsonaro. O timbre moderado rende dividendos políticos ao capitão.
Herculano
14/08/2020 05:14
da série: não há limites no ambiente público contra os pagadores de pesados impostos, nem mesmo a aguada crise que vivemos é capaz de sensibilizar essa gente.

O DESPLANTE DO TRIBUNAL, editorial do jornal Folha de S. Paulo

Enquanto a economia desaba, TJ paulista quer elevar sua verba em 55%

Mesmo em meio ao colapso econômico provocado pela calamidade sanitária, a elite da burocracia estatal avança insaciável na captura do Estado. A esta altura, o alheamento diante das privações que atingem a maioria dos brasileiros configura uma doença crônica.

O mais novo exemplo, entre incontáveis outros, é a proposta de orçamento apresentada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo para 2021. Enquanto milhões de empregos são perdidos e a arrecadação de impostos desaba, as Excelências querem elevar seus gastos em nada menos de 55% no próximo ano, para R$ 19,1 bilhões.

Dos R$ 6,8 bilhões adicionais aventados, 70% seriam destinados a salários, como noticiou o jornal O?Estado de S. Paulo. O escárnio fica explícito quando se observa que a maior parte dos desembargadores tem remuneração acima do teto estadual, de R$ 35,4 mil mensais.

Com penduricalhos diversos, chega-se aos R$ 56 mil - e não raro os pagamentos se aproximam da incrível marca de R$ 100 mil.

São vantagens injustificáveis, todas tratadas como direitos adquiridos - criados e protegidos pelo próprio Judiciário, numa governança viciada e pouco republicana.

Tome-se ainda a decisão do TJ paulista de criar até 19 câmaras extraordinárias para reduzir a fila de 120 mil processos pendentes de julgamento. O objetivo meritório, que deveria ser cumprido normalmente, poderá render R$ 100 mil extras a cada desembargador.

A despesa não ocorrerá de imediato, segundo nota do tribunal, dado que inexistem recursos. Ora, como sempre acontece, surgirão "atrasados" a serem pagos mais adiante, quando o assunto tiver sido esquecido ou superado em desfaçatez pela próxima regalia.

O conceito de remuneração variável, essencial no setor privado, acaba sendo distorcido quando se aplica ao funcionalismo.

Advogados públicos que ganham verbas de sucumbência (o pagamento dos custos judiciais pela parte derrotada), auditores fiscais que pretendem indexar salários aos valores arrecadados e juízes a ganhar por processo julgado fazem parte do mesmo padrão de degeneração das carreiras de Estado.

Quanto ao TJ paulista, não cabe ampliação de orçamento. Os cortes de investimentos e bloqueios de despesas públicas nos últimos anos decorrem justamente do inchaço da folha e de demandas no topo da pirâmide. Em qualquer comparação internacional, o custo do Judiciário brasileiro se mostra excessivo. É preciso contê-lo.
Herculano
14/08/2020 05:08
AGUARDANDO O CARNAVAL, por Jorge Henrique Cartaxo, em Os Divergentes.

A Gripe Espanhola, a grande epidemia do início do século XX, chegou ao Brasil pelo porto do Rio de Janeiro, em setembro de 1918, a bordo do correio britânico Demerara vindo de Lisboa com escala em Dakar. Naquela epidemia, como na atual, o búzio demorou a tocar. As mortes estranhas, dolorosas e rápidas se espalhavam pela cidade. Assim como mentes primitivas e almas azinhavradas atribuíram aos chineses a "invenção" do coronavírus, o carioca de 1918 ?" nesse caso dando vazão ao festejado humor fluminense ?" considerou a doença uma espécie de "arma secreta alemã, embutidas nas salsichas".

Quando as mortes chegaram a centenas por dia, as autoridades perceberam que havia de fato uma grave epidemia no país. Mesmo sendo a cidade mais atingida, o Rio não sofreu sozinho. Recife, Fortaleza, Salvador e Santos também viveram seus dias de horror. Ontem como hoje, remédios milagrosos e curas extemporâneas foram anunciados e as autoridades sanitárias, no primeiro momento, também tentaram amenizar a gravidade da peste. Cenas mais fortes do que as atuais aterrorizaram a paisagem da metrópole imperial. Não havia leitos nos hospitais, cadáveres eram empilhados nas ruas, mortos eram largados nas calçadas aguardando carroças ou caminhões que viriam recolhê-los, não raro depois de dias. Inexistiam velórios e muitos corpos eram jogados em valas comuns ou simplesmente incinerados. Há histórias de enterrados vivos e estertores antecipados com pazadas desfechadas pelo coveiro da hora.

Pouco mais de 45 dias depois de desembarcar na capital da República na boca, no corpo e nos calçados dos marujos britânicos que animaram a Praça Mauá naquele setembro de 1918, a Gripe Espanhola, no final de outubro daquele mesmo ano, como num passe de mágica, foi embora. As mortes cessaram, os enfermos recuperaram-se, o comércio voltou a funcionar, a vida a fluir, o carioca a fruir no seu melhor estilo. Contaminações esporádicas ainda ocorreriam, como foi o caso do ex-presidente Rodrigues Alves, que viria a falecer em janeiro de 1919. Miguel Couto, então nosso maior clínico, disse à época que mais de 600 mil pessoas haviam sido contaminadas no Rio, pouco mais da metade da população da capital da República. Considerou um milagre a morte ter alcançado, numericamente, apenas 15 mil cariocas. Algo em torno de 2,5% dos infectados.

Finda a Primeira Guerra Mundial e dissipado o vírus e suas mortes, o espírito brasileiro mostrou, novamente, seu verdadeiro estilo. "Quem não morreu na Espanhola / quem dela pôde escapar / não dê mais tatos à bola/ toca a rir, toca a brincar...", cantava o grande sucesso do carnaval de 1919, considerado um dos mais eufóricos dos Momos da vida carnavalesca do Rio. Este relato é descrito com vantagens, primor e estilo, no livro "Metrópole à Beira-Mar - O Rio Modernos dos anos 20", do jornalista Ruy Castro.

Não se sabe ainda, e talvez jamais possamos identificar, quando e por onde chegou o coronavírus ao Brasil. O fato doloroso é que passamos os cem mil mortos em pouco mais de cinco meses da presença do vírus no país na esteira de um espetáculo dantesco de descaso, desordem, abandono e quase achincalhe do poder público, com destaque para a presidência da República, diante do avanço da epidemia. Curiosamente, o incômodo diante desse horror se restringe, de certo modo, à mídia, aos comentaristas, aos eventuais acadêmicos e a algumas vozes do Poder Judiciário. No mais há uma estranha aceitação das mortes e enfermidades. Ela torna-se normal e passa integrar a paisagem. Parece que aguardamos o próximo carnaval!
Herculano
14/08/2020 05:02
OS DOIS LADOS DA MOEDA

A mesma China que demorou para "achar", ou ao menos divulgar ao mundo o novo corona vírus, foi rápida demais ao diagnosticar que frango brasileiro continha o mesmo vírus.

Por enquanto, ela está passando vergonha diante da ciência de que isso é possível.

Mas, será por pouco tempo. É que no fundo, tudo isso tem um quê de uma guerra suja comercial e que sempre foi própria da China para diminuir preços de fornecedores ou colocar problemas para chamar à negociação bilateral, como por exemplo para que se compre mais dela outros produtos para ter vantagens na balança comercial, ou que se facilite o 5G da Huawei que está num jogo de tranca dom os Estados Unidos, ou recados ao Itamaraty ideológico...

E quem paga a conta da insegurança, é no fundo, neste caso, o pequeno produtor rural brasileiro.
Herculano
14/08/2020 04:50
COM ADESõES A BOULOS, PT PODE SOFRER NOVA ONDA DE DESGASTES NAS ELEIÇõES, por Bruno Boghossian, no jornal Folha de S. Paulo

Partido finge não ver problema em candidatura e ainda pode perder tempo com caça às bruxas

O PT preferiu fazer pouco caso diante da adesão de eleitores identificados com o partido à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo. Afinal, o ex-ministro Celso Amorim não vota no município, e Chico Buarque nem é filiado à legenda, argumentaram dirigentes.

Os petistas fingiram não ver o problema. O partido comandou a Prefeitura por 12 anos em três décadas, mas penou para definir um nome na disputa deste ano. A vaga ficou com Jilmar Tatto, ex-deputado, ex-secretário e integrante de um clã que domina redutos políticos da zona sul.

De saída, a escolha não empolgou. Petistas notórios declararam apoio a Boulos, como o cientista político André Singer, o ex-presidente do PT Tarso Genro e a ex-deputada Bete Mendes, fundadora da legenda.

A sigla pode enfrentar uma nova onda de desgastes nas eleições municipais. Há quatro anos, a legenda perdeu 60% de suas prefeituras na esteira do impeachment e da Lava Jato. Agora, parece jogar para cumprir tabela em cidades importantes.

A escolha de Tatto representa uma opção pela política local, mas muitos petistas se incomodam com o fato de que o partido abriu mão de usar a campanha como palanque para um embate com Jair Bolsonaro. Alguns, como Tarso Genro, acreditam que o PT deveria se aliar a Boulos.

Ex-ministro de Lula e Dilma, Celso Amorim afirma que seu apoio ao candidato do PSOL não representa uma crítica ao PT. Ele argumenta que a eleição terá grande repercussão nacional e "precisa de candidatos que tenham essa dimensão".

"O edifício está desabando. Não adianta só pregar um andaime novo", diz. "O cansaço com a política tradicional requer um nome que venha com propostas novas, ideias novas."

A presidente do PT disse que os filiados que apoiarem outras siglas podem sofrer sanções. "A filiação petista carrega consigo algumas responsabilidades, entre elas a de lealdade ao candidato do partido", disse Gleisi Hoffmann ao repórter Fábio Zanini. A legenda ainda pode perder tempo numa caça a suas próprias bruxas.
Herculano
13/08/2020 21:03
da série: o governo Bolsonaro e uma nota de R$3 é a mesma coisa. O que diz, não se confia ou não se pratica.

"A IDEIA DE FURAR TETO EXISTE. QUAL É O PROBLEMA?", DIZ BOLSONARO

Jair Bolsonaro confessou há pouco que o governo debate a possibilidade de furar o teto de gastos.

Em live, o presidente afirmou que ministros têm o procurado para pedir mais recursos para obras públicas.

"A ideia de furar teto existe, debate. Qual é o problema? O ministro diz: 'Presidente, já furamos o teto em R$ 700 bilhões. Dá para furar mais R$ 20 bilhões?'. Eu pergunto qual é a finalidade. Se for para vírus, não tem problema nenhum. 'Ah, mas entendemos que água é para a mesma finalidade. E daí? Já gastamos R$ 600 bilhões, vamos gastar mais R$ 20 bilhões ou não?'"

Segundo Bolsonaro, Guedes afirmou que o aumento de recursos para investimento público em obras poderia sinalizar ao mercado que o governo está "furando o teto".

"O Paulo Guedes diz que está sinalizando para o mercado que está furando o teto, dando um jeitinho. O outro lá na ponta diz que não vai aceitar jeitinho. Em vez de ligar, telefonar, isso vaza aqui do nosso meio."

E acrescentou:

"Falou-se em fazer uma consulta ao TCU. Não fizeram, mas o pessoal vem como se estivesse tudo articulado para dar um grande golpe, furar o teto, como se alguém estivesse desviando dinheiro. A intenção de arranjar mais R$ 20 bilhões é para a água no Nordeste, revitalização de rios, Minha Casa, Minha Vida."
Herculano
13/08/2020 20:57
FISCHER MANDA QUEIROZ DE VOLTA PARA A CADEIA

Conteúdo de O Antagonista. O ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça, acaba de mandar Fabrício Queiroz e sua mulher, Márcia Aguiar, de volta para a prisão.

Fischer acolheu recurso do Ministério Público Federal e derrubou a liminar do presidente do STJ, João Otávio de Noronha, que havia garantido, durante recesso do Judiciário, o regime domiciliar para o ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Fischer determinou que o Tribunal de Justiça do Rio analise com urgência o habeas corpus, porque os desembargadores remeteram o pedido diretamente para o STJ sem analisá-lo.

Relator do caso da rachadinha no STJ, Fischer adiou seu retorno ao trabalho por problemas de saúde. Precisou ser submetido a uma cirurgia de abdômen e, após alta médica, acabou tendo uma recaída.

No último sábado, porém, retornou para casa recuperado e assumiu os processos em seu gabinete ontem.

Como a derrubada da esdrúxula liminar era esperada, a defesa de Queiroz protocolou outro habeas corpus no Supremo. O caso está sob análise de Gilmar Mendes, que hoje pediu informações ao STJ, ao Tribunal de Justiça do Rio e ao juiz Flávio Itabaiana.

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.